segunda-feira, 26 de abril de 2021

ECONOMIA A SERVIÇO DA VIDA

 

Episódio recente do podcast Política com Fé

Desenvolvimento sem democracia econômica é um contrassenso do capitalismo ultraliberal rentista e excessivamente financeirizado. Os maiores gênios da economia mundial vêm se empenhando no sentido de encontrar uma alternativa que o substitua. E nesse momento caótico em que vivemos é o papa Francisco, reconhecido por várias autoridades como o maior líder mundial dos tempos atuais, quem articula os principais movimentos globais sugerindo iniciativas de estudos, debates e ações com uma Igreja em saída – se encontrando com os leigos, intelectuais e com a sociedade –, na busca de soluções para garantir a vida no planeta.

Ouça na íntegra o mais recente episódio do podcast Política com Fé: # 11 - Economia a serviço da vida, clicando aqui.

terça-feira, 20 de abril de 2021

PRESIDENTE BOLSONARO É CITADO EM RELATÓRIO GLOBAL



Brasil cai quatro posições no 
Ranking de Liberdade de Imprensa da RSF


O Brasil caiu quatro posições e passou à 111ª colocação entre 180 países no ranking de liberdade de imprensa global da organização Repórteres sem Fronteiras, anunciado nesta terça-feira (20/4) em Paris. Saiu da zona laranja, onde estão as nações cuja situação é considerada sensível, e entrou para a vermelha, um clube formado por aqueles onde a situação da liberdade de imprensa é classificada como difícil. 
Mas o País não está sozinho nisso. O estudo revela que “a principal vacina contra o vírus da desinformação, o jornalismo”, está total ou parcialmente comprometido em 73% das 180 nações que fazem parte do ranking de 2021. Apenas 7% dos países ficaram na zona branca, que sinaliza uma boa situação.
Entre as razões apontadas pela RSF destacam-se a pandemia do coronavírus, usada como pretexto para violações que vão de perseguições a leis restritivas e censura. E as redes sociais, nas quais o crescimento de ataques a profissionais e veículos contribuiu para minar a confiança do público no jornalismo e fomentar violência por parte de cidadãos, que se tornaram rotina em vários países. 
Este é o quarto ano consecutivo de queda do Brasil, que em 2018 estava na 102ª posição. Coube ao País a oitava pior colocação das Américas e a terceira pior da América do Sul.
O ranking de liberdade de imprensa da RSF é mais um momento de exposição negativa, contribuindo para desgastar novamente a reputação do País em nível global. O presidente Bolsonaro é citado no texto de apresentação do estudo, ao lado de Nicolás Maduro, como exemplos de líderes que promovem desinformação. Somente três governantes são destacados na abertura (o outro é o presidente do Egito, Abdel Fattah).
Para continuar lendo a matéria de Aldo De Luca para Repórteres Sem Fronteiras, clique aqui.
(Fonte: MediaTalks)

quinta-feira, 15 de abril de 2021

DESIGUALDADES PERDURAM DE FORMA BRUTAL

(Foto: Clacso)

Onze novos bilionários e 116 milhões sem almoço


Insegurança alimentar explodiu no mesmo ano em que apenas 42 rentistas enriqueceram R$ 176 bilhões. Sugam a riqueza social e não pagam impostos. Campanha propõe taxá-los duramente, primeiro passo para reverter crise humanitária

Em meio ao caos pandêmico e uma gestão desastrosa das crises sanitária e econômica, com mais de quatro mil mortes diárias pela covid-19, choca a notícia de que 11 novos brasileiros foram incluídos na lista de bilionários da Forbes. O ranking global dos bilionários de 2021, divulgado pela revista no dia 6 de abril inclui 30 brasileiros, sendo 11 novatos compondo este seleto grupo. No mesmo dia também foi notícia que metade da população do Brasil não tem garantia de comida na mesa.

Você a matéria de Maria Regina Paiva Duarte, para o site Outras Palavras, clicando aqui.

sábado, 10 de abril de 2021

VIVER E ESPERANÇAR É PRECISO

(Belles Memoires/Pixabay)
 

Do Divino e do Profano: 
em tempo de Páscoa

Eugênio Magno

         No capítulo 43 do livro do profeta Isaías tem um trecho que diz: “... Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca”.

Isso é tudo que todos esperam: o crente, o ateu, o agnóstico.

         Depois de falar sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica que teve início na quaresma, no artigo do mês passado, não quis que a Páscoa passasse em branco. Para a comunidade cristã, Páscoa é símbolo de renascimento. Tempo de louvores e glórias ao Rei. É festa, celebração da boa nova. O Livro do Eclesiastes diz haver um tempo de campo e um tempo de canto. Páscoa é tempo de canto. Hora de esquecer o passado e de se dar conta de que coisas novas estão sendo feitas. E muitas coisas novas, realmente, estão sendo feitas: de divino e de profano.

         A cada dia, mais e mais pessoas embarcam ou reembarcam nas práticas religiosas em busca do milagroso, da verdade, do divino. Até os ricos (quem diria!), mesmo os aparentemente menos entediados, com cacife para bancar os honorários de qualquer psicanalista do planeta, estão se rendendo ao “divã” da religiosidade. O fenômeno da religação com Deus, há muito esquecido, está de volta ou trata-se apenas das manifestações tardias das teologias da prosperidade e do domínio, alimentando o neopentecostalismo?

Substituído pela vacuidade egóica que se nutre apenas de ostentação, cobiça, poder e dos prazeres sensoriais, poderíamos pensar que Deus está voltando a ocupar o espaço existencial no coração dos (des)iludidos de todas as camadas sociais? A humanidade estaria se sentindo culpada pelos danos causados à vida, à natureza e aos seus semelhantes e, amedrontada, se penitencia e volta a flertar com o transcendente?

         Místicos e piedosos de todos os tempos afirmam que as graças do Divino sempre se mantiveram acessíveis. Mas, somente aos que têm uma fé verdadeira e inabalável, como Jó, independentemente das circunstâncias. Asseguram que milagres só ocorrem no plano do espírito, de uma iluminação que coloca o ser em harmonia com a vida e com o planeta. Algo que está muito além da relação comercial estabelecida com Deus, por obra e graça dessa proliferação de seitas que vendem promessas de prosperidade e curas com hora marcada; educa para o negacionismo da ciência, faz proselitismo político à extrema direita e mantêm milhões de incautos reféns de suas próprias misérias. Enquanto isso, a faca continua – como sempre –, amolada. O mundo dito civilizado, depois de organizar as pessoas em tribos, reinados, impérios, repúblicas, estados e regimes, desordenou mais uma vez a vida humana de forma globalizada. Os donos do poder brincaram de deuses, aliciando a humanidade para a construção de um novo mundo, de um novo homem e foram muito bem sucedidos. Construíram novos mercados, novíssimos consumidores, o homem-data, digitalizado, online, prosumidor, patrãogado, empreendedores (empresários de araque), exploradores de si mesmos.

