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quarta-feira, 26 de outubro de 2022

O BRASIL É DE TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS

 

(Imagem: "Bandeira Rachada" - Site Sindsep-PE)


O confisco de Deus e o sequestro da República

Eugênio Magno

Até as verdades bíblicas estão sendo truncadas e destroçadas por cristãos que preferem mitos à verdade de fatos protagonizados e narrados, diariamente, com soberba e sarcasmo pelo disseminador do ódio e sua seita de fanáticos.

O otimismo e a força que move o povo brasileiro sofrido deu origem à máxima “Deus é brasileiro”. Em tempos bolsonaristas, até isso foi retirado a quem só restava a fé e a esperança em dias melhores. Deus se tornou propriedade privada de uma turba de políticos aloprados que se dizem defensores da família e dos bons costumes, mas que carregam a bíblia em uma mão, uma arma de fogo na outra, a perversão nas entranhas, a maledicência na língua e a maldade no coração. O verdadeiro cristão, em seus louvores, reza com o salmista: O Senhor é bom para todos; a sua compaixão alcança todas as suas criaturas.

Acontece que tomaram de assalto, além de altares e púlpitos, também a república e os símbolos nacionais. A propósito do sequestro da Bandeira Nacional e da camisa da Seleção Brasileira, pelo atual governo, me veio a lembrança de quando criança, em Montes Claros, Sertão de Minas Gerais, costumávamos brincar de Rouba Bandeira, na rua onde morava.

A brincadeira era um jogo entre dois times. Cada um tinha a sua bandeira. O objetivo era entrar no território do outro time, roubar a bandeira e trazer para o seu território, sem ser pego pelos jogadores adversários. O jogo tinha muitas regras e nós as respeitávamos. As “bandeiras” eram pedaços de pano ou nossas próprias camisetas. No final, independentemente de quem tivesse vencido a competição, as camisetas eram devolvidas e até os pedaços de pano voltavam para as casas de onde saíram. Ora ganhávamos, ora perdíamos. De vez em quando surgia uma discussão, uma briga, mas não passava disso. Nos entendíamos. Não havia juiz e Deus não era propriedade de time algum, não jogava, nem torcia para nenhum lado.

Esses poucos dias que antecedem o segundo turno das eleições é tão decisivo para o futuro que não consigo deixar de trazer à memória o passado de uma geração que cresceu à sombra dos coturnos militares, viveu as agruras de um país subdesenvolvido que acreditou no progresso como milagre e construiu o futuro às custas do endividamento e do arbítrio. Compreender como nossa história vinha sendo escrita foi um grande desafio para a juventude desse período obscuro. Depois dos anos de chumbo, respiramos o ar da Nova República e ganhamos uma Constituição Cidadã em 1988. E o que era sonho logo se tornou pesadelo: superinflação no governo Sarney, confisco da poupança e escândalos no desgoverno Collor. Nos tornamos adultos imaturos e quase não percebemos que a inocente competição infanto-juvenil, limitada às brincadeiras e ao esporte, havia se transformado em descabida ambição, em meio a uma grave perpetuação dos privilégios de classe. Foi difícil para cada um de nós tomar seu rumo e achar sua nova turma.

Para os que optaram pela subserviência sobraram algumas migalhas em troca da mais indigna condição serviçal: a de capitães do mato.

Em meio a farra e os desmantelos do alagoano, que se autoproclamou “Caçador de Marajás”, os meninos e meninas, de origem proletária, nascidos no final dos anos 1950 e início da década de 1960 já não brincavam mais, trabalhavam. A abertura política e a nova carta constitucional iluminou o horizonte de alguns para a consciência de classe. Outros, muitos outros, se perderam no caminho, apesar de tantas canções, peças, livros e filmes.

Nos idos de 1990 muitas famílias novas se formaram e a luta para sobreviver mantendo coerência e dignidade se mostrou renhida. Afinal, desde os tempos coloniais, o Brasil só foi Pasárgada para uma minoria de endinheirados – grileiros do Estado.

