Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

CORTEJANDO A LEITURA

 

(Arte do fundo da capa do livro)


Godofredo Bar recebe Gilson Nunes 

para Noite de autógrafos

Eugênio Magno

 

Na próxima quinta-feira, dia 7 de agosto, de 2025, Gilson Nunes, estará em Montes Claros, no Godofredo Bar para o lançamento do seu livro de estreia, Cortejando a leitura.

O autor é montes-clarense, onde atuou no teatro e na música e desde meados dos anos 1980 reside com a família no estado do Mato Grosso, onde se formou em jornalismo.

Em Cortejando a leitura, Gilson Nunes se aventura por inventivas de um filosofar sobre o ser, o amor, o si, a vida e o seu sentido. Uma miríade de interrogações. Tudo em jorro, como escrita espontânea, em fluxo contínuo. Crônica-poesia-cachoeira. Gilson também produz aforismos. Se permite licenças poéticas ou do poeta, para falar do dizível e do indizível.

A organizadora do lançamento, Sandra Aquino, promete uma noite animada com sarau poético e muita música com o Grupo Trilho e convidados. O evento que tem início às 20 horas é aberto ao público e o Godofredo Bar, fica na rua Dr. Mário Veloso, nº 93, no bairro do Melo, em Montes Claros, MG.


quarta-feira, 21 de maio de 2025

NO PRÓXIMO SÁBADO TEM POESIA NA FLORESTA



Persona Paradoxo tripulando Asas Sonoras

Eugênio Magno

O poeta norte mineiro, Renilson Durães, estará em Belo Horizonte, no próximo sábado, dia 24 de maio, a partir das 17 horas, na Casa da Floresta – Rua Silva Ortiz, 78, bairro Floresta –, para o lançamento do seu novo livro de poesia, Persona Paradoxo.

Além dos tradicionais autógrafos, Renilson brinda o público com o sarau Asas Sonoras. No programa, recitação de poemas de sua autoria com a participação de vários poetas. Amanna Brito, Biláh Bernardes, Brenda Marques Pena, Carlos Barroso, Eugênio Magno, Helena Soares, José Edward, Rogério Salgado e Wagner Rocha, já confirmaram presença. O sarau contará ainda com a participação especial dos músicos Macim Soares, Nélio Torres, Sérgio Geleia e Victor Mantovani.


Persona Paradoxo saiu pela Ventura Editora e teve lançamento de estreia no início deste ano de 2025, na Taberna do Glória, no Rio de Janeiro, com a presença de vários autores da cena poética carioca como Márcio Catunda, Tchello d’Barros, Luiz Otávio Oliani, Val Mello, Jorge Ventura, dentre outros. No mês passado, o lançamento foi em Montes Claros, no Festival Literário do Autor Montes-Clarense (FLAM); e agora é a vez de BH receber a obra de Renilson Durães.

O livro homenageia o filósofo e poeta, Antônio Cícero, o teatrólogo e dramaturgo, José Celso Martinez Corrêa e o compositor montes-clarense, Elthomar Santoro Júnior. Esta é a terceira publicação solo de Renilson Durães que também é autor de Dourado e Rubro (poesia), Essa Tal Felicidade (desenvolvimento pessoal), e é participante de várias antologias poéticas, desde os anos 1970, como ativista da poesia marginal e da geração mimeógrafo.

A revista mimeografada, Espaço de Prática Poética, criada por ele, Aroldo Pereira, Gabriel Cardoso, Nadir Antônio Cunha e Zacarias Mercal, é um dos marcos iniciais na trajetória de Renilson Durães. A publicação deu origem ao Grupo de Literatura e Teatro Transa Poética, do qual fizeram parte também vários atores e poetas, dentre eles, Helena Soares, Mauro Lúcio e Mirna Mendes. Nos anos 1980, o Grupo lançou o primeiro Psiu Poético que caminha para 40 anos de existência ininterrupta e, de Montes Claros, abriu itinerâncias para Belo Horizonte e para o Rio de Janeiro.

