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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

A AMÉRICA DO SUL É DOS POVOS DO SUL

(Getty Images)
 

A América para quais americanos?

Eugênio Magno 

O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou um vídeo na última terça-feira (11.08.2026), no qual afirma que “o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”. O protagonista do vídeo é o embaixador dos EUA no Panamá, Kevin Marino Cabrera que cita Donald Trump como o mais recente defensor da Doutrina Monroe, uma orientação para a política externa do país, criada pelo ex-presidente dos EUA, James Monroe, em 1823.

A Doutrina estabelecia uma clara separação da influência europeia e estadunidense no chamado Novo Mundo e defendia a não colonização e a não intervenção.

Nos primeiros anos do século XX, Theodore Roosevelt alterou a Doutrina Monroe, dando direito a Washington de intervir em países latino-americanos para garantir a ordem e impedir a intervenção de potências europeias. A frase, “A América para os americanos”, resume o ideário da Doutrina Monroe. No vídeo, o diplomata norte-americano, Kevin Cabrera, disse também: “o que começou como um alerta às potências europeias evoluiu para uma estrutura de domínio regional, que continua sendo a pedra angular da estratégia americana no hemisfério, atualmente”.

O assunto repercutiu em todo o mundo e já são muitas as manifestações de descontentamento com mais essa investida imperialista dos Estados Unidos.

Mesmo com as ameaças bélicas e as retaliações comerciais é bom lembrar aos desavisados que o mundo atual é multipolar e a América do Sul não é de ninguém. Há muito deixou de ser colônia espanhola e portuguesa, explorada por ingleses, franceses e holandeses. Portanto, não vai ser agora que se tornará propriedade estadunidense. Tampouco a América do Norte, região que abriga, além dos Estados Unidos, o Canadá e o México é dos que gostam de ser chamados com exclusividade de americanos e não se cansam de afirmar que seu país é a América.

Se a América fosse um país, seria o maior do mundo, uma vez que ocupa o segundo maior continente da Terra. E, se assim fosse, americanos seriam os povos do Sul, do Centro e do Norte da América, toda a população desse enorme pedaço do planeta.

quarta-feira, 10 de março de 2021

RELAÇÕES EUA - AMÉRICA LATINA

 

(Foto: Patrick Semansky / AP)

Biden promove um complicado giro na política dos Estados Unidos em relação à América Latina


O status de proteção temporária que a Administração de Joe Biden concedeu aos cidadãos venezuelanos que se encontram nos Estados Unidos devido à crise de seu país constitui o primeiro grande sinal factual de uma mudança de rumo de Washington em relação à América Latina. A guinada parece lenta e complicada diante dos dois conflitos mais imediatos na região, Venezuela e Cuba. A Casa Branca destaca que a modificação da estratégia em relação ao regime castrista “não figura entre as principais prioridades de Biden” e que, embora não compartilhe da estratégia de sanções do Governo republicano em relação a Caracas e vá recuperar a cooperação internacional, tampouco tem pressa para amenizar as punições. A mensagem serve para manter a pressão em qualquer negociação futura, mas também constata as dificuldades. As últimas decisões tomadas por Donald Trump, aliás, aumentaram a tensão internacional.
Para ler, na íntegra, a matéria de Amanda Mars para o el País, clique aqui.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

A QUESTÃO VENEZUELANA ULTRAPASSA AS FRONTEIRAS DO CONTINENTE AMERICANO


Por que a crise na Venezuela interessa tanto países 
como Rússia, China e Turquia 

(Foto: Getty Images)

As notícias sobre a Venezuela ganham destaque em países muito além da América Latina. Seja no alfabeto latino, cirílico ou persa, o país sul-americano desperta interesse em todo o planeta - mesmo em Estados com os quais a Venezuela não tem laços históricos ou comerciais.
A Venezuela de Nicolás Maduro (e antes disso, a de Hugo Chávez) é um assunto polêmico inevitável em debates eleitorais de nações tão diferentes quanto Espanha e Irã.
Provoca divisão, inclusive, entre parceiros políticos. Foi o que ocorreu com o Movimento 5 Estrelas e La Liga, que governam juntos a Itália, mas têm posições opostas em relação à legitimidade de Maduro como líder do Executivo - por isso, os grupos decidiram não reconhecer nem Maduro nem Juan Guaidó como presidentes da Venezuela.
Acima de tudo, a Venezuela mantém em compasso de espera as nações que não têm boas relações com os Estados Unidos.
Mas o que há de tão especial na Venezuela que atrai a atenção de tantos países?
Para continuar a ler a matéria de Stefania Gozzer para a BBC News Mundo, clique aqui.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

