sexta-feira, 25 de outubro de 2019

PROFESSOR É PROFISSÃO


(Estande da CONAPE 2018, Expominas, BH, MG – Foto: Eugênio Magno)


Aos mestres e mestras, com carinho:
NÃO SE DEIXEM ENGANAR

Eugênio Magno

Na véspera das comemorações do Dia dos/as Professores/as, andando pela rua, dei de cara com um jornal, em uma banca, que estampava na primeira página a seguinte manchete: “Só dois em cada cem professores têm mestrado”. 
Acostumado aos constantes achincalhes, dirigidos aos professores, me flagrei fazendo todo o tipo de ilação sobre aquela declaração, mesmo sem a ter lido na íntegra. Não houve tempo para que eu lesse a chamada completa. Fiquei indignado e prometi a mim mesmo que iria apurar a notícia. Queria compreender do que se tratava, ainda que fosse para constatar uma triste e irrefutável realidade. Os transeuntes certamente ficaram com a degradante impressão de que 98% dos professores são desqualificados e ponto. As consequências dessa impressão? Por falta de reflexões fundamentadas e criteriosas, chega-se a conclusões apequenadas do tipo “quem não tem qualificação não merece melhores salários”, “a educação pública não presta”. E a recorrente defesa da privatização do ensino e a aposta nas escolas cívico-militares como panaceia para os problemas educacionais dentre outros de ordem geral. 
No dia seguinte, ao lembrar-me da notícia que tanto havia me perturbado, fui à caça do jornal para checar a matéria. Recordei minha indignação e me autocensurei pela precipitação do julgamento. Torci para que estivesse enganado. Era o Dia das Professoras e dos Professores e ponderei que talvez não tivesse enxergado bem a manchete. Conjecturei ser impossível que, de véspera, as aves de mau agouro já estivessem grasnando contra a nossa permanentemente difamada profissão. Ponderei sobre o número de profissionais das mais variadas áreas que exercem o magistério, em razão da enorme demanda por educação e do crescente déficit educacional do Brasil. Pensei também nos profissionais para os quais basta o bacharelado para que sejam tratados como doutores e, ao consultar o Conselho Federal de Medicina, me dei conta de que 93,2% dos médicos brasileiros não possuem doutorado. Continuei com as indagações: ...mas o professor não é tratado como mestre? O sinônimo de professor em vários dicionários é mestre e os bacharéis, médicos e advogados, mesmo sem nenhuma licenciatura, têm status de “doutores”. Coisas do império... 
No intervalo desta escrita, visitando as redes sociais, uma postagem no Facebook interpelou-me: a fotografia de uma sala de aula improvisada, em uma barraca de zinco e chão arenoso, onde um homem negro, calçando sandálias de dedo, escreve na lousa, enquanto uma única criança, também negra e nua é vista de costas, sentada em um tosco banco escolar. O título da postagem: “Professor é professor”. O post teve muitas curtidas, joinhas coraçõezinhos e nos comentários frases do tipo “é o amor”, “coisa mais linda”, “bravo”, etc. Segui com a minha reflexão sobre o quanto essa ideia romantizada do professor herói, vocacionado, que tem a profissão como sacerdócio, está introjetada em nós e é reproduzida ad nauseam pelos governantes, pela imprensa e o que é pior, por nós professores, tanto no espaço escolar, quanto nas relações extraclasse. Deixei um comentário no post: É bonito, mas é terrível! Até quando a educação tem que ser um ato de heroísmo e abnegação por parte de educadores e educandos? Quando os agentes educacionais serão tratados como gente, como humanos e a dignidade do processo ensino-aprendizagem (que inclui condições de trabalho, possibilidades de formação de excelência, bons salários e renda para alunos e professores, dentre otras cositas más) serão defendidos radicalmente? A minha amiga, professora e conterrânea, autora do post, concordou. Outros internautas também manifestaram, dando apoio à reflexão. 
Mas enfim, ao acessar o jornal, observei que não estava equivocado. A chamada de capa para o setor Educação informava em letras pequenas: “Na rede pública no Estado, nem 0,2% é doutor”, acompanhada do título, cujas letras eram as maiores entre todas as demais manchetes do dia: “Só dois em cada cem professores têm mestrado” e, na sequência, em letras com corpo menor, um subtítulo declaratório: “Remuneração desestimula qualificação, afirma sindicato”, seguido de um pequeno texto que chama para a matéria: “Apenas 1.224 (2% dos 59.153 professores das escolas estaduais mineiras têm mestrado e 74 (0,12%), doutorado.” Ao ler a tal notícia na página interna do jornal me surpreendi com a ambiguidade do conteúdo, no estilo bate e assopra. A matéria rasa e pouco analítica, quantitativamente era grande (de uma página, com direito a várias fotos), mas ia pouco além da reprodução de trechos de entrevistas realizadas com uma sindicalista, duas professoras e um professor da Educação Básica. Os professores foram tratados como “heróis” e adjetivados de “gabaritados”, em razão de possuírem mestrado, de o professor ter cumprido inclusive estágio pós-doutoral e de uma das professoras está se preparando para o doutoramento. Não deixa de ser louvável a qualificação dos professores ouvidos e o amor que eles declaram ter pelo ofício é notório. Todavia, essa não é a questão, a matéria é superficial, não dá conta, por exemplo, da quantidade de mestres e doutores existentes na rede privada de ensino, em Minas Gerais, para que se pudesse estabelecer um comparativo justo. Sequer toca na quantidade de mão de obra altamente qualificada (mestres e doutores) desempregada ou subempregada em Minas e no Brasil, país que tanto desprestigia a escola pública e a carreira de professor e, cujas lideranças, demagogicamente, usam a narrativa de reputar a educação como solução para todos os males. Vale salientar que os últimos concursos para professor universitário não têm dado menos do que cinquenta candidatos por vaga, em média. Alguns concursos chegam a ter cem professores na disputa por uma única vaga. Mas nossas autoridades e setores das classes dominantes desse país estão de costas para a pesquisa, a ciência e a tecnologia, as artes, a cultura e para o que Paulo Freire chamou de professor-pesquisador. O que está em voga hoje no país são credenciais como a toga, a patente militar, o porte de arma, a militância neopentecostal e, claro, títulos e ações de investimentos, não a qualificação acadêmica. Em nenhum momento a reportagem questiona o oportunismo de grande parte do empresariado e dos homens públicos brasileiros – da direita à esquerda –, que usam a educação como adágio de seus projetos mercantis, populistas e eleitoreiros, entre outras políticas de dependência e condicionalidades.
Estupefato com a perversidade do estilo jornalístico adotado, logo confirmei minhas suspeitas do dia anterior: a maldade da manchete que chamava a atenção para uma realidade não considerada em seu conjunto, tratando-a de maneira aligeirada, sem nenhuma análise filosófica, sociológica e/ou econômica e cultural que pudesse explicar ou justificar a notícia. Excetuando a boa intenção dos entrevistados, o que pude observar foi mais uma manifestação do jornalismo convenientemente declaratório que tem sido adotado por grande parte dos veículos de comunicação na atualidade. Até a fala da representante de um dos sindicatos da categoria foi citada de forma a corroborar com a malfadada tese da reportagem em questão. 
Diante do quadro apresentado me vi às voltas com uma dúvida e um suposto. A dúvida, a seguinte: qual era a notícia afinal? A matéria começa bem, informando que segundo estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a educação básica tem melhores resultados e a média de notas dos alunos é maior em países que investem na formação continuada dos professores, como é o caso de nações da Ásia e da Europa. Depois o texto descamba, sem rumo e sem prumo. Ao confrontar dados, sujeitos, elementos e fatos, presentes na própria notícia, o suposto é de que o jornal tinha material para uma excelente reportagem, mas perdeu a oportunidade de fazê-la. Infelizmente, o complexo de vira-lata venceu e a escolha foi pela canhestra imprecisão.

