sábado, 25 de abril de 2020

BOLSONARO E MORO TROCAM GRAVES ACUSAÇÕES


Bolsonaro nega interferência na PF e 
acusa Moro de negociar troca de comando por vaga no STF

(Foto: Adriano Machado/Reuters)

BRASÍLIA (Reuters) - Cercado por seus ministros, o presidente Jair Bolsonaro rebateu nesta sexta-feira as acusações do agora ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que deseja interferir politicamente na Polícia Federal, e afirmou que o ex-juiz tentou negociar a troca no comando da PF por sua própria indicação a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Mais de uma vez o senhor Sergio Moro disse para mim: ‘Você pode trocar o (Maurício) Valeixo, mas em novembro, depois que você me indicar para o Supremo Tribunal Federal’”, disse Bolsonaro em pronunciamento com 45 minutos de duração, no Palácio do Planalto, citando o agora ex-diretor-geral da PF.
Bolsonaro decidiu no início da tarde responder à fala de Moro depois de discutir o assunto com seus ministros mais próximos. O ex-juiz da Lava Jato pediu demissão pela manhã e acusou o ex-chefe de tentar interferir na PF e em inquéritos que tramitam no Supremo ao exonerar Valeixo.
O presidente assistiu ao pedido de demissão de Moro em seu gabinete com os ministros palacianos Walter Braga Neto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Jorge Oliveira (Secretaria-Geral), e se manteve reunido com eles, de acordo com uma fonte, até a hora de fazer seu próprio pronunciamento.
Inicialmente previstos para se reunirem no Planalto para discutir o programa Pró-Brasil, os demais ministros, além do vice-presidente Hamilton Mourão, foram convocados para comparecer ao pronunciamento com Bolsonaro. Só não estavam presentes Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Marcelo Álvaro Antônio, do Turismo.
Três deputados também compareceram para prestar apoio ao presidente: Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli e Helio Lopes, todos da ala do PSL ainda aliada a Bolsonaro.
Em seu pronunciamento, Bolsonaro negou ter a intenção de interferir na PF, mas reconheceu que solicitou informações a respeito de determinadas investigações, incluindo os inquéritos sobre a morte da vereadora Marielle Franco e da facada que ele próprio sofreu durante a campanha presidencial de 2018.
O presidente admitiu que pediu à PF que interrogasse um ex-sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro acusado de envolvimento no assassinato de Marielle, cuja filha teria namorado seu filho mais novo, Jair Renan, e revelou ter consigo uma cópia do depoimento.
“Eu fiz um pedido para a Polícia Federal, quase com um por favor: chegue em Mossoró e interrogue o ex-sargento. Foram lá, a PF fez o seu trabalho, interrogou e está comigo a cópia do interrogatório”, disse o presidente. “Mas eu é que tenho que correr atrás disso? Ou é o ministro? Não é a Polícia Federal que tem que se interessar?”.
Para ler, na íntegra a matéria de Lisandra Paraguassu, para a agência Reuters, clique aqui.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

MESSIANISMO ESTADUNIDENSE


EUA acreditam ter "missão messiânica" contra comunismo, 
diz vice-ministro venezuelano

Carlos Ron Martínez foi encarregado de negócios da Venezuela em Washington 
antes de ser expulso do país pelo governo Trump, em 2018 
(Foto: Sul21)

A Venezuela tem sido alvo de uma série de ameaças pelo governo dos Estados Unidos. Desde que em 2015, o presidente Barack Obama decretou o país como uma "ameaça inusual à segurança dos EUA", foram aplicadas uma série de medidas coercitivas, que caracterizam o bloqueio econômico.
A administração Trump manteve a postura agressiva, e em maio de 2018, o governo bolivariano declarou como "persona non grata" o encarregado de negócios de Washington, Todd Robinson, no território venezuelano. 
O anúncio veio logo depois que a Casa Branca não reconheceu o processo eleitoral que reelegeu Nicolás Maduro como presidente e emitiu novas sanções econômicas contra o país.
Em resposta, o governo Trump deu 72h para que todos os funcionários venezuelanos deixassem Washington. 
Em março de 2020, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos denunciou o chefe de Estado venezuelano e outras 12 pessoas de suposto crime de narcotráfico, lavagem de dinheiro e tráficos de armas. Mesmo sem apresentar provas, o procurador geral William Barr anunciou uma recompensa de 15 milhões de dólares pelo "resgate" dos indiciados.
Já no dia 1º de abril, o secretário de Estado, Mike Pompeo e o enviado especial para a Venezuela, Eliott Abrams anunciaram o "Marco Democrático para a Venezuela", uma proposta de governo de transição e convocatória de eleições até o final de 2020. O documento previa a formação de Conselho de Estado que iria administrar o país de maneira provisória, sem o presidente Nicolás Maduro, sem o deputado Juan Guaidó e com apoio das Forças Armadas. Em troca, os Estados Unidos levantariam progressivamente as sanções contra a Venezuela.
Ainda no mesmo mês, o presidente Donald Trump anunciou o início de um operativo militar antidrogas, no Mar Caribe. Apesar de que cerca de 80% do fluxo do narcotráfico atravesse a costa ocidental do Oceano Pacifico, pelas costas do Equador e da Colômbia, as frotas estadunidenses cercaram o lado oriental, bloqueando a costa venezuelana. O conjunto de medidas adotadas nas últimas semanas acentua as tensões entre Caracas e Washington.
Carlos Ron Martínez, era o encarregado de negócios da Venezuela nos Estados Unidos desde 2017. Hoje, já em Caracas, atua no governo bolivariano como vice-ministro de Relações Exteriores para América do Norte. 
Em entrevista para o Brasil de Fato, tratou sobre a política exterior venezuelana, a relação com o governo estadunidense e o futuro do governo Trump.
Para ler a entrevista que Carlos Ron Martinez concedeu a Michele de Mello para o Brasil de Fato, clique aqui.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

PERSEGUIÇÃO À CIÊNCIA


Quando a ditadura perseguiu cientistas e interrompeu pesquisas: os 50 anos do 'Massacre de Manguinhos'

(Foto: Acervo da Casa de Oswaldo Cruz - COC)

