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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

PARADOXOS E CONTRADIÇÕES


(Imagem gerada por Inteligência Artificial - Gemini, em 13.11.25)


Pobre de Direita X Esquerda Caviar 

Eugênio Magno* 

Nada mais insensato do que rotular as pessoas de “pobre de direita” e de “esquerda caviar” com o propósito de desqualificar suas bandeiras. Até porque, esquerda e direita, na atualidade, significam muito pouco ou quase nada quando tomamos como referencial as suas representações hegemônicas um tanto descaracterizadas. Quando as expressões direita e esquerda, respectivamente, se juntam a pobre e a caviar a coisa fica pior ainda. Especialmente neste contexto polarizado das disputas de narrativas nas redes digitais que têm se reduzido a xingamentos e agressões.

Ainda que direita e esquerda não tivessem perdido tanto seus significados, ter nascido pobre ou rico não descredenciaria nenhum cidadão para militar em um ou outro desses espectros políticos. O imperativo definidor de tal ou qual filiação deveria ser o desejo, o sentimento de pertença a determinado regime, cultura ou grupo, de seus ideais e parâmetros éticos, estribados em convicções pessoais e na livre vontade. Nesse ponto, não podemos nos esquecer de que tudo isso tem a ver com liberdade, e liberdade tem implicações e princípios. Além daqueles destacados nos ideais da Revolução Francesa, igualdade, liberdade e fraternidade, pelo menos mais dois poderiam ser incluídos: consciência e responsabilidade.

Esse é um fio enorme que se puxado traz uma série de conceitos e categorias de vários saberes e conhecimentos transdisciplinares. Mas esse novelo não será desenrolado academicamente. A intenção aqui é apenas uma singela tentativa de alertar para não incorrermos em erro tão grosseiro e despropositado, seja por ignorância ou por mau-caratismo. Na maioria das vezes a incoerência caminha a par e passo com o nosso comportamento. Se os escritos marxianos e os mais renomados marxistas advertem para a dificuldade de se ter consciência de (nossa própria) classe, o quão arriscado, para não dizer leviano, é fazer julgamentos farisaicos sobre a conduta de outrem, classificando-as de contraditórias ou bizarras.

Os partidos e as principais lideranças de nosso país têm se descuidado da formação política da população. Enredados em seus projetos de poder, a preocupação dos principais atores políticos brasileiros se resume a interesses eleitoreiros, o que também significa do ponto de vista dos dirigentes partidários, a mera multiplicação de filiados e a arregimentação de uma militância subserviente e de milícias digitais, dispostas a qualquer coisa para defender pautas pouco compreendidas, impostas pelos cartolas das siglas.

Vivemos no Brasil um falso embate entre direita e esquerda, quando na verdade o que há é somente uma guerra de narrativas, com pouquíssimas ações concretas coerentes com as promessas demagógicas de combate à desigualdade, divisão da riqueza e de bem-estar social. O que temos de fato é que a direita hegemônica radicalizou e se transformou em extrema direita e o partido que melhor representava os ideais da esquerda em nosso país foi quase obrigado a se deslocar para centro-esquerda para chegar ao poder. E para continuar no poder foi ao centro e, depois, para voltar ao poder, deu uma guinada para uma quadra que muitos consideram de centro-direita. Coisas que se eternizam nas Terras Brasilis.

Em meados do século XIX as disputas entre liberais e conservadores não eram tão distintas. Boris Fausto em, História do Brasil, observa que a política desse período – mas não só dele –, não se fazia em termos de objetivos e princípios ideológicos rígidos. A maior preocupação dos políticos era chegar ao poder para obter prestígio e benefícios para si próprios e para os seus apaniguados. Conservadores e liberais utilizavam-se dos mesmos recursos para lograr vitórias eleitorais e quando estavam no governo não apresentavam atitudes muito diferentes. Desde a redemocratização, direita, centro-direita, centro, centro-esquerda, direita, extrema direita e agora, uma frente amplíssima, de centro para centro-direita, que insiste em ser tratada como esquerda, se revezam no poder e fazem perpetuar o neoliberalismo, com uma ou outra política compensatória aqui e acolá, enquanto o hipercapitalismo nada de braçada.

