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domingo, 1 de setembro de 2019

A QUESTÃO AMAZÔNICA


Por que a Floresta Amazônica pode se tornar foco de crise entre Bolsonaro e a Igreja Católica

(Foto: Tomassereda / Getty Images)

No último domingo (25), o papa Francisco falou sobre os incêndios na Amazônia, antes de rezar o Angelus com os fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano. "Estamos todos preocupados com os grandes incêndios que se desenvolveram na Amazônia. Oremos para que, com o empenho de todos, sejam controlados o quanto antes. Aquele pulmão de florestas é vital para o nosso planeta", disse o chefe máximo da Igreja Católica.
O discurso do papa tocou em um assunto que é motivo de preocupações a 8.901 quilômetros dali, no Palácio do Planalto, em Brasília. A repercussão internacional das queimadas ao longo da semana passada reavivou no governo de Jair Bolsonaro (PSL) a preocupação com possíveis críticas ao governo brasileiro no Sínodo da Amazônia.
Trata-se de uma reunião de bispos dos países da região amazônica com o papa Francisco para discutir a atuação da Igreja Católica na área.
Para continuar lendo a matéria de André Shalders e João Fellet da BBC News Brasil em São Paulo, clique aqui.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A HORA DE DIZER A VERDADE


Padre de Maringá volta a se manifestar: “devemos apoiar um Judiciário que não seja parcial”



Padre Leomar Antonio Montagna, de Maringá, cidade de Sergio Moro, voltou a usar o Facebook para explicar por que decidiu se manifestar sobre o o ato de apoio ao juiz, realizado por uma pequena parcela da população. “Quanto aos grupos de ideologias diferentes, penso que é um direito de todos se manifestarem, mas considero se quisermos ver a justiça florescer, esta não poderá ser partidária: investigar e julgar com todo rigor só um lado e absolver e nem sequer investigar o outro lado, senão as estruturas da corrupção continuarão proeminentes, seria como quebrar o termômetro para eliminar a febre”, escreveu. Ele disse que conversou com o bispo da cidade, para explicar suas razões. Algumas pessoas se sentiram ofendidas e reclamaram ao bispo, por conta da expressão que usou: “patos idiotas”.
“Usei uma linguagem coloquial, própria das redes sociais, jamais desmerecendo as pessoas que se manifestaram, me ative ao debate de ideias, usei a palavra mentalidade, isto é, discordo da mentalidade de como muitas pessoas encaram essas manifestações, mas não duvido das retas intenções de algumas pessoas que lá estiveram, neste sentido peço humildemente desculpas se ofendi alguém. O intuito é de sempre colaborar e somar forças para promover a justiça social. Dialoguei com meu bispo Dom Anuar Battisti, no sentido de seguir e ser sempre fiel às orientações da Igreja, mas que dentro do meu livre direito à manifestação, mantenho o meu pensamento de que devemos ser contra a qualquer tipo de corrupção, apoiar um judiciário que não seja parcial e lutar por cidadania e dignidade das pessoas.”
Abaixo, a nota do padre:
QUESTÕES POLÍTICAS
Quanto a postagem que fiz em 14/01/18, sobre as manifestações políticas em Maringá, devido à grande repercussão, venho aqui fazer alguns esclarecimentos:
1) O campo da Política partidária é próprio dos leigos. O altar do leigo são as realidades temporais, ali ele deve fazer Jesus acontecer, isto é, fazer acontecer os valores do reino pregado por Jesus: “Os fiéis leigos são ao mesmo tempo cristãos e cidadãos. São Igreja fazendo o mundo e são cidadãos do mundo que edificam a Igreja (Documento de Puebla, 786). Para todos os cristãos, é urgente buscar a união entre fé e vida, isto é, fidelidade a Cristo, tanto na vida quotidiana, quanto nas relações sociais e na participação política. Um dos erros mais graves de nosso tempo é a falta de coerência, ou seja, o divórcio entre fé e ação social-política dos cristãos: “Ao negligenciar os seus deveres temporais, o cristão negligencia os seus deveres para o próximo e o próprio Deus e coloca em perigo a sua salvação eterna” (Gaudium et Spes, 43).
2) Quanto aos grupos de ideologias diferentes, penso que é um direito de todos se manifestarem, mas considero se quisermos ver a justiça florescer, esta não poderá ser partidária: investigar e julgar com todo rigor só um lado e absolver e nem sequer investigar o outro lado, senão as estruturas da corrupção continuarão proeminentes, seria como quebrar o termômetro para eliminar a febre.
3) Política é exercer o poder em vista do bem comum, portanto, quem governa não pode governar para interesses particulares e muito menos praticar a corrupção. Se queremos um Brasil passado à limpo não podemos selecionar somente uma parte da denúncia contra a corrupção e nos calar diante de outros grupos e pessoas.
4) Sabemos que hoje há grupos políticos com enormes redes de computadores para fabricar falsos perfis (fakes) nas redes sociais, pagando algumas pessoas que administram e controlam esses fakes, então diante de algumas postagens que vão contra seus interesses, disparam enormes quantidade de mensagens para deturpar ou desmoralizar o conteúdo ou a pessoa que enviou tal conteúdo, assim dão a impressão que estão certos e possuem a verdade da situação.
5) Quanto ao post citado acima, usei uma linguagem coloquial, própria das redes sociais, jamais desmerecendo as pessoas que se manifestaram, me ative ao debate de ideias, usei a palavra mentalidade, isto é, discordo da mentalidade de como muitas pessoas encaram essas manifestações, mas não duvido das retas intenções de algumas pessoas que lá estiveram, neste sentido peço humildemente desculpas se ofendi alguém. O intuito é de sempre colaborar e somar forças para promover a justiça social. Dialoguei com meu bispo Dom Anuar Battisti, no sentido de seguir e ser sempre fiel às orientações da Igreja, mas que dentro do meu livre direito à manifestação, mantenho o meu pensamento de que devemos ser contra a qualquer tipo de corrupção, apoiar um judiciário que não seja parcial e lutar por cidadania e dignidade das pessoas.

