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terça-feira, 9 de junho de 2026

LULISTAS DE ÚLTIMA HORA EMPURRAM O PT PARA A DIREITA

 

(Biblioteca)

As pedras de tropeço de Lula


Eugênio Magno*

A boa notícia para a máquina eleitoral petista é que Luiz Inácio Lula da Silva, muito provavelmente, será reeleito para o seu quarto mandato como Presidente da República Federativa do Brasil. E a má notícia é que se o atual governo não tem sido bom, por não atender as promessas de campanha e não ter dado as respostas pelas quais a população clama há décadas, um próximo mandato será ainda pior. Contudo, desastre maior seria a volta da extrema direita ao poder, principalmente se capitaneada pela família Bolsonaro.

Embora ganhe as eleições, o novo mandato de Lula não será para ele um prêmio e sim um sacrifício. Já o seu séquito e a trupe das alianças espúrias festejarão a farra das emendas, cargos e privilégios.

Companheiros das primeiras horas, conselheiros de confiança e analistas políticos sérios já disseram que Lula deveria ter saído das disputas eleitorais em momentos que lhe eram mais favoráveis, sem sucesso. Ele adorou o mel, não quis largar a cumbuca e pode vir a pagar um alto preço pela teimosia.

Para a democracia, a manutenção das instituições republicanas, o humanismo e a civilidade, qualquer comparação que se faça entre Lula e todos os demais candidatos é vantajosa para o atual presidente. Dadas as circunstâncias, nessas eleições de 2026 é Lula ou Lula. Do contrário é o caos, a barbárie. E como ninguém decente e de espírito democrático quer a barbárie com a volta da extrema direita, muito menos representada pelos Bolsonaro, petistas e milhares de eleitores, mesmo sem convicção, votarão em Lula, por falta de opções. Se bem que as abstenções e o voto nulo também tendem a aumentar neste pleito.

Tem muita gente de esquerda perguntando: até quando o PT vai surfar na onda do voto útil? A estratégia vem dando certo e dará certo mais uma vez com o aumento da massa de coristas hipnotizados rendendo loas ao pragmatismo eleitoreiro. Os desafios, entretanto, ultrapassam a simples lógica eleitoral com a qual os partidos, a mídia e o próprio Estado brasileiro têm operado.

Lula e o PT, há mais de uma década, não convertem militantes pelo enfrentamento dos problemas de base e pela transformação estrutural do país. Ao contrário, desde a Carta ao Povo Brasileiro, a conversão tem se dado muito mais pela negação de toda e qualquer ruptura com o sistema, propagada no passado. O resultado tem sido a adesão de direitões e neoliberais – lulistas de última hora –, oportunistas empedernidos que vêm engrossando as fileiras de uma nova militância sem formação política de esquerda e desprovida de qualquer apreço por reformas e transformações radicais.

Esse lulismo tardio é a mais autêntica imagem do neoliberalismo de “esquerda” e escancara o salto tríplice dado pelo PT para ocupar o vácuo deixado pela direita que come de garfo e faca. Passou da hora do partido apresentar um programa de governo coerente com seus discursos e cumpri-lo.

Ao longo dos anos o Partido dos Trabalhadores vem trocando ideal programático por pragmatismo eleitoral e qualidade dos seus quadros pela ampliação do número de militantes – a proporção deve chegar a um por mil ou mais. Uma aritmética, aparentemente muito vantajosa, mas de custo futuro altíssimo. São muitas as pedras de tropeço deixadas pelo caminho. Elas representam a soma das estratégias equivocadas adotadas pelo grupo majoritário da agremiação.

Mas, engana-se quem acredita num possível definhamento do partido nos próximos anos. O PT ainda terá vida longa. Continuará sendo um grande partido e uma potente máquina eleitoral. Todavia, destituído de todos aqueles ideais que um dia alimentaram o imaginário de milhares de brasileiros e de importantes e combativos segmentos da sociedade organizada que se juntaram para criar o Partido dos Trabalhadores.

*O autor é comunicólogo e jornalista. 
Doutor em Educação e mestre em Artes Visuais. 
Trabalha com Educação comunicacional e midiática.

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

LÁ VAI O BRASIL ...

 


(Imagem de artigo do brasilescola.uol.com.br)


O BRASIL VAI BEM E OS BRASILEIROS VÃO

 DE MAL A PIOR

 

Eugênio Magno*

 

É notório que as teorias e os teóricos, por ignorância ou conveniência, não têm espaço entre as lideranças da esquerda institucional brasileira. Embora isso não queira dizer que todo o campo progressista seja acrítico, é preocupante como os partidos hegemônicos que na atual configuração política operam à esquerda, destratam os intelectuais do mesmo espectro. Entretanto, mesmo proscritos dos círculos do poder como ideólogos programáticos e alijados das rodas da militância, condenados que são por não serem portadores do tal “lugar de fala”, eles teimam em falar.

Para provar essa teimosia em falar convoquei algumas dessas vozes para, de forma dialética e dialógica, nos acompanhar nesta reflexão. Para inaugurar essa premente necessidade de um pensar que oriente a política, a figura de um educador é indispensável.  O eleito foi Paulo Freire, que entende a conscientização das massas como atitude crítica dos homens na história como um compromisso permanente que nos interpela a assumir uma posição utópica frente ao mundo e tomar a utopia como compromisso histórico. E que fique claro que para Freire o utópico não é o irrealizável; a utopia é o idealismo, é a dialetização dos atos de anunciar e denunciar. Pois, segundo ele, só os utópicos são proféticos, assim como só os proféticos são portadores de esperança. E para esperançar – como verbo – é preciso agir e agir com coragem. Muita coragem, como a de Paulo Freire. Não o Freire romântico que reinventaram para esconder a luta de classes, mas o Freire que na sua trincheira, arredio à excessiva institucionalidade corporativista, sempre lutou com radicalidade contra a opressão.

Muitos analistas têm dito que não temos mais esquerda no país. Será mesmo verdade? Tem sido vexatório assistir a extrema direita vituperar contra o sistema, ocupando o papel da esquerda que numa constante atitude eleitoreira faz acordos aqui e acolá e além de não avançar dá ainda mais combustível para os adversários e defende o sistema. Simultaneamente a consciência ingênua se multiplica velozmente, inclusive à “esquerda”, ao sabor dos algoritmos, no mesmo compasso em que as massas continuam a receber educação política somente pela via da extrema direita. 