Este texto também foi publicado no jornal Pensar a Educação, Pensar o Brasil.

SÍNODO DA AMAZÔNIA




domingo, 20 de outubro de 2019

O APOGEU DA VILANIA




Onde estão os nossos heróis?

Geovana Ramos Martins
 (Cientista Social pela Universidade Federal de Minas Gerais,
professora da rede pública do Estado de MG)

Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá (Santa Teresa de Calcutá, canonizada no dia 4 de setembro de 2016, pelo papa Francisco). Na minha memória tenho uma lembrança viva de quem foram, o que fizeram e o que representam. Gandhi: a revolução sem armas, sem violência, por ideais de paz e liberdade. Martin Luther King: o direito civil dos negros e uma campanha que não pregava o ódio. Madre Teresa: mulher, que embora pequena e frágil, só queria saciar a sede do Cristo no irmão necessitado.
Quem são os heróis hoje? Onde estão? Em quem se pode espelhar? Onde deve se buscar a verdade? Como encontrar respostas? O que é a vida? Não a vida virtual, resposta programada pelo Google, verdade que aliena e aprisiona, reflexo narcísico de desejos e satisfações. As pessoas estão adoecendo, as clínicas psicoterápicas estão lotadas, a cada dia novas doenças são descobertas, transtornos afetam crianças em todo o mundo, lares de idosos aumentam em proporção assustadora, consumo excessivo de álcool, drogas e sexo desenfreado, uma caçada obsessiva por emoção, aventura, prazer, excitação...
Busca-se em vão preencher o vazio: trocamos crianças por pets, os pais e a família pela carreira, podcasts pela leitura de um bom livro, o encontro com os amigos pela vida virtual (Facebook, Whatsapp, Instagram, Twitter), eximimo-nos da responsabilidade de educar as crianças. O que era apenas meio (objeto utilizado para diferenciar os valores das coisas) tornou-se o fim em si mesmo. Queremos possuir cada vez mais, bens materiais: a casa maior, o carro do ano – só um não basta –, a última geração de smartphone, os óculos da moda. Enganamo-nos acreditando que isso nos trará felicidade e irá preencher o vazio da existência. Praticamos ações sociais para ser cool; nossa privacidade é hackeada. Tornamo-nos suscetíveis a diferentes formas de invasão e alienação. Vivemos fatigados com o transporte público, o trânsito, os telemarketings, os hospitais e escolas, a indigência, os nossos governantes, a violência, a política, a xenofobia, as igrejas... Quais são os valores e virtudes de um homem e uma mulher de bem?
Temos um presidente eleito por menos da metade do eleitorado brasileiro. Será que no imaginário dessas pessoas havia a crença de que Bolsonaro poderia ser um herói? Se não somos capazes de pensar por nós mesmos, ao menos, vejamos o que o mundo – digo o mundo e, não os Estados Unidos – dizem sobre o nosso presidente (?). Olhem as ações racistas e neoliberais de um governo subserviente aos interesses estadunidenses que a todo instante põe em risco a soberania nacional, liquidando todo o patrimônio público brasileiro. A privatização das estatais e a desindustrialização do Brasil gera o caos: desemprego, miséria e fome. O que deveria ser “um governo para todos”, revelou-se uma organização que torna ainda mais ricos os ricos e cada vez mais pobres os mais pobres. Vivemos o apogeu do capital improdutivo. Praticamente, só os rentistas ganham. A nós cabe apenas pagar, cada vez mais caro, combustível, vida na cidade, plano de saúde com cobertura mínima e valores exorbitantes, educação dos filhos, impostos, luz, água, telefone e alimentos contaminados (enxertados de hormônios e empesteados de agrotóxicos e transgênicos) que são empurrados goela a baixo, em razão da falta de opções para a aquisição de algo mais natural.
É “terapêutico” ir aos shoppings e aos grandes mercados, e nos iludir com a possibilidade de que a posse de determinado produto irá nos trazer a tão almejada felicidade, quando na realidade estamos contribuindo para o aumento do consumo e, consequentemente, dessa lógica irracional de produção à custa da depredação do meio ambiente. Desmatamos, produzimos uma quantidade absurda de lixo, que acreditamos estar sendo reciclados quando na verdade não sabemos verdadeiramente qual será o seu destino. Não nos preocupamos com o consumo desarrazoado de água, com as queimadas, a poluição... e o nosso planeta, chora e geme, em dores de parto, na espera de um novo dia. Da primavera, ou seria, de outros natimortos? Os animais expulsos das florestas invadem as cidades e em uníssono clamam a nós por socorro. Tempestades, trovões, terremotos, maremotos, tsunamis... o que mais esperar? Quando isso tudo vai parar?
Na contramão da lógica produtivista pequenos grupos se mobilizam, na busca de formas alternativas de vida no planeta. Ambientalistas, autoridades religiosas, estudantes, populações indígenas e ribeirinhas unem-se em defesa da vida na Terra. A juventude bravamente desponta no noticiário mundial, denunciando os abusos das autoridades governamentais e empresariais, retrógadas e autoritárias. Novas escolas e pensadores se insurgem contra a barbárie.
Eu, aposto sempre nas crianças. Na necessidade urgente que temos de olhar para as crianças e zelar pelo seu devir. Elas têm a capacidade transformar o mundo, se forem educadas por meio de valores e virtudes: humanos, sociais, ambientais, culturais e espirituais.
Já é tempo de unirmo-nos em prol dessa causa, encontrando-nos com nós mesmos em nossa humanidade e descobrir a palavra que cada um de nós veio dar ao mundo. E que a nossa palavra seja plena de vida, amor e paz. Abramos nossos olhos, rasguemos os nossos corações e despertemo-nos enquanto há tempo.
O artigo também foi publicado no Jornal Pensar a Educação, Pensar o Brasil.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

