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sábado, 5 de fevereiro de 2022

ELEIÇÕES E ALIANÇAS

 

Brasil: poder e terras usurpadas. 'A repetição fiel da loucura capitalista'

“Neste ano de eleições presidenciais, a hipótese da esquerda que quer substituir o atual governo de extrema-direita por enquanto está ganhando. Parece um processo de maquiagem do realismo prudente da política como mera constatação dos interesses dos empresários e das demandas dos partidos”, escreve Flavio Lazzarin, padre italiano fidei donum que atua na Diocese de Coroatá, no Maranhão, e é agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em artigo publicado por Settimana News, 28-01-2022, com tradução de Luisa Rabolini.

Segundo ele, "para Lula, toda e qualquer aliança deve e pode ser usada para ganhar as eleições. Os partidos de esquerda poderiam ter proposto o impeachment do presidente bem antes de chegar aos 600 mil mortos por Covid, causados pelo negacionismo e pela negligência do governo federal, mas preferiram o caminho eleitoral, entendendo-o como a única garantia para retornar ao poder".

Para ler a íntegra do texto, clique aqui.

(Fonte: Instituto Humanitas Unisinos)

 

quinta-feira, 1 de julho de 2021

CPI, SUPER IMPEACHMENT E POVO NA RUA


Quem sustenta Bolsonaro no poder(?)


É difícil entender como um dos governos mais desastrosos da nossa história republicana conseguiu completar 2 anos e meio no poder com tantos escândalos, dentre eles a forma como vem tratando a maior tragédia brasileira de todos os tempos: a pandemia do coronavírus que já matou mais de 500 mil pessoas.

Outros presidentes, como Collor e Dilma, caíram por muito menos. Mas quem e o que sustenta Bolsonaro? As revelações da CPI da Covid-19 são estarrecedoras e se as denúncias das testemunhas se confirmarem, só mágica pode livrar o governo não só do impeachment do presidente, como do indiciamento criminal de vários integrantes do governo federal.

No último dia 30 de junho, foi protocolado na Secretaria-Geral da Câmara dos deputados um novo pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. O documento foi entregue na Câmara com 45 assinaturas e vem recebendo novas adesões. Esse que está sendo chamado de "superpedido" unifica argumentos constantes dos demais 123 pedidos de impeachment já apresentados à Câmara. O mais recente dos argumentos e que ganha destaque nesse pedido é o de que o presidente teria prevaricado no caso da suspeita de corrupção na compra da vacina Covaxin.

As manifestações "Fora Bolsonaro", estão se multiplicando em todo o país. Além dos vários atos pontuais, a população foi às ruas, recentemente, em dezenas de cidades do Brasil e do mundo, nos dias 29 de maio e 19 de junho. No próximo sábado, 3 de julho, o povo estará de volta às ruas para protestar contra o governo.

domingo, 20 de junho de 2021

ATOS CONTRA BOLSONARO EM TODOS OS ESTADOS, DISTRITO FEDERAL E NO EXTERIOR

 

Manifestantes ocupam a Avenida Paulista, em São Paulo, para protestar contra o governo Bolsonaro no último sábado
 (Foto: Ronaldo Silva/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Mais de 1 milhão de pessoas foram às ruas no último sábado, dia 19 de junho, em manifestações contra o desastroso governo de Jair Messias Bolsonaro.

Houveram manifestações em 25 capitais brasileiras e em mais de 100 cidades do interior, além de atos no exterior, realizados tanto por brasileiros residentes em outros países, quanto por estrangeiros que abominam o governo Bolsonaro. Todos os atos foram pacíficos e as pessoas foram às ruas usando máscaras. 

Ainda que tenha havido aglomerações, os atos se justificam em razão da incapacidade do atual governo de lidar com a pandemia que, justamente no dia das manifestações, atingiu a marca de 500 mil mortes por covid-19, de uma economia em frangalhos e do grande retrocesso no campo dos direitos humanos e sociais.


terça-feira, 1 de junho de 2021

POVO UNIDO NAS RUAS: "FORA BOLSONARO"


Manifestações pacíficas, com protocolos 

e sem palanques

Em várias cidades do mundo, não apenas no Brasil, houveram protestos contra o Governo de Jair Messias Bolsonaro. O povo nas ruas, usando máscaras, álcool em gel e mantendo distanciamento gritou em uníssono: "Fora Bolsonaro!", no último sábado, dia 29 de maio.


De forma pacífica, o povo gritou por vacina e denunciou as mais de 450 mil mortes por Covid-19. Haviam vários grupos de diversos segmentos sociais, mas todos unidos em torno de uma única causa: dar um basta ao Governo de Bolsonaro.


Apesar de milhares manifestando, em mais de 200 cidades em todos os Estados Brasileiros e em 14 países pelo mundo afora, as pessoas mantiveram distância e estavam de máscaras, dando exemplo de civilidade.


O povo foi às ruas de forma espontânea. Não houveram convocações partidárias, nem sindicais. Não havia militância partidária aguerrida, não teve palanque, tampouco discurso de quem quer que fosse, apenas palavras de ordem, muitos cartazes, bandeiras, camisetas, faixas, bandanas, máscaras temáticas, bonecos e bandas. 
As manifestações de 29 de maio, lotaram as ruas e repercutiram em todo o mundo. Isso é só o começo do que vem por aí, se o governo não atender às reivindicações da população e não tratar os cidadãos com o respeito e a dignidade que merecem. 

As fotos e o texto são de Eugênio Magno.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

LUZ NO HORIZONTE


(Print de tela do III Ato do movimento Direitos Já )

Democracia fala mais alto e governo baixa a bola

 

Eugênio Magno

 

A reprovação do governo Bolsonaro é alta e cresce na crise, mesmo entre os brasileiros que receberam o auxílio emergencial. Mas a luta contra o obscurantismo desse governo ainda não chegou ao fim. A batalha tem sido renhida.

