sábado, 10 de novembro de 2018

CINEMA DE QUALIDADE E DE GRAÇA

"Moscou", em Mateus Leme



O cineclube da Casa de Cássia vai apresentar neste sábado, 10.11, às 17h, o filme "Moscou", de Eduardo Coutinho, com o grupo Galpão, de Belo Horizonte.
O filme documenta a experiência da construção da montagem de uma encenação teatral da peça "As Três Irmãs", de Anton Tchekhov, na qual três irmãs, vivendo na província, sonham em voltar para Moscou, deixando de viver o presente.
Domingo, 12.11, às 17h, o cineclube exibe o filme "Fúria do Desejo" (Ruby Gentry), de King Vidor, com Jennifer Jones, Charlton Heston e Karl Malden. Produção de 1952, o filme aborda as relações de uma moça branca pobre e sulista com a sociedade de uma cidadezinha, depois que ela, rejeitada pelo namorado, se casa com um homem rico e este morre num acidente de carro.
O cineclube funciona na Associação Casa de Cultura Cássia Afonso de Almeida, Rua Meyer, 105. Vila Suzana, em  Mateus Leme, M.G. Maiores informações pelos telefones: (31)3535-1721 e (31)99247-6574.


PRIORIDADES ECONÔMICAS DO BRASIL


Brasil tem prioridades além das privatizações, diz ministro da Fazenda de Temer


O Brasil tem prioridades mais importantes do que a agenda ampla de privatizações que foi uma das bandeiras de campanha do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), proposta por seu futuro "superministro" da Fazenda, Paulo Guedes, como mecanismo para melhorar a governança das estatais e reduzir a dívida pública.
A avaliação é do atual titular da pasta, Eduardo Guardia, para quem o novo governo deve aproveitar a vantagem do capital político elevado de que os presidentes gozam em início de mandato para aprovar a reforma da Previdência e encaminhar a reforma tributária.
"Eu acho que tem outras prioridades antes dessa, que é aprovar a Previdência, aprovar reforma tributária, acertar o relacionamento com Estados e municípios. Tudo isso demanda negociações políticas complicadas", afirmou à BBC News Brasil nesta sexta-feira.
"Na minha perspectiva, não haverá uma agenda forte de privatização no início do governo além dessas que nós já estamos tocando", ele acrescenta, referindo-se, por exemplo, à Eletrobras - cuja proposta foi enviada em janeiro deste ano ao Congresso - e a distribuidoras de energia e empresas de saneamento que estão sendo negociadas em diferentes Estados.
O governo Temer propôs dezenas de privatizações nos últimos dois anos. Parte não saiu do papel e o restante está sendo encaminhado pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).
Para continuar lendo a matéria de Camilla Veras Mota para a BBC News Brasil, clique aqui.



segunda-feira, 5 de novembro de 2018

INCENTIVO A ESCOLAS PRIVADAS E DIMINUIÇÃO DE INVESTIMENTOS EM UNIVERSIDADES


‘Vouchers’, ensino à distância e universidade paga, 
os planos na mesa de Bolsonaro

Foto: Daiane Mendonça (SECOM/Rondônia)

“Eu vou mudar tudo isso daí, tá ok?”. Se Jair Bolsonaro, eleito presidente com quase 58 milhões de votos, levar ao pé da letra o bordão de campanha, seu mandato pode marcar um ponto de inflexão na educação brasileira com uma guinada conservadora, baseada em sua cruzada contra "doutrinação de esquerda" e veto ao debate de gênero, e pautada por diretrizes de mercado. O plano de governo é pouco detalhado, mas pressupõe a inversão da pirâmide de investimentos, transferindo recursos da educação superior para a básica (infantil, fundamental e médio). Segundo estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil gasta três vezes mais com estudantes universitários do com alunos dos ensinos fundamental e médio.
Para Anna Helena Altenfelder, presidente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), trata-se de uma “preocupação pertinente” a do investimento maior em educação superior, ainda mais num contexto de grave crise fiscal. Entretanto, a pedagoga observa que a conta mais alta do ensino superior é influenciada por gastos com pesquisa e extensão, como hospitais universitários. “A questão principal não é transferir recursos de um para o outro, mas sim priorizar o ensino básico.”
Bolsonaro diz se inspirar em modelos de países asiáticos, a exemplo de Japão e Coreia do Sul, onde professores recebem quase quatro vezes mais que os brasileiros – cujos salários equivalem à metade da média dos países avaliados pela OCDE. Em seu plano, ele prevê investir em qualificação e melhorar a remuneração dos professores, mas não explica como nem de onde proverá verbas para valorizá-los. Apenas ressalta que “é possível fazer muito mais com os atuais recursos” – o Brasil investe aproximadamente 5% do PIB em educação.
Para preservar recursos do Ministério da Educação (MEC), uma das ideias do partido de Bolsonaro, o PSL, e já mencionadas por homens fortes de sua equipe, incluindo o futuro superministro da Economia, Paulo Guedes, é o “voucher educação”. A proposta, que também era bandeira do candidato derrotado à presidência João Amoêdo (NOVO), estipula a distribuição de vales para as famílias escolherem um colégio privado e matricularem seus filhos. Com maior participação de instituições privadas, o governo, segundo a tese dos defensores do modelo, economizaria dinheiro com a manutenção de escolas e a folha de pagamento dos professores.
Diferentemente de Japão e Coreia do Sul, que conduzem a educação básica por meio de escolas públicas, o modelo tem inspiração em fórmulas já testadas em países como Estados Unidos e Chile, que adotou os vouchers durante a ditadura de Augusto Pinochet, na década de 80. Apesar de apresentar melhores resultados em análises de desempenho que o Brasil e outros países latino-americanos, a educação chilena ainda está distante do nível apresentado por países desenvolvidos no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). “Os vouchers cumpriram um papel importante para incluir alunos nas escolas, mas hoje não têm melhorado a qualidade da educação no Chile”, afirma Olavo Nogueira Filho, diretor do movimento Todos Pela Educação.
Para continuar lendo o texto de Breiller Pires para a edição brasileira do El País, clique aqui.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

