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domingo, 5 de janeiro de 2020

AVALIAÇÃO DO GOVERNO BOLSONARO


Bolsonaro teve avanço na economia, mas abandonou meio ambiente e combate à corrupção, diz Economist

(Foto: Presidência da República)

Em artigo publicado na última quinta-feira (02/01) em sua edição impressa, a revista britânica The Economist diz que, embora considere ter havido avanços na economia brasileira neste ano, o governo Jair Bolsonaro vem ameaçando as instituições democráticas e promovendo retrocessos na área ambiental e no combate à corrupção.
A revista diz que Bolsonaro foi eleito "porque eleitores estavam traumatizados com a pior recessão da história do país, entre 2014 e 1016, pela criminalidade e pelas revelações de corrupção nos mais altos níveis da política e do empresariado".
Segundo a revista, os eleitores esperavam que Bolsonaro trouxesse prosperidade, paz e probidade ao Brasil, mas, depois de um ano de governo, eles só conseguiram "parte do que queriam".


A revista diz que o número de homicídios no país diminuiu, mas afirma que isso ocorreu em grande medida porque os conflitos entre fações criminosas esfriaram, e que Bolsonaro abandonou o combate aos crimes de colarinho branco.
"Em vez de fortalecer as instituições democráticas do Brasil, ele (Bolsonaro) as está testando. No que diz respeito a corrupção e meio ambiente, o Brasil ou travou ou está andando para trás", afirma a Economist.

(Fonte: BBC News / Brasil)

domingo, 20 de outubro de 2019

O APOGEU DA VILANIA




Onde estão os nossos heróis?

Geovana Ramos Martins
 (Cientista Social pela Universidade Federal de Minas Gerais,
professora da rede pública do Estado de MG)

Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá (Santa Teresa de Calcutá, canonizada no dia 4 de setembro de 2016, pelo papa Francisco). Na minha memória tenho uma lembrança viva de quem foram, o que fizeram e o que representam. Gandhi: a revolução sem armas, sem violência, por ideais de paz e liberdade. Martin Luther King: o direito civil dos negros e uma campanha que não pregava o ódio. Madre Teresa: mulher, que embora pequena e frágil, só queria saciar a sede do Cristo no irmão necessitado.
Quem são os heróis hoje? Onde estão? Em quem se pode espelhar? Onde deve se buscar a verdade? Como encontrar respostas? O que é a vida? Não a vida virtual, resposta programada pelo Google, verdade que aliena e aprisiona, reflexo narcísico de desejos e satisfações. As pessoas estão adoecendo, as clínicas psicoterápicas estão lotadas, a cada dia novas doenças são descobertas, transtornos afetam crianças em todo o mundo, lares de idosos aumentam em proporção assustadora, consumo excessivo de álcool, drogas e sexo desenfreado, uma caçada obsessiva por emoção, aventura, prazer, excitação...
Busca-se em vão preencher o vazio: trocamos crianças por pets, os pais e a família pela carreira, podcasts pela leitura de um bom livro, o encontro com os amigos pela vida virtual (Facebook, Whatsapp, Instagram, Twitter), eximimo-nos da responsabilidade de educar as crianças. O que era apenas meio (objeto utilizado para diferenciar os valores das coisas) tornou-se o fim em si mesmo. Queremos possuir cada vez mais, bens materiais: a casa maior, o carro do ano – só um não basta –, a última geração de smartphone, os óculos da moda. Enganamo-nos acreditando que isso nos trará felicidade e irá preencher o vazio da existência. Praticamos ações sociais para ser cool; nossa privacidade é hackeada. Tornamo-nos suscetíveis a diferentes formas de invasão e alienação. Vivemos fatigados com o transporte público, o trânsito, os telemarketings, os hospitais e escolas, a indigência, os nossos governantes, a violência, a política, a xenofobia, as igrejas... Quais são os valores e virtudes de um homem e uma mulher de bem?
Temos um presidente eleito por menos da metade do eleitorado brasileiro. Será que no imaginário dessas pessoas havia a crença de que Bolsonaro poderia ser um herói? Se não somos capazes de pensar por nós mesmos, ao menos, vejamos o que o mundo – digo o mundo e, não os Estados Unidos – dizem sobre o nosso presidente (?). Olhem as ações racistas e neoliberais de um governo subserviente aos interesses estadunidenses que a todo instante põe em risco a soberania nacional, liquidando todo o patrimônio público brasileiro. A privatização das estatais e a desindustrialização do Brasil gera o caos: desemprego, miséria e fome. O que deveria ser “um governo para todos”, revelou-se uma organização que torna ainda mais ricos os ricos e cada vez mais pobres os mais pobres. Vivemos o apogeu do capital improdutivo. Praticamente, só os rentistas ganham. A nós cabe apenas pagar, cada vez mais caro, combustível, vida na cidade, plano de saúde com cobertura mínima e valores exorbitantes, educação dos filhos, impostos, luz, água, telefone e alimentos contaminados (enxertados de hormônios e empesteados de agrotóxicos e transgênicos) que são empurrados goela a baixo, em razão da falta de opções para a aquisição de algo mais natural.
É “terapêutico” ir aos shoppings e aos grandes mercados, e nos iludir com a possibilidade de que a posse de determinado produto irá nos trazer a tão almejada felicidade, quando na realidade estamos contribuindo para o aumento do consumo e, consequentemente, dessa lógica irracional de produção à custa da depredação do meio ambiente. Desmatamos, produzimos uma quantidade absurda de lixo, que acreditamos estar sendo reciclados quando na verdade não sabemos verdadeiramente qual será o seu destino. Não nos preocupamos com o consumo desarrazoado de água, com as queimadas, a poluição... e o nosso planeta, chora e geme, em dores de parto, na espera de um novo dia. Da primavera, ou seria, de outros natimortos? Os animais expulsos das florestas invadem as cidades e em uníssono clamam a nós por socorro. Tempestades, trovões, terremotos, maremotos, tsunamis... o que mais esperar? Quando isso tudo vai parar?
Na contramão da lógica produtivista pequenos grupos se mobilizam, na busca de formas alternativas de vida no planeta. Ambientalistas, autoridades religiosas, estudantes, populações indígenas e ribeirinhas unem-se em defesa da vida na Terra. A juventude bravamente desponta no noticiário mundial, denunciando os abusos das autoridades governamentais e empresariais, retrógadas e autoritárias. Novas escolas e pensadores se insurgem contra a barbárie.
Eu, aposto sempre nas crianças. Na necessidade urgente que temos de olhar para as crianças e zelar pelo seu devir. Elas têm a capacidade transformar o mundo, se forem educadas por meio de valores e virtudes: humanos, sociais, ambientais, culturais e espirituais.
Já é tempo de unirmo-nos em prol dessa causa, encontrando-nos com nós mesmos em nossa humanidade e descobrir a palavra que cada um de nós veio dar ao mundo. E que a nossa palavra seja plena de vida, amor e paz. Abramos nossos olhos, rasguemos os nossos corações e despertemo-nos enquanto há tempo.
O artigo também foi publicado no Jornal Pensar a Educação, Pensar o Brasil.

