Mostrando postagens com marcador Fake news. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fake news. Mostrar todas as postagens

sábado, 27 de junho de 2026

A PRAGA DA DESINFORMAÇÃO


Este conteúdo foi criado por mim, originariamente, 
para o canal do YouTube, Laboratório de Comunicação e Culturahttps://www.youtube.com/@eugeniomagnolabcomecult 
e está disponível no vídeo: https://youtu.be/OMUToqlcvF4 

Nem tudo o que você vê, ouve e lê é verdade 

Eugênio Magno

O voyeur será artista? Olha pelo buraco da fechadura o que deveria estar fora de quadro. Fotografa velhos evacuando. Exibe párias em vitrines de cristal líquido. Liquida. Liquidifica todos. Assenta em confessionários e ouve os pecados do mundo. Pensa a vida como frame (ou pixel) e brinca de deus na ilha de edição. Sua loucura é (apenas) disfarce.

Isso que você leu parece verdade? - talvez até seja, mas é só um poema (MAGNO, Eugênio. Minas em mim. Belo Horizonte: BDMG Cultural, 2005). Já sobre o cinema, advertiu certa vez, o cineasta francês, Jean-Luc Godard: “Isto é apenas um filme”, se referindo a uma de suas obras. É de Godard também, uma outra frase, ainda mais contundente: “Cinema é a fraude mais bonita do mundo”.

Portanto, cuidado! Nem tudo é verdade. Na maioria das vezes, a verdade nem parece mais verdade. Assim como o real, não é necessariamente a verdade ou a realidade. Mas no mundo das imagens, do cinema, da TV, do vídeo e, atualmente, na era do digital e da inteligência artificial, tudo virou verdade, realidade (só que... virtual).

E, no virtual-digital, além de desinformação, disseminação do ódio e notícias falsas, propagandas enganosas, danosas e muitos golpes. Há alguns anos atrás uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, revelou a estratégia de criminosos que pagam por anúncios falsos nas redes sociais, com a intenção de aplicar golpes. E isso aumentou exponencialmente. Os anúncios direcionam os internautas para sites onde acontecem os golpes por meio de pagamentos com PIX, Cartões de Crédito e ainda o roubo dos dados das vítimas para mais extorsões.

Sempre que procuradas e pressionadas para resolver situações dessa natureza, a maioria das plataformas digitais fazem pronunciamentos evasivos ou dão respostas prontas, do tipo: trabalhamos diariamente para enfrentar essas questões; não permitimos atividades fraudulentas em nossas redes e, por aí afora...

Preocupadas com as encenações imagéticas e os verdadeiros circos midiáticos, autoridades do mundo inteiro se mobilizam para regulamentar as plataformas de internet, as chamadas Big Techs. Redes de relacionamento e sites de pesquisa, indexação e indicação de fontes, se tornaram grandes agências de propaganda e também de informação e, de oráculo, vão se transformando em “deuses”, neste universo paralelo.

Muito antes do VAR – Árbitro Assistente de Vídeo –, no futebol, no início deste milênio, em minha pesquisa de mestrado, eu problematizei essa questão. Analisei os prós e os contras dessa utilização ilimitada e desregulamentada das imagens, como documento, como verdade. Discuti no trabalho a utilização do audiovisual como tradução do real e seu uso constante por vários setores da sociedade. As reportagens, especialmente as investigativas, cada vez mais fazendo uso da câmera (escondida). As polícias, os sistemas de segurança e de vigilância e a justiça de um modo geral sempre recorrendo a esse instrumento. No esporte, especialmente no futebol, o audiovisual já vinha sendo utilizado, principalmente, para as confirmações e tira-teimas da arbitragem esportiva, pelas emissoras de televisão. Os cientistas há muito tempo que não se fazem de rogados e utilizam os recursos audiovisuais em satélites de monitoramento a serviço da física, da cosmologia, da botânica e de outros ramos da ciência, como testemunhas de eventos da natureza. A medicina também utiliza, cada vez com maior frequência, o audiovisual em seus diagnósticos e como mecanismo auxiliar de visualização nas intervenções cirúrgicas, em exames e em outros procedimentos clínicos. Os organismos estatais de inteligência, na espionagem e os exércitos, nas guerras que são cada vez mais tecnológicas.

     Já eram grandes, à época dessa minha pesquisa, e hoje são muito maiores, a utilização sistemática do audiovisual como instrumento de abordagem do real. Mas não cabe aqui a enumeração de todas elas.

        O tema da dissertação foi “Uma possível abordagem do real através da realização do documentário”.  Atente, portanto para o cuidado que tive na construção do enunciado: “uma”, “possível”, “abordagem” do real, através do documentário.

        Pois é... Uma pesquisa acadêmica é algo denso e eu não vou trazer outros elementos de análise sobre a questão, para não complicar o entendimento, nem ter que aprofundar a reflexão para justificar essa sequência de afirmações. Para simplificar, e tomando por base o filme cinematográfico, diria que embora o cinema produza aspectos do real, esta representação não é a realidade tal qual foi encontrada no momento em que as imagens foram captadas. Entretanto, o que o espectador vê é algo captado do real, no momento em que ele se dava a acontecer. Portanto, trata-se de uma abordagem do real, ao mesmo tempo em que é uma representação do real, mediada pela linguagem cinematográfica, e também uma construção do real, já que essa mediação alterou e, de certa forma, passou a fazer parte daquela realidade, incorporando-a e sendo a ela incorporada.

O reino das imagens é infinito de possibilidades. Na internet e em tempos de Inteligência Artificial, eleve isso a enésima potência e, se atente para o seguinte:

Nos primórdios do cinema, no final do século dezenove, enquanto os irmãos Lumiére “documentavam” (entre aspas) cenas do real (e o documentavam é entre aspas porque a maioria das cenas eram encenadas), o mágico Géorge Meliés já fazia acrobacias com a imagem em movimento. Suas trucagens se sofisticaram e muita gente tem confundido as pretensões do cinema direto, cinema-verité ou do cinema verdade, com a verdade do cinema, das imagens, não importa se, na telona do cinema, na TV, no computador, no tablet ou na telinha do celular.

E, se um dos maiores cineastas de todos os tempos, Godard, já disse que “o cinema é a fraude mais bonita do mundo”, como mencionei no início, porque você e eu temos que acreditar em tudo que passa na TV, no próprio cinema ou que lemos, vemos e ouvimos no jornal, no rádio e na internet? Se liga! NEM TUDO É VERDADE.

domingo, 13 de abril de 2025

CRIMES DIGITAIS



 (Imagem: Preechar Bowonkitwanchai/Shutterstock)

Como se proteger de golpes e conteúdos suspeitos

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), através do Projeto Comprova, que congrega 42 veículos de comunicação brasileiros, lançou um guia com informações sobre os golpes digitais mais comuns em nosso país.

Para saber detalhes sobre como agem os golpistas e se inteirar das formas recomendadas para se proteger das fraudes leia a íntegra da matéria publicada na Newsletter da ABRAJI, clicando aqui.