Então raciocinemos: se nem mesmo em períodos históricos mundiais em que esquerda e direita poderiam ser compreendidas como categorias em que, para além de convicções, comportamentos e ações coerentes, a condição econômica não era definidora da simpatia por um ou outro campo político, imagine na atual conjuntura. Vivemos um momento histórico em que a mobilidade social aumentou e segue acelerada – para baixo, para cima e para os lados – onde a globalização e a transnacionalização da cultura, da política e do capital transformaram a pirâmide social em uma verdadeira torre de babel.

Para cada um Engels, existem dezenas de riquinhos/as que vêm a esquerda como um promissor mercado consumidor e a explora com militância de fachada para a comercialização de inúmeros produtos. Do outro lado, centenas de pobres de origem ascenderam econômica e financeiramente, cerraram fileiras à direita e são macaqueados por milhares de outros pobres que neles se miram na expectativa fantasiosa de subir alguns degraus. Sem contar os encarapitados nas burocracias partidárias e nas hierarquias do Estado que ao chegar ao poder se locupletam, mas não abandonam suas retóricas ideológicas para não perder palanque.

As simplificações do que deveria ser programático, o empoderamento como favor e as constantes substituições das competências pelo lugar de fala, empobreceram o debate e vêm nivelando por baixo a dinâmica da vida social e política. O negacionismo científico pela direita e a desvalorização da expertise pela esquerda, abriu flancos para a total desqualificação da política. De um modo geral, o mundo político está infestado de oportunistas, gente acrítica e uma legião de analfabetos políticos. Se falta instrução, consciência e formação política, sobra basismo, ativismo inconsequente, romantização da pobreza por parte de alguns deslumbrados da classe média e a prática reiterada de estelionatos eleitorais.

A razão tem se tornado meramente instrumental, pragmática. No passado, a frase, “os fins justificam os meios”, atribuída a Maquiavel, era refutada com a assertiva que defendia a importância dos meios, uma vez que os meios também são importantes e definem a natureza dos fins. Aldous Huxley, na obra, Ends and Means, trabalha essa questão de forma bastante equilibrada. Sem conhecer e considerar os fins, como horizonte, os meios serão usados erradamente. Mas, na atualidade, os fins últimos deixaram de ser considerados. O foco está concentrado única e exclusivamente no pragmatismo dos meios. Tudo o que importa são ações táticas emergenciais, reações e bordões, desprovidos de quaisquer estratégias de aproximações sucessivas na direção de um fim último. É o reinado dos arrivistas, demagogos e influencers com suas copys cheias de gatilhos mentais e trends a gosto dos algoritmos.

Entre tantas dissonâncias não é difícil concluir que as expressões “pobre de direita” e “esquerda caviar”, não devem ser interpretadas como incoerentes, tampouco como xingamentos. Como já foi dito, ser de origem pobre ou rica não delimita a opção política de ninguém. Entretanto, na contemporaneidade, tal autorreconhecimento ou acusação, por via de regra, tem sido falta de educação política e/ou de consciência de classe, ou hipocrisia mesmo.


*O autor é comunicólogo e jornalista. 
Doutor em Educação e mestre em Artes Visuais. 
Trabalha com Educação comunicacional e midiática.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

A POLÍTICA, SEGUNDO FRANCISCO

 

(Capa da edição espanhola da encíclica "Fratelli Tutti")

Todos somos irmãos

Sinceramente, não sei se devemos ter pena ou desprezo por pessoas que aderem a princípios autoritários e fazem proselitismos até mesmo do nazismo e do fascismo, refutando tudo que diz respeito à democracia e aos direitos humanos, como se a única alternativa ao nazi-fascismo fosse um regime comunista totalitário, como o da União Soviética, de Stálin. 

Quanto delírio, hein!?

Tendo em vista colocar luzes sobre esse ensandecido ataque de salteadores sobre a república brasileira e a democracia no mundo, usando o cristianismo, evoco mais uma vez a sapiência do sumo pontífice, Francisco, destacando trechos de sua encíclica Fratelli Tutti, no episódio # 31 - TODOS SOMOS IRMÃOS, do podcast Política com Fé.