Encerro este post dizendo que temos que nos mobilizar em vista de um projeto para o Brasil do futuro: “socialmente justo; economicamente forte; ambientalmente sustentável; democraticamente estável e eticamente respeitável”.
Que Deus nos ajude nestes objetivos e que com sua graça e sabedoria vençamos todo mal que nos aflige e assola nosso país.

Pe. Leomar Antonio Montagna
Maringá – PR

(Fonte: Site DCM)

terça-feira, 11 de abril de 2017

A FÉ E O MISTÉRIO DE CRISTO


O significado místico da Páscoa

A tela “Ressurreição”, pintada em 1515 pelo alemão Mathias Grunewald, (1470-1528), precursor do expressionismo e um dos maiores pintores germânicos do gótico tardio, revela o momento de ascensão do Nazareno, após sua morte.

A ressurreição de Jesus é celebrada de diferentes modos ao redor do mundo. Na Bélgica e na França, os sinos não são tocados entre a Sexta-Feira da Paixão e o Domingo de Páscoa, por causa de uma lenda que diz que eles (os sinos) voam até Roma e quando voltam deixam cair ovos para todos. As crianças belgas produzem ninhos de palha, na esperança de que o coelho deixe muitos ovos.
Na Bulgária, após a missa da Quinta-Feira Santa, pintam-se ovos cozidos e fazem-se pães pascais, os “kolache” ou “kozunak”. Os pães e os ovos são abençoados. Cada um da família pega um ovo e bate nos ovos dos outros; aquele que ficar com o ovo inteiro terá sorte durante o ano.
Os hindus fazem o festival Holi para relembrar o surgimento do deus Krishna. Nessa época, a população dança, toca flautas e faz comidas especiais para receber os amigos. É comum que o dono da casa marque a testa dos convidados com um pó colorido.

Para continuar a ler a matéria de Ana Elizabeth Diniz, publicada no Jornal O Tempo, de 11.04.2017, clique aqui.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