VELHO HOMEM NOVO: 90 ANOS DE CHE GUEVARA


Como o amor pelos povos e por sua libertação guiou a trajetória andarilha do revolucionário


Foi itinerante, entre cidades, levado pela correnteza incartografável de um rio, que Ernesto "Che" Guevara nasceu há 90 anos. Ainda em deslocamento ininterrupto e com desprezo absoluto pelas fronteiras, Che viveu os 39 anos seguintes, fosse sobre a cinematográfica motocicleta La Poderosa II, com a qual percorreu paisagens e vivências latinoamericanas; à bordo do Granma, embarcação que devolveu a Cuba seus filhos exilados que fariam a Revolução; ou caminhando de vila a vila, na última campanha que faria antes de ser assassinado, na Bolívia.
A natureza errante do Che -- médico, jornalista, escritor, diplomata e líder revolucionário-- estava em perfeita sintonia com os valores e teorias internacionalistas que permeiam suas principais contribuições para a esquerda. Contribuições essas que, justamente por serem tão pautadas em experiências reais, foram ofuscadas, com o tempo e verniz próprio dos mártires, pela imagem única de guerrilheiro. Para muitos, no entanto, a prática intransigente do internacionalismo por parte de Guevara é exatamente o que torna seu legado filosófico tão sólido.
Para ler a matéria especial completa de Julia Dolce para o Brasil de Fato, clique aqui.

domingo, 27 de novembro de 2016

E O MUNDO VAI PERDENDO SUAS GRANDES LIDERANÇAS...


As manifestações dos líderes mundiais 
à morte de Fidel Castro


Dirigentes de todas as partes do mundo lamentaram ou expressaram de forma discreta seus pêsames pela morte do líder cubano Fidel Castro, ocorrida na noite da última sexta-feira, dia 25, aos 90 anos.
Presidente Michel Temer
"Fidel Castro foi um líder de convicções. Marcou a segunda metade do século XX com a defesa firme das ideias em que acreditava".

Ex-presidente Lula
"Seu espírito combativo e solidário animou sonhos de liberdade, soberania e igualdade. Nos piores momentos, quando ditaduras dominavam as principais nações de nossa região, a bravura de Fidel Castro e o exemplo da revolução cubana inspiravam os que resistiam à tirania".

"Sinto sua morte como a perda de um irmão mais velho, de um companheiro insubstituível, do qual jamais me esquecerei".
Ex-presidente Dilma Rousseff
"A morte do comandante Fidel Castro, líder da revolução cubana e uma das mais influentes expressões políticas do século 20, é motivo de luto e dor. Fidel foi um dos mais importantes políticos contemporâneos e um visionário que acreditou na construção de uma sociedade fraterna e justa (...) Hasta siempre, Fidel!"

Presidente do Senado brasileiro Renan Calheiros
"Em nome do Congresso Nacional, lamento a morte de Fidel Castro que, a despeito de suas convicções e ideologias políticas, foi um homem que marcou a história mundial".

Presidente dos EUA Barack Obama
Os Estados Unidos estendem a "mão da amizade ao povo cubano" após a morte de Fidel Castro.

"A história registrará e julgará o enorme impacto de sua personalidade singular no povo e no mundo em volta dele".
Presidente eleito dos EUA Donald Trump
"Fidel morreu!"

"Embora as tragédias, as mortes e a dor provocadas por Fidel Castro não possam ser apagadas, nossa administração fará tudo o possível para assegurar que os cubanos possam finalmente começar seu caminho rumo à prosperidade e à liberdade que tanto merece."
Papa Francisco
"Expresso meus sentimentos de pesar a vossa excelência e aos demais familiares do falecido dignatário, assim como ao governo e ao povo desta amada nação", manifestou o papa Francisco em um telegrama enviado ao presidente Raúl Castro.

Presidente da China Xi Jinping
"O povo chinês perdeu um camarada bom e sincero. O camarada Castro viverá eternamente. Era um grande homem da nossa época".

Presidente da Rússia Vladimir Putin
"O nome deste distinto homem de Estado é com razão considerado o símbolo de uma era na história mundial contemporânea".

Ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev
"Fidel resistiu e fortaleceu seu país durante o bloqueio americano mais duro, quando havia uma pressão colossal sobre ele e, mesmo assim, tirou seu país desse bloqueio para um caminho de desenvolvimento independente".

Presidente da França François Hollande
"Fidel Castro encarnou a revolução cubana, nas esperanças que criou e depois nas desilusões que provocou. (...) Por ocasião da morte de Fidel Castro quero insistir para que o embargo que pune Cuba seja definitivamente suspenso".

