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terça-feira, 20 de abril de 2021

PRESIDENTE BOLSONARO É CITADO EM RELATÓRIO GLOBAL



Brasil cai quatro posições no 
Ranking de Liberdade de Imprensa da RSF


O Brasil caiu quatro posições e passou à 111ª colocação entre 180 países no ranking de liberdade de imprensa global da organização Repórteres sem Fronteiras, anunciado nesta terça-feira (20/4) em Paris. Saiu da zona laranja, onde estão as nações cuja situação é considerada sensível, e entrou para a vermelha, um clube formado por aqueles onde a situação da liberdade de imprensa é classificada como difícil. 
Mas o País não está sozinho nisso. O estudo revela que “a principal vacina contra o vírus da desinformação, o jornalismo”, está total ou parcialmente comprometido em 73% das 180 nações que fazem parte do ranking de 2021. Apenas 7% dos países ficaram na zona branca, que sinaliza uma boa situação.
Entre as razões apontadas pela RSF destacam-se a pandemia do coronavírus, usada como pretexto para violações que vão de perseguições a leis restritivas e censura. E as redes sociais, nas quais o crescimento de ataques a profissionais e veículos contribuiu para minar a confiança do público no jornalismo e fomentar violência por parte de cidadãos, que se tornaram rotina em vários países. 
Este é o quarto ano consecutivo de queda do Brasil, que em 2018 estava na 102ª posição. Coube ao País a oitava pior colocação das Américas e a terceira pior da América do Sul.
O ranking de liberdade de imprensa da RSF é mais um momento de exposição negativa, contribuindo para desgastar novamente a reputação do País em nível global. O presidente Bolsonaro é citado no texto de apresentação do estudo, ao lado de Nicolás Maduro, como exemplos de líderes que promovem desinformação. Somente três governantes são destacados na abertura (o outro é o presidente do Egito, Abdel Fattah).
Para continuar lendo a matéria de Aldo De Luca para Repórteres Sem Fronteiras, clique aqui.
(Fonte: MediaTalks)

domingo, 10 de janeiro de 2021

BOLSAS PARA JORNALISTAS

(Imagem: Divulgação/Imagem Pública)


Agência Pública e Idec oferecem bolsas 
para produção de reportagens


Jornalistas de todo o país são convocados a participar do processo seletivo de bolsas para pautas investigativas sobre as desigualdades no acesso à internet no Brasil. Esta é a 13ª edição das Microbolsas distribuídas pela Agência Pública em parceria com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que contemplará quatro reportagens. Para participar, os profissionais devem preencher o formulário de inscrição até o dia 5 de fevereiro.

Além das bolsas, no valor de R$ 7 mil, os jornalistas selecionados receberão a mentoria da Agência Pública para produzir a reportagem proposta, que será publicada no site da agência e parceiros republicadores.

De acordo com o coordenador de telecomunicações e direitos digitais do Idec, Diogo Moyses, o tema desta edição foi escolhido com base na essencialidade do uso da internet durante a pandemia, que evidenciou ainda mais esse cenário de desigualdades.

“Com a iniciativa de bolsas de reportagens, buscamos compreender de forma mais profunda os impactos da desigualdade e, especialmente, como o modelo de mercado que temos atualmente favorece e até aprofunda esse problema”, explica.

As pautas devem abordar as diversas questões relacionadas ao tema, como falta de acesso a dispositivos, franquias de dados limitadas e bloqueio do acesso móvel, falta de infraestrutura e de políticas públicas de acesso à internet, práticas abusivas e pouco transparentes de empresas de telecomunicação, aumento da desinformação, entre outras.

Para se inscrever, é necessário enviar uma breve apresentação do repórter, referência profissional, resumo e descrição da pauta, plano de trabalho e plano de orçamento para a produção da reportagem. Segundo o regulamento, as propostas serão selecionadas pela direção da Agência Pública em parceria com o Idec, considerando a originalidade e relevância da pauta, consistência na pré-apuração, segurança e viabilidade da investigação e os recursos e métodos jornalísticos que serão utilizados. Os vencedores serão anunciados a partir do dia 18 de fevereiro no site da Agência Pública.