AS REFORMAS DO PAPA FRANCISCO


As 24 virtudes necessárias para voltar ao essencial na Igreja

Das "doenças curiais" às "virtudes necessárias". Francisco se encontra com os chefes de dicastério para os votos de Natal e faz uma referência indireta ao Vatileaks 2: a reforma seguirá em frente com determinação. Os escândalos não podem esconder "a eficiência dos serviços que a Cúria Romana, com dedicação, presta ao papa e a toda a Igreja". É preciso "voltar ao essencial": no catálogo das características exigidas daqueles que prestam serviço do outro lado do Rio Tibre, estão a exemplaridade, a fidelidade, a honestidade, a maturidade, a humildade, a confiabilidade e a sobriedade.
A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, com informações de Stefania Falasca, do jornal Avvenire, 21-12-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
"A reforma seguirá em frente com vigor, lucidez e determinação." Mas os escândalos não poderão ofuscar a importância do trabalho que a Cúria Romana, "com dedicação, presta ao papa e a toda a Igreja". Francisco disse isso na manhã de hoje, no tradicional discurso para os votos de Natal à Cúria, na Sala Clementina.
Bergoglio, que no ano passado tinha pronunciado um forte discurso, listando as "doenças" que podem afetar "todo cristão, Cúria, comunidade, congregação, paróquia e movimento eclesial" e que "requerem prevenção, vigilância, cuidado e, infelizmente, em alguns casos, intervenções dolorosas e prolongadas", neste ano ofereceu um catálogo positivo das virtudes necessárias para aqueles que trabalham na Cúria.
No seu discurso, o papa lembrou que algumas das doenças denunciadas em dezembro de 2014 "se manifestaram durante este ano, causando muita dor em todo o corpo e ferindo muitas almas". Uma referência que inclui o casoVatileaks, mas também outros fatos.
"Parece necessário afirmar que isso foi e sempre será – garante Francisco – objeto de sincera reflexão e decisivos procedimentos. A reforma seguirá em frente com determinação, lucidez e resolução, porque Ecclesia semper reformanda".
No entanto, especifica o pontífice, "até mesmo os escândalos não poderão esconder a eficiência dos serviços que aCúria Romana, com esforço, com responsabilidade, com empenho e dedicação presta ao papa e a toda a Igreja, e isso é uma verdadeira consolação".
Por isso, explica, "seria uma grande injustiça não expressar uma profunda gratidão e um necessário encorajamento a todas as pessoas sãs e honestas que trabalham com dedicação, devoção, fidelidade e profissionalidade".
Francisco ressalta que "as resistências, as fadigas e as quedas" também são "ocasiões de crescimento e nunca de desencorajamento", uma oportunidade para "voltar ao essencial", ou seja, para "fazer as contas com a consciência que temos de nós mesmos, de Deus, do próximo, do sensus Ecclesiae e do sensus fidei".
Portanto, no Ano da Misericórdia, o papa propõe um "subsídio prático", um "catálogo das virtudes necessárias" para quem "presta serviço na Cúria" e para todos aqueles que querem "tornar fértil o seu serviço à Igreja", convidando os chefes de dicastério "a enriquecer e a completá-lo". É uma ''análise acróstica" da palavra "m-i-s-e-r-i-c-ó-r-d-i-a", "como fazia Matteo Ricci na China".
O "catálogo das virtudes" se articula, assim, em torno das 12 letras que a compõem:
  • Missionariedade e pastoralidade
  • Idoneidade e sagacidade
  • Spiritualità [espiritualidade] e humanidade
  • Exemplaridade e fidelidade
  • Racionalidade e amabilidade
  • Inocuidade e determinação
  • Caridade e verdade
  • Onestà [honestidade] e maturidade
  • Respeitabilidade e humildade
  • Diviciosidade e atenção
  • Impavidez e prontidão
  • Affidabilità [confiabilidade] e sobriedade
Missionariedade e pastoralidade
A missionariedade "é o que torna e mostra a Cúria fértil e fecunda", enquanto "a pastoralidade sã é uma virtude indispensável especialmente para todo sacerdote", e "a medida da nossa atividade curial e sacerdotal". E "sem essas duas asas – diz o papa – nunca poderemos voar, nem mesmo alcançar a bem-aventurança do 'servo fiel'".
Idoneidade e sagacidade
A primeira "requer o esforço pessoal de adquirir os requisitos" para "exercer da melhor forma possível as próprias tarefas e atividades, com o intelecto e a intuição". E "é contra as recomendações e os subornos". A sagacidade é "a prontidão de espírito para enfrentar as situações com sabedoria e criatividade". Idoneidade e sagacidade representam "o comportamento do discípulo que se volta ao Senhor todos os dias".
Spiritualità [espiritualidade] e humanidade
A espiritualidade é "a espinha dorsal de qualquer serviço na Igreja e na vida cristã". A humanidade é "aquilo que encarna a veridicidade da nossa fé", aquilo "que nos torna diferentes das máquinas e dos robôs que não sentem e não se comovem. Quando nos é difícil chorar seriamente ou rir apaixonadamente, então começou o nosso declínio e o nosso processo de transformação de 'homens' em outra coisa qualquer". Espiritualidade e humanidade devem ser realizadas inteiramente, continuamente, diariamente.
Exemplaridade e fidelidade
Exemplaridade "para evitar os escândalos que ferem as almas e ameaçam a credibilidade do nosso testemunho". Fidelidade à "nossa consagração, à nossa vocação". Aqui, o papa cita as terríveis palavras de Jesus sobre quem escandaliza os pequenos: seria melhor para ele se jogasse nos abismos. "Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é desonesto no pouco também é desonesto no muito (Lc 16, 10)", e "quem escandaliza mesmo que um só destes pequeninos que creem em mim, seria melhor para ele que lhe fosse suspensa no pescoço uma pedra de um moinho e fosse jogado nos abismos do mar" (Mt 18, 6-7)".
Racionalidade e amabilidade
A primeira "serve para evitar os excessos emotivos"; a segunda, "para evitar os excessos da burocracia e das programações e planejamentos". Todo excesso, observa Francisco, "é índice de algum desequilíbrio".
Inocuidade e determinação
A inocuidade "nos torna cautos no juízo, capazes de nos abster de ações impulsivas e apressadas". A determinação é "agir com vontade resoluta, com visão clara e com obediência a Deus" e só pela lei suprema da salvação das almas.
Caridade e verdade
"Duas virtudes indissolúveis da existência cristã, a tal ponto que a caridade sem verdade se torna ideologia do bonismo destrutivo, e a verdade sem caridade se torna judiciarismo cego."
Onestà [honestidade] e maturidade
A honestidade é "a retidão, a coerência e o agir com sinceridade absoluta com nós mesmos e com Deus". Quem é honesto age retamente mesmo quando não há supervisores ou superiores. "O honesto não teme ser surpreendido, porque não engana nunca quem confia nele." E "nunca domina sobre as pessoas ou sobre as coisas que lhe foram confiadas". Enquanto a maturidade é "a busca de alcançar a harmonia entre as nossas capacidades físicas, psíquicas e espirituais".
Respeitabilidade e humildade
A primeira é dom das pessoas que "buscam sempre demonstrar respeito autêntico aos outros, ao próprio papel, aos superiores e aos subordinados, às práticas, aos papéis, ao sigilo e à confidencialidade". A humildade é a virtude "das pessoas cheias de Deus que, quanto mais crescem em importância, mais cresce nelas a consciência de não serem nada e de não poderem fazer nada sem a graça de Deus".
Diviciosidade [doviziosità] e atenção
Assumindo mais um "neologismo", explica o papa, é inútil "abrir todas as portas santas de todas as basílicas do mundo se a porta do nosso coração está fechada ao amor, se as nossas mãos estão fechadas para dar, se as nossas casas estão fechadas para o hospedar e se as nossas igrejas estão fechadas para acolher. A atenção é cuidar dos detalhes e oferecer o melhor de nós e nunca baixar a guarda sobre os nossos vícios e falhas".
Impavidez e prontidão
Isto é, "não se deixar assustar diante das dificuldades" e "agir com audácia e determinação e sem tepidez". A prontidão é "saber agir com liberdade e agilidade, sem se apegar às coisas materiais temporárias", sem nunca "se deixar pesar acumulando coisas inúteis e fechando-se nos próprios projetos, e sem se deixar dominar pela ambição".
Affidabilità [confiabilidade] e simplicidade
Confiável é "aquele que sabe manter os compromissos com seriedade e fidedignidade quando é observado, mas sobretudo quando se encontra sozinho" e "nunca trai a confiança que lhe foi concedida". A sobriedade é "a capacidade de renunciar ao supérfluo e resistir à lógica consumista dominante". É "olhar o mundo com os olhos de Deus e com o olhar dos pobres e ao lado dos pobres". Sóbria "é uma pessoa essencial em tudo, porque sabe reduzir, recuperar, reciclar, reparar e viver com o sentido da medida".
Francisco concluiu o seu discurso pedindo que seja a "misericórdia que guie os nossos passos, que inspire as nossas reformas, que ilumine as nossas decisões". Que seja ela que "nos ensine quando devemos seguir em frente e quando devemos dar um passo para trás".
E citou uma oração dedicada ao Bem-aventurado Óscar Romero pelo cardeal estadunidense Dearden: "De vez em quando, ajuda-nos dar um passo atrás e ver de longe... Somos operários, não mestres de obras, servidores, não messias".
(Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos)

