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quarta-feira, 20 de outubro de 2021

RELATÓRIO DA CPI ACUSA BOLSONARO DE VÁRIOS CRIMES

 

(Foto: Agência Senado)


As 9 acusações contra Bolsonaro no relatório da CPI - e a manobra governista para tentar blindá-lo


Após o relatório da CPI da Covid no Senado acusar o presidente Jair Bolsonaro de nove crimes durante a pandemia, um senador da bancada governista tentou uma manobra para "blindar" o chefe do Executivo e impedir que o documento sugerisse o indiciamento de Bolsonaro.

A manobra, porém, foi rechaçada pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). "O presidente cometeu muitos crimes e vai pagar por eles", disse Aziz.

A manobra foi tentada pelo senador Marcos Rogério (DEM-RO) na sessão desta quarta-feira (20/10), na sessão da CPI em que o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), leu o relatório que acusa o presidente de ter cometido nove crimes.
Leia o texto de Leandro Prazeres para a BBC News Brasil, clicando aqui.



quarta-feira, 11 de agosto de 2021

PEC DO VOTO IMPRESSO DERROTADA

 X


Câmara dos Deputados 
rejeita e arquiva proposta de Bolsonaro

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso, em eleições, plebiscitos e referendos, de autoria da deputada, Bia Kicis, do PSL-DF e defendida pelo presidente, Jair Bolsonaro, não passou na Câmara.
Para ser aprovada, a proposta necessitava de, no mínimo, 308 votos, mas o placar geral foi o seguinte:
- 229 votos à favor;
- 218 votos contra;
- 001 abstenção (de Aécio Neves);
- 064 ausências.
Embora a derrota da proposta esteja sendo comemorada - e com razão -, pela oposição, é preciso colocar as barbas de molho com relação às reservas de força de Bolsonaro. Afinal, o resultado traiu as expectativas de quem acreditava que a derrota seria acachapante.
Teria sido o que se configurou depois como vexatória "tanquesseata" o que intimidou os deputados, ou Bolsonaro ainda tem fôlego para outros embates?
A grande mídia e os jornalistas de direita zombam da esquerda dizendo que todos os anos, nessa data, acontece esse desfile de blindados para entregar o tal convite de Exercício Militar da Marinha ao presidente. Dizem que foi uma mera coincidência. Será?
O que não vi, não li, nem ouvi dos comentaristas políticos foi a pergunta da dita coincidência feita por outro ângulo: Porque o presidente da Câmara, Arthur Lira, teria marcado a votação da PEC, justamente nesse dia em que tradicionalmente ocorre o tal desfile?

domingo, 20 de junho de 2021

ATOS CONTRA BOLSONARO EM TODOS OS ESTADOS, DISTRITO FEDERAL E NO EXTERIOR

 

Manifestantes ocupam a Avenida Paulista, em São Paulo, para protestar contra o governo Bolsonaro no último sábado
 (Foto: Ronaldo Silva/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Mais de 1 milhão de pessoas foram às ruas no último sábado, dia 19 de junho, em manifestações contra o desastroso governo de Jair Messias Bolsonaro.

Houveram manifestações em 25 capitais brasileiras e em mais de 100 cidades do interior, além de atos no exterior, realizados tanto por brasileiros residentes em outros países, quanto por estrangeiros que abominam o governo Bolsonaro. Todos os atos foram pacíficos e as pessoas foram às ruas usando máscaras. 

Ainda que tenha havido aglomerações, os atos se justificam em razão da incapacidade do atual governo de lidar com a pandemia que, justamente no dia das manifestações, atingiu a marca de 500 mil mortes por covid-19, de uma economia em frangalhos e do grande retrocesso no campo dos direitos humanos e sociais.


quinta-feira, 10 de junho de 2021

BOLSONARO QUER DESOBRIGAR VACINADOS DE USAR MÁSCARA

 

(Foto de divulgação da solenidade no Palácio do Planalto)


Na contra-mão das recomendações dos especialistas, o presidente, Jair Bolsonaro, declarou em solenidade no Palácio do Planalto que solicitou ao ministro da saúde, Marcelo Queiroga, um parecer (estudo no entender do ministro) que desobriga o uso da máscara para vacinados e pessoas que já contraíram a doença. 
Isso num momento em que o Brasil está na marca dos 480 mil mortos por Covid-19, tendo registrado mais de 2 mil e 300 mortes, nas últimas 24 horas. Sem contar que menos de 12% da população tomou as duas doses da vacina e que seremos sede de um megaevento, a Copa América.
Esses fatos alarmantes estão sendo noticiados em todo o mundo.
Que país é esse?

terça-feira, 1 de junho de 2021

POVO UNIDO NAS RUAS: "FORA BOLSONARO"


Manifestações pacíficas, com protocolos 

e sem palanques

Em várias cidades do mundo, não apenas no Brasil, houveram protestos contra o Governo de Jair Messias Bolsonaro. O povo nas ruas, usando máscaras, álcool em gel e mantendo distanciamento gritou em uníssono: "Fora Bolsonaro!", no último sábado, dia 29 de maio.