Quando soube de sua cassação, o entomologista (estudioso de insetos) carioca Sebastião de Oliveira, de 52 anos, custou a acreditar. "Você esquece que hoje é 1º de abril?", rebateu ele à técnica de laboratório do parasitologista Herman Lent que lhe dera a notícia.
Dali a pouco, o telefone tocou. Do outro lado da linha, alguém confirmava a cassação: "Está dando na Rádio Globo". Só depois de ouvir o noticiário é que ele se convenceu. Não foi o único.
Naquele mesmo dia, o químico Moacyr de Andrade, também cassado, procurou o amigo Lent, referência mundial no estudo do barbeiro, o inseto transmissor da Doença de Chagas, para lhe dar a triste notícia: "Não precisei falar nada: o Herman tinha os olhos marejados", contou Moacyr, em 1986.
No dia 1º de abril de 1970, pouco mais de um ano depois do Ato Institucional nº 5 (AI-5), Sebastião de Oliveira e Moacyr de Andrade foram dois dos dez cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), embrião da atual Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que tiveram seus direitos políticos cassados. Foram aposentados compulsoriamente e impedidos de trabalhar em qualquer instituição pública do país.
Para acessar a matéria completa de André Bernardo para a BBC News Brasil, clique aqui.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

PANDEMIA DE CORONAVÍRUS


Brasil entra em feriadão com isolamento em queda, 
mortes em alta e pressões contra a quarentena

Movimento no Viaduto do Chá durante a quarentena, em São Paulo.
(Foto: Ravena Rosa / Agência Brasil) 

Especialistas apontam que pandemia entra em segunda onda com focos de disseminação para além das metrópoles. Doria fala em prender quem infringir regras a partir de segunda

No momento em que enfrenta ainda a fase inicial da epidemia de coronavírus ―com 941 mortos e 17.857 infecções―, o Brasil se prepara para atravessar dois feriadões nos próximos dias em um contexto em que os brasileiros começam a relaxar o isolamento social e a aumentar a circulação nas ruas em todos os Estados do país. O afrouxamento individual se soma à escassez, até o momento, de medidas mais duras dos governantes para reduzir o fluxo de viagens. E começa a ser observado em um momento em que o país sequer entrou na fase mais aguda da crise, quando há transmissão descontrolada da doença, mas cujo sistema de saúde já sofre a pressão da pandemia.
Em meio a uma alta demanda reprimida de testagem, com longas filas de espera para a notificação dos casos positivos da Covid-19, o número brasileiros infectados conhecido ainda está distante do real. Especialistas explicam que estamos a cada dia observado um retrato de duas ou três semanas atrás e projetam que, estatisticamente, o país já pode ter rompido a marca de 86.000 casos. Apontam ainda que, se o país viveu uma primeira onda de disseminação da doença concentrada nas metrópoles, agora já enfrenta uma segunda onda com focos de disseminação no interior, que têm estrutura para tratamento de casos graves mais precária e muitas vezes dependem das cidades de referência, que já sofrem o aumento da demanda.
Para ler a íntegra da matéria de Beatriz Jucá, de 09/04.2020, para o El País, clique aqui.

domingo, 5 de abril de 2020

ATENÇÃO ESPECIAL AOS IDOSOS


Pastoral intensifica orientações dedicadas 
à proteção da saúde dos idosos

A Pastoral da Pessoa Idosa na Arquidiocese de Belo Horizonte realiza importante trabalho de prevenção à pandemia do Coronavírus, em sintonia com as orientações da coordenação nacional. Para evitar expor idosos e enfermos a riscos de saúde, as visitas às casas foram substituídas por ligações telefônicas e mensagens. As capacitações, oficinas e assembleias só serão retomadas quando tudo se normalizar.
Segundo explica a coordenadora da Pastoral da Pessoa Idosa na Arquidiocese de BH, Evelina da Silva Soares, os líderes de pastoral entram em contato com a pessoa no dia em que a visita costuma ser realizada para se informar sobre o estado de saúde do idoso, se precisa de algum tipo de ajuda, além de orientar sobre os cuidados de higiene específicos na prevenção da pandemia e sempre deixar uma palavra de fé e esperança.
O trabalho da Pastoral da Pessoa Idosa é fundamental no amparo dos mais pobres, pois muitos não têm a quem recorrer. O país tem a quinta maior população de idosos do mundo, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São quase 30 milhões de pessoas acima dos 60 anos. E a Pastoral conta com uma rede de 25 mil líderes e presta atendimento a 170 mil idosos no Brasil.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os idosos compõem o chamado grupo de maior risco, ao lado de pessoas com doenças crônicas, asmáticos, com doenças do coração e fumantes. Isso significa ser esse o grupo mais vulnerável quanto à proteção da imunidade ao coronavírus.

Os líderes da Pastoral têm reforçado junto aos idosos e a seus familiares as orientações das autoridades de saúde pública:
Manter os idosos em distanciamento social, evitando, sobretudo, o contato com jovens e crianças, para evitar que se contaminem com o vírus.
Dar atenção à pessoa idosa e verificar se está precisando de ajuda.
Oferecer para ajudar os idosos da vizinhança que estejam enfrentando alguma dificuldade neste momento.
Por meio das redes sociais e ligações por telefone, amigos e parentes podem se fazer presentes e monitorar as necessidades dos vovôs e vovós.
Observar os cuidados com a higienização lavar as mãos com maior frequência e usar álcool gel quando não for possível.
Colaborar com os idosos em suas necessidades materiais: ajudár a fazer compras, tomar vacinas e cuidar para que se alimentem corretamente.
Valorizar a memória e a importância do idoso – eles guardam não só lembranças, mas o sentido, o sabor e a cultura da vida.
Necessário escutá-los com carinho e manter o contato afetivo para não deixá-los ficarem tristes e isolados, pois isso afeta a sua imunidade.
Olhá-los com amor, respeito, ternura e admiração.
Fazer com que se sintam importantes para a família, para o futuro da nação e que não se sintam descartáveis.
Fazer preces e rezar, com eles, um Pai-Nosso e uma Ave Maria pode ser um gesto bem simples e efetivo para se sentirem fortalecidos.
Proteger os direitos dos idosos, especialmente a renda a que eles têm direito.
Para ler a carta da Pastoral dos Idosos de todo o país, clique aqui
(Fonte: Arquidiocese de Belo Horizonte)

quarta-feira, 1 de abril de 2020

A REPÚBLICA NA UTI


(Foto: Eugênio Magno)