Vivemos e testemunhamos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, a duras penas e, apesar das inúmeras concessões ao capital, sedimentarem as bases republicanas de um Estado Democrático de Direito. E contribuímos para que o país, a contrapelo dos vícios nas engrenagens dos poderes político e econômico vivesse, pelo menos, uma dúzia de anos de progresso econômico e social. No período de 2003 a meados de 2016 foi possível, entre outras realizações, acabar com a fome e gozar de grande prestígio internacional, com Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Mas toda moeda tem seu lado reverso e as elites não se fizeram de rogadas. Mesmo com uma grande acumulação de riquezas, durante os governos petistas, os poderosos se incomodaram com as cotas nas universidades, as políticas de direitos humanos, as ações afirmativas e a mobilidade social promovidas por Lula e Dilma e cruzaram a linha da moral, da ética e da legalidade. Trataram de dar um golpe em Dilma Rousseff, maquiado pelo parlamento como impeachment. Arregimentaram um juiz arrivista, setores do judiciário e do Ministério Público se locupletaram e os barões da mídia orquestraram a encenação. Púlpitos neopentecostais – católicos e evangélicos – “abençoaram” a narrativa posta, e a deep web cuidou de infestar o país e dobrar a opinião pública com toda a espécie de sordidez. Lula, o maior líder popular brasileiro foi tirado da disputa eleitoral em 2018 e preso. Deu no que deu... Jair, (o falso Messias) Bolsonaro, foi eleito. Hoje, acuado, diante dos vários processos que cairão sobre ele se perder as eleições e a imunidade, joga o jogo mais vil, jamais visto em nossa história republicana, para permanecer no poder e garantir privilégios e o Sigilo de 100 Anos.

Não consigo dizer se é triste, decepcionante ou vergonhoso saber da existência de tanta gente – pobres, inclusive – e muitos outros, de várias classes sociais que apoiam a barbárie e àquele que se arvorou a sequestrar os bens mais preciosos do nosso país. As Forças Armadas, porque brasileiras e patrimônio da Nação, por exemplo, jamais poderão estar a serviço de governos, contra mais da metade do povo brasileiro, como quer o presidente-candidato. A nossa padroeira, Nossa Senhora Aparecida, seu templo e seus devotos ressentem, profundamente, a profanação sofrida pelos arruaceiros bolsonaristas e Jesus não pode continuar com uma arma apontada para a sua cabeça como refém de fariseus que ameaçam crentes esclarecidos e já decididos pelos valores do Evangelho.

Diante de tudo o que vivemos nos últimos quatro anos é inacreditável que o eleitor lúcido esteja com dúvida em quem votar. Repare que nem falamos de assassinatos de opositores, tentativas de homicídios, ameaças várias, bandidos aliados, recepção de policiais à bala, imobiliária e fábrica de chocolate operando com dinheiro vivo, rachadinhas, centrão, orçamento secreto, obsessão sexual de pastoras e pastores aliados, compra de votos, insinuações pedófilas, intolerância, misoginia, homofobia, racismo, 686 mil mortos na pandemia, indústria de fake news, o desastre econômico, ataque ao salário mínimo e aos aposentados... A lista é infindável.

Chega. A hora é de partir pra cima. Sem essa de cair no conto de líderes espirituais, pastores e vigários picaretas com suas chantagens diabólicas. Se somos um povo verdadeiramente religioso, dia 30 de outubro, vamos todos votar e votar pelo bem, pela paz. Só assim Deus mostrará a sua verdadeira face para todos os brasileiros e brasileiras.

Pela qualidade da nossa geração, vamos demitir o ódio, recuperar a paz, o respeito, a cidadania e a civilidade. Vamos pegar de volta a Amazônia, a Farmácia Popular e muito mais: a dignidade, o respeito, a democracia, nossas cores e a nossa bandeira.


domingo, 15 de setembro de 2019

O CUIDADO COM A NOSSA CASA COMUM



(Ipê-amarelo = Tabebuia chrysotricha)


A bravura dos Ipês:
em Defesa da Amazônia

Eugênio Magno
(Texto e foto)
                            