Luiz Inácio Lula da Silva já ocupa pela terceira vez o cargo de presidente da república e o Partido dos Trabalhadores (PT), está em seu quinto mandato. Tom Jobim disse que o Brasil não é para principiantes e Lula não é principiante. No entanto, com toda essa experiência, as coisas continuam não indo bem por aqui. Pouco foi feito até agora, neste mandato, e nenhuma mudança estrutural foi promovida ao longo de todos os governos petistas. Tivemos apenas pequenos avanços no campo social: direitos humanos e políticas compensatórias de inclusão. As desigualdades se agravam de forma constante e o modelo econômico continua o mesmo do período de Fernando Henrique Cardoso, com tímidos ajustes. Motivos existem e as justificativas não são difíceis de serem evocadas. Mas, para um partido que nasceu com o ideal de transformação política, social e econômica, sobram temas, situações, agendas e realidades que carecem de enfrentamento que se quer foram tocadas, e as poucas abordadas o foram de forma equívoca. O grande paradoxo é que os mandatos petistas, em linhas gerais, são tidos como os melhores governos brasileiros em tempos de democracia. Ainda que pesem todas as suas contradições, essa é uma verdade inegável.

Os desafios são imensos e os inimigos poderosíssimos, mas os muitos problemas para os quais não faltaram promessas de resolução seguem penalizando a população. É evidente a desproporcionalidade entre as forças que fazem a disputa de poder. O setor econômico é o dono da bola e a mídia corporativa faz o jogo do capital. São empresas que visam lucro e defendem, além dos próprios interesses, os de quem as patrocina. O fato do governo não possuir maioria no congresso também faz parte das argumentações e é uma realidade, mas não dá para atribuir essa responsabilidade somente ao eleitor, como querem alguns, assim como isso não pode ser desculpa para a falta de determinação para encarar as várias questões que há décadas já se punham e se complicaram ainda mais nos últimos anos. As reformas política e tributária, com uma real taxação das fortunas, por exemplo, é algo que já poderia ter acontecido há mais de uma década, quando em outros mandatos Lula gozava de altíssimos índices de popularidade e aprovação. E quanto a ter maior representatividade no Congresso Nacional é preciso que fique claro que isso é um trabalho de conquista e convencimento do eleitorado, uma responsabilidade partidária, portanto.

Os mais ardorosos defensores do governo até agora não se deram conta de que as dificuldades enfrentadas por Lula não são apenas por conta da força de Bolsonaro, do bolsonarismo, do fundamentalismo neopentecostal, do congresso, de Lira e et cetera e tal, como insistem em afirmar os que não querem enxergar a realidade. É extremamente arriscado fazer críticas ao governo no atual momento. Além das estratégias da extrema direita de manipular análises e opiniões que apontem qualquer descompasso do governo, tem o patrulhamento ideológico dos mais aguerridos que defenestram quem ousa apontar os erros de percurso governamental, classificando a voz dissonante de opositora. E com esse comportamento, Lula e o PT vão perdendo tanto a oportunidade de corrigir rumos, como perde aliados, simpatizantes e eleitores não “bozoistas” ou fundamentalistas que se vêm asfixiados pela passionalidade militante.

Se num passado recente tivemos o fenômeno do antipetismo formado, sobretudo, por eleitores ocasionais de Lula, em razão dos escândalos dos chamados “mensalão” e “petrolão”, a onda que começa a se formar agora é muito mais grave e difícil de ser contida. Sobe a maré do antilulismo em setores importantes de democratas, da própria esquerda, e de vários extratos sociais: trabalhadores precarizados, aposentados traídos e a da falsa classe média – inventada por uma sociologia oportunista e partidarizada –, abandonada e de volta à sua origem. Resumindo, muitos lulistas, que não são necessariamente petistas, estão decepcionados com a incapacidade do governo de entregar o que prometeu.

A insatisfação grassa no país, em todas as classes sociais. Os muito ricos estão entediados com as ameaças de contenção dos seus lucros que nunca se concretizam. A classe alta e a alta classe média, andam incomodadas, em razão de ter que conviver em seus salões com ex-esquerdistas. A média classe média está odiosa porque não progride mais na proporção que já cresceu e sente a possibilidade de ser rebaixada para a baixa classe média e a baixa classe média não mais consegue se sustentar nessa posição e tem sido empurrada para a classe baixa. É enorme a quantidade de profissionais com formação superior, pós-graduados: especialistas, mestres e doutores, fora das funções para as quais estudaram ou que se encontram desempregados. Trabalhadores qualificados caíram para a base trabalhadora ou para a condição de precarizados e temem que daí poderão ir sabe-se lá pra onde. Uma parcela dos pobres e dos muito pobres – não dos miseráveis – são dos poucos segmentos sociais que têm merecido algum tipo de atenção do governo. Abaixo desses, sobram – como sempre sobraram –, os miseráveis, os excluídos e os invisibilizados que vivem da esmola e dos restos da pequena burguesia e do proletariado. Não podem nem mesmo cumprir a exigência do endereço, físico, ou da aberração do endereço digital, para ter acesso às migalhas, ditas compensatórias, do governo.

Da arquibancada, o que fica visível é unicamente disputa de poder. E nesse jogo, a direita e a extrema direita estão vencendo com grande vantagem. Fazem novas lideranças aos borbotões. Amealharam em duas décadas e meia as grandes fatias da sociedade: a alta cúpula de líderes religiosos e fiéis fundamentalistas que se sentem ameaçados moralmente com o avanço das pautas identitárias, militares, banqueiros, trabalhadores informais uberizados – apelidados de empreendedores –, proprietários de empresas de vários portes, especialmente as grandes, e o agronegócio. Conquistou ainda grande parte da direita e centro-direita neoliberal e não teve nenhum escrúpulo em ceder às extorsões do centrão e aos ditames dos países hegemônicos e ao capital monopolista internacional.

Acontece que direita e extrema direita têm projetos, tanto políticos como sociais, econômicos e para a segurança pública. Projetos perversos, é verdade. Mas os têm e conseguem comunica-los facilmente com a população, utilizando com excelência a mais nova e poderosa máquina de comunicação, a internet. Forma e conteúdo na medida certa para gerar engajamento de seguidores abnegados, acompanhados das mais nefastas políticas públicas anunciadas e cumpridas rigorosamente. Enquanto isso a esquerda, cujo sinônimo, desafortunadamente, tem sido esse PT irreconhecível, patina na comunicação. Patrocina, ao mesmo tempo que critica os veículos de comunicação corporativos. Não aprendeu a operar as novas mídias, assim como não apostou em inovações que pudessem ao menos justificar a sua nova autodenominação: progressista – um arranjo semântico para descaracterizar os ideais que deveria defender. E, o mais grave, não abre espaço para novas lideranças e não tem grandes projetos para áreas críticas, como segurança pública, educação e para a economia real. Se os tem, ninguém os conhece na concretude. O que falta em ação excede em tentativas de propaganda se utilizando da velha retórica que não convence mais ninguém.