As disputas por votos e os embates entre familiares, amigos, colegas de trabalho, de escola e contatos de redes sociais, durante as eleições de 2018, foram intensas, polêmicas e polarizadas a extremo. O que era para ser pontual, datado, em um momento de disputa política acalorada, se estendeu por um longo tempo e ainda tem dado pano pra manga. Até poucos dias atrás ainda éramos vítimas constantes do encaminhamento de mensagens apócrifas, replicadas nas redes sociais, alardeando a cura miraculosa do novo coronavírus, demonizando a política e atacando a educação, a cultura e os poderes da república.

É com tristeza que assistimos a irresponsável politização da pandemia. Quantas vezes tivemos que recorrer a textos da Organização Mundial de Saúde (OMS) e à opinião de cientistas para esclarecer os desinformados que o coronavírus foi batizado com esse nome desde o início dos anos 2000 e que é bem provável que o vírus até já existisse antes disso sem um nome que o identificasse. Era e continua sendo necessário ressaltar que estamos vivendo a pandemia do novo coronavírus (COVID-19). A China, os Estados Unidos, o Brasil, o mundo, todos sabiam de sua existência, como sabiam que o vírus sofreu mutação e, por falta de controle, voltou com altos índices de letalidade em todos os continentes. Não existem testes suficientes, nem equipamentos e medicamentos para combater a doença, assim como ainda não existem fármacos para imunizar a população mundial. Os especialistas afirmam que uma vacina para ser validada necessita de, no mínimo, dois anos de aplicação em massa, para fazer parte de um protocolo internacional de saúde. Mas o hipercapitalismo oportuniza sempre o lucro para os detentores do poder e do capital, reforçando esse famigerado pacto pela desigualdade que persiste entre nós e, em tempos de pandemia se intensifica empurrando os mais pobres para a morte. São vexatórios os flagrantes da corrupção praticada por agentes públicos nas várias instâncias de poder, durante a pandemia, envolvidos com superfaturamento de equipamentos de saúde e a exploração indevida de medicamentos e leitos de hospitais.

A crise brasileira na atualidade é multissetorial, o que revela mais do que incompetência política e falta de conhecimento sobre gestão pública, mas também e, principalmente, deficiência cognitiva dos nossos dirigentes, como já apontaram alguns estudiosos. Vejamos a questão da cloroquina, por exemplo, propagandeada e defendida pelo presidente da república a ponto de trocar ministros da saúde como se troca de roupa em plena crise pandêmica, em razão dos ministros discordarem da adoção do medicamento como solução no combate a covid-19. Vários estudos revelam que esse remédio só deve ser administrado nas doses propostas para combater o corona, em pacientes que estejam em estado gravíssimo, pois seus efeitos colaterais são extremamente danosos. Aliás, vale lembrar que esse medicamento não é nenhuma novidade, já é utilizado para combater outros males, como artrite, malária, etc., há algum tempo. Não podemos negar a existência de uma grande corrida mercadológica entre os laboratórios da indústria farmacêutica para ver quem chega à frente com a descoberta dos fármacos preventivos e curativos. Mas precisamos reconhecer que a polarização política em torno da pandemia chegou ao extremo de acirrar os ânimos entre as oposições no Brasil, a ponto dos bolsonaristas acusarem de contra a vida, todos que se posicionaram a favor da ciência. Quanta insensatez... Arrisco dizer que não haveria um único brasileiro que deixasse de festejar a cura comprovada dessa doença, mesmo que o receituário fosse o portentoso e inflacionado grão de feijão do pastor Waldomiro.

Nunca vi o Brasil tão desprestigiado e desacreditado, interna e externamente como nos últimos tempos. Já fomos colônia, império, subdesenvolvidos, terceiro-mundistas, passamos por ditaduras, mas agora estamos desgovernados. Até poucos dias atrás testemunhávamos ataques exacerbados contra os poderes legislativo e judiciário, num claro sintoma de desespero político por parte do executivo que vinha acenando com a possibilidade de governar sozinho, sem os contrapesos dos demais poderes da república. Com todas as críticas cabíveis aos três poderes, não existe nenhum registro de que o legislativo ou o judiciário tenha atacado ou ameaçado o poder executivo. O que tem ocorrido são manifestações de membros dos dois poderes e de vários setores da sociedade brasileira contra o chefe do executivo nacional. Existem mais de 40 pedidos de impeachment para barrar Bolsonaro.

É preciso muito, muito mais que força e voluntarismo para ser um chefe de estado. A Presidência da República não é para estagiários. Além de bagagem, inteligência e maturidade política, há que se ter o lombo curtido para ocupar tal posição. Leva-se muita pancada naquela cadeira – e quem não as levou? Getúlio, Jânio, JK, Jango, os militares (de Castelo Branco a Figueiredo), Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula (que chegou a ser preso), Dilma e Temer (?). Agora, vem o senhor Jair Messias Bolsonaro com uma equipe da pior qualidade, achar que pode passar ileso e que vai resolver tudo de forma autoritária, mandando a imprensa calar a boca, sobrevoando manifestações populares de helicóptero, ameaçando as instituições e se fazendo de vítima de um complô? Se ele tivesse vocação para estadista buscaria resolver as coisas de forma republicana e aceitaria os ônus do cargo. Mas o presidente e seus correligionários sempre pareceram estar deslocados no tempo. É impossível saber se ainda estão em 2018 ou se deram um salto temporal e já se encontram em 2022, disputando nova eleição. O certo é que o capitão venceu as eleições e permanece com a mesma retórica de campanha eleitoral, esquecendo de que é preciso governar e governar para todos não só para aqueles que nele votaram, mas, inclusive e, também, para os que já se arrependeram de terem lhe dado o voto.