         As vozes destoantes de um pequeno extrato de cientistas das áreas humanas e sociais há muito tempo incendeiam o palco das incertezas sobre o novo poder, o biopoder do hipercapitalismo financeiro, neoliberal e tecnológico do capital improdutivo.

A diminuição dos Estados-nação e o desprezo às instituições com a pretensão de se criar uma nova ordem mundial já se cumpriu e o tiro saiu pela culatra. O excesso de poder do mercado afetou a democracia. O Estado fraco faz o que as empresas querem. E as pessoas têm se perguntado então para que serve a democracia se as decisões estão sendo tomadas onde não temos influência. O desalento e a falta de politização fez com que muita gente boa perdesse a linha e desencarrilhasse o trem. Se os problemas de um país já não são resolvidos pela ação do Estado é sandice acreditar que poderão ser resolvidos pelo mercado que tem como lógica estatizar prejuízos e privatizar lucros.

É urgente um novo pacto, se não uma revolução, que ressalve o dever do Estado de dar condições básicas de cidadania, garanta liberdade ao povo, regule o mercado, incentive a economia produtiva sustentável e solidária, garanta trabalho e renda para a população, socialize os meios de produção, zele pelo ambiente e permita a influência de entidades comunitárias, numa dinâmica em que os poderes sejam controlados pela sociedade.

         Saídas existem. O que não se pode aceitar é a insistência no que nunca deu certo e que a cada dia se agravou até chegar ao ponto em que estamos.

Diante do quadro tenebroso que se apresenta mundialmente e, particularizando a conjuntura brasileira, com os agravantes da pandemia, diria que, desalentados e, como no purgatório, amargando essa longa espera pelo Juízo Final, passando pela via crucis: paixão e mortes – mais de 300 mil –, tudo que ainda podemos esperançar (de Deus sabe para quando) é uma Feliz Páscoa!

Este artigo pode ser ouvido em sua versão de áudio no podcast Política com Fé. O texto também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta da FaE/UFMG.

terça-feira, 6 de abril de 2021

INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS NÃO SERÁ CONCEDIDA A LULA


(Foto: Divulgação)

 Lula perde processo contra jornalistas da revista Época

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não obteve sucesso ao processar três jornalistas por causa de reportagem publicada em 2015 pela revista Época. O petista procurou a Justiça alegando ter sofrido danos morais em decorrência do teor do conteúdo veiculado na ocasião. Por isso, pediu indenização. A solicitação, no entanto, não foi atendida.
Para ler a íntegra da matéria de Anderson Scardoelli, para o Portal Comunique-se, clique aqui.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

PAIXÃO, MORTES (MAIS DE 300 MIL) E PÁSCOA


Novo episódio do podcast Política com Fé

Para a comunidade cristã, a Páscoa é símbolo de renascimento. É tempo de louvor e glórias ao Rei. É festejo, celebração da boa nova. Até porque, segundo o Livro do Eclesiastes há um tempo de campo e um tempo de canto. Páscoa é tempo de canto. Hora de esquecer o passado e de se dar conta de que coisas novas estão sendo feitas. E muitas coisas novas, realmente, estão sendo feitas: de divino e de profano. Muito mais de profano...

Para acessar todo o conteúdo do episódio # 10 DO DIVINO E DO PROFANO, do podcast Política com Fé, clique aqui.

quinta-feira, 25 de março de 2021

VACINA TEM DE SER GRATUITA E UNIVERSAL

(Foto: Reprodução/Unsplash)

Empresários e políticos tomam vacina contra Covid-19 às escondidas, diz revista


Um grupo de políticos e empresários, a maioria ligada ao setor de transporte de Minas Gerais, e seus familiares, tomou na terça-feira (23) a primeira das duas doses da vacina da Pfizer contra a Covid-19, em Belo Horizonte. Eles compraram o imunizante por iniciativa própria e não repassaram ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A segunda dose está prevista para ser aplicada nas cerca de cinquenta pessoas daqui a trinta dias. As duas doses custaram a cada pessoa 600 reais. A informação foi publicada nesta quarta-feira (24) pela revista Piauí.
Segundo pessoas ouvidas pela revista que se vacinaram na ocasião, os organizadores foram os irmãos Rômulo e Robson Lessa, donos da viação Saritur. Uma garagem de uma empresa do grupo foi improvisada como posto de vacinação. A Piauí telefonou e mandou mensagem para Rômulo Lessa, que não respondeu.
Para ler a matéria no site Piaui.Folha.Uol , clique aqui.


sábado, 20 de março de 2021

ECONOMIA DE FRANCISCO NA PAUTA



Assessores do CEFEP  refletem sobre a 6ª Semana Social Brasileira 

A Rede de Assessores do Centro Nacional de Fé e Política dom Helder Câmara reuniu-se, virtualmente, sábado, dia 20 de março, de 15:00 às 18:00 horas para refletir sobre 6ª Semana Social Brasileira: Mutirão pela Vida: por Terra, Teto e Trabalho (6ª SSB). 
As reflexões sobre o tema foram pautadas em torno de um dos eixos transversais da 6ª SSB, a Economia. A questão econômica foi tratada a partir da Encíclica do papa Francisco, Fratelli Tutti. 


(Professora Sandra Quintella)

O tema foi abordado na perspectiva da política econômica, pela professora Sandra Quintella, sob a ótica da ética filosófica, pelo filósofo, Manfredo Oliveira e do ponto de vista teológico pelo padre Aquino Júnior.
A mística esteve à cargo de Fernando Barbosa. Luiz Henrique Ferfoglia mediou as apresentações e intervenções do evento que foi coordenado pelo secretário executivo do CEFEP, padre Paulo Adolfo.

(As imagens em destaque são prints de tela do encontro realizados por pe. Paulo Adolfo)


segunda-feira, 15 de março de 2021

ESQUERDA X DIREITA, O EMBATE NECESSÁRIO

 

(Polaridade Química: Wikiwand)

Não existe avanço sem polaridades

Eugênio Magno

A vida é prodigiosa em nos mostrar, nas várias situações do passado ou do presente que não podemos prescindir de polaridades. 

Masculino/Feminino, Sim/Não, Tese/Antítese, Claro/Escuro, Positivo/Negativo, Esquerda/Direita, etc. São elas, as polaridades, as geradoras da energia, do torque que impulsiona o motor do desenvolvimento, a fricção que cria e nos empurra pra frente, pra cima, gera o novo, nos tira da letargia. Ou seja, não existe avanço sem polaridades.

Se não, vejamos: na atualidade pandêmica brasileira, tem certas coisas que é preciso dizer. Por exemplo: é preciso dizer, lembrar e relembrar que o presidente da república, Jair Messias Bolsonaro, desde janeiro de 2020, quando o mundo inteiro tocou a sirene de alerta para os perigos e a letalidade do coronavírus, ignorou as autoridades mundiais responsáveis pela saúde e não tomou as providências cabíveis, devidas a um chefe de estado. E, pior, fez troça da doença, chamando-a de "gripezinha", usou de sarcasmo quando interrogado sobre o número de mortes por covid-19, foi garoto-propaganda de medicamentos que a ciência não aprovou como sendo eficaz no combate ao corona. E mais, incentivou, com seus constantes maus exemplos, os seus seguidores e os menos esclarecidos a não cumprirem os protocolos preventivos propostos pelos cientistas e ainda ridicularizou os brasileiros que usam máscaras. Fez churrascos, foi à praia, promoveu aglomerações e por aí vai... Poderia enumerar muitas outras ações negacionistas do presidente brasileiro, em relação às formas mais recomendadas para enfrentar o coronavírus. 