sábado, 27 de junho de 2015

TEMOS QUE CUIDAR DA NOSSA CASA COMUM


Papa Francisco: Igreja em saída de onde para onde?

Leonardo Boff


Celebrando ainda a extraordinária encíclica sobre "o cuidado da Casa Comum", voltamos a refletir uma perspectiva importante do Papa Francisco, um verdadeiro logotipo de sua compreensão de Igreja: "uma Igreja em saída".  
Essa formulação encerra uma velada crítica ao modelo anterior de Igreja que era uma Igreja "sem saída" devido aos diversos escândalos de ordem moral e financeira, o que forçou o Papa Bento XVI a renunciar, uma Igreja que perdeu seu melhor capital: a moralidade e a credibilidade dos cristãos e do mundo secular.
Mas o logotipo "Igreja em saída" possui um significado mais profundo, tornado  possível porque veio de um Papa fora dos quadros institucionais da velha e cansada cristandade européia. Esta havia encerrado a Igreja dentro de uma compreensão que a tornava praticamente inaceitável pelos modernos, refém de tradições fossilizadas e com uma mensagem que não mordia os problemas dos cristãos e do mundo atual. A “Igreja em saída” quer marcar uma ruptura com aquele estado de coisas. Esse palavra “ruptura” irrita os representantes do establishment eclesiástico. Mas nem por isso deixa de ser verdadeira. E então se coloca a pergunta: “saída" de onde para onde? Vejamos alguns passos:

