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sexta-feira, 15 de outubro de 2021

VIVA A PROFESSORA E O PROFESSOR! SALVE PAULO FREIRE!

 


(Créditos da imagem: Nando Motta / Brasil 247)

Educadores e Educandos: uma relação de amor e coragem

Neste mês de outubro de 2021, dedicamos dois episódios do nosso podcast, Política com Fé, às comemorações do Dia do Professor e da Professora e ao Centenário de Paulo Freire, o patrono da educação brasileira.

O episódio # 22 - CENTENÁRIO DE PAULO FREIRE E DIA DOS PROFESSORES, que foi disponibilizado nas plataformas de podcast no dia 1º de outubro, trata da diversidade das condições de vida dos professores no Brasil e da utilização de Freire como escudo, por parte de setores da sociedade.

Já no dia de hoje (15 de outubro), o podcast apresenta fatos e feitos de Paulo Freire. No episódio # 23 - QUEM TEM MEDO DE PAULO FREIRE?, falamos das conquistas e das perseguições sofridas pelo mestre dos mestres.

Ouça, curta, siga e compartilhe o Política com Fé, o podcast que educa e contribui para diminuir o número de analfabetos políticos no Brasil.

Para ouvir o podcast clique nos links abaixo:

#22, #23POLÍTICA COM FÉ e Todos os episódios.



quarta-feira, 5 de agosto de 2020

HUMANISMO SOLIDÁRIO PELA VIA DA EDUCAÇÃO



(Imagem: Logotipo do Pacto Educativo Global)


Pacto pela Educação no Planeta*

Eugênio Magno

Os ataques de que a educação é vítima não são fatos novos. Ao longo da história, desde sua descoberta como possibilidade e sistematização como área de conhecimento, sobretudo, a partir da criação da escola, a educação vive a condição de ser portadora de contradições: avanços e retrocessos. Por essa e outras razões, tão criticada e, em certas circunstâncias, vilipendiada. De quando em vez observamos acenos alvissareiros que logo são sequestrados pelo capital ou dissolvidos por uma excessiva endogenia acadêmica.

Educação e escola vêm sendo confundidas, fundidas e amalgamadas de tal forma, por agentes internos e externos ao seu próprio campo, que no imaginário popular é senso comum interpretá-las como sinônimas. Apesar dos esforços de teóricos e gestores comprometidos com a causa educacional, a situação se agrava progressivamente e a correnteza que arrasta hora uma e hora outra, para o brejo, ofusca conquistas e achados importantes que poderiam, ao contrário, apoiá-las, reposicionando-as aos seus devidos e merecidos lócus. Se assim não fosse, mas é possível que esse quadro venha a se reverter, escola e educação poderiam ser interpeladas uma pela outra e, provocadas por uma sociedade que as distinguisse, fazer irromper uma pedagogia capaz de libertar a própria educação, a escola e, consequentemente, as instituições e seus líderes, dos vícios que as enredaram. São muitas as práticas sociais que são importantes demais para merecer apenas o cuidado de governos, de ministérios e dos experts.  A educação é um desses campos que não pode prescindir de uma ampla rede de contribuições, para além da pedagogia disciplinar, curricular. Carece de aportes que transcendam o universo acadêmico e contemplem saberes e fazeres – práxis – da ordem do familiar, do comunitário, do cultural, da terra – nossa casa comum –, da antropologia, da geopolítica, das artes, da ancestralidade, da ética, dos valores e virtudes e, porque não, do espiritual.

É, no mínimo, curioso observar de onde e com que pujança emerge o chamado planetário para repensar a educação. Ironicamente, ele vem justamente de uma das mais criticadas instituições mundiais, a Igreja Católica, que carrega ônus e bônus na condução de processos educativos pelos quatro cantos do mundo. Mas o que pode ser visto como paradoxal, é providencial e tem como protagonista o mais importante líder mundial da atualidade, o papa Francisco que, em visita aos países unidos dos Emirados Árabes assinou um documento sobre Fraternidade Humana, que propõe uma mudança de mentalidade em escala planetária por meio da educação.