Na seara da economia financista do rentismo improdutivo e da jogatina das bolsas o governo critica o Banco Central e a política cambial. Contraditoriamente continua a fazer o seu jogo, mas tem a desfaçatez de dizer que a economia vai bem, que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu e blá, blá, blá. Mas, como recentemente ironizou a saudosa economista, Maria da Conceição Tavares, antes de nos deixar, “ninguém come PIB. Comemos comida, alimento”. Pois é, o povo necessita de comida na mesa, o jovem precisa de boa escola e emprego, o profissional qualificado, de trabalho digno, o trabalhador e o aposentado de renda suficiente para se manter e suster suas famílias.

Para prosseguir com essa penosa síntese diagnóstica dos quase dois anos de governo, recorro às análises e às observações argutas de outros intelectuais que trafegam no mesmo espectro. Não são poucos os aliados políticos dos atuais governantes que há tempos chamam a atenção do PT para o seu pragmatismo excessivo. A obsessão pelo poder tem levado o partido a abandonar seu antigo apreço por programas e a pegar atalhos e variantes totalmente desprovidos de sinais e balizas, numa correria eleitoreira desenfreada que não mais o diferencia dos demais partidos, tão criticados por seus dirigentes e militantes num passado não muito distante. 

Não à toa Frei Betto abre o artigo, “Michels e Partidos de Esquerda”, destacando a tese defendida por Robert Michels na sua obra de 1911, “Sociologia dos Partidos Políticos”. Betto, traz ninguém menos do que o sociólogo, Max Weber, para testemunhar que Michels teria se desiludido com a ala esquerda do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), pelo seu “eleitorarismo”, voltado quase que exclusivamente para ganhar eleições e pelo “oportunismo” dos seus líderes, cuja preocupação prioritária era estar na crista da onda política. A burocratização stalinista do Partido Comunista da União Soviética e os descaminhos de vários partidos oriundos das lutas populares que se transformaram em aparelhos eleitorais de uma oligarquia política, comprovam a tese de Michels. Preocupado com o ciclo de quase todo poder que emanado do povo, acaba por se colocar acima do povo, Frei Betto que no seu livro, “A Mosca Azul”, já denunciava tais desvios, encerra seu artigo advertindo: “A cabeça pensa onde os pés pisam. Um antídoto aos riscos apontados por Michels é a profunda ligação com os segmentos populares, o trabalho de base, a capacidade de ouvir críticas e se submeter à soberania da militância. E, sobretudo, não trocar o atacado pelo varejo – um programa de democracia verdadeiramente popular, tanto em nível político quanto econômico”.

O filósofo e psicanalista, Vladimir Safatle, é outro intelectual-ativista de esquerda, que tem se pronunciado constantemente, e com veemência, sobre os equívocos do atual governo Lula. Em várias oportunidades Safatle indica caminhos de maior radicalidade para os enfrentamentos que podem tirar o país dessa situação em que se encontra e fazer valer pelo menos alguns valores socialistas que justifiquem afirmar que temos um partido de esquerda no poder. O filósofo, em seus livros e entrevistas, aborda várias questões de interesse nacional, como o das instituições republicanas, seus vícios e descaminhos. Sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), a avaliação de Vladimir Safatle é de que a instituição é capitalista e de direita e só investiu contra o bolsonarismo por se tratar de uma extrema direita que é contra as instituições, inclusive o próprio Supremo. Corte Suprema esta que na visão de uma esquerda menos messiânica nunca apoiou direitos trabalhistas ou dos aposentados e as pautas dos pobres, pela diminuição das desigualdades socioeconômicas. Aliás, o próprio STF é um exemplo de desigualdade e contradição. A despeito de decidir quase sempre contra os pobres, é uma das instituições mais dispendiosas do país e a corte que mais acumula privilégios em todo o mundo, se comparada com instituições da mesma estatura dos países mais ricos.

Mesmo sem gozar de simpatia por parte de setores democráticos e da esquerda brasileira, o presidente do senado, Rodrigo Pacheco, tem a aprovação de várias lideranças políticas, de conservadores a progressistas e de muitos intelectuais sobre a sua propositura de rever o plano de carreira dos ministros da Suprema Corte. Ciro Gomes é um que, mesmo sem dizer claramente qual seria exatamente o seu plano para os três poderes, já declarou sua vontade de ver cada um no seu quadrado. Seria necessário um livro inteiro ou, no mínimo, um artigo de maior extensão, exclusivamente, para analisar a porosidade entre os três poderes da república brasileira que, em vez de se configurarem como contrapesos, têm se prestado a socorrer uns aos outros conforme o soprar dos ventos, numa clara demonstração de um protecionismo corporativista altamente nocivo para o Estado Democrático e de Direito. No legislativo a situação não é menos complicada. A Câmara Federal goza de tanto poder que tem tornado o executivo refém de suas exigências e por aí vai... Ao arrepio do cumprimento da constituição, assistimos perplexos a uma série de situações deploráveis como a judicialização da política, a politização da justiça e um executivo enfraquecido, em razão do excesso de permeabilidade de sua frente que, de tão ampla, pouco tem servido além de manter Lula no poder. Uma realidade que em razão da outra opção que se anunciava não ter comparação, mas que ainda é muito pouco ou quase nada, diante do muito que se prometeu e do que o país necessita. Nem mesmo as questões do meio ambiente e dos direitos humanos que o governo tanto jactou em afirmar como prioridades conseguem avançar. As enchentes no sul do país e as queimadas em todo o território nacional, em 2024, são algumas demonstrações da falta de ações políticas de Estado efetivas para encarar o fenômeno das crises climáticas. A educação política da população, a consciência de classe e a desigualdade social, temas prioritários de qualquer política de esquerda, não têm nenhuma centralidade neste governo. As pautas da diversidade e das identidades, das mais importantes, cujo debate poderia ter se dado numa perspectiva que honrasse nossa condição de país mestiço, sem a falsificação da nossa história, vem acontecendo com a tomada de empréstimo das tradições antropológicas europeias e a forma binária de abordagem do racismo estadunidense.