- Saída de uma Igreja-fortaleza que protegia os fiéis contra as liberdades modernas para uma Igreja-hospital de campanha que atende a toda pessoa que a procura, pouco importa seu estado moral ou ideológico.
- Saída de uma Igreja-instituição absolutista, centrada em si mesma para uma Igreja-movimento, aberta ao diálogo universal, com outras Igrejas, religiões e ideologias.
- Saída de uma Igreja-hierarquia, criadora de desigualdades para uma Igreja-povo de Deus, fazendo de todos irmãos e irmãs: uma imensa comunidade fraternal.
- Saída de uma Igreja-autoridade eclesiástica, distanciada dos fiéis ou até de costas a eles, para uma Igreja-pastor que anda no meio do povo, com cheiro de ovelha e misericordiosa.
- Saída de uma Igreja-Papa de todos os cristãos e bispos que governa com o rígido direito canônico para uma Igreja-bispo de Roma, que preside na caridade e só a partir daí se faz Papa da Igreja universal.        
- Saída de uma Igreja-mestra de doutrinas e normas para uma Igreja-de práticas surpreendentes e do encontro afetuoso com as pessoas para além de sua inscrição religiosa, moral ou ideológica. As periferias existenciais ganham centralidade.
- Saída de uma Igreja-de poder sagrado, das pompa e circunstância, dos palácios pontifícios e titulaturas de nobreza renascentista para uma Igreja-pobre e para os pobres, despojada de símbolos de honra, servidora e porta-voz profética contra o sistema de acumulação de dinheiro, o ídolo que produz sofrimento e miséria e mata as pessoas.
- Saída da Igreja-que fala dos pobres para uma Igreja-que vai aos pobres, conversa com eles, abraça-os e os defende.
- Saída de uma Igreja-equidistante dos sistemas polítcos e econômicos para uma Igreja-que toma partido em favor das vítimas e que chama pelo nome os produtores das injustiças e convida a Roma representantes dos movimentos sociais mundiais para discutir com eles como buscar alternativas.
- Saída de uma Igreja-automagnificadora e acrítica para uma Igreja-da verdade sobre si mesma contra cardeais, bispos e teólogos zelosos de seu status mas com cara de “vinagre ou de sexta-feira santa”, “tristes como se fossem ao próprio enterrro”, em fim, uma Igreja feita de pessoas humanas.
- Saída de uma Igreja-da ordem e do rigorismo para uma Igreja-da revolução da ternura, da misericórdia e do cuidado.
- Saída de uma Igreja-de devotos, como aqueles que aparecem nos programas televisivos, com padres artistas do mercado religioso, para uma Igreja-compromisso com a justiça social e com a libertação dos oprimidos.
- Saída de uma Igreja-obediência e da reverência para uma Igreja-alegria do evangelho e de esperança ainda para esse mundo.
- Saída de uma Igreja-sem o mundo que permitiu surgir um mundo sem Igreja para uma Igreja-mundo, sensível ao problema da ecologia e do futuro da Casa Comum, a mãe Terra.
         
Estas e outras saídas mostram que a Igreja não se reduz apenas a uma missão religiosa, acantonada numa parte privada da realidade. Ela possui além disso uma missão político-social no sentido maior desta palavra, como fonte de inspiração para as transformações necessárias que resgatem a humanidade para um tipo de civilização do amor e da compaixão, que seja menos individualista, materialista, cínica e destituída de solidariedade.
Esta Igreja-em-saída devolveu alegria e esperança aos cristãos e reconquistou o sentimento de ser um lar espiritual. Granjeou pela simplicidade, despojamento e acolhida no amor e na ternura, a estima de muitas pessoas de outras confissões ou de simples cidadãos do mundo e mesmo de chefes de Estado que admiram a figura e as práticas surpreendentes do Papa Francisco em favor da paz, do diálogo entre os povos e da renúncia a toda violência e a guerra.
Mais que doutrinas e dogmas é a Tradição de Jesus, feita de amor incondicional, de misericórdia e de compaixão que por ele se atualiza e revela sua inesgotável energia humanizadora. Pois, entre outras coisas, está é a mensagem central de Jesus, aceitável por todas as pessoas de todos os quadrantes.
(Fonte: Site Carta Maior)



quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

AS OPINIÕES DE UM MONGE CISTERCIENSE


Um judeu no mundo católico: conversa com Dom Bernardo


O abade do Mosteiro Trapista de Nossa Senhora de Novo Mundo, Dom Bernardo Bonowitz, em entrevista ao jornalista Rafael Guedes, discorre sobre questões tais como o Islamismo, sobre a "crise" da Igreja Católica no Brasil e no mundo, sobre a Teologia da Libertação na América Latina, sobre o monaquismo, sobre sua conversão e a realidade de suas raízes judaicas e ainda outros tópicos igualmente de muito interesse. Clique aqui e confira.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