Belo Horizonte, Minas Gerais. Corre o ano de 2019. Era Agosto, 25. Manhã de domingo de céu azul e sol a pino. A semana que passou foi de densas nuvens de tristeza, escuridão e chuva negra – tóxica – em São Paulo (capital), a maior cidade da América Latina. Tem havido comoção mundial pela acelerada devastação, autorizada, do grande pulmão do planeta. Protestos e atos em defesa da nossa Amazônia bradaram pelos quatro cantos do mundo, desde o dia 19 de agosto, a segunda-feira cinzenta, em que a Amazônia sangrou chamas ardentes e espraiou fuligem pela atmosfera tropical.
Os dias 23 e 24 de agosto foram marcados por manifestações e destaques da grande mídia e redes sociais, nacionais e internacionais, dando conta da gravidade dessa crescente e ameaçadora degradação do ambiente. Em várias localidades aconteceram atos em favor da Amazônia no dia 25. Assim foi na capital mineira. Aqui a manifestação ocorreu na Praça Israel Pinheiro – apelidada de Praça do Papa, desde a primeira vinda de João Paulo II a BH –, onde Karol Wojtyla celebrou missa campal. No dia 25 de agosto deste ano, muitos dos que ali compareceram, atendiam ao apelo do atual Papa Francisco. Residindo na zona rural de cidade próxima a Belo Horizonte, fiz um deslocamento de 43 Km e me somei aos que lá compareceram para registrar o ato e engajar de forma integral, corpórea, nessa luta pela preservação e pelo cuidado da nossa casa comum. Atendi com naturalidade e prontidão ao pedido dos movimentos que convocaram o ato, às denúncias de ambientalistas de todas as partes do globo e aos constantes apelos do Papa Francisco que, incansavelmente, convoca-nos, todas e todos, para defender a vida do/no planeta, a nossa vida e o direito à vida para as gerações vindouras.
O pontífice (Jorge Mario Bergoglio), cujo onomástico, Francisco – o mesmo do santo de Assis que, no início do século XIII, em seu Cântico do Irmão Sol, tratava esta nossa casa comum como “nossa irmã Terra Mãe” –, dedicou a Carta Apostólica Laudato Si (louvado sejas) à salvaguarda do meio ambiente, questão que segundo o Papa não pode estar separada da justiça em relação aos pobres, nem da solução dos problemas estruturais da economia mundial. Vale lembrar, inclusive, que estamos às vésperas do Sínodo da Amazônia. No período de 6 a 27 de outubro deste ano, o Vaticano vai reunir os bispos latino-americanos para refletir sobre o tema Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral. Este encontro sinodal é uma resposta do papa Francisco à realidade da Pan-Amazônia e tem por objetivos: conhecer, reconhecer, conviver e defender os saberes, os povos nativos, moradores da região e todo o bioma amazônico, na perspectiva de encontrar soluções pastorais que tenham aplicação universal.
É revoltante constatarmos que o alto escalão do Governo brasileiro insista em remar contra a correnteza e trate a questão amazônica com tamanha desfaçatez, enquanto cidadãos do mundo inteiro levantam a voz em favor da Amazônia. Até a Disney comove marmanjos e crianças, nas matinês, com The Lion king que, encarnado em Simba, defende a preservação da vida e a sustentabilidade do planeta, como sujeito mistagógico. O filme é pedagógico e, sem necessidade de grande esforço intelectual, até o mais néscio pode compreender sua mensagem.
Sensibilizado com tantos apelos, do Papa ao Rei Leão, o que mais me tocou foi estar unido, num clima pacífico – em que não faltaram palavras de ordem, cartazes, faixas e intervenções –, a cerca de duas mil pessoas que compareceram a Praça do Papa, localizada no bairro das Mangabeiras, em Belo Horizonte, para participar do Ato em defesa da Amazônia. Biólogos, parlamentares, educadores, sindicalistas, estudantes, líderes de movimentos sociais e representantes de partidos políticos, fizeram uso da palavra para denunciar os vários crimes ambientais cometidos pela ganância desapiedada do capital (as tragédias de Mariana e Brumadinho foram lembradas com tristeza) e tantos outros tipos de abusos praticados contra a natureza.
E pensar que essa foi apenas uma das muitas manifestações que vêm ocorrendo em várias cidades brasileiras e em outras tantas pelo mundo afora... Mas ali eu estava, junto a centenas de homens, mulheres, crianças, famílias, cadeirantes, uma grande diversidade de pessoas de todas as idades e de variadas classes, etnias e raças.
Do alto da Praça do Papa, na base da carcomida Serra do Curral, explorada pela mineração, me dei conta dos Ipês que, bravamente, resistem e em agosto derramam suas flores roxas, brancas, rosas e amarelas em nosso horizonte que já foi bem mais belo. Agora, que entrou setembro, a boa nova anda nos campos e já começa a produzir seus aromas e cores e, junto à passarada, ensaiam um novo canto para saudar mais uma primavera.
Este texto foi publicado no Jornal Pensar a Educação em Pauta e também poderá ser encontrado no Facebook.

domingo, 1 de setembro de 2019

A QUESTÃO AMAZÔNICA


Por que a Floresta Amazônica pode se tornar foco de crise entre Bolsonaro e a Igreja Católica

(Foto: Tomassereda / Getty Images)