A trajetória do então ministro dos direitos humanos e da cidadania, Sílvio de Almeida, de sua tese e de suas práticas, é um exemplo cabal da forma torta como as pautas identitárias foram orientadas e são tratadas no país. Um identitarismo personalista que empodera um escolhido, promove e permite ao promovido se autopromover e, na sequência, pune o escolhido pela mesma via do identitarismo. Para completar o quadro, assistimos quem coloca pessoas acima do bem e do mal, simplesmente por questões identitárias, se achar no direito de reivindicar até “luto” em razão do acontecimento que culminou com a demissão do ministro com medo dos possíveis desdobramentos. Apesar da gravidade do acontecido, a questão da diversidade e do direito a ter direitos, não pode ser tratada de forma espetacularizada e pelo viés desse identitarismo maroto e personalista. Contraditoriamente, esse tipo de abordagem esconde opressão, preconceito, ódio de classe e mais uma série de discriminações nos próprios contingentes desses grupos mais evidentes e condenam dezenas de outros grupos sociais, muitos até mais numerosos, mas sem projeção, a permanecerem no anonimato, sem fazer valer até mesmo seus direitos de sobrevivência. Sem contar que os desvios cometidos por algumas lideranças na condução desses cruciais direitos sociais têm dado grande munição para a extrema direita. Intelectuais sérios já alertaram para o perigo do que poderia se configurar no país com o que começou a ser arquitetado nos anos 1970, a partir da negação da mestiçagem e do macaquear os Estados Unidos, ao tratar a questão do racismo de forma binária. Tal falsificação histórica foi institucionalizada no governo de Fernando Henrique Cardoso – com a chancela do IBGE (enegrecendo o país de forma irresponsável) – e se aprofundou nas duas últimas décadas. Sem negar que o Brasil é um país racista, a tese do ex-ministro dos direitos humanos e cidadania, de “racismo ‘estrutural’”, tem sido questionada muito antes de Almeida se tornar ministro. Quem quiser aprofundar neste estudo precisa ir além de Jessé Souza e Sílvio de Almeida. É recomendável que dedique maior atenção a Darcy Ribeiro e não se esqueça de Alberto Guerreiro Ramos e Luís Gama, Antônio Risério e Eduardo Giannetti da Fonseca, para citar pelo menos seis intelectuais de grande envergadura que trataram desse tema com respeito à nação, aos povos e à história, sem ir na onda da falsificação de dados, das simplificações morais e dos modismos acadêmicos.

Em meio a tantos outros problemas, o governo propõe mais arrochos para o povo na segunda fase do novo arcabouço fiscal. Vai cortar ainda mais os gastos. A desculpa, ainda que não seja com as mesmas palavras, é a dos tempos da ditadura: “Vamos fazer crescer o bolo para repartir depois”. Ou seja, vai seguir a cartilha de Paulo Guedes, “quebrar o piso para não furar o teto”. Ora, a área econômica, além de ser a que o governo encontra mais dificuldades em propor transformações e que repercute em vários setores, do desenvolvimento e tecnologia à segurança pública e da educação ao turismo, passando por saúde, direitos humanos, meio ambiente e cultura, é a área mais carregada de maquiagem e botox. Haja powerpoints, cortes seletivos de pesquisas e photoshops para mascarar a fotografia da economia real. Todos sabem que a economia e as desigualdades, formam o ponto nevrálgico do que precisa ser enfrentando urgentemente em nosso país. Se temos uma economia em crescimento e o Brasil vai bem, como querem nos fazer acreditar, porque os brasileiros vão de mal a pior? O país tem um sério problema gravitacional. A Lei da Gravidade aqui só funciona para pessoas e que estejam localizadas da baixa classe média para mais baixo na pirâmide social. E não vale aquela máxima de que se cair, do chão não passa. Corre-se o risco de ir para o subsolo, ser condenado à exclusão ou enterrado vivo. Já os bens e a riqueza flutuam fartamente, sem gravidade, na parte superior, nem mesmo de uma pirâmide, mas de um triângulo escaleno que pende para o lado direito.

No início deste ano o economista que exerceu a função de porta-voz da presidência da república no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, André Singer, professor titular do Departamento de Ciência Política da USP e autor do livro, O lulismo em crise, e Fernando Rugistsky, professor de economia da University of the West of England, em Bristol, onde também é codiretor de pesquisa em economia, fizeram um balanço do primeiro ano do Governo Lula, no site A Terra é Redonda. Singer e Rugistsky dois progressistas, afirmaram que, “Após ter vencido à frente de um heterogêneo ajuntamento de salvação democrática, o presidente decidiu entoar a melodia lulista clássica: fazer, no atacado, concessões à burguesia e, no varejo, buscar as brechas por meio das quais consiga beneficiar, em alguma medida, os segmentos populares. Só que o tema vem se desenvolvendo em andamento lentíssimo, tornando duvidosos os movimentos previstos para os períodos eleitorais de 2024 e 2026”.

Tais movimentos foram tão vacilantes que o resultado aí está. Faz tempo que a população vem dando o seu recado. Basta que se atente para os crescentes números de abstenções e de votos nulos e brancos a cada eleição. Esses números somados, ora se aproximam, ora são maiores do que os votos que candidatos vitoriosos ou perdedores recebem. Como já era previsto, os resultados eleitorais de 2024 não foram nada favoráveis para a esquerda representada pelo Partido dos Trabalhadores nessa sua atual configuração. Se não houver – agora – uma mudança radical na forma de fazer política por parte do governo, do PT e de seus aliados, a esperança da reeleição de Lula ou de que o governo faça um novo presidente está desfeita. Isso quer dizer que a lógica eleitoreira se esgotou. Não cola mais essa coisa de disputar eleições municipais com cálculos para eleições presidenciais. Precisa ficar claro também para os partidos que o povo, definitivamente, não é culpado e não vota mal como os simplificadores da realidade afirmam. A população não é burra. Ela tem as suas razões e estas estão sendo permanentemente ignoradas pelas lideranças políticas brasileiras. Se Bolsonaro foi horrível, um tufão, destruidor de várias das modestas conquistas sociais e uma ameaça à república, o que poderá surgir em 2026 será muito pior. O povo quer mudança e, insatisfeito como está, pode vir a apostar em qualquer candidato que acene com essa possibilidade. O irônico é que diante de uma esquerda conformista que não se atreve a encarar com radicalismo as transformações econômicas e sociais pelas quais o país grita, tenha sido necessário que o bolsonarismo pautasse o tema do socialismo.

Todavia, o tiro da extrema direita ao demonizar os regimes comunista e socialista pode ter saído pela culatra. A curiosidade da população foi aguçada e está sendo saciada. Ainda que seja minoria, com baixa vinculação e pouquíssima representação nos cargos eletivos, não é verdade que não exista mais esquerda no Brasil. O vácuo nesse campo logo será preenchido com a politização da sociedade pelas vanguardas intelectuais de esquerda. Os sinais são de que daí emergirá consciência crítica suficiente para a formulação de um amplo projeto político popular para a nação com oportunidades para o surgimento de novas lideranças bem formadas, compromissadas com a transformação da sociedade e com o fim do Estado burguês. Tudo indica ser essa a alternativa capaz de enfrentar a ofensiva deletéria da extrema direita. Trata-se de uma tendência mundial que já se ensaia até mesmo em países como Dinamarca, Finlândia, França e Estados Unidos, e por aqui não será diferente.