O que vivemos no atual momento requer articulações suprapartidárias e comportamento republicano. Se os três poderes não fizerem seu dever de casa e o presidente não aprender a conviver com os contrários, que na política e na democracia é o que de mais precioso deve existir para que não haja totalitarismos e autoritarismos nem à direita, nem à esquerda, daremos com os burros n’água. Quero crer que o presidente tenha tomado tento e que busca agora garantir seu mandato, sair do isolamento político, tirar a cara da vidraça e deixar de insultar e insuflar os ânimos de seus opositores. A indústria das fake news políticas diminuiu consideravelmente sua produção de conteúdo após o início da investigação dos suspeitos de gerenciar e distribuir por meio de robôs informações falsas, incitar o ódio e promover a desinformação. A prisão do Queiroz, ao que parece, também contribuiu para essa baixada de bola. É grande o número de milicianos digitais que, amedrontados pela ação da Polícia Federal, fecharam seus QGs ou entraram em recesso, deixando internautas militantes – os arautos do caos –, sem munição para seus disparos tresloucados. São notórios os sinais de arrefecimento dos extremistas frente às reações que começam a surgir de vários grupos econômicos e instituições republicanas, depois das insistentes manifestações populares contra a onda que vinha ameaçando agressiva e sistematicamente a democracia e a república brasileira.

Para além dos arrependidos – confessos e velados –, existem os ressentidos consigo mesmos. Estes que no calor do seu entusiástico apoio a Bolsonaro no período da campanha eleitoral se indignavam contra o espectro político-partidário do qual divergiam e, de forma ensandecida tripudiavam de quem não partilhava de suas convicções. Uma pequena parte desse grupo ainda persiste na defesa do indefensável. Órfãos de uma liderança coerente com as bandeiras levantadas durante as eleições presidenciais de 2018 e das promessas descumpridas de construção de um novo Brasil, teimam, ainda hoje, em defender as suas equivocadas decisões passadas, despejando todo o ódio de suas pesadas consciências contra aqueles que não ficaram do lado errado da história. Não estou convicto de que continuam defendendo Bolsonaro. Ouso inferir que o orgulho não lhes permite admitir o equívoco e que se debatem na areia movediça em que se chafurdaram.

Apesar do naufrágio iminente, a debandada total ainda não se concretizou e a república, o estado democrático de direito, a vida, a saúde, a economia, os direitos humanos e sociais e a liberdade estão minados e necessitam, urgentemente, serem salvos e reconstruídos.

Mas nem tudo está perdido. Muitas ações, e mobilizações estão sendo deflagradas em todo o país, online e offline. Na semana passada, por exemplo, aconteceu um evento virtual de grande envergadura. Durante quase 5 horas, o III Ato do movimento Direitos Já, com o tema “Em defesa da democracia, da vida e proteção Social”, reuniu, algo em torno de 130 das mais importantes lideranças e personalidades da política e da sociedade brasileira, para dar um recado ao governo e à nação. Unidos na diferença, os participantes da live foram unânimes em afirmar que não há espaço no Brasil para outro regime político que não seja a democracia. E, no dia 29 de junho veio outro recado importantíssimo: Pesquisa Datafolha revelou que a democracia segue majoritária na preferência da população. Entre os brasileiros adultos, 75% - três em cada quatro brasileiros – têm a democracia como a melhor forma de governo. Será que já não é o bastante?

Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta e no site do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara.


sexta-feira, 1 de novembro de 2019

TRUMP PODERÁ SOFRER IMPEACHMENT


Congresso aprova investigação para impeachment de Trump sob a oposição dos republicanos

(Foto: Reuters/Joshua Roberts)

Maioria democrata da Câmara valida as normas para começar o julgamento parlamentar do presidente, acusado de pressionar mandatário da Ucrânia para obter informações contra seu rival Joe Biden

A Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira, graças à maioria democrata, as regras do jogo pelas quais vão levar adiante a investigação para um possível impeachment ou destituição do presidente, Donald Trump. O processo entra agora em um estágio formal, com os ritos próprios de um julgamento parlamentar: com algumas audiências em aberto, direito de defesa para o mandatário, a quem se acusa de ter pressionado a Ucrânia para prejudicar seu rival político Joe Biden.
A sessão desta manhã marca o primeiro voto formal sobre este processo excepcional e serviu para evidenciar o partidarismo deste processo: 231 democratas e um independente votaram a favor da investigação, enquanto 194 republicanos votaram contra.
Para continuar lendo a matéria de Amanda Mars para o El País, clique aqui.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

