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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

MINISTRO RELATOR DA LAVA JATO TERIA SIDO ASSASSINADO?


'É preciso investigar se foi acidente ou não', diz filho de Teori


O advogado Francisco Prehn Zavascki, filho do ministro Teori Zavascki, que morreu nesta quinta-feira, 19, em Paraty (RJ), cobrou uma investigação da morte do pai e disse que nenhuma possibilidade está descartada. "É preciso investigar a fundo e saber se foi acidente ou não, que a verdade venha à tona seja ela qual for", afirmou à Rádio Estadão.
Francisco disse que a família está em contato com autoridades para acompanhar os desdobramentos das investigações. O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) já comunicaram que abriram processos para apurar as causas do acidente. "Ainda não parei para pensar, não deu tempo para pensar com mais calma nisso, mas não podemos descartar qualquer possibilidade. No meu íntimo, eu torço para que tenha sido um acidente, seria muito ruim para o País ter um ministro do Supremo assassinado", disse.
O filho relatou ainda que havia grupos contrários às investigações de casos de corrupção no País e que o ministro já teria recebido ameaças. Ele era relator dos processos da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), sendo responsável por conduzir os julgamentos de investigados com foro privilegiado. "Seria infantil dizer que não há movimento contrário, agora a questão é o que o movimento seria capaz de fazer", afirmou.
Francisco Zavascki disse que o pai estava bastante concentrado na homologação das colaborações premiadas de executivos e ex-executivos da Odebrecht, o que estava programado para ocorrer em fevereiro. "Ele tinha perfeita noção do impacto que tem no País e que isso poderia realmente fazer o País ser passado a limpo."
O velório do corpo do ministro do STF vai ser realizado na sede do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. 
(Fonte: Jornal O Tempo)

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O DESMEDIMENTO DA HIPOCRISIA


Temer diz não se preocupar com popularidade 
enquanto faz campanha milionária para justificar fiasco

Kiko Nogueira



Perguntar a Michel Temer sobre o que ele acha de sua falta de popularidade é tão inútil quando questionar o papa sobre a existência da Santíssima Trindade.
Michel tem um texto padrão para seu fiasco. À Jovem Pan, ele disse que não leva em conta os resultados. O Ibope aponta aprovação de 14% do cidadão.
Para uma rádio de Salvador, garantiu que considera “natural” o baixo índice. “Você sabe que de vez em quando eu falo de brincadeira que se eu chegar no final do governo e tiver 2% de popularidade, mas o povo brasileiro estiver satisfeito, eu me dou por satisfeito”, afirmou.
Na semana passada, num evento da Exame, quando desfiou a tese da herança maldita, contou que “troca popularidade por crescimento econômico” e que não se importa com isso desde que o Brasil volte a crescer.
Temer e sua gente acham que ele está sendo humilde, sincero ou algo que o valha. Na verdade, está admitindo que não precisa ser aprovado pela maioria dos brasileiros porque não foi assim que chegou ao poder e não é assim que sairá de lá.
Um sujeito que assume montado num impeachment fraudulento, chancelado pelo Congresso e pelo STF, que nunca foi campeão de votos na vida deveria se preocupar? Vocês, otários, que se danem.
O cinismo fica mais explícito diante dos gastos em publicidade num momento em que o governo alardeia a necessidade de cortes e ajustes.
A campanha “Vamos tirar o Brasil do vermelho para voltar a crescer”, veiculada maciçamente na mídia amiga, elenca as causas e consequências da crise.
Como sugere o título, a responsabilidade é do “lulodilmismo”, como se o PMDB tivesse sido oposição nos últimos catorze anos. As desgraças vão de obras públicas inacabadas por falta de recursos a prejuízos de empresa estatais.
agência Lupa listou algumas das falácias do anúncio. O gasto do Ministério da Educação não é aquele (“subiu 285% acima da inflação entre 2004 e 2014”), a extinção de cargos de confiança está sob suspeita, entre outras.
Se o chefe do bando se declara tão blasé com a impopularidade e o fato de viver clandestino, por que uma campanha milionária para se justificar?
Quanto custou? Por quanto tempo ela será veiculada?
Não faz sentido cobrar de Temer considerações acerca de sua impopularidade porque ele carrega uma mentira de bolso. Melhor se preocupar com o dinheiro que você está pagando para que ele diga isso enquanto seu governo tenta salvar o golpe que ele deu.
(Fonte: Site DCM)