Oportunistas, apocalípticos e proféticos
em tempos de contaminação global

Eugênio Magno

O que dizer em hora tão urgente? Algumas pessoas em grupos de redes sociais têm reagido muito mal ao excesso de postagens sobre o novo coronavírus (COVID-19). Também pudera, com tantas comunicações desencontradas e fake news, haja paciência para essa enxurrada de informações, em sua maioria desqualificadas. As reações são diversas: “vamos manter o foco”, “não aguento mais ouvir falar de coronavírus”, “aqui não é lugar pra isso”, “vamos concentrar no nosso trabalho”, etc. Quando leio e ouço tais reações e comentários, me pergunto: qual deveria ser o foco? Em qual espaço se pode falar com liberdade sobre a pandemia que ultrapassa muros, fronteiras, classes sociais e persegue a todos – independentemente de cor, raça, nacionalidade, crença, gênero –, por toda parte e em todo o mundo? Devemos concentrar no nosso trabalho – concordo. Mas concentrar no que o nosso ofício e expertise pode contribuir para conter a contaminação. Apoiar as pessoas para que não se desesperem diante de ameaça tão letal. Ajudar a pensar propostas de trabalho e renda, com garantia imunológica, para vencer a crise econômica e financeira que já se abate sobre nós, é ainda mais grave para os mais pobres e tende a se acirrar nos próximos dias, podendo chegar a picos insustentáveis.
Como não falar sobre o coronavírus e seus diversos efeitos em nossas vidas e em nossas relações afetivas, familiares, comunitárias, profissionais, econômicas, políticas e, especificamente, no nosso caso, comunicacionais e educacionais? É nosso dever como comunicadores e educadores colaborar no processo de educação da população para as medidas de prevenção contra a Covid-19 com base nas orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas é também de nossa responsabilidade pensar formas de sustentar a ação pedagógica, utilizando-nos dos meios virtuais e digitais, propondo pesquisas, leituras e experimentações que os educandos confinados possam realizar em seus lares. De acordo com a área de atuação de cada comunicador/educador, toda contribuição no sentido de minimizar os impactos psicoemocionais e ocupacionais da população são bem-vindas. É hora de fazer valer nossos diplomas, livros, artigos, pesquisas, especializações, amparos institucionais, salários, bolsas (as que ainda existem) e, fundamentalmente, nosso conhecimento e capacidade de articulação e mobilização. O momento nunca foi tão oportuno para que arquitetemos, anunciemos e ensinemos o novo.
O foco da população, como um todo, não pode e nem deve ser na doença, no vírus. É imprescindível que reconheçamos a sua potência para que possamos combatê-lo com a força necessária para liquidá-lo, mas não nos esqueçamos de usar a nossa perícia e robustez criativa para encontrar soluções para os vários desdobramentos da pandemia em nossas vidas. Ficar em casa, isto é, manter o distanciamento social, deveria ser algo indiscutível. Todavia, carecemos ainda de outras medidas que, além de contemplar todas as recomendações de precaução para deter o avanço da contaminação, consigam ultrapassar esse limite e proporcionar a cura e os cuidados devidos e necessários aos infectados. E ainda buscar alternativas para o colapso econômico. Para que isso ocorra, entretanto, muitas ações estratégicas devem ser incrementadas de forma responsável. Necessitamos, por exemplo, reconhecer que é vital o funcionamento de setores essenciais como os de saúde, segurança, combustíveis, transporte, telecomunicações, energia, água, vigilância sanitária, alimentação, pesquisa, ciência e tecnologia, para citar apenas alguns deles que, por sua vez, dependem de outros subsetores de suporte, para garantir suas atividades. Tudo isso, independentemente da vontade, ou do que a capacidade cognitiva dos dirigentes de nosso país consiga entender como melhor ou pior para a nação. Até porque, em meio a tantos decretos e revogações, informações e contrainformações, na esfera governamental, tornou-se impraticável submetermo-nos sem reflexão a qualquer ordem advinda do poder central, enquanto não houver razoabilidade, lucidez e o mínimo de garantias de que estaremos tomando o rumo certo.
Em meio ao caos social, a crise econômica e a pandemia que ameaça a saúde de toda a população, nossas lideranças políticas encontram-se totalmente perdidas no imbróglio de seus projetos de poder e continuam sem apresentar qualquer solução factível para o enfrentamento da situação. Enquanto blocos de uma direita oportunista e inescrupulosa antecipam a luta para a divisão dos possíveis despojos da meteórica ascensão e queda do bolsonarismo, parte significativa da esquerda e a grande maioria dos grupos associativos reduzem suas pautas a críticas ao governo Bolsonaro e a reivindicações sobre perdas sofridas (o que é justo, mas se distância e muito de nossas emergências). Chutar cachorro morto é coisa fácil. Até mesmo setores ultraconservadores, aliados aos saqueadores do Estado brasileiro que contribuíram para instaurar o desmonte da Res publica, resolveram reagir de forma vigorosa contra o atual governo. O cenário, definitivamente, não é dos mais alvissareiros, com ou sem Bolsonaro que, aliás, comete suicídio político todas as vezes que usa a caneta, abre a boca ou fica online.
Se os progressistas, as esquerdas lúcidas e os defensores da democracia não se unirem em torno de um projeto político, econômico, de saúde e de desenvolvimento que sensibilize a população e ponha freio neste trem desgovernado, o que assistiremos – como meros espectadores – será uma já anunciada troca de mãos, no manejo dos destinos de nosso país, para dar mais do mesmo ao nosso povo pra lá de sofrido. Excetuando o espectro dos oportunistas abjetos, é perceptível que segmentos da sociedade têm se subdividido entre apocalípticos e proféticos neste entreato da história que aponta para uma mudança de paradigma no modus vivendi da humanidade e na economia mundial. Estou alinhado aos proféticos, mas consciente de que profetismo requer mais que denúncia. Essa já está feita, não somente pelo coro das vozes dissidentes, como também e, principalmente, pelas próprias circunstâncias em que nos precipitamos. Agora é a hora d’a onça beber água. Os tempos carecem de anúncio.
Chegou o momento de todos os seres pensantes desse país – os poucos que ainda podem se dá ao luxo de sobreviver ainda que, hibernando confinados em “quarentena” –, usarmos toda a nossa reserva de força imunológica e capacidade de trabalho para contribuir com o país e com o mundo. Garantir o futuro dos que vierem e, quiçá, oportunizar um pouco mais de vida digna a nós mesmos e àquilo que representamos socialmente.

Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.

quarta-feira, 25 de março de 2020

COMO SE NÃO BASTASSE O VÍRUS...