COMEÇA A BATEÇÃO DE CABEÇA DA EQUIPE DO PRESIDENTE ELEITO


Ainda não está decidida fusão de Ministérios da Agricultura e Meio Ambiente, diz Nabhan Garcia


Tatiana Ramil 
Reuters


O presidente eleito Jair Bolsonaro ainda não decidiu se vai juntar os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, disse seu aliado Luiz Antônio Nabhan Garcia nesta quarta-feira, um dia após o futuro chefe da Casa Civil, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), afirmar que as pastas seriam unificadas.
“Existe a possibilidade de seguirem separados e existe a possibilidade de seguirem com uma fusão. Não tem nada decidido ainda, pelo menos foi o que o presidente me disse”, declarou Nabhan Garcia a jornalistas no Rio de Janeiro, após se reunir com Bolsonaro.
Nabhan Garcia é líder da União Democrática Ruralista (UDR), entidade que se notabiliza pela defesa da propriedade rural e combate a movimentos de sem-terra, como o MST.
Na terça-feira, Onyx anunciou que as pastas da Agricultura e do Meio Ambiente seriam unificadas sob um único ministério, depois de Bolsonaro ter afirmado que estaria aberto à sugestão de setores do agronegócio que defendiam a manutenção da separação das duas pastas.
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, posicionou-se de maneira frontalmente contrária à proposta de fusão das pastas, afirmando que a decisão “trará prejuízos incalculáveis ao agronegócio brasileiro”.
O atual ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, também criticou a medida. Em nota, disse que o superministério teria “dificuldades operacionais” que poderiam prejudicar as duas agendas e resultar em retaliação comercial por parte de países importadores de produtos agropecuários.
(Fonte: Reuters Brasil)

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

COMO SERÁ A EDUCAÇÃO NO BRASIL A PARTIR DE 2019?


Eleições 2018: As falhas nos programas de Bolsonaro e Haddad, segundo especialistas em educação


Foto: Getty Images

Bolsonaro defende ensino à distância, inclusive para crianças, e quer evitar educação sexual nas escolas. Já Haddad propõe foco em educação em tempo integral e ações contra homofobia no ambiente escolar. Especialistas analisaram essas e outras propostas e apontaram alguns retrocessos.

Melhorar a qualidade do ensino no Brasil será um dos principais desafios do futuro presidente da República. Tanto Jair Bolsonaro (PSL) quanto Fernando Haddad (PT) afirmam, em seus programas de governo, que darão atenção especial à área da educação. Mas cada um tem ideias bem diferentes do que seriam melhorias nesse setor e dos caminhos a serem seguidos para alcançar um salto de qualidade.
Bolsonaro sugere que os atuais recursos aplicados em educação já dariam conta de melhorar o sistema de ensino. Já Haddad quer viabilizar a meta de destinar 10% do Produto Interno Bruto (PIB) à educação.
O candidato do PSL fala em foco no ensino fundamental, médio e técnico. E apresenta como uma das principais propostas abrir uma escola militar por capital. O do PT diz que a ênfase deve ser no ensino médio, com a transferência da gestão dos Estados para o governo federal.
Para ler a íntegra da matéria de Nathalia Passarinho para a BBC News Brasil, clique aqui.

domingo, 21 de outubro de 2018

OLIMPO TUPINIQUIM

Por que o Brasil sempre precisa ser governado por algum deus?

O novo deus militar, diante do qual a maioria dos brasileiros parece disposta a se ajoelhar, se parece mais com o Deus do Antigo Testamento, o do “olho por olho e dente por dente”


Abaixo, mais alguns trechos do artigo de Juan Arias para o El País:

Ao que parece, os brasileiros religiosos hoje preferem o Deus que castiga e mata. Preferem o que encarna o fariseu que, em pé, na primeira fila, no templo, se gabava: “Te dou graças, Senhor, porque eu não sou como os outros homens, ladrões, injustos, adúlteros, nem como esse publicano”. Este, inclinando-se ao solo, “batia no peito dizendo: Deus, tenha piedade de mim, que sou um pecador”. O evangelho diz que o publicano saiu purificado e o fariseu, o justo, reprovado por Deus.
No verdadeiro cristianismo, o que mudou a vingança pelo perdão, deveriam caber justos e pecadores, crentes e ateus, ricos e pobres, sábios e ignorantes, reis e vassalos. Nele há espaço para todos, ainda que com preferência aos mais despossuídos e esquecidos pelo poder. Se o Brasil apostar dessa vez pelo deus da raiva, o da justiça sem misericórdia, temo muito que possamos voltar aos tempos sombrios em que a violência era bendita pela Igreja.
Para ler o texto na íntegra, clique aqui.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O DESTINO DO BRASIL NA MÃO DOS ELEITORES

A democracia tutelada pela farda
Luciano Mendes de Faria Filho
Professor da UFMG e Coordenador do Projeto
Pensar a Educação, Pensar o Brasil


Nestes últimos dias General da Reserva, Paulo Chagas, além de colocar em dúvida uma vitória de Hadad sem que haja fraudes, sem que o TSE, mais uma vez, se pronuncie. E bem ao estilo da "família bolsonoro" o General incita a "cólera das multidões" em caso de uma vitória do candidato petista. Disse ele lá em seu Twitter:
"Seria muito triste ver a verdade ser superada pela mentira e a Nação ser comandada de dentro da cadeia por Lula da Silva.
O desastre se completaria quando a Cólera das Multidões tomasse as ruas diante da ousadia de fazê-lo subir a rampa do Palácio do Planalto!"
A propósito disse, fiquei pensando lá nos idos de 1983/84 quando do movimento das Diretas Já! Ali, dupla derrota: tivemos eleições indiretas e a eleição do ex-presidente da Arena, partido da ditadura, José Sarney, como vice de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral. Resultado: o nosso primeiro presidente civil depois da ditadura nada mais era do que a principal liderança justamente da ditadura!
O movimento das Diretas Já desaguou no movimento pela Constituinte, que, a despeito de uma grande movimentação pelo país todo, resultou numa Constituição que manteve a tutela militar à democracia.
Os nossos acordos pelo alto, a ação sempre muito esperta e com uma boa dose de covardia de nossas elites políticas, vem desde pelo menos a Independência. Não nos esqueçamos de que o "artífice de nossa Independência" foi ninguém menos do que o herdeiro do trono português! E a República resultou de um golpe de Estado dado pelos militares!
Com uma tradição dessas, em que os "espertos de sempre" se unem aos militares para evitar qualquer tipo de avanço democrático ou de combate às desigualdades, não é de se estranhar o que temos visto: a subserviências das instituições republicanas às espertezas dos golpistas e a tutela militar à frágil democracia brasileira. É chegada a hora, de romper com este "destino das coisas”. Uma verdadeira democracia não pode ser tutelada por agentes fardados! Que o nosso voto no Hadad possa ser a explicitação de um movimento nessa direção e para evitar que a história se repita como tragédia.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