IGREJA SE POSICIONA CONTRA O CAPITALISMO


Vaticano interage com movimento altermundialização


"Para sair da crise, é necessária uma autoridade política mundial que garanta a transparência dos mercados. A proposta apresentada nos últimos dias pelo discatério para as questões sociais do Vaticano, o Pontifício Conselho Justiça e Paz, foi quase que simultânea a ação global promovida pelo movimento dos indignados que tomou as ruas do mundo no dia 15 de outubro.
No documento, como visto anteriormente, a Santa Sé fez duros ataques aos efeitos devastadores da ideologia liberal e reafirma o primado da política sobre a economia. O mesmo que milhares de manifestantes ecoaram por centenas de cidades no mundo: Não, não pagaremos por sua crise ou dito ainda na consigna do Ocupa Wall Street: We are the 99%.
O documento do Vaticano retoma, atualiza e revela sintonia com o movimento altermundialização. Uma demonstração, como já destacado, de que a Igreja na área social está antenada com as mudanças em curso no capitalismo mundial e é sensível às demandas dos movimentos sociais.
A proposta e reivindicação da necessidade de um controle maior sobre o mercado financeiro foi colocado na agenda mundial a partir do surgimento do movimento antiglobalização no final dos anos 1990. Contribuiram decisavamente para a emergência dessa bandeira os eventos de Seattle (dezembro de 1999), Fórum Social Mundial (janeiro de 2001) e Gênova (julho de 2001).
Foi em Seattle (1999), na 1º edição do Fórum Social Mundial de Porto Alegre (2001) e nos protestos antiglobalização em Gênova em julho de 2001, por ocasião da Cúpula do G-8 na cidade italiana, que repercutiram mundialmente a ideia de se impor limites à voracidade das corporações do capital produtivo e financeiro.
A proposta original, entretanto, de se estabelecer controle sobre o capital financeiro, partiu da Associação pela Tributação das Transações Financeiras para ajuda aos Cidadãos - Attac, fundada na França em dezembro de 1998 após a publicação no Le Monde Diplomatique de um editorial intitulado Les Désarmer marchés (Desarmar os mercados) que lançou a idéia de uma associação para divulgar o imposto Tobin, um mecanismo de taxação do capital financeiro.
Destaque-se, entretanto, que a propria Igreja contribui para mobilização dessa ideia a partir da Campanha Jubileu 2000, que surge no interior da Igreja e sugere o perdão das dívidas do países do terceiro mundo."
(Fonte: Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores - CEPAT)

domingo, 14 de agosto de 2011

O CRISTIANISMO É MAIOR DO QUE AS IGREJAS



Alento aos desolados com a Igreja


Leonardo Boff
Teólogo e escritor



Atualmente há muita desolação com referência à Igreja Católica institucional. Verifica-se uma dupla emigração: uma exterior, pessoas que abandonam concretamente a Igreja e outra interior, as que permanecem nela mas não a sentem mais como um lar espiritual. Continuam a crer apesar da Igreja.
E não é para menos. O atual Papa tomou algumas iniciativas radicais que dividiram o corpo eclesial. Assumiu uma rota de confronto com dois importantes episcopados, o alemão e francês, ao introduzir a missa em latim; elaborou uma esdrúxula reconciliação com a Igreja cismática dos seguidores de Lefebvre; esvaziou as principais intuições renovadoras do Concílio Vaticano II, especialmente o ecumenismo, negando, ofensivamente, o título de “Igreja” às demais Igrejas que não sejam a Católica e a Ortodoxa; ainda como Cardeal mostrou-se gravemente leniente com os pedófilos; sua relação para com a AIDs beira os limites da desumanidade. A atual Igreja Católica mergulhou num inverno rigoroso. A base social de apoio ao modelo velhista do atual Papa é constituída por grupos conservadores, mais interessados nas performances mediáticas, na lógica do mercado, do que propor uma mensagem adequada aos graves problemas atuais. Oferecem um “cristianismo-prozac”, apto para anestesiar consciências angustiadas, mas alienado face à humanidade sofredora.
Urge animar estes cristãos em vias de emigração com aquilo que é essencial ao Cristianismo. Seguramente não é a Igreja que não foi objeto da pregação de Jesus. Ele anunciou um sonho, o Reino de Deus, em contraposição com o Reino de César, Reino de Deus que representa uma revolução absoluta das relações desde as individuais até as divinas e cósmicas.
O Cristiansimo compareceu primeiramente na história como movimento e como o caminho de Cristo. Ele é anterior a sua sedimentação nos quatro evangelhos e nas doutrinas. O caráter de caminho espiritual é um tipo de cristianismo que possui seu próprio curso. Geralmente vive à margem e, às vezes, em distância crítica da instituição oficial. Mas nasce e se alimenta do permanente fascínio pela figura e pela mensagem libertária e espiritual de Jesus de Nazaré. Inicialmente tido como “heresia dos Nazarenos” (At 24,5) ou simplesmente “heresia” (At 28,22) no sentido de “grupelho”, o Cristianismo foi lentamente ganhando autonomia até seus seguidores, nos Atos dos Apóstolos (11,36), serem chamados de “cristãos.”
O movimento de Jesus certamente é a força mais vigorosa do Cristianismo, mais que as Igrejas, por não estar enquadrado nas instituições ou aprisionado em doutrinas e dogmas. É composto por todo tipo de gente, das mais variadas culturas e tradições, até por agnósticos e ateus que se deixam tocar pela figura corajosa de Jesus, pelo sonho que anunciou, um Reino de amor e de liberdade, por sua ética de amor incondicional, especialmente aos pobres e aos oprimidos e pela forma como assumiu o drama humano, no meio de humilhações, torturas e da execução na cruz. Apresentou uma imagem de Deus tão íntima e amiga da vida, que é difícil furtar-se a ela até por quem não crê em Deus. Muitos chegam a dizer: “se existe um Deus, este deve ser aquele que traz os traços do Deus de Jesus”.
Esse cristianismo como caminho espiritual é o que realmente conta. No entanto, de movimento, ele muito cedo ganhou a forma de instituição religiosa com vários modos de organização. Em seu seio se elaboraram as várias interpretações da figura de Jesus que se transformaram em doutrinas e foram recolhidas pelos atuais evangelhos. As igrejas, ao assumirem caráter institucional, estabeleceram critérios de pertença e de exclusão, doutrinas como referência identitária e ritos próprios de celebrar. Quem explica tal fenômeno é a sociologia e não a teologia. A instituição sempre vive em tensão com o caminho espiritual. Ótimo quando caminham juntas, mas é raro. O decisivo é, no entanto, o caminho espiritual. Este tem a força de alimentar uma visão espiritual da vida e de animar o sentido da caminhada humana.
O problemátio na Igreja romano-católica é sua pretensão de ser a única verdadeira. O correto é todas as igrejas se reconhecerem mutuamente, pois todas revelam dimensões diferentes e complementares do Nazareno. O importante é que o cristianismo mantenha seu caráter de caminho espiritual. É ele que pode sustentar a tantos cristãos e cristãs face à mediocridade e à irrelevância em que caiu a Igreja atual.