OS DESDOBRAMENTOS DA VAZA JATO NO SUPREMO


STF julga prisão após 2ª instância: entenda impacto sobre 
Lava Jato, Lula e milhares de outros presos

(Foto: Gil Ferreira/SCO/STF)

O Supremo Tribunal Federal caminha para colocar o ponto final numa controvérsia que se arrasta desde 2016: condenados em segunda instância devem começar a cumprir pena ou é necessário aguardar o fim de todos os recursos nas cortes superiores?
A questão deve ser definitivamente respondida pelo Supremo a partir desta quinta-feira, quando os onze ministros julgarão ações sobre o tema. É possível que o julgamento se prolongue até a próxima semana.
Desde fevereiro de 2016, em placar apertado, o STF permite que presos condenados em segunda instância comecem a cumprir pena. Mas as decisões que deram essa autorização tinham caráter provisório e podem ser revistas. Como os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes mudaram de posição, a expectativa é que o Supremo volte a proibir a prisão antes do trânsito em julgado (quando se esgotam os recursos) dos processos criminais.
A decisão tem potencial de libertar milhares de presos, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas nem todos os condenados da Operação Lava Jato seriam afetados - o ex-governador Sérgio Cabral e o ex-deputado Eduardo Cunha, por exemplo, não seriam soltos porque cumprem prisão preventiva (quando o réu fica preso mesmo antes de qualquer condenação para evitar que continue cometendo crimes, fuja ou atrapalhe investigações).
Para continuar lendo a matéria de Mariana Schreiber para a BBC News Brasil, clique aqui.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

EDUCAÇÃO EM MOVIMENTO: UFMG, A MELHOR UNIVERSIDADE DO PAÍS


(Imagens: Site FaE/UFMG)