(Fonte: Portal comunique-se)

terça-feira, 1 de setembro de 2015

INFORMAÇÃO DE QUALIDADE PARA FORMAR OPINIÃO


"Boa parte da mídia abdicou 
de fazer jornalismo para fazer oposição política"




Pesquisador há décadas sobre o papel social da mídia, o professor aposentado da Universidade de Brasília Venício Lima é autor de vários livros sobre o assunto e segue refletindo sobre o comportamento dos veículos de comunicação, a necessidade de regulação do setor e o papel da comunicação alternativa e pública.

Brasil de Fato -  Temos visto uma cobertura cada vez mais parecida, especialmente da política, nos veículos da mídia hegemônica. Apesar de pequenas diferenças de linha editorial, parece haver uma homogeneização no tratamento de alguns temas, como na questão da crise e da operação Lava Jato. Como você avalia esse comportamento? 
Venício Lima - Na verdade, não acho que constitui uma novidade. Há muitos anos, em livro que publiquei com o Kucinski [“Diálogos da perplexidade: reflexões críticas sobre a mídia”], comentamos essa questão da posição homogênea da grande mídia. É a ideia de que a grande mídia funciona como se tivesse um supraeditor, como se as principais notícias, a pauta, a narrativa, fossem cotidianamente editados por um super editor, que dá a elas o mesmo enquadramento. Isso é tão verdadeiro que às vezes as mesmas palavras aparecem reiteradamente, para os mesmos assuntos, para a mesma pauta, em diferentes veículos. Isso não é uma novidade, e expressa apenas o fato sabido e conhecido de que os oligopólios privados de mídia no Brasil têm interesses comuns e defendem basicamente as mesmas propostas e são contra as mesmas propostas, projetos e políticas. 
A que você atribui essa recente inflexão em alguns veículos, como a Folha e o Globo, na questão do golpe ou impecheament contra a presidenta?
É uma questão delicada. Os grandes oligopólios no Brasil têm, sobretudo o grupo Globo, historicamente conseguido se adaptar às conjunturas e preservar seu interesse. E, correspondente a isso, o Estado brasileiro também historicamente não tem sido capaz de fazer prevalecer a natureza de serviço público, sobretudo na radiodifusão. Um observador como eu, sem acesso a fontes privilegiadas, sem vínculos com partidos ou nada do tipo, me valho da minha experiência e dos dados públicos. O que se sabe agora é que houve uma reunião do secretário de comunicação da presidência com os controladores do grupo Globo e, por ocasião de uma homenagem à Globo no Senado, uma reunião com executivos do grupo e nove senadores do PT. Depois desses encontros, de fato observa-se uma inflexão na cobertura política e um posicionamento diferente com relação ao impeachment da presidente. O que não se sabe é se houve – e muito provavelmente houve – algum tipo de entendimento, de acordo. Como foi feito no passado, com outros governos, em outras situações. O Estado brasileiro e qualquer grupo que temporariamente controlam sua máquina têm sido incapazes de fazer prevalecer políticas de interesse público e negociam com esses meios, que se tornam cada vez mais poderosos e mais capazes de fazer valer seus interesses. Depois saberemos melhor do que se trata. Vi especulações em relação à atribuição das frequências, utilização do chamado 4G, questões tecnológicas que o Estado tem poder, disputa entre os velhos grupos e operadoras... teremos que ver se se confirma a inflexão e saberemos o que foi negociado. Mas certamente alguma coisa foi negociada.
Na sua avaliação, por que os governos do PT não avançaram na questão da regulação do mercado de comunicação?
Essa pergunta tem que ser feita aos governos do PT. Eu não consigo compreender. Houve momentos em que se acreditava que os governos petistas iam pelo menos propor uma atualização da legislação, a regulação dos artigos que estão na Constituição, que fossem encaminhar projetos ao Congresso. Isso ocorreu em diversos países da América Latina em que projetos democráticos chegaram ao poder, mas nada disso aconteceu no Brasil. Tenho dito que esses governos caíram numa armadilha de acreditar que seria possível que os oligopólios de mídia apoiassem um projeto político, com repercussão na economia, que beneficiasse as classes populares, que promovesse a inclusão. Há informações seguras que durante muito tempo figuras importantes nos governos petistas acreditavam que era possível trazer o apoio desses oligopólios para a execução dessas políticas. Assim, a negociação com eles, as verbas publicitárias, empréstimos etc, deveriam ser a prioridade da política de comunicação do governo. Em detrimento da construção de um sistema público de comunicação, como, aliás, manda a Constituição. Ao cair nessa armadilha, perderam-se as oportunidades históricas de se fazer o que era necessário fazer e que não foi feito.
A partir da pressão da sociedade e também dada a virulência desses meios hegemônicos contra o governo do PT, você acredita que há possibilidade de avanço na regulação neste segundo mandato da Dilma?