Rei da Espanha Felipe VI
"Fidel Castro é uma figura de indiscutível significado histórico. Por isso, neste momento, quero recordar muito especialmente seus laços familiares e vínculos com a Espanha", afirmou o monarca a respeito do líder cubano, filho de pai espanhol e mãe de ascendência espanhola.

Presidente do governo da Espanha Mariano Rajoy
"Minhas condolências ao governo e às autoridades cubanas pelo falecimento do ex-presidente Fidel Castro, uma figura de porte histórico".

Primeiro-ministro da Grécia Alexis Tsipras
"Adeus, comandante. Hasta la victoria siempre".

Presidente das Filipinas Rodrigo Duterte
"Foi um revolucionário que, alémm de assumir o poder político da ilha (...), se alçou contra o Ocidente e o capitalismo".

Premiê da Índia, Narendra Modi
"Foi um dos personagens mais icônicos do século XX. A Índia lamenta a morte de um grande amigo".

Presidente do Sri Lanka Maithripala Sirisena
"O icônico líder de uma era de revolução recebe o adeus do mundo inteiro. Descanse em paz, camarada Fidel Castro".

Primeiro-ministro do Canadá Justin Trudeau
"Fidel Castro, um líder fora do comum, esteve há quase meio século a serviço do povo cubano. Revolucionário e orador lendário, Castro fez importantes avanços nos âmbitos da educação e da saúde em sua ilha natal".

Presidente sírio Bashar al-Assad
"O grande líder Fidel Castro comandou a luta de seu povo e de seu país contra o imperialismo e a hegemonia durante décadas".

"Sua resistência tornou-se lendária e inspirou líderes e povos do mundo inteiro [...] Cuba, um país amigo, pôde, graças aos seus líderes, resistir às sanções mais duras e às campanhas mais injustas da nossa história moderna".
Presidente da Colômbia Juan Manuel Santos
"Lamentamos a morte de Fidel Castro. Acompanhamos seu irmão, Raúl, e sua família neste momento. Nossa solidariedade com o povo Cubano".

Presidente da Venezuela Nicolás Maduro
"A tod@s @s Revolucionari@s do Mundo corresponde seguir com seu Legado e sua Bandeira de Independência, de Socialismo, de Pátria Humana" (Twitter).

Presidente da Bolívia Evo Morales
"Em nome do povo boliviano expresso condolências e solidariedade à familia, governo e ao povo cubano pela perda de um gigante da história" (Twitter).

Ex-presidente argentina Cristina Kirchner
"Fidel e Cuba entrando definitivamente na História Grande. Junto de seu povo, exemplo de dignidade e soberania" (Twitter).

Presidente do México Enrique Peña Nieto
"Fidel Castro foi um amigo do México, promotor de uma relação bilateral baseada no respeito, no diálogo e na solidariedade" (Twitter).

Presidente do Equador Rafael Correa
"Se foi um grande. Morreu Fidel. Viva Cuba! Viva América Latina!" (Twitter).

Presidente de El Salvador Sánchez Cerén
"Com profunda dor, recebemos a notícias do falecimento de um querido amigo e eterno companheiro, comandante Fidel Castro" (Twitter).

Presidente do Chile Michelle Bachelet
"Minhas condolências ao presidente Raúl Castro pela morte de Fidel, um líder pela dignidade e justiça social em Cuba e na América Latina".

Ministro das Relações Exteriores do Reino Unido Boris Johnson
"O Reino Unido expressa suas condolências ao governo e ao povo de Cuba, e à família do ex-presidente. A morte de Fidel Castro marca o fim de uma era para Cuba e o início de uma nova para o povo cubano", falou o ministro em nota.
Ministro das Relações Exteriores do Brasil José Serra
"Entra para a história como uma das lideranças políticas mais emblemáticas do século XX. Não é possível entender a história de nosso continente sem referência a Fidel, suas ideias e ações à frente da revolução cubana e do governo de seu país".
(Fonte: AFP)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

É PRECISO INVENTAR UM NOVO MODELO POLÍTICO-ECONÔMICO

Fidel Castro, ao responder à pergunta sobre se ainda valia exportar o modelo cubano, afirmou: "o modelo cubano já não funciona nem para nós mesmos". Na segunda parte de uma entrevista concedida a Jeffrey Goldberg, correspondente da revista The Atlantic, Castro surpreende ao jornalista com essa afirmação, e também com um convite para acompanhá-lo a ver os golfinhos no aquário, entre outras coisas. Goldberg convidou a uma das mais reconhecidas especialistas sobre Cuba e sobre a América Latina, Julia Sweig, do Conselho de Relações Exteriores, para acompanhá-lo à entrevista com Castro, e conta que lhe pediu que interpretasse essa afirmação.
A reportagem é de David Brooks, publicada pelo jornal mexicano La Jornada e traduzida por Adital, 09-09-2010.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