Acesse o podcast clicando aqui.


sábado, 1 de janeiro de 2022

ANO NOVO, VIDA NOVA


(Foto: Vatican News)
 

Louvado sejas, meu Senhor

Este ano de 2022 que está iniciando hoje será um ano de muitos debates políticos: partidários, eleitorais, ideológicos, muitas falas acaloradas. Um ano em que, muito especialmente, nós brasileiros, estaremos sendo convocados a uma maior politização, para que possamos redefinir os rumos do nosso país, compreender melhor as nuances da política e as implicações tanto do nosso voto e dos nossos posicionamentos quanto de nossa apatia ou neutralidade. Futebol, exceto para os grandes craques, técnicos e cartolas, não muda a vida de ninguém e, sinceramente, não sei se vale à pena discutir. Agora, política e religião necessitam ser debatidos intensamente e sabiamente, sem fundamentalismos e, de preferência, sem trazer a esdrúxula lógica da torcida futebolística para esse campo.

Com a pretensão de iniciarmos o ano com um pensamento que vá um pouco além da preocupação com nossos próprios umbigos, o episódio # 28 UNIDOS POR UMA PREOCUPAÇÃO COMUM, do podcast Política com Fé, destaca algumas palavras do papa Francisco, da  sua encíclica Laudato Si, sobre o cuidado da nossa casa comum: a terra, o planeta. 

Para acessar todos os episódios do podcast clique aqui.

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

ANIVERSÁRIO DO PODCAST POLÍTICA COM FÉ


O podcast "Política com Fé", produzido e apresentado por Eugênio Magno está comemorando seu primeiro aniversário. Em 5 de novembro de 2020, com o episódio # ZERO - Fé, Espiritualidade e Política, trouxemos para a plataforma Anchor/Spotify, a primeira edição do podcast, enfrentando todas as dificuldades que um estreante em uma mídia com a qual não tem intimidade enfrenta.

Fé e Política é o tema explorado neste podcast. Com base na Doutrina Social da Igreja Católica (DSI), refletimos, analisamos e discutimos temas relevantes da política nacional e da geopolítica mundial à luz do Evangelho. Inspirados pelo papa Paulo VI que disse: "a Política é a forma mais sublime de fazer caridade", pretendemos contribuir para desfazer o equívoco de muitos que julgam ser uma política incompatível com a fé e a espiritualidade.

POLÍTICA COM FÉ é um podcast que tem como propósito educar e informar a população e contribuir para a diminuição de analfabetos políticos no Brasil.

Ao longo desse primeiro ano de existência o podcast vem conquistando, paulatinamente, novos ouvintes, um público qualificado e participante que ainda é pequeno, em números absolutos, mas que está presente em todos os Estados brasileiros e também em outros países, tais como: Áustria,  Estados Unidos, Chile, Portugal e Angola. 

Até a presente data já se somam 25 episódios do podcast, abordando vários assuntos em sua área temática. Para acessar, ouvir, baixar e partilhar com os amigos todos os episódios é só clicar em um desses links: Anchor FM-Eugênio Magno ou POLÍTICA COM FÉ, no Spotify.


sexta-feira, 16 de julho de 2021

ATÉ AONDE VAI A TOLERÂNCIA?

 

No Brasil, uma questão incômoda é a constatação de que Bolsonaro e seu séquito, além de todos os malefícios que vêm causando ao país, ao povo brasileiro e à nossa inteligência, de forma direta, parecem ter aberto as portas da insensatez e do descompromisso com a ética, a verdade e a dignidade. O bolsonarismo produziu não somente bolsomínions de raiz. Cresceu assustadoramente a desonestidade intelectual e o número de pessoas que passou a desconsiderar a materialidade dos fatos e que apostam repetida e estupidamente em narrativas distorcidas, arrebanhando seguidores tão maldosos ou incautos quanto eles próprios. 