(Fonte: Newsletter Abraji) 


domingo, 18 de agosto de 2024

A TECNOLOGIA DIGITAL É VICIOSA E VICIANTE

 

(Imagem capturada em: izapsoftworks - izap.com.br)


Tecnologias e criminalidade de braços dados

Eugênio Magno 

Não dá para acreditar que governos, justiça, polícias e grandes empresas sejam tão ingênuas a ponto de permitir que as grandes plataformas digitais tenham tantas informações e controle político, econômico, estratégico e das comunicações, entre outras áreas, submetidas à meia dúzia de monopólios tecnológicos privados.

As telecomunicações e a internet, juntas ou separadas, são as campeãs em burlar leis, extorquir e fazer reféns os usuários dos seus serviços, chantagear nações e governos, permitir o vazamento de informações confidenciais, além de ser usadas como ferramentas de ponta pelos criminosos cinco ponto zero.

Enquanto as polícias se ocupam com viciados em crack, pichadores e ladrões de galinha e de botijão de gás, os crimes cibernéticos campeiam livremente.  

Os subprodutos ímprobos do mundo tecnológico têm ofuscado os inegáveis benefícios da tecnologia. O telefone, por exemplo, deixou de ser o melhor meio de comunicação para se falar com familiares, amigos e parceiros de negócios. Atender a uma chamada telefônica de número desconhecido atualmente quando não é chateação é um risco. A maioria das ligações recebidas são de empresas de telemarketing oferecendo produtos que não interessa e de golpistas. Quem depende do telefone para trabalhar sofre com o assédio constante de oportunistas e criminosos. Um mínimo descuido leva o interlocutor a cair nas armadilhas, a cada dia mais sofisticadas, dos bandidos. Os vigaristas usam vozes e protocolos de abordagem idênticos aos das empresas de call center e telemarketing. Será que os números para os quais eles ligam são meros frutos da aleatoriedade ou vazados por empresas e instituições que coletam informações das pessoas e, em total desrespeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), cedem seus mailings de acordo com suas conveniências e interesses?

No campo da telefonia, além dos maus serviços, cobranças indevidas e cortes súbitos nas ligações, existem vários outros aspectos que chamam a atenção. Quando estamos conectados a uma rede wifi, por exemplo, quase todas as ligações feitas ou recebidas são realizadas pela internet, via wifi; quer dizer, a operadora de telefonia cobra, mas não é ela que realiza o serviço. Outra situação bizarra é a moda da terceirização. Ela chegou a tal ponto que até mesmo as empresas de telefonia terceirizaram seus serviços de atendimento telefônico ao cliente. A falta de critérios nessa área é tão absurda que uma mesma empresa de call center atende demandas de usuários de serviços de fornecimento de energia, de água, de telefonia, de internet, de indústrias e empresas comerciais, de bancos e, o pior, de instituições públicas. Nessa lógica, os responsáveis pelas organizações ficam totalmente invisíveis e o cliente sem acesso direto ao fornecedor do serviço ou vendedor do produto. A dificuldade de fazer o contato, somada à burocracia telemática da ligação, o tempo de espera e a falta de autonomia das terceirizadas para resolver problemas complexos constituem barreiras que desestimulam o reclamante a reivindicar seus direitos. E, mais, como uma mesma empresa de call center atende várias organizações – públicas e privadas –, é muito provável que mailings transitem facilmente entre umas e outras empresas e instituições. Sem contar o lucrativo comércio de dados de usuários e consumidores, uma prática criminosa que já se tornou usual e não tem mobilizado as autoridades no sentido de combatê-la.

Existem leis para regular as teles, mas elas não são cumpridas como deveriam. Os descumprimentos se dão tanto porque os órgãos de fiscalização não se encontram aparelhados o suficiente para exercer o controle, quanto porque falta vontade política para encarar esse desafio, e probidade por parte de certos agentes públicos que volta e meia são flagrados em situações vexatórias de favorecimentos em troca de benefícios pessoais. Acrescente-se ainda o agravante de os próprios governos municipais, estaduais e federal, ao terceirizar serviços de call center, facultarem às empresas prestadoras desses serviços o acesso aos dados do contribuinte. E, a partir daí, só Deus sabe o que é feito com esses dados; muito embora seja de conhecimento público o valor monetário, de influência e de poder que esses dados representam. Recentemente o Ministério Público constatou irregularidades no INSS: associações fantasmas faziam descontos não autorizados na folha de pagamento dos aposentados.

Um dado curioso: Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF) são as principais empresas usadas pelos criminosos cibernéticos para dar golpes na população e os aposentados são os principais alvos dos golpistas. Esses crimes utilizando BB e CEF seriam mais uma das estratégias do capital para forçar a privatização desses dois patrimônios públicos brasileiros, falta de segurança dos dados, ou mera coincidência?

É uma insanidade convivermos com tanta passividade no combate aos golpes sem a aplicação de penas mais severas nessa área. Não obstante a existência de leis, essas questões envolvendo as teles é antiga e foi agravada com a convergência de mídias. Oitenta e nove por cento da população brasileira acessa a internet pelo telefone e os algoritmos estão sempre de plantão capturando as mais inimagináveis informações dos usuários para uso do poder, do capital e também dos criminosos.

No quesito tecnologia digital cabe observar que os governantes brasileiros – desde os anos 1990 –, têm feito um grande mal ao estado e à nação. Falta expertise para comprar tecnologias e aplicativos em todas as esferas dos poderes públicos. Eles compram mal e submetem a população, inclusive analfabetos totais e a grande maioria de analfabetos funcionais e informacionais, ao uso compulsório das tecnologias, muitas delas de difícil interação e outras ruins mesmo, com péssima arquitetura comunicacional. As interfaces ignoram todas as conquistas da linguagem humana e da comunicação social. O fato da comunicação e da linguagem que levaram milênios para serem criadas, codificadas e aprimoradas padecerem, em poucas décadas, de uma lógica tolamente subvertida, é um aspecto importante que não tem merecido a devida atenção e que talvez seja o cerne dessa questão. Ao invés de termos uma Comunicação Tecnológica, com a comunicação que já era algo estabelecido e conceituado, como matriz do processo, a tecnologia engoliu a comunicação, até na forma de ser nominada. Em vez de Comunicação Tecnológica, o que temos é Tecnologia da Informação e da Comunicação. A comunicação perdeu seu protagonismo até na nomenclatura; de substantivo passou a ser mero adjetivo da tecnologia. E, essa nova lógica usurpadora não atingiu apenas a comunicação. Praticamente, quase tudo no mundo está submetido à tecnologia, quando a tecnologia é que deveria estar à serviço da vida e de tudo em todos os sentidos. No caso específico da comunicação, é importante sublinhar que os especialistas em tecnologias têm se mostrado péssimos comunicadores. Aliás, o pessoal de Tecnologia da Informação (TI) ao desenvolverem softwares e aplicativos deveriam ter ser sempre ao lado um profissional de comunicação, para se evitar tantos equívocos e dificuldades para os usuários, pelo menos enquanto cada profissional não esteja fazendo o seu melhor naquilo que lhe compete.

Essa ditadura do deus-tecnologia precisa ser derrubada. A tecnologia é uma conquista humana muito importante para figurar como usurpadora e substituta de tudo que já foi conquistado. Às autoridades mundiais cabe a responsabilidade de reposicionar a tecnologia como recurso auxiliar, uma verdadeira aliada da humanidade e de suas práticas e relações sociais e de produção.