Coronavírus: postura de Bolsonaro coloca União e Estados em enfrentamento direto

Bolsonaro (centro) criticou as restrições impostas pelos governadores João Doria (esq.) e Wilson Witzel
(Foto: ABR)

Em meio às decisões administrativas sendo tomadas nos Estados para conter a disseminação do novo coronavírus, governadores disseram nesta quarta-feira (24/03) terem sido pegos de surpresa pelo pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite anterior, pedindo que o país "volte à normalidade" e criticando o fechamento de escolas e comércios.
Bolsonaro chamou o coronavírus de "gripezinha ou resfriadinho", acusou a imprensa de causar "histeria" e criticou abertamente os governadores pelas medidas de isolamento — que até então vinham também sendo recomendadas pelo Ministério da Saúde.
Até agora mais de 2 mil pessoas foram oficialmente diagnosticadas com o vírus que causa a covid-19 e 47 mortes foram confirmadas.
Para ler na íntegra a matéria da BBC News Brasil, clique aqui.

sexta-feira, 20 de março de 2020

ECONOMIA BRASILEIRA



Governo corta a zero projeção para crescimento do PIB em 2020

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Ministério da Economia anunciou nesta sexta-feira o corte na projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a 0,02%, ante alta de 2,1% indicada há dez dias, numa mostra da rápida deterioração das expectativas em meio ao avanço do coronavírus e seu dramático impacto na economia.
Para a inflação, o time econômica agora vê alta de 3,05% do IPCA neste ano, contra percentual de 3,12% antes. Já a projeção para o preço médio do petróleo Brent caiu a 41,87 dólares por barril, contra patamar de 52,70 dólares divulgado na semana passada. Para o dólar em final de período, a estimativa agora é de 4,35 reais, sobre 4,20 reais antes.
(Fonte: Reuters)

domingo, 15 de março de 2020

TODO CUIDADO É POUCO


Coronavírus: por que é fundamental 'achatar a curva' 
da transmissão no Brasil

(Foto: Getty Images)

À medida que o coronavírus se espalha cada vez mais pelo mundo, autoridades de saúde têm tentado evitar o aumento acelerado do número de casos. "Achatar a curva", como se diz, é uma medida crucial para evitar a sobrecarga dos serviços de saúde e limitar o número de mortes.
A Itália, com mais de 17 mil casos e 1.266 mortes, é o principal exemplo de país que está sofrendo para achatar essa curva. O Brasil, com menos de 100 casos confirmados, ainda está longe disso, mas já discute como evitar o mesmo cenário para não sobrecarregar o sistema.
Mas o que significa essa expressão, que chegou ao topo dos assuntos mais discutidos em redes sociais, e quão adequada ela é à realidade brasileira, que já registrou 77 casos da doença?
"Achatar a curva" significa desacelerar a disseminação do vírus para que o número de casos se espalhe ao longo do tempo em vez de haver picos no início.
O gráfico abaixo resume o cenário. Há uma "curva acentuada", causada por um pico acelerado de infecções, em oposição a uma "curva achatada", com casos mais distribuídos ao longo do tempo.
Para ler a matéria da BBC News Brasil, na íntegra, clique aqui.

terça-feira, 10 de março de 2020

3º BEAGÁ PSIU POÉTICO



Psiu Poético 2020 presta homenagem a Marielle Franco


            Belo Horizonte terá a terceira edição do Beagá Psiu Poético, que, neste ano, presta homenagem a Marielle Franco. O objetivo do evento é a celebração e difusão das diversas manifestações artísticas, a partir da arte poética. Com entrada franca para todas as apresentações, o evento começa no sábado, 14/3, às 9h, com intervenção na entrada do Mercado Central (avenida Augusto de Lima, 744, Centro). Haverá saraus, lançamentos de livros, performances e shows musicais: de 14h às 17h, na Casa da Rua Silva Ortiz, 78; a partir das 19h, a programação será no Ursal Bar, que fica na avenida do Contorno 3.479, bairro Santa Efigênia.
            No domingo, 15/3, às 9h, será a vez de Sabará, com o Grupo Arautos da Poesia & Convidados, na Casa de Cultura Borba Gato – rua Borba Gato, 71, Centro. Em BH, a partir das 19h, ocupação literária na Casa Socialista, avenida Bernardo Guimarães, 60, Floresta, com cinema, intervenções poéticas e lançamentos de livros.
            Na segunda-feira, 16/3, às 9h, Poesia Circular na Escola Municipal Israel Pinheiro; 11h, Sarau Poético Musical na Câmara Municipal; 15h, Intervenção Poética no Metrô; às 19h, Ocupação Literária na Asa de Papel, rua Piauí, 631, Santa Efigênia, com lançamentos de livros e performances.
            Na terça-feira, 17/3, às 9h, Poesia Circular na Escola Estadual José Mendes Júnior; 14h, Ocupação Poética no Terminal Rodoviário no Centro da cidade; às 16h, no Centro de Arte Popular, rua Gonçalves Dias, 1.608, Lourdes, haverá projeção de filmes e lançamentos de livros; às 20h, sarau e performances no Ursal Bar.
            Na quarta, 18/3, último dia do evento, às 9h, Poesia Circular em solidariedade à luta dos Professores mineiros; de 12 às 13h, sarau e lançamento de livro no Teatro da Assembleia Legislativa, rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho; 16h, no Centro de Arte Popular, Roda de Conversa sobre “A Experiência da Poesia Contemporânea no Espaço Urbano”, seguida de lançamentos de livros e performances; 21h, encerramento no Ursal Bar, com sarau, shows e performances.
           
           Oficinas de teatro, videoarte e poesias

No 3º Beagá Psiu Poético, serão oferecidas três oficinas: Inicialização Teatral, Vídeo Arte Poesia e Poesia e Cidade. As inscrições devem ser feitas pelo e-mail psiupoetico@gmail.com até a próxima sexta-feira, 13/3/2020. São 20 (vinte) vagas para cada oficina.