FAKE NEWS CONTINUAM INUNDANDO O PAÍS


Eleições 2018: o que o TSE está fazendo 

para combater mensagens falsas?


Foto: Roberto Jayme ASCOM/TSE

Na quinta-feira que antecedeu o fim de semana de votação no Brasil, um vídeo acusando fraude nas urnas foi extremamente difundido.
Teve 1,6 milhão de visualizações no YouTube e foi publicado diversas vezes em grupos de WhatsApp e no fórum Gab, rede social da alt-right (termo que se refere a "direita alternativa", que reúne grupos de extrema-direita) americana que tem adeptos brasileiros apoiadores do candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL).
O vídeo, de um canal gaúcho chamado Brasil Paralelo, entrevista o procurador Hugo César Hoeschl, de Santa Catarina, que cita "estudos com reconhecimento internacional" que indicam "que a probabilidade de fraude na última eleição presidencial brasileira foi de 73,14%", mas não especifica que estudos são esses.
Diante da disseminação desse vídeo, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) publicou uma resposta em seu site na sexta-feira, dizendo não haver registro "de que o autor do vídeo tenha participado de qualquer evento de auditoria e transparência, a exemplo dos testes públicos de segurança realizados pelo TSE e da apresentação dos códigos-fonte".
Também afirmou que "há vinte e dois anos, as urnas eletrônicas têm sido utilizadas nas eleições brasileiras sem nenhuma comprovação efetiva de fraude. O resultado das Eleições Gerais de 2014 foi auditado de modo independente por iniciativa de partido político, sem que qualquer irregularidade fosse identificada". A BBC News Brasil tentou contato com os donos do canal Brasil Paralelo e com o procurador, mas não obteve respostas.
Para continuar lendo a matéria de Juliana Gragnani da BBC News Brasil, clique aqui.

sábado, 6 de outubro de 2018

HÁ QUE SE RESISTIR AO RADICALISMO


Historiadora prevê que o Nordeste vai resistir 
ao fascismo nas urnas

Foto: Ricardo Stuckert

Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, a historiadora e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Patrícia Valim, afirmou que a onda de apoio ao candidato Jair Bolsonaro (PSL) encontrará uma forte resistência na região Nordeste.
O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, escolheu a Bahia para encerrar a campanha presidencial neste sábado (6), ao lado do favorito para ganhar o governo do estado ainda no primeiro turno, o governador Rui Costa (PT). 
Segundo Valim, é preciso diferenciar a expressão do lulismo na região Nordeste e em outras regiões do país. “Em alguns estados do Nordeste o Haddad é predominante. O lulismo no centro-sul e aqui são coisas diferentes. E o golpe produziu esse surgimento dessas lideranças fascistas, mas sobretudo no centro-sul, no Nordeste não. Acho que o Nordeste sabe o que é, porque sente na pele. A primeira região que sentiu os efeitos das medidas do governo Temer foi o Nordeste”.
De acordo com dados do Ibope, o candidato do PT ganha em sete dos nove estados da região. Ciro Gomes lidera a intenção de voto em seu estado, o Ceará. “As pesquisas têm mostrado que os candidatos do campo progressista, incluindo o Ciro, têm predominância, destaca”.
Valim afirma que as manifestações do dia 29 de setembro contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) contribuíram, por um lado, para que os apoiadores do candidato se empoderassem para responder ao seu modo, mas por outro, devem seguir pautando as eleições até o segundo turno. 
“O #EleNÃO é um movimento que foi muito forte no Nordeste. Aqui em Salvador, fizemos uma manifestação com 100 mil mulheres. Nacionalmente, foram mais de 3 milhões de mulheres. E somos mais da metade dos eleitores. Não há projeto que não passe pelas demandas do 29 de setembro”. 
Para a historiadora, a tarefa de ganhar as ruas passa pela capacidade de unidade dos setores democráticos e progressistas para derrotar o fascismo. “Eu acho que era preciso construir uma frente antifascista agora, no primeiro turno. Mas eu espero que na segunda-feira a gente possa ver Haddad, Ciro, Manuela, Boulos, todos juntos numa campanha bonita. A gente precisa ter uma frente boa e forte”.
(Fonte: Site Brasil de Fato, 06 de outubro de 2018)

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

O VALOR DO PROFESSOR


Salários altos, prestígio, apoio ao estudo: as lições dos países que tratam bem seus professores


Foto: Solstock/Getty Images 

No Vietnã, um professor é perguntado nos primeiros dias de trabalho sobre as metas que deseja alcançar na carreira. Quer trabalhar na linha de frente com as crianças e adolescentes? Almeja um cargo de gestão? Ou gosta mesmo de pesquisar e desenvolver técnicas e metodologias de ensino? A partir disso, professor e diretor da escola atuam em conjunto para estruturar a carreira de acordo essas preferências.
No Japão, bônus salariais, a possibilidade de acelerar promoções e a ideia de desafio tornam atrativo dar aulas nas escolas mais pobres do país. Na Estônia, a forte evolução salarial nos últimos anos e a autonomia para aplicar métodos criativos de ensino fazem da carreira de professor uma das mais cobiçadas.
Na Coreia do Sul, o alto status social dos professores combina estabilidade, bons salários e rigorosos requisitos de admissibilidade na carreira. Já na Finlândia, o salário não é dos mais altos quando comparado à média das demais profissões; mas o prestígio, sim.
O que esses cinco países têm em comum?
A contratação de professores é seletiva, a profissão é valorizada e, mais importante, a carreira é estimulante, o que atrai bons profissionais para as salas de aula. E esse foco na qualidade dos professores se reverteu em bons resultados no influente ranking Pisa, organizado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que avalia o desempenho de jovens de 15 anos em ciências, matemática e leitura em 75 países.
Nesses quesitos, o Brasil está longe de ser exemplo. Numa pesquisa da OCDE com 100 mil professores do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino médio (alunos de 11 a 16 anos), o Brasil aparece no topo de um ranking de violência em escolas.
Para ler a matéria completa de Nathalia Passarinho para a BBC News Brasil, clique aqui.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