Os monopólios digitais possuem mais informações sobre as populações do mundo do que os governos e os serviços de inteligência dos estados nacionais.

Atualmente no Brasil acontece um grande debate em torno da regulação das plataformas digitais. Em vários países já existe essa regulação e por aqui, nem mesmo o controle das empresas de telecomunicação é feito com o rigor necessário. Quanto às big techs, o debate não deveria ficar apenas em torno de se regular ou não, mas também de como deve ser a regulamentação, quais serão os mecanismos de controle, que penalidades vão ser aplicadas às empresas que descumprirem a lei e, a partir de quando a regulação estará vigendo. O Marco Civil da Internet já tem quase uma década, data de 2016, e a população clama por celeridade na aprovação da sua complementação. Caso isso não aconteça já, corre-se o risco de que se aprofunde ainda mais a sujeição da população a essa exploração desmedida por parte das grandes plataformas e das empresas milionárias que pagam fortunas pela utilização desses serviços e da apropriação dos dados do povo para exercerem cada vez mais controle sobre todos. Por essas e outras, quando se fala em regulação, é preciso que se respeite o direito do cidadão de optar por usar ou não a tecnologia em suas interações com os serviços públicos. E para aqueles que desejam utilizá-la é de fundamental importância que sejam disponibilizados - gratuitamente - pelo estado, para toda a população, cursos de letramento para o uso das tecnologias na vida cotidiana.

Assim como a regulação da internet e a operação das big techs carecem de urgência, as questões envolvendo a telefonia também precisam ser encaradas pelo governo. No entanto, aqueles que se dizem representantes do povo pensam e agem na direção contrária. Recentemente o Congresso Nacional decidiu manter o veto do ex-presidente, Jair Bolsonaro, que barra o Projeto que criaria a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet (PL2.630/202), conhecido como "PL das Fake News". O veto foi mantido pelos deputados federais com um placar de esmorecer o cidadão: 317 votos a favor, 139 contra e 4 abstenções. Entre outros pontos, o texto barrado estabelecia até cinco anos de reclusão e multa para quem cometesse o crime de “comunicação enganosa em massa”, definido como a promoção ou o financiamento de campanha ou iniciativa para disseminar fatos inverídicos e que fossem capaz de comprometer o processo eleitoral. Como a punição de quem espalhar fake news foi impedida, espera-se um festival de mentiras nas eleições municipais deste ano.

Num país em que uma lei de combate às fake news é rejeitado, vale tudo; nas redes sociais e também nas mídias corporativas. No dia 18 de junho de 2024, circulou em todo o país, inclusive nos veículos de comunicação tradicionais, a “notícia” de que um dos maiores intelectuais vivos da atualidade, Noam Chomsky, teria morrido. Nenhum dos veículos que divulgou a inverdade fez uma apuração decente que pudesse confirmar a veracidade do possível fato. Só no final do dia foi descoberto que Chomsky havia tido alta do hospital em que se encontrava internado no Brasil e que passava bem, embora ainda estivesse sob cuidados médicos. Infelizmente, nesses casos, os desmentidos e as correções só vêm a público tardiamente, depois do choque, dos incômodos causados às famílias das vítimas da desinformação e da comoção geral do povo. Nesse caso, envolvendo Noam Chomsky, descobriram que a notícia que deu origem a essa boataria veio de uma coluna de obituários de um portal internacional que homenageia pessoas em vida quando, quase sempre as pessoas são homenageadas apenas depois de mortas. No episódio em questão, ficou clara a falha do jornalismo em tornar notícia o que não ocorreu, pois sem fato não há notícia. E, como temos depositado todas essas aberrações na conta das fake news essa é mais uma para entrar no rol delas. Isso serve de alerta para o perigo das mídias digitais. A tal coluna, batizada de Obituary se aproveita e se aproveitou dessa contradição para ser notada e os jornais, portais e demais veículos de comunicação que multiplicaram a informação pecaram por não fazer apuração. E, na sequência, internautas que gostam de imitar repórteres carniceiros e dar “furos de reportagens” e manchetes ao gosto dos algoritmos, ajudaram a promover a desinformação.

Em meio a tantos abusos, falta de punição e regulação, o convívio saudável com as novas tecnologias tem se mostrado difícil. Sobram desvios de finalidade, conflitos de interesse e muitas outras mutretagens na internet, na telefonia e nas redes sociais.

O marketólogo e psicólogo estadunidense, Adam Alter, autor do livro “Irresistível: porque você é viciado em tecnologia e como lidar com ela”, tem alertado para o perigo de estarmos, em média, oito horas por dia em frente a uma tela de computador, tablet ou celular. Embora consciente de vivermos em um mundo tecnológico, Alder sugere que devemos aproveitar apenas o melhor das telas e deixar o pior para trás. Em entrevista ao Instituto Conhecimento Liberta (ICL), o especialista teceu um corolário de considerações e advertências sobre o uso vicioso e viciante das tecnologias.

Segundo Adam Alter, estudos recentes constataram que as pessoas veem três vezes mais coisas nocivas do que as produtivas nas telas e isso é muito preocupante, pois, a tecnologia digital não proporciona nenhuma pausa. Filmes têm fim. Livros e novelas também têm capítulos e fim. Mas, a mídia digital não tem fim, é como o design dos cassinos, onde as pessoas sempre são convencidas a continuar jogando. Não tem sinais de paradas ou relógio que informe a quantidade de tempo em que se fica hipnotizado pelo vício de querer sempre mais. As evidências neurocientíficas mostram que tem muita gente vidrada em coisas viciantes, ainda que delas não goste. As mídias sociais, por exemplo, são lugares em que as pessoas permanecem horas a fio, mesmo que o gostar diminua, apenas em função do querer estar conectado o tempo todo. Não é permitido mais não fazer nada. As populações desenvolveram o vício de se “ocupar” o tempo todo, mesmo que seja em uma ocupação com o “nada”, com a virtualidade, a improdutividade.

Além dos problemas cognitivos causados pelo vício tecnológico e das fake news, prática flagrante na rede, é preciso que se atente para as ideias emocionais que circulam na internet de forma massiva. Essas ideias baseadas em emoções viajam muito mais rápido do que os fatos verdadeiros. A emoção temperada com a negatividade e a raiva, alimentam ainda mais o vício em mídias digitais. As grandes plataformas detêm o monopólio das nossas atenções. É muito poder nas mãos de quatro ou cinco detentores do controle das principais plataformas com alcance mundial. Esses empresários têm mais poder do que os mais potentes países do mundo, como já foi dito. Mal comparando, é como foi num passado recente, ter em mãos a bomba atômica. Os donos dessas megacorporações não têm apenas o monopólio das nossas atenções, como também todos os nossos dados pessoais, comerciais e geográficos. E somos nós mesmos, as vítimas desse controle, os lacaios de nós próprios, com a cumplicidade ativa dos governos a nos fazer reféns de um controle absoluto com fins obscuros.