De novo, quem tem que responder são os agentes públicos do governo, ou a própria presidente. Posso dar uma reposta de observador que tem décadas que acompanha essas questões. Sou pessimista. Não vejo no momento atual de crise política e de diluição completa da sustentação parlamentar do governo possibilidades de avanço. As condições são adversas para que se implemente algo nessa área. É interessante observar que o discurso de regulação econômica da mídia, que fez parte da campanha eleitoral, que foi vocalizado diversas vezes pelo ministro das comunicações, desapareceu. Não se fala mais nisso. Além disso, até mesmo medidas que poderiam e podem ser tomadas por diferentes setores do governo, que independem de aprovação parlamentar, não têm sido tomadas. Como, por exemplo, a revisão de critérios das verbas oficias de publicidade e a fiscalização de arrendamento de emissoras. Coisas que fazem parte do papel do Ministério das Comunicações, em alguns casos, ou podem ser de decisão política da presidência, medidas que poderiam ser tomadas independentes de aprovação do parlamento, que é sabida e declaradamente de oposição ao governo.
Você escreveu que não temos no país uma "narrativa pública alternativa". Na sua avaliação, como os veículos comunitários, sindicais e populares poderiam avançar para pautar a pluralidade de vozes e visões de mundo? 
Tem uma questão histórica, na mídia alternativa brasileira, incluindo as TVs e rádios comunitárias, a mídia sindical, o sistema público de um modo geral, que é a dificuldade de unificar sua narrativa. Há avanços, mas são ainda muito tímidos em relação ao que seria necessário. Eu considero absolutamente crítica a necessidade de apoio do governo ao sistema público de comunicação. A Empresa Brasil de Comunicação, EBC, tem, a duras penas, tentado produzir uma alternativa de qualidade à mídia comercial. Mas é muito difícil, porque a forma como a EBC está regulamentada depende de recursos não só do governo, mas de contribuição à radiodifusão pública, que inclusive vem sendo questionado na Justiça. É uma situação financeira difícil. E mesmo a empresa conseguindo, em seus diferentes veículos, produzir programas de boa qualidade, é difícil quebrar a inércia da audiência, que há décadas é dominada pela mídia comercial. A mídia pública não consegue ser divulgada fora dela própria e fica reduzida à sua pequena audiência. Acho que esta é das possibilidades que devem ser apoiadas. Inclusive uma coisa que esquecemos é que as pessoas que acreditam na necessidade de uma mídia alternativa à comercial devem apoiar a TV pública assistindo sua televisão e ouvindo suas emissoras de rádio.
Ao mesmo tempo em que assistimos ao fortalecimento da mídia comercial, aumenta o número de demissões e se discute o futuro do jornalismo. O que se desenha para o cenário da comunicação hoje?
Essa não é uma peculiaridade brasileira. É algo que está acontecendo na sociedade contemporânea e decorre de uma transição tecnológica, cujos resultados não sabemos ainda. Há uma nova geração surgindo que não terá os mesmos hábitos de consumo de mídia e isso já está claro, sobretudo no Brasil. E isso tem implicação para modelos de negócio. Mas sou daqueles que não compartilho o entusiasmo, muitas vezes acrítico, com relação ao acesso à informação que as novas tecnologias possibilitam. Os dados que temos no Brasil e no mundo confirmam que, apesar da transição e das mudanças de plataforma tecnológica, os grandes produtores de conteúdo continuam os velhos grupos da mídia tradicional. Pesquisas confirmam e isso é visto junto a segmentos que acessam a internet, blogs e sites: os mais citados são da velha mídia. Esse quadro se repete nas redes sociais, às quais 90% das pessoas que acessam a internet estão vinculadas. Importante destacar que essas redes não são produtoras de conteúdo, elas distribuem conteúdo e facilitam a interação. E o conteúdo distribuído vem em grande medida dessa velha mídia.
Do ponto de vista da força de trabalho, tenho defendido há anos que as novas tecnologias não implicam na desqualificação da mão de obra. Ao contrário, ela tem ter que ser mais qualificada para sobreviver no mercado de distribuição de conteúdo. Essa geração, embora embevecida com as redes, vai precisar de informação de qualidade. Eu não posso ser exemplo, já tenho meus 70 anos, mas sou seletivo no dinheiro que gasto para receber informação. Boa parte da mídia brasileira não me interessa porque abdicou de fazer jornalismo para fazer oposição política. Quero informação para compreender o mundo e me ajudar a tomar posições. Não quero generalizar minha posição, mas me parece que será preciso uma qualificação da força de trabalho para produzir informação de qualidade. Isso já está ficando claro em alguns países do mundo. Mas ninguém tem bola de cristal. Estamos claramente vivendo um momento de transição, que não é só no Brasil.
Como você vê iniciativas como o jornal Brasil de Fato, que chega aos dois anos em Minas Gerais?
Absolutamente fundamentais. Eu como indivíduo estou numa tentativa de lançamento de um jornal popular aqui em Brasília, como forma de furar o bloqueio da mídia comercial. É muito importante não esperar que a grande mídia venha a ser aliada para projetos que beneficiem classes subalternas, nem aqui, nem em lugar nenhum. O Brasil é exceção na América Latina porque não conseguiu ter, nem na mídia impressa, nem eletrônica, uma alternativa à mídia comercial. Outros países têm essa construção, como Argentina, México, Bolívia. Acho fundamental, apoio como posso e cumprimento grupos que conseguem, com todas as dificuldades, produzir de alguma forma uma imprensa alternativa. 