EDUCAÇÃO EM MOVIMENTOS, 
PROJETOS e RANKINGS:
FaE e UFMG EM PRIMEIRO LUGAR

Eugênio Magno

O que é óbvio costuma passar despercebido pelo senso comum, especialmente em tempos obscuros como os atuais. Como não pensar o Brasil, ao se propor a pensar a Educação? O inverso também pode ser formulado. Afinal, como não se pensar a Educação, ao pensar o Brasil?
Dizer o óbvio é relativamente fácil. Entretanto, a afirmação de obviedades baseada em ações concretas é outro papo. E não é só papo, ainda que seja aquele papo, das noites de segunda-feira, transmitido pela Rádio UFMG Educativa (ancorado por Yolanda Assunção e conduzido por Tatá), programa do qual tenho muito orgulho de ter participado, como produtor e apresentador do quadro Cinema Falado, no período de 2013 a 2015, sob a coordenação da professora Inês Teixeira.
Pensar a Educação, Pensar o Brasil – 1822-2022 (PEPB) vem articulando desde a sua criação, em 2007, diversas atividades que estimulam atitudes concretas, fazendo memória das contribuições da Educação para a formação do povo brasileiro e projetando seus contínuos aportes para a construção de um país, justo, igualitário e democrático. Este projeto é fruto da ousadia dos seus inventores, os professores, Luciano Mendes de Faria Filho e Tarcísio Mauro Vago (Tatá), coordenadores gerais do PEPB.
A partir da capacidade técnica e científica, gregarismo e articulação dos dois professores e de outras competências discentes, docentes, técnico-administrativas, de servidores e de dezenas de colaboradores internos e externos à UFMG, que se juntaram ao projeto, ele vai se consolidando como lócus comprometido com uma práxis de permanente ação-reflexão-ação. Seu nome e sua proposta são e dão, a cada dia, novas provas, respostas e reverberações inequívocas do porque veio – em constantes movimentos –, no ir vir de saberes, pensares e práticas coletivas.
No primeiro dia deste mês de outubro, para citar um exemplo próximo, o Pensar apresentou ao público que lotou o Auditório Luiz Pompeu, da Faculdade de Educação (FaE/UFMG), a sua filha caçula: a série documental, O pão nosso de cada dia, sobre desafios e cotidianos de professoras de Educação Básica. Uma ação da Revista Brasileira de Educação Básica, que tem como editora responsável a professora Libéria Neves e o professor Eliezer Costa e é coordenada por Vanessa Costa de Macêdo (editora executiva da revista) e corroteirista das narrativas professorais, juntamente com Thiago Rosa que dirigiu os quatro episódios da série. O evento contou com a participação da professora e cineasta Edileuza Penha de Souza, da Universidade de Brasília (UnB), que mediou uma mesa de debates após a exibição dos depoimentos fílmicos com a presença das personagens da série, Angélica Ferreira, que leciona Português; Isabela Assis, recém-formada professora de Teatro; Wanderléa Assis e Hélder Junio de Souza, os dois últimos, professores de História.
Mas o Pensar vai muito além do vídeo, da revista, do rádio e do jornal, Pensar a Educação em Pauta, coordenado por Priscilla Bahiense. No campo da Pesquisa, além da FaE/UFMG, o projeto integra, em rede, outras onze instituições universitárias abordando a história da educação brasileira; edita a publicação Pensar a Educação em Revista, periódico de revisão bibliográfica sobre os principais temas da educação e, através do seu Observatório, desenvolve pesquisas e monitora diversos canais de divulgação científica do país. O PEPB organiza Seminários e conferências temáticas; abastece e abriga o Centro Virtual de Multimídia em Educação (CEVIME), que sistematiza e referencia produções nacionais e estrangeiras em torno de temas da educação; realiza Produções Audiovisuais e se ocupa da Gestão de Mídias, mobilizando e articulando diferentes dispositivos midiáticos para a divulgação dos conteúdos produzidos pelo projeto. Na área do ensino oferece estágios e oferta disciplinas na graduação e na pós-graduação. A Coleção de Livros do PEPB com suas séries: Ensaios, Seminários, Estudos Históricos e Clássicos da Educação Brasileira, já se aproxima de cinquenta títulos lançados.
Neste breve levantamento aqui apresentado dá para se ter uma ideia da envergadura do Pensar a Educação, Pensar o Brasil, que interage e proporciona a visibilização de tantos outros projetos, grupos de pesquisa e extensão, departamentos e ações afirmativas e inclusivas da FaE, devido as suas características, arquitetura em rede (ou teias) e o seu marco temporal definido.
Na trincheira deste importante enfrentamento da disputa de sentidos e narrativas históricas do Brasil contemporâneo, tendo em vista as comemorações do bicentenário da nossa independência, o protagonismo da educação brasileira – cuja atuação nos processos emancipatórios tem sido notadamente decisivo – é imprescindível. A força dos sujeitos coletivos da educação é notória, tanto em macro, quanto em micro territórios. Prova disso é a vitalidade e potência da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, uma das unidades mais pulsantes do Campus Pampulha.
Criada em 1968 e vivendo, portanto, a sua plena maturidade, a FaE, aos 51 anos, é muito mais que uma instituição formadora de educadores, pedagogos e professores (pesquisadores e extensionistas), fundada na indissociabilidade dos pilares Educação, Pesquisa e Extensão. A diversidade de projetos gestados, sediados, apoiados, difundidos e acolhidos pela FaE, fazem desta faculdade uma grande rede conectada a outras hiper-redes. As reflexões geradas em seu espaço provocam ondas propulsoras de engajamento. Deflagram manifestações, têm grande capilaridade e proporcionam o indispensável abrigo institucional às várias ações colocadas em movimento pelos múltiplos agentes do processo educacional que se fazem presentes, em permanente conexão neste território, de forma física (presencial) e online.
Não é à toa que a UFMG foi considerada a melhor universidade do país e o curso de Pedagogia – da nossa FaE – ocupa o primeiríssimo lugar no ranking universitário brasileiro, divulgado no início desta semana.
Este texto foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta e também no Facebook.

sábado, 5 de outubro de 2019

CATÓLICOS E EVANGÉLICOS EM DISPUTA NAS ELEIÇÕES PARA O CONSELHO TUTELAR


Eleições para o Conselho Tutelar tornam-se o novo campo de batalha do Brasil polarizado:
Pleito deste domingo coloca católicos e evangélicos em disputa para ocupar organismo de apoio a políticas sobre juventude 


O Brasil mal saiu de umas conturbadas eleições gerais e já vive, neste ano, outra campanha eleitoral igualmente polarizada: a dos Conselhos Tutelares, organismos presentes em praticamente todas as cidades brasileiras e responsáveis por zelar pela proteção de crianças e adolescentes. Neste domingo, 6 de outubro, de 8h às 17h, pessoas a partir de 16 anos com título de eleitor e em situação regular com a Justiça Eleitoral poderão escolher até cinco candidatos do conselho mais próximo de sua residência. A lei que criou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê que a escolha de novos conselheiros, que possuem mandato de quatro anos, devem acontecer simultaneamente em todos os municípios do país um ano depois do comício presidencial. As eleições são abertas a todos os eleitores, mas o voto não é obrigatório.
Para ler na íntegra a matéria de Felipe Betin para o El País e saber como participar da votação que é aberta a todos os eleitores do país, clique aqui.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

LULA NÃO VAI SAIR DA CADEIA


Carta de Lula "Ao Povo Brasileiro
Não troco minha dignidade, 
pela minha Liberdade"

(Foto: Divulgação)

Na carta, escrita à mão (abaixo), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz que não vai sair da prisão enquanto seu processo não for considerado nulo. 

(Imagem: Instituo Lula

Lula ganhou o direito de pedir a mudança para o regime semiaberto, no último dia 23 deste mês, mas não pretende deixar a prisão nessas condições.


sábado, 28 de setembro de 2019

SETEMBRO: ANIVERSÁRIO DO PATRONO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA



Mural da Escola Municipal Paulo Freire, do bairro Cidade Nova, Caxias do Sul 
(Foto: Claudia Velho/reprodução)

Quem tem medo de Paulo Freire?