O sistema capitalista deu um salto extremamente ofensivo contra a humanidade, saiu da economia da materialidade do consumo para a economia da atenção. É fundamental que aconteçam movimentos de base que discutam o impacto negativo das mídias digitais em nossas vidas e que comecemos a boicotar as plataformas e realizar ações de combate a essa força hegemônica que domina o planeta. O autor de “Irresistível”, sugere que haja pressão contra as plataformas, de baixo, pelas bases – pela massa usuária –, e por cima, pelos governos e pelos poderes públicos que também são consumidores-usuários, clientes das plataformas digitais. Eles têm poder legislador, fiscalizador e de polícia, para coibir os abusos constantes praticados pelas plataformas, regulando-as, como já acontece em algumas nações.

É crucial que hajam leis e os governos do mundo inteiro promovam regulação urgente das grandes plataformas. A pane global, em meados de 2024, num desses sistemas, com prejuízos gigantes, em várias áreas, foi uma pequena demonstração do imbróglio em que o mundo se meteu. Pessoas, empresas, instituições e governos, todo o mundo estão submetidos, total e completamente, a uma tecnologia sobre a qual não se tem nenhum controle e que em breve nem mesmo os seus controladores poderão controlar, tamanho é o avanço e o domínio da Inteligência Artificial e dos algoritmos.  

A situação nos coloca diante de um grande paradoxo: como lutar contra um sistema que, apesar de tantos problemas, representa avanços tão significativos?

Os desafios são complexos e para enfrentá-los é preciso começar de algum ponto. Uma maneira simples e possível de iniciar imediatamente esse enfrentamento é adotar uma postura de menor dependência dessas tecnologias, utilizando-as somente para o que seja construtivo. Outro procedimento que vem sendo recomendado é evitar todas aquelas plataformas que empanturram o usuário de conteúdos para os quais ele não tenha tempo suficiente de avaliar a qualidade do que vai consumir. Passar parte do dia sem tela, desinstalar aplicativos supérfluos, retirar a maioria dos lembretes dos celulares e deixar somente os avisos do que de verdade interessa é o que têm aconselhado os pesquisadores que estudam os efeitos nocivos das tecnologias digitais.

Já numa escala macro, só uma governança mundial para dar conta dessa e de muitas outras demandas de ordem planetária. Até que isso ocorra pra valer, os estados nacionais deveriam fazer esse enfrentamento, cada um criando sua internet estatal, para garantir cidadania plena às suas populações.

Tal como o mundo funciona, todos necessitam de tecnologias. Elas estão presentes na vida de todo e qualquer indivíduo ou organização. Para o bem ou para o mal, elas estão aí e isso não tem mais volta. Como utilizá-las, de que forma a humanidade é submetida e se submete a elas é a questão. Governos, universidades, imprensa, escolas e sociedade precisam debater exaustivamente esse tema para melhor compreendê-lo e estabelecer parâmetros e limites para a sua utilização.


quarta-feira, 26 de outubro de 2022

O BRASIL É DE TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS

 

(Imagem: "Bandeira Rachada" - Site Sindsep-PE)


O confisco de Deus e o sequestro da República

Eugênio Magno

Até as verdades bíblicas estão sendo truncadas e destroçadas por cristãos que preferem mitos à verdade de fatos protagonizados e narrados, diariamente, com soberba e sarcasmo pelo disseminador do ódio e sua seita de fanáticos.

O otimismo e a força que move o povo brasileiro sofrido deu origem à máxima “Deus é brasileiro”. Em tempos bolsonaristas, até isso foi retirado a quem só restava a fé e a esperança em dias melhores. Deus se tornou propriedade privada de uma turba de políticos aloprados que se dizem defensores da família e dos bons costumes, mas que carregam a bíblia em uma mão, uma arma de fogo na outra, a perversão nas entranhas, a maledicência na língua e a maldade no coração. O verdadeiro cristão, em seus louvores, reza com o salmista: O Senhor é bom para todos; a sua compaixão alcança todas as suas criaturas.

Acontece que tomaram de assalto, além de altares e púlpitos, também a república e os símbolos nacionais. A propósito do sequestro da Bandeira Nacional e da camisa da Seleção Brasileira, pelo atual governo, me veio a lembrança de quando criança, em Montes Claros, Sertão de Minas Gerais, costumávamos brincar de Rouba Bandeira, na rua onde morava.

A brincadeira era um jogo entre dois times. Cada um tinha a sua bandeira. O objetivo era entrar no território do outro time, roubar a bandeira e trazer para o seu território, sem ser pego pelos jogadores adversários. O jogo tinha muitas regras e nós as respeitávamos. As “bandeiras” eram pedaços de pano ou nossas próprias camisetas. No final, independentemente de quem tivesse vencido a competição, as camisetas eram devolvidas e até os pedaços de pano voltavam para as casas de onde saíram. Ora ganhávamos, ora perdíamos. De vez em quando surgia uma discussão, uma briga, mas não passava disso. Nos entendíamos. Não havia juiz e Deus não era propriedade de time algum, não jogava, nem torcia para nenhum lado.

Esses poucos dias que antecedem o segundo turno das eleições é tão decisivo para o futuro que não consigo deixar de trazer à memória o passado de uma geração que cresceu à sombra dos coturnos militares, viveu as agruras de um país subdesenvolvido que acreditou no progresso como milagre e construiu o futuro às custas do endividamento e do arbítrio. Compreender como nossa história vinha sendo escrita foi um grande desafio para a juventude desse período obscuro. Depois dos anos de chumbo, respiramos o ar da Nova República e ganhamos uma Constituição Cidadã em 1988. E o que era sonho logo se tornou pesadelo: superinflação no governo Sarney, confisco da poupança e escândalos no desgoverno Collor. Nos tornamos adultos imaturos e quase não percebemos que a inocente competição infanto-juvenil, limitada às brincadeiras e ao esporte, havia se transformado em descabida ambição, em meio a uma grave perpetuação dos privilégios de classe. Foi difícil para cada um de nós tomar seu rumo e achar sua nova turma.

Para os que optaram pela subserviência sobraram algumas migalhas em troca da mais indigna condição serviçal: a de capitães do mato.

Em meio a farra e os desmantelos do alagoano, que se autoproclamou “Caçador de Marajás”, os meninos e meninas, de origem proletária, nascidos no final dos anos 1950 e início da década de 1960 já não brincavam mais, trabalhavam. A abertura política e a nova carta constitucional iluminou o horizonte de alguns para a consciência de classe. Outros, muitos outros, se perderam no caminho, apesar de tantas canções, peças, livros e filmes.

Nos idos de 1990 muitas famílias novas se formaram e a luta para sobreviver mantendo coerência e dignidade se mostrou renhida. Afinal, desde os tempos coloniais, o Brasil só foi Pasárgada para uma minoria de endinheirados – grileiros do Estado.