*O autor é comunicólogo e jornalista. Doutor em Educação e mestre em Artes Visuais.
Trabalha com Educação comunicacional e midiática.


terça-feira, 2 de janeiro de 2024

O TREM NÃO É TÃO BÃO QUANTO QUEREM QUE PAREÇA SER

 

(Imagem: Site Uol Notícias)


Balanço do primeiro ano 

do terceiro Governo Lula

O primeiro ano de um governo – qualquer governo –, é um período de créditos e crendices. Dá-se crédito para que o novo governante tome pé da situação, estruture a governança, trace a rota, abasteça a máquina e coloque o trem para andar na direção traçada e esperada. A população põe fé, acredita. Cruza os dedos, cada um reza para o seu santo e aguarda a partida. No nosso caso, a arrancada foi tumultuada, lenta e obstaculizada.
Embora muitos tenham ficado na plataforma e outros nem tenham chegado à estação, o trem partiu, apinhado de gente e com uma parte da tripulação nada confiável. A paisagem não era e continua não sendo das mais agradáveis de se ver. São muitos túneis e precipícios. E o trem parece se mover em slow motion.
O economista que exerceu a função de porta-voz da presidência da república no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, André Singer, professor titular do Departamento de Ciência Política da USP e autor do livro, O lulismo em crise e Fernando Rugistsky, professor de economia da University of the West of England, em Bristol, onde também é codiretor de pesquisa em economia, fizeram um balanço do primeiro ano do Governo Lula, no site A Terra é Redonda.

Eles analisam a situação por dentro e assim também procedo na leitura do artigo e dessa nossa realidade sofrível. Abaixo, um breve trecho do artigo, escrito por dois progressistas (reitero), setor com o qual também estou alinhado, que nos ajuda a compreender a situação:


Após ter vencido à frente de um heterogêneo ajuntamento de salvação democrática, o presidente decidiu entoar a melodia lulista clássica: fazer, no atacado, concessões à burguesia e, no varejo, buscar as brechas por meio das quais consiga beneficiar, em alguma medida, os segmentos populares. Só que o tema vem se desenvolvendo em andamento lentíssimo, tornando duvidosos os movimentos previstos para os períodos eleitorais de 2024 e 2026.*

Nunca é demais lembrar que, apesar de uma breve descontinuidade medonha, este é o terceiro mandato de Lula e lá se vão 15 anos de PT no comando do país. Portanto, falta de experiência política não é. Será que nada foi apreendido ou teremos que “esperar momento mais propício”, mais uma eleição geral para elegermos um parlamento comprometido com as urgentes reformas pelas quais o país grita? Como dizia o doutor Ulysses Guimarães, “se acham esse parlamento ruim, espere para ver o próximo”.
No primeiro mandato de Lula não era tão diferente. Lembram do mensalão? Pois é, ele vem de anos, com nomes diferentes.
Se Lula em 1993 denunciou o toma lá dá cá do congresso que virou até música dos Paralamas do Sucesso – “Luíz Inácio (300 picaretas)”, do LP Vamo batê lata / 1995  –, a maracutaia já era braba imagine agora com 513 e entre eles representantes de milicos e milícias, tráfico, setor financeiro, fisiologismos, populismos e bancadas do boi, da bala e da bíblia?
Em 2024 o governo necessita de apoio irrestrito da população, mas também de muitas críticas, cobranças e povo na rua.

* Clique aqui e leia também a íntegra do artigo de André Singer e Fernando Rugistsky para entender as estratégias que estão sendo adotadas pelo governo.


segunda-feira, 1 de julho de 2019

OS "VAZAMENTOS" E AS CONTRA-PROVAS PODEM DAR LIBERDADE A LULA


Mudanças na delação da maior testemunha contra Lula 
gerou desconfiança na Lava Jato

(Foto: Antônio Lacerda / EFE)

Novas mensagens de procuradores da Lava Jato obtidas pelo site The Intercept Brasil e publicadas neste domingo pelo jornal Folha de S.Paulo apontam que os acusadores desconfiaram da versão da principal testemunha contra Lula no caso do triplex do Guarujá. Léo Pinheiro, dono da construtora OAS, mudou de versão ao longo de meses até que, finalmente, incriminou o ex-presidente e afirmou que ele chegou a orientá-lo a destruir provas. Em sua versão final, aceita pelos procuradores, ele afirmou que o apartamento no litoral de São Paulo era um presente a Lula em troca de benesses do Governo. O petista acabou condenado por Sergio Moro, que considerou que o ex-presidente recebeu da construtora dinheiro de corrupção dissimulado na compra do apartamento em troca de desvios de contratos com a Petrobras. Lula cumpre pena de 8 anos e 10 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em entrevista ao EL PAÍS, Lula afirmou que Pinheiro disse a seu advogado que mudou o depoimento por orientação de seu defensor.
O depoimento de Léo Pinheiro foi fundamental para a condenação do ex-presidente. Ele foi usado como base para a denúncia da força-tarefa, que afirmava que o Grupo OAS, presidido pelo empreiteiro, pagou 87,6 milhões de reais em propinas por contratos com a Petrobras. Um porcento desse valor, apontou a força-tarefa da Lava Jato, foi destinado a agentes políticos do PT em uma conta geral de propina que o partido mantinha com a construtora. Desta conta, afirma, teriam saído 2,42 milhões para o caso do Guarujá, referentes à diferença de valor entre o triplex e o apartamento tipo que a família de Lula já tinha comprado no edifício na cota de uma cooperativa e em reformas e bens para o imóvel.
Para ler a matéria de Talita Bedinelli para o El País, clique aqui.

sábado, 6 de outubro de 2018

HÁ QUE SE RESISTIR AO RADICALISMO


Historiadora prevê que o Nordeste vai resistir 
ao fascismo nas urnas

Foto: Ricardo Stuckert

Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, a historiadora e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Patrícia Valim, afirmou que a onda de apoio ao candidato Jair Bolsonaro (PSL) encontrará uma forte resistência na região Nordeste.
O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, escolheu a Bahia para encerrar a campanha presidencial neste sábado (6), ao lado do favorito para ganhar o governo do estado ainda no primeiro turno, o governador Rui Costa (PT). 
Segundo Valim, é preciso diferenciar a expressão do lulismo na região Nordeste e em outras regiões do país. “Em alguns estados do Nordeste o Haddad é predominante. O lulismo no centro-sul e aqui são coisas diferentes. E o golpe produziu esse surgimento dessas lideranças fascistas, mas sobretudo no centro-sul, no Nordeste não. Acho que o Nordeste sabe o que é, porque sente na pele. A primeira região que sentiu os efeitos das medidas do governo Temer foi o Nordeste”.
De acordo com dados do Ibope, o candidato do PT ganha em sete dos nove estados da região. Ciro Gomes lidera a intenção de voto em seu estado, o Ceará. “As pesquisas têm mostrado que os candidatos do campo progressista, incluindo o Ciro, têm predominância, destaca”.
Valim afirma que as manifestações do dia 29 de setembro contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) contribuíram, por um lado, para que os apoiadores do candidato se empoderassem para responder ao seu modo, mas por outro, devem seguir pautando as eleições até o segundo turno. 
“O #EleNÃO é um movimento que foi muito forte no Nordeste. Aqui em Salvador, fizemos uma manifestação com 100 mil mulheres. Nacionalmente, foram mais de 3 milhões de mulheres. E somos mais da metade dos eleitores. Não há projeto que não passe pelas demandas do 29 de setembro”. 
Para a historiadora, a tarefa de ganhar as ruas passa pela capacidade de unidade dos setores democráticos e progressistas para derrotar o fascismo. “Eu acho que era preciso construir uma frente antifascista agora, no primeiro turno. Mas eu espero que na segunda-feira a gente possa ver Haddad, Ciro, Manuela, Boulos, todos juntos numa campanha bonita. A gente precisa ter uma frente boa e forte”.
(Fonte: Site Brasil de Fato, 06 de outubro de 2018)

