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sábado, 5 de fevereiro de 2022

ELEIÇÕES E ALIANÇAS

 

Brasil: poder e terras usurpadas. 'A repetição fiel da loucura capitalista'

“Neste ano de eleições presidenciais, a hipótese da esquerda que quer substituir o atual governo de extrema-direita por enquanto está ganhando. Parece um processo de maquiagem do realismo prudente da política como mera constatação dos interesses dos empresários e das demandas dos partidos”, escreve Flavio Lazzarin, padre italiano fidei donum que atua na Diocese de Coroatá, no Maranhão, e é agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em artigo publicado por Settimana News, 28-01-2022, com tradução de Luisa Rabolini.

Segundo ele, "para Lula, toda e qualquer aliança deve e pode ser usada para ganhar as eleições. Os partidos de esquerda poderiam ter proposto o impeachment do presidente bem antes de chegar aos 600 mil mortos por Covid, causados pelo negacionismo e pela negligência do governo federal, mas preferiram o caminho eleitoral, entendendo-o como a única garantia para retornar ao poder".

Para ler a íntegra do texto, clique aqui.

(Fonte: Instituto Humanitas Unisinos)

 

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

ÚLTIMO EPISÓDIO DO ANO DO PODCAST "POLÍTICA COM FÉ"

Bem Vindo 2022!

Abaixo alguns trechos do último episódio do ano do podcast Política com Fé.

Assim como muitos companheiros, abnegados, temos lutado, na trincheira que nos é própria, sem esmorecimento e assim pretendemos continuar. Afinal, escolher essa luta ou ser escolhido e se ver constantemente nela já se tornou rotina, cotidiano, prática de vida. Entretanto, não podemos deixar de fazer as críticas, as autocríticas e, porque não, falar das decepções, em nossas próprias trincheiras, que são enormes. O corporativismo de alguns grupos é tamanho que fica escancarado o jogo, aético, praticado por seus representantes: atores-autores dessa dramaturgia tragicômica. As instituições que mais criticam e atacam comportamentos, políticas e procedimentos não conseguem mais sustentar, para a plateia, o teatro a que se impuseram. É difícil dizer se é a hipocrisia que cresceu a ponto de fazer grandes sombras sobre seus cultivadores ou se eles realmente passaram a acreditar tanto nos papéis que representam que, presos em jaulas de ouro, autônomos e autômatos, consomem-se entre si e a si mesmos, num banquete de autocanibalismo referencial e narcísico de insignificâncias que é deprimente. O cinismo grassa e qualquer nesga de poder vem se transformando em balcão de troca, espaços para a prática de nepotismos cruzados e diretos.

Apontar e falar contra quem se encontra no outro espectro sempre é mais fácil. Difícil mesmo é cortar na própria carne. Dos neoliberais e da direita ultrarradical, recém saída do armário, nem há o que falar, nem vou gastar minha energia com palavrórios do tipo que topo constantemente nos meios que circulo. Enquanto os capitalistas ricos, mas também os pobres iludidos com a ideia de uberização profissional fazem proselitismos da prosperidade liberal, alguns setores que se autodenominam de esquerda, encarapitados nos sindicatos, nas universidades, nas religiões, na mídia, nas artes e, mesmo nos partidos, usam o discurso de defesa dos pobres para garantir a estabilidade de seus status.

Dois anos de pandemia foi mais do que suficiente para ver a profusão de inutilidades que é produzida, embalada pela lógica produtivista que invadiu o mundo intelectual. Ver e sentir debaixo do nariz todo o odor desse populismo adornado pela razão cínica, com romantização da pobreza, identitarismos que pautam pela defesa de protagonismos e empoderamentos seletivos é nauseante. É imperioso que se recupere a sobriedade progressista, se é que ela já existiu algum dia.

Para ouvir o episódio completo, que está imperdível, # 27 - BEM VINDO 2022!clique aqui.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

O PODER DA TECNOLOGIA SOBRE A VIDA HUMANA

 Entrevista especial com Carlos Affonso de Souza

(Foto: Acervo da Câmara dos Deputados)

João Vitor Santos, do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) realizou uma entrevista com o professor Carlos Affonso de Souza, onde são abordados vários temas ligados à tecnologia, dentre eles uma Ação antitruste dos Estados Unidos contra a Google. Leia abaixo alguns trechos da entrevista.

No final do ano passado, Donald Trump colocou o Vale do Silício em rota de colisão com Washington, acusando uma das gigantes das Big Techs, a Google, do que podemos chamar de um certo monopólio. E mais: estaria a empresa erguendo fortuna a partir dos dados pessoais gerados pelos seus usuários. O episódio foi lido por muitos como mais um rompante do presidente dos EUA em controlar a tecnologia da informação desde o seu gabinete. E é, mas o professor Carlos Affonso de Souza chama atenção para o fato de haver outras nuances que precisam ser consideradas. “A ação antitruste do governo norte-americano contra a Google é bastante simbólica. De certa forma, ela é um produto direto do tempo em que vivemos, no qual se busca uma maior reflexão sobre o papel que a tecnologia, e em especial a Internet, desempenha em nossas vidas”, avalia, na entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.
Além disso, Souza observa que “para compreender os meandros dessa disputa é preciso juntar componentes políticos, econômicos, tecnológicos, sociais e – é claro – também jurídicos”. Para ele, é reducionista também achar que a Google é a grande vilã que põe todos os seus usuários como reféns a gerar dados que sustentarão seu império. “A figura do refém parece não ser a mais apropriada quando se misturam situações em que interesses dos usuários são atendidos e tantos outros são criados. É sempre lembrada a frase de Steve Jobs sobre a importância de suprir os desejos dos consumidores, ainda que eles próprios ignorem a existência desses desejos”, pondera.
Ou seja, há sempre uma opção ativa dos usuários que, embora quase sempre muito inebriados, têm de ter condições de opção. E é aí que reside um dos aspectos da ação dos EUA. “Quando se repete o mantra de que ‘dados são o novo petróleo’ à exaustão, muitas das diferenças importantes entre a economia do petróleo e a economia dos dados passam despercebidas, mas um ponto é inegável: a ascensão do tratamento de grandes volumes de dados (big data) gerou novas oportunidades de negócios e novas experiências”, acrescenta.
O professor ainda lembra que mesmo Trump deixando a Casa Branca, isso não significa necessariamente o sepultamento dessa ação antitruste. “Me parece que a ação transcende os interesses da Administração Trump e encontra também certo eco do lado democrata, embora as preocupações sejam um pouco distintas. A pré-candidata democrata Elizabeth Warren fez da regulação das Big Techs uma plataforma de governo. Mesmo não tendo recebido a indicação do Partido Democrata, as suas ideias encontraram adeptos e devem ter repercussões na Administração Biden”, destaca. E, no fim, talvez a questão nem seja a condenação ou absolvição da Google. Para Souza, o fato em si já é interessante por acender o sinal de alerta de usuários. “Estar atento a essas transformações é o primeiro passo para sermos protagonistas e não apenas consequências desse processo”, finaliza.

Além de professor da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, Carlos Affonso de Souza é diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro - ITS, pesquisador visitante do Information Society Project, da Faculdade de Direito da Universidade de Yale e  participante de diversos fóruns internacionais sobre regulação e governança da Internet. Para acessar a entrevista conduzida por João Vitor Santos para o Instituto Humanitas Unisinos (IHU), clique aqui.