Com tudo isso e, apesar de estarmos próximos de 300 mil mortes no Brasil por covid-19, do maior índice de desemprego da história, da nossa economia estar em frangalhos, de uma equipe de governo de péssima qualidade, dos constantes escândalos envolvendo a família Bolsonaro, de uma séria crise institucional, entre os poderes da república, patrocinada pela falta de espírito republicano do bolsonarismo e dos 74 documentos enviados à presidência da câmara dos deputados, por quase 500 organizações da sociedade civil e mais de 1.500 pessoas físicas, pedindo seu impeachment , Jair Bolsonaro, ainda mantinha índices de popularidade significativos.

Até uma semana atrás, todas as pesquisas eleitorais, com vistas às eleições presidenciais de 2022, davam Jair Bolsonaro como candidato eleito, com o maior percentual de intenção de votos, vencendo qualquer candidato que disputasse com ele as eleições.

Mas eis que surgem dois fatos na linha das polaridades que aqui aponto, como uma necessidade para que haja avanços em qualquer setor da vida, privada ou pública. Um dos fatos foi a pesquisa eleitoral publicada no último dia 11 de março, na qual Bolsonaro ficou muito mal na fita. Segundo a pesquisa, Jair Bolsonaro perde as eleições na disputa com quatro dos possíveis candidatos à presidência da república em 2022. Tanto Ciro Gomes, como Fernando Haddad, Luiz Henrique Mandetta ou Lula venceriam Bolsonaro, segundo a pesquisa. E o outro fato foi a entrevista coletiva do ex-presidente, Lula depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin ter decidido anular todas as decisões processuais tomadas contra ele pela Justiça Federal do Paraná dentro da Operação Lava Jato. Com isso, ficaram derrubadas as condenações de Lula nos casos do Triplex do Guarujá e do Sítio de Atibaia, o que reestabeleceu os direitos políticos do petista. Ou seja, se ele não sofrer condenações em segunda instância novamente até as eleições de 2022, não estará impedido de concorrer à Presidência da República. Na entrevista, Lula, com toda a empatia que lhe é peculiar, falou como um presidente deve se dirigir ao povo de uma nação, em situações como a que estamos vivendo. O ex-presidente falou da importância da vacina em caráter de urgência, condenou a liberação de armas para a população, fez críticas à política econômica do governo e à falta de habilidade diplomática do Brasil no campo das relações internacionais. O mais interessante nesse episódio é que Lula, imediatamente, após a entrevista na qual falou sobre a POS-SI-BI-LI-DA-DE de se candidatar em 2022, passou a pautar o comportamento de Jair Bolsonaro que, até então, permanecia impassível diante de todos os ataques sofridos de setores da sociedade e mesmo aos da oposição.

Nessa nossa análise o que menos importa é se Lula será realmente candidato à presidência ou não. Se ele continuará elegível até as eleições de 2022 ou se a Procuradoria Geral da República (PGR) irá ou não recorrer da decisão do STF. Mas, no mínimo, duas das reações do clã Bolsonaro dão provas de que somente a polarização, no caso uma oposição forte, com apoio popular e capacidade de enfrentar o governo, em um debate franco e democrático, pode mudar o rumo das coisas, até que cheguemos às eleições ou que haja mobilizações suficientes para se iniciar um processo de impeachment (o que tem poucas chances de acontecer).

As duas maiores provas do pavor dos Bolsonaro depois da fala do Lula e da divulgação da pesquisa eleitoral foram: um dia após a entrevista coletiva de Lula, Jair Bolsonaro apareceu para o público usando máscara e os filhos do presidente apelando para as redes sociais pedindo aos seguidores do pai que divulgassem foto do presidente, juntamente com texto a favor da vacinação: “nossa arma é a vacina”.

Política não é como futebol. Quem governa tem que governar para todos, mas para que todos ganhem, a nação seja vencedora e o povo vitorioso, é necessário que haja dois lados. Somente a polaridade e os contrapesos podem gerar o equilíbrio tão sonhado, mas pouco batalhado na arena da vida, das lutas, das mobilizações e das disputas de narrativas.


quarta-feira, 10 de março de 2021

RELAÇÕES EUA - AMÉRICA LATINA

 

(Foto: Patrick Semansky / AP)

Biden promove um complicado giro na política dos Estados Unidos em relação à América Latina


O status de proteção temporária que a Administração de Joe Biden concedeu aos cidadãos venezuelanos que se encontram nos Estados Unidos devido à crise de seu país constitui o primeiro grande sinal factual de uma mudança de rumo de Washington em relação à América Latina. A guinada parece lenta e complicada diante dos dois conflitos mais imediatos na região, Venezuela e Cuba. A Casa Branca destaca que a modificação da estratégia em relação ao regime castrista “não figura entre as principais prioridades de Biden” e que, embora não compartilhe da estratégia de sanções do Governo republicano em relação a Caracas e vá recuperar a cooperação internacional, tampouco tem pressa para amenizar as punições. A mensagem serve para manter a pressão em qualquer negociação futura, mas também constata as dificuldades. As últimas decisões tomadas por Donald Trump, aliás, aumentaram a tensão internacional.
Para ler, na íntegra, a matéria de Amanda Mars para o el País, clique aqui.

sexta-feira, 5 de março de 2021

O BRASIL NÃO CONSEGUE CONTROLAR A PROLIFERAÇÃO DA COVID

 

(Foto: Reuters/Ricardo Moraes)

Coronavírus: Por que vacinação sem lockdown pode tornar Brasil 'fábrica' de variantes superpotentes


Nathalia Passarinho
da BBC News Brasil em Londres


Pesquisadores britânicos apontam que contato em larga escala entre vacinados e variante de Manaus pode gerar mutações capazes de driblar totalmente a eficácia das vacinas.
O cenário atual no Brasil, que combina início da vacinação com transmissão descontrolada da covid-19, pode tornar o país uma "fábrica" de variantes potencialmente capazes de escapar por completo da eficácia das vacinas. Esta é a avaliação de cientistas britânicos diretamente envolvidos em algumas das principais pesquisas sobre mutações do coronavírus.
Pesquisadores da universidade Imperial College London e da Universidade de Leicester ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que lockdowns e outras medidas de contenção são particularmente necessários durante a vacinação de uma população.
Eles explicam que é justamente o contato entre vacinados e variantes que propicia o aparecimento de mutações "superpotentes", capazes de driblar totalmente a ação do imunizante.
E, no Brasil, há uma combinação explosiva para que isso ocorra: vacinação ainda em ritmo lento, variante com a mutação E484k (que dribla anticorpos) e altas taxas de infecção.
(Fonte: BBC News)


segunda-feira, 1 de março de 2021

CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA DE 2021

 


A importância do diálogo fraterno

Eugênio Magno

Fraternidade, Amor, Paz, Unidade (ainda que na diversidade) são pressupostos básicos do cristianismo. Num país como o nosso em que, algo em torno de 80% da população se declara cristã, porque é necessário que as verdadeiras Igrejas Cristãs tenham que fazer campanha para estimular e promover, justamente a fraternidade?