De forma pacífica, o povo gritou por vacina e denunciou as mais de 450 mil mortes por Covid-19. Haviam vários grupos de diversos segmentos sociais, mas todos unidos em torno de uma única causa: dar um basta ao Governo de Bolsonaro.


Apesar de milhares manifestando, em mais de 200 cidades em todos os Estados Brasileiros e em 14 países pelo mundo afora, as pessoas mantiveram distância e estavam de máscaras, dando exemplo de civilidade.


O povo foi às ruas de forma espontânea. Não houveram convocações partidárias, nem sindicais. Não havia militância partidária aguerrida, não teve palanque, tampouco discurso de quem quer que fosse, apenas palavras de ordem, muitos cartazes, bandeiras, camisetas, faixas, bandanas, máscaras temáticas, bonecos e bandas. 
As manifestações de 29 de maio, lotaram as ruas e repercutiram em todo o mundo. Isso é só o começo do que vem por aí, se o governo não atender às reivindicações da população e não tratar os cidadãos com o respeito e a dignidade que merecem. 

As fotos e o texto são de Eugênio Magno.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

NÚMERO DE MORTOS SOBE: LÁ VAI O BRASIL, DESCENDO A LADEIRA

 

Número de mortos do COVID-19 no Brasil passa de 

um quarto de milhão


Reportagem de Anthony Boadle; Edição de Leslie Adler e Peter Cooney


BRASÍLIA (Reuters) - O surto de COVID-19 no Brasil matou 251.498 pessoas, informou o Ministério da Saúde na quinta-feira, com 1.541 mortes nas últimas 24 horas, o segundo maior número de mortes diárias desde que a pandemia atingiu o país, há um ano.
Com 65.998 novos casos de coronavírus relatados na quinta-feira, o país sul-americano já registrou 10.390.461 casos, o terceiro pior surto do mundo atrás dos Estados Unidos e Índia e o segundo mais letal.
O Brasil enfrenta uma nova fase da pandemia com variantes do vírus três vezes mais contagiosas, disse aos jornalistas o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.
Pazuello disse que o Brasil distribuiu de 13 a 14 milhões de doses de vacinas e que o governo planeja inocular metade dos 210 milhões de habitantes do país até o meio do ano.
O Brasil está negociando para comprar todas as vacinas que puder e o Congresso está analisando uma legislação que permita ao governo comprar vacinas da Pfizer Inc e da subsidiária Janssen da Johnson & Johnson, Pazuello, um general do exército.
Até agora, o Brasil usou a vacina AstraZeneca Plc desenvolvida com a Universidade de Oxford, mas principalmente a vacina Coronavac feita pela chinesa Sinovac Biotech Ltd.
O presidente do país, Jair Bolsonaro, um populista de extrema direita que protestou contra as medidas de bloqueio e disse que não tomaria nenhuma vacina COVID-19, foi criticado por sua resposta ao vírus e pelo lento lançamento das vacinas.

(Fonte: Reuters)

sexta-feira, 15 de maio de 2020

PORQUE NÃO UM TURNOVER DO GOVERNO?


Pressionado por Bolsonaro, Teich pede demissão do 
Ministério da Saúde após menos de 1 mês

(Foto: Yahoo Notícias)

RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu demissão do cargo nesta sexta-feira, menos de um mês após assumir, em decorrência de desavenças com o presidente Jair Bolsonaro, na segunda troca de comando do ministério em meio ao avanço da pandemia do novo coronavírus pelo país.
Teich vinha sendo cobrado pelo presidente a modificar o protocolo do ministério para ampliar a recomendação do uso da cloroquina no tratamento à Covid-19, apesar de o ministro ter afirmado que não considera o remédio uma solução e de ter alertado para os efeitos colaterais.
Na quinta-feira, Teich foi chamado pelo presidente ao Palácio do Planalto para tratar de mudanças no protocolo de uso da cloroquina. Bolsonaro disse a apoiadores, e depois a empresários, que iria exigir a mudança para incluir o uso do remédio no início dos sintomas.
Ao sair do Alvorada na manhã desta sexta, o presidente afirmou categoricamente que o protocolo seria mudado, apesar da oposição de Teich. A cloroquina não tem comprovação científica de eficácia contra a doença respiratória provocada pelo novo coronavírus e o atual protocolo do Ministério da Saúde prevê o uso apenas em casos graves.
Teich anunciou seu pedido demissão em nota do Ministério da Saúde no final da manhã, e anunciou que vai conceder uma entrevista nesta tarde.
Logo depois, a médica Nise Yamaguchi, que defende um protocolo combinado de cloroquina e o antirretroviral azitromicina para tratar a Covid-19, teve um encontro com Bolsonaro, de acordo com uma fonte.
Para continuar lendo a matéria de Pedro Fonseca e Lisandra Paraguassu para a Reuters, clique aqui.