Vivemos e testemunhamos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, a duras penas e, apesar das inúmeras concessões ao capital, sedimentarem as bases republicanas de um Estado Democrático de Direito. E contribuímos para que o país, a contrapelo dos vícios nas engrenagens dos poderes político e econômico vivesse, pelo menos, uma dúzia de anos de progresso econômico e social. No período de 2003 a meados de 2016 foi possível, entre outras realizações, acabar com a fome e gozar de grande prestígio internacional, com Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Mas toda moeda tem seu lado reverso e as elites não se fizeram de rogadas. Mesmo com uma grande acumulação de riquezas, durante os governos petistas, os poderosos se incomodaram com as cotas nas universidades, as políticas de direitos humanos, as ações afirmativas e a mobilidade social promovidas por Lula e Dilma e cruzaram a linha da moral, da ética e da legalidade. Trataram de dar um golpe em Dilma Rousseff, maquiado pelo parlamento como impeachment. Arregimentaram um juiz arrivista, setores do judiciário e do Ministério Público se locupletaram e os barões da mídia orquestraram a encenação. Púlpitos neopentecostais – católicos e evangélicos – “abençoaram” a narrativa posta, e a deep web cuidou de infestar o país e dobrar a opinião pública com toda a espécie de sordidez. Lula, o maior líder popular brasileiro foi tirado da disputa eleitoral em 2018 e preso. Deu no que deu... Jair, (o falso Messias) Bolsonaro, foi eleito. Hoje, acuado, diante dos vários processos que cairão sobre ele se perder as eleições e a imunidade, joga o jogo mais vil, jamais visto em nossa história republicana, para permanecer no poder e garantir privilégios e o Sigilo de 100 Anos.

Não consigo dizer se é triste, decepcionante ou vergonhoso saber da existência de tanta gente – pobres, inclusive – e muitos outros, de várias classes sociais que apoiam a barbárie e àquele que se arvorou a sequestrar os bens mais preciosos do nosso país. As Forças Armadas, porque brasileiras e patrimônio da Nação, por exemplo, jamais poderão estar a serviço de governos, contra mais da metade do povo brasileiro, como quer o presidente-candidato. A nossa padroeira, Nossa Senhora Aparecida, seu templo e seus devotos ressentem, profundamente, a profanação sofrida pelos arruaceiros bolsonaristas e Jesus não pode continuar com uma arma apontada para a sua cabeça como refém de fariseus que ameaçam crentes esclarecidos e já decididos pelos valores do Evangelho.

Diante de tudo o que vivemos nos últimos quatro anos é inacreditável que o eleitor lúcido esteja com dúvida em quem votar. Repare que nem falamos de assassinatos de opositores, tentativas de homicídios, ameaças várias, bandidos aliados, recepção de policiais à bala, imobiliária e fábrica de chocolate operando com dinheiro vivo, rachadinhas, centrão, orçamento secreto, obsessão sexual de pastoras e pastores aliados, compra de votos, insinuações pedófilas, intolerância, misoginia, homofobia, racismo, 686 mil mortos na pandemia, indústria de fake news, o desastre econômico, ataque ao salário mínimo e aos aposentados... A lista é infindável.

Chega. A hora é de partir pra cima. Sem essa de cair no conto de líderes espirituais, pastores e vigários picaretas com suas chantagens diabólicas. Se somos um povo verdadeiramente religioso, dia 30 de outubro, vamos todos votar e votar pelo bem, pela paz. Só assim Deus mostrará a sua verdadeira face para todos os brasileiros e brasileiras.

Pela qualidade da nossa geração, vamos demitir o ódio, recuperar a paz, o respeito, a cidadania e a civilidade. Vamos pegar de volta a Amazônia, a Farmácia Popular e muito mais: a dignidade, o respeito, a democracia, nossas cores e a nossa bandeira.


sexta-feira, 30 de setembro de 2022

O SUPLÍCIO DE UMA NAÇÃO

(Galeria de Imagens)

Brasil quer mudança urgentemente

 

Eugênio Magno

Falta apenas um dia para que essa terrível página da nossa história recente seja virada. Neste domingo, dia 2 de outubro de 2022, o povo terá nas mãos o poder de dar um novo rumo ao Brasil.

Nunca, na história desse país, houve uma tragédia de tão grandes proporções, em um espaço de tempo tão curto – menos de quatro anos. Décadas de lutas sangrentas e conquistas suadas foram ignoradas e o patrimônio público dilapidado. A porteira foi aberta e a boiada passou. O mais grave é que a tragédia foi previamente anunciada, patrocinada pelo capital, regida por um dos poderes da república, orquestrada pela grande mídia e chancelada pelos votos de milhões de eleitores de perfis variados. Se somaram aos votos dos extremistas radicais convictos outros, de protesto e ainda os dos liberais, dos antissistema, dos anarcocapitalistas e aqueles da grande massa de enganados pelas fake news e pelo cerco armado a partir da república de Curitiba.

A preocupação mais urgente de todas as cidadãs e cidadãos brasileiros de bom senso neste momento é impedir já qualquer chance de continuação do atual governante no poder. A disputa presidencial não pode ser arrastada para o segundo turno, se não quisermos ver e viver mais distopias, violência, perseguição e a agressão por parte dos ressentidos envergonhados que por teimosia não admitem que erraram e insistem em permanecer no erro e a defender seus mitos. Os atuais mandatários da nação e a família do presidente estão ameaçados de várias condenações em tribunais nacionais e internacionais, inclusive, por crimes contra a humanidade. Por essas e outras, usam de todos os expedientes – a maioria deles ilegais – para permanecer no poder e não perder suas prerrogativas de imunidade.

Desde o chamado impeachment que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, agora mais do que nunca provado que foi golpe, em razão dela ter sido julgada inocente diante da acusação de pedaladas fiscais que o capital e a extrema direita mundial articulada pelo trumpismo e pelo seu estrategista-mor, Steve Bannon, vem articulando esse assalto ao poder em nosso país. A fragilidade de nossas instituições, a mão invisível do mercado, a trava do parlamento, comandado pelo centrão – à época sob a égide de Eduardo Cunha –, a crise econômica mundial e o fim da exportação de nossas commodities, pavimentaram o caminho para que fosse inaugurado o desmantelo do Estado brasileiro e a implosão da república.

O governo Bolsonaro aparelhou os principais órgãos de Estado. Segundo relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), foram empregados milhares de militares, da reserva e da ativa, em cargos civis. Entre os problemas identificados pelo levantamento estão remunerações que extrapolam o teto constitucional e a falta de amparo legal para exercer cargo de agente civil, além do acúmulo de funções. Várias estatais brasileiras foram entregues à inciativa privada, na bacia das almas, e o dinheiro utilizado para atender ao orçamento secreto administrado pelo centrão, de quem o executivo se tornou refém. Este governo que aí está e joga com todas as cartas para permanecer impôs a Lei do Sigilo de 100 Anos para 65 casos, dentre os quais as visitas que a primeira-dama, Michele Bolsonaro, recebeu no Palácio da Alvorada. Dois dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), foram escolhidos com base na fé que professam – são “terrivelmente evangélicos”. A Procuradoria Geral da República perde credibilidade a cada dia. Investigações de corrupção e de malversação dos recursos públicos estão sendo obstruídas e vários mecanismos de controle foram destruídos. A família do presidente é acusada de comprar 51 imóveis com dinheiro vivo e entra com recurso para tirar de circulação a matéria jornalística que denuncia o escândalo. O preço dos combustíveis foram manipulados ao sabor das alterações nas pesquisas de intenção de voto. Legislações de proteção ao meio ambiente foram quebradas. As funções das Forças Armadas vêm sendo desviadas, de aparato de Estado, para servir ao governo e à sua candidatura, sem falar do sequestro dos símbolos e datas nacionais. A estupidez negacionista deixa um saldo de 686 mil mortos durante a pandemia de covid-19 no país. O Brasil ocupa o vexatório segundo lugar em letalidade por covid, entre todos os países do mundo. Milhões de doentes ficaram sem vários remédios da Farmácia Popular. Reajuste do auxílio emergencial e ajuda para taxistas e caminhoneiros vêm sendo apontados como o maior crime eleitoral praticado no país.