(Fonte: Site Carta Maior)

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A INFLUÊNCIA DA PUBLICIDADE NO JORNALISMO


No jornalismo, mentira não tem vez

Peter OborneCrédito: Christ's College Cambridge/Divulgação

"O que não se pode na regra do bom jornalismo é mentir. Londres foi abalada pelas declarações do ex-colunista político Peter Oborne, que deixou o The Daily Telegraph em janeiro. Oborne alega ter pedido contas por interferência direta da direção do jornal britâncio para proteger o HSBC. A direção orientou a redação a 'pegar leve' nas reportagens sobre o banco, apesar das denúncias de contas secretas na Suíça e na Ilha Jersey - notícia em toda a mídia internacional. O HSBC, vale dizer, é um dos maiores anunciantes do Telegraph". Para ler, na íntegra, o aretigo de Eduardo Tessler, sobre o assunto, clique aqui.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

"NEM SÓ DE PUBLICIDADE VIVE O BOM JORNALISMO"

Futuro dos jornais: O desafio da credibilidade


Luciano Martins Costa

"Representantes dos principais diários do país afirmam que sabem da necessidade de cobrar pelo acesso ao conteúdo através da internet, mas reconhecem que dificilmente conseguirão manter seus leitores online se exigirem pagamento pela leitura de todos os seus conteúdos.
Os gestores da mídia brasileira estão de olho nos resultados do New York Times, que decidiu fechar o acesso gratuito, passando a cobrar uma assinatura mensal de US$ 20 para a leitura de seus conteúdos jornalísticos na interneet.

Leitores fiéis
Embora alguns observadores entendam que o tradicional jornal americano vai perder poucos leitores com essa medida, ganhando em troca uma importante fonte de receita, o modelo pode não servir para o Brasil. Por aqui não existe a tradição de valorizar o jornalismo de qualidade, avaliam alguns dos entrevistados, o que tornaria um risco limitar o acesso a quem paga.
O dilema não se refere ao momento presente, quando os jornais se beneficiam do crescimento econômico do país e da consolidação de uma nova classe média que precisa aprender a operar em outros padrões sociais.
O conteúdo produzido originalmente para o papel já tem acesso condicionado nos portais, na maioria dos jornais brasileiros, mas essa situação tende a se complicar com o crescente número de pessoas, principalmente os mais jovens, que preferem se informar através de aparelhos eletrônicos. Desconfia-se de que eles não aceitariam pagar para ler reportagens.
De modo geral, um grande jornal brasileiro como o Estado de S.Paulo tem 65% de seu faturamento originado em publicidade, mas essa receita não é suficiente para pagar a produção jornalística.
Manter uma carteira de leitores fiéis ainda é fundamental.