Queria poder responder de outra forma, mas, meio a contragosto, digo que é simplesmente porque não sabemos o que é ser cristão e é fundamental que sejamos lembrados permanentemente. Existe todo um ensinamento dado pelo próprio Cristo é claro e, pelos verdadeiros cristãos ao longo da história do cristianismo pelos Evangelhos, segundo vários apóstolos. Cada um dos batizados que se dizem cristãos, também já deveriam estar cientes do que é ser cristão. Sendo simplista, diria que ser cristão é seguir o Cristo, é ter a intenção e o desejo de, ao menos, aprender a segui-lo. E para segui-lo é fundamental que tenhamos, ainda que somente como horizonte, o seu principal mandamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo”.

Então qual é o problema? Porque algumas seitas exploradoras da credulidade popular faz tanto escarcéu contra a Campanha da Fraternidade de 2021. E, mais grave ainda, porque setores conservadores da Igreja Católica e de outras Igrejas pertencentes ao Conselho Nacional das Igrejas Cristãs insistem em dividir ainda mais o que deveria estar unido e incentivam boicotes e fazem críticas à campanha?

Na abertura do tempo da Quaresma, do Missal Dominical, tem um texto “O Jejum que salva”, que nos ajuda a argumentar sobre a importância da campanha da fraternidade.

Na quaresma se pede ao fiel que renuncie das refeições importantes do dia em sinal de disponibilidade e solidariedade. Disponibilidade à escuta de Deus, demonstrando dar mais valor à sua palavra que ao bem-estar imediato, sinal de conversão do coração; isto é que significa o jejum dos cristãos, como o do Mestre no início de sua missão. Um jejum mais sensível por todo o tempo da Quaresma, com outras iniciativas pessoais de desapego, renúncia às comodidades e satisfações mesmo legítimas, para maior liberdade interior. Assim o jejum ritual, feito com interioridade e não por mero formalismo, se torna sinal de fé e caminho de salvação para todo o nosso ser. Por outro lado, sofrendo um pouco de privação, saibamos unir-nos de algum modo aos homens para os quais é habitual a privação de alimento, de meios econômicos, de bens culturais e de possibilidades concretas de desenvolvimento: o jejum se torna um gesto simbólico, denúncia profética da injustiça que nasce do egoísmo, solidariedade com os mais pobres. Assim, a preparação para a Páscoa se torna ‘Campanha da Fraternidade’, e a ceia do Senhor um gesto de pobreza, contrição, esperança, anúncio. Quem participa seriamente da paixão do Senhor, ainda hoje viva, nos pobres da terra, sabe que a volta ao pai (tanto a sua como a da comunidade) já começou, e que na mortificação da carne pode florescer o Espírito da ressurreição e da vida. (Missal Cotidiano, Paulus, pág. 140) 

Na quarta-feira de cinzas, 17 de fevereiro, foi lançada a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021 com o tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”. Neste ano, a campanha é ecumênica e, portanto organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pelo Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC).

Para quem não sabe, a Campanha da Fraternidade acontece no Brasil desde 1964 e, a partir do ano 2000 ela assumiu o compromisso de ser ecumênica a cada cinco anos.

Os principais objetivos da Igreja Católica, representada em nosso país pela CNBB, em criar, manter e promover anualmente as Campanhas da Fraternidade são os seguintes:

Educar para a vida em fraternidade, com base na justiça e no amor, exigências centrais do Evangelho e Renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja Católica na evangelização e na promoção humana, tendo em vista uma sociedade justa e solidária.

A campanha deste ano está voltada para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual, em especial no contexto da política e da pandemia da covid-19. A CNBB chama a atenção para o fato do vírus que já é letal em si mesmo, ter encontrado aliados na indiferença, no negacionismo, no obscurantismo e no desprezo pela vida e na ocasião do lançamento virtual da campanha, conclamou os cristãos a serem aliados na responsabilidade, na lucidez e na fraternidade. A proposta da CNBB que encontrou plena ressonância no Conselho Nacional das Igrejas Cristãs foi dar continuidade à campanha do ano passado, sobre a necessidade do cuidado mútuo entre as pessoas, independentemente de sua cor, raça, etnia, gênero, cultura e condição social e econômica. Os organizadores da campanha ressaltam que essa proposta ecumênica não é de imposição, no sentido de que todos pensem e ajam da mesma maneira e sim de sensibilização sobre a importância do diálogo, especialmente frente às diferenças. CNBB e CONIC identificaram nesse tema a mensagem pela qual o nosso tempo clama. É voz corrente entre os cristãos que, verdadeiramente, abraçam o Evangelho de Jesus Cristo, saberem-se conscientes de como é triste ver o que vem acontecendo em nossa sociedade, marcada pela radicalização, polarizações e desrespeito às pessoas, especialmente as mais simples e as vulnerabilizadas, sem fazer nada a respeito.

As campanhas da fraternidade são formas concretas de expressarmos a dimensão social e porque não dizer política da nossa fé. E isso não tem nada a ver com simpatias ou antipatias partidárias. Muito embora hajam muitos partidos políticos e partidários de determinados partidos negacionistas que, mais preocupados em dividir ou se afirmarem, equivocadamente, negam o amor e a fraternidade entre os humanos.

A proposta aqui é incentivar e apelar às pessoas de bem, independentemente do credo que professem, no sentido de contribuir como puder para o sucesso da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021: “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” – “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

NÚMERO DE MORTOS SOBE: LÁ VAI O BRASIL, DESCENDO A LADEIRA

 

Número de mortos do COVID-19 no Brasil passa de 

um quarto de milhão


Reportagem de Anthony Boadle; Edição de Leslie Adler e Peter Cooney


BRASÍLIA (Reuters) - O surto de COVID-19 no Brasil matou 251.498 pessoas, informou o Ministério da Saúde na quinta-feira, com 1.541 mortes nas últimas 24 horas, o segundo maior número de mortes diárias desde que a pandemia atingiu o país, há um ano.
Com 65.998 novos casos de coronavírus relatados na quinta-feira, o país sul-americano já registrou 10.390.461 casos, o terceiro pior surto do mundo atrás dos Estados Unidos e Índia e o segundo mais letal.
O Brasil enfrenta uma nova fase da pandemia com variantes do vírus três vezes mais contagiosas, disse aos jornalistas o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.
Pazuello disse que o Brasil distribuiu de 13 a 14 milhões de doses de vacinas e que o governo planeja inocular metade dos 210 milhões de habitantes do país até o meio do ano.
O Brasil está negociando para comprar todas as vacinas que puder e o Congresso está analisando uma legislação que permita ao governo comprar vacinas da Pfizer Inc e da subsidiária Janssen da Johnson & Johnson, Pazuello, um general do exército.
Até agora, o Brasil usou a vacina AstraZeneca Plc desenvolvida com a Universidade de Oxford, mas principalmente a vacina Coronavac feita pela chinesa Sinovac Biotech Ltd.
O presidente do país, Jair Bolsonaro, um populista de extrema direita que protestou contra as medidas de bloqueio e disse que não tomaria nenhuma vacina COVID-19, foi criticado por sua resposta ao vírus e pelo lento lançamento das vacinas.