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

BOLSONARO X HADDAD


Não existem dois extremos

Eugênio Magno


É forçar muito a barra vender para a população brasileira a ideia de que nestas eleições existe uma polarização entre a extrema direita e a extrema esquerda. Nada mais falacioso.
Na verdade, o que temos é a disputa entre um projeto que pretende recuperar conquistas sociais e recolocar a classe trabalhadora entre as prioridades de governo contra uma proposta de ampliação dos cortes das políticas sociais, em nome de uma ordem subjetiva e do capital. De um lado, a extrema direita, representada militarmente, inclusive, por um capitão que tem como vice um general. Do outro lado, um grupo político que já esteve no poder e que, ao longo de 14 anos de governo, jamais adotou qualquer agenda extremista.
 O PT, embora tachado pelas elites como partido radical, se comporta de forma bastante moderada, muito mais próximo da chamada centro esquerda. A escolha, portanto, não é entre dois extremos, mas entre um grupo cuja orientação é claramente radical e um campo democrático – com acento no social – que defende a soberania popular, o funcionamento republicano das instituições e o estado democrático de direito.
É importante que o eleitorado se dê conta do medo que está sendo imposto à população por uma fatia mínima da sociedade que controla a mídia e o capital e é formada pelos setores mais conservadores e atrasados do país.
A sensatez, o equilíbrio e o reposicionamento do Brasil entre os países mais importantes do mundo, assegurando dignidade aos mais pobres e garantias democráticas, não depende de nenhuma terceira via. Até porque essa maluquice de que “o Brasil poderá se tornar uma Venezuela ou Cuba” é uma estupidez. A grande imprensa tem que parar com essa orquestração desafinada e não esconder a real: o maior risco que corremos é de nos tornar uma Argentina, de Macri, se o país cair em mãos erradas e as reformas neoliberais se aprofundarem por aqui.
Recolocar o país nos trilhos do desenvolvimento e avançar nas reformas que garantam à população o direito a ter direitos, regule as relações comerciais, incentive a geração de trabalho e renda e salvaguarde a dignidade da vida humana é dever de Estado e obrigação dos governantes.
Haddad não representa nenhum risco à institucionalidade do país e, dentre os presidenciáveis, é o único com chances reais de fazer parar a força reacionária que semeia o ódio, tem promovido grande estrago nas relações humanas e sociais e pode levar o Brasil do caos às trevas.
Não acredito que pessoas de bem, com um mínimo de informação, cometerão o voto envergonhado, de cidadão acuado, refém do medo. Elas sabem que a pátria pode sangrar e que suas consciências irão gritar.
Diante do quadro eleitoral que se formou, quero crer que as lideranças mais sensatas do país terão lucidez suficiente para contribuir com Fernando Haddad para que ele possa ser bem-sucedido na repactuação da democracia e em seu projeto de retomada do desenvolvimento e crescimento econômico com justiça social.
Apesar do terrorismo de mercado e da ação nefasta das aves agourentas da mídia hegemônica e do reacionarismo da classe política conservadora, o bom senso prevalecerá.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

ESQUERDAS LATINO-AMERICANAS PRECISAM FAZER DEVER DE CASA


PT deveria realizar 'comissão da verdade' 
para examinar seus erros, 
diz Noam Chomsky


Considerado um dos mais importantes linguistas do mundo, o filósofo e ativista de esquerda americano Noam Chomsky afirma que o PT deveria estabelecer "uma espécie de comissão da verdade" para analisar os erros cometidos pelo partido.
"Eles tiveram tremendas oportunidades. Algumas foram usadas em benefício da população, outras foram perdidas. É preciso perguntar por que isso ocorreu, e fazer isso publicamente. E realizar reformas internas que impeçam que aconteça outra vez", considera Chomsky, em entrevista à BBC News Brasil.
Conhecido por seu forte ativismo de esquerda, Chomsky tem saído em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assinou manifesto a favor do petista e participou, na última sexta-feira, em São Paulo, de um seminário organizado por Celso Amorim, ex-ministro de Relações Exteriores de Lula, na Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT.
Para ler na íntegra a matéria de Júlia Dias Carneiro para a BBC, clique aqui.
(Fonte: BBC News Brasil)

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

ALTERNATIVAS DE LUTA PELA DEMOCRACIA


“Julgamento de Lula serviu para acabar com as ilusões. A luta é na rua”, diz Lindbergh Farias 




Após o resultado do TRF 4 na tarde de quarta, dia 24, os ânimos estavam exaltados na Praça da República. A caminhada até a avenida Paulista havia sido proibida pelo prefeito.
Mas ninguém estava disposto a dar ouvidos ou conceder obediência. O comandante da polícia militar postou um cordão de soldados na avenida Ipiranga para impedir a marcha.
Na mesma avenida onde, um dia antes, o mesmo comandante havia impedido uma manifestação contra o aumento da tarifa do transporte público – agindo com truculência e detenções de adolescentes – Guilherme Boulos não negociou: “Nós vamos passar”, e logo as cerca de 30 mil pessoas puseram-se a andar.
Imediatamente o cordão da PM se desfez, manso. Na rua da Consolação, o senador Lindbergh Farias,  fez um dos discursos mais contundentes ao lado de Lula. 
Confira a entrevista sobre a condenação do Lula que o senador Lindbergh Farias deu ao DCM, clicando aqui.

domingo, 10 de dezembro de 2017

BARRACO NA CONVENÇÃO NACIONAL DO PSDB



PSDB chuta Aécio, que nem saiu na foto e fugiu pela porta dos fundos; Alckmin assume partido e militantes brigam, 
teve até cadeiradas

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi eleito presidente do PSDB neste sábado (9) em convenção do partido em Brasília. Ele ocupará o cargo pelos próximos dois anos. 
O primeiro vice-presidente presidente será Marconi Perillo e o segundo, Ricardo Tripoli, aliado de Tasso.
Com a chegada à presidência da sigla, Alckmin começa a erguer sua candidatura presidencial.
Em seu primeiro discurso no posto, como antecipou a Folha, o paulista fez críticas pesadas ao PT e afirmou que Lula, seu possível adversário nas urnas em 2018, quer “voltar à cena do crime”.
Para ler e ver mais baixarias da convenção tucana, clique aqui.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