Novas tendências
A equação parece bem resolvida no presente, também porque a maioria das empresas tradicionais fatura adicionalmente com os chamados títulos "populares", lançados na esteira do surgimento da nova classe média, nos últimos anos.
Esses jornais têm um custo baixo de produção e captam muita publicidade miúda. Portanto, o dilema não é como financiar o jornalismo em si. O desafio é: como promover o encontro entre o jornalismo de qualidade e um modelo de negócio sustentável?
Esse dilema só se apresenta porque há na sociedade grandes questionamentos sobre a credibilidade da imprensa. A insegurança dos gestores em apostar no acesso exclusivo para quem pode ou aceita pagar tem origem na falta de garantias de que o conteúdo jornalístico oferecido pelas empresas tradicionais atende as necessidades essenciais do leitor.
Diante de um histórico de dificuldade para se antecipar a novas tendências, marca de um jornalismo conservador, fica difícil apostar que a imprensa vai acumular rapidamente as qualidades que a tornaram, em tempos passados, uma instituição de valor para a sociedade."
(Fonte: Observatório da Imprensa)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O JORNALISMO ESTÁ EM CRISE


Para Ramonet, jornalismo enfrenta uma grave crise de identidade


"Ao receber o prêmio Antonio Asensio, jornalista criticou aqueles que fazem entretenimento domesticado, ao invés de jornalismo. A imprensa escrita vive um dos momentos mais difíceis, e o jornalismo atravessa uma grave crise de identidade. O importante se dilui no trivial e o sensacionalismo substitui a explicação. Para ele, ainda há muitas injustiças no mundo que justificam um concepção do jornalismo a favor de mais liberdade e democracia."

Leia o texto na íntegra clicando aqui.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A NOVA ERA DA COMUNICAÇÃO

A era pós-mídia de massa: a desconfiguração
e descentralização da Comunicação.
(entrevista especial com Ivana Bentes)
"Desconfigurar, descentralizar, até mesmo explodir. Para a doutora em Comunicação e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ivana Bentes, o que caracteriza a era pós-mídia de massa são justamente as práticas descentralizadas de comunicação. A Internet é esse lugar de desconfiguração, afirma a professora em entrevista concedida, por email, à IHU On-Line.
Ivana acredita ainda que o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo abre uma série de novas questões e debates sobre o campo da comunicação pós-mídias digitais bem mais interessantes do que o velho muro das lamentações corporativas. Segundo ela, os cursos de Comunicação precisam dar uma virada e explodir o ambiente da sala de aula tradicional e pensar uma formação por projetos, uma wiki-universidade.
Analisando os resultados do Fórum de Mídia Livre e da Confecom, afirma que foram um momento histórico, vivo, vibrante das possibilidades e limites da atual democracia brasileira. É a sociedade inteira que se apropria das tecnologias e da linguagem jornalística contra o jornalismo, explodindo o jornalismo corporativo, defende.
Ivana Bentes é doutora em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professora associada do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ e Diretora da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO/UFRJ), também atua na área de Comunicação, com ênfase em estética, audiovisual, cinema, imaginário social, pensamento contemporâneo e cultura digital. Atualmente se dedica a dois campos de pesquisa: Estéticas da Comunicação, Novos Modelos Teóricos no Capitalismo Cognitivo e Periferias Globais: produção de imagens no capitalismo periférico. É coordenadora do Pontão de Cultura Digital da ECO/UFRJ. É curadora na área de arte e mídia, cinema, audiovisual." Para ler a entrevista na íntegra clique aqui.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Umanitas Unisinos)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

BORIS CASOY PISOU NO TOMATE

Sindicato vai entrar com ação civil pública contra Boris Casoy
"O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo (Siemaco), José Moacyr Malvino Pereira, afirmou que irá entrar com uma ação civil pública contra o jornalista Boris Casoy, por sua declaração sobre o trabalho dos garis no Jornal da Band. 'Vamos entrar com uma ação civil pública para que ele se retrate na Justiça. Já assinei a procuração', declarou o presidente da entidade.
O apresentador do Jornal da Band tem sido criticado desde o dia 31/12, quando saiu no ar o áudio de uma declaração sobre os garis que desejavam feliz ano novo. Ainda na vinheta do jornal, sem saber que seu microfone estava aberto, Casoy declarou: 'Que m... dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. Dois lixeiros... O mais baixo da escala de trabalho'.
No dia seguinte, no mesmo jornal, o apresentador pediu desculpas pela atitude. 'Ontem durante o intervalo do Jornal da Band, num vazamento de áudio, eu disse uma frase infeliz, por isso quero pedir profundas desculpas aos garis e aos telespectadores do Jornal da Band', disse.
Nesta segunda-feira (04/12), o Siemaco entregou na TV Bandeirantes uma carta de repúdio a Boris Casoy. 'Não aceitamos as desculpas do apresentador, que foram meramente formais ao ser pego ao manifestar o que pensa e que, infelizmente, reforça o preconceito de vários setores da sociedade contra os trabalhadores garis e varredores...'
Em uma nota oficial no site do sindicato, a entidade também criticou o desmerecimento dado ao trabalho dos garis. 'Lamentavelmente Casoy demonstrou não dar valor ao importante serviço prestado por nossos trabalhadores, humilhando-os publicamente. Ele esqueceu-se que limpeza significa saúde pública e, se nossos lixeiros no alto de suas vassouras não cuidassem da nossa cidade, certamente viveríamos no caos. Com certeza, podemos viver sem notícias, mas não sem limpeza', diz a nota.
A assessoria de imprensa da Band informou que o apresentador já pediu desculpas em público. A direção de jornalismo da emissora ainda não se manifestou sobre o caso."
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A QUESTÃO DO DIPLOMA DE JORNALISMO