segunda-feira, 25 de julho de 2016

CRISES: POLÍTICA, MORAL, ÉTICA ...



Sinceramente, o Brasil atual tem jeito?


Leonardo Boff

Quem olha a cena político-social-econômica atual se pergunta sinceramente:o Brasil tem jeito? Um bando de ladrões, travestidos de senadores-juízes tenta, contra todos os argumentos em contrário, condenar uma mulher inocente, a Presidenta Dilma Rousseff, contra a qual não se acusa de nenhuma apropriação de bem público e de corrupção pessoal.
Com as recentes delações premiadas, ficou claro que o problema não é a Presidenta, É a Lava Jato que, para além das acusações seletivas contra o PT, está chegando à maioria dos líderes da oposição. Todos, de uma forma ou outra, se beneficiaram das propinas da Petrobrás para garantir a sua vitória eleitoral. “Precisamos estancar essa sangria” diz um dos notórios corruptos; “do contrário seremos todos comidos; há que afastar a Dilma”.
Ninguém aliena nada de seus bens para financiar sua campanha. Nem precisa: existe a mina do caixa 2 abastecida pelas empresas corruptoras que criam corruptos a troco de vantagens posteriores em termos de grandes projetos, geralmente superfaturados, donde adquirem grande parte de suas fortunas.
Chegamos a um ponto ridículo, aos olhos do mundo: dois presidentes, um usurpador, fraco e sem nenhuma liderança e outro legítimo mas afastado e feito prisioneiro em seu palácio; dois ministros do planejamento, um retirado e outro substituto: um governo monstruoso, antipopular e reacionário.    Estamos efetivamente num voo cego. Ninguém sabe para onde vai esta nação, a sétima economia do mundo, com jazidas de petróleo e gás das maiores do mundo e com uma riqueza ecológica sem comparação, base da futura economia. Assim como se delineia a correlação de forças, não vamos a lugar nenhum, senão a um eventual conflito social.