(Fonte: Reuters)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

RACIONALIDADE LIMITADA NA ERA DA INTERNET

(Foto: Getty Images)


A maior ameaça à segurança da era pós-verdade

Elizabeth Seger, do Instituto Alan Turing, argumenta que precisa haver mais foco na “segurança epistêmica” - um termo que ela define como manter o conhecimento seguro. Um ecossistema de informação degradado e não confiável é uma ameaça à segurança e à proteção da sociedade, ela argumenta em um novo relatório. A era da Internet deu origem à sobrecarga de informações, resultando em escassez de atenção e bolhas de filtros que levam à "racionalidade limitada". E a conectividade global permite os perpetradores de desinformação e desinformação, levando a uma erosão mais ampla da confiança pública nas instituições. “Um dos piores cenários que chamamos de 'balbucio epistêmico'”, disse Seger, “[onde] a capacidade da população em geral de dizer a diferença entre a verdade e a ficção é totalmente perdida”.

Para ler a matéria, na íntegra, clique aqui.

(Fonte: The Weekly Briefing Plataform)


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

ALERTA COVID-19! FIQUE EM CASA

 

(Imagem: Science Photo Library)

Reinfecção mais grave por variante do coronavírus traz novo alerta sobre as mutações, diz cientista 


Camilla Veras Mota
da BBC News Brasil

A virologista Marta Giovanetti tem acompanhado de perto duas das três variantes do coronavírus que vêm preocupando o mundo nas últimas semanas.
A cientista italiana chegou ao Brasil em 2015 e já realizou pesquisas sobre os genomas dos vírus da chikungunya, zika, dengue, febre amarela e, desde o ano passado, do Sars-CoV-2.
É a pesquisadora com residência no país com o maior número de publicações sobre a covid-19 e a mais citada, conforme levantamento feito em outubro pela Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica. Naquele momento, ela tinha 26 estudos publicados e 633 citações.
Além do trabalho no Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), no Rio de Janeiro, ela também colabora com um laboratório na Itália e com o brasileiro que está à frente do programa de vigilância genômica do coronavírus na África do Sul, Tulio de Oliveira, diretor do laboratório Krisp na Escola de Medicina Nelson Mandela.
Tanto Brasil quanto África do Sul identificaram recentemente novas linhagens do coronavírus que podem ser mais transmissíveis e até driblar os anticorpos daqueles que já tiveram a doença uma primeira vez, provocando reinfecções. Ao lado de uma outra cepa identificada no Reino Unido, elas preocupam autoridades de saúde de todo o planeta.
Em entrevista à BBC News Brasil, a pesquisadora explica os riscos representados por essas variantes, conta um pouco de sua trajetória e chama atenção para o estudo que detalhou o primeiro caso de reinfecção por uma linhagem do coronavírus que pode "driblar" o sistema imunológico, em que a paciente teve sintomas mais severos da covid-19.

Quanto maior liberdade o vírus tem para circular, maior probabilidade de desenvolver mutações.

(Fonte: BBC News Brasil/SP)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

ATÉ QUANDO PLATAFORMAS DIGITAIS VÃO USAR CONTEÚDOS SEM REMUNERAR SEUS AUTORES?

 Google passa a pagar por notícias na Austrália, em novo round da regulamentação no país, que recebeu apoio da Microsoft


Depois de ameaçar sair do país e de dizer que não implantaria o News Showcase na Austrália, Google volta atrás.
Mudança de posição acontece depois de reunião do primeiro ministro com CEO do Google, na qual, segundo o governante, “eles entenderam que a Austrália define as regras”.
Microsoft é a primeira grande plataforma a expressar apoio ao Código de Negociação da Mídia de Notícias, e diz que tornará Bing comparável ao concorrente caso Google decida retirar do país seu mecanismo de buscas.

Para ler a matéria de Aldo De Luca para a MediaTalks, de Londres, clique aqui.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

QUEM VIVER VERÁ: A REAÇÃO DOS OCIOSOS

A Escola de Atenas 
(Rafael Sanzio)

O ócio compulsório 

Eugênio Magno 

         Não vou fazer nenhum trocadilho infame com o título do livro O Ócio Criativo, do especialista em sociologia do trabalho, o italiano Domenico De Masi. Mas vou falar um pouco sobre o ócio compulsório em que fomos submetidos. Trata-se de uma constatação do estado das coisas no mundo do trabalho e os desdobramentos disso em todo o globo e, especialmente, em nosso país.

            Até por volta dos anos 1980 quando sociólogos, pensadores e futurólogos anunciavam o porvir, nos acenavam para uma era em que os trabalhos repetitivos e maçantes seriam desempenhados pela máquina. Líamos e ouvíamos, com entusiasmo, que os trabalhadores teriam mais tempo para dedicar à família, aos esportes, à arte a um hobby, ao lazer. Enfim a cultivar o ócio, tão caro aos gregos na antiguidade. Só não profetizaram que todas essas “bençãos” da era tecnológica, viriam acompanhadas de desemprego e, consequentemente, falta de dinheiro, renda e de uma diminuição substancial do poder de compra. Com o aumento das horas ociosas e da oferta de lazer inacessível, o que era antes chamada classe trabalhadora, são agora os novos pacientes de psicólogos e psiquiatras e a clientela cativa da indústria farmacêutica. Vítimas da depressão, da psicose, do pânico, do alcoolismo, da obesidade, do sedentarismo e de várias compulsões, têm no cloridrato de fluoxetina, no Rivotril, nos ansiolíticos, em uma gama enorme de tarjas pretas e no álcool (para falar apenas de algumas das drogas legalizadas), o seu consolo. Isso para os que ainda dispõem de algum recurso e encontram o apoio da família e a solidariedade dos amigos. Outros – a grande maioria – têm pior sorte. Entram no crack e no tiner, quando não se precipitam dos edifícios ou utilizam de outros expedientes letais, para dar cabo ao pesadelo que veio na garupa dos novos tempos.

O que era trombeteado como futuro se tornou presente rapidamente e habita entre nós. A máquina do tempo foi turbinada e o futuro chegou como aquelas visitas que, embora anunciadas, chegam adiantadas. Sem que haja tempo para reabastecer a despensa, arrumar a casa, encomendar os quitutes, preparar o quarto de hóspedes... Hóspedes não, porque o futuro-presente não é turista, é um novo morador. Ele veio para ficar e, por incrível que pareça é bem vindo. Seus arautos é que nos enganaram com promessas fakes. Parte da bagagem e da entourage desse novo morador é que constituem obstáculos e incômodos, são personas non gratas.

