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sábado, 10 de outubro de 2020

COVID-19 E MORTE CONTINUAM IMPLACÁVEIS

 

Covas abertas em cemitério de São Paulo (SP) em meio à pandemia de coronavírus - 16/07/2020 
(Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)


Brasil registra mais 682 mortes por Covid-19 
e se aproxima de 150 mil óbitos

Gabriel Araujo


O Brasil registrou nesta sexta-feira 682 novos óbitos em decorrência da Covid-19, o que eleva o total de mortes pela doença no país a 149.639, de acordo com dados do Ministério da Saúde.
Também foram notificados 27.444 novos casos da doença provocada pelo coronavírus, com o total de infecções confirmadas no país atingindo 5.055.888.
O Brasil é o terceiro país do mundo com maior número de casos de Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia. Já na contagem de óbitos, os números brasileiros ficam abaixo somente dos reportados pelos EUA.
O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, afirmou nesta sexta que o Brasil não está “resolvendo totalmente” o problema da doença, mas tem conseguido controlar os efeitos da pandemia e permitir o retorno gradual das atividades com um “novo normal”.
“Mesmo considerando o Brasil como um todo, nós já verificamos um decréscimo nessas curvas (de casos e óbitos), que está sendo constante e está sendo estável... Nós já identificamos muitos Estados que estão voltando à normalidade”, afirmou Franco em entrevista coletiva, acrescentando que o país está “sabendo conviver” com a doença.
“Mesmo nos Estados onde ela ainda está com uma incidência maior, e nós podemos destacar a Região Sul em particular, a gente já consegue observar um decréscimo na incidência de casos e principalmente na incidência de óbitos, devido também ao tratamento precoce”, disse o secretário.
Estado brasileiro mais afetado pela Covid-19, São Paulo atingiu nesta sexta as marcas de 1.028.190 casos e 37.068 mortes.
De acordo com os dados do ministério, o segundo Estado com maior número de óbitos causados pela Covid-19 no país é o Rio de Janeiro, que registrou até este momento 19.222 mortes, com 282.080 casos.
Na contagem de infecções confirmadas, porém, o Rio fica abaixo da Bahia e de Minas Gerais -- o Estado nordestino soma 323.210 casos e 7.075 mortes, enquanto Minas registrou 318.090 infecções e 7.992 óbitos.
Ceará, Pará, Santa Catarina, Goiás e Rio Grande do Sul são os demais Estados que já notificaram mais de 200 mil casos de Covid-19.
O Brasil possui 4.433.595 pessoas recuperadas da doença e 472.654 pacientes em acompanhamento, segundo o ministério. A taxa de letalidade da doença no país é de 3,0%.

(Fonte: Reuters

domingo, 5 de abril de 2020

ATENÇÃO ESPECIAL AOS IDOSOS


Pastoral intensifica orientações dedicadas 
à proteção da saúde dos idosos

A Pastoral da Pessoa Idosa na Arquidiocese de Belo Horizonte realiza importante trabalho de prevenção à pandemia do Coronavírus, em sintonia com as orientações da coordenação nacional. Para evitar expor idosos e enfermos a riscos de saúde, as visitas às casas foram substituídas por ligações telefônicas e mensagens. As capacitações, oficinas e assembleias só serão retomadas quando tudo se normalizar.
Segundo explica a coordenadora da Pastoral da Pessoa Idosa na Arquidiocese de BH, Evelina da Silva Soares, os líderes de pastoral entram em contato com a pessoa no dia em que a visita costuma ser realizada para se informar sobre o estado de saúde do idoso, se precisa de algum tipo de ajuda, além de orientar sobre os cuidados de higiene específicos na prevenção da pandemia e sempre deixar uma palavra de fé e esperança.
O trabalho da Pastoral da Pessoa Idosa é fundamental no amparo dos mais pobres, pois muitos não têm a quem recorrer. O país tem a quinta maior população de idosos do mundo, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São quase 30 milhões de pessoas acima dos 60 anos. E a Pastoral conta com uma rede de 25 mil líderes e presta atendimento a 170 mil idosos no Brasil.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os idosos compõem o chamado grupo de maior risco, ao lado de pessoas com doenças crônicas, asmáticos, com doenças do coração e fumantes. Isso significa ser esse o grupo mais vulnerável quanto à proteção da imunidade ao coronavírus.