No ano em que se comemora o quinto aniversário de lançamento da encíclica Laudato Si – documento que trata do consumismo e das questões climáticas e ambientais –, o sumo pontífice encaminha então mais uma das grandes ações contempladas no referido documento apostólico de apelo à unificação global. Neste ponto me refiro, precisamente, ao Pacto Educativo Global que, discutido em 2019, está sendo difundido mundialmente, pelo Vaticano, desde maio deste ano, de forma supraconfessional. Seu principal objetivo é recuperar o humanismo e posicionar a vida de todos os seres (humanos, animais, minerais e vegetais), da terra, da água, do ar e do céu, tendo a pessoa humana como centralidade do aprender, do educar, da partilha de saberes e conhecimentos.

Inspirado pelo provérbio africano “para educar uma criança é necessária uma aldeia inteira”, o papa propõe uma educação que permita relações abertas e fraternas, o que expressa a urgente necessidade de que toda a sociedade renove o compromisso de assegurar às gerações futuras uma educação voltada para a fraternidade e o diálogo. Escolas, universidades e a comunidade mundial estão sendo chamadas para promover estudos e reflexões sobre essa proposta. O Pacto Educativo Global, em essência, faz mais do que um apelo ou chamado, seu texto convoca e intima cada pessoa de bem para “se tornar protagonista desta aliança, assumindo compromisso pessoal e comunitário de cultivar, juntos, o sonho de um humanismo solidário, que corresponda às expectativas da humanidade e ao desígnio de Deus”.

É em boa hora que o Brasil, nestes tempos sombrios, recebe o anúncio dessa boa nova, para a qual deve abaixar a guarda e atendê-la, sem preconceitos e mi mi mis, mas de peito aberto, com “a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”.

* Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.


                   

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

EDUCAÇÃO EM MOVIMENTO: UFMG, A MELHOR UNIVERSIDADE DO PAÍS


(Imagens: Site FaE/UFMG)