E tem mais, muito mais. Num dos últimos debates, o presidente-candidato contou até com a linha-auxiliar de um falso-padre, já desmascarado. São inúmeros os abusos cometidos pelo candidato Bolsonaro e por esse governo que insiste em se manter no poder para liquidar o que resta de nossas riquezas e destruir as instituições republicanas. Sua política é de disseminação do ódio e de mentiras, truculência no trato com opositores e misoginia explícita, dentre tantos outros descalabros.

O que mais é necessário para convencer quem não tem vocação para extremista, mas que, por razões de acreditar mais no dogmatismo de pastores e padres sectários, do que em Cristo e em seu Evangelho, repete e cumpre cegamente os ditames e as palavras de ordem de impostores?

Um presidente eleito em clima de judicialização da política e politização da justiça, com as bênçãos da boa-fé do povo simples, aviltada por interesses econômicos de setores religiosos inescrupulosos, estribados em fake news, não tinha nenhuma chance de dar certo, como está provado que não deu.

Qualquer um dos candidatos à presidência da república é melhor para o Brasil do que Bolsonaro, mas só um é capaz de vencê-lo e já, no primeiro turno. A sociedade civil organizada e as principais lideranças de vários setores do país já declararam o voto a Lula. A eleição ainda não está ganha, mas se uma parcela dos eleitores de Ciro e Tebet optar pelo voto útil a fatura poderá ser liquidada neste domingo e é para isso que quem tem juízo e responsabilidade está trabalhando e torcendo.


sexta-feira, 1 de outubro de 2021

"ILUMINISMO NA ERA DIGITAL"


(Foto: Site do Partido dos Trabalhadores - PT)


França cria comissão para combater teorias da conspiração, um “veneno” na sociedade, segundo Macron


O presidente Macron criou uma comissão encarregada de combater as teorias da conspiração que ele acredita serem um “veneno” que ameaça a sociedade francesa.
A comissão, chamada de “Iluminismo na Era Digital”, será formada por cerca de 15 acadêmicos, além de jornalistas, professores e advogados, segundo as primeiras informações.
O objetivo é produzir um relatório sobre como evitar que algoritmos da internet “escravizem” a sociedade, como os anunciantes exploram notícias falsas e como impedir que potências estrangeiras espalhem teorias da conspiração.

Para continuar lendo a matéria de Media Talks / Portal UOL, clique aqui.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

ENXURRADA DE FAKE NEWS

 

Captura de tela feita em 19 de agosto de 2020 de uma publicação no Facebook reproduzida pela AFP Chile

Como enfrentar as fake news

Para o bem e/ou para o mal, os meios de comunicação estão coalhados de fake news. O grande desafio é identificá-las, denunciá-las e evitar sua propagação.

A instantaneidade do digital deixa pouca margem para decodificar, apurar e refletir para depois agir. O estrago de reputações e a disseminação de mentiras, invenções, armações, picaretagens e até mesmo alertas, prevenções infundadas e esperanças falsas, tornaram-se fatos corriqueiros, principalmente nas redes sociais, mas também nos meios de comunicação tradicionais. 

Existem plataformas especializadas em confirmar e apontar notícias falsas e aplicativos para ajudar o internauta na análise de fake news, assim como alguns (ainda que poucos) mecanismos para denunciar e excluir esse tipo de postagem nas principais redes sociais. O mais importante, entretanto, é que cada um se reconheça na sua expertise e não fique por aí brincado de comunicador ou jornalista. O mundo já está conturbado o suficiente para que atos impensados, ainda que bem intencionados, tragam ainda mais conflitos e turbulências para esta sociedade em desordem.

Veja, por exemplo, este vídeo, anunciado pelo seu autor como "de utilidade pública familiar" que circula pelas redes sociais (já há algum tempo) alertando a população para os perigos de se deixar medir a temperatura por termômetros infravermelhos apontados para a testa. Tendo em sua abertura a chamada "é melhor prevenir do que remediar", a primeira imagem do vídeo é o desenho de perfil uma cabeça humana, destacando o cérebro e colocando em evidência a glândula pineal.

(Identificado como mídia da rede social Tik Tok) 

Embora aqui esteja sendo citado esse vídeo, a informação circulou de forma escrita, como mensagem de áudio e também em outros vídeos, partindo de vários perfis em quase todas as mídias sociais.

No caso específico dessa informação, indico a matéria que Marion Lfévre, da agência de notícias  AFP Argentina / Chile, realizou, cujo título é "Medir a temperatura com um termômetro infravermelho não danifica a glândula pineal". 

Não espalhe notícias sem checar sua veracidade. Para ler a matéria da AFP, na íntegra clique aqui.


sexta-feira, 1 de maio de 2020

SOCIEDADE MUNDIAL É CONSTRANGIDA POR UM VÍRUS NA HIPERMODERNIDADE


(Imagem: Fusion Medical Animation / Unplash) 