Os líderes da Pastoral têm reforçado junto aos idosos e a seus familiares as orientações das autoridades de saúde pública:
Manter os idosos em distanciamento social, evitando, sobretudo, o contato com jovens e crianças, para evitar que se contaminem com o vírus.
Dar atenção à pessoa idosa e verificar se está precisando de ajuda.
Oferecer para ajudar os idosos da vizinhança que estejam enfrentando alguma dificuldade neste momento.
Por meio das redes sociais e ligações por telefone, amigos e parentes podem se fazer presentes e monitorar as necessidades dos vovôs e vovós.
Observar os cuidados com a higienização lavar as mãos com maior frequência e usar álcool gel quando não for possível.
Colaborar com os idosos em suas necessidades materiais: ajudár a fazer compras, tomar vacinas e cuidar para que se alimentem corretamente.
Valorizar a memória e a importância do idoso – eles guardam não só lembranças, mas o sentido, o sabor e a cultura da vida.
Necessário escutá-los com carinho e manter o contato afetivo para não deixá-los ficarem tristes e isolados, pois isso afeta a sua imunidade.
Olhá-los com amor, respeito, ternura e admiração.
Fazer com que se sintam importantes para a família, para o futuro da nação e que não se sintam descartáveis.
Fazer preces e rezar, com eles, um Pai-Nosso e uma Ave Maria pode ser um gesto bem simples e efetivo para se sentirem fortalecidos.
Proteger os direitos dos idosos, especialmente a renda a que eles têm direito.
Para ler a carta da Pastoral dos Idosos de todo o país, clique aqui
(Fonte: Arquidiocese de Belo Horizonte)

quarta-feira, 1 de abril de 2020

A REPÚBLICA NA UTI


(Foto: Eugênio Magno)


Oportunistas, apocalípticos e proféticos
em tempos de contaminação global

Eugênio Magno

O que dizer em hora tão urgente? Algumas pessoas em grupos de redes sociais têm reagido muito mal ao excesso de postagens sobre o novo coronavírus (COVID-19). Também pudera, com tantas comunicações desencontradas e fake news, haja paciência para essa enxurrada de informações, em sua maioria desqualificadas. As reações são diversas: “vamos manter o foco”, “não aguento mais ouvir falar de coronavírus”, “aqui não é lugar pra isso”, “vamos concentrar no nosso trabalho”, etc. Quando leio e ouço tais reações e comentários, me pergunto: qual deveria ser o foco? Em qual espaço se pode falar com liberdade sobre a pandemia que ultrapassa muros, fronteiras, classes sociais e persegue a todos – independentemente de cor, raça, nacionalidade, crença, gênero –, por toda parte e em todo o mundo? Devemos concentrar no nosso trabalho – concordo. Mas concentrar no que o nosso ofício e expertise pode contribuir para conter a contaminação. Apoiar as pessoas para que não se desesperem diante de ameaça tão letal. Ajudar a pensar propostas de trabalho e renda, com garantia imunológica, para vencer a crise econômica e financeira que já se abate sobre nós, é ainda mais grave para os mais pobres e tende a se acirrar nos próximos dias, podendo chegar a picos insustentáveis.
Como não falar sobre o coronavírus e seus diversos efeitos em nossas vidas e em nossas relações afetivas, familiares, comunitárias, profissionais, econômicas, políticas e, especificamente, no nosso caso, comunicacionais e educacionais? É nosso dever como comunicadores e educadores colaborar no processo de educação da população para as medidas de prevenção contra a Covid-19 com base nas orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas é também de nossa responsabilidade pensar formas de sustentar a ação pedagógica, utilizando-nos dos meios virtuais e digitais, propondo pesquisas, leituras e experimentações que os educandos confinados possam realizar em seus lares. De acordo com a área de atuação de cada comunicador/educador, toda contribuição no sentido de minimizar os impactos psicoemocionais e ocupacionais da população são bem-vindas. É hora de fazer valer nossos diplomas, livros, artigos, pesquisas, especializações, amparos institucionais, salários, bolsas (as que ainda existem) e, fundamentalmente, nosso conhecimento e capacidade de articulação e mobilização. O momento nunca foi tão oportuno para que arquitetemos, anunciemos e ensinemos o novo.
O foco da população, como um todo, não pode e nem deve ser na doença, no vírus. É imprescindível que reconheçamos a sua potência para que possamos combatê-lo com a força necessária para liquidá-lo, mas não nos esqueçamos de usar a nossa perícia e robustez criativa para encontrar soluções para os vários desdobramentos da pandemia em nossas vidas. Ficar em casa, isto é, manter o distanciamento social, deveria ser algo indiscutível. Todavia, carecemos ainda de outras medidas que, além de contemplar todas as recomendações de precaução para deter o avanço da contaminação, consigam ultrapassar esse limite e proporcionar a cura e os cuidados devidos e necessários aos infectados. E ainda buscar alternativas para o colapso econômico. Para que isso ocorra, entretanto, muitas ações estratégicas devem ser incrementadas de forma responsável. Necessitamos, por exemplo, reconhecer que é vital o funcionamento de setores essenciais como os de saúde, segurança, combustíveis, transporte, telecomunicações, energia, água, vigilância sanitária, alimentação, pesquisa, ciência e tecnologia, para citar apenas alguns deles que, por sua vez, dependem de outros subsetores de suporte, para garantir suas atividades. Tudo isso, independentemente da vontade, ou do que a capacidade cognitiva dos dirigentes de nosso país consiga entender como melhor ou pior para a nação. Até porque, em meio a tantos decretos e revogações, informações e contrainformações, na esfera governamental, tornou-se impraticável submetermo-nos sem reflexão a qualquer ordem advinda do poder central, enquanto não houver razoabilidade, lucidez e o mínimo de garantias de que estaremos tomando o rumo certo.
Em meio ao caos social, a crise econômica e a pandemia que ameaça a saúde de toda a população, nossas lideranças políticas encontram-se totalmente perdidas no imbróglio de seus projetos de poder e continuam sem apresentar qualquer solução factível para o enfrentamento da situação. Enquanto blocos de uma direita oportunista e inescrupulosa antecipam a luta para a divisão dos possíveis despojos da meteórica ascensão e queda do bolsonarismo, parte significativa da esquerda e a grande maioria dos grupos associativos reduzem suas pautas a críticas ao governo Bolsonaro e a reivindicações sobre perdas sofridas (o que é justo, mas se distância e muito de nossas emergências). Chutar cachorro morto é coisa fácil. Até mesmo setores ultraconservadores, aliados aos saqueadores do Estado brasileiro que contribuíram para instaurar o desmonte da Res publica, resolveram reagir de forma vigorosa contra o atual governo. O cenário, definitivamente, não é dos mais alvissareiros, com ou sem Bolsonaro que, aliás, comete suicídio político todas as vezes que usa a caneta, abre a boca ou fica online.
Se os progressistas, as esquerdas lúcidas e os defensores da democracia não se unirem em torno de um projeto político, econômico, de saúde e de desenvolvimento que sensibilize a população e ponha freio neste trem desgovernado, o que assistiremos – como meros espectadores – será uma já anunciada troca de mãos, no manejo dos destinos de nosso país, para dar mais do mesmo ao nosso povo pra lá de sofrido. Excetuando o espectro dos oportunistas abjetos, é perceptível que segmentos da sociedade têm se subdividido entre apocalípticos e proféticos neste entreato da história que aponta para uma mudança de paradigma no modus vivendi da humanidade e na economia mundial. Estou alinhado aos proféticos, mas consciente de que profetismo requer mais que denúncia. Essa já está feita, não somente pelo coro das vozes dissidentes, como também e, principalmente, pelas próprias circunstâncias em que nos precipitamos. Agora é a hora d’a onça beber água. Os tempos carecem de anúncio.
Chegou o momento de todos os seres pensantes desse país – os poucos que ainda podem se dá ao luxo de sobreviver ainda que, hibernando confinados em “quarentena” –, usarmos toda a nossa reserva de força imunológica e capacidade de trabalho para contribuir com o país e com o mundo. Garantir o futuro dos que vierem e, quiçá, oportunizar um pouco mais de vida digna a nós mesmos e àquilo que representamos socialmente.

Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.

quarta-feira, 25 de março de 2020

COMO SE NÃO BASTASSE O VÍRUS...


Coronavírus: postura de Bolsonaro coloca União e Estados em enfrentamento direto

Bolsonaro (centro) criticou as restrições impostas pelos governadores João Doria (esq.) e Wilson Witzel
(Foto: ABR)

Em meio às decisões administrativas sendo tomadas nos Estados para conter a disseminação do novo coronavírus, governadores disseram nesta quarta-feira (24/03) terem sido pegos de surpresa pelo pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite anterior, pedindo que o país "volte à normalidade" e criticando o fechamento de escolas e comércios.
Bolsonaro chamou o coronavírus de "gripezinha ou resfriadinho", acusou a imprensa de causar "histeria" e criticou abertamente os governadores pelas medidas de isolamento — que até então vinham também sendo recomendadas pelo Ministério da Saúde.
Até agora mais de 2 mil pessoas foram oficialmente diagnosticadas com o vírus que causa a covid-19 e 47 mortes foram confirmadas.
Para ler na íntegra a matéria da BBC News Brasil, clique aqui.

domingo, 15 de março de 2020

TODO CUIDADO É POUCO


Coronavírus: por que é fundamental 'achatar a curva' 
da transmissão no Brasil

(Foto: Getty Images)

À medida que o coronavírus se espalha cada vez mais pelo mundo, autoridades de saúde têm tentado evitar o aumento acelerado do número de casos. "Achatar a curva", como se diz, é uma medida crucial para evitar a sobrecarga dos serviços de saúde e limitar o número de mortes.
A Itália, com mais de 17 mil casos e 1.266 mortes, é o principal exemplo de país que está sofrendo para achatar essa curva. O Brasil, com menos de 100 casos confirmados, ainda está longe disso, mas já discute como evitar o mesmo cenário para não sobrecarregar o sistema.
Mas o que significa essa expressão, que chegou ao topo dos assuntos mais discutidos em redes sociais, e quão adequada ela é à realidade brasileira, que já registrou 77 casos da doença?
"Achatar a curva" significa desacelerar a disseminação do vírus para que o número de casos se espalhe ao longo do tempo em vez de haver picos no início.
O gráfico abaixo resume o cenário. Há uma "curva acentuada", causada por um pico acelerado de infecções, em oposição a uma "curva achatada", com casos mais distribuídos ao longo do tempo.
Para ler a matéria da BBC News Brasil, na íntegra, clique aqui.