REFLEXÕES DE FIDEL CASTRO



A anexação da Colombia aos Estados Unidos
"Qualquer pessoa medianamente informada compreende de imediato que o adoçado 'Acordo Complementar para a Cooperação e a Assistência Técnica em Defesa e Segurança entre os governos da Colômbia e dos Estados Unidos', assinado em 30 de outubro e publicado na tarde do dia 2 de novembro equivale a anexação da Colômbia aos Estados Unidos.
O acordo põe em dificuldades a teóricos e políticos. Não é honesto guardar silêncio agora e falar depois sobre soberania, democracia, direitos humanos, liberdade de opinião e outras delicias, quando um país é devorado pelo império com a mesma facilidade com que um lagarto captura uma mosca. Trata-se do povo colombiano, abnegado, trabalhador e lutador. Procurei no longo calhamaço uma justificação digerível e não encontrei razão alguma.
Nas 48 páginas de 21 linhas, cinco são dedicadas a filosofar sobre os antecedentes da vergonhosa absorção que torna a Colômbia em território de ultramar. Todas se baseiam nos acordos assinados com os Estados Unidos após o assassinato do prestigioso líder progressista Jorge Eliécer Gaitán no dia 9 de abril de 1948 e a criação da Organização de Estados Americanos em 30 de abril de 1948, discutida pelos Chanceleres do hemisfério, reunidos em Bogotá sob a batuta dos Estados Unidos nos dias trágicos em que a oligarquia colombiana truncou a vida daquele dirigente e desatou a luta armada nesse país.
O Acordo de Assistência Militar entre a República da Colômbia e os Estados Unidos, no mês de abril de 1952; o vinculado à “uma Missão do Exército, uma Missão Naval e uma Missão Aérea das Forças Militares dos Estados Unidos”, assinado no dia 7 de outubro de 1974; a Convenção das Nações Unidas contra o Tráfico Ilícito de Entorpecentes e Substâncias Psicotrópicas, de 1988; a Convenção das Nações Unidas contra a Criminalidade Organizada Multinacional, de 2000; a Resolução 1373 do Conselho de Segurança de 2001 e a Carta Democrática Interamericana; a de Política de Defesa e Segurança Democrática, e outras que são invocadas no referido documento. Nenhuma justifica transformar um país de 1.141.748 quilômetros quadrados, situado no coração da América do Sul, em uma base militar dos Estados Unidos. A Colômbia tem 1,6 vezes o território de Texas, segundo Estado da União em extensão territorial, arrebatado ao México, e que mais tarde serviu de base para conquistar a sangue e fogo mais da metade desse irmão país.
Por outro lado, transcorreram já 59 anos desde que soldados colombianos foram enviados até a longínqua Ásia para combaterem junto às tropas ianques contra chineses e coreanos no outubro de 1950. O que o império tenta agora é enviá-los a lutar contra seus irmãos venezuelanos, equatorianos e outros povos bolivarianos e da ALBA para destruir a Revolução Venezuelana, como tentaram fazer com a Revolução Cubana no mês de abril de 1961.
Durante mais de um ano e meio, antes da invasão, o governo ianque promoveu, armou e utilizou os bandos contra-revolucionários do Escambray, como hoje utiliza os paramilitares colombianos contra a Venezuela.
Quando o ataque de Bahia dos Porcos, os B-26 ianques tripulados por mercenários que operaram desde a Nicarágua, seus aviões de combate eram transportados para a zona das operações num porta-aviões e os invasores de origem cubana que desembarcaram naquele ponto vinham escoltados por navios de guerra e pela infantaria de marinha dos Estados Unidos. Hoje seus meios de guerra e suas tropas estarão na Colômbia não apenas como uma ameaça para a Venezuela senão para todos os Estados da América Central e da América do Sul.
É verdadeiramente cínico proclamar que o infame acordo é uma necessidade de combate ao tráfico de drogas e ao terrorismo internacional. Cuba tem demonstrado que não é preciso a presença de tropas estrangeiras para evitar a cultura e o tráfico de drogas e para manter a ordem interna, apesar de que os Estados Unidos, a potência mais poderosa da terra, promoveu, financiou e armou durante dezenas de anos as ações terroristas contra a Revolução Cubana.
A paz interna é uma prerrogativa elementar de cada Estado; a presença de tropas ianques em qualquer país da América Latina visando esse objetivo é uma descarada intervenção estrangeira em seus assuntos internos, que inevitavelmente provocará a rejeição de sua população.