O autor de persona Paradoxo já prepara outro livro, ainda sem data prevista de finalização e lançamento. Enquanto isso, busca apoio para dar segmento ao espetáculo poético-musical Navio de Cruzar Deserto, com os músicos Macim da Gaita, Bob Marcílio e o poeta, professor e filósofo Wagner Rocha. A proposta de Renilson Durães é percorrer o Brasil com sua trupe, espalhando sons e poesia.



(As fotos são de divulgação do livro de Renilson Durâes)

terça-feira, 28 de novembro de 2023

A POESIA PULSA POTENTEMENTE

Vivemos um momento extremamente propício para a poesia

(Capa e contra capa do livro Meridianos Poéticos)

Meridianos Poéticos

O primeiro lançamento, no Brasil, do livro, Meridianos Poéticos: Poesia Latinoamericana Contemporânea, pela mareMium - pequeña editorial, da Argentina, aconteceu durante o Festival de Literatura Internacional de Belo Horizonte (FLI-BH), no Centro Cultural Banco do Brasil. 
A antologia, que tem uma sessão especial de poesias visuais reúne 55 poetas, representando dez países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Itália, Nicarágua, Portugal, Uruguai e Venezuela, teve curadoria e organização das poetas, Brenda Mar(que)s Pena (Brasil) e María Laura Coppié (Argentina). Este escrevinhador está entre os poetas brasileiros participantes da publicação.


(Eugênio Magno e Brenda Mar(qu)es Pena)

Meridianos Poéticos foi lançado inicialmente, nos primeiros dias do mês de novembro, no "VI Encuentro Internacional de Escritura Migrante", numa intensa programação em Buenos Aires e La Plata, na Argentina e em Montevidéu e Sacramento, no Uruguai.
Interessados em adquirir o livro podem fazer a sua solicitação pelo e-mail: escrituramigrante@gmail.com. 


Aroldo Pereira lança "Parangolares" em BH

 

Em Parangolares, segundo livro da trilogia “Parango”, o poeta, Aroldo Pereira, revisita lutas e homenageia os deserdados da sociedade, através de memórias e vivências junto ao artista plástico Ray Collares, de quem foi amigo ao longo da vida. 

Raimundo (Ray) Collares (1944 – 1986) foi um pintor e desenhista, nascido em Grão Mogol, que residiu em Montes Claros em vários períodos da vida. A obra de Ray Collares reúne tendências como o construtivismo e a arte pop.
Sempre à frente do seu tempo, Ray conquistou admiradores em vários países onde ele viveu e construiu projetos.
O lançamento será na próxima sexta-feira, 1º/12/23, de 19 às 22 horas, na Casa da Floresta, rua Silva Ortiz, 78, bairro Floresta, Belo Horizonte, MG.


Dois livros de José Hilton Rosa




O escritor José Hilton Rosa, lança dois livros: Primavera, aprendendo na escola (infantil) e O peso da cor (poesias).
O evento será dia 17 de dezembro, domingo, de 10 às 13 horas na Livraria Jenipapo, que fica na rua Fernandes Tourinho, 241, na Savassi, em Belo Horizonte, MG.
A confraria de Poetas de Belo Horizonte, juntamente com Pajo BH Humanidades, convidam os poetas da cidade e região e o público em geral para um sarau poético que acontecerá durante o lançamento.

sábado, 5 de março de 2022

BEAGÁ PSIU POÉTICO 2022 DEDICADO AO POETA THIAGO DE MELLO


4º Festival de Arte Contemporânea 
Beagá Psiu Poético 2022


O Festival de Poesia que acontece em Montes Claros há 35 anos terá mais uma edição em Belo Horizonte, de 17 a 19 de março de 2022 nas redes sociais do Psiu Poético e das entidades parceiras. No dia 17 de março, às 20 horas, haverá abertura oficial virtual do evento; no dia 18 de março de 2022, de 19 às 22 horas, haverá o evento presencial “Sarau do Beagá Psiu Poético” na Casa Socialista; e no dia 19 de março de 2022, de 14 horas às 21 horas, haverá o evento presencial “Sarau e Livros” na Casa da Floresta, localizada na rua Silva Ortiz, 78, bairro Floresta, Belo Horizonte.

Tendo em vista o quadro de pandemia, serão observados os protocolos de saúde, como distanciamento, uso de máscaras e de álcool em gel, para a realização do evento presencial.