(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

domingo, 19 de dezembro de 2010

MORRE, AOS 91 ANOS, A EREMITA ADRIANA ZARRI

''A prece não serve para nada. Assim, como
não serve para nada o amor'', afirma eremita

No dia 20 de novembro, morreu, aos 91 anos, Adriana Zarri, eremita e teóloga. Sua voz era com freqüência fortemente crítica na Igreja católica, mas sua fé era indubitável, tanto que até mesmo Avvenire, jornal católico da Itália, não falhou em recordá-la.
Um blog dedicado aos novos eremitas contém uma sua entrevista a Rodolfo Signifredi, da qual reproduzo uma parte, abaixo.

Por que os eremitas se isolam?
O interesse do eremita é solidão, não isolamento. E o silêncio contemplativo é denso de palavras e de presença. O eremita é um homem entre os homens e a solidão permite um emergir todo particular do mal do mundo que, em perspectiva, pode ser analisado com maior lucidez e combatido com uma contestação interior. A prece é a contestação mais profunda deste mundo utilitário enquanto coloca em crise o modelo antropocultural que o exprime.

Mas, permanecendo apartados tão longamente não se acaba sendo ursos ou misantropos?
Em cada um de nós existe uma validez monástica. O eremita é quem faz emergir esta validez sobre os outros componentes. Um ermitão não é uma concha de lesma na qual o indivíduo se encerra, mas é tão somente a escolha de viver a fraternidade em solidão. O isolamento é um cortar-se fora, a solidão é um viver dentro. O isolamento é uma solidão vazia, a solidão, ao invés, é plena cordial, cálida, percorrida por vozes e animada por presenças. Esta solidão é a forma eremítica do encontro. E o calor humano se reaviva continuamente.

Para que serve rezar tão intensamente?
A quem pede “para que serve” a prece, é preciso dizer escandalosamente que não serve para nada, como não serve para nada o amor, a arte, a beleza. Na acepção consumista a prece não serve; é um belo ramalhete de flores que colocamos sobre a mesa. Poderemos deixar de fazê-lo, se come da mesma forma. Porém não se almoça, não se janta. Nem mesmo sorrir serve. A boca se abre utilmente para comer e para comandar; o sorriso é um extra. Como certas pessoas se tornam eremitas? È uma escolha radical, como aquela dos autênticos ‘clochard’ [vagabundos] de outrora. Mas, diversamente de todas as formas associas, a do eremita é uma forma totalmente empenhada. Um retiro, uma retirada de tudo para encontrar-se a si mesmos e para ser ainda mais de ajuda a esta humanidade. O eremita nós o encontramos em todas as religiões, encontramo-lo no santão indiano que está nas grutas do Himalaia ou no monge ermitão do Monte Athos. No nosso Ocidente o movimento eremítico começa ainda antes de Constantino com a fuga para o deserto ou sobre as montanhas de solitários em luta com leões e serpentes, e também com diabos tentadores. Mas, quando a fama dos seus jejuns, das preces incessantes, do silêncio ininterrupto atrai discípulos e inquietudes existenciais, a vida eremítica se interrompe para transformar-se em comunidade. A ermida se torna convento. Tem sido assim também para o eremita Bento de Núrsia, constrangido por sua própria fama de santidade a improvisar-se como mestre de noviços, e a passar de uma solidão sem hierarquias ao ora et labora de um claustro. (Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