sábado, 25 de abril de 2020

BOLSONARO E MORO TROCAM GRAVES ACUSAÇÕES


Bolsonaro nega interferência na PF e 
acusa Moro de negociar troca de comando por vaga no STF

(Foto: Adriano Machado/Reuters)

BRASÍLIA (Reuters) - Cercado por seus ministros, o presidente Jair Bolsonaro rebateu nesta sexta-feira as acusações do agora ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que deseja interferir politicamente na Polícia Federal, e afirmou que o ex-juiz tentou negociar a troca no comando da PF por sua própria indicação a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Mais de uma vez o senhor Sergio Moro disse para mim: ‘Você pode trocar o (Maurício) Valeixo, mas em novembro, depois que você me indicar para o Supremo Tribunal Federal’”, disse Bolsonaro em pronunciamento com 45 minutos de duração, no Palácio do Planalto, citando o agora ex-diretor-geral da PF.
Bolsonaro decidiu no início da tarde responder à fala de Moro depois de discutir o assunto com seus ministros mais próximos. O ex-juiz da Lava Jato pediu demissão pela manhã e acusou o ex-chefe de tentar interferir na PF e em inquéritos que tramitam no Supremo ao exonerar Valeixo.
O presidente assistiu ao pedido de demissão de Moro em seu gabinete com os ministros palacianos Walter Braga Neto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Jorge Oliveira (Secretaria-Geral), e se manteve reunido com eles, de acordo com uma fonte, até a hora de fazer seu próprio pronunciamento.
Inicialmente previstos para se reunirem no Planalto para discutir o programa Pró-Brasil, os demais ministros, além do vice-presidente Hamilton Mourão, foram convocados para comparecer ao pronunciamento com Bolsonaro. Só não estavam presentes Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Marcelo Álvaro Antônio, do Turismo.
Três deputados também compareceram para prestar apoio ao presidente: Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli e Helio Lopes, todos da ala do PSL ainda aliada a Bolsonaro.
Em seu pronunciamento, Bolsonaro negou ter a intenção de interferir na PF, mas reconheceu que solicitou informações a respeito de determinadas investigações, incluindo os inquéritos sobre a morte da vereadora Marielle Franco e da facada que ele próprio sofreu durante a campanha presidencial de 2018.
O presidente admitiu que pediu à PF que interrogasse um ex-sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro acusado de envolvimento no assassinato de Marielle, cuja filha teria namorado seu filho mais novo, Jair Renan, e revelou ter consigo uma cópia do depoimento.
“Eu fiz um pedido para a Polícia Federal, quase com um por favor: chegue em Mossoró e interrogue o ex-sargento. Foram lá, a PF fez o seu trabalho, interrogou e está comigo a cópia do interrogatório”, disse o presidente. “Mas eu é que tenho que correr atrás disso? Ou é o ministro? Não é a Polícia Federal que tem que se interessar?”.
Para ler, na íntegra a matéria de Lisandra Paraguassu, para a agência Reuters, clique aqui.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

A REPÚBLICA NA UTI


(Foto: Eugênio Magno)