domingo, 25 de agosto de 2019

EM DEFESA DA AMAZÔNIA




Manifestantes vão à Praça do Papa em BH

Eugênio Magno
(Texto e fotos)


Hoje (domingo, 25/08/19), homens, mulheres e crianças, de todas as idades, foram à Praça do Papa, em Belo Horizonte, manifestarem em defesa da Amazônia.




A partir das 10:00h da manhã foi iniciada a concentração na Praça Israel Pinheiro - apelidada de Praça do Papa, desde a primeira vinda do pontífice João Paulo II a BH -, onde Karol Wojtyla celebrou missa campal. Hoje, muitos dos que ali compareceram, atendiam ao apelo do atual Papa, Francisco, que tem exortado os cristãos a proteger e cuidar da nossa casa comum, a Terra.





Num clima pacífico, mas que não faltaram palavras de ordem, cartazes, faixas e intervenções, cerca de duas mil pessoas compareceram à praça, localizada na base da Serra do Curral, no Mangabeiras, bairro luxuoso da capital de Minas, para participar do ato em defesa da Amazônia.




































Ambientalistas, parlamentares, educadores, sindicalistas, estudantes, líderes de movimentos sociais e representantes de partidos políticos, fizeram uso da palavra, denunciando a devastação acelerada do grande pulmão do planeta.




















Essa foi apenas uma das muitas manifestações que vêm ocorrendo em várias cidades brasileiras e em outras tantas pelo mundo afora, desde o último dia 19, a segunda-feira cinzenta, em que a Amazônia ardeu em chamas.






domingo, 17 de junho de 2012

VALE OU NÃO VALE MESMO?


'Atingidos pela Vale' decidem reforçar
ações para 'desmascarar' mineradora


O III Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale, realizado no bairro Santa Tereza, no Rio de Janeiro, acontece em paralelo à Rio+20 e definiu como prioridade "desconstruir" a imagem da empresa. A mineradora é acusada de violar direitos trabalhistas, comunitários, ambientais e sanitários em diversas regiões brasileiras e vários países, entre eles, Moçambique, Peru, Chile, Nova Caledônia e Canadá.