EDUCAÇÃO EM MOVIMENTOS, 
PROJETOS e RANKINGS:
FaE e UFMG EM PRIMEIRO LUGAR

Eugênio Magno

O que é óbvio costuma passar despercebido pelo senso comum, especialmente em tempos obscuros como os atuais. Como não pensar o Brasil, ao se propor a pensar a Educação? O inverso também pode ser formulado. Afinal, como não se pensar a Educação, ao pensar o Brasil?
Dizer o óbvio é relativamente fácil. Entretanto, a afirmação de obviedades baseada em ações concretas é outro papo. E não é só papo, ainda que seja aquele papo, das noites de segunda-feira, transmitido pela Rádio UFMG Educativa (ancorado por Yolanda Assunção e conduzido por Tatá), programa do qual tenho muito orgulho de ter participado, como produtor e apresentador do quadro Cinema Falado, no período de 2013 a 2015, sob a coordenação da professora Inês Teixeira.
Pensar a Educação, Pensar o Brasil – 1822-2022 (PEPB) vem articulando desde a sua criação, em 2007, diversas atividades que estimulam atitudes concretas, fazendo memória das contribuições da Educação para a formação do povo brasileiro e projetando seus contínuos aportes para a construção de um país, justo, igualitário e democrático. Este projeto é fruto da ousadia dos seus inventores, os professores, Luciano Mendes de Faria Filho e Tarcísio Mauro Vago (Tatá), coordenadores gerais do PEPB.
A partir da capacidade técnica e científica, gregarismo e articulação dos dois professores e de outras competências discentes, docentes, técnico-administrativas, de servidores e de dezenas de colaboradores internos e externos à UFMG, que se juntaram ao projeto, ele vai se consolidando como lócus comprometido com uma práxis de permanente ação-reflexão-ação. Seu nome e sua proposta são e dão, a cada dia, novas provas, respostas e reverberações inequívocas do porque veio – em constantes movimentos –, no ir vir de saberes, pensares e práticas coletivas.
No primeiro dia deste mês de outubro, para citar um exemplo próximo, o Pensar apresentou ao público que lotou o Auditório Luiz Pompeu, da Faculdade de Educação (FaE/UFMG), a sua filha caçula: a série documental, O pão nosso de cada dia, sobre desafios e cotidianos de professoras de Educação Básica. Uma ação da Revista Brasileira de Educação Básica, que tem como editora responsável a professora Libéria Neves e o professor Eliezer Costa e é coordenada por Vanessa Costa de Macêdo (editora executiva da revista) e corroteirista das narrativas professorais, juntamente com Thiago Rosa que dirigiu os quatro episódios da série. O evento contou com a participação da professora e cineasta Edileuza Penha de Souza, da Universidade de Brasília (UnB), que mediou uma mesa de debates após a exibição dos depoimentos fílmicos com a presença das personagens da série, Angélica Ferreira, que leciona Português; Isabela Assis, recém-formada professora de Teatro; Wanderléa Assis e Hélder Junio de Souza, os dois últimos, professores de História.
Mas o Pensar vai muito além do vídeo, da revista, do rádio e do jornal, Pensar a Educação em Pauta, coordenado por Priscilla Bahiense. No campo da Pesquisa, além da FaE/UFMG, o projeto integra, em rede, outras onze instituições universitárias abordando a história da educação brasileira; edita a publicação Pensar a Educação em Revista, periódico de revisão bibliográfica sobre os principais temas da educação e, através do seu Observatório, desenvolve pesquisas e monitora diversos canais de divulgação científica do país. O PEPB organiza Seminários e conferências temáticas; abastece e abriga o Centro Virtual de Multimídia em Educação (CEVIME), que sistematiza e referencia produções nacionais e estrangeiras em torno de temas da educação; realiza Produções Audiovisuais e se ocupa da Gestão de Mídias, mobilizando e articulando diferentes dispositivos midiáticos para a divulgação dos conteúdos produzidos pelo projeto. Na área do ensino oferece estágios e oferta disciplinas na graduação e na pós-graduação. A Coleção de Livros do PEPB com suas séries: Ensaios, Seminários, Estudos Históricos e Clássicos da Educação Brasileira, já se aproxima de cinquenta títulos lançados.
Neste breve levantamento aqui apresentado dá para se ter uma ideia da envergadura do Pensar a Educação, Pensar o Brasil, que interage e proporciona a visibilização de tantos outros projetos, grupos de pesquisa e extensão, departamentos e ações afirmativas e inclusivas da FaE, devido as suas características, arquitetura em rede (ou teias) e o seu marco temporal definido.
Na trincheira deste importante enfrentamento da disputa de sentidos e narrativas históricas do Brasil contemporâneo, tendo em vista as comemorações do bicentenário da nossa independência, o protagonismo da educação brasileira – cuja atuação nos processos emancipatórios tem sido notadamente decisivo – é imprescindível. A força dos sujeitos coletivos da educação é notória, tanto em macro, quanto em micro territórios. Prova disso é a vitalidade e potência da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, uma das unidades mais pulsantes do Campus Pampulha.
Criada em 1968 e vivendo, portanto, a sua plena maturidade, a FaE, aos 51 anos, é muito mais que uma instituição formadora de educadores, pedagogos e professores (pesquisadores e extensionistas), fundada na indissociabilidade dos pilares Educação, Pesquisa e Extensão. A diversidade de projetos gestados, sediados, apoiados, difundidos e acolhidos pela FaE, fazem desta faculdade uma grande rede conectada a outras hiper-redes. As reflexões geradas em seu espaço provocam ondas propulsoras de engajamento. Deflagram manifestações, têm grande capilaridade e proporcionam o indispensável abrigo institucional às várias ações colocadas em movimento pelos múltiplos agentes do processo educacional que se fazem presentes, em permanente conexão neste território, de forma física (presencial) e online.
Não é à toa que a UFMG foi considerada a melhor universidade do país e o curso de Pedagogia – da nossa FaE – ocupa o primeiríssimo lugar no ranking universitário brasileiro, divulgado no início desta semana.
Este texto foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta e também no Facebook.