Oportunistas, apocalípticos e proféticos
em tempos de contaminação global

Eugênio Magno

O que dizer em hora tão urgente? Algumas pessoas em grupos de redes sociais têm reagido muito mal ao excesso de postagens sobre o novo coronavírus (COVID-19). Também pudera, com tantas comunicações desencontradas e fake news, haja paciência para essa enxurrada de informações, em sua maioria desqualificadas. As reações são diversas: “vamos manter o foco”, “não aguento mais ouvir falar de coronavírus”, “aqui não é lugar pra isso”, “vamos concentrar no nosso trabalho”, etc. Quando leio e ouço tais reações e comentários, me pergunto: qual deveria ser o foco? Em qual espaço se pode falar com liberdade sobre a pandemia que ultrapassa muros, fronteiras, classes sociais e persegue a todos – independentemente de cor, raça, nacionalidade, crença, gênero –, por toda parte e em todo o mundo? Devemos concentrar no nosso trabalho – concordo. Mas concentrar no que o nosso ofício e expertise pode contribuir para conter a contaminação. Apoiar as pessoas para que não se desesperem diante de ameaça tão letal. Ajudar a pensar propostas de trabalho e renda, com garantia imunológica, para vencer a crise econômica e financeira que já se abate sobre nós, é ainda mais grave para os mais pobres e tende a se acirrar nos próximos dias, podendo chegar a picos insustentáveis.
Como não falar sobre o coronavírus e seus diversos efeitos em nossas vidas e em nossas relações afetivas, familiares, comunitárias, profissionais, econômicas, políticas e, especificamente, no nosso caso, comunicacionais e educacionais? É nosso dever como comunicadores e educadores colaborar no processo de educação da população para as medidas de prevenção contra a Covid-19 com base nas orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas é também de nossa responsabilidade pensar formas de sustentar a ação pedagógica, utilizando-nos dos meios virtuais e digitais, propondo pesquisas, leituras e experimentações que os educandos confinados possam realizar em seus lares. De acordo com a área de atuação de cada comunicador/educador, toda contribuição no sentido de minimizar os impactos psicoemocionais e ocupacionais da população são bem-vindas. É hora de fazer valer nossos diplomas, livros, artigos, pesquisas, especializações, amparos institucionais, salários, bolsas (as que ainda existem) e, fundamentalmente, nosso conhecimento e capacidade de articulação e mobilização. O momento nunca foi tão oportuno para que arquitetemos, anunciemos e ensinemos o novo.
O foco da população, como um todo, não pode e nem deve ser na doença, no vírus. É imprescindível que reconheçamos a sua potência para que possamos combatê-lo com a força necessária para liquidá-lo, mas não nos esqueçamos de usar a nossa perícia e robustez criativa para encontrar soluções para os vários desdobramentos da pandemia em nossas vidas. Ficar em casa, isto é, manter o distanciamento social, deveria ser algo indiscutível. Todavia, carecemos ainda de outras medidas que, além de contemplar todas as recomendações de precaução para deter o avanço da contaminação, consigam ultrapassar esse limite e proporcionar a cura e os cuidados devidos e necessários aos infectados. E ainda buscar alternativas para o colapso econômico. Para que isso ocorra, entretanto, muitas ações estratégicas devem ser incrementadas de forma responsável. Necessitamos, por exemplo, reconhecer que é vital o funcionamento de setores essenciais como os de saúde, segurança, combustíveis, transporte, telecomunicações, energia, água, vigilância sanitária, alimentação, pesquisa, ciência e tecnologia, para citar apenas alguns deles que, por sua vez, dependem de outros subsetores de suporte, para garantir suas atividades. Tudo isso, independentemente da vontade, ou do que a capacidade cognitiva dos dirigentes de nosso país consiga entender como melhor ou pior para a nação. Até porque, em meio a tantos decretos e revogações, informações e contrainformações, na esfera governamental, tornou-se impraticável submetermo-nos sem reflexão a qualquer ordem advinda do poder central, enquanto não houver razoabilidade, lucidez e o mínimo de garantias de que estaremos tomando o rumo certo.
Em meio ao caos social, a crise econômica e a pandemia que ameaça a saúde de toda a população, nossas lideranças políticas encontram-se totalmente perdidas no imbróglio de seus projetos de poder e continuam sem apresentar qualquer solução factível para o enfrentamento da situação. Enquanto blocos de uma direita oportunista e inescrupulosa antecipam a luta para a divisão dos possíveis despojos da meteórica ascensão e queda do bolsonarismo, parte significativa da esquerda e a grande maioria dos grupos associativos reduzem suas pautas a críticas ao governo Bolsonaro e a reivindicações sobre perdas sofridas (o que é justo, mas se distância e muito de nossas emergências). Chutar cachorro morto é coisa fácil. Até mesmo setores ultraconservadores, aliados aos saqueadores do Estado brasileiro que contribuíram para instaurar o desmonte da Res publica, resolveram reagir de forma vigorosa contra o atual governo. O cenário, definitivamente, não é dos mais alvissareiros, com ou sem Bolsonaro que, aliás, comete suicídio político todas as vezes que usa a caneta, abre a boca ou fica online.
Se os progressistas, as esquerdas lúcidas e os defensores da democracia não se unirem em torno de um projeto político, econômico, de saúde e de desenvolvimento que sensibilize a população e ponha freio neste trem desgovernado, o que assistiremos – como meros espectadores – será uma já anunciada troca de mãos, no manejo dos destinos de nosso país, para dar mais do mesmo ao nosso povo pra lá de sofrido. Excetuando o espectro dos oportunistas abjetos, é perceptível que segmentos da sociedade têm se subdividido entre apocalípticos e proféticos neste entreato da história que aponta para uma mudança de paradigma no modus vivendi da humanidade e na economia mundial. Estou alinhado aos proféticos, mas consciente de que profetismo requer mais que denúncia. Essa já está feita, não somente pelo coro das vozes dissidentes, como também e, principalmente, pelas próprias circunstâncias em que nos precipitamos. Agora é a hora d’a onça beber água. Os tempos carecem de anúncio.
Chegou o momento de todos os seres pensantes desse país – os poucos que ainda podem se dá ao luxo de sobreviver ainda que, hibernando confinados em “quarentena” –, usarmos toda a nossa reserva de força imunológica e capacidade de trabalho para contribuir com o país e com o mundo. Garantir o futuro dos que vierem e, quiçá, oportunizar um pouco mais de vida digna a nós mesmos e àquilo que representamos socialmente.

Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.

sexta-feira, 20 de março de 2020

ECONOMIA BRASILEIRA



Governo corta a zero projeção para crescimento do PIB em 2020

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Ministério da Economia anunciou nesta sexta-feira o corte na projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a 0,02%, ante alta de 2,1% indicada há dez dias, numa mostra da rápida deterioração das expectativas em meio ao avanço do coronavírus e seu dramático impacto na economia.
Para a inflação, o time econômica agora vê alta de 3,05% do IPCA neste ano, contra percentual de 3,12% antes. Já a projeção para o preço médio do petróleo Brent caiu a 41,87 dólares por barril, contra patamar de 52,70 dólares divulgado na semana passada. Para o dólar em final de período, a estimativa agora é de 4,35 reais, sobre 4,20 reais antes.
(Fonte: Reuters)

domingo, 5 de janeiro de 2020

AVALIAÇÃO DO GOVERNO BOLSONARO


Bolsonaro teve avanço na economia, mas abandonou meio ambiente e combate à corrupção, diz Economist

(Foto: Presidência da República)

Em artigo publicado na última quinta-feira (02/01) em sua edição impressa, a revista britânica The Economist diz que, embora considere ter havido avanços na economia brasileira neste ano, o governo Jair Bolsonaro vem ameaçando as instituições democráticas e promovendo retrocessos na área ambiental e no combate à corrupção.
A revista diz que Bolsonaro foi eleito "porque eleitores estavam traumatizados com a pior recessão da história do país, entre 2014 e 1016, pela criminalidade e pelas revelações de corrupção nos mais altos níveis da política e do empresariado".
Segundo a revista, os eleitores esperavam que Bolsonaro trouxesse prosperidade, paz e probidade ao Brasil, mas, depois de um ano de governo, eles só conseguiram "parte do que queriam".


A revista diz que o número de homicídios no país diminuiu, mas afirma que isso ocorreu em grande medida porque os conflitos entre fações criminosas esfriaram, e que Bolsonaro abandonou o combate aos crimes de colarinho branco.
"Em vez de fortalecer as instituições democráticas do Brasil, ele (Bolsonaro) as está testando. No que diz respeito a corrupção e meio ambiente, o Brasil ou travou ou está andando para trás", afirma a Economist.

(Fonte: BBC News / Brasil)

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

TUDO QUE É RUIM É "IMEXÍVEL"


Bolsonaro recua sobre mudança no teto de gastos e diz que 
ceder é abrir uma rachadura no casco


O presidente Jair Bolsonaro defendeu nesta quinta-feira que seja preservado o teto de gastos públicos, afirmando que ceder nessa questão seria “abrir uma rachadura no casco do transatlântico”, um dia após ter indicado apoio à flexibilização da medida.
“Temos que preservar a Emenda do Teto. Devemos, sim, reduzir despesas, combater fraudes e desperdícios. Ceder ao teto é abrir uma rachadura no casco do transatlântico”, disse Bolsonaro em publicação no Twitter no início da manhã.
Para continuar lendo a matéria de Pedro Fonseca, do Rio de Janeiro para a Reuters, clique aqui.

domingo, 1 de setembro de 2019

A QUESTÃO AMAZÔNICA


Por que a Floresta Amazônica pode se tornar foco de crise entre Bolsonaro e a Igreja Católica

(Foto: Tomassereda / Getty Images)

No último domingo (25), o papa Francisco falou sobre os incêndios na Amazônia, antes de rezar o Angelus com os fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano. "Estamos todos preocupados com os grandes incêndios que se desenvolveram na Amazônia. Oremos para que, com o empenho de todos, sejam controlados o quanto antes. Aquele pulmão de florestas é vital para o nosso planeta", disse o chefe máximo da Igreja Católica.
O discurso do papa tocou em um assunto que é motivo de preocupações a 8.901 quilômetros dali, no Palácio do Planalto, em Brasília. A repercussão internacional das queimadas ao longo da semana passada reavivou no governo de Jair Bolsonaro (PSL) a preocupação com possíveis críticas ao governo brasileiro no Sínodo da Amazônia.
Trata-se de uma reunião de bispos dos países da região amazônica com o papa Francisco para discutir a atuação da Igreja Católica na área.
Para continuar lendo a matéria de André Shalders e João Fellet da BBC News Brasil em São Paulo, clique aqui.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

"O PETRÓLEO É NOSSO", A PETROBRAS TAMBÉM TEM QUE SER NOSSA


Após lucro recorde puxado por venda de gasodutos, o que mais está na fila de privatização na Petrobras

(Foto: Gabriel Lordêllo / Petrobras)