BOLSONARO X HADDAD


Não existem dois extremos

Eugênio Magno


É forçar muito a barra vender para a população brasileira a ideia de que nestas eleições existe uma polarização entre a extrema direita e a extrema esquerda. Nada mais falacioso.
Na verdade, o que temos é a disputa entre um projeto que pretende recuperar conquistas sociais e recolocar a classe trabalhadora entre as prioridades de governo contra uma proposta de ampliação dos cortes das políticas sociais, em nome de uma ordem subjetiva e do capital. De um lado, a extrema direita, representada militarmente, inclusive, por um capitão que tem como vice um general. Do outro lado, um grupo político que já esteve no poder e que, ao longo de 14 anos de governo, jamais adotou qualquer agenda extremista.
 O PT, embora tachado pelas elites como partido radical, se comporta de forma bastante moderada, muito mais próximo da chamada centro esquerda. A escolha, portanto, não é entre dois extremos, mas entre um grupo cuja orientação é claramente radical e um campo democrático – com acento no social – que defende a soberania popular, o funcionamento republicano das instituições e o estado democrático de direito.
É importante que o eleitorado se dê conta do medo que está sendo imposto à população por uma fatia mínima da sociedade que controla a mídia e o capital e é formada pelos setores mais conservadores e atrasados do país.
A sensatez, o equilíbrio e o reposicionamento do Brasil entre os países mais importantes do mundo, assegurando dignidade aos mais pobres e garantias democráticas, não depende de nenhuma terceira via. Até porque essa maluquice de que “o Brasil poderá se tornar uma Venezuela ou Cuba” é uma estupidez. A grande imprensa tem que parar com essa orquestração desafinada e não esconder a real: o maior risco que corremos é de nos tornar uma Argentina, de Macri, se o país cair em mãos erradas e as reformas neoliberais se aprofundarem por aqui.
Recolocar o país nos trilhos do desenvolvimento e avançar nas reformas que garantam à população o direito a ter direitos, regule as relações comerciais, incentive a geração de trabalho e renda e salvaguarde a dignidade da vida humana é dever de Estado e obrigação dos governantes.
Haddad não representa nenhum risco à institucionalidade do país e, dentre os presidenciáveis, é o único com chances reais de fazer parar a força reacionária que semeia o ódio, tem promovido grande estrago nas relações humanas e sociais e pode levar o Brasil do caos às trevas.
Não acredito que pessoas de bem, com um mínimo de informação, cometerão o voto envergonhado, de cidadão acuado, refém do medo. Elas sabem que a pátria pode sangrar e que suas consciências irão gritar.
Diante do quadro eleitoral que se formou, quero crer que as lideranças mais sensatas do país terão lucidez suficiente para contribuir com Fernando Haddad para que ele possa ser bem-sucedido na repactuação da democracia e em seu projeto de retomada do desenvolvimento e crescimento econômico com justiça social.
Apesar do terrorismo de mercado e da ação nefasta das aves agourentas da mídia hegemônica e do reacionarismo da classe política conservadora, o bom senso prevalecerá.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

ESQUERDAS LATINO-AMERICANAS PRECISAM FAZER DEVER DE CASA


PT deveria realizar 'comissão da verdade' 
para examinar seus erros, 
diz Noam Chomsky


Considerado um dos mais importantes linguistas do mundo, o filósofo e ativista de esquerda americano Noam Chomsky afirma que o PT deveria estabelecer "uma espécie de comissão da verdade" para analisar os erros cometidos pelo partido.
"Eles tiveram tremendas oportunidades. Algumas foram usadas em benefício da população, outras foram perdidas. É preciso perguntar por que isso ocorreu, e fazer isso publicamente. E realizar reformas internas que impeçam que aconteça outra vez", considera Chomsky, em entrevista à BBC News Brasil.
Conhecido por seu forte ativismo de esquerda, Chomsky tem saído em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assinou manifesto a favor do petista e participou, na última sexta-feira, em São Paulo, de um seminário organizado por Celso Amorim, ex-ministro de Relações Exteriores de Lula, na Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT.
Para ler na íntegra a matéria de Júlia Dias Carneiro para a BBC, clique aqui.
(Fonte: BBC News Brasil)

TRAGÉDIA DO ENSINO É FABRICADA POR GRUPOS DE INTERESSE


Inventar o fracasso escolar e culpar a escola para impor reformas

(Imagem: GERJ)