AS CONTRADIÇÕES DO JUDICIÁRIO


A lógica dual do Gilmar e as razões para o seu impeachment


Jeferson Miola

Foto: Evaristo SA/APF/JC 

O grande responsável pela estupefação e anarquia jurídica reinante atende pelo nome de Gilmar Mendes, o tucano do PSDB do Mato Grosso [Estado onde, segundo seu ex-colega Joaquim Barbosa, ele tem capangas] que atua como juiz no TSE e no STF.
A questão, em si, não é o julgamento atual, mas a abertura da AIME [Ação de Impugnação de Mandato Eletivo] no imediato pós-eleitoral de 2014 e os acidentes processuais derivados da interveniência dolosa de Gilmar Mendes.
A posição dele, consagrada vitoriosa no TSE, é contraditória com a posição inicial que ele defendeu no Tribunal em agosto de 2015 em conflito com a Constituição, que determina que “o mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação” [CF, art. 14, §10].
Com a maioria conquistada no Tribunal, a continuidade inconstitucional da AIME passou a ser uma arma de reserva nas mãos do Gilmar e do PSDB para golpearem Dilma no caso de fracasso da estratégia do impeachment fraudulento.
Dilma exercia a Presidência e então, para agravar a instabilidade política já em nível crítico, ele recorreu do arquivamento da AIME recomendado pela relatora Maria Thereza de Assis Moura. Defendeu, na ocasião, a continuidade do julgamento apresentando provas, testemunhos e diligências que extrapolam a petição original e que, agora, em junho de 2017, ele decidiu invalidar – não só porque inadmissíveis à luz da processualística, mas sobretudo para manter Temer na presidência.
É certo que se Dilma ainda estivesse na presidência, a posição do Gilmar teria sido diametralmente oposta, e ele então militaria e votaria pela condenação da petista no TSE.
Durante as longas sessões do julgamento, Gilmar tergiversou que nunca pretendeu “cassar o mandato de Dilma, mas, sim, achava fundamental conhecer as entranhas do sistema” [sic]. Esta hipocrisia tem equivalência de peso e valor com a delinquência de Aécio Neves, que promoveu a AIME “apenas” para “encher o saco do PT!”.
Durante o julgamento, Gilmar agrediu o MP, constrangeu o relator Herman Benjamim e fez uma enorme ginástica hermenêutica para justificar seu posicionamento político-partidário. Com o olho na conjuntura, Gilmar fez declarações que seriam aceitáveis na boca de políticos e atores partidários; nunca, porém, na de juízes isentos e imparciais: “Não cabe ao TSE resolver a crise política do país”; “Não é algum fricote processualista que se quer proteger, mas o equilíbrio do mandato”; “Não se substitui um presidente a toda a hora, mesmo que se queira”.
Gilmar se tornou um personagem central da dinâmica política, o que seria uma realidade gravíssima não estivesse o Brasil sob a vigência de um regime de exceção. Numa democracia e na plenitude do Estado de Direito, nenhum juiz jamais poderia ter tal ascendência política sobre a política, sobre os políticos e os poderes executivo e legislativo – seja um Sérgio Moro da primeira instância; seja um juiz da máxima instância do judiciário.
Gilmar Mendes não reúne as condições para continuar atuando no judiciário brasileiro, menos ainda como juiz do TSE e do STF, porque sua trajetória de partidarismo com exibicionismo midiático é incompatível com a Lei e o Código de Ética da Magistratura, com os Códigos de Processo Penal e Civil e com a Constituição Brasileira.
Gilmar não atua com a isenção e a imparcialidade requeridas a um juiz, mas sim como um agente político-partidário com interesses ideológicos identificados. A parcialidade é a única variável constante da atuação dele com toga. Para predizer o destino do golpe, basta mirar os passos dele.
Em março de 2016 Gilmar não só validou como usou, com espantoso cinismo, a interceptação e divulgação criminosa que o juiz Moro fez dos telefonemas da Presidente Dilma, para justificar o impedimento da posse de Lula na Casa Civil. Ele agora, com idêntico cinismo, atua como advogado de defesa do Temer e do Aécio e desqualifica as conversas mafiosas que ambos mantiveram com o empresário corruptor Joesley Batista para coordenarem as práticas criminosas.
Os motivos para o impedimento do Gilmar Mendes são abundantes – menos pela posição que defendeu no julgamento do TSE, e mais pela trajetória nefasta de militante partidário.
Gilmar atua como um agente político-partidário e com o desembaraço político que seria admissível para os operadores da política escolhidos pelo voto popular, mas jamais para juízes. É passada a hora do julgamento do impeachment de Gilmar Mendes no Senado, onde vários pedidos foram protocolados, conforme prevê o artigo 52 da Constituição brasileira.
(Fonte: Site Carta Maior)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

ASSASSINATO DA ESPERANÇA


2016: 
o ano em que se tentou matar a esperança do povo brasileiro

Foto: Agência Brasil
Leonardo Boff

A situação social, política e econômica do Brasil mereceria uma reflexão severa sobre a tentativa perversa de matar a esperança do povo brasileiro, promovida por uma corja (esse é o nome) de políticos, em sua grande maioria corruptos ou acusados de tal, que, de forma desavergonhada, se pôs a serviço dos verdadeiros forjadores do golpe perpretado contra a Presidenta Dilma Rousseff: a velha oligarquia do dinheiro e do privilégio que jamais aceitou que alguém do  andar de baixo chegasse a ser Presidente do Brasil e fizesse a inclusão social de milhões dos filhos e filhas da pobreza.
Obviamente há politicos valorosos e éticos, bem como  empresários da nova geração, progressitas que pensam no Brasil e em seu povo. Mas estes não conseguiram ainda acumular força suficiente para dar outro rumo à politica e um sentido social ao Estado vigente, de cariz neoliberal e patrimonialista.
Ao se referir à corrupção todos pensam logo no Lava Jato e na Petrobrás. Mas esquecem ou lhes é negada, intencionalmente pela mídia conservadora e legitimadora do establishment, a outra corrupção, muito pior, revelada exatamente no dia de Natal que junto com o nascimento de Cristo se narra a matança de meninos inocentes pelo rei Herodes, hoje atualizado pelos corruptos que delapidam o país.
Wagner Rosário, secretário do Ministério da Transparência, nos revela que nos últimos treze anos esquemas de corrupção, de fraudes e desvios de recursos da União, repassados aos Estados, municípios e ONGs e direcionados a pequenos municípios com baixo Indice de Desenvolvimento Humano podem superar um milhão de vezes o rombo na Petrobrás descoberto na Lava Jato. São 4 bilhões mas camuflados que podem se transformar, num estudo econométrico, em um trilhão de reais. As áreas mais afetadas são a saúde (merenda) e a educação (abandono das escolas).
Diz o Secretário: “A gente chama isso de assassinato da esperança. Quando você retira merenda de uma criança, você tira a possibilidade de crescimento daquele município a médio e a longo prazo. É uma geração inteira que você está matando”.
A nação precisa saber desta matança e não se deixar mentir por aqueles que ocultam, controlam e distorcem as informações  porque são anti-sistêmicas.
Mas não se pode viver só de desgraças que macularam grande parte do ano de 2016. Voltemo-nos para aquilo que nos permite viver e sonhar: a esperança.
Para entender a esperança precisamos  ultrapassar o modo comum de vermos a realidade. Pensamos que a realidade é o que está aí, dado e feito. Esquecemos que o dado é sempre feito e não é todo o real. O real é maior. Pertence ao real também o potencial, o que ainda não é e que pode vir a ser. Esse lado potencial se expressa pela utopia, pelos sonhos, pelas projeções de um mundo melhor. É o campo onde floresce a esperança. Ter esperança é crer que esse potencial pode se transformar em real, não automaticamente, mas pela prática humana. Portanto, a utopia que alimenta a esperança não se antagoniza com a realidade. Ela revela seu lado potencial, o abscôndito que quer vir para fora e fazer história.
Faço meu o lema do grande cientista e físico quântico Carl Friedrich von Weizsäcker, cuja sociedade fundada por ele me honrou em final de novembro em Berlim com um prêmio pelo intento de unir o grito da Terra com o grito do pobre:”não anuncio otimismo, mas esperança”.
Esperança é um bem escasso hoje no mundo inteiro e especialmente no Brasil. Os que mudaram ilegitimamente os rumos do país, impondo um ultraliberalismo, estão assassinando a esperança do povo brasileiro. As medidas tomadas penalizam principalmente as grandes maiorias que veem as conquistas sociais históricas sendo literalmente desmontadas.
Aqui nos socorre o filósofo alemão (Ernst Bloch) que introduziu  o “princípio esperança”. Esta, a esperança, é mais que uma virtude entre outras. É um motor que temos dentro de nós que alimenta todas as demais virtudes e que nos lança para frente, suscitando novos sonhos de uma sociedade melhor.
Esta esperança vai fornecer as energias para a população afetada poder resisitir, sair às ruas, protestar e exigir mudanças que façam bem ao país, a começar pelos que mais precisam.
Como a maioria é cristã valem as palavras do sábio Riobaldo de Guimarães Rosa:”Com Deus existindo, tudo dá esperança, o mundo se resolve…Tendo Deus é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim, dá certo. Mas se não tem Deus, então, a gente não tem licença para coisa nenhuma”.
Ter fé  é ter saudades de Deus. Ter esperança é saber que Ele está ao nosso lado, ainda que invisível, fazendo-nos esperar contra toda a esperança.
(Fonte: Portal Carta Maior) 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