por Eugênio Magno

Nem mesmo as universidades brasileiras que nunca deram muita bola para Paulo Freire têm medo dele. Ao contrário, gritam a seu favor, especialmente nesses tempos em que a educação é medida pela régua dos desescolarizados que vão dos influenciadores aos aboletados no poder em nosso país e os que gravitam em seu entorno. Tampouco meninas e meninos temem Freire. Afinal, ele não era comunista, não comia criancinhas.
              É certo que jamais temeram ou temeriam Paulo Freire os envolvidos no Movimento de Cultura Popular (MCP) em que Freire tomou parte como um dos seus fundadores juntamente com outros intelectuais e estudantes. O projeto do MCP foi um sucesso absoluto e os números de suas realizações surpreendentes: 19.646 alunos, 452 professores e 174 monitores em 626 turmas, com 201 escolas participantes; uma rede de escolas radiofônicas, centros de artes plásticas e artesanato, entre outras atividades e formas lúdicas de promover a cultura, o aprendizado e a alfabetização de crianças, jovens e adultos, somente na cidade de Recife (PE), no período de 1960 a 1962. Também não se amedrontam com Freire os 300 trabalhadores alfabetizados em 45 dias na localidade de Angicos (RN), projeto que conquistou a simpatia do então presidente da república João Goulart que, através de portaria do Ministério da Educação e Cultura (MEC), determinou a criação da Comissão de Cultura Popular, tendo Freire como presidente. Muito menos teriam medo do Patrono da Educação Brasileira os intelectuais Herbert José de Souza (Betinho), Júlio Furquim Sambaquy, Luiz Alberto Gomes de Souza e Roberto Saturnino Braga, membros dessa comissão presidida por Freire, responsável pelo nascimento do Programa Nacional de Alfabetização (PNA), que através do “Método Paulo Freire”, tinha como objetivo alfabetizar politizando 5 milhões de adultos. Somente no ano de 1964, 2 milhões de alunos seriam formados pelos 20 mil Círculos de Cultura a serem instalados no ano do golpe.
Desde Angicos, os militares aquartelados na caserna – em especial o general Castelo Branco – estavam desconfiados do caráter “subversivo” do método adotado por Paulo Freire. Os movimentos de educação popular constituíam uma grande ameaça para o sustento da antiga situação do país e a direita nunca ocultou sua hostilidade em relação a essas iniciativas. Eles não compreendiam porque, Paulo Freire, um educador católico, teria se tornado um representante dos oprimidos. Nesse período era muito forte o ódio ao comunismo e a campanha contra esse regime ou a qualquer ideia ou movimento que fosse libertador, mesmo que de caráter exclusivamente humanista e, ainda que não tivesse qualquer relação ideológico-partidária direta. Assim, os setores conservadores passaram a atacar o movimento de democratização da cultura, ao perceberem que ali – numa pedagogia da liberdade – estaria o germe da rebelião e passaram a acusar Freire de “comunista”, “subversivo internacional” e “traidor de Cristo e do povo brasileiro”. Neste cenário, o golpe de Estado de 1964 não só interrompeu os esforços envidados no campo da educação popular de adultos, assim como levou Paulo Freire à prisão e depois ao exílio por mais de 15 anos.
Paulo Reglus Neves Freire nasceu às 9 horas da manhã, do dia 19 setembro de 1921, em Recife, no Estado de Pernambuco. Na semana passada, muitas das homenagens dirigidas a Freire ressaltavam que se vivo estivesse estaria completando 98 anos de idade. Todavia, deve-se advertir que Paulo Freire não morreu. Ele está mais vivo do que nunca. A maior prova disso é o medo de Freire que paira sobre seus detratores e perseguidores – do passado e do presente. Estes são, na verdade, quem mais o homenageiam. Estaria, essa gente, assombrada com o seu fantasma (?); ou seria do seu legado de um projeto educacional humanista reconhecido em todo o mundo que os seus antagonistas têm tanto pavor? 
Eles continuarão a se borrar de medo. Pois, Freire não está mais entre nós, corporeamente, para ser preso, exilado ou coisa que o valha. E, no Brasil desse bolsonarismo torpe, a “Pedagogia do oprimido” é uma arma letal para interromper esta ópera-bufa encenada no centro do poder nacional. Para usar mais uma expressão típica desse tempo de truculência sociocultural e linguagem policialesca, para matar Freire seria necessário eliminar seu lugar – definitivamente – já assegurado na história: títulos de Doutor Honoris Causa e outras honrarias acadêmicas em centenas de universidades pelo mundo afora; títulos de cidadão honorário de várias cidades brasileiras; prêmios e homenagens diversas: estátuas, monumentos, pinturas, letra de música e até enredo de escola de samba. Presidente honorário de várias instituições nacionais e internacionais. Auditórios, teatros, salas, bibliotecas, diretórios e centros acadêmicos e ainda, praças, avenidas, ruas, conjuntos habitacionais e estabelecimentos de ensino no Brasil e no exterior, batizados com seu nome. Bolsas de pesquisa de pós-graduação, medalhas, condecorações e diversos prêmios receberam o nome de Paulo Freire, fora os centros de pesquisa, documentação, informação, divulgação e estudos sobre ele em várias nações.
              Nada do que Freire representa pode ser apagado. Muito menos suas ideias que – ultrapassaram continentes, atravessaram décadas, fronteiras e gerações –, continuam presentes e, na atualidade, ganham cada vez mais corpo, diante dessa urgente necessidade de escolarização de um grande contingente de brasileiros, inclusive de parte da classe dominante chamada, equivocadamente, de elite (só se for do atraso). Mas pode-se supor, pela sua vida e sua obra, que tudo isso para Freire era insignificante frente a seu radical e permanente compromisso com os explorados e oprimidos do mundo, onde e quando estivessem.

Este texto foi publicado no jornal  Pensar a Educação em Pauta e no Facebook.

REFERÊNCIA:
OLIVEIRA, Eugênio Magno Martins de. Fernando Birri e Paulo Freire: educação e cinema em diálogo como práticas da liberdade / Eugênio Magno Martins de Oliveira. Tese de doutorado. Belo Horizonte: Faculdade de Educação – FaE / UFMG, 2017.