O 4º Festival de Arte Contemporânea Beagá Psiu Poético, caracterizado por acolher a pluralidade artística e promover o debate, está aberto a artistas interessados, independentes ou não.

As inscrições podem ser feitas até o dia 8 de março. Mais informações pelo endereço eletrônico beagapsiupoetico@gmail.com - com cópia para psiupoetico@gmail.com - telefones (38) 98412-4749, (38) 2211-3800, (38) 2211-3374.


quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

POÉTICA DAS IMPRESSÕES EXPRESSAS

 Poema Inacabado


Eugênio Magno


Só restava a esperança em

Um dia distante que nunca chegava.

 

Não havia fim e

Os começos também cessaram.

 

Algo foi emudecendo em nós.

 

Ficamos inertes.

E gélidos, fomos nos definhando.

 

A palavra, afiada, mal dita,

Precipitava ainda mais a desintegração,

Até mesmo aquela,

Da solidez insípida

Em que nos transformamos.

 

Agora,

Como gotas de água da chuva,

Somos

Náufragos

Em mar aberto.



segunda-feira, 1 de novembro de 2021

ROGÉRIO SALGADO COMEMORA 40 ANOS DO LANÇAMENTO DE SEU PRIMEIRO LIVRO

 

O poeta Rogério Salgado estará comemorando, a partir de janeiro de 2022, 40 anos do lançamento de seu primeiro livro, Tontinho, que dá título ao conto dessa publicação de estreia, em 1982.
"Com esse livro comecei minha carreira de vender meu próprio trabalho. Saía de porta em porta no bairro Planalto, em Belo Horizonte\MG, onde na época eu residia, e em alguns lugares no centro da capital mineira, vendendo os livros. Vendi a tiragem de 500 exemplares em mais ou menos quatro meses", conta Salgado.
A ideia é comemorar o aniversário de Tontinho com uma nova edição do livro Para esta publicação, Rogério Salgado conta com a ajuda dos amigos, que podem adquirir antecipadamente os  exemplares: um a R$ 30,00, dois a R$ 50,00, ou quantos exemplares o colaborador desejar. O autor informa que os livros serão entregues na noite de autógrafos e os compradores que residem fora da capital mineira, receberão a publicação pelos correios. Para contribuir com o autor, estas são as formas de contato: WhatsApp (31) 98421.6827 ou através do e-mail: poetarogeriosalgado@yahoo.com.br.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

PSIU! SE LIGUE NA POÉTICA E NA POLÍTICA


Inscrições para o 32º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético encerram dia 25 de agosto 


O Salão Nacional de Poesia Psiu Poético é um evento de arte contemporânea, que tem na literatura e na arte poética o pilar central das ações de democratização cultural, além de elementos de outras expressões artísticas, como a música, o cinema e artes plásticas. 
O Psiu Poético é realizado há 31 anos de forma ininterrupta. Ao londo deste tempo, um dos idealizadores do evento, o poeta João Aroldo Pereira, torno-se referência nacional no fomento e na valorização da literatura brasileira. 

Aroldo Pereira

Nas mais de três décadas, o salão faz parte do calendário cultural de Montes Claros e região Norte de Minas Gerais. Influenciou gerações, firmando-se como um projeto de resistência cultural, responsável diretamente pela formação de diversos escritores, poetas e artistas. 
Pessoas como Gilberto Gil, Arnaldo Antunes, Adélia Prado, Thiago de Mello, Jorge Mautner, entre outras de renome, já participaram de edições anteriores do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético. Na 32ª edição, o Psiu Poético continua a integração cultural, na poesia a principal referência, juntando elementos e outras expressões artísticas, como a música, o cinema e as artes plásticas. 
O Salão Nacional de Poesia Psiu Poético encontrou em Montes Claros, cidade pólo da região Norte de Minas Gerais, um terreno fértil. A cidade conta com a Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), o Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez, a Academia Montes-Clarense de Letras, o Centro de Educação e Cultura Hermes de Paula, o Grupo de Literatura e Teatro Transa Poética (a partir do qual nasceu o projeto do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético), a Associação dos Repentistas e Poetas Populares do Norte-de-Minas, o Grupo de Seresta João Chaves e o Grupo Internacional de Folclore Banzé. 
Montes Claros é terra de grandes expressões culturais, essenciais na história intelectual e artística do país, como Beto Guedes, Cyro dos Anjos, Darcy Ribeiro, o crítico literário João Luiz Lafetá, os artistas plásticos Konstantin Christoff e Raimundo Colares, entre outros importantes nomes no cinema, na música e na poesia. 
Nesta edição o Psiu homenageia os poetas Bruno Candéas, Gabriela Nunes, Míria Mendes de Souza, Patrícia Porto, Rita Santana e Sóter.
O Psiu Poético estimula e incentiva a leitura, reforça o diálogo da literatura com as outras artes, além de ser um importante espaço de democratização cultural e formação de público. Faça sua inscrição até 25 de agosto e participe do 32º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético Mákina, de 04 a 12 de outubro de 2018. Conheça o regulamento.