O projeto é realizado há mais de 30 anos, em Montes Claros (MG). Em 2020, será realizada a sua 3ª edição BH, com a participação de poetas de diversas partes do país. Fique por dentro: facebook.com/psiupoeticomoc. Mais informações pelo telefone (38) 98412-4749 – Aroldo Pereira; (31) 99206-2958 – Sidneia Simões.

quinta-feira, 5 de março de 2020

MOEDA AMERICANA DISPARA NO BRASIL


Dólar sobe pelo 12° pregão consecutivo e supera R$4,60 com expectativa de corte de juros


O dólar superou o patamar de 4,60 reais contra o real logo após a abertura desta quinta-feira, subindo pelo 12° dia consecutivo em meio a expectativas de corte de juros pelo Banco Central devido aos riscos econômicos do coronavírus.
Às 9:07, o dólar avançava 0,42%, a 4,5997 reais na venda, enquanto o dólar futuro de maior liquidez avançava 0,34%, a 4,6075 reais.
Na quarta-feira, o dólar interbancário registrou salto de 1,55%, a 4,5806 reais na venda, décimo recorde histórico consecutivo alcançado em um fechamento.
O Banco Central ofertará neste pregão até 20 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em agosto, outubro e dezembro de 2020.
Para continuar lendo a matéria de Luana Maria Benedito para a Reuters, clique aqui.

domingo, 1 de março de 2020

A ECONOMIA É IMPORTANTE DEMAIS PARA SER DEIXADA SOMENTE PARA OS ECONOMISTAS


Refundar o capitalismo (outra vez)

(Ilustração de Pep Boatella)

Uma longa década depois de os políticos terem antecipado a ideia, economistas, filósofos e sociólogos buscam suprimir os excessos e abusos do mercado para que ele sobreviva.
Poucos dias depois da falência do Lehman Brothers, o gigantesco banco de investimentos dos EUA, em setembro de 2008, um acovardado presidente francês, o conservador Nicolas Sarkozy, fez célebres declarações que ressoaram em todo o mundo: “A autorregulação para resolver todos os problemas acabou: le laissez-faire c'est fini. Precisamos refundar o capitalismo (...) porque passamos a dois dedos da catástrofe”.
Aquele momento crítico em que tudo parecia possível, incluindo a falência do sistema, foi superado. O setor financeiro, aos trancos e barrancos, emergiu da crise dando braçadas e braçadas na ajuda pública (na forma de dinheiro, endossos, garantias, compras de ativos ruins, liquidez quase infinita a preços muito baixos, etc.), e aqueles verbos conjugados com boa vontade de vez em quando —refundar o capitalismo, reformar o capitalismo, regular o capitalismo, refrear o capitalismo etc— foram esquecidos. Da Grande Recessão se passou a uma época de "estagnação secular" (Larry Summers), que é o que estamos vivendo.
Da primeira, os cidadãos, na maioria, saíram mais pobres, mais desiguais, muito mais precários, menos protegidos e com duas características políticas que explicam em boa parte o que está acontecendo diante de nossos olhos: mais desconfiados (dos Governos, dos partidos, dos Parlamentos, das empresas, dos bancos, das agências de classificação de risco ...) e menos democratas. O resultado foi a explosão de populismos de extrema direita e a decomposição do sistema binário de partidos políticos que saiu da Segunda Guerra Mundial, e uma concepção instrumental (não de princípios) da democracia: apoiarei a democracia enquanto resolver meus problemas; se não, sou indiferente.
Depois desse parêntesis de quase uma década, e quando já começa a existir uma distância temporal suficiente para se analisar os efeitos da Grande Recessão como uma sequência de eventos que levaram a uma gigantesca redistribuição negativa da renda e da riqueza no sentido inverso nos âmbito dos países (o chamado efeito Matthew: “Ao que mais tem, mais será dado, e do que menos tem será tirado para ser dado ao que mais tem”), são os acadêmicos e não os políticos que multiplicam as teorias sobre as características do capitalismo do primeiro quarto do século XXI. E eles protagonizam um grande debate extremo entre si: se o capitalismo está ferido de morte porque não funciona; ou, pelo contrário, se, mais uma vez na história está passando por uma mutação em sua natureza, e essa transformação o levará a ser de novo o sistema político-econômico mais forte e único. Há duas coincidências na maioria dos livros publicados: o capitalismo se espalhou por todos os espaços geográficos do planeta e direções (não há alternativa) e se aninha em qualquer atividade e mercado, incluindo a política.
O capitalismo é agora o único sistema socioeconômico do planeta (antes isso era chamado de imperialismo) e quase não existem vestígios do comunismo como uma possibilidade substitutiva, como ocorria na primeira metade do século XX. A esta característica central se soma o reequilíbrio do poder econômico entre os EUA e a Europa, por um lado, e a Ásia, por outro, por causa do boom experimentado pelos principais países desta última região. O domínio planetário exercido pelo capitalismo foi alcançado por meio de suas diferentes variantes. Alguns autores distinguem entre o capitalismo meritocrático liberal, que vem se desenrolando gradualmente no Ocidente nos últimos 200 anos, e o capitalismo político ou autoritário exemplificado pela China, mas que também existe em outros países asiáticos (Cingapura, Vietnã ...) e alguns da Europa e África (Rússia e os caucasianos, Ásia Central, Etiópia, Argélia, Ruanda ...).
Para continuar lendo a matéria de Joaquín Estefanía para o El País, clique aqui.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

O MUNDO ESTÁ DOENTE


Os mapas que mostram o avanço do coronavírus pelo mundo

(Foto: EPA)

O surto do novo coronavírus, que já infectou mais de 80 mil pessoas e matou 2,7 mil, chegou a uma nova etapa.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) defendeu que os países adotem todos os esforços possíveis para uma eventual "pandemia", termo adotado para uma doença infecciosa que atinge muitas pessoas de forma simultânea ao redor do mundo.
Nos últimos dias, os casos de infecção fora da China deixaram de estar diretamente ligados a viajantes que em algum momento passaram pela cidade chinesa de Wuhan, epicentro do surto — apesar de não haver dúvidas de que a doença surgiu ali.
Isso acendeu o alerta das autoridades de saúde ao redor do mundo, e o temor de uma perda de controle da doença derrubou Bolsas de Valores para além da Ásia.
Hoje, o vírus se espalha principalmente em três países: Coreia do Sul, Irã e Itália. Para Tedros Adhanom Ghebeyesus, diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), a situação é "profundamente preocupante".
Até agora, foram confirmados 80.150 casos em quase 40 países e territórios. A China ainda concentra grande parte deles, com 77.660 diagnósticos confirmados, mas a proporção tem diminuído: já foi mais de 99%, e hoje está em 96,8%.
A tendência na China tem sido de queda no número de novos casos e de mortes, segundo autoridades e especialistas. Mas ainda há centenas de pessoas infectadas todos os dias.
Para entender o estado atual do surto. Para ler, na íntegra, a matéria da BBC News BRasil e BBC News Mundo, clique aqui.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

CAÇADORES DE NAZISTAS


‘Hunters’: Al Pacino à caça de nazistas

(Foto de cena do filme)

