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sexta-feira, 5 de março de 2021

O BRASIL NÃO CONSEGUE CONTROLAR A PROLIFERAÇÃO DA COVID

 

(Foto: Reuters/Ricardo Moraes)

Coronavírus: Por que vacinação sem lockdown pode tornar Brasil 'fábrica' de variantes superpotentes


Nathalia Passarinho
da BBC News Brasil em Londres


Pesquisadores britânicos apontam que contato em larga escala entre vacinados e variante de Manaus pode gerar mutações capazes de driblar totalmente a eficácia das vacinas.
O cenário atual no Brasil, que combina início da vacinação com transmissão descontrolada da covid-19, pode tornar o país uma "fábrica" de variantes potencialmente capazes de escapar por completo da eficácia das vacinas. Esta é a avaliação de cientistas britânicos diretamente envolvidos em algumas das principais pesquisas sobre mutações do coronavírus.
Pesquisadores da universidade Imperial College London e da Universidade de Leicester ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que lockdowns e outras medidas de contenção são particularmente necessários durante a vacinação de uma população.
Eles explicam que é justamente o contato entre vacinados e variantes que propicia o aparecimento de mutações "superpotentes", capazes de driblar totalmente a ação do imunizante.
E, no Brasil, há uma combinação explosiva para que isso ocorra: vacinação ainda em ritmo lento, variante com a mutação E484k (que dribla anticorpos) e altas taxas de infecção.
(Fonte: BBC News)


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

"PRESOS TRANSFORMADOS EM MOEDA NA MÃO DO ESTADO"


Massacre em Manaus deixa claro 
que terceirização não valeu a pena



Maria Marques, da Pastoral Carcerária do Amazonas, que há 19 anos atua no sistema prisional, minimiza a importância do conflito entre as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e Família do Norte (FDN) na origem do massacre. “A maioria dos que morreram não foi assassinada porque pertencia a uma facção. Eram presos que estavam separados dos outros, em outro pavilhão, por serem acusados daqueles crimes que sofrem grande rejeição entre os internos, como estupro ou morte de criança”, afirmou em entrevista à Ponte. “Morreram aqueles que, numa rebelião, são sempre os primeiros a morrer.”
Para Maria, uma das principais causas do massacre é o sistema de gestão do presídio, que desde 2014 está a cargo de uma empresa privada, a Umanizzare. “O massacre deixou bem claro que a terceirização não valeu a pena. O governo terceiriza porque não é capaz de administrar, mas aí coloca outros que só fazem aumentar a corrupção e a violência”, diz. “Os presos se transformaram em moeda nas mãos do Estado.”
Além da terceirização da gestão e do conflito entre facções, a representante da Pastoral Carcerária também chama a atenção para as falhas do Estado, tanto na administração penitenciária “no âmbito federal e nacional” quanto no Judiciário.
“Se o Judiciário cumprisse seu papel, não haveria tantas mortes, porque as cadeias não estariam tão lotadas. A Lei de Execução Penal não é seguida. Há muitas pessoas que poderiam estar cumprindo pena em liberdade, mas continuam presas”, denuncia.
As promessas feitas pelo governo após o massacre — o segundo pior da história do sistema prisional brasileiro, atrás apenas dos 111 mortos no Carandiru, São Paulo, em 1992 — só reforçam a sensação de que nada vai ser resolvido, na visão de Maria.
“O governo só fala em construir mais presídios e desse jeito o problema nunca vai acabar, porque não existe uma política de ressocialização para o homem e a mulher que comete delito”, afirma. “Essas pessoas têm seus direitos desrespeitados todos os dias pelo Estado, e agora perderam também o direito à vida.”
(Fonte: Site do Instituto Humanitas Unisinos - IHU)