Semana passada comentamos em Editorial três tragédias que caíram sobre nós nos últimos dias, trazendo dolorosas perdas para o Brasil e o seu povo: a aprovação, pelo STF, da terceirização irrestrita de todas as etapas do processo produtivo, que produzirá precarização radical do mundo do trabalho; a decisão do Supremo Tribunal Eleitoral, de desacatar tratados internacionais assinados pelo Brasil para cassar direitos políticos de Luiz Inácio Lula da Silva; e a destruição do acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, um crime de lesa-pátria contra a memória e a história do Brasil, e da humanidade.
Havia uma quarta tragédia em curso naqueles mesmos dias, essa na Educação Pública. Uma falsa ‘tragédia’, aliás, fabricada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), vinculado ao Ministério da Educação: a invenção de um fracasso escolar na educação brasileira. A decisão de elevar a nota de corte dos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB/Prova Brasil), produziu uma avaliação artificial da educação pública, totalmente descolada da realidade.
Veja-se a opinião de um ex-presidente do INEP, José Francisco Soares, professor da UFMG e membro do Conselho Nacional de Educação, dos mais entendidos em avaliação escolar: “as escolhas de pontos de corte que definiram os níveis produziram uma mudança drástica no diagnóstico da realidade educacional brasileira. Experiências consideradas exemplares até 2015 se tornaram fracassos com a nova metodologia. Por exemplo, a cidade de Sobral, que era considerada exemplo nacional, passou a ter apenas 13,4% dos alunos com aprendizado adequado em língua portuguesa, ao invés de 79,8 % em 2015. Na realidade não ocorreu nenhum desastre educacional nos últimos dois anos, mas apenas a introdução de uma forma equivocada de sintetizar os dados da Prova Brasil.”
Sugerimos a leitura de seu texto a respeito, com críticas à metodologia empregada para se chegar aos resultados do SAEB 2017, que mostrariam o tal ‘fracasso’ da escola.
Em síntese, ele defende a necessidade de “usar evidências empíricas em relação aos resultados educacionais (acesso, permanência na escola e aprendizado, assim como indicadores das condições das escolas)”, o que “exige a criação de consensos baseados em análises compartilhadas dos dados”. Não se trata de desconsiderar que “o sistema educacional brasileiro tem sérios problemas no aprendizado de seus estudantes, assim como de condições”, mas ele pondera que “uma mudança abrupta de metodologia não ajuda no debate.”
Concordamos com ele que “o governo federal deveria usar a oportunidade para não só corrigir o diagnóstico apresentado como também para iniciar um processo público de definição dos níveis de referência oficiais para a análise dos dados de aprendizado obtidos pela Prova Brasil.”
A respeito, Luiz Carlos de Freitas, da Unicamp, reconhecido pesquisador em avaliação escolar, escreveu: “O órgão (INEP) se defende dizendo que foi um grupo de especialistas que definiu as novas regras. Mas, de fato, a credibilidade do órgão que já vinha sendo desafiada pelos seus dirigentes, 
acabou. Não se faz uma mudança dessa sem um amplo debate. De fato, as divulgações do INEP sobre esta rodada do SAEB estão marcadas por um claro desejo de promover o caos para justificar apoio às reformas do governo Temer.” Nenhuma novidade, portanto.
Também Andressa Pellanda, coordenadora de políticas educacionais da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, recomenda cautela ao considerar os resultados do SAEB, pois não estão sendo consideradas as desigualdades regionais nem as condições de trabalho dos profissionais de educação e das escolas: “A culpa desse resultado acaba injustamente recaindo sobre o estudante que realizou a prova e do professor que ensinou aquele aluno”, pondera, em entrevista ao Portal EPSJV/Fiocruz. E completa: “Nós entendemos que a aprendizagem dos alunos só pode ser avaliada considerando as condições de oferta da educação. Não se pode comparar um aluno que está em zona urbana estruturada, que recebe financiamento para suas escolas, com um aluno que está em área rural, onde o número de profissionais da educação é escasso e os recursos são menores. As condições de partida desses dois são totalmente diferentes.”
Há sempre que perguntar: esse fracasso escolar inventado, a quem pode interessar? Não cabe aqui a ingenuidade. Já sabemos bem a quem serve essa narrativa.
Desqualificar a Educação Pública, seus sujeitos e suas práticas, é projeto já de longa duração de certo pensamento brasileiro, retomado, atualizado e praticado pelo ilegítimo governo Temer. A estratégia é evidente: culpar a escola pelo fracasso e impor as reformas de ensino por ele pretendidas (especialmente a Base Nacional Comum Curricular e a Reforma do Ensino Médio), sem discussão, e que atendem aos interesses daqueles que fazem da educação um grande negócio.
O fracasso não é da escola pública, tampouco de seus sujeitos: ela e eles são vítimas de todo e qualquer governo que não faz da educação pública prioridade política absoluta porque crucial para o desenvolvimento do País. É esse o fracasso a ser combatido.
Felizmente, em registro bem distinto, uma outra tragédia para a Educação foi evitada essa semana, e sobre a qual comentamos recentemente aqui: o Supremo Tribunal Federal decidiu no dia 12 de setembro que é a Escola o lugar de formação acadêmica sistematizada da infância e da juventude, definindo que as famílias não têm direito de ensinar a seus filhos exclusivamente em casa, a chamada educação domiciliar (ou homeschooling). Os juízes, com a triste exceção de Luiz Roberto Barroso, afirmaram ser necessária e obrigatória a frequência de crianças e jovens à escola, lugar de experiência importante para o acesso ao conhecimento sistematizado em ambiente que promova a sociabilidade entre estudantes, e deles com outras gerações. A Constituição, segundo o STF, estabelece que o dever de educar exige cooperação entre Estado e família, mas não dá aos pais o direito de retirar seus filhos da escola para educá-las exclusivamente no espaço privado da casa. Saiu derrotado por 9×1 o Juiz Barroso, que tem se esmerado, por sinal, em obedecer ditames da grande mídia e do empresariado. Importa destacar e comemorar esse placar tão expressivo: a instituição escola restou fortalecida em sua responsabilidade social de formação das pessoas. É esse lugar que precisa ser cada vez mais reconhecido e afirmado, com investimentos públicos que garantam as melhores condições para a realização de boas práticas educativas.
Defender a escola pública do fracasso inventado por um governo fracassado. Afirmar a escola como lugar de formação pública cidadã. Estão aí dois compromissos políticos inarredáveis. Para enfrentar fabricantes de tragédias.
(Fonte: Pensar a Educação em Pauta)

sábado, 15 de setembro de 2018

ANTÔNIO DAS MORTES NO CINEMA FALADO



Glauber radicaliza seu cinema alegórico em 
"O Dragão da maldade contra o Santo Guerreiro"

Como se fosse uma continuação de "Deus e o Diabo na Terra do Sol", o matador de cangaceiros Antônio das Mortes é contratado para mais uma empreitada pelas elites políticas e econômicas da época de Lampião, mas se converte quando entende que é o povo oprimido que se rebela através do último cangaceiro.
Narrado como um cordel e uma ópera, o filme aprofunda o modo de narrar alegórico do cineasta ao abordar episódios da história do Brasil e, em seguida, do Terceiro Mundo, como se verificou em filmes como "O Leão de Sete Cabeças", filmado na África, "Cabeças Cortadas", feito na Espanha,  e sobretudo "A Idade da Terra".
"O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro", filme de 1969 de Glauber Rocha, com Maurício do Valle, Odete Lara, Othon Bastos e Jofre Soares, é o programa do Cinema Falado, com Geraldo Veloso e convidados, da próxima terça-feira, 18 de setembro,  às 19h30, no MIS Cine Santa Tereza (praça Duque de Caxias, bairro Santa Tereza).