Após a privatização de uma rede de gasodutos, a Petrobras registrou lucro recorde de R$ 18,9 bilhões de abril a junho de 2019, o maior resultado trimestral da companhia.
Ao divulgar o resultado, a Petrobras informou que ele se deve "principalmente" à conclusão da venda, em junho, da Transportadora Associada de Gás (TAG), que atua no transporte e na armazenagem de gás natural.
A operação faz parte do processo de privatização de "braços" da Petrobras, prometido pelo comando da companhia e pela equipe econômica do governo Jair Bolsonaro.
O governo e a Petrobras têm se empenhado para promover a venda de outros ativos da companhia e concentrar esforços na área de exploração e produção de petróleo. O plano é vender para a iniciativa privada ativos em áreas, como o refino e o transporte e distribuição de gás.
Agora, a dúvida é qual será a velocidade - e as condições - em que esses ativos serão privatizados. E a decisão de vendas para a iniciativa privada, claro, continua a dividir opiniões: se o mercado aprova a iniciativa, representantes dos funcionários são contrários ao plano.
Para ler, na íntegra, a matéria de Laís Alegretti para a BBC News Brasil, clique aqui.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

MEDO DO SABER


'Ciências humanas são tão importantes quanto exatas e biológicas', diz professora de Harvard

(Foto: Melissa Blackhall / Hutchins Center) 

Sem os conhecimentos das ciências humanas "não é possível entender a sociedade", diz a cientista política Danielle Allen, professora da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
Em entrevista à BBC News Brasil, Allen disse ver como "um erro" o plano do governo brasileiro de reduzir investimentos em faculdades de ciências humanas - como filosofia e ciências sociais - e se concentrar, segundo um tuíte do presidente, Jair Bolsonaro, em "áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como veterinária, engenharia e medicina".
O presidente escreveu que "a função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta".
Para Allen, que dirige o Centro de Ética Edmond J. Safra de Harvard, a capacidade de uma sociedade de alcançar uma boa governança depende de ciências humanas como ciência social e filosofia, "porque são estas disciplinas que fazem esse tipo de trabalho".
"Você não cria leis para ter uma boa governança com os conhecimentos de Engenharia e de Física. Sem os conhecimentos das ciências humanas não é possível entender a sociedade."
Para continuar lendo a matéria de Rafael Barifouse para a BBC News Brasil, clique aqui.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

CEM DIAS DE UM PRESIDENTE


O que os primeiros 100 dias de Bolsonaro indicam 
sobre os desafios de seu governo

(Foto: AFP)

Alçado pela maioria do apoio popular, um presidente estreante no cargo tem, em geral, boas condições para iniciar seu governo. O período costuma ser chamado de "lua de mel" - uma metáfora bem ao gosto do presidente Jair Bolsonaro, que frequentemente compara as relações políticas com namoro e matrimônio.
No caso dele, que completa cem dias no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, o casório com o povo brasileiro começou mais tumultuado do que o comum.
Nos cem primeiros dias de governo, Bolsonaro já trocou dois ministros, algo inédito considerando os presidentes eleitos após a redemocratização - c.
O primeiro a cair foi c, que comandava a Secretaria-Geral da Presidência e era tido como homem de confiança de Bolsonaro até o escândalo do desvio de recursos eleitorais no PSL por meio de candidaturas de mulheres. O segundo foi Ricardo Vélez, substituído no comando da Educação por Abraham Weintraub, após os mais de três meses de total paralisia na pasta.
Outra peculiaridade, segundo o Instituto Datafolha, é o rápido aumento da rejeição logo no início da administração. Em pesquisa recém divulgada, 30% dos entrevistados consideraram o governo de Bolsonaro ruim ou péssimo, pior índice alcançado se comparado também a Collor, FHC, Lula e Dilma (considerando sempre o primeiro mandato).
Para continuar lendo a matéria de Mariana Schreiber para BBC News Brasil, clique aqui.

quarta-feira, 20 de março de 2019

REFORMA DA PREVIDÊNCIA NA MIRA DO CAPITÃO


Bolsonaro promete todo esforço na reforma da Previdência 
para aprová-la "o quanto antes"