Uma frase de Dostoiévski foi o leitmotiv para a reflexão, do novo episódio do podcast Política com Fé que já está circulando na internet. Diante de tantos fatos e acontecimentos que nos atropelam a todo instante, em várias situações, abordo a questão da tolerância: seus limites e possibilidades. Ouça o podcast clicando aqui.

domingo, 25 de março de 2018

O MAIOR FRASISTA BRASILEIRO


100 frases selecionadas de Nelson Rodrigues




Nelson Rodrigues foi o maior frasista brasileiro, o nosso Rochefoucauld. Com a contribuição milionária de Erika Nakanura, o DCM selecionou 100 máximas que provam isso.
  • A adúltera é a mais pura porque está salva do desejo que apodrecia nela.
  • A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual.
  • A dúvida é autora das insônias mais cruéis. Ao passo que, inversamente, uma boa e sólida certeza vale como um barbitúrico irresistível.
  • A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem.
  • A liberdade é mais importante do que o pão.
  • A maioria das pessoas imagina que o importante, no diálogo, é a palavra. Engano, e repito: – o importante é a pausa. É na pausa que duas pessoas se entendem e entram em comunhão.
  • A pior forma de solidão é a companhia de um paulista.
  • A platéia só é respeitosa quando não está a entender nada.
  • A prostituta só enlouquece excepcionalmente. A mulher honesta, sim, é que, devorada pelos próprios escrúpulos, está sempre no limite, na implacável fronteira.
  • A televisão matou a janela.
  • A verdadeira grã-fina tem a aridez de três desertos.
  • Acho a velocidade um prazer de cretinos. Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca.
  • Amar é dar razão a quem não tem.
  • Amar é ser fiel a quem nos trai.
  • Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos.
  • As grandes convivências estão a um milímetro do tédio.
  • Com sorte vc atravessa o mundo, sem sorte vc não atravessa a rua.
  • Começava a ter medo dos outros. Aprendia que a nossa solidão nasce da convivência humana.
  • Copacabana vive, por semana, sete domingos.
  • D. Helder só olha o céu para saber se leva ou não o guarda-chuva.
  • Desconfie da esposa amável, da esposa cordial, gentil. A virtude é triste, azeda e neurastênica.
  • Desconfio muito dos veementes. Via de regra, o sujeito que esbraveja está a um milímetro do erro e da obtusidade.
  • Deus está nas coincidências.
  • Dinheiro compra tudo, até amor verdadeiro.
  • É preciso ir ao fundo do ser humano. Ele tem uma face linda e outra hedionda. O ser humano só se salvará se, ao passar a mão no rosto, reconhecer a própria hediondez.
  • É preciso trair para não ser traído.
  • Em muitos casos, a raiva contra o subdesenvolvimento é profissional. Uns morrem de fome, outros vivem dela, com generosa abundância.
  • Entre o psicanalista e o doente, o mais perigoso é o psicanalista.
  • Está se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza.
  • Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral.
  • Existem situações em que até os idiotas perdem a modéstia.
  • Falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista.
  • Hoje é muito difícil não ser canalha. Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo.
  • Hoje, o sujeito prefere que lhe xinguem a mãe e não o chamem de reacionário.
  • Invejo a burrice, porque é eterna.
  • Jovens: envelheçam rapidamente!.
  • Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos…
  • Na mulher, certas idades constituem, digamos assim, um afrodisíaco eficacíssimo. Por exemplo:- 14 anos!
  • Nada nos humilha mais do que a coragem alheia.
  • Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera.
  • Não admito censura nem de Jesus Cristo.
  • Não damos importância ao beijo na boca. E, no entanto, o verdadeiro defloramento é o primeiro beijo na boca. A verdadeira posse é o beijo na boca, e repito: – é o beijo na boca que faz do casal o ser único, definitivo. Tudo mais é tão secundário, tão frágil, tão irreal.
  • Não existe família sem adúltera.
  • Não há nada que fazer pelo ser humano:o homem já fracassou.
  • Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe.
  • Nem toda mulher gosta de apanhar. Só as normais.
  • Nossa ficção é cega para o cio nacional. Por exemplo: não há, na obra do Guimarães Rosa, uma só curra.
  • Num casamento, o importante não é a esposa, é a sogra. Uma esposa limita-se a repetir as qualidades e os defeitos da própria mãe.
  • Nunca a mulher foi menos amada do que em nossos dias.
  • O adulto não existe. O homem é um menino perene.
  • O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É abjeto que um homem deseje a mãe de seus próprios filhos.
  • O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda.
  • O asmático é o único que não trai.
  • O biquíni é uma nudez pior do que a nudez.
  • O boteco é ressoante como uma concha marinha. Todas as vozes brasileiras passam por ele.
  • O Brasil é muito impopular no Brasil.
  • O brasileiro é um feriado.
  • O brasileiro, quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte.
  • O cardiologista não tem, como o analista, dez anos para curar o doente. Ou melhor: – dez anos para não curar. Não há no enfarte a paciência das neuroses.
  • O casamento é o máximo da solidão com a mínima privacidade.
  • O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota.
  • O homem começa a morrer na sua primeira experiência sexual.
  • O homem não nasceu para ser grande. Um mínimo de grandeza já o desumaniza. Por exemplo: — um ministro. Não é nada, dirão. Mas o fato de ser ministro já o empalha. É como se ele tivesse algodão por dentro, e não entranhas vivas.
  • O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da imaturidade.
  • O morto esquecido é o único que repousa em paz.
  • O marido não deve ser o último a saber. O marido não deve saber nunca.
  • O Natal já foi festa, já foi um profundo gesto de amor. Hoje, o Natal é um orçamento.
  • O ônibus apinhado é o túmulo do pudor.
  • O pudor é a mais afrodisíaca das virtudes.
  • O puro é capaz de abjeções inesperadas e totais e o obsceno, de incoerências deslumbrantes. Somos aquela pureza e somos aquela miséria. Ora aparecemos varados de luz, como um santo de vitral, ora surgimos como faunos de tapete.
  • O sábado é uma ilusão.
  • O Ser Humano, tal como imaginamos, não existe.
  • Os homens mentiriam menos se as mulheres fizessem menos perguntas.
  • Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.
  • Perfeição é coisa de menininha tocadora de piano.
  • Qualquer menino parece, hoje, um experimentado e perverso anão de 47 anos.
  • Quem nunca desejou morrer com o ser amado nunca amou, nem sabe o que é amar.
  • Se Euclides da Cunha fosse vivo teria preferido o Flamengo a Canudos para contar a história do povo brasileiro.
  • Se os fatos são contra mim, pior para os fatos.
  • Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.
  • Sem paixão não dá nem para chupar picolé.
  • Sexta feira é o dia em que a virtude prevarica.
  • Só acredito nas pessoas que ainda se ruborizam.
  • Só não estamos de quatro, urrando no bosque, porque o sentimento de culpa nos salva.
  • Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata.
  • Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo podia-se andar nu.
  • Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta.
  • Subdesenvolvimento não se improvisa; é obra de séculos.
  • Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante.
  • Toda coerência é, no mínimo, suspeita.
  • Toda mulher bonita leva em si, como uma lesão da alma, o ressentimento. É uma ressentida contra si mesma.
  • Toda mulher bonita tem um pouco de namorada lésbica em si mesmo.
  • Toda mulher gosta de apanhar. Só as neuróticas reagem.
  • Toda unanimidade é burra.
  • Todas as mulheres deviam ter catorze anos.
  • Todo amor é eterno. Se não é eterno, não era amor.
  • Todo desejo é vil.
  • Todo tímido é candidato a um crime sexual.
  • Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhoras que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém.
100. Um filho, numa mulher, é uma transformação. Até uma cretina, quando tem um filho, melhora.
(Fonte: Site do DCM)