A leitura do documento demonstra que não apenas as bases aéreas colombianas são postas nas mãos dos ianques, mas também os aeroportos civis e no fim das contas, qualquer instalação útil a suas forças armadas. O espaço radioelétrico fica também à disposição desse país portador doutra cultura e de outros interesses que não têm nada a ver com os da população colombiana.
As Forças Armadas norte-americanas gozarão de prerrogativas excepcionais.
Em qualquer parte de Colômbia os ocupantes podem cometer crimes contra as famílias, os bens e as leis colombianas, sem ter que responder perante as autoridades do país; a não poucos lugares levaram os escândalos e as doenças, como o fizeram com a base militar de Palmerola, nas Honduras. Em Cuba, quando visitavam a neocolônia, sentaram-se escarranchados sobre o colo da estátua de José Martí no Parque Central da capital. A limitação vinculada ao número total de soldados pode ser alterada a pedido dos Estados Unidos, sem restrição alguma. Os porta-aviões e navios de guerra que visitem as bases navais concedidas terão quantos tripulantes precisarem, e podem ser milhares em um só de seus grandes porta-aviões.
O Acordo será prorrogado por períodos sucessivos de 10 anos e ninguém pode alterá-lo senão no fim de cada período, comunicando-o com um ano de antecedência. O que farão os Estados Unidos se um governo como o de Johnson, Nixon, Reagan, Bush pai ou Bush filho e outros semelhantes recebesse a solicitação de abandonar Colômbia? Os ianques foram capazes de derrocar dezenas de governos em nosso hemisfério. Quanto duraria um governo na Colômbia se anunciasse tais propósitos?
Os políticos da América Latina têm agora perante si um delicado problema: o dever elementar de explicar seus pontos de vista sobre o documento de anexação. Compreendo que o que acontece neste instante decisivo das Honduras ocupe a atenção dos meios de divulgação e dos Ministros das relações Exteriores deste hemisfério, mas o gravíssimo e transcendente problema que acontece na Colômbia não pode passar inadvertido para os governos latino-americanos.
Não tenho a menor dúvida sobre a reação dos povos; sentirão o punhal que se crava no mais profundo de seus sentimentos, especialmente no profundo da Colômbia: eles opor-se-ão, jamais se resignarão a essa infâmia!
O mundo encara hoje graves e urgentes problemas. A mudança climática ameaça a toda a humanidade. Líderes da Europa quase imploram de joelhos algum acordo em Copenhague que evite a catástrofe. Apresentam como realidade que na Cúpula não se alcançará o objetivo de um convênio que reduza drasticamente a emissão de gases estufa. Prometem continuar a luta por consegui-lo antes de 2012; existe o risco real de que não se possa conseguir antes que seja demasiado tarde.
Os países do Terceiro Mundo reclamam com razão dos mais desenvolvidos e ricos centenas de milhares de milhões de dólares anuais para custear as despesas da batalha climática.
Tem algum sentido que o governo dos Estados Unidos dedique tempo e dinheiro na construção de bases militares na Colômbia para impor aos nossos povos sua odiosa tirania? Por esse caminho, se um desastre ameaça o mundo, um desastre maior e mais rápido ameaça o império e tudo seria resultado do mesmo sistema de exploração e saqueio do planeta."

Fidel Castro Ruz
6 de novembro de 2009, 10h39
(fonte: Agência Cubana de Notícias - http://www.cubanoticias.ain.cu/)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

SOCIALISMO NÃO SERÁ TEMA DO DIÁLOGO DE CUBA COM OS EUA


O presidente de Cuba, Raul Castro, afirmou em discurso no parlamento cubano que está pronto para a negociar uma extensa pauta com os Estados Unidos, menos uma questão: "o nosso sistema político e social". A declaração de Castro foi uma resposta à afirmação da Secretária de Estado Norte Americana Hillary Clinton, de que os EUA estavam se abrindo ao diálogo com Havana, mas esperavam ver mudanças no regime socialista de Cuba, vigente na ilha há 50 anos.
A notícia, Socialismo não é tema de diálogo, diz Raúl, foi publicada no jornal Folha de São Paulo, do dia 03.08.2009. Para ler a matéria na íntegra clique aqui. (Fonte IHU - Instituto Humanitas Unisinos)