HADDAD E CIRO EMPATADOS


Segundo pesquisa Datafolha, divulgada no último dia 14, teremos Ciro e/ou Haddad contra Bolsonaro no segundo turno


(Foto: poder360.com.br)

SÃO PAULO (Reuters) - O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, segue na liderança da disputa pelo Palácio do Planalto, agora com 26 por cento, apontou pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, que também trouxe o candidato do PT, Fernando Haddad, empatado na segunda posição com 13 por cento.
O levantamento do instituto divulgado na segunda-feira mostrou o candidato do PSL com 24 por cento da preferência do eleitorado.
O candidato do PDT, Ciro Gomes, aparece logo atrás de Bolsonaro, com 13 por cento, mesmo patamar da sondagem de segunda-feira, e empatado com Haddad, que também soma 13 por cento, ante 9 por cento na pesquisa de segunda-feira.
Geraldo Alckmin (PSDB) aparece com 9 por cento, contra 10 por cento na pesquisa anterior, e Marina Silva (Rede) tem 8 por cento, ante 11 por cento.
Assim, Alckmin está tecnicamente empatado com Ciro e Haddad, no limite da margem de erro, que é de 2 pontos percentuais, e Marina tem empate técnico com o tucano.
Haddad foi anunciado na terça-feira como substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa.
Alvaro Dias (Podemos) tem 3 por cento, contra 4 por cento na pesquisa de segunda-feira, enquanto Henrique Meirelles (MDB) e João Amoêdo (Novo) mantiveram os 3 por cento que tinham na pesquisa anterior.
O Datafolha apontou que 13 por cento dos entrevistados declararam voto branco ou nulo e 6 por cento não souberam responder.
De acordo com a pesquisa, Bolsonaro segue como candidato mais rejeitado pelo eleitorado, com 44 por cento de rejeição, ante 43 por cento na pesquisa anterior.
Marina é a segunda mais rejeitada, com 30 por cento, ante 29 por cento, seguida de Haddad, que tem 26 por cento de rejeição, contra 22 por cento na pesquisa de segunda-feira. Alckmin é rejeitado por 25 por cento, contra 24 por cento na sondagem anterior, e Ciro tem 21 por cento de rejeição, contra 20 por cento.
Para continuar lendo a matéria de Eduardo Simões para agência Reuters Brasil, clique aqui.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

SOCORRO! FOGO!!!




Nota do Pensar a Educação, Pensar o Brasil sobre o incêndio 
no Museu Nacional


O Projeto Pensar a Educação, Pensar o Brasil (1822/2022), em sintonia e solidariedade com toda a comunidade científica brasileira, lamenta profundamente a tragédia anunciada ocorrida na noite de 02 de setembro de 2018, que levou à destruição do monumental acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, patrimônio histórico do povo brasileiro, construído e organizado por gerações e gerações de pessoas que a ele dedicaram suas vidas, desde sua criação há 200 anos, em 1818.
Perda irreparável para o Brasil, e para o mundo. Mais um crime de lesa-pátria contra a ciência e a educação brasileiras.
Muito da riqueza de nossa história até aqui, e também de nosso futuro como País, se foram no fogo. Fogo ateado pela incúria e pelo descaso do governo federal com as Universidades públicas e seu patrimônio científico e cultural.
Em um País que se encontra em processos de auto-destruição permanente, esse é mais um ato criminoso, que se segue a outros tantos cometidos contra a população e seus direitos.


É já um resultado perverso – e previsto – do congelamento imposto por esse governo ilegítimo a investimentos em áreas fundamentais para o desenvolvimento do País, como são a educação, a cultura, a ciência, a pesquisa e a tecnologia. Por inacreditáveis 20 anos! O que mais sucederá conosco até lá, se essa política de ‘austeridade’ continuar? 200 anos de trabalhos destruídos em quatro horas. As consequências são tantas e tão dolorosas, que se tornam mesmo indizíveis.
Como Projeto que se ocupa da história, do presente e do futuro do país, o PEPB considera essa tragédia um ato criminoso. Já eram do conhecimento do governo federal todas as precárias condições em que se encontrava o Museu Nacional. Sua destruição poderia ter sido evitada. Mas não se importaram com os inúmeros gritos de socorro vindos do Museu. Sequer compareceram às celebrações de seus 200 anos, em junho passado.
O Museu Nacional é da UFRJ. Como todas as universidades federais, ela também teve seu orçamento reduzido nos últimos anos. A verba para o Museu vem caindo desde 2013, chegando a um valor irrisório para este ano. Até “vaquinha” pública estava sendo feita para a população ajudar em sua manutenção. Vergonha nacional.
Agora, cabe perguntar: quantos museus mais precisarão ir à ruína para que se valorize a preservação de nosso passado, condição para a construção de nosso futuro?
A luta pela memória e pela história de nosso povo sofreu um grande golpe, ontem.
Mas, é tempo de reunir forças para seguir adiante, e colocar novamente o Museu Nacional de pé.
Essa luta para trazê-lo de volta é a maior homenagem que podemos prestar àqueles e àquelas que o fizeram ser a maior entidade científica do País.

Pensar a Educação, Pensar o Brasil
Belo Horizonte, 03 de setembro de 2018

(Fonte: Boletim Pensar a Educação em Pauta, Ano 6, Nº 212, 6 de setembro de 2018)

FUTEBOL, POLÍTICA E RELIGIÃO NÃO SE DISCUTE (???)