domingo, 11 de agosto de 2019

DESMONTE DA (E NA) EDUCAÇÃO


Ciências Humanas e Sociais e a Política: a oferta da palavra

Uma das formas de ataque do governo Bolsonaro à universidade tem sido sua particular aversão às ciências humanas e sociais. Se a virulência e a violência deste ataque são específicas desse governo, não se pode dizer, no entanto, que ele tenha inaugurado um menosprezo por essas áreas do conhecimento e por seus profissionais.
Nunca é demais lembrar que, há poucos anos, o governo petista excluiu as Ciências Humanas e Sociais de importantes iniciativas no campo da ciência e tecnologia e educação superior, como o Ciências Sem Fronteiras, por exemplo, e que há muito tempo no interior da comunidade acadêmica e científica – o que vale dizer, no interior das universidades – as ciências humanas e sociais não são de grande prestígio ou, mesmo, de suficiente respeito dos pesquisadores das demais áreas.
Há muitas razões para que tal situação tenha sido produzida e reproduzida no país e, num certo sentido, em boa parte do mundo. Como sabemos,as múltiplas metodologias científicas das ciências e humanas e sociais jamais se adequaram ao figurino, por demais limitado, das concepções de ciências cultivadas nas ciências exatas, da saúde ou da terra, por exemplo.
Mas, é também importante dizer que os profissionais formados nos cursos das áreas de ciências humanas – ou que com elas dialogam mais fortemente, como os cursos de licenciaturas os mais diversos – são aqueles que trabalham com as populações mais pobres, notadamente como profissionais das políticas públicas estabelecidas e levadas a cabo pelos órgãos de Estado. Assim, o desprestígio do púbico atendido acaba, por sua vez, fazendo com que os cursos recrutem seus alunos justamente nas parcelas mais pobres da população.
No que se refere, especificamente, ao governo Bolsonaro e aos grupos que o apoiam, não se pode esquecer que eles são explicitamente contra as ciências humanas e sociais porque, segundo eles, estas estariam mais voltadas para a doutrinação das crianças e jovens do que para o ensino de conhecimentos úteis para o trabalho e para a vida familiar.
Retirada a obtusa ideia de doutrinação que os grupos bolsonaristas cultivam quando se referem aos outros – pois a doutrinação religiosa e política que fazem, essa sim, é legítima – pode-se dizer que o campo das ciências humanas e sociais é muito mais afeito às discussões, aos debates e às disputas pelos sentidos das coisas do que as demais áreas. E é aqui, talvez, que reside o perigo dessas áreas para os governos autoritários como este que hoje comanda a República brasileira.
Os regimes e grupos autoritários não gostam da disputa pelos sentidos múltiplos que presidem a organização de nossas sociedades. Querem impor seu entendimento de que há sempre um único sentido correto das coisas – seja essa “coisa” uma família, um livro, um filme, um mapa…. ou seja, qualquer coisa. Do mesmo modo, incomoda aos regimes e aos grupos autoritários que em lugar da violência com que querem impor suas doutrinas, as ciências humanas e sociais ofereçam a palavra e as linguagens, condições fundamentais da política, único antídoto à violência contra os adversários.
É porque é contra a política e a favor da violência como modo de solução dos inevitáveis conflitos sociais, que o governo Bolsonaro e seus apoiadores são contra as ciências humanas e sociais. É porque não têm apreço pela disputa pelos sentidos das coisas por meio da linguagem e é, também, porque desprezam as palavras que estes sujeitos odeiam aqueles que as cultivam.
É por ofertar a palavra e as linguagens à política (e às ciências!), que as ciências humanas e sociais são fundamentais para a democracia. Jamais teremos uma democracia forte, participativa e legitimada politicamente pela maioria da população sem o cultivo das ciências humanas e sociais; jamais teremos políticas púbicas que diminuam as desigualdades e que reforcem a justiça social sem os profissionais e as pesquisas das ciências humanas e sociais. Resta saber se queremos caminhar nessa direção ou continuar no sentido imposto pelo governo do ignóbil Bolsonaro.
(Fonte: Pensar a Educação em Pauta)

segunda-feira, 15 de julho de 2019

ESCOLA NÃO É SÓ LUGAR DE ESTUDAR, MAS TAMBÉM DE SE PROTEGER E ALIMENTAR


Sem merenda: quando férias escolares significam fome no Brasil

(Foto: Mariana Sanches / BBC)