quarta-feira, 17 de março de 2010

UMA RELAÇÃO DE AMOR E ÓDIO

Por que participo da Igreja?
"Recentemente, lembramos a figura de Carlo Carretto, Irmãozinho de Charles de Foucauld, no centenário do seu nascimento. Nada melhor, então, que dar a palavra diretamente a ele, neste tempo de Quaresma.
O texto abaixo foi publicaddo por Christian Albini, teólogo leigo, italiano, em seu blog Sperare per Tutti, 04-03-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto:
Quanto tu és contestável, Igreja, porém, quanto te amo! Quanto me fizeste sofrer, porém, quanto devo a ti! Gostaria de te ver destruída, porém, tenho necessidade da tua presença. Deste-me tantos escândalos, porém, me fizeste entender a santidade! Nada vi no mundo de mais obscurantista, mais comprometido, mais falso, e nada toquei de mais duro, de mais generoso, de mais belo.
Quantas vezes tive vontade de bater na tua face a porta da minha alma e quantas vezes rezei para poder morrer entre os teus braços seguros.
Não, não posso me livrar de ti, porque eu sou tu, mesmo não sendo completamente tu.
E depois aonde iria? Construir uma outra Igreja?
Mas não poderei construí-la senão com os mesmos defeitos, porque são os meus que trago dentro. E se a construir, será a Minha Igreja, não mais aquela de Cristo.
Anteontem, um amigo escreveu uma carta a um jornal: "Deixo a Igreja porque, com o seu comprometimento com os ricos, ela não é mais confiável". Me dá pena!
Ou é um sentimental que não tem experiência, e o desculpo; ou é um orgulhoso que acredita ser melhor do que os outros.
Nenhum de nós é confiável enquanto estiver sobre esta terra. São Francisco gritava: "Tu acreditas que sou santo e não sabes que ainda posso ter filhos com uma prostituta, se Cristo não me sustentar".
A credibilidade não é dos homens, é só de Deus e do Cristo. Dos homens é a fraqueza e talvez a boa vontade de fazer alguma coisa de bom com a ajuda da graça que brota das veias invisíveis da Igreja visível.
Talvez a Igreja de ontem era melhor do que a de hoje? Talvez a Igreja de Jerusalém era mais confiável do que a de Roma?
(…)
Quando eu era jovem, não entendia por que Jesus, apesar da negação de Pedro, quis que ele fosse chefe, seu sucessor, primeiro Papa. Agora, não me admiro mais e compreendo sempre melhor que ter fundado a Igreja sobre o túmulo de um traidor, de um homem que se assusta por causa da conversa fiada de uma serva, era uma advertência contínua para manter cada um de nós na humildade e na consciência de sua própria fragilidade.
Não, não vou sair desta Igreja fundada sobre uma pedra tão frágil, porque fundaria uma outra sobre uma outra pedra ainda mais frágil, que sou eu.
(…)
Mas depois há ainda uma outra coisa que é talvez mais bela. O Espírito Santo, que é o Amor, é capaz de nos ver santos, imaculados, belos, mesmo se vestidos como canalhas e adúlteros.
O perdão de Deus, quando nos toca, faz com que Zaqueu, o publicano, se torne transparente, e a pecadora Madalena, imaculada.
É como se o mal não pudesse tocar a profundidade metafísica do homem. É como se o Amor impedisse que a alma distante do Amor apodrecesse. "Eu coloquei os teus pecados atrás das minhas costas", diz Deus a qualquer um de nós, e continua: "Amei-te com amor eterno, por isso te reservei a minha bondade. Edificar-te-ei de novo, e tu serás reedificada, virgem Israel" (Ger 31,3-4).
Eis, ele nos chama "virgens" mesmo quando estamos retornando da enésima prostituição no corpo e no espírito e no coração.
Nisso, Deus é verdadeiramente Deus, isto é, o único capaz de fazer as "coisas novas".
Porque não me importa que Ele faça os céus e a terra novos, é mais necessário que ele faça "novos" os nossos corações.
E esse é o trabalho de Cristo.
E esse é o trabalho divino da Igreja.
Vocês gostariam de impedir esse "fazer novos os corações", expulsando alguém da assembleia do povo de Deus?
Ou vocês gostariam, procurando outro lugar mais seguro, de se colocar em perigo de perder o seu Espírito?"

Frei Carlo Carretto
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

sexta-feira, 5 de março de 2010

HIERARQUIA DA IGREJA OFUSCA JESUS CRISTO

"O teólogo e biblista José Antonio Pagola, autor do best-seller Jesús, aproximación histórica (Ed. PPC), concedeu uma entrevista exclusiva para a Revista 21 sobre Cristo e seu radical desafio aos fiéis. A tarefa urgente da Igreja atual é voltar a Jesus, afirma Pagola. Segundo o biblista, talvez o traço mais generalizado dos cristãos que ainda não abandonaram a Igreja é a passividade. A reportagem é do sítio Religión Digital (26-02-2010) com tradução de Moisés Sbardelotto.

'Durante muitos séculos, educamos os fiéis para a submissão e a obediência. A responsabilidade dos leigos e leigas ficou muito anulada'. Para Pagola, 'a tentação mais grave da Igreja atual é fortalecer a instituição, endurecer a disciplina, conservar de maneira rígida a tradição, levantar barreiras... É difícil para mim reconhecer em tudo isso o Espírito de Jesus'. Por isso, considera que o restauracionismo pode nos levar a fazer uma religião do passado, cada vez mais anacrônica e menos significativa para o homem e a mulher de hoje.Em plena Quaresma e a um passo de celebrar a Paixão e a Glória de Jesus de Nazaré, o teólogo confessa que lhe surpreende a nossa perspicácia para ver o pecado na sociedade moderna e a nossa cegueira para vê-lo em nossa Igreja.

(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)