(Fonte: Site Carta Maior)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

SER HUMANO, O EXTERMINADOR DE SUA PRÓPRIA CIVILIZAÇÃO



Como enfrentar a sexta extinção em massa


Leonardo Boff

teólogo e filósofo


Referimos-nos anteriormente ao fato de o ser humano, nos últimos tempos, ter inaugurado uma nova era geológica – o antropoceno - era em que ele comparece como a grande ameaça à biosfera e o eventual exterminador de sua própria civilização. Há muito que biólogos e cosmólogos estão advertindo a humanidade de que o nível de nossa agressiva intervenção nos processos naturais está acelerando enormemente a sexta extinção em massa de espécies de seres vivos. Ela já está em curso há alguns milhares de anos. Estas extinções, misteriosamente, pertencem ao processo cosmogênico da Terra. Nos últimos 540 milhões de anos ela conheceu cinco grandes extinções em massa, praticamente uma em cada milhão de anos, exterminando grande parte da vida no mar e na terra. A última ocorreu há 65 milhões de anos quando foram dizimados os dinossauros entre outros.
Até agora todas as extinções eram ocasionadas pelas forças do próprio universo e da Terra a exemplo da queda de meteoros rasantes ou de convulsões climáticas. A sétima está sendo acelerada pelo próprio ser humano. Sem a presença dele, uma espécie desaparecia a cada cinco anos. Agora, por causa de nossa agressividade industrialista e consumista, multiplicamos a extinção em cem mil vezes, diz-nos o cosmólogo Brian Swimme em entrevista recente no Enlighten Next Magazin, n.19. Os dados são estarrecedores: Paul Ehrlich, professor de ecologia em Standford calcula em 250.000 espécies exerminadas por ano, enquanto Edward O. Wilson de Harvard dá números mais baixos, entre 27.000 e 1000.000 espécies por ano (R Barbault, Ecologia geral 2011, p.318).
O ecólogo E. Goldsmith da Universidade da Georgia afirma que a humanidade ao tornar o mundo cada vez mais empobrecido, degradado e menos capaz de sustentar a vida, tem revertido em três milhões de anos o processo da evolução. O pior é que não nos damos conta desta prática devastadora nem estamos preparados para avaliar o que significa uma extinção em massa. Ela significa simplesmente a destruição das bases ecológicas da vida na Terra e a eventual interrupção de nosso ensaio civilizatório e quiçá até de nossa própria espécie. Thomas Berry, o pai da ecologia americana, escreveu: ”Nossas tradições éticas sabem lidar com o suicídio, o homicídio e mesmo com o genocídio mas não sabem lidar com o biocídio e o geocídio” (Our Way into the Future, 1990 p.104).
Podemos desacelerar a sétima extinção em massa já que somos seus principais causadores? Podemos e devemos. Um bom sinal é que estamos despertando a consciência de nossas origens há 13,7 bilhões de anos e de nossa responsabilidade pelo futuro da vida. É o universo que suscita tudo isso em nós porque está a nosso favor e não contra nós. Mas ele pede a nossa cooperação já que somos os maiores causadores de tantos danos. Agora é a hora de despertar enquanto há tempo.
O primeiro que importa fazer é renovar o pacto natural entre Terra e Humanidade. A Terra nos dá tudo o que precisamos. No pacto, a nossa retribuição deve ser o cuidado e o respeito pelos limites da Terra. Mas, ingratos, lhe devolvemos com chutes, facadas, bombas e práticas ecocidas e biocidas.
O segundo é reforçar a reciprocidade ou a mutualidade: buscar aquela relação pela qual entramos em sintonia com os dinamismos dos ecosistemas, usando-os racionalmente, devolvendo-lhe a vitalidade e garantindo-lhe sustentabilidade. Para isso necessitamos nos reinventar como espécie que se preocupa com as demais espécies e aprende a conviver com toda a comunidade de vida. Devemos ser mais cooperativos que competitivos, ter mais cuidado que vontade de submeter e reconhecer e respeitar o valor intrínseco de cada ser.
O terceiro é viver a compaixão não só entre os humanos mas para com todos os seres, compaixão como forma de amor e cuidado. A partir de agora eles dependem de nós se vão continuar a viver ou se serão condenados a desaparecer. Precisamos deixar para trás o paradigma de dominação que reforça a extinção em massa e viver aquele do cuidado e do respeito que preserva e prolonga a vida. No meio do antropoceno, urge inaugurar a era ecozóica que coloca o ecológico no centro. Só assim há esperança de salvar nossa civilização e de permitir a continuidade de nosso planeta vivo.