Se somos sujeitos históricos, conscientes de nosso lugar social, 
essa não é hora de nos calarmos

A alienação que o dito popular "futebol, política e religião não se discute" produz ao longo do tempo é inenarrável. Misturaram esporte competitivo com credo, fé - coisa do transcendente, com o imanente, atividade que em última instância define nossas vidas, em vários aspectos, com o estúpido propósito de nos deixar na escuridão da ignorância. Em tempos de polarização política e ideológica, reproduzo aqui o texto abaixo, que circula nas redes sociais e é atribuído a Luís Fernando Veríssimo.

Não acabo amizade por causa de política


Luís Fernando Veríssimo


Não acabo amizade por causa de política.

Se você concorda que os portugueses não pisaram na África e que os próprios negros enviaram seus irmãos para nos servir, acabo a amizade pelo desconhecimento da História.

Se você concorda que de 170 projetos, apenas 2 aprovados, é o mesmo que 500, acabo a amizade por causa da Matemática.

Se você concorda que o alto índice de mortalidade infantil tem a ver com o número de nascimentos prematuros, acabo a amizade por causa da Ciência.

Se você concorda que é só ter carta branca para que a PM e a Civil matem quem julgarem merecer, acabo a amizade por causa do Direito.

Se você concorda que não há evidências de uso indevido do dinheiro público, mas acha que é mito quem usa apartamento funcional "pra comer gente", acabo a amizade pela Moral.

Se você concorda que Carlos Brilhante Ustra não foi torturador e que merece ter suas práticas exaltadas, acabo a amizade por falta de Caráter.

Se você concorda que o Bolsonaro participou, aos 16 anos, da perseguição ao Lamarca, acabo a amizade por falta de Verossimilhança.

Se você concorda que não temos dívida social com um povo que foi arrancado do seu mundo pra servir a outro e que diferenças de tratamento étnico-racial é historinha, acabo a amizade por Racismo.

Se você concorda que as mulheres devem ganhar menos por gerar vidas e que são frutos de fraquejadas, merecendo serem estupradas ou não, de acordo com a sua aparência, acabo a amizade por Misoginia.

Se você concorda que não há possibilidade das pessoas viverem sua sexualidade livremente, com direitos e deveres como qualquer cidadão ou cidadã, mas que devam apanhar para aprender o que é certo, acabo a amizade por Homofobia.

Como vocês podem ver, não acabo a amizade por causa de política.

Acabo pela ignorância, truculência e pelo desrespeito que acompanha quem diz que não se acaba amizade por causa de política.

O fascismo não se discute, se combate.

(Fonte: Divulgado nas Redes Sociais)

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

CANTORA CHILENA EM MATEUS LEME


Cecília Concha-Laborde 
na Casa de Cultura Cássia Afonso Almeida



A cantora e instrumentista chilena Cecília Concha-Laborde é mais uma atração internacional do Circuito de Música Dércio Marques, o Dandô, que chega neste mês na Casa de Cássia, em Mateus Leme. Ela se apresenta neste sábado, 8 de setembro,  a partir das 17 horas. O Dandô acontece em várias cidades do Brasil, por onde passam artistas de diversas regiões da América Latina, sendo recebidos por artistas locais. Cecília Concha-Laborde será recebida pelo músico mateus-lemense D'Fernandes.
A contribuição mínima custa R$ 10,00 e a Casa de Cássia fica na rua Meyer, 105, bairro Vila Suzana, telefones: (31) 3535-1721 e 99622-1090.

PROGRAMAÇÃO DE SETEMBRO DO CURTA DEGUSTAÇÃO


Cinema na hora de almoço

Às terças-feiras, antes ou depois do almoço, meia hora de filmes de curta-metragem para sua recreação e reflexão. Antigos e modernos, brasileiros e estrangeiros, de ficção, documentários, de animação e experimentais.

11/9/2018 - 13h
Dos Amores que o Vento Levou
Ni Resende. Brasil, 2014, documentário, cor, 19 min.
Três mulheres contam suas histórias de amor e como a vida mudou após a
partida de seus companheiros.
Deus
André Miranda, com Andrade Júnior. Brasil, 2011, ficção, cor, 12 min.
Um frango precisou morrer para entender o sentido da vida.

18/9/2018 - 13h
Praça Walt Disney
Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira. Brasil, 2011, documentário, cor, 22 min.
O cotidiano de uma praça localizada no bairro de Boa Viagem, no Recife.
Dois Pássaros (Two Birds)
Fábio Andrade, com Lucy Kaminsky e Alexandra Viter Arturo.
Brasil/Índia/EUA, 2016, ficção, cor, 8 min.
Após anos sem se verem, duas ex-colegas de quarto passam um dia do inverno
num apartamento em Nova York, que é invadido pelo passado, pelo presente e
pelo mundo exterior.

25/9/2018 - 13h
Pouco Mais de um Mês
André Novais e Arnore Oliveira, com André Novais Oliveira e Elida Silpe.
Brasil, 2013, ficção/documentário, cor, 24 min.
André e Élida namoram há pouco tempo na vida real. Aos poucos, fica
evidente o estranhamento ainda presente na relação dos dois e as
inseguranças e receios típicos do início de um relacionamento.
Le Déserteur (O desertor)
Olivier Coulon, Aude Dauset, Paolo De Lucia, Ludovic Savonnière. França,
2001, anim., cor, 8 min.
Um homem se nega a participar da guerra e prepara seu canário para lhe
trazer as notícias do mundo exterior.