Imagem de destaque: XXI Fórum de Estudos sobre Paulo Freire UCS-Sinpro Caxias do Sul – 2019. Disponível em: <https://www.sinprocaxias.com.br/noticias/sinpro/sinprocaxias-apoia-xxi-forum-de-estudos-sobre-paulo-freire-na-ucs.html>. Acesso em: 21.09.2019. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

PSIU CINEMA: A POESIA CHAMA PARA MONTES CLAROS EM OUTUBRO


Psiu Poético vai homenagear o montes-clarense 
Paulo Henrique Souto


A 33ª edição do Festival de Arte Contemporânea Psiu Poético, que será realizada entre os dias 4 e 12 de outubro, vai dar um amplo destaque para as produções audiovisuais. O festival deste ano terá como tema “Psiu Cinema” e homenageará um dos maiores expoentes da sétima arte nacional, o montes-clarense Paulo Henrique Veloso Souto. Paulo Henrique, que voltou a residir na cidade há alguns anos, deu uma importante contribuição para o cinema brasileiro a partir da década de 1970. Consta de seu currículo a participação em mais de 200 produções, tendo atuado como ator, diretor, assistente de direção, assistente de produção, produtor, além de divulgador, agitador e assessor de comunicação em diversas produções nacionais.
Filho de João Souto e dona Nininha, Paulo nasceu em Montes Claros no ano de 1947. Ainda era jovem quando teve uma participação no filme Os Marginais, de 1968, do também montes-clarense Carlos Alberto Prates Correia. Depois de cursar Relações Públicas em Belo Horizonte, Souto mudou-se para o Rio de Janeiro em 1977, onde iniciaria uma trajetória de importante contribuição para o cinema brasileiro. Sempre encantado com o ambiente de produção cinematográfica, Paulo Henrique atuou no departamento de publicidade e propaganda da Embrafilme e da Gaumont do Brasil. Sagrou-se neste período como um dos maiores divulgadores das produções nacionais país afora.
Atuando conjuntamente como produtor de set em diversas obras, o cineasta montes-clarense desenvolveu uma grande capacidade de criação cinematográfica. Em 1981 lançou o curta Aníbal, um Carroceiro e seus Marujos, que teve grande importância na valorização e resgate das Festas de Agosto de Montes Claros. Esta produção levou a mais expressiva manifestação cultural e religiosa da cidade à festivais em diversas partes do mundo. Na frente das câmeras, o norte-mineiro também se destacou. Conhecido como o “rei das pontas”, foi o ator que mais fez participações especiais no cinema brasileiro entre os anos de 1970 e 2000. Além da atuação nas telonas, também participou de telenovelas e peças teatrais.
No ano de 1979 foi produtor executivo no clássico filme Cabaret Mineiro, também de Carlos Alberto Prates Correia. Neste longa, rodado parte em Montes Claros, além de trabalhar na produção, Paulo Henrique novamente fez uma pequena aparição. Após construir uma sólida carreira no audiovisual brasileiro, Paulo Henrique Souto voltou para sua cidade natal, onde continua contribuindo para diversas produções. Em 2012, participou ativamente da organização da 1ª Mostra de Cinema de Montes Claros.
Agora, aos 72 anos, será homenageado pelo maior salão de poesia do país, reconhecimento que recebe com muita satisfação. “Estou honrado por essa deferência para comigo em torno do meu trabalho no cinema brasileiro. Reconhecimento em vida é muito bom, principalmente na minha amada Montes Claros. Foi aqui que dirigi Aníbal, um Carroceiro e seus Marujos, em 1981, obra pela preservação das Festas de Agosto, então totalmente esquecidas. O filme foi exibido nos festivais de Bilbao (Espanha), na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no Festival de Penedo, entre outros. Hoje continuo por diletantismo divulgando o cinema brasileiro nas redes sociais e colaborando com eventos da área na minha terra”, explica Paulo Henrique.

domingo, 15 de setembro de 2019

"O CANGACEIRO", NO CINEMA FALADO


O primeiro grande espetáculo do cinema brasileiro 
e nosso maior sucesso internacional


Em 1953, um filme brasileiro, adotando a dinâmica narrativa do faroeste norte-americano, ganhou os prêmios de filme de aventura e de trilha sonora em Cannes e foi exibido em todo o mundo.
"O Cangaceiro", escrito e dirigido por Lima Barreto, com diálogos de Rachel de Queiroz e as atuações de Marisa Prado, Alberto Ruschel, Milton Ribeiro, Vanja Orico e Adoniran Barbosa, é o programa do Cinema Falado da próxima terça-feira, 17 de setembro, às 19h30, na Sala Geraldo Veloso do MIS Cine Santa Tereza (praça Duque de Caxias, bairro Santa Tereza).
Oportunidade para um encontro com críticos e cineastas para ver este filme e conversar sobre cinema, poesia, política e outros assuntos da cultura brasileira. O filme será apresentado pelo crítico e professor Ataídes Braga.
Cinema Falado é um projeto do Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais (CEC-MG) e do Instituto Humberto Mauro, em memória do crítico e cineasta Geraldo Veloso, com o apoio do Museu da Imagem e do Som (MIS), do jornal O TEMPO, da rádio SUPER FM e da Contorno Áudio & Vídeo.

O CUIDADO COM A NOSSA CASA COMUM



(Ipê-amarelo = Tabebuia chrysotricha)


A bravura dos Ipês:
em Defesa da Amazônia

Eugênio Magno
(Texto e foto)
                            