(Foto: 247)
Pedro Fonseca

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, em artigo publicado nesta quarta-feira, que a reforma da Previdência é o carro-chefe de seu governo e prometeu colocar todo o esforço para a aprovação da matéria no Congresso o quanto antes, prevendo um crescimento do PIB de 3,3 por cento em 2023 se o texto for aprovado.
Em artigo publicado no jornal Valor Econômico no dia em que retornou de viagem aos Estados Unidos, Bolsonaro descreveu o atual sistema previdenciário como “ator principal desta telenovela chamada desequilíbrio fiscal, que custa ao país 800 bilhões de reais ao ano”.
Segundo o presidente, não há opções viáveis para a retomada do crescimento econômico sustentado sem a realização da reforma da Previdência, além das também prometidas reformas tributária e trabalhista.
“Se mantidas as regras (previdenciárias) atuais, estarão em risco não apenas as nossas aposentadorias, mas também a dos nossos filhos e netos. Sem a reforma, a saúde econômica se encaminhará rapidamente para a UTI da crise social, já vivida recentemente por muitos países”, disse Bolsonaro no artigo.
O presidente citou a fraqueza da indústria nos últimos anos e os 13,2 milhões de desempregados, e apontou as reformas como único caminho para a retomada do crescimento econômico. “Com a Nova Previdência, a nossa expectativa é chegar a 3,3 por cento (de crescimento do PIB) em 2023”, afirmou.
“É nítido o grau de deterioração das contas públicas. Se a reforma não for aprovada agora, haverá uma completa exaustão da capacidade financeira, o que impedirá o governo de resolver as questões vitais da sociedade”, acrescentou.
Ao lembrar que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência já foi enviada ao Congresso e se encontra atualmente na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara, Bolsonaro disse que hoje existe “mais maturidade na sociedade brasileira” sobre a questão.
“Essa interlocução política está sendo feita, a base está se formando e eu acredito firmemente que durante o período de tramitação do projeto na Comissão de Constituição e Justiça, essa base estará formatada e dará segurança para aprová-lo”, afirmou.
“Entendemos que é legítimo o Congresso querer aperfeiçoar o projeto entregue pelo governo e que é normal e constitucional utilizar o orçamento como inflexão de políticas públicas em prol da população brasileira. O orçamento brasileiro está cada vez mais pressionado e, se nada for feito, teremos cada vez menos recursos discricionários para investimentos”.
Nesta quarta-feira está previsto que Bolsonaro se reúna com ministros e auxiliares para bater o martelo sobre o projeto que muda as aposentadorias e reestrutura a carreira dos militares, no âmbito da reforma da Previdência. O governo prometeu entregar essa proposta ao Congresso até esta quarta.
O envio pelo governo de proposta com alterações na aposentadoria dos militares tem sido apontado por líderes parlamentares como condição para o andamento da PEC de reforma geral da Previdência. Líderes já anunciaram que só votarão a PEC na CCJ após o envio do projeto que trata da nova aposentadoria para militares.
(Fonte: Reuters)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

SALVE-SE QUEM PUDER


Bolsonaro pretende apresentar reforma da Previdência o mais rápido possível, diz porta-voz

Eduardo Simões

O presidente Jair Bolsonaro compreende a importância do momento para a reforma da Previdência e pretende apresentar uma proposta ao Congresso Nacional o mais rápido possível, disse nesta terça-feira o porta-voz da Presidência da República, general Otávio Rêgo Barros.
Em briefing no hospital Albert Einstein, onde Bolsonaro se recupera de cirurgia para retirada de uma bolsa de colostomia, Rêgo Barros também disse que as possibilidades de reforma serão apresentadas ao presidente e caberá a ele decidir o curso de ação e o momento de apresentação da proposta ao Legislativo.
A reforma da Previdência, uma das principais prioridades do governo, foi um dos temas tratados na reunião de ministros realizada nesta terça em Brasília, acrescentou o porta-voz.
“Os assuntos tratados hoje foram reforma administrativa, ações em apoio à tragédia de Brumadinho e análises sob propostas da Previdência”, disse o porta-voz durante o briefing.
“O presidente, em breve, decidirá sobre a linha de ação a ser apresentada ao Congresso”, acrescentou Rêgo Barros referindo-se à reforma da Previdência.
O porta-voz afirmou que Bolsonaro está analisando as possibilidades a serem incluídas na proposta de reforma da Previdência a ser enviada ao Congresso “em sinergia com os ministros envolvidos no tema” para só então encaminhar um texto com as propostas de mudanças previdenciárias ao Legislativo.
“O processo decisório de um tema tão relevante exige naturalmente muita análise e —repito— ponderação. A decisão então será discutida no âmbito daquela Casa, que é a casa dos legisladores, e nós acreditamos que, de forma consensual e democrática, o Congresso vai aprovar a proposta do nosso presidente”, disse o porta-voz.
“Ele (Bolsonaro) compreende também a importância do timing com relação a essa apresentação e está trabalhando para que isso possa ser feito no prazo menor possível.”
Mais cedo, após a reunião de ministros, o vice-presidente Hamilton Mourão reconheceu existir uma divergência entre Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, no tema da idade mínima. Enquanto o ministro é a favor da mesma idade para homens e mulheres, o presidente entende ser mais adequado uma idade mínima menor para mulheres. Mourão lembrou que a decisão final cabe a Bolsonaro.
Também nesta terça, após reunir-se com Guedes, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu a necessidade de uma reforma e disse que, caso o texto a ser enviado seja aprovado na Câmara em maio, a matéria poderá passar pelo Senado até junho ou julho.
(Fonte: Reuters - SP)

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

ARMAS PRA QUE TE QUERO


Decreto de Bolsonaro facilita posse de arma; entenda como funciona a lei e o que muda agora

Foto: Gui Christ/BBC News Brasil 

A quantidade de armas vendidas no comércio legal entre 2004 e 2017 já supera o número de unidades entregues voluntariamente por meio da campanha do desarmamento, criada em 2004.