O Vírus interroga as instituições

Eugênio Magno


Mais do que qualquer curso, disciplina e/ou formação acadêmica, a vida é pedagógica. Ainda que de forma cruenta, nos trás seus ensinamentos e nos interroga sobre o nosso destino, o futuro que estamos construindo e nos impõe – neste momento específico em que vivemos –, uma pausa para reordenar o rumo das coisas. Muito embora a letalidade da pandemia engendrada pela COVID-19 seja um fato irrefutável, a generosidade da vida no planeta para com os humanos é imensa e nos oferece agora a chance de sermos, fazermos e vivermos de forma diferente da que até então temos vivido. Resta saber se iremos tirar algum proveito desta lição. Frei Beto gosta de dizer que “é melhor deixar o pessimismo para tempos melhores”, mas diante das posições de algumas lideranças de vários países, como é o caso dos integrantes do governo brasileiro, é difícil ser otimista no atual momento histórico.
Devemos salvar a vida humana ou a economia, protegendo multimilionários e construindo riquezas sobre cadáveres? Às vezes é necessário que cheguemos ao pico de uma excepcionalidade como esta da pandemia provocada pelo coronavírus para nos darmos conta do quanto a vida humana vem sendo desvalorizada pelo próprio homem.
Em tempos de livre circulação de informações, das mais balizadas àquelas para as quais não existe sequer qualificação, é importante que tenhamos o bom senso de nos ancorarmos em reflexões sóbrias e equilibradas para, a partir desses referenciais, formarmos e emitirmos opinião. Se não, vejamos: são notórios os ataques sofridos pelas democracias, orquestrados por fake news produzidas e difundidas em massa, especialmente pelas redes sociais, gerenciadas por grupos de mídia internacionais e ideólogos hiperneoliberais e anarcocapitalistas que se utilizam justamente de prerrogativas democráticas, como a liberdade de expressão, para fazer seus proselitismos. Entretanto, essas estratégias comunicacionais abjetas, direcionadas para a conquista de corações e mentes da grande massa manipulável, têm encontrado uma dura resistência por parte daqueles que pensam e estão engajados na construção de um mundo melhor.
Na penúltima semana de abril entrou em circulação, A Cruel Pedagogia do Vírus, o mais novo livro do pensador Ibero-Americano, o português, Boaventura de Sousa Santos. Trata-se de uma obra curta da Editora Almedina (Coimbra, Portugal, abril, 2020). Aqui no Brasil, o ensaio está disponível exclusivamente em e-book, como um dos volumes da coleção Pandemia Capital, da Boitempo Editorial ao custo de – apenas – cinco reais. No livro, Boaventura argumenta, de forma didática, sobre os desdobramentos da pandemia do coronavírus (COVID-19) em uma conjuntura em que se somam várias outras crises, entre elas as de ordem econômica e política. Nas poucas páginas dos cinco capítulos do ensaio, Sousa Santos problematiza uma série de questões que se deslindam em torno da crise pandêmica, para além do factual. Tudo muito condensado, mas com indicações claras e fortes das várias feridas políticas e socioambientais mal curadas que vão ficando cada vez mais visíveis a olho nu, com o avanço da pandemia.
Embora convencido de que os fins não justificam os meios, o autor chama a atenção para o fato de que apesar das consequências negativas do arrefecimento da economia, existem também as positivas. E toma como exemplo, o fato de um especialista em qualidade do ar, da agência espacial estadunidense (NASA) ter afirmado que nunca houve uma diminuição da poluição atmosférica numa área tão vasta do planeta, como neste período de pandemia global. Diante dessa e de outras constatações e, dentre as muitas interrogações postas pelo Vírus, segundo Boaventura de Sousa Santos, destaco as seguintes: “Quererá isto dizer que no início do século XXI a única maneira de evitar a cada vez mais iminente catástrofe ecológica é por via da destruição maciça da vida humana? Teremos perdido a imaginação preventiva e a capacidade política para a pôr em prática? A democracia carece de capacidade política para responder a emergências?”.
A problemática central enfocada pelo autor gira em torno do debate das ciências sociais sobre qualidade e verdade das instituições em momentos de normalidade e em situações excepcionais – em que momento se pode conhecê-las melhor? A tese de Boaventura é de que tanto uma quanto a outra situação permitem conhecimento revelando, naturalmente, coisas diferentes. Daí ele parte para a enumeração de pontos que o ajudam na problematização das revelações decorrentes do coronavírus.
No entender de Boaventura, a pandemia apenas agrava uma situação de crise que a sociedade mundial vem sendo sujeitada a décadas, com o avanço do neoliberalismo. Mas este agravamento da crise também faz cair por terra a ideia de que não existe alternativa ao modo de vida imposto pelo hipercapitalismo. “Como foram expulsas do sistema político, as alternativas irão entrar cada vez mais frequentemente na vida dos cidadãos pela porta dos fundos das crises pandêmicas, dos desastres ambientais e dos colapsos financeiros”, argumenta Sousa Santos. Este é mais um dos imperativos que o Vírus nos dá a (re)conhecer. Assim como também podemos afirmar em uníssono com o autor que “a pandemia não é cega e tem alvos privilegiados, mas mesmo assim cria-se com ela uma consciência de comunhão planetária de algum modo democrática”. Mas, de uma democracia manca, uma vez que o darwinismo social praticado pelos chamados países desenvolvidos, em períodos de exceção como o que vivemos demonstram uma total contrariedade ao processo de avanço civilizatório.
É clara a vulnerabilidade ao vírus por parte de uma grande maioria da população mundial que sempre esteve entre os “grupos de risco” devido a precariedade da vida a que sempre foram subjugados.
Até a indicação preventiva de maior consenso mundial para trabalhar em casa, em auto-isolamento é impraticável, para vários segmentos profissionais, aqueles que fazem os serviços essenciais e os trabalhadores informais e precarizados que são obrigados a escolher entre ganhar o pão diário ou ficar em casa e passar fome. Boaventura também nos chama a atenção para o fato de que “as recomendações da OMS parecem ter sido elaboradas a pensar numa classe média que é uma pequeníssima fracção da população mundial”.
O Vírus expõe as vísceras de nossa sociedade, não somente as do capital, dos estados nacionais, dos governos, da política, das forças armadas e dos sistemas de saúde, mas de todo o conjunto das instituições. De modo particular, pensando na parte que nos cabe deste latifúndio: desvela também as entranhas da mídia, da academia, da educação, da tecnologia, do pensamento e das ciências. É numa hora como esta que se valida ou não todos os estudos, as pesquisas e a produção intelectual. Afinal, o que sabemos e o que podemos fazer com o que sabemos, para minimizar os impactos de uma situação tão crítica e letal como esta?

Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

FAKE NEWS CONTINUAM INUNDANDO O PAÍS


Eleições 2018: o que o TSE está fazendo 

para combater mensagens falsas?


Foto: Roberto Jayme ASCOM/TSE

Na quinta-feira que antecedeu o fim de semana de votação no Brasil, um vídeo acusando fraude nas urnas foi extremamente difundido.
Teve 1,6 milhão de visualizações no YouTube e foi publicado diversas vezes em grupos de WhatsApp e no fórum Gab, rede social da alt-right (termo que se refere a "direita alternativa", que reúne grupos de extrema-direita) americana que tem adeptos brasileiros apoiadores do candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL).
O vídeo, de um canal gaúcho chamado Brasil Paralelo, entrevista o procurador Hugo César Hoeschl, de Santa Catarina, que cita "estudos com reconhecimento internacional" que indicam "que a probabilidade de fraude na última eleição presidencial brasileira foi de 73,14%", mas não especifica que estudos são esses.
Diante da disseminação desse vídeo, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) publicou uma resposta em seu site na sexta-feira, dizendo não haver registro "de que o autor do vídeo tenha participado de qualquer evento de auditoria e transparência, a exemplo dos testes públicos de segurança realizados pelo TSE e da apresentação dos códigos-fonte".
Também afirmou que "há vinte e dois anos, as urnas eletrônicas têm sido utilizadas nas eleições brasileiras sem nenhuma comprovação efetiva de fraude. O resultado das Eleições Gerais de 2014 foi auditado de modo independente por iniciativa de partido político, sem que qualquer irregularidade fosse identificada". A BBC News Brasil tentou contato com os donos do canal Brasil Paralelo e com o procurador, mas não obteve respostas.
Para continuar lendo a matéria de Juliana Gragnani da BBC News Brasil, clique aqui.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

FAKE NEWS: O QUÊ? QUEM? QUANDO? ONDE? COMO? POR QUE?