O pano de prato vermelho adorna há dias a tampa do fogão e não existe expectativa de que ele seja retirado dali em breve: não há comida para preparar no barraco em que Alessandra, de 36 anos, mora com cinco filhos - o mais velho de nove anos e o menor de 16 dias. As crianças, em férias escolares, pulam e correm agitadas, se escondem entre as vielas, e Alessandra sabe que em breve chegará o momento em que elas vão pedir para almoçar.
"Me corta o coração eles quererem um pão e eu não ter. Já coloquei os meninos na escola pra isso mesmo, por causa da merenda. Um pouquinho de arroz sempre alguém me dá, mas nas férias complica", afirma Alessandra, que, desempregada, coleta latinhas na favela de Paraisópolis, em São Paulo, onde mora. No dia da entrevista à BBC News Brasil, os filhos de Alessandra iriam recorrer à casa da avó para conseguir se alimentar.
O drama de Alessandra não é incomum. As férias escolares - quando muitas crianças deixam de ter o acesso diário à merenda - intensificam a vulnerabilidade social de muitas famílias em todo o país. Embora variem em conteúdo e qualidade - às vezes são apenas bolacha ou pão, em outras, são refeições completas de arroz, feijão, legumes e carne - as merendas ocupam função importante no dia a dia de certos alunos. Para essas crianças, nos períodos sem aulas é que a fome, uma ameaça ao longo de todo ano, se torna uma realidade a ser enfrentada.
No Paranoá Parque, conjunto habitacional do Minha Casa Minha Vida que fica a 25 minutos de distância do Palácio do Planalto, em Brasília, as crianças passam os dias livres empinando pipa, de estômago vazio. "No final da tarde, elas me pedem, 'tia, tem um pãozinho aí para mim?' Se chega pão de doação, acaba tudo em um minuto", conta Maria Aparecida de Souza, líder comunitária no bairro.
Para continuar lendo a matéria de Paula Adamo Idoeta e Mariana Sanches, da BBC News Brasil, clique aqui.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

EDUCAÇÃO: TRADIÇÕES DEMOCRÁTICAS OU AUTORITÁRIAS?


Miguel Arroyo: 
"A injustiça não será superada sozinha"

(Miguel Arroyo e Luciano Mendes F. Filho - Foto: Eugênio Magno)

O projeto Pensar a Educação, Pensar o Brasil, coordenado pelos professores, Luciano Mendes de  Faria filho e Tarcísio Mauro Vago, homenageou ontem à noite, no auditório Neidson Rodrigues, da Faculdade de Educação (FaE/UFMG), o professor emérito da FaE, Miguel Gonzáles Arroyo.
Arroyo recebeu tripla homenagem: da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED), do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG) e do Pensar a Educação, Pensar o Brasil (FaE/UFMG).

(Da esquerda para a direita: os professores Tarcísio M. Vago, Dayse Cunha, Cláudia Mayorga, Luciano Mendes, a deputada estadual Beatriz Cerqueira e o vereador Arnaldo Godoy - Foto: Eugênio Magno)

(Professora Shirley Miranda - Foto: Eugênio Magno)

Após as homenagens que contou também com um pronunciamento que fez menção ao pensamento, a obra e a importância de Miguel Arroyo para a Educação e a História Social do Brasil, da professora da FaE, Shirley Miranda, Arroyo palestrou, brilhantemente, por cerca de uma hora e foi aplaudido de pé pelo qualificado público que o prestigiou.
Para ter acesso à cobertura completa do evento, clique aqui.

sábado, 1 de junho de 2019

QUEREMOS EDUCAÇÃO, INCLUSIVE PARA OS DESEDUCADOS QUE COMANDAM O PAÍS


Quem é contra a educação?

(o crédito da foto foi identificado pelo "Pensar a Educação em Pauta" como Reprodução/Facebook)

A imagem acima se constitui num exemplo paradigmático dos tempos em que vivemos: ela retrata um grupo de manifestantes pró Bolsonaro retirando uma faixa em defesa da educação do prédio da Universidade Federal do Paraná. Diferentemente dos manifestantes dos últimos dias 15 e 30 de maio, os bolsonaristas foram às ruas no dia 26 em defesa de um conjunto de políticas de morte e, é evidente, contra a educação pública.
Ao atuarem contra a educação pública em todos os níveis, da educação infantil à pós-graduação, o governo Bolsonaro, seu Ministro da Educação e os minguados manifestantes que foram às ruas no último 26 estabelecem um novo paradigma de atuação do Estado e, mesmo, dos grupos conservadores brasileiros em relação à escola. Nunca, mesmo nos momentos em que as regras do Estado Democrático de Direito foram suprimidas, como no caso do Estado Novo e da Ditadura civil-militar, tivemos governos que estivessem publicamente contra a educação pública.
O novo paradigma estabelecido pelo governo Bolsonaro investe contra a escola pública e os sujeitos que cotidianamente a põem em funcionamento – alunas e alunos, professoras e professores e demais profissionais da educação. São os novos inimigos da pátria a serem combatidos. No entanto, se o paradigma é novo, as formas de atuação do governo Bolsonaro e seus aliados não o são