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quarta-feira, 10 de novembro de 2021

JORNALISTAS FAZEM PARALISAÇÃO

 

(Imagem: sindicato dos Jornalistas de São Paulo)

Mais de 300 jornalistas de São Paulo cruzam os braços por reposição da inflação em salários


Pela primeira vez desde 1979, jornalistas da capital paulista fizeram uma paralisação entre redações de vários veículos nesta quarta-feira (10 de novembro de 2021). Por reajuste salarial de 8,9%, acompanhando a inflação, ao menos 350 trabalhadores cruzaram os braços durante duas horas, entre as 16h e 18h.
A mobilização teve adesão de redações como as da Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, Agência Estado, Valor Econômico, Agora, Editora Globo, UOL, Editora Abril, sucursal de O Globo e Ponte Jornalismo.
Sendo o quinto assunto mais comentado no Twitter do Brasil, a paralisação de jornalistas recebeu também apoio internacional. Houve manifestação de solidariedade por parte da Federación Internacional de Periodistas (FIP) e da Federación Argentina de Trabajadores de Prensa (FATPREN).
Para ler, na íntegra, a matéria de Gabriela Moncau para o Brasil de Fato, clique aqui.
(Fonte: Brasil de Fato)

sexta-feira, 20 de março de 2020

ECONOMIA BRASILEIRA



Governo corta a zero projeção para crescimento do PIB em 2020

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Ministério da Economia anunciou nesta sexta-feira o corte na projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a 0,02%, ante alta de 2,1% indicada há dez dias, numa mostra da rápida deterioração das expectativas em meio ao avanço do coronavírus e seu dramático impacto na economia.
Para a inflação, o time econômica agora vê alta de 3,05% do IPCA neste ano, contra percentual de 3,12% antes. Já a projeção para o preço médio do petróleo Brent caiu a 41,87 dólares por barril, contra patamar de 52,70 dólares divulgado na semana passada. Para o dólar em final de período, a estimativa agora é de 4,35 reais, sobre 4,20 reais antes.
(Fonte: Reuters)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

INFLAÇÃO À VISTA OU ESPECULAÇÃO?


Relógio cuco


Rubens Ricupero
ex-secretário geral da Unctad


Não é verdade, como pretende Orson Welles em "O Terceiro Homem", que o relógio cuco tenha sido a única contribuição da Suíça à civilização.
Basta pensar na Cruz Vermelha, em Rousseau, Benjamin Constant, Madame de Stael, Pestalozzi, Le Corbusier, Piaget, Giacometti, Godard, elenco mais impressionante que o de alguns gigantes pela própria natureza.
Eis que o relógio cuco dá nova contribuição ao soar o alarme contra o perigo mortal da anarquia do câmbio. Ninguém no mundo se compara aos suíços em cautela e horror do não convencional. Se arriscam fixar a cotação do franco suíço em euros é porque a situação está para além de preta.
A diferença entre nós e eles é que, como os sicilianos, eles jamais ameaçam: preferem agir sem preanuncio. Nós somos incendiários nas declarações e tímidos na ação e não apenas por amor à bravata.
É que os suíços podem arrostar ataques especulativos com alguma chance de sair com vida.
Nós, sempre no fio da navalha, corremos o risco de soprarmos em inflação que já arde em cima da palha seca se tomarmos medidas ousadas como o corte do juro ou o controle de capitais.
Por isso nos limitamos por muito tempo a denunciar a guerra cambial no G20 e a pedir à Organização Mundial do Comércio que estude o efeito do câmbio no comércio. São gestos louváveis, mas anódinos, pois o mundo vive em situação de anarquia cambial, isso é, ausência total de normas e governo na matéria.
Desde que Nixon abandonou em 1971 o sistema de taxas fixas de Bretton Woods, virou letra morta o artigo 4º do acordo do FMI relativo a disciplinas cambiais.
Dizia-se na época que, após meses de turbulência, o câmbio flutuante produziria seu próprio equilíbrio. Estamos esperando há 40 anos e as tempestades já obrigaram a intervenções urgentes como as dos acordos do Plaza e do Louvre.
Na OMC o panorama não é mais animador. O artigo 15 do acordo geral dispõe que os países devem se abster de manipular as moedas a fim de não frustrar os objetivos do acordo. Como nunca se definiu o que significa "manipular" e "frustrar", nada se pode fazer.
Não existem recursos legais: antidumping cambial, taxas contra o subsídio indireto da manipulação, tudo carece de base jurídica.
Os pragmáticos helvécios concluíram que, na falta de remédios internacionais, o remédio é cada um cuidar de si. Se der certo e outros como o Japão seguirem o exemplo, aumentará a pressão sobre a moeda brasileira. Fez bem, assim, o governo em deixar de se queixar ao bispo e começar a tomar medidas.
Entre elas, o início da redução do juro e a elevação do IOF sobre capitais especulativos trouxeram alívio temporário no câmbio, graças também ao recrudescimento da crise mundial. Nada garante que dure. Estagnada devido ao câmbio, a indústria pouco se beneficiou até agora da explosão do consumo, capturada quase toda pelas importações.
Se a crise apertar, a única saída será aproveitar a demanda interna para crescer. Para isso o remédio são ações mais fortes para estancar a hemorragia cambial. Sem dúvida é arriscado, mas como no dilema de Trotsky: risco em avançar, morte segura se ficarmos parados.
(Fonte: Folha de São Paulo, 19.09.11)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

INCOERÊNCIA DA MACROECONOMIA PROVOCA DESEQUILÍBRIO GERAL


Livres mercados instauram o manicômico;

agora, exigem sanidade

"Não há milagre de coerência macroeconômica que devolva equilíbrio aos preços fundamentais da economia --salários, cambio e juros -- na mazorca planetárias criada pelos livres mercados. Mas seus ventríloquos locais --alguns, encastelados dentro do governo e os de sempre, na mídia-- insistem em abstrair as raízes do manicômio financeiro de 2007 e 2008. Cobram resultados imediatos para harmonizar o imiscível. Ou seja, derrubar a inflação --grande parte dela importada da especulação com commodities-- e , simultaneamente, desvalorizar o real, borrifando gasolina no lança-chamas. A jogada é criar um clima de últimos dias de Pompéia, exigir que apaguem o incêndio e depois cobrar cabeças. O rescaldo legitimaria a velha terapia: choque de juros, recessão, desemprego e paz dos cemitérios nos índices de preços. Tudo isso, sem perdas aos mercados. Quando os blindados ortodoxos avançam sobre o nível de atividade tradicionalmente esfarelam também a receita fiscal, oferecendo em troca juros robustos aos rentistas para acudir o déficit público. Essa sempre foi a regra. O elixir ortodoxo tornou os Armínios Malans e Paloccis queridinhos da banca urbi et orbi. A novidade é que o Brasil, desde 2006, passou a avaliar o receituário ardiloso com crescente discernimento político. A crise mundial de 2007/2008 ampliou essa margem de manobra ideológica. A ação prudencial do governo nos dias que correm é uma guerra de resistência de quem não aceita mais o ultimato ortodoxo. Daí o tour-de-force dos mercados inquietos e da mídia mal-criada. A tentativa algo abusada de recolocar a camisa-de-força no Estado brasileiro, derrubando ministros e impondo pacotes, obedece a um timming político. É preciso reassumir o comando da crise antes que os novos atores surgidos nos últimos anos, o povão, as massas carentes e pouco-informadas, temidas por FHC, tomem para si a tarefa histórica de injetar uma outra coerência ao desenvolvimento brasileiro.

(Fonte: Site Carta Maior)