''Curiosidade está acima do diploma de jornalismo'', afirma jornalista
Em encontro no MASP na última terça-feira (07/07), Gay Talese afirmou que a curiosidade está em primeiro lugar entre as qualidades de um jornalista, acima do diploma. “Acho que o diploma não é essencial para o jornalismo. O essencial é a curiosidade", disse o jornalista em debate moderado pelo editor executivo do jornal O Estado de S. Paulo, Ilan Kow.
A reportagem é de Izabela Vasconcelos e publicada pelo portal comunique-se, 08-07-2009.
A primeira matéria
Durante o encontro, Talese contou sua trajetória no jornalismo, sempre enfatizando a curiosidade como principal ponto para seu crescimento na carreira. O jornalista, que começou com 21 anos no The New York Times, como copy boy, algo parecido com office boy, como descreve Talese, despertou interesse pelo trabalho do homem responsável pela inserção das manchetes do noticiário, por meio de um jogo de luzes, em toda a Times Square.
Talese observou o homem e perguntou se poderia entrevistá-lo. “Mas você não é repórter, disse ele. Mas pretendo ser um repórter, respondi. Aí comecei a minha primeira matéria”, conta o jornalista, que pediu uma máquina de escrever emprestada de um repórter e entregou a reportagem para o editor. A matéria foi publicada, mas sem créditos.
A imprensa esportiva
O primeiro emprego de Talese no jornalismo foi na imprensa esportiva. “Eu gostava de esporte, mas não de escrever sobre quem ganhou, quem perdeu. Nenhum placar de jogo me interessava. As pessoas me interessavam, as histórias", explica.
Entre alguns dos perfis mais conhecidos do esporte, escritos pelo jornalista, estão o jogador de baseball Joe DiMaggio e os boxeadores Floyd Patterson e Joe Louis.
O jornalismo atual
“Os jornalistas de hoje têm um melhor vocabulário, uma melhor formação. Mas pecam em sua principal missão, de vigiar e criticar o poder”, diz Talese. Para ele, não existem mais excelentes repórteres como antigamente, tudo porque não há contestação como antes, apenas a reprodução de versões oficiais.
Sobre a crise econômica na imprensa, principalmente na norte-americana, o jornalista, que não é adepto das novas tecnologias, como a internet e o celular, é otimista. “A tecnologia não vai matar o jornal. O jornal deve oferecer o que as pessoas não podem encontrar na internet. O jornalismo honesto e bem escrito sempre terá espaço e será valorizado”, avalia.
O segredo do sucesso
Talese, conhecido como o pai do new journalism, destacou que sempre procurou um estilo próprio de texto. “Pensava que se eu escrevesse ficção seria apenas mais um autor de ficção, mas seu escrevesse algo que parecesse ficção, nesse estilo, mas com histórias e nomes reais, isso sim seria diferente”, relembra o autor de O Reino e o Poder, Fama e Anonimato, A Mulher do Próximo, Vida de Escritor, entre outros.
O jornalista, que escreveu o famoso “Frank Sinatra está gripado”, perfil do cantor norte-americano, também contou os bastidores de outras reportagens de sua carreira, lembranças da infância, suas impressões sobre o Festival Literário Internacional de Paraty (FLIP) e o livro que escreve sobre os seus 50 anos de casamento com a editora Nan Talese. (Fonte: IHU - Instituto Humanitas Unisinos)