Centros do poder político mundial, teleguiados por uma extrema-direita pouco lustrada, formada por neoliberais, adeptos do rentismo, deram vazão a uma onda negacionista, autoritária, inflada de ódio, ressentimento e intolerância desarrazoada, contra a qual temos que bradar e resistir – à força, se necessário for –, para que o desmanche civilizacional não seja completo. Muito mais do que triste é revoltante e repugnante testemunhar, ainda que em combate, a perda de princípios iluministas e de outras tantas e importantes conquistas científicas, tecnológicas, sociais e de um humanismo ético e cidadão, ancorado em valores democráticos e republicanos ainda tão tenros e carentes de aperfeiçoamentos. Nosso presente e o futuro próximo estão muito comprometidos por essas forças retrógradas que acabaram encontrando eco onde não se esperava.

As elites atrasadas, apoiadas por uma classe média ascendente iletrada, mal informada e deformada por uma educação de baixíssima qualidade e uma licenciosidade artístico-cultural aviltante, resultado de populismos de todos os matizes, dos excessos identitaristas e dos modismos da hegemonia digital, impôs uma agenda tresloucada, de ponta-cabeça. Os capitães do mato contemporâneos são os workaholics que ocupam todos os turnos de todos os postos de trabalho. Têm ao alcance de suas mãos, telas e comandos poderozíssimos, mas atuam como robôs. Não possuem nenhum conhecimento das humanidades, não pensam, foram e são pensados, mentorados por coaches e influencers e, com o mesmo automatismo que acionam botões que movimentam a máquina contra seus pares, são acionados pelos detentores dos meios de produção cibernéticos e do capital.

Não nos enganemos, a humanidade está dividida entre uma faixa mínima (não chega a cinco por cento) da população mundial que controla a vida e a riqueza no planeta, uns poucos que trabalham muito e ganham altos salários para fazer a roda girar, um grupo de trabalhadores precarizados que fazem os serviços subalternos essenciais, uma fração populacional dividida entre trabalhadores especializados e intelectuais que estão sendo descartados, contraditoriamente, em razão de suas competências e qualificações e mais outro tanto de invisibilizados que, apesar de ser maioria, não aparecem mais nem como números, estão sendo substituídos pelos que estão vendendo até suas horas de sono e não mais se solidarizam com os seus iguais, pois já perderam até mesmo o amor próprio.

            Aqui estamos, diante do futuro, esse presente que ganhamos desembrulhado, como um contêiner de suprimentos lançado do alto e que se abriu. Não houve o ritual de entrega: a leitura do cartão, o desatar dos laços da fita, o desenrolar do embrulho e a cerimoniosa abertura da caixa. Ele, esse futuro, também não veio com manual de instruções. A expectativa era muito grande e a surpresa foi além da conta. A entrega foi muito rápida e maior do que a encomenda.

O que fazer... (?).

            Haja criatividade para tanto ócio. Certamente não vamos sucumbir diante dessa situação-limite. Afinal, podemos e devemos usar o ócio para aprofundar o conhecimento de nós mesmos – forças e fraquezas –, nos aprimorarmos. Fazer um diagnóstico preciso do presente e uma análise conjuntural objetiva da realidade, nos organizar mais e melhor para, dentre outras ações vitais, recuperar nossas posições usurpadas pela impostura dos que sempre estiveram ocupados demais para pensar e agir de forma inteligente e consciente.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

BECO SEM SAÍDA PARA O MUNDO NA LÓGICA CAPITALISTA

Por trás da falta de vacinas, as três leis trágicas da Big Pharma. Não pesquisar doenças de pobres. Patentes, para elitizar os tratamentos. Desencorajar países de produzir remédios e vacinas. Há alternativas — nenhuma sob lógicas capitalistas

A covid expõe o apartheid sanitário global

Por François Polet

Apesar da retórica sobre os bens públicos mundiais, a corrida pelo acesso às vacinas contra o coronavírus evidencia novamente a desigualdade entre as nações no mercado farmacêutico. Além da covid-19, o problema se manifesta em três formas: no subfinanciamento da pesquisa em doenças tropicais; no sistema de direitos de propriedade intelectual que exclui países em desenvolvimento dos resultados da pesquisa do Norte Global; e na dilapidação das capacidades de pesquisa e produção dos países mais pobres.

Grande alívio na Europa: as primeiras doses da vacina contra a covid-19 estão serão aplicadas. O debate público se concentra sobre os desafios logísticos… e sobre a liberdade individual, sobretudo num setor da população que desconfia de um produto elaborado sob condições extraordinárias. Essa preocupação, comum nos países ricos, se contrapõe às questões dos países pobres, onde a disponibilidade das futuras vacinas está longe de ser uma realidade em futuro próximo. A penúria nesses locais não está desconectada da abundância no Norte: por meio de acordos bilaterais com os laboratórios que abrigam, os governos ocidentais reservaram os primeiros bilhões de doses que serão produzidas: capazes de vacinar várias vezes suas populações.

Lançada em abril pela «aliança da vacina» (GAVI), em associação com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Fundação CEPI(1), a plataforma COVAX (Covid 19 Vaccines Global Access) procura ultrapassar a lógica do “cada um por si” destacando as contribuições dos Estados (são mais de 180 que ingressaram na iniciativa) para sustentar a pesquisa e a produção de um grande número de doses de vacinas, para negociar os melhores preços possíveis com a indústria e garantir uma distribuição mais justa das doses entre países e no interior de seus territórios. A Covax estabeleceu um mecanismo de co-financiamento, pelos países ricos, de um bilhão de doses, que serão reservadas aos 92 países mais pobres, em nome do princípio segundo o qual “ninguém estará em segurança até que todo o mundo esteja seguro”. Embora seja muito cedo para avaliar a inciativa Covax, que tem o mérito de existir, já se tornou evidente que sua eficácia será reduzida pelos acordos prioritários que os países rigos assinam em paralelo, com os laboratórios. O montante monetário envolvido nestes compromissos é muitas vezes maior que as somas destinadas por estas mesmas nações ao dispositivo COVAX.

Essa desigualdade no acesso aos medicamentos é apenas um pequeno sintoma de uma posição globalmente desvantajosa dos países do Sul Global na ordem farmacêutica internacional. As origens das dificuldades desses países pobres no acesso aos produtos médicos e farmacêuticos essenciais em matéria de saúde pública são bem conhecidos. Elas tem sido objeto de numerosos relatórios e declarações dentro das organizações internacionais nos últimos 30 anos. As dificuldades manifestam-se em três níveis: na falta de investimento, em escala mundial, na pesquisa em doenças que atingem principalmente os países do Sul Global; na existência de um sistema de patentes que limita as possibilidades de acesso dos países do Sul aos medicamentos; e, ainda que algumas patentes expirem, há a incapacidade de produção dos medicamentos nos países mais pobres.