O INSUSTENTÁVEL (DES)GOVERNO DE TEMER


Michel Temer apela a Alckmin e Doria para manter PSDB

O presidente Michel Temer apelou ao governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e ao prefeito, João Doria, para que eles trabalhem no sentido de esvaziar o caráter deliberativo da reunião da Executiva ampliada do PSDB marcada para hoje e que pode definir a saída dos tucanos da base aliada ao Palácio do Planalto.
Após a vitória de Temer no julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na sexta-feira, 9, o presidente, por meio de aliados e ministros do PSDB, pediu a Doria e a Alckmin que deem mais tempo a ele para reorganizar sua base e mostrar que o governo ainda tem força para aprovar as reformas defendidas pelo prefeito e pelo governador, principalmente a da Previdência. Dentro do próprio PSDB é dado como certo que Temer não conseguirá fazer as reformas sem o apoio dos tucanos.
O medo de Temer é de que a saída do PSDB do governo crie um "efeito manada", na expressão de um senador do PMDB próximo a Temer, às vésperas de a Câmara dos Deputados analisar uma eventual denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente. Ou seja, a saída dos tucanos pode motivar outros partidos a seguir o mesmo caminho.
Na avaliação do Planalto, se os dois tucanos paulistas trabalharem para esvaziar a reunião de hoje ou para cabalar votos pela permanência do PSDB na base, a vitória de Temer estará garantida na Executiva, que tem 17 membros, caso haja uma votação deliberativa. 
Para continuar lendo a matéria, publicada hoje pelo Jornal O Tempo, clique aqui.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

CRISES: POLÍTICA, MORAL, ÉTICA ...



Sinceramente, o Brasil atual tem jeito?


Leonardo Boff

Quem olha a cena político-social-econômica atual se pergunta sinceramente:o Brasil tem jeito? Um bando de ladrões, travestidos de senadores-juízes tenta, contra todos os argumentos em contrário, condenar uma mulher inocente, a Presidenta Dilma Rousseff, contra a qual não se acusa de nenhuma apropriação de bem público e de corrupção pessoal.
Com as recentes delações premiadas, ficou claro que o problema não é a Presidenta, É a Lava Jato que, para além das acusações seletivas contra o PT, está chegando à maioria dos líderes da oposição. Todos, de uma forma ou outra, se beneficiaram das propinas da Petrobrás para garantir a sua vitória eleitoral. “Precisamos estancar essa sangria” diz um dos notórios corruptos; “do contrário seremos todos comidos; há que afastar a Dilma”.
Ninguém aliena nada de seus bens para financiar sua campanha. Nem precisa: existe a mina do caixa 2 abastecida pelas empresas corruptoras que criam corruptos a troco de vantagens posteriores em termos de grandes projetos, geralmente superfaturados, donde adquirem grande parte de suas fortunas.
Chegamos a um ponto ridículo, aos olhos do mundo: dois presidentes, um usurpador, fraco e sem nenhuma liderança e outro legítimo mas afastado e feito prisioneiro em seu palácio; dois ministros do planejamento, um retirado e outro substituto: um governo monstruoso, antipopular e reacionário.    Estamos efetivamente num voo cego. Ninguém sabe para onde vai esta nação, a sétima economia do mundo, com jazidas de petróleo e gás das maiores do mundo e com uma riqueza ecológica sem comparação, base da futura economia. Assim como se delineia a correlação de forças, não vamos a lugar nenhum, senão a um eventual conflito social.


O pobre, a maioria da população, se acostumou a sofrer e a encontrar saídas como pode. Mas chega a um ponto em que o sofrimento se torna insuportável. Ninguém aguenta, indiferente, vendo um filho morrer de fome ou de absoluta falta de assistência médica. E diz: assim não pode ser; temos que rebelar-nos.
Isso me faz lembrar um bispo franciscano do século XIII da Escócia que recusando os altos impostos cobrados pelo Papa, respondeu: non accepto, recuso et rebello” (“não aceito, me recuso e me rebelo”). E o Papa retrocedeu. Não poderá ocorrer algo semelhante entre nós?
Quando, nas palestras, fazendo um esforço imenso para deixar um laivo de esperança, me dizem: ”mas você é pessimista”! Respondo com Saramago: “não sou pessimista; a realidade é que é péssima”. Efetivamente, a realidade está sendo péssima para todos, menos para aquelas elites endinheiradas, acostumadas à rapinagem, ganhando com a desgraça de todo um povo. Elas têm o seu templo de profanação na Avenida Paulista em São Paulo, onde se concentra grande parte do PIB brasileiro.
O grave é que estamos faltos de lideranças. Abstraindo o ex-presidente Lula, cujo carisma é inconteste, apontam dois, Ciro Gomes e Roberto Requião, para mim, os únicas lideranças fortes, que têm a coragem de dizer a verdade e pensam no Brasil mais que nas disputas partidárias.
Essa crise tem um pano de fundo nunca resolvido em nossa história, desmascarado recentemente por Jessé Souza. (A tolice da inteligência brasileira, 2015). Somos herdeiros de séculos de colonialismo que nos deixaram a marca  de “vira-latas” sempre dependendo dos outros de fora. Pior ainda é a herança secular do escravismo que fez com que os herdeiros da Casa Grande se sintam senhores da vida e da morte dos negros e pobres. Não basta lançá-los nas periferias; há que desprezá-los e humilhá-los. E a classe média que imita os de cima, tolamente se deixa manipular por eles e inocentemente se fazem cúmplices da horrorosa desigualdade social.
Essas elites de super-endinheirados (71.440 pessoas lucram 600 mil dólares por mês nos diz o IPEA) conquistaram os meios de comunicação de massa, golpistas e reacionários, que funcionam como azeite para a sua maquinaria de dominação. Essas elites nunca quiseram a democracia, apenas aquela de baixíssima intensidade, que a podem comprar e manipular; preferem os golpes e a ditadura.
Hoje já não é mais possível pelas baionetas. Excogitou-se outro expediente: o golpe vem por uma artificiosa articulação entre  políticos corruptos, o judiciário politizado e a repressão policial. Três tipos de golpe, portanto: o político, o jurídico e o policial.
Termino com as palavras pertinentes de Jessé Souza: “encontramo-nos num mundo comandado por um sindicato de ladrões na política, uma justiça de "justiceiros" que os protege, uma elite de vampiros e uma sociedade condenada à miséria material e à pobreza espiritual. Esse golpe precisa ser compreendido por todos. Ele é o espelho do que nos tornamos”. Direi como Martin Heidegger:“só um Deus nos poderá salvar”? Marx talvez seja mais modesto e verdadeiro:”para cada problema há sempre uma solução”. Deverá surgir uma para nós.
(Fonte: site Carta Maior)

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

ONDE ESTÃO AS NOVAS LIDERANÇAS (???)