No último domingo (25), o papa Francisco falou sobre os incêndios na Amazônia, antes de rezar o Angelus com os fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano. "Estamos todos preocupados com os grandes incêndios que se desenvolveram na Amazônia. Oremos para que, com o empenho de todos, sejam controlados o quanto antes. Aquele pulmão de florestas é vital para o nosso planeta", disse o chefe máximo da Igreja Católica.
O discurso do papa tocou em um assunto que é motivo de preocupações a 8.901 quilômetros dali, no Palácio do Planalto, em Brasília. A repercussão internacional das queimadas ao longo da semana passada reavivou no governo de Jair Bolsonaro (PSL) a preocupação com possíveis críticas ao governo brasileiro no Sínodo da Amazônia.
Trata-se de uma reunião de bispos dos países da região amazônica com o papa Francisco para discutir a atuação da Igreja Católica na área.
Para continuar lendo a matéria de André Shalders e João Fellet da BBC News Brasil em São Paulo, clique aqui.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS NA AMAZÔNIA


Documentário mostra importância de
investigar violação dos direitos humanos dos indígenas




O documentário AmazôniAdentro, produzido pela TV Brasil, ilustra a importância da decisão da 6ª Câmara do Ministério Público Federal de apurar as violações dos direitos humanos dos indígenas no Brasil durante a ditadura militar. A 6ª Câmara tomou uma decisão importante para o país, que trará luz sobre um assunto tabú e que gerou muito sofrimento à população atingida. Para ler na íntegra o artigo de Marcelo Zelic, clique aqui.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

5 DE SETEMBRO, DIA DE MOBILIZAÇÃO PELA AMAZÔNIA


Amazônia por um dia, Brasil verde para sempre

Não é só o tamanho da floresta que impressiona. Abrangendo os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e parte do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso, ela também possui a maior biodiversidade do planeta. Ela é rica em minerais, espécies vegetais e animais, e guarda cerca de um quinto das reservas de água doce do mundo.
Com absorção de carbono, suas árvores também contribuem para o equilíbrio do clima global. A cada árvore que vai para o chão, uma parcela do gás vai para a atmosfera, aumentando o aquecimento da Terra.
Além desse serviço ambiental, a variedade dos solos, as altas temperaturas e a grande quantidade de chuvas fazem com que a Amazônia seja um dos patrimônios naturais mais valiosos de toda a humanidade.
Pela sua imensa extensão territorial, a Amazônia aguçou os interesses dos grandes desmatadores. Hoje, o desmatamento e a disputa por terras, principalmente, ameaçam a sobrevivência da floresta e impedem a utilização correta de seus recursos para o bem-estar de suas comunidades tradicionais.
Mas esse cenário ainda pode ser revertido. No Dia da Amazônia, dê às florestas o que elas merecem. Exerça seu dever cidadão e assine pela proteção do maior patrimônio natural do Brasil: as matas nativas. Ajude a levar ao Congresso a proposta de lei do Desmatamento Zero. Nas redes sociais, use a hashtag #DiadaAmazônia e participe da campanha por um Brasil verde e limpo.
(Fonte: Site do IHU: Instituto Humanitas Unisinos)

domingo, 8 de abril de 2012

UM EXEMPLO AMAZÔNICO


Jovens no Pará usam a cultura como forma de ação política


Sem dinheiro público e sustentado pelos próprios participantes, bairros marcados pela violência em Belém e Ananindeua recebem oficinas de grafite, cultura hip hop, literatura marginal, trançado de cabelo afro, programas em rádios comunitárias e ciberativismo. Crianças e adolescentes são o alvo principal, diz o educador social Preto Michel, de 35 anos e pai de um adolescente de 17. Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.

sábado, 16 de maio de 2009

BRASIL É CREMATÓRIO DE CÉREBROS E DE FLORESTAS

Cristóvam Buarque afirmou em entrevista à jornalista Fabíola Munhoz que ''O Brasil é um grande crematório de cérebros e florestas''.
"Idealizador da Vigília pela Amazônia, realizada no Senado na última quarta-feira, o senador Cristovam Buarque (PDT/DF) concedeu uma entrevista exclusiva ao Amazonia.org.br, em que fala sobre a necessidade da implantação no Brasil de uma educação que conscientize as pessoas sobre a importância de se manter a floresta em pé.
Também ex-ministro da Educação, durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Buarque falou sobre o problema do analfabetismo no país, de suas propostas para a valorização da cultura indígena e a melhoria do sistema educacional, com respeito à diversidade e inclusão de noções sobre meio ambiente." (Fonte IHU)
Leia a entrevista clicando aqui.