sábado, 11 de junho de 2016

NÃO DEVEMOS SER ANALFABETOS POLÍTICOS


A Igreja deve envolver-se na política”, afirma o Papa Francisco



“Existe o adágio da Iluminismo que a Igreja não deva envolver-se em política, mas a Igreja deve envolver-se na grande política, porque – cito Paulo VI – a política é uma das formas mais altas da caridade”: disse-o o Papa falando no sexta-feira, 03-06-2016, à tarde a uma convenção de magistrados sobre “tratamento de seres humanos e criminalidade organizada”, convidados ao Vaticano pela Academia das Ciências sociais.
“A Igreja – disse ele ainda – deve empenhar-se para ser fiel às pessoas, e ainda mais quando se tocam as chagas e os sofrimentos mais dramáticos”.
Isto, para Francisco, é seguramente o caso do tráfico das pessoas, do narcotráfico, da prostituição, do tráfico de órgãos que eram os temas da convenção que – disse ele – são “crimes contra a humanidade que devem ser reconhecidos como tais por todos os líderes políticos, sociais e religiosos no mundo”.
Bergoglio louvou o empenho de muitos magistrados em perseguir as escravidões modernas: “Sei que sofreis ameaças e condicionamentos de tantas partes. Sei que hoje ser procuradores, ser ministros públicos é arriscar a vida e isto me faz ser reconhecido da coragem de alguns de vós que querem ir em frente, permanecendo livres. Sem esta liberdade, o poder judiciário se corrompe e gera corrupção”.
O que está em curso no Vaticano é a terceira convenção sobre o tema: são encontros desejados pessoalmente por Francisco, porque tráfico de vidas e corrupção são “os maiores males da humanidade”.
(Fonte: Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara - CEFEP-DF)

domingo, 8 de abril de 2012

UM EXEMPLO AMAZÔNICO


Jovens no Pará usam a cultura como forma de ação política


Sem dinheiro público e sustentado pelos próprios participantes, bairros marcados pela violência em Belém e Ananindeua recebem oficinas de grafite, cultura hip hop, literatura marginal, trançado de cabelo afro, programas em rádios comunitárias e ciberativismo. Crianças e adolescentes são o alvo principal, diz o educador social Preto Michel, de 35 anos e pai de um adolescente de 17. Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

É PRECISO INVENTAR UM NOVO MODELO POLÍTICO-ECONÔMICO

Fidel Castro, ao responder à pergunta sobre se ainda valia exportar o modelo cubano, afirmou: "o modelo cubano já não funciona nem para nós mesmos". Na segunda parte de uma entrevista concedida a Jeffrey Goldberg, correspondente da revista The Atlantic, Castro surpreende ao jornalista com essa afirmação, e também com um convite para acompanhá-lo a ver os golfinhos no aquário, entre outras coisas. Goldberg convidou a uma das mais reconhecidas especialistas sobre Cuba e sobre a América Latina, Julia Sweig, do Conselho de Relações Exteriores, para acompanhá-lo à entrevista com Castro, e conta que lhe pediu que interpretasse essa afirmação.
A reportagem é de David Brooks, publicada pelo jornal mexicano La Jornada e traduzida por Adital, 09-09-2010.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