Sem perspectivas futuras,
brasileiro se declara órfão de lideranças

Uma nova pesquisa de opinião do instituto CNT/MDA veio confirmar a rejeição dos brasileiros ao Governo Dilma. Segundo o levantamento, apenas 8,8% dos entrevistados têm uma avaliação positiva sobre o seu Governo, contra 70% que o rejeitam. Se por um lado a população se afasta da presidenta, por outro, não aumenta o apoio a nenhuma alternativa atual. Se uma nova eleição para presidente acontecesse hoje no país, nenhuma opção de liderança da política atual agradaria os eleitores. Nem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visto como o grande salvador do PT nos momentos de crise, nem qualquer um dos opositores que poderiam entrar na disputa contra ele. Em meio a crise política atual, o Brasil procura um novo líder, algo que diversos nomes importantes do cenário político admitem, em uma análise de seus próprios partidos.
Para ler na íntegra a reportagem de Talita Bedinelli, publicada por El País, ontem, clique aqui.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

O BOM SENSO AINDA PREVALECE EM UMA MINORIA ESCLARECIDA


"Pela primeira vez no Brasil, temos gente rica assustada"



Sócio majoritário do conglomerado Semco Partners e ex-professor de Harvard e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Ricardo Semler tornou-se um dos empresários brasileiros mais conhecidos no exterior nos anos 90 por aplicar em sua empresa princípios gerenciais que ficaram conhecidos como 'democracia corporativa'.
Na Semco, os trabalhadores escolhem seus salários, horário e local de trabalho, além dos seus gerentes. A hierarquia rígida foi substituída por um regime em que todos podem opinar no planejamento da empresa.
Recentemente, Semler voltou a ganhar notoriedade no Brasil e no exterior por dois motivos. Primeiro, porque o desempenho extraordinário de algumas empresas criadas por jovens empreendedores (como Facebook e Google) aumentou o interesse por práticas gerenciais inovadoras.
Segundo, em função de um artigo polêmico publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, em que, ao comentar o caso de corrupção na Petrobras, Semler defendeu que "nunca se roubou tão pouco" no Brasil.
"Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80 e 90, até recentemente", escreveu ele.
Semler é filiado ao PSDB, mas o artigo acabou sendo usado por quem defende o ponto de vista do governo e do PT no escândalo.
Ao comentar o episódio em entrevista à BBC Brasil, o empresário defendeu que a politização do debate sobre corrupção é contraproducente e que o escândalo da Petrobras e as repercussões do caso envolvendo a divulgação dos nomes de brasileiros com conta no HSBC da Suíça são sinais de que o país está mudando. "Pela primeira vez no Brasil temos gente rica assustada", afirmou.
O empresário também defendeu um aumento do imposto sobre transmissão (herança) para os donos de grandes fortunas e disse que aceitaria pagar até 50%. "Isso não afetaria em nada a disposição do empresário em investir", opinou. Confira abaixo a entrevista clicando aqui.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

ESTÁ TUDO COMO DANTES NO QUARTEL D' ABRANTES


Eleições sem novidades em Belo Horizonte

As pesquisas acertaram: os eleitores belohorizontinos votaram com a pesquisa, ou o buraco é mais em cima?
Quem ganhou e quem perdeu as eleições? O que esteve em jogo afinal, os projetos para BH, de Lacerda e Patrus, ou o capital político de Lula e Dilma contra Aécio e Anastasia?
O julgamento do mensalão durante a campanha eleitoral foi intencional ou não? Por quê vários veículos de comunicação ao noticiarem a condenação de José Dirceu como mandante do mensalão, escolheram justo uma imagem na qual o ex-ministro, Patrus Ananias, estava ao seu lado?
Qual é o futuro do PT?
Os eleitores escolheram bem ou estão potencializando ainda mais a força de um grupo político que perpetua no poder em Minas, há décadas?
Essas e outras perguntas só começarão a ser respondidas ao longo dos anos de 2013 e 2014, quando as articulações para as eleições de Presidente da República e Governadores de Estado saírem da penumbra.
E por falar em penumbra, aconteceu um fato curioso nessas eleições. As abstenções atingiram 351.242 votos. Isso, somado aos 138.065 votos nulos e aos 87.366 brancos, dá um total de (pasmem) 576.683 votos.
Com tudo isso, o candidato criado por Aécio Neves e Fernando Pimentel, Márcio Lacerda, do PSB, foi mais uma vez vitorioso. Reeleito no primeiro turno, com 52,69 % dos votos, vai governar Belo Horizonte por mais 4 anos e está tudo como dantes no quartel d’ Abrantes. Mas os eleitores que o apóiam devem também fiscalizar o seu mandato e, seus opositores, apontar os equívocos e cobrar promessas e avanços, especialmente na área social.
A Câmara Municipal, embora tenha tido uma considerável renovação nos nomes dos novos ocupantes de suas cadeiras (22 novos vereadores), terá maioria absoluta da coligação que elegeu Lacerda. Dos 41 vereadores apenas 9 são de oposição.
Daniel Nepomuceno, Alexandre Gomes, Leo Buguês, Pablito, Pastor Henrique, Sérgio Fernando, Leonardo Mattos, Ronaldo Gontijo, Joel Moreira, Bruno Miranda, Autair Gomes, Elaine Matozinhos, Gunda, Preto, Arnaldo Godoy, Tarcísio Caixeta, Adriano Ventura, Silvinho Resende, Iran Barbosa e Wellington Magalhães, cassado em 2010, acusado de compra de votos, foram reeleitos. Resta saber se o legislativo municipal continuará funcionando como quintal do poder executivo ou ajudará o povo a fiscalizar os atos do prefeito.
Além de Lacerda, a grande vencedora dessas eleições foi Maria da Consolação, do PSOL que, com 4,25% (54 mil 530) dos votos válidos, ganha fácil uma cadeira na Assembléia Legislativa de Minas Gerais e tem grandes chances de se eleger como deputada federal nas próximas eleições.
Quanto a nós, eleitores, só ganharemos alguma coisa, se os ocupantes dos poderes públicos cumprirem suas promessas. Todavia, para que isso realmente ocorra, temos que levantar do berço esplêndido, fiscalizar, cobrar e, exigir que não sejamos reprimidos quando estivermos exercendo nossos direitos de cidadãos, reivindicando uma política ética, justa e humanitária.

(O artigo também pode ser lido na edição de 11.10.12, do jornal "O Tempo", Editoria de Opinião, com o título "Sem novidades". Acesse-o pelo link http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=213584,OTE&IdCanal=2).