quarta-feira, 15 de março de 2017

INSTANTÂNEO DE MINHA TERRA


Montes Claros

Eugênio Magno


ESTRELA
estrela - CÉU
estrela, céu – POEIRA
estrela, céu, poeira – CHÃO
estrela, céu, poeira, chão – SOL
estrela, céu, poeira, chão, sol – CHUVA, NÃO
estrela, céu, poeira, chão, sol, chuva, não – SERTÃO

ESTRELA, CÉU, POEIRA, CHÃO, SOL, CHUVA, NÃO: SERTÃO

(Do livro Poetas En/Cena-2, Belo Horizonte: Belô Poético, 2008. Pág. 64)

terça-feira, 15 de setembro de 2015

NOTÍVAGO


Apatia de uma noite de outono


Eugênio Magno 


Depois da falta de sono, veio a vontade de não dormir e vaguear pelas ruas desoladas. A lua se escondia atrás da névoa. O vento que às vezes soprava e o chão úmido (coberto pelas folhagens) faziam-me um convite a penetrar os labirintos daquela noite, mista de horripilante e sedutora. As tortuosas ruelas, o chão, o céu e toda aquela arquitetura barroca faziam coro me convidando a integrar tal atmosfera.
Agasalhado e frio, deixei de ser espectador para protagonizar o nada, a apatia da noite de outono.
- Onde estavam os fantasmas e todos aqueles personagens das lendas, do folclore e da ficção?
Já não haviam mais dráculas, mulas-sem-cabeça, sacís, lobisomens ou mulheres-de-sete-metro. Apenas o ronco coletivo, o sono e o sonho... enquanto eu, buscava incessantemente uma cena digna daquela noite sombria.
Ao avistar a silhueta de duas pessoas cheguei a pensar em visão fantasmagórica, até me certificar que se tratava de uma senhora e um jovem. Resolví segui-los à distância e... quem sabe vivenciar um acontecimento inesperado!? Os dois andavam em atitude suspeita e pareciam fugir ou esconder algo que eu não conseguia identificar.
Num dado momento eles pararam, olharam para trás e viraram uma esquina. Certa hora cheguei a pensar que os havia perdido de vista. Depois os ví em frente ao casarão dos Freire.
Pensei: o que estariam fazendo em um casarão abandonado?
A medida que me aproximava ouví grunhidos, pancadas fortes e risadas. Passei a ter a nítida impressão de que estava completando o quebra-cabeças.
Quis surpreendê-los, então.
Ao entrar no casarão, na enorme sala iluminada à luz de velas, encontrei os dois, debruçados sobre a mesa. Perguntei o que estava havendo, e o jovem me respondeu:
- Somos apenas dois diabéticos, querendo comer nossa rapadura, sossegados.
A senhora completou:
- Acabamos de quebrá-la. Aceita!?