Belo Horizonte, Minas Gerais. Corre o ano de 2019. Era Agosto, 25. Manhã de domingo de céu azul e sol a pino. A semana que passou foi de densas nuvens de tristeza, escuridão e chuva negra – tóxica – em São Paulo (capital), a maior cidade da América Latina. Tem havido comoção mundial pela acelerada devastação, autorizada, do grande pulmão do planeta. Protestos e atos em defesa da nossa Amazônia bradaram pelos quatro cantos do mundo, desde o dia 19 de agosto, a segunda-feira cinzenta, em que a Amazônia sangrou chamas ardentes e espraiou fuligem pela atmosfera tropical.
Os dias 23 e 24 de agosto foram marcados por manifestações e destaques da grande mídia e redes sociais, nacionais e internacionais, dando conta da gravidade dessa crescente e ameaçadora degradação do ambiente. Em várias localidades aconteceram atos em favor da Amazônia no dia 25. Assim foi na capital mineira. Aqui a manifestação ocorreu na Praça Israel Pinheiro – apelidada de Praça do Papa, desde a primeira vinda de João Paulo II a BH –, onde Karol Wojtyla celebrou missa campal. No dia 25 de agosto deste ano, muitos dos que ali compareceram, atendiam ao apelo do atual Papa Francisco. Residindo na zona rural de cidade próxima a Belo Horizonte, fiz um deslocamento de 43 Km e me somei aos que lá compareceram para registrar o ato e engajar de forma integral, corpórea, nessa luta pela preservação e pelo cuidado da nossa casa comum. Atendi com naturalidade e prontidão ao pedido dos movimentos que convocaram o ato, às denúncias de ambientalistas de todas as partes do globo e aos constantes apelos do Papa Francisco que, incansavelmente, convoca-nos, todas e todos, para defender a vida do/no planeta, a nossa vida e o direito à vida para as gerações vindouras.
O pontífice (Jorge Mario Bergoglio), cujo onomástico, Francisco – o mesmo do santo de Assis que, no início do século XIII, em seu Cântico do Irmão Sol, tratava esta nossa casa comum como “nossa irmã Terra Mãe” –, dedicou a Carta Apostólica Laudato Si (louvado sejas) à salvaguarda do meio ambiente, questão que segundo o Papa não pode estar separada da justiça em relação aos pobres, nem da solução dos problemas estruturais da economia mundial. Vale lembrar, inclusive, que estamos às vésperas do Sínodo da Amazônia. No período de 6 a 27 de outubro deste ano, o Vaticano vai reunir os bispos latino-americanos para refletir sobre o tema Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral. Este encontro sinodal é uma resposta do papa Francisco à realidade da Pan-Amazônia e tem por objetivos: conhecer, reconhecer, conviver e defender os saberes, os povos nativos, moradores da região e todo o bioma amazônico, na perspectiva de encontrar soluções pastorais que tenham aplicação universal.
É revoltante constatarmos que o alto escalão do Governo brasileiro insista em remar contra a correnteza e trate a questão amazônica com tamanha desfaçatez, enquanto cidadãos do mundo inteiro levantam a voz em favor da Amazônia. Até a Disney comove marmanjos e crianças, nas matinês, com The Lion king que, encarnado em Simba, defende a preservação da vida e a sustentabilidade do planeta, como sujeito mistagógico. O filme é pedagógico e, sem necessidade de grande esforço intelectual, até o mais néscio pode compreender sua mensagem.
Sensibilizado com tantos apelos, do Papa ao Rei Leão, o que mais me tocou foi estar unido, num clima pacífico – em que não faltaram palavras de ordem, cartazes, faixas e intervenções –, a cerca de duas mil pessoas que compareceram a Praça do Papa, localizada no bairro das Mangabeiras, em Belo Horizonte, para participar do Ato em defesa da Amazônia. Biólogos, parlamentares, educadores, sindicalistas, estudantes, líderes de movimentos sociais e representantes de partidos políticos, fizeram uso da palavra para denunciar os vários crimes ambientais cometidos pela ganância desapiedada do capital (as tragédias de Mariana e Brumadinho foram lembradas com tristeza) e tantos outros tipos de abusos praticados contra a natureza.
E pensar que essa foi apenas uma das muitas manifestações que vêm ocorrendo em várias cidades brasileiras e em outras tantas pelo mundo afora... Mas ali eu estava, junto a centenas de homens, mulheres, crianças, famílias, cadeirantes, uma grande diversidade de pessoas de todas as idades e de variadas classes, etnias e raças.
Do alto da Praça do Papa, na base da carcomida Serra do Curral, explorada pela mineração, me dei conta dos Ipês que, bravamente, resistem e em agosto derramam suas flores roxas, brancas, rosas e amarelas em nosso horizonte que já foi bem mais belo. Agora, que entrou setembro, a boa nova anda nos campos e já começa a produzir seus aromas e cores e, junto à passarada, ensaiam um novo canto para saudar mais uma primavera.
Este texto foi publicado no Jornal Pensar a Educação em Pauta e também poderá ser encontrado no Facebook.

"IDADE DA ÁGUA"


TV argentina exibe documentário brasileiro 
sobre possibilidade de uma futura guerra da água potável





Realizado no ano passado, o documentário “Idade da Água”, de Orlando Senna, produção da HL Filmes para o CINEBRASiL TV, será exibido pela plataforma televisiva do renomado jornal argentino Página 12 durante o mês de outubro, incluindo Video on Demand. O filme, focado no agravamento da questão amazônica, levanta a possibilidade de uma futura guerra de âmbito internacional pela posse da água potável. 
“Idade da Água” estreou em outubro no Festival Internacional de Viña del Mar, no Chile, e foi exibido no Festival de Havana e no Festival Internacional de Documentales Santiago Alvarez in Memoriam, em Cuba;  no FICiP-Festival Internacional de Cine Político, em Buenos Aires; na 8ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, em São Paulo, e no Amazônia Doc-Festival Pan-Amazônico de Cinema, em Manaus. Agora em setembro será apresentado no FAM-Florianópolis Audiovisual Mercosul e, em novembro, no festival El Ojo Cojo, em Madri.
O filme faz um inventário assustador das intenções e tentativas de internacionalização, intervenção e privatização da região, desde as ações de Abraham Lincoln no século XIX até os dias de hoje, incluindo os planos de Hitler antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

O DESCASO PARA COM A EDUCAÇÃO POPULAR BRASILEIRA


O Centro de Formação Paulo Freire, 
está para ser despejado


CARTA ABERTA À POPULAÇÃO - DO MST DE PERNAMBUCO:

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) solicitou à justiça a reintegração de posse contra o Centro de Formação Paulo Freire, localizado no Assentamento Normandia, na cidade de Caruaru/PE.
O juízo federal da c, aceita o pedido do INCRA e determina imediata reintegração de posse, ”caso não haja a desocupação espontânea do executado no prazo concedido, expeça-se mandado de reintegração na posse, ficando desde já autorizado: a) o uso de força policial, b) o arrombamento, se necessário, c) condução coercitiva do executado para a DPF, em caso de resistência, d) a remoção dos bens móveis que estejam no imóvel e) remoção dos animais para o «Curral de Gado» do Município de Caruaru/PE, ficando desde já autorizada a doação ou o abate desses semoventes.”
Lembrando que o centro de formação pertence ao Assentamento Normandia, que foi criado em 1998, mas em função de todo conflito e de todo processo, foi orientado pela equipe técnica do INCRA que a casa sede fosse utilizada de forma coletiva para a capacitação e formação dos assentados do Estado de Pernambuco e assim foi feito.
Logo após a criação do assentamento e em comum acordo com o INCRA, a cooperativa dos assentados repassam a casa sede, e mais 14 hectares para criação de um espaço de formação e capacitação dos assentados de todo Estado de Pernambuco.
Ainda em 1999 foi criado oficialmente o Centro de Formação Paulo Freire, e a partir daí tem todo um processo de tentativa de legalizar a área para o Centro de Formação. O Centro constituiu uma entidade jurídica chamada Associação Centro de Capacitação Paulo Freire que tem como objetivo administrar e coordenar o Centro de formação.
O referido Centro de Formação deixou de ser um espaço do estado de Pernambuco para passar a ser um espaço de formação do nordeste e nacional, temos hoje parceria com a prefeitura de Caruaru, onde funcionam duas turmas de ensino fundamental, temos parcerias com o governo estadual em que conjuntamente realizamos o curso “Pé no chão”. Hoje estamos realizando a 37ª turma. O Pé no Chão é o principal curso oferecido Pelo Centro. O Pé no Chão é um curso realizado em três etapas, tendo como base vivências e práticas em agroecologia, o curso é oferecido às pessoas de todas as idades que vivem nos acampamentos e assentamentos do estado.
Entendemos que não há razão nenhuma para o INCRA pedir a reintegração de posse, a não ser a motivação ideológica de tentar impor ao MST uma derrota no Estado de Pernambuco, então, nesse momento, estamos tentados buscar todas as formas possíveis para impedir que essa insanidade possa ocorrer contra o Centro de Formação Paulo Freire e o Assentamento Normandia. Portanto, o juiz determina que toda área comunitária seja destruída. Vale lembrar que nesse espaço termos 3 agroindústrias que pertencem à cooperativa agropecuária de Normandia, a agroindústria de beneficiamento de carne, raízes e tubérculos, Pães e bolos, que pertencem ao CPA do coletivo de boleiras.
A destruição de tudo isso seria um retrocesso enorme. Diante da tragédia que se anuncia, estamos convocando a todas e todos para nos ajudar a salvar o Centro de Formação Paulo Freire.

Direção do MST de Pernambuco
Caruaru - PE

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

TUDO QUE É RUIM É "IMEXÍVEL"


Bolsonaro recua sobre mudança no teto de gastos e diz que 
ceder é abrir uma rachadura no casco


O presidente Jair Bolsonaro defendeu nesta quinta-feira que seja preservado o teto de gastos públicos, afirmando que ceder nessa questão seria “abrir uma rachadura no casco do transatlântico”, um dia após ter indicado apoio à flexibilização da medida.
“Temos que preservar a Emenda do Teto. Devemos, sim, reduzir despesas, combater fraudes e desperdícios. Ceder ao teto é abrir uma rachadura no casco do transatlântico”, disse Bolsonaro em publicação no Twitter no início da manhã.
Para continuar lendo a matéria de Pedro Fonseca, do Rio de Janeiro para a Reuters, clique aqui.

domingo, 1 de setembro de 2019

A QUESTÃO AMAZÔNICA


Por que a Floresta Amazônica pode se tornar foco de crise entre Bolsonaro e a Igreja Católica

(Foto: Tomassereda / Getty Images)

No último domingo (25), o papa Francisco falou sobre os incêndios na Amazônia, antes de rezar o Angelus com os fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano. "Estamos todos preocupados com os grandes incêndios que se desenvolveram na Amazônia. Oremos para que, com o empenho de todos, sejam controlados o quanto antes. Aquele pulmão de florestas é vital para o nosso planeta", disse o chefe máximo da Igreja Católica.
O discurso do papa tocou em um assunto que é motivo de preocupações a 8.901 quilômetros dali, no Palácio do Planalto, em Brasília. A repercussão internacional das queimadas ao longo da semana passada reavivou no governo de Jair Bolsonaro (PSL) a preocupação com possíveis críticas ao governo brasileiro no Sínodo da Amazônia.
Trata-se de uma reunião de bispos dos países da região amazônica com o papa Francisco para discutir a atuação da Igreja Católica na área.
Para continuar lendo a matéria de André Shalders e João Fellet da BBC News Brasil em São Paulo, clique aqui.

domingo, 25 de agosto de 2019

EM DEFESA DA AMAZÔNIA




Manifestantes vão à Praça do Papa em BH

Eugênio Magno
(Texto e fotos)


Hoje (domingo, 25/08/19), homens, mulheres e crianças, de todas as idades, foram à Praça do Papa, em Belo Horizonte, manifestarem em defesa da Amazônia.




A partir das 10:00h da manhã foi iniciada a concentração na Praça Israel Pinheiro - apelidada de Praça do Papa, desde a primeira vinda do pontífice João Paulo II a BH -, onde Karol Wojtyla celebrou missa campal. Hoje, muitos dos que ali compareceram, atendiam ao apelo do atual Papa, Francisco, que tem exortado os cristãos a proteger e cuidar da nossa casa comum, a Terra.





Num clima pacífico, mas que não faltaram palavras de ordem, cartazes, faixas e intervenções, cerca de duas mil pessoas compareceram à praça, localizada na base da Serra do Curral, no Mangabeiras, bairro luxuoso da capital de Minas, para participar do ato em defesa da Amazônia.




































Ambientalistas, parlamentares, educadores, sindicalistas, estudantes, líderes de movimentos sociais e representantes de partidos políticos, fizeram uso da palavra, denunciando a devastação acelerada do grande pulmão do planeta.




















Essa foi apenas uma das muitas manifestações que vêm ocorrendo em várias cidades brasileiras e em outras tantas pelo mundo afora, desde o último dia 19, a segunda-feira cinzenta, em que a Amazônia ardeu em chamas.