PARA ONDE VAI O BRASIL ...


Anistia a Dilma racha a base, que vê 'dízimo' ao PT


A fim de minimizar os efeitos da cassação do mandato de Dilma Rousseff, aliados da ex-presidente se articularam para separar a votação do impeachment da decisão sobre seus direitos políticos. A pedido do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que comandou o julgamento de Dilma, acatou o pedido. Capitaneada por Renan, uma ala com 15 senadores do PMDB votou para manter o direito de Dilma a ocupar cargos públicos.

A anistia à petista criou um profundo racha na base do governo de Michel Temer no Congresso e desagradou parlamentares do PSDB, do DEM e de demais partidos que militaram fortemente pelo impeachment. Eles acusaram parte do PMDB de ter “traído todo o trabalho desenvolvido até aqui”.

A decisão também foi criticada por ser considerada um precedente para que a Câmara Federal proceda da mesma forma ao julgar seu ex-presidente, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Para continuar lendo a matéria de capa do Jornal O Tempo de hoje, clique aqui.

domingo, 28 de agosto de 2016

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS


Como Gilmar Mendes, agora o MBL e 
outros "movimentos" torcem o nariz para a Lava Jato


Donato para o DCM
Acostumados com a condição de celebridades e, portanto, preocupados com a perspectiva de verem-se longe dos holofotes em breve, os procuradores e o Ministério Público recorreram aos grupos de encomenda (também conhecidos como ‘espontâneos’) que encabeçaram as manifestações desde 2014 que resultaram nisso que estamos vivendo.
O MP quer ajuda desses grupos para aprovar as 10 Medidas de combate à corrupção. Mas cadê Movimento Brasil Livre, Vem pra Rua, Revoltados OnLine?
As medidas tramitam na Câmara como ‘projeto de iniciativa popular’, afinal haviam milhares de pessoas nas ruas implorando pelo fim da corrupção, porém esses grupelhos liderados por fedelhos estão tirando o corpo fora. MBL sobretudo. O indefinível Kim Kataguiri agora faz ressalvas às medidas.
“Isso não é democracia, é coisa de regime totalitário”, falou o porta-voz dos patriotas-democratas-idôneos. Ué, mudou de opinião?
Por óbvio não se trata de mudança de visão. Um dos objetivos já foi alcançado (sim, um deles pois a outra obssessão dessa turma é ver Lula na cadeia), agora é tocar a vida como sempre foi. Como disse o escritor italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa no romance O Leopardo, “para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude.”
Dilma Rousseff cairá por isso, para que tudo volte a ser como sempre foi.
A um passo do cadafalso, Dilma afirmou que irá ao Senado na segunda-feira dizer em alto e bom som que está indo para a forca por ter deixado a Lava Jato avançar. Mais verdadeiro, impossível. É disso mesmo que se trata, portanto a presidente estava condenada desde o primeiro dia.
E com a deposição de Dilma, qualquer operação ou medida de combate à corrupção perde impulso, para não dizer sentido. O que desejavam, já estará alcançado.
Vide Gilmar Mendes. Quando a Lava Jato mira em alguém do STF, ele estrila. Daí vê abusos, incoerências, injustiças. Quando os alvos eram outros, estava tudo certo.
E a suspensão da delação de Leo Pinheiro? A quem interessa engavetar o que ele tem a dizer? Claramente a todos aqueles que estavam morrendo de medo e incomodados com o andar da carruagem da Lava Jato desde os primeiros dias.
Se Dilma irá lavar a alma (dela e de muitos que têm esse golpe engasgado), a ver. A reação dos congressistas a quem diz a verdade não é nada boa. A senadora Gleisi Hoffman foi quase linchada após dizer uma verdade inquestionável: a de que ninguém ali no Senado tinha moral para julgar Dilma. Aliás, eu acrescentaria que não têm moral para julgar quem quer que seja. Aécio Neves, Ronaldo Caiado, Renan Calheiros… não têm moral nem para nada.
Passado o próximo dia 31, o MBL e outros desses ‘movimentos sociais’ de aluguel – que nunca revelaram de onde vem seus recursos – irão se dedicar às campanhas de seus integrantes que candidataram-se nas eleições municipais deste ano. Falar de combate à corrupção com eles a partir de agora é perda de tempo.
(Fonte: Site DCM)

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A FICÇÃO IMITA A REALIDADE OU É O CONTRÁRIO ... ?