“Essa história foi inspirada pela maior super-heroína que conheci: minha avó”. Assim começa uma carta que acompanha os primeiros capítulos da série Hunters fornecidos pela Amazon Prime Video à imprensa. Nela, David Weil, seu criador, fala sobre como sua avó foi a única sobrevivente de sua família após passar pelos campos de concentração nazistas de Auschwitz e Bergen-Belsen. Quando ele era criança, a avó lhe contava algumas daquelas terríveis experiências, histórias recheadas de drama e terror, mas que também mostram a resistência incrível do ser humano. Para ele e seus irmãos, essas histórias pareciam quadrinhos de super-heróis, batalhas entre o bem e o mal em que não havia meio termo: um mundo dividido entre heróis e vilões.
É normal que Hunters, cujos 10 episódios estreiam na sexta-feira 21 na Amazon Prime Video, tenha certo jeito de quadrinhos tanto em sua estética como nessa divisão entre bons e maus. O protagonista (interpretado por Logan Lerman) é um jovem do Brooklin de 1977 que trabalha em uma loja de quadrinhos. O assassinato de sua avó o levará a procurar vingança após um milionário que a conhecia oferecer sua ajuda e a participação na equipe que lidera: um grupo de caçadores de nazistas. Porque nesse mundo (como no nosso), os nazistas estão por todos os lados, tomando pouco a pouco posições de poder, e têm o objetivo de instaurar o Quarto Reich nos Estados Unidos. O líder dos caçadores de nazistas é interpretado por Al Pacino no que é seu primeiro papel em uma série de televisão desde a minissérie Angels in America (Anjos na América) em 2003.
Para continuar lendo a matéria de Natalia Marcos para o El País, clique aqui.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

DESPERDÍCIO E FALTA DE CUIDADO COM A ÁGUA


Escassez e má gestão


A água é uma dádiva da natureza ou apenas um $?

O cidadão comum, o consumidor residencial é constantemente responsabilizado pelo desperdício de água. Os gestores do setor de abastecimento reclamam o ano inteiro da falta de água nos reservatórios e quando as chuvas caem as cidades não estão preparadas para recebê-las e as empresas que trabalham com recursos hídricos não dispõem de nenhuma tecnologia avançada para coletar melhor e em maior quantidade a água das chuvas.
Quando acontecem enchentes e inundações pobres e moradores das preferias perdem todos os bens que conquistaram ao longo da vida e ficam desabrigados. Como se não bastasse, autoridades públicas ainda têm o desplante de culpar a própria população pelas tragédias, em razão das construções em locais de risco e da falta de destinação correta para o lixo que polui córregos e entope bueiros. Isso é fato. Mas a raiz de tal situação está no modo de produção da vida - o capitalismo - e na forma de administração das políticas públicas, cada vez mais voltadas para interesses privados. As pessoas não têm culpa da falta de emprego e renda, saneamento e moradia. Dão seu jeito, se viram como podem e até onde aguentam.
Nos últimos dias todos têm falado sobre a impureza da água no Rio de Janeiro. Mas em Minas Gerais, a caixa d'água do país, a situação não difere tanto assim do que acontece no Rio. Em várias cidades mineiras, principalmente no Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha, a população sofre com a falta de água para todos os fins e não são poucas as localidades de nosso Estado que a muito tempo seus moradores não recebem água potável para beber. 
Esse é o caso, por exemplo, de Pinhões, comunidade rural remanescente quilombola, próxima ao Convento de Macaúbas, a 10 quilômetros de distância do centro histórico de Santa Luzia, cidade pertencente à Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em Pinhões, sitiantes e moradores com mais recursos, além de pagar pelo fornecimento de água da Copasa, compram água mineral para beber e preparar alimentos. Já a população menos favorecida - econômica e culturalmente - contamina-se cotidianamente com a água suja, poluída e escassa (de dois a três dias, ainda que alternados, em cada semana, não há abastecimento no bairro). Quem tem caixas d'água maiores e paga pela água mineral consegue administrar os constantes períodos de desabastecimento, enquanto os demais sofrem a privação. 
Há mais de 5 anos um dos poços/reservatórios da região secou e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais construiu um outro. Mas ao que parece, não foi feito um estudo minucioso sobre a qualidade da água e, tão logo foi iniciado o fornecimento advindo do novo poço, a população detectou a má qualidade da água. Moradores contam que em uma reunião com técnicos da Copasa, as falas dos representantes da empresa eram no sentido de convencer os presentes de que não tinha nada de errado com a água. Todavia, um morador foi até à uma torneira próxima, encheu um copo d'água e ofereceu aos técnicos para beber e, como já era esperado, nenhum deles se atreveu a ingerir nem um gole sequer da água oferecida.
Na última semana, Pinhões ficou 2 dias consecutivos sem abastecimento. Ao ligar para a central de atendimento da empresa para saber o que estava acontecendo com o fornecimento, os atendentes diziam que não havia nenhuma informação sobre a falta de água. Até que um morador conhecido de um servidor com acesso aos procedimentos internos da Copasa conseguiu a informação que dava conta de que um funcionário teria se esquecido de abrir novamente o registro que fechara para fazer um reparo no reservatório (sic).
Terá fundamento tal argumentação ou trata-se de mais uma das respostas prontas, constantemente pronunciadas como desculpas estapafúrdias das empresas de economia mista, cuja prestação de um serviço que deveria ser de interesse público é apenas fachada para interesses privados?
É fundamental que a população discuta com essas organizações os seus modelos de gestão. Afinal, o cidadão, é o consumidor final de um "produto" que na verdade é um bem de todos, uma dádiva da natureza. Será que é ele, o consumidor, quem deve pagar e se contaminar pelo uso da água poluída e ainda ser responsabilizado pela má gestão desse precioso recurso natural a cada dia mais escasso?
Para encerrar reitero a inoperância e a falta de investimento em pesquisa e desenvolvimento tecnológico e sustentável do setor, que continua coletando água do mesmo modo que se coletava a séculos atrás. Se não, vejamos: o que foi feito com a água das chuvas de janeiro e fevereiro deste ano, em Minas Gerais? À exceção da quantidade que os reservatórios existentes têm capacidade de coletar e armazenar, todo o restante foi para o esgoto.
Não é preciso ser especializado em recursos hídricos para saber de quem é a responsabilidade por todas essas tragédias.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

REFORMAS: ONDE, QUANDO, COMO, POR QUÊ?