O Curta Degustação é um projeto do Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais e do Instituto Humberto Mauro, com apoio do jornal O Tempo, rádio Super, e Contorno Áudio & Vídeo. As sessões de cinema acontecem na Avenida Augusto de Lima, 270 - Centro - Belo Horizonte e a Classificação indicativa é de 14 anos.
Maiores informações pelos telefones:  (31)3237-3497/ (31)99247-6574 / (31)98432-0924 ou pelos e-mails:  cecmg1951@gmail.com e institutohumbertomauro@gmail.com.

sábado, 1 de setembro de 2018

TODO O MUNDO CIVILIZADO COMENTA PERSEGUIÇÃO A LULA


Jornalista Douglas Herbert analisa 
perseguição a Lula: 
"Há uma parte enraizada que quer 
impedi-lo de concorrer"

O comentarista de Relações Internacionais, Douglas Herbert, analisou a perseguição política que Luís Inácio Lula da Silva vem sofrendo no Brasil no Canal France 24. Confira o comentário do jornalista no vídeo abaixo:




terça-feira, 28 de agosto de 2018

INVASÃO E MORTE EM TERRAS INDÍGENAS


Morte de cacique no Maranhão é novo capítulo de invasões na região, segundo indígenas

Foto: APIB Comunicação

Um toque de recolher à noite ao qual apenas índios que vivem no entorno da cidade de Arame, no Maranhão, precisam respeitar. Uma terra indígena cuja área tem quase três vezes o tamanho do município de São Paulo. Madeireiros querendo desmatar parte dos 413.000 hectares desse território protegido. E caçadores em motocicletas agindo nesse espaço onde a caça para fins comerciais é proibida. Nesse caldeirão em intensa ebulição, a morte do cacique Jorge Guajajara, que era um dos líderes no combate a esses invasores chama a atenção.
As primeiras investigações, da Polícia Civil, apontaram que Jorginho, como era conhecido, de 56 anos, líder da aldeia Cocalinho I, na Terra Indígena Araribóia, morreu afogado no Rio Zutiwa acidentalmente. Seu corpo foi encontrado no dia 11 ao lado de uma ponte que divide os municípios de Buriticupu e Arame. Quem o conhecia, contudo, não acredita na versão da polícia do Estado, e diz que ele foi assassinado por “não-indígenas”, que estão prontos para “caçarem” os índios. “O Jorginho estava perambulando à noite em um horário em que não podemos andar. Ele saiu para tomar cachaça. Deu bobeira e acabou morto igual a um tatu. Foi caçado”, disse ao EL PAÍS outra liderança local, Vitorino Guajajara. Ambos levam o sobrenome de uma das duas etnias que vivem na terra, a outra é a Awá Guajá. 
Para continuar lendo a matéria de Afonso Benites para o El país, clique aqui.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

PSIU! SE LIGUE NA POÉTICA E NA POLÍTICA


Inscrições para o 32º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético encerram dia 25 de agosto 


O Salão Nacional de Poesia Psiu Poético é um evento de arte contemporânea, que tem na literatura e na arte poética o pilar central das ações de democratização cultural, além de elementos de outras expressões artísticas, como a música, o cinema e artes plásticas. 
O Psiu Poético é realizado há 31 anos de forma ininterrupta. Ao londo deste tempo, um dos idealizadores do evento, o poeta João Aroldo Pereira, torno-se referência nacional no fomento e na valorização da literatura brasileira. 

Aroldo Pereira

Nas mais de três décadas, o salão faz parte do calendário cultural de Montes Claros e região Norte de Minas Gerais. Influenciou gerações, firmando-se como um projeto de resistência cultural, responsável diretamente pela formação de diversos escritores, poetas e artistas. 
Pessoas como Gilberto Gil, Arnaldo Antunes, Adélia Prado, Thiago de Mello, Jorge Mautner, entre outras de renome, já participaram de edições anteriores do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético. Na 32ª edição, o Psiu Poético continua a integração cultural, na poesia a principal referência, juntando elementos e outras expressões artísticas, como a música, o cinema e as artes plásticas. 
O Salão Nacional de Poesia Psiu Poético encontrou em Montes Claros, cidade pólo da região Norte de Minas Gerais, um terreno fértil. A cidade conta com a Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), o Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez, a Academia Montes-Clarense de Letras, o Centro de Educação e Cultura Hermes de Paula, o Grupo de Literatura e Teatro Transa Poética (a partir do qual nasceu o projeto do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético), a Associação dos Repentistas e Poetas Populares do Norte-de-Minas, o Grupo de Seresta João Chaves e o Grupo Internacional de Folclore Banzé. 
Montes Claros é terra de grandes expressões culturais, essenciais na história intelectual e artística do país, como Beto Guedes, Cyro dos Anjos, Darcy Ribeiro, o crítico literário João Luiz Lafetá, os artistas plásticos Konstantin Christoff e Raimundo Colares, entre outros importantes nomes no cinema, na música e na poesia. 
Nesta edição o Psiu homenageia os poetas Bruno Candéas, Gabriela Nunes, Míria Mendes de Souza, Patrícia Porto, Rita Santana e Sóter.
O Psiu Poético estimula e incentiva a leitura, reforça o diálogo da literatura com as outras artes, além de ser um importante espaço de democratização cultural e formação de público. Faça sua inscrição até 25 de agosto e participe do 32º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético Mákina, de 04 a 12 de outubro de 2018. Conheça o regulamento.

CONFERÊNCIA DISCUTE CONCEITOS DE EDUCOMUNICAÇÃO


Educomunicação e transmediação 

como práticas de comunicação



"Educomunicação, transleitura e processos de mediação" é o tema da 5° conferência do XII Seminário Anual do Pensar a Educação Pensar o Brasil: Mídias, Educação e Espaço Público.
Na próxima quinta-feira, dia 30, o professor Maurício Guilherme da Uni-BH vai  apresentar e debater conceitos pontuais de educomunicação na mídia, nos espaços de ensino e nas instâncias de relações sociais. A conferência também tem o objetivo de problematizar as (trans)mediações possíveis a partir do investimento em mecanismos dialógicos de partilhamento de informações e saberes.
Maurício Guilherme da Silva Júnior, é graduado em Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade Federal de Minas Gerais, mestre e doutor em Estudos Literários e pós-doutor pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação Social também pela UFMG. É professor dos cursos de Jornalismo e Moda no Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), e de Jornalismo e Publicidade no Centro Universitário da Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte.
A conferência será no dia 30 de agosto, às 19 horas no Auditório Neidson Rodrigues da Faculdade de Educação da UFMG - Campus Pampulha, na avenida Antônio Carlos, 6627 e terá transmissão ao vivo pelo canal do Projeto Pensar a Educação Pensar o Brasil no YouTube.