Dilma no Senado: um filme de Frank Capra


Aproxima-se a semana decisiva do golpe. A democracia está no colo de 81 senadores e senadoras que, transformados em tribunal do impeachment sob presidência do análogo Supremo Federal, julgarão a acusação sem fundamento jurídico de crime de responsabilidade, introduzindo, mais uma vez, o perigoso voto de desconfiança parlamentarista em pleno regime presidencialista. Jogarão na vala não somente os 54 milhões de votos que reelegeram a primeira mulher presidenta do Brasil, mas todos os trinta anos de árduo processo histórico de redemocratização e construção de um Estado de Bem-Estar Social voltado para reduzir o inferno que as elites produzem no cotidiano dos trabalhadores, dos pobres, dos pretos, das mulheres e das minorias. No centro do conflito, uma mulher honesta vai enfrentar de cabeça e corpo erguidos a trupe de senadores que, muitos ao traí-la, já copulavam com os esquemas voltados para a retirada de um presidente eleito para executar um plano de governo indefensável nas urnas. No subterrâneo das negociações parlamentares, passam rios de interesses, e suas correntezas permanecerão escondidas aos olhos do cidadão comum.
O paralelo entre Dilma e o filme de Capra é surpreendente. Espero mesmo que essa mensagem possa chegar à presidenta e, nas suas noites de preparação para o dia 29, tenha um tempo para assistir e se inspirar com essa obra-prima, se é que ela já não o tenha feito. 
Para ler, na íntegra, o texto de André Calixtre para o site Carta Maior, clique aqui.


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

MANIFESTAÇÕES PRÓ E CONTRA IMPEACHMENT


Próximo à decisão do Senado, 
esquerda faz manifestação maior que direita em São Paulo



Grupo favoráveis e contra o impeachment fizeram protestos ontem.
A cidade de São Paulo (SP) presenciou duas manifestações políticas neste domingo (31), semanas antes da data prevista para a decisão final do Senado sobre o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. De um lado, grupos que defendem o afastamento da petista se reuniram na avenida Paulista. De outro, com maior número de participantes, os movimentos que compõe a Frente Povo Sem Medo iniciaram sua manifestação no Largo da Batata, zona oeste da capital paulista. Enquanto a direita pedia a confirmação do impeachment de Dilma, a Povo Sem medo exigia a saída de Michel Temer (PMDB). Para ler a íntegra da matéria do site Brasil de Fato clique aqui.


quarta-feira, 1 de junho de 2016

DE NOVO NÃO...


Livro "Resistência ao golpe de 2016" 
nasce movido à indignação



Denise Assis


O livro “Resistência ao Golpe de 2016” foi organizado por acadêmicos, jornalistas, cientistas políticos, advogados e líderes de movimentos sociais, que, ao longo da crise, se reuniam para trocar idéias e textos que escreveram. Alguns desses textos foram publicados em blogs, outros poucos em jornais. Participam 100 autores.
A coletânea foi organizada pela coordenadora do Programa de Doutorado em Direito da PUC-Rio, Gisele Cittadino, pela professora de Direito Internacional da UFRJ, Carol Proner, pelo advogado Marcio Tenebaun e o advogado trabalhista Wilson Ramos Filho, foi lançado na última terça-feira, dia 31 de maio. 
Alguns autores foram convidados, como o acadêmico da Universidade de Coimbra,  Boaventura de Souza Santos, um dos idealizadores do Fórum Social Mundial, e o cientista polítco, Wanderley Guilherme dos Santos. O deputado federal Wadih Damous consta do livro, bem como o deputado Paulo Pimenta.
À medida que a crise se instalava a discussão em torno do tema ficava mais animada e frequente. Wilson Ramos foi quem teve a iniciativa de reunir os textos em livro. Recolheu o material produzido pelo grupo e assim nasceu o compilado de 450 páginas. 