Maia quer aprovar reforma tributária nos próximos 4 ou 5 meses

(Foto: Agência Brasil - EBC)

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que pretende que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma tributária elaborada pelo deputado Baleia Rossi (MDB-SP) seja aprovada na Casa em quatro ou cinco meses.
Em palestra na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Maia também disse estar confiante na aprovação de um imposto sobre valor agregado (IVA) nacional na reforma tributária. Ele defende que uma abertura comercial do país seja feita somente após a aprovação das mudanças tributárias.
(Fonte: Reuters)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

NINGUÉM FICA RICO REZANDO

Direito de imagem


(Foto:  Darrin Klimek / Getty)


10 multimilionários da lista da Forbes que acabaram na cadeia

Os crimes são tão variados quanto os perfis dos personagens. Mas todos têm algo em comum: são multimilionários que terminaram atrás das grades.
A revista Forbes fez um levantamento dos magnatas que em distintos momentos da história fizeram parte de sua lista das pessoas mais ricas do mundo.
Desta lista que apresentamos, alguns — como Thomas Kwok e Michael Milken — seguem tendo grandes fortunas, enquanto outros — como Raj Rajaratnam e Allen Stanford — empobreceram.
Quem está ainda na prisão? Allen Stanford e Joaquín Guzmán Loera, mais conhecido como "El Chapo" Guzmán.
O mexicano, líder do cartel de Sinaloa, foi condenado à prisão perpétua em Nova York por ter enviado toneladas de drogas aos EUA.
Para continuar lendo a matéria da BBC News Brasil, clique aqui.


sábado, 1 de fevereiro de 2020

GREVE À VISTA


Greve de petroleiros começa em 9 Estados, diz FUP

Petroleiros da Petrobras iniciaram na madrugada deste sábado greve por tempo indeterminado em 9 Estados do país, informou a Federação Única dos Petroleiros (FUP).
A categoria cobra a suspensão das demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen), que afetarão mais de mil famílias, afirmou a FUP em comunicado. Os petroleiros também querem o estabelecimento de negociação com a empresa para cumprimento de Acordo Coletivo de Trabalho e “suspensão imediata das medidas unilaterais tomadas pela gestão e que estão afetando a vida de milhares de trabalhadores”.
“Entre às 23h de sexta-feira e a zero hora de sábado, não houve rendição nos turnos de 11 unidades de refino e produção de derivados de petróleo da Petrobras, nem em três terminais da Transpetro”, informou a FUP. “Pela manhã, os trabalhadores do Rio Grande do Sul, do Espírito Santo e do Norte Fluminense se somaram à greve.”
A empresa também iniciou na véspera a etapa de divulgação da venda da totalidade de suas participações nas usinas de energia Eólica Mangue Seco 1 e Eólica Mangue Seco 2.
Representantes da Petrobras não puderam ser contatados de imediato.
(Fonte: Reuters)

sábado, 25 de janeiro de 2020

CIENTISTAS BRITÂNICOS RECRIAM VOZ DE SACERDOTE EGÍPCIO


Uma múmia ‘volta a falar’ 3.000 anos depois da sua morte

(Foto: UL)

Na noite de 14 de março de 1941, a Luftwaffe nazista sobrevoou a cidade britânica de Leeds, deixando uma chuva de bombas incendiárias e explosivas. Uma delas caiu no museu arqueológico da cidade, destruindo duas das três múmias expostas. A única sobrevivente foi a múmia de Nesiamon, um sacerdote egípcio que viveu há 3.000 anos no templo de Karnak, perto da atual Luxor, durante o reinado do faraó Ramsés XI. Nesiamon dedicou sua vida a recitar orações e a cantar ao deus Amon. Em seu livro A Maldição das Tumbas dos Faraós, o egiptólogo Paul Harrison conta que alguns visitantes do Museu de Leeds tiveram visões de matanças, incêndios e criaturas de além-túmulo na frente do sarcófago do sacerdote.
Hoje, três milênios depois de sua morte, Nesiamon voltou a falar. Uma equipe de cientistas levou sua múmia para o Hospital Geral de Leeds, colocou-a em um scanner de raios X, estudou seu trato vocal e o reconstruiu com uma impressora 3D. O resultado é um som breve, similar à vogal “e”, que segundo os pesquisadores seria a voz de Nesiamon que retumbava no templo de Karnak.
“Estamos vendo se poderíamos criar algumas palavras ou um canto de Nesiamon mediante uma simulação por computador”, antecipa o engenheiro eletrônico David Howard, líder do projeto junto ao arqueólogo John Schofield. Howard é o inventor de um surpreendente “órgão de tratos vocais”, um instrumento musical que toca vogais mediante um teclado conectado a laringes eletrônicas e a simulações impressas em 3D a partir de tomografias de pessoas reais. Em 2016, em um salão vitoriano de sua universidade, o engenheiro empregou seu peculiar órgão para interpretar com uma soprano O Mio Babbino Caro, ária de uma ópera de Puccini.
Para ler, na íntegra, a matéria de Manuel Ansede e Mariano Zafra para o El País, clique aqui.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

AMANHÃ TEM "CINEMA FALADO" NO MIS CINE SANTA TEREZA


Ironia de "A marvada carne" atualiza Mazzaropi ao contar uma fábula caipira




"A Marvada Carne", filme de 1985 de André Klotzel, com Fernanda Torres, Adilson Barros, Regina Casé, Dionísio Azevedo e Geny Prado, é o programa do Cinema Falado da próxima terça-feira, 21 de janeiro de
2020, às 19h, na Sala Geraldo Veloso do MIS Cine Santa Tereza (praça Duque de Caxias, bairro Santa Tereza).
Oportunidade para um encontro com críticos e cineastas para ver esse filme e conversar sobre cinema, poesia, política e outros assuntos da cultura brasileira. O filme será apresentado pelo crítico e cineasta Paulo Augusto Gomes.
O Cinema Falado é uma iniciativa do Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais (CEC-MG) e do Instituto Humberto Mauro, em memória do crítico e cineasta Geraldo Veloso. Neste ano, o projeto está sendo
realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. A sessão é gratuita.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

O INTERESSE MUNDIAL PELA ANTÁRTIDA

(Foto: Alan Arrais / NBR / Agência Brasil)


Por que o Brasil e o mundo querem um pedaço da Antártida?