O presidente Jair Bolsonaro expediu um decreto que facilita a posse de armas, uma de suas principais promessas de campanha. O decreto altera o Estatuto do Desarmamento, aprovado em 2003, que limita o acesso a armamentos no Brasil.
As mudanças passam a valer quando o texto for publicado no Diário Oficial, o que deve ocorrer entre hoje e quarta (16). Bolsonaro disse ainda que deve haver mais flexibilização da legislação sobre armas por meio de medida provisória e por alterações na lei, sendo que estas que precisam passar pelo Congresso.
A principal mudança do decreto é a definição mais flexível de quem tem "efetiva necessidade" de ter uma arma - a Polícia Federal perdeu o poder de barrar um registro de armamentos. Outra modificação importante é o aumento do prazo de validade da autorização de posse de cinco para dez anos.
Para ler na íntegra a matéria de Luiza Franco para a BBC News Brasil, clique aqui.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

A POSSE PRESIDENCIAL


Bolsonaro leva a extrema direita ao Planalto

Dragões da Independência na rampa do Planalto. CARL DE SOUZA (AFP)

Brasil vive uma mudança pendular radical na presidência com a chegada de Jair Messias Bolsonaro, um militar da reserva, que toma posse no primeiro dia do novo ano. Após 13 anos de governo de centro-esquerda, seguido de dois anos de transição com o presidente Michel Temer depois do impeachment de Dilma Rousseff, o Brasil testa pela primeira vez em sua história democrática um Governo de extrema direita, demonstrando que o pêndulo se moveu com mais força desta vez.
Até então, éramos um país acostumado a viver polos mais amenos na política desde que a democracia foi restaurada em 1985, depois de 21 anos de ditadura militar. Foi assim com a social-democracia de Fernando Henrique Cardoso, que governou entre 1995 e 2002, e a era trabalhista de Lula e Dilma Rousseff (2003 a 2016). Agora, Bolsonaro põe o Brasil na frente do espelho e da guinada direitista que marca a política internacional em alguns países.
Os ecos da recessão econômica que durou até 2017, e as denúncias de corrupção contra o Partido dos Trabalhadores, que governou por 13 anos, abriram espaço para a ascensão do presidente com traços autoritários que elogia os tempos da ditadura militar, ironiza conquistas sociais e se alinha com os líderes dos Estados Unidos, Israel, Itália e Hungria. Bolsonaro foi eleito democraticamente no segundo turno com o voto de quase 58 milhões de brasileiros, em 28 de outubro, derrotando Fernando Haddad, do PT. Nem sua ameaça de cortar direitos trabalhistas, reduzir as defesas ao meio ambiente, limitar investimentos em cultura e colocar o país sob um conservadorismo religioso o detiveram.
O novo presidente do Brasil é a grande novidade que surgiu como um antissistema "contra tudo o que está aí", mesmo tendo se alimentado da mesma política nacional por 28 anos como parlamentar, depois de deixar o Exército. Ele deixou o “baixo clero” do Congresso, rótulo de políticos com atuação marginal, diretamente para a presidência do país de 209 milhões de habitantes e um PIB de 6,56 trilhões de reais. Navegou nos mares revoltos pelas investigações da Lava Jato e a economia deprimida dos anos Dilma com um discurso antiesquerda, reavivando a Guerra Fria do século 20. "Longe de mim querer ser o salvador da pátria, mas o Brasil não podia continuar flertando com o comunismo, o socialismo, o populismo e o desgaste dos valores familiares”, disse ele alguns dias depois de ser confirmado presidente nas urnas.
Reforçou a sua posição ao anunciar que estava retirando o convite feito pela diplomacia do presidente Michel Temer aos líderes da Venezuela, Cuba e Nicarágua para comparecerem a sua posse neste dia 1º. Seus ministros e os parlamentares de seu partido, incluindo três filhos que atuam na política, endossam a narrativa de ataque aos “vermelhos”, a cor do PT no Brasil, que associam à corrupção e ao debacle na economia.
O Brasil não teme mais os militares como nos tempos da ditadura que durou 21 anos, e Bolsonaro chega ao poder cercado por eles, como prometeu durante a campanha. Seu vice, Hamilton Mourão, é um general de reserva. Sete de seus 22 ministros que assumem oficialmente o cargo em 2 de janeiro também são militares ou tiveram formação no Exército. Outros governos democráticos também tiveram militares como ministros, mas com Bolsonaro estão em maior proporção e alguns reforçam outros ministérios. Um deles, o general da reserva Carlos Alberto Santos Cruz, vai ocupar o cargo de ministro da Secretária de Governo, e dividir com outro ministro, Onyx Lorenzoni, um civil, o poder de articulação com o Congresso, o que representa um maior controle das negociações com os parlamentares. "Qual deputado vai atrever-se a retardar as negociações com o Governo na presença de um ministro militar?", diverte-se um observador político.
Para continuar lendo a matéria de Carla Jiménez para o El País, clique aqui.