Eugênio Magno

O que há por trás do interesse dos grandes grupos midiáticos em combater as chamadas



A expressão fake news, que quer dizer notícia falsa e chega aos nossos olhos e ouvidos em idioma inglês, com ares de novidade, não tem absolutamente nada de novo. A mentira, a notícia falsa, o boato, o mexerico, a fofoca, a maledicência, a intriga, o sensacionalismo, o showrnalismo, a espetacularização dos fatos, a fabricação e a desconstrução de mitos, a propaganda enganosa, a publicidade travestida de notícia, o informe publicitário e o testemunhal – que confundem o leitor, o ouvinte e o telespectador –, são tão velhos quanto a vida no planeta.
No que diz respeito ao uso do smartphone, não podemos nos esquecer das reflexões teóricas de Marshall McLuhan, ao tratar dos meios de comunicação como extensões do homem. É preciso ter em mente que a fofoca de pé de orelha vem sendo amplificada ao longo do tempo, viralizou e ... globalizou. Os dispositivos digitais móveis permitem registros factuais e testemunhos críveis por demais, para os tempos em que vivemos. O cidadão comum se apropriou da tecnologia e saiu da condição de mero receptor de versões editadas dos fatos, ao bel-prazer da grande mídia, para o contracampo de emissor de informações. E quando lhe convém, a mídia também se utiliza desses registros, mas faz uma apropriação indevida dessa versão dos fatos, torna-se dona da voz, silenciando e invisibilizando a voz do dono.
Então, por que criminalizar as redes sociais, as mídias digitais, especialmente num momento em que excelentes jornalistas, formados ou não, estão realizando o ideal do bom jornalismo, justamente nos espaços alternativos?
Longe das censuras ideológicas e econômicas, aboletadas nas hierarquias dos veículos de comunicação de massa respira-se informação democrática, a despeito da enxurrada de fakes, trotes, piadas, pegadinhas, pirataria, mentiras e impropérios, tão comuns na rede. Tudo isso, sem nenhum tipo de controle. Diferentemente do que acontece na mídia tradicional, onde existe excesso de controle: da linha editorial (que é a menos nociva), mas, fundamentalmente, o controle da hierarquia, dos acionistas do grupo, dos anunciantes, da ideologia, do governo de plantão e de interesses geoeconômicos.
  

O tema necessita ser enfrentado com a seriedade e a abrangência que exige. As falsas notícias que destroem reputações de pessoas físicas e jurídicas, promovem o trucidamento público de carreiras, ferem os direitos humanos e sociais, estigmatizam países e marginalizam povos, etnias, raças, gêneros, classes sociais, categorias profissionais e comunidades carentes, devem ser combatidas, em todos os espaços midiáticos em que ocorram.


Entretanto, está em curso no país uma grande onda de criminalização das chamadas fake news, com um forte acento e atenção para o que ocorre nas mídias sociais e no ciberespaço. Isto, em detrimento dos abusos, tanto do excesso da manipulação de informações e entretenimentos típicos de entorpecimento, quanto da subtração de informações relevantes e programas que valorizem a cultura e os movimentos identitários de nosso povo.
Horas atrás, atendendo ao chamado de uma emissora de rádio, com cobertura nacional, especializada em notícias, que solicitava a participação dos ouvintes para opinar pelo Whatsapp sobre o uso do smartphone, numa clara intenção de desqualificar o dispositivo, a julgar pelas mensagens que os âncoras selecionavam e colocavam no ar, quis contrapor aquela situação e levar um pouco mais de bom senso, luzes, reflexão crítica e aprofundamento ao debate. Gravei uma mensagem de áudio e enviei à emissora. No meu áudio me identificava, como solicitado pela rádio, como jornalista, radialista, doutor em educação e dizia sucintamente, em tom cordial, mas de forma clara e contundente que a questão mereceria uma análise mais profunda, até porque os celulares e os smartphones têm cumprido um papel social muito importante, até mesmo do ponto de vista da informação. 
No momento em que me mobilizava para participar do programa, percebi que uma autoridade do judiciário falava sobre fake news, dizendo que "[...] se alguém suspeitar de uma fake news, especialmente nas redes sociais – que é onde elas mais acontecem – ligue, denuncie o fato a um grande veículo de comunicação, de credibilidade, como essa emissora, por exemplo, para que o autor de tal ato possa ser identificado e punido". 
Diante da declaração seletiva e absurda que ouvi, acrescentei ao meu áudio um breve complemento sobre fake news, dizendo que as fake news têm sido atribuídas de uma maneira muito generalizada às mídias sociais e à internet, quando na verdade elas ocorrem também nos veículos tradicionais: jornais, rádios e televisões. E que o impacto e os danos causados por uma fake news na grande imprensa era muito maior do que aqueles provocados pela divulgação de notícias falsas e boatos nos meios eletrônicos. Disse ainda que o tema não podia ser tratado com superficialidade, como vem sendo conduzido. E, finalizei com uma pequena mensagem de texto me colocando à disposição para uma conversa mais longa, com o objetivo de aprofundar a discussão ou até de conceder uma entrevista, caso eles tivessem a real intenção de democratizarem esse debate.
Poucos minutos depois, o Whatsapp indicava que as mensagens de áudio e de texto haviam sido ouvidas e lidas e, até o momento em que redijo este texto, quase 40 horas depois de enviar as mensagens, não obtive nenhum retorno por parte da emissora de rádio, como previ.
A hipocrisia e o sarcasmo com que o tema vem sendo tratado são escandalosos.
Quem encabeça grande parte das discussões e propõe regulação para o combate as fake news, dessa forma torta que estão fazendo, são órgãos representantes da grande mídia, políticos conservadores, envolvidos em escândalos e setores do judiciário que parecem desconhecer total e completamente de que forma acontece o fenômeno da comunicação e como se dão os processos comunicacionais na mídia.
Para que a discussão prospere, em profundidade, e uma possível regulamentação sobre as fake news ocorra, será necessário muito mais do que uma canetada, o lobby da mídia hegemônica ou a persuasão, por meio da massificação de um pacote pronto e acabado, produzido pela corrente ideológica da mordaça. 
A realidade é difusa. Os fatos, os acontecimentos, ocorrem a todo instante. Evoluem, desdobram-se e repercutem numa velocidade assombrosa. Produzem efeitos tão ou mais significativos que os eventos e causas que os geraram, e as narrativas midiáticas ou testemunhais reproduzem os fatos a partir do seu ponto de vista que é: a vista de um ponto, ou seja, sempre será a versão de um fato, contaminada pela cultura, ideologia, modos de ver e de dizer do emissor da vez.
Uma comissão que venha a tratar desse tema deve ter sim representantes do mundo político, da grande imprensa, das grandes plataformas digitais e do judiciário. Mas não pode prescindir dos leitores, dos ouvintes, dos telespectadores, dos jornalistas, dos comunicólogos, dos educadores, das universidades, de instituições como a ABI e a OAB, dentre outras, dos internautas e dos ativistas das mídias alternativas.


O que acontece no atual momento histórico é que grande parte dos veículos de comunicação tradicionais: jornais, rádios e televisões que há muito deixaram de funcionar como mediadores de interesses e conflitos na sociedade, dando voz e vez à população, aos cidadãos e às organizações e aos poderes instituídos, de forma igualitária, perderam terreno para as mídias sociais e querem ganhar a parada no tapetão. A maioria dos grupos de mídia não está mais a serviço dos interesses coletivos e sociais. Os conglomerados de mídia atuam cada vez mais na defesa dos grandes grupos econômicos e empresariais que, por sua vez ditam comportamentos a políticos e governos, influenciando políticas comerciais e econômicas de nações e blocos regionais.
A grande mídia poderá vir a tomar o seu próprio veneno, ao surfar na onda da devastação dos direitos democráticos. A liberdade de imprensa corre sérios riscos de se tornar refém do “invisível”.
(Ilustrações: imagens do Google)