Para ler, na íntegra, a matéria de François Polet, no Centro Tricontinental (CETRI), com tradução de Vitor Costa, no site Outras Palavras, clique aqui.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

COM A POSSE DE BIDEN EUA ENTRA DE NOVO NO CLIMA

 

Biden anuncia retorno dos EUA a acordo global do clima e restrições a petróleo

Por Valerie Volcovici e Trevor Hunnicutt

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou nesta quarta-feira o retorno dos EUA ao acordo internacional de Paris para enfrentar as mudanças climáticas, como parte de uma série de medidas com o objetivo de restaurar a liderança do país no combate ao aquecimento global.

O anúncio também incluiu um decreto abrangente para revisar todas as ações do ex-presidente Donald Trump enfraquecendo o combate às mudanças climáticas, a revogação de uma licença vital ao projeto de oleoduto Keystone XL, da TC Energy’s, e uma moratória a atividades de exploração de óleo e gás no Refúgio Nacional de Vida Selvagem no Ártico, que o governo Trump havia recentemente aberto para desenvolvimento.

As ordens do presidente recém-empossado marcarão o começo de uma grande reversão de políticas no segundo maior emissor de gases do efeito estufa do mundo, atrás da China, depois de o governo Trump atacar a ciência do clima e recuar em regulamentações ambientais para maximizar o desenvolvimento de combustíveis fósseis.

Biden prometeu colocar os ,Estados Unidos no caminho do saldo zero em emissões até 2050 para cumprir os cortes abruptos e globais que os cientistas dizem que são necessários para evitar os impactos mais devastadores do aquecimento global, com restrições a combustíveis fósseis e amplos investimentos em energias limpas.

O caminho não será fácil, no entanto, com divisões políticas nos Estados Unidos, oposição das empresas de combustíveis fósseis e parceiros internacionais cautelosos com as mudanças nas políticas dos Estados Unidos obstruindo o trajeto.

Trump retirou os EUA do Acordo de Paris de 2015 para o combate às mudançcas climáticas no ano passado, argumentando que era custoso demais à economia norte-americana.

(Fonte: Reuters)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

"COM DEUS TUDO É POSSÍVEL"



A Teologia no cotidiano

Eugênio Magno

O saudoso teólogo e padre jesuíta João Batista Libânio, em uma ocasião em uma aula fez a seguinte provocação, invertendo a lógica habitual: “o que a política pode oferecer a um cristão que tem fé?” E com as interações do grupo respondeu que, “a política oferece mediações para o exercício da fé e permite à fé se concretizar materialmente”. Disse ainda que “a política pode ser uma instância que denuncia os aspectos idólatras da fé e da religião em suas práticas não-éticas. Que a política faz uma crítica ideológica da fé”. A  proposta aqui é fazer um breve exercício dialético onde a política interroga a fé e a fé interroga a política.

É sabido que exegetas, teólogos e biblistas se dedicam ao estudo bíblico, à pesquisa dos textos sagrados e a história da salvação. Seus estudos trazem reflexões e ensinamentos sobre o Cristo histórico e os costumes da época, entre outras tantas revelações importantes que alicerçam a fé.

Mas o vivente comum tem pressa, quer fazer a teologia do (e no) cotidiano. Quer compreender o que Deus está  a dizer. Afinal, são tantos fatos, tantos acontecimentos, tantos “sinais”, ou será que o que vemos não está sendo mostrado por Deus, não são revelações...

Nunca é demais lembrar o que a Bíblia ensina: o cristão é Rei, Sacerdote e Profeta. Daí então, pergunto: onde está esse grande contingente de cristãos, a maior corrente religiosa do mundo, com suas várias denominações, para exercerem com dignidade e altivez seus mandatos, ministérios e a vida cidadã? E aqui não me restrinjo aos religiosos, pertencentes às hierarquias das várias Igrejas e seitas que se autointitulam cristãs. A cada esquina encontramos uma Igreja, com e sem aspas. A todo instante ouvimos alguém pronunciar o nome de Deus: chefes de nações, empresários, trabalhadores, apresentadores de rádio e TV, cantores... E a quantidade de carros com adesivos: “Foi Deus que me deu”, “Mais um presente de Deus”, “Deus é fiel”, "Com Deus tudo é possível", “Dirigido por mim, guiado por Deus” e por aí vai... Mas, a despeito dessas declarações, tome tiranos chefiando nações, empresários exploradores, fake news, desinformação, trânsito caótico e direção criminosa. Será que tudo isso que estamos vivendo no mundo é apenas uma “pegadinha” de mau gosto dos deuses, ou um baile à fantasia, onde os donos da festa são meninos malvados brincando, com máscaras de seus heróis do tipo Hitler, Stalin, Mussolini, Franco e mais um enorme elenco de prestidigitadores e outros bichos e bestas do Apocalipse, ou seriam reencarnações dos algozes de Deus?

Os reis enlouqueceram todos e, como Nero, atearam fogo nas cidades e as coroas destinadas aos rebeldes da hora não são mais de espinhos. São caríssimas ogivas midiáticas de milhões de dólares, jogadas na rede sobre as cabeças de plebeus famintos de inutilidades que pagam com seu tempo e atenção por essas bagatelas manipuladas por mãos e polegares de tecnocratas, desprovidos de qualquer centelha de humanismo? Os verdadeiros reis a exemplo do Cristo Jesus, de Nazaré, não têm trono e seus castelos são feitos de papelão e da sobra – pobre, podre e rota – dos avarentos.

O anúncio da morte de Deus, feito por Nietzsche há dois séculos e, que escandaliza tantos que não compreenderam Nietzsche é infinitas vezes menos grave do que o uso do nome de Deus em vão e o assassinato cotidiano do filho de Deus por aqueles que se dizem seus seguidores. Ainda que não seja maioria, graças a Deus, não se pode ignorar o crescimento espantoso do número de religiosos radicais, que estão de costas para o Cristo dos Evangelhos. São militantes da teologia da prosperidade. Não sabem fazer a multiplicação dos pães, exceto, quando em benefício próprio. Criticam a pajelança e vários outros cultos, enquanto seus fieis, de tanta fidelidade e resignação morrem com a mão estendida, na sarjeta, nos corredores dos hospitais, quando lá chegam, atingidos por balas perdidas e achadas (em inocentes), de inanição, ou dormindo como anjos bêbados, enquanto seus barracos desabam com as águas que caem do céu.

O cristão também deve ser profeta. E profeta é aquele que anuncia e denuncia: na família, nas Igrejas, nos bairros, nas empresas, nos sindicatos, nas escolas, nas ruas, nas ciências, na imprensa, nas artes, na política e na vida cotidiana. Mas os falsos profetas se multiplicaram oferecendo consolações falsas e corrompidas pelo “farisaísmo” e pelos artifícios da retórica e do legalismo de uma justiça injusta que insiste em não tirar a venda dos seus olhos.