QUASE 1 BI DE CUSTO AOS COFRES PÚBLICOS

Criticado até por marqueteiros,
horário eleitoral custa R$ 850 milhões

Plínio Fraga da Sucursal do Rio e
Uirá Machado, da Reportagem Local

"O chamado horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão custará aos cofres públicos - em isenções tributárias previstas em lei - quase R$ 900 milhões. E, para dois dos mais conhecidos marqueteiros do país, poderia ser extinto.
Duda Mendonça e Antonio Lavareda afirmam que as inserções eleitorais (propagandas curtas) são importantes na campanha, mas os dois programas diários de 25 minutos cada um encarecem as disputas, têm efeito limitado e poderiam ser substituídos por debates temáticos entre os candidatos.
Programa eleitoral em bloco só serve para encarecer campanha. Não tem papel de persuasão. Eleitor não presta atenção e, quando presta, é pouco afetado, diz Lavareda, 76 campanhas no currículo. Para ser persuadido, o eleitor não deve estar ciente de que está sob tentativa de convencimento.
Na eleição de 2006, só os candidatos de PT e PSDB declararam ter gasto cerca de R$ 20 milhões na produção da propaganda para rádio e televisão, numa campanha em que juntos assumiram oficialmente desembolso de R$ 186 milhões.
Não faz sentido nem do ponto de vista teórico nem do ponto de vista prático. Mas marqueteiros e políticos são contra fragmentar o programa, diz Lavareda.
O publicitário Duda Mendonça, mais de 45 campanhas, diz que os programas poderiam ser substituído por debates. Seriam debates ao vivo, em rede obrigatória, temáticos.
Ele reconhece que a proposta tem poucas chances de ser implementada. Por que não muda isso? Porque no debate é onde o candidato aparece mais nu e cru. Tem de enfrentar o estresse, o argumento.
Lavareda concorda com essa sugestão. Para ele, há um paradoxo nas democracias modernas: Exige-se um nível fantástico de compreensão, mas as pessoas não conseguem se informar a respeito de tudo.
Horário 'gratuito'
De acordo com levantamento realizado pela ONG Contas Abertas, a Receita Federal deixará de arrecadar neste ano R$ 856.359.976,86 em razão do horário eleitoral gratuito --dinheiro suficiente para custear um ano de estudo para 635 mil alunos, um contingente de estudantes de rede pública de uma grande capital.
A legislação eleitoral permite que as emissoras de rádio e TV deduzam do Imposto de Renda 80% do que receberiam caso o período destinado ao horário gratuito fosse vendido para propaganda comercial.
As rádios e as TVs precisam comprovar, por meio de nota fiscal emitida na véspera do horário eleitoral, o valor cobrado pelos comerciais. Essa nota não pode ser discrepante de outras operações com a iniciativa privada nos 30 dias anteriores e 30 dias posteriores a essa data.
Com base no montante encontrado, estima-se quanto a emissora perdeu por ter cedido o tempo. O valor é subtraído do faturamento da emissora antes de ser calculado o imposto.
Desde 2002, a União já deixou de arrecadar R$ 3,65 bilhões em razão do horário eleitoral gratuito.
(Fonte: Jornal Folha de São Paulo)

sexta-feira, 5 de março de 2010

LITERATURA E POLÍTICA NA OBRA DE HATOUM

Quando o mito vira história,
e a história vira literatura

Em entrevista à repórter Livia Almendary para o jornal Brasil de Fato, Milton Hatoum, um dos escritores contemporâneos mais reconhecidos pela crítica literária, expõe as bases de sua obra e sua visão sobre um país de narrativa política esquizofrênica. Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui.
(Fonte: Site / jornal Brasil de Fato)

sábado, 1 de agosto de 2009

UMA ESCOLA PARA O ENSINO DA FÉ, DA POLÍTICA E DA CIDADANIA


A Escola Oscar Romero de Fé, Política e Cidadania faz sua primeira comunicação pública, através do newsletter postado abaixo que já começou a ser distribuído também em sua versão impressa. Trata-se de um peça de comunicação simples, no mesmo espírito do que a escola pretende ser: popular e simples, mas com conteúdos proféticos e transformadores.





sexta-feira, 3 de abril de 2009

ESCOLA DE FÉ, POLÍTICA E CIDADANIA EM GESTAÇÃO

Políticos, religiosos, ativistas e lideranças de movimentos e pastorais de fé e política se reuniram no início desta semana na Igreja do Carmo com o propósito de criar a primeira Escola de Fé, Política e Cidadania de Belo Horizonte.
A reunião preparatória contou com a participação do educador, Antônio Geraldo Aguiar (primeira foto, abaixo, à esquerda), Assessor da CNBB e Coordenador Pedagógico do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara - CEFEP-DF.
Além de Aguiar, os organizadores do encontro, frei Gilvander Moreira, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo e coordenador da CPT e Eugênio Magno, ex-aluno e atualmente assessor do CEFEP, contaram com a presença do vereador de Belo Horizonte, ex-aluno e assessor do CEFEP, Adriano Ventura e seus assessores Aelton Aleixo Fernandes e Henrique Siqueira do Carmo, da secretária municipal adjunta de direito e cidadania de BH, Sílvia Helena, do vice-prefeito de Itajubá, Laudelino Augusto dos Santos, do ex-vereador Antônio Pinheiro, do presidente do Psol-MG, Carlos Roberto Campos, da economista e ativista, Dirlene Marques, do coordenador de Ceb’s, Carlindo José Fernandes, do assessor parlamentar, Genésio Lima, da presidente da Associação Comunitária Santo Antônio, Maria da Penha Cabral, do filósofo e educador, Cristian José da Silva, do relações públicas e militante, Rodrigo Castelo e dos ex-alunos do CEFEP, Carlos José, Maria Aparecida de Jesus e Rodrigo Marzano.