Oito anos após um incêndio que destruiu grande parte da Estação Comandante Ferraz e deixou dois mortos, o Brasil deve inaugurar nesta quarta-feira (15) sua nova base para pesquisas científicas na Antártida.
A custo de US$ 99,6 milhões (cerca de R$ 415 milhões), o complexo é maior e mais moderno do que o anterior. Tem 4.500 metros quadrados de área construída, 17 laboratórios e capacidade para até 65 pessoas.
A reinauguração deveria acontecer em 2016, mas, depois de seguidos atrasos no cronograma, as obras só começaram há três anos.
A base, no entanto, só estará funcionando plenamente dentro de três meses, quando terminará a fase de testes.
Segundo o governo, o objetivo é realizar pesquisas em áreas como oceanografia, biologia, glaciologia e meteorologia.
Mas por que o Brasil, assim como outros países do mundo, querem um pedaço da Antártida?
Fatores geopolíticos, econômicos, ambientais e científicos explicam tamanho interesse pelo continente gelado.
A Antártida é o continente mais inóspito do planeta e possui mais de 90% do seu território coberto de gelo. Com 13 milhões de quilômetros quadrados, é maior do que a Oceania e do que a Europa. A título de comparação, caberia um Brasil e meio dentro do Antártida. O gelo armazenado na região totaliza 25 milhões de quilômetros cúbicos ou 70% da água potável do planeta. São mais de 170 tipos de minerais e grandes lençóis de gás natural.
(Fonte: BBC News Brasil)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

ECONOMIA REAL E ECONOMIA DOS GABINETES


IPCA sobe 1,15% em dezembro e fecha 2019 com alta de 4,31%, diz IBGE

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,15 por cento em dezembro, após alta de 0,51 por cento no mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
No acumulado de 12 meses até dezembro, o IPCA teve alta de 4,31 por cento, contra alta 3,27 por cento do mês anterior, terminando o ano acima do centro da meta do governo de 4,25 por cento, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. .
Pesquisa da Reuters apontou que a expectativa de analistas era de alta de 1,08 por cento em dezembro, acumulando em 12 meses alta de 4,23 por cento.
Isso é o que está sendo divulgado oficialmente, mas a realidade é que, enquanto o salário mínimo foi reajustado em 4,1% a Agência Nacional de Saúde permitiu que os Planos de Saúde fossem reajustados em 12%, o triplo da inflação anunciada e do reajuste recebido pelo salário mínimo.
O desejo de consumo e as motivações para a compra no período natalino, embora as vendas tenham sido bem menor do que a grande mídia anunciou, fez com que a retração do consumo ficasse mascarada. O descompasso entre a economia real e a economia dos gabinetes e ministérios certamente fará com que o número de endividados aumente ainda mais nesses três primeiro meses do ano.

(Fonte: Reuters)

domingo, 5 de janeiro de 2020

AVALIAÇÃO DO GOVERNO BOLSONARO


Bolsonaro teve avanço na economia, mas abandonou meio ambiente e combate à corrupção, diz Economist

(Foto: Presidência da República)

Em artigo publicado na última quinta-feira (02/01) em sua edição impressa, a revista britânica The Economist diz que, embora considere ter havido avanços na economia brasileira neste ano, o governo Jair Bolsonaro vem ameaçando as instituições democráticas e promovendo retrocessos na área ambiental e no combate à corrupção.
A revista diz que Bolsonaro foi eleito "porque eleitores estavam traumatizados com a pior recessão da história do país, entre 2014 e 1016, pela criminalidade e pelas revelações de corrupção nos mais altos níveis da política e do empresariado".
Segundo a revista, os eleitores esperavam que Bolsonaro trouxesse prosperidade, paz e probidade ao Brasil, mas, depois de um ano de governo, eles só conseguiram "parte do que queriam".


A revista diz que o número de homicídios no país diminuiu, mas afirma que isso ocorreu em grande medida porque os conflitos entre fações criminosas esfriaram, e que Bolsonaro abandonou o combate aos crimes de colarinho branco.
"Em vez de fortalecer as instituições democráticas do Brasil, ele (Bolsonaro) as está testando. No que diz respeito a corrupção e meio ambiente, o Brasil ou travou ou está andando para trás", afirma a Economist.

(Fonte: BBC News / Brasil)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

QUE VENHA 2020!!!




Apesar de todos os pesares e de um desastrado e destrutivo 2019... 



Viver vale a pena quando você não se apequena. 



Desejo a todas e todos um sábio, sóbrio, 
harmonioso, saudável e 

Feliz Ano Novo!!! 

Eugênio Magno

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

PARA QUE TENHAMOS UM FELIZ NATAL


O que Jesus pensaria de Greta Thumberg neste Natal?

A menina sueca com síndrome de Asperger, Greta Thumberg, que com somente 16 anos está provocando os grandes da Terra por sua falta de compromisso com a defesa do planeta, está sendo insultada pelos poderosos até com expressões grosseiras. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro a chamou de “pirralha”. O presidente americano, Donald Trump, aconselhou com tosca ironia que vá ver um filme antigo com uma amiga e fez uma brincadeira de péssimo gosto com sua síndrome psíquica para dizer que a vê “com um rosto muito feliz”. Em minha Espanha não foram mais respeitosos com a menina que curiosamente desperta tanto medo e ódio. Foi chamada de “falsa”, “puta” e “arrogante”. Por que Greta, sempre séria e segura de sua missão, desperta os instintos mais baixos do machismo? Houve até quem a aconselhasse a “usar sua sexualidade” para se acalmar.
Estamos em mais um Natal da História e cada vez mais cristãos sérios estão convencidos de que essa festa, que anuncia o nascimento de uma criança, também difícil, que veio ao mundo provocar os hipócritas e exaltar os puros de coração, está perdendo seu significado e força originais.
Seria preciso perguntar, na análise dos símbolos e dos presságios do mundo cada vez mais dividido e insatisfeito, o que significa a chegada dessa garota sueca, que não sei se é cristã, mas que certamente se entenderia com o profeta judeu de Nazaré, que, como ela, foi um inconformista e um inimigo da hipocrisia.
O Natal vai além, com seus símbolos e história, de seu simples significado do nascimento de Jesus, que veio anunciar um novo Reino não somente de paz e amor, de esperança e de perdão. Não é, de fato, somente a festa universal que ultrapassa o mundo cristão, em que todos cabem, porque Jesus foi um judeu agregador e o mataram justamente porque pregava um amor universal, sem distinções. Possivelmente com a preferência para tudo o que o mundo descarta, como os diferentes física e espiritualmente.

Para ler na íntegra a matéria de Juan Arias para o El país, clique aqui.