O pobre, a maioria da população, se acostumou a sofrer e a encontrar saídas como pode. Mas chega a um ponto em que o sofrimento se torna insuportável. Ninguém aguenta, indiferente, vendo um filho morrer de fome ou de absoluta falta de assistência médica. E diz: assim não pode ser; temos que rebelar-nos.
Isso me faz lembrar um bispo franciscano do século XIII da Escócia que recusando os altos impostos cobrados pelo Papa, respondeu: non accepto, recuso et rebello” (“não aceito, me recuso e me rebelo”). E o Papa retrocedeu. Não poderá ocorrer algo semelhante entre nós?
Quando, nas palestras, fazendo um esforço imenso para deixar um laivo de esperança, me dizem: ”mas você é pessimista”! Respondo com Saramago: “não sou pessimista; a realidade é que é péssima”. Efetivamente, a realidade está sendo péssima para todos, menos para aquelas elites endinheiradas, acostumadas à rapinagem, ganhando com a desgraça de todo um povo. Elas têm o seu templo de profanação na Avenida Paulista em São Paulo, onde se concentra grande parte do PIB brasileiro.
O grave é que estamos faltos de lideranças. Abstraindo o ex-presidente Lula, cujo carisma é inconteste, apontam dois, Ciro Gomes e Roberto Requião, para mim, os únicas lideranças fortes, que têm a coragem de dizer a verdade e pensam no Brasil mais que nas disputas partidárias.
Essa crise tem um pano de fundo nunca resolvido em nossa história, desmascarado recentemente por Jessé Souza. (A tolice da inteligência brasileira, 2015). Somos herdeiros de séculos de colonialismo que nos deixaram a marca  de “vira-latas” sempre dependendo dos outros de fora. Pior ainda é a herança secular do escravismo que fez com que os herdeiros da Casa Grande se sintam senhores da vida e da morte dos negros e pobres. Não basta lançá-los nas periferias; há que desprezá-los e humilhá-los. E a classe média que imita os de cima, tolamente se deixa manipular por eles e inocentemente se fazem cúmplices da horrorosa desigualdade social.
Essas elites de super-endinheirados (71.440 pessoas lucram 600 mil dólares por mês nos diz o IPEA) conquistaram os meios de comunicação de massa, golpistas e reacionários, que funcionam como azeite para a sua maquinaria de dominação. Essas elites nunca quiseram a democracia, apenas aquela de baixíssima intensidade, que a podem comprar e manipular; preferem os golpes e a ditadura.
Hoje já não é mais possível pelas baionetas. Excogitou-se outro expediente: o golpe vem por uma artificiosa articulação entre  políticos corruptos, o judiciário politizado e a repressão policial. Três tipos de golpe, portanto: o político, o jurídico e o policial.
Termino com as palavras pertinentes de Jessé Souza: “encontramo-nos num mundo comandado por um sindicato de ladrões na política, uma justiça de "justiceiros" que os protege, uma elite de vampiros e uma sociedade condenada à miséria material e à pobreza espiritual. Esse golpe precisa ser compreendido por todos. Ele é o espelho do que nos tornamos”. Direi como Martin Heidegger:“só um Deus nos poderá salvar”? Marx talvez seja mais modesto e verdadeiro:”para cada problema há sempre uma solução”. Deverá surgir uma para nós.
(Fonte: site Carta Maior)

quinta-feira, 26 de maio de 2016

AS CRISES DA (E NA) CRISE


" O neoliberalismo enfrenta uma profunda crise intelectual" 
(entrevista com Frédéric Lebaron)

Nesta entrevista Frédéric Lebaron analisa a “crise de confiança” que as propostas neoliberais atravessam depois das experiências progressistas na América Latina e da crise financeira global, mas adverte que as elites que as promovem seguem em posições de poder.
“O neoliberalismo já não é mais capaz de impor-se como antes”, disse Lebaron, mas as elites que as promovem “seguem em posições de poder”. Sociólogo francês, Lebaron foi auxiliar de Pierre Bourdieu no Collège de France e está na Argentina a convite do Centro Franco Argentino em Altos Estudos da UBA, para um seminário sobre “As políticas neoliberais contemporâneas”.
Nesta entrevista concedida ao Página/12, assinala que as ideias e as promessas associadas à suposta “eficiência natural do mercado” – as mesmas que buscam sua reconstituição na América Latina – atravessam “uma verdadeira crise de confiança” e produziram na Europa “um crescimento das desigualdades nas condições de vida”.
A entrevista é de Javier Lorca e publicada por Página/12, 23-05-2016, com tradução de André Langer. Para ler a entrevista, clique aqui.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

PUBLICIDADE EM MOMENTO DE CRISE


Qual o valor de uma relação?

Convidado para fazer uma palestra sobre a "jornada do consumo no mercado de luxo", o CEO, da agência Garage, do IMS Group, Max Petrucci, afirma em artigo de opinião para Meio e Mensagem que fez uma profunda reflexão alinhada com o caminho que, segundo ele, a publicidade está destinada a fazer: "ou acompanhamos as mudanças e ajudamos as marcas a encontrarem seu propósito, conectando o briefing do cliente com o briefing latente da sociedade, das pessoas, ou vamos sucumbir à crise". Para ler o artigo, clique aqui.