Diante da escassez de vocações para profetas, sabedor de que a messe é grande e poucos são os operários e arautos da “boa nova” e menor ainda é a plêiade dos que denunciam, faço aqui uma breve encenação deste papel na tentativa de amplificar a voz dos que não têm voz, mesmo que apenas por uns poucos instantes, neste breve tempo e espaço. Tenho consciência de que é um grito surdo e rouco, mas é legítimo. Vem das ruas, das vilas, das favelas, dos ribeirinhos, dos povos indígenas, dos camponeses, dos quilombolas, dos discriminados. É o grito das crianças famintas e daqueles que um dia construíram o futuro e foram esquecidos no passado com seus cabelos esbranquiçados e o corpo alquebrado pela desesperança. E até mesmo dos antigos abastados, da mesma faixa etária dos miseráveis, que não mais são chamados de velhos ou idosos. Virou moda dizer que estão na “melhor idade”, para alimentar sonhos de vida eterna e na contra partida surrupiarem suas economias...

É isso mesmo que acontece. Até a classe média, da terceira idade que, até pouco tempo atrás era um mercado em plena ascensão, está em queda vertiginosa e, agora, se vendo na bica de um rebaixamento econômico e social, começa a dar sinais de insatisfação e ensaia as primeiras articulações para a luta contra esse curto, mas medonho, tempo de obscurantismo que vem destruindo décadas de avanços civilizatórios. 

Antes tarde do que nunca.

Mas se faz necessário indagar: quantas quarentenas... sofrimentos e mortes teremos que viver? Quantas pandemias sobreviver ou padecer? Quanto nos resta aprender...

domingo, 10 de janeiro de 2021

BOLSAS PARA JORNALISTAS

(Imagem: Divulgação/Imagem Pública)


Agência Pública e Idec oferecem bolsas 
para produção de reportagens


Jornalistas de todo o país são convocados a participar do processo seletivo de bolsas para pautas investigativas sobre as desigualdades no acesso à internet no Brasil. Esta é a 13ª edição das Microbolsas distribuídas pela Agência Pública em parceria com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que contemplará quatro reportagens. Para participar, os profissionais devem preencher o formulário de inscrição até o dia 5 de fevereiro.

Além das bolsas, no valor de R$ 7 mil, os jornalistas selecionados receberão a mentoria da Agência Pública para produzir a reportagem proposta, que será publicada no site da agência e parceiros republicadores.

De acordo com o coordenador de telecomunicações e direitos digitais do Idec, Diogo Moyses, o tema desta edição foi escolhido com base na essencialidade do uso da internet durante a pandemia, que evidenciou ainda mais esse cenário de desigualdades.

“Com a iniciativa de bolsas de reportagens, buscamos compreender de forma mais profunda os impactos da desigualdade e, especialmente, como o modelo de mercado que temos atualmente favorece e até aprofunda esse problema”, explica.

As pautas devem abordar as diversas questões relacionadas ao tema, como falta de acesso a dispositivos, franquias de dados limitadas e bloqueio do acesso móvel, falta de infraestrutura e de políticas públicas de acesso à internet, práticas abusivas e pouco transparentes de empresas de telecomunicação, aumento da desinformação, entre outras.

Para se inscrever, é necessário enviar uma breve apresentação do repórter, referência profissional, resumo e descrição da pauta, plano de trabalho e plano de orçamento para a produção da reportagem. Segundo o regulamento, as propostas serão selecionadas pela direção da Agência Pública em parceria com o Idec, considerando a originalidade e relevância da pauta, consistência na pré-apuração, segurança e viabilidade da investigação e os recursos e métodos jornalísticos que serão utilizados. Os vencedores serão anunciados a partir do dia 18 de fevereiro no site da Agência Pública.

(Fonte: Portal comunique-se)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

O PODER DA TECNOLOGIA SOBRE A VIDA HUMANA

 Entrevista especial com Carlos Affonso de Souza

(Foto: Acervo da Câmara dos Deputados)

João Vitor Santos, do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) realizou uma entrevista com o professor Carlos Affonso de Souza, onde são abordados vários temas ligados à tecnologia, dentre eles uma Ação antitruste dos Estados Unidos contra a Google. Leia abaixo alguns trechos da entrevista.

No final do ano passado, Donald Trump colocou o Vale do Silício em rota de colisão com Washington, acusando uma das gigantes das Big Techs, a Google, do que podemos chamar de um certo monopólio. E mais: estaria a empresa erguendo fortuna a partir dos dados pessoais gerados pelos seus usuários. O episódio foi lido por muitos como mais um rompante do presidente dos EUA em controlar a tecnologia da informação desde o seu gabinete. E é, mas o professor Carlos Affonso de Souza chama atenção para o fato de haver outras nuances que precisam ser consideradas. “A ação antitruste do governo norte-americano contra a Google é bastante simbólica. De certa forma, ela é um produto direto do tempo em que vivemos, no qual se busca uma maior reflexão sobre o papel que a tecnologia, e em especial a Internet, desempenha em nossas vidas”, avalia, na entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.
Além disso, Souza observa que “para compreender os meandros dessa disputa é preciso juntar componentes políticos, econômicos, tecnológicos, sociais e – é claro – também jurídicos”. Para ele, é reducionista também achar que a Google é a grande vilã que põe todos os seus usuários como reféns a gerar dados que sustentarão seu império. “A figura do refém parece não ser a mais apropriada quando se misturam situações em que interesses dos usuários são atendidos e tantos outros são criados. É sempre lembrada a frase de Steve Jobs sobre a importância de suprir os desejos dos consumidores, ainda que eles próprios ignorem a existência desses desejos”, pondera.
Ou seja, há sempre uma opção ativa dos usuários que, embora quase sempre muito inebriados, têm de ter condições de opção. E é aí que reside um dos aspectos da ação dos EUA. “Quando se repete o mantra de que ‘dados são o novo petróleo’ à exaustão, muitas das diferenças importantes entre a economia do petróleo e a economia dos dados passam despercebidas, mas um ponto é inegável: a ascensão do tratamento de grandes volumes de dados (big data) gerou novas oportunidades de negócios e novas experiências”, acrescenta.
O professor ainda lembra que mesmo Trump deixando a Casa Branca, isso não significa necessariamente o sepultamento dessa ação antitruste. “Me parece que a ação transcende os interesses da Administração Trump e encontra também certo eco do lado democrata, embora as preocupações sejam um pouco distintas. A pré-candidata democrata Elizabeth Warren fez da regulação das Big Techs uma plataforma de governo. Mesmo não tendo recebido a indicação do Partido Democrata, as suas ideias encontraram adeptos e devem ter repercussões na Administração Biden”, destaca. E, no fim, talvez a questão nem seja a condenação ou absolvição da Google. Para Souza, o fato em si já é interessante por acender o sinal de alerta de usuários. “Estar atento a essas transformações é o primeiro passo para sermos protagonistas e não apenas consequências desse processo”, finaliza.

Além de professor da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, Carlos Affonso de Souza é diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro - ITS, pesquisador visitante do Information Society Project, da Faculdade de Direito da Universidade de Yale e  participante de diversos fóruns internacionais sobre regulação e governança da Internet. Para acessar a entrevista conduzida por João Vitor Santos para o Instituto Humanitas Unisinos (IHU), clique aqui.