Tudo começou quando no dia 4 de março o ex-presidente, Lula da Silva, foi buscado em casa sob forte aparato, por uma operação da Polícia Federal, e conduzido para uma sala especial do Aeroporto de Congonhas, onde foi ouvido coercitivamente. Daquele momento em diante,  ninguém mais teve dúvidas. Era o golpe se instalando. Os que viveram tempos sombrios sentiram no ar o cheiro de enxofre. E para quê esperar mais? Quem pôde, em todas as capitais, saiu às ruas, para demonstrar que não, não seria assim, de bandeja. 
Por sorte de Lula e nossa, estava no aeroporto o ministro do Supremo Tribunal de Justiça, Marco Aurélio Mello, que impediu que o ex-presidente fosse seqüestrado para Curitiba, conforme revelou depois. Na pista, um avião da Força Aérea Brasileira já o aguardava, de porta aberta, esperando apenas que cochilássemos, para levá-lo espalhafatosamente para Curitiba, onde desceria preso.
Para os que viveram a ditadura, os sinais eram fortes demais para cruzarmos os braços. Para os que não viveram, mas já ouviram de sobra sobre os seus efeitos - que até hoje reverberam na sociedade, vide o desaparecimento de Amarildo – o quadro que se desenhava era muito característico para ser ignorado.
E foi assim, num sem fim de telefonemas, encontros e reuniões, que fomos passando do estado de perplexidade ao espanto, e do espanto à indignação. Daí vieram os atos, as mobilizações, até que nos vimos difamados mundo a fora, com aquele espetáculo deplorável do dia 17 de abril, quando os deputados, qual freqüentadores do programa da Xuxa, mandavam “um beijo pra mamãe, pro papai e pra você”, votando pelo início do processo de impeachment. Una forma grotesca de maquiar o que o mundo chamou de golpe. Isto, sem falar na ode ao torturador, uma afronta aos mortos e desaparecidos na luta pela redemocratização desse país. 
Foi pensando nesse processo que tantas vidas nos custou, tanto sacrifício, tantos picos de inflação galopante, tantos anos em que os salários nada valiam, e conseguir um emprego era quase um prêmio, que o grupo se uniu para usar a arma que tínhamos às mãos. O teclado dos computadores. 
 Naquele momento, era preciso literalmente botar a boca no mundo e gritar aos quatro ventos, como reagiu Chico Buarque, no Largo da Carioca, em ato no dia 31 de março: “Não, de novo não. Não vai ter golpe”. Passamos todos, cada um ao seu estilo, e correndo em raia própria, a denunciar a quebra da institucionalidade democrática que está ocorrendo no Brasil.
Escrevemos. Incansavelmente escrevemos. Denunciamos. Mas diante dos oligopólios da mídia, da vulnerabilidade de um Congresso minado pela corrupção doentia e digna de uma aprofundada investigação, e um Supremo - com honrosas exceções - acumpliciado com os que jogavam abertamente com o presidente do Congresso, Eduardo Cunha, não houve como salvar um modelo de país que tanto nos custou a ser delineado e construído. Um modelo que incluiu mulheres, negros, índios, foi rapidamente varrido para debaixo do tapete onde hoje pisam Temer e sua turma. Interinamente. É bom que se diga.
(Fonte: Site Carta Maior)

quarta-feira, 11 de maio de 2016

REPERCUSSÕES DA CRISE POLÍTICA BRASILEIRA


Papa recebe Letícia Sabatella para falar de golpe no Brasil



O Papa Francisco se reuniu nesta segunda-feira (9) com a atriz Letícia Sabatella e a juíza Kenarik Boujikian Felippe, do Tribunal de Justiça paulista, para tratar da crise política brasileira. Letícia e Kenarik têm se posicionado contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, classificado como golpe. “Ele nos ouviu atentamente, nos disse que irá orar pelo povo brasileiro, que se preocupa com o Brasil. E perguntando a ele sobre a postura de diálogo necessário sobre o nosso ponto de vista, ele reiterou que o diálogo é uma necessidade para a construção de um mundo melhor para todos”, afirmou a magistrada em entrevista à Rádio França Internacional (RFI). Segundo a Kenarik – que é co-fundadora da Associação de Juízes para a Democracia - , a intenção do encontro privado foi levar ao papa a perspectiva dos movimentos populares sobre o atual cenário político. Para ler o texto completo, clique aqui.
(Fonte: site Brasil de Fato)

domingo, 1 de maio de 2016

SÉRIE "LAVAJATO"


A Operação Lavajato é mesmo como uma série televisiva. 

Constantemente tenho me perguntado: Por quê? Para quê dá nome a operações de investigação? Trata-se de algo realmente investigativo ou a investigação é um pacto de orquestração para o foguetório midiático? Até porque não tem sido a justiça ou a polícia que, nesta série de TV - talvez a mais famosa e de mais audiência de todos os tempos no Brasil - pauta a mídia. Pelo contrário, a mídia é que tem pautado a justiça e suas investigações. Mais sério do que isso tem sido o papel de juiz que a grande mídia assumiu, promovendo a espetacularização de investigações, condenando investigados, antes de se provar sua culpa, fabricando heróis e contribuindo de forma indecente com o seqüestro da democracia, a judiciarização da política e com um golpismo cínico e vil.
À propósito dessa situação, que seria cômica se não fosse trágica, o humorista Bemvindo Sequeira está publicando vários vídeos no youtube criticando a mídia nesses tempos de Lavajato, impeachment e outros espetáculos policialescos e midiáticos, patrocinados pelo capital, pelas elites, pela direita golpista e pela classe média desinformada (que alguns já estão chamando também de "burra"), porque, certamente vai pagar um preço altíssimo (perda de seus privilégios) pela irresponsabilidade com que vem tratando essa questão. Pois, se a coisa está ruim, pior vai ficar - tanto no campo político, quanto econômico e judicial - com um eventual Governo (peemedebizado) Temer-Cunha.


Bemvindo, nesse seu personagem-cidadão-brasileiro, diz: "...estou perdido, desamparado porque parou a série da Lavajato. Estou tomando quatro rivotris por hora, para vencer a ansiedade. Quero continuar acompanhando a série que tiraram do ar. Por que parou, parou porque? Será que faltou patrocínio ou SOBROU PATROCÍNIO?"
Para assistir o vídeo Nóia, O paranóico, clique aqui.


segunda-feira, 4 de abril de 2016

SENSATEZ, JUSTIÇA, MAS CORAGEM TAMBÉM


O Brasil precisa de homens e mulheres sensato(a)s e corajoso(a)s



Tenho dito, já há algum tempo, nos círculos por onde transito que gostaria de ver sensatez, espírito de justiça, mas também CORAGEM, da parte de algum político brasileiro que tivesse estatura suficiente para denunciar os embustes, imposturas e outros abusos e arbitrariedades que abastecem a crise que se instalou em nosso país e fazem oposição ao Brasil.
Inquieto, como fico, todas os dias, em busca de informações que possam me auxiliar na formação da minha opinião sobre os fatos, as circunstâncias e a maneira como tudo tem sido conduzido e divulgado, acompanho os noticiários e as opiniões. Faço um exercício diário de garimpo em veículos de comunicação das mais variadas tendências: da grande imprensa à  chamada (de forma preconceituosa) imprensa nanica, passando pelos blogs, mídias sociais, etc. 