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

domingo, 28 de outubro de 2012

VIDA E OBRA DE UM DOS MAIORES ESCRITORES BRASILEIROS


O velho Graça: uma biografia de Graciliano Ramos

Com argúcia de historiador e sensibilidade literária, Denis de Moraes traça a interligação entre as várias personas de Graciliano Ramos: o menino traumatizado pelas surras na infância; o jovem autodidata que lia Balzac, Zola e Marx em francês; o mítico comerciante da loja Sincera; o revolucionário prefeito de Palmeira dos Índios; o diretor da Imprensa Oficial e da Instrução Pública de Alagoas; o preso político no inferno da Ilha Grande; o escritor sufocado por apuros financeiros; o estilista da palavra na redação do Correio da Manhã; o militante comunista aos esbarrões com a burocracia partidária.
(Fonte: Site Carta Maior)

sexta-feira, 5 de março de 2010

LITERATURA E POLÍTICA NA OBRA DE HATOUM

Quando o mito vira história,
e a história vira literatura

Em entrevista à repórter Livia Almendary para o jornal Brasil de Fato, Milton Hatoum, um dos escritores contemporâneos mais reconhecidos pela crítica literária, expõe as bases de sua obra e sua visão sobre um país de narrativa política esquizofrênica. Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui.
(Fonte: Site / jornal Brasil de Fato)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A PRECARIEDADE DE UMA VIDA RETRATADA NA BREVIDADE DE UM MINICONTO

Precariedade
Eugênio Magno
A imagem perdida, era a palavra desdita que, mal sepultada, jazia semimorta sob o lamento das carpideiras. De esguelha, reunia forças para ocupar a linha e, mesmo a contragosto, completar a oração afirmativa que daria um novo sentido para aquela vida que já sucumbia diante de falsas vocações anunciadas. A nulidade de todos os empenhos anteriores, na tentativa de construir redes de proteção para o caminho foi percebida e a certeza da falácia de existirem condições ideais para a semeadura se tornara uma convicção. (inédito)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

UM POUCO DE POESIA

Poema inacabado
Eugênio Magno

Só restava a esperança em
Um dia distante que nunca chegava.

Não havia fim e
Os começos também cessaram.
Algo foi emudecendo em nós.

Ficamos inertes.
E gélidos, fomos nos definhando.

A palavra, afiada, mal dita,
Precipitava ainda mais a desintegração,
Até mesmo aquela,
Da solidez insípida
Em que nos transformamos.

Agora,
Como gotas de água da chuva,
Somos
Náufragos
Em mar aberto.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

UM BREVE CONTO

MAL ESTAR
Eugênio Magno
Assim que acordei, vi que ela estava meio acabrunhada. Durante quase toda a manhã, ficou pelos cantos. Em alguns momentos eu a vi dormindo. Ou estaria apenas deitada? Não ousei perguntar. Ela não iria, nem poderia responder. Saí e não mais me preocupei com sua apatia. Aquela manhã reclamava muitos afazeres, compromissos e reuniões. Quando cheguei em casa para o almoço, já passava das 13:00 horas. Não a vi ao entrar. Contaram-me que ela ainda não havia almoçado. Enquanto aguardava a mesa ser servida alguém disse que ela não estava passando bem. Teria feito vômito, uma substância amarelada, pastosa, contendo alguns caroços que, olhando de perto, via-se que eram de arroz. Perdi o apetite e ela também. Nossa comida permaneceu intacta. (inédito)

domingo, 31 de maio de 2009

UM CONTO BREVE


NOITE À DENTRO

Eugênio Magno
Uma nuvem impedia o amanhecer enquanto ele velava inosone. A laranja em cima da mesa, o gato no canto da sala lambia o seu pelo e a torneira que, insistia em vazar, renitente, pingava na pia. A sua morte não era surpresa, mas assim mesmo a vida lhe anunciava novas aventuras. A imagem de Nossa Senhora no móvel da sala, de braços abertos e mãos espalmadas, num gesto de acolhimento o entristecia. Sua mãe jazia há muito. Muito antes que ele pudesse retribuir ao menos uma mísera parcela do seu cuidar. E sempre aquela dor, como uma nota em sustenido, latejando, enquanto a recorrente murmuração praguejante era intercalada apenas por um surdo evocar de preces. Então o relógio tocou na tentativa de acordar aquele que não dormira, mas que, enredado em pesadelos, tampouco desperto estava.
(da coletânea "POETAS EN/CENA 2 : Reunião de poemas de poetas brasileiros no IV Belô Poético", Rogério Salgado & Virgilene Araújo, org., 2008)