Nos últimos dias duas informações me chamaram a atenção:

1 - quando a atriz Letícia Sabatella disse, na presença da presidenta Dilma Rousseff que era opositora ao seu governo, que tinha muitas críticas ao seu projeto, mas que diante do atual quadro, não poderia ficar em silêncio. E, que estava ali para prestar o seu apoio a Dilma, contra o impeachment e em defesa da democracia e de um governo que foi eleito legitimamente pelo voto popular e que não poderia ser derrubado por força de um golpe. Para mais detalhes sobre as declarações da atriz e cantora, clique aqui;

2 - e hoje, me senti contemplado ao ler uma entrevista com o Ciro Gomes na qual ele demonstrou coragem e uma justa análise da atual conjuntura brasileira. Aliás, Ciro, na condição de político experiente e com uma formação acadêmica de excelência, falou com muita propriedade o que alguns analistas sensatos (corrente à qual me filio) têm dito e pensado. Pena que, muitos nomes da elite política brasileira de quem a população espera por um gesto de coragem e honradez estejam se acovardando, por excesso de passionalidade e intolerância, ou simplesmente, usando a velha estratégia que se baseia na máxima que prediz: "a melhor defesa é o ataque", já que querem o poder a qualquer preço na expectativa de que tenham o controle do país e das investigações de improbidades e crimes que certamente também os levariam à ruína. Para ler a entrevista do ex-governador do Ceará na íntegra, clique aqui.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A POLÍTICA NOSSA DE CADA DIA


O tempo político de Dilma está se esgotando

Luis Nassif
As peças que compõem esse jogo são as seguintes
Peça 1 – O tempo político de Dilma Rousseff encurtou consideravelmente.
Há uma crise fiscal acelerada, no meio de uma crise política que tem paralisado todos os passos do governo. A aprovação da CPMF (Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira) é essencial para o equilíbrio fiscal e para reverter a queda perigosa do PIB. Com ameaça de nova queda de 4% do PIB, as receitas fiscais caindo vertiginosamente, os estados entrando em default, não há muito tempo pela frente para a hora da verdade.
Peça 2 – Cresce a convicção de que Dilma não conseguirá montar um plano política e economicamente viável.
O Ministro da Fazenda Nelson Barbosa precisaria ser suficientemente ousado para apresentar um grande plano que não implicasse em riscos fiscais, que não aprofundasse a recessão e, ao mesmo tempo, passasse a ideia de previsibilidade – para contornar as resistências ao seu nome – sem descontentar a base do governo, mais à esquerda.
Montou duas propostas que não impactando o curto prazo poderiam acenar para o longo: reforma da Previdência e limites para as despesas públicas. Não foi suficiente para demover a direita e provocou rupturas no lado esquerdo da base de apoio.
Para conseguir apoio à CPMF, o governo concordou com as pressões do presidente do Senado Renan Calheiros, flexibilizando a lei do petróleo.
No momento, está por um fio a única base política efetiva com quem Dilma pode contar.
Peça 3 – Dilma não conseguirá se equilibrar entre mercado e base.
Exemplo claro foi o anúncio da reforma da Previdência. O mercado ouviu com pé atrás; à esquerda reagiu. No momento seguinte ela escala o Ministro do Trabalho Miguel Rossetto para explicar que não era bem assim.
Queimou-se com o mercado e com a esquerda.
Peça 4 – Mesmos nos círculos próximos a Dilma, aumenta a convicção de que a crise é grande demais para ela. 
Mesmo os habilidosos Jacques Wagner e Ricardo Berzoini têm enorme dificuldade em convencê-la de medidas óbvias. O termo mais usado no Palácio é “não adianta dar murro em ponta de faca”.
Peça 5 – Há um amplo espaço para aprofundamento da radicalização política e policial.
Tanto no STF como no STJ, qualquer Ministro que ouse uma postura mais garantista acaba vítima de ataques de reputação ou pelos jornais ou redes sociais. E poucos têm estrutura emocional para enfrentar a barbárie.
Peça 6 – Ruim com Dilma, o caos com o impeachment.
Suponha que Gilmar Mendes atropele leis e regulamentos e emplaque o impeachment via TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O caso iria para o STF. Se Dilma e Temer fossem cassados, quem assumiria? O presidente do Senado,Renan Calheiros, alvo da Lava JatoEduardo Cunha e sua imensa capivara? O país entraria em ebulição.
O governo de coalizão
Juntando todas essas peças, chega-se à conclusão de que a única saída seria um governo de coalizão com Dilma, tipo o que foi montado por Itamar Franco, quando pegou o pepino de suceder a Fernando Collor.
Ocorre que um governo de coalizão exige que o presidente efetivamente abra mão de poder.
No momento, Dilma tenta montar a coalizão mantendo o comando, recusando-se a abrir mão de qualquer espaço de poder. Não funciona.
Como diria Ricardo Berzoini – justificando o acordo de flexibilização do pré-sal – o governo tem que ser realista e entender quando perde as condições políticas e negociar uma política de menor dano.
O aprofundamento da crise obrigará Dilma a cair na real em um ponto qualquer do futuro.
Para acelerar a transição, quando a hora chegar, sugere-se aos articuladores políticos responsáveis que comecem a elaborar as ideias para tornar a transição a menos traumática possível.
Como suas pretensões políticas acabam em 2018, Dilma terá facilidades em arbitrar uma coalizão que garanta igualdade de condições a todas as partes.
(Fonte: Site do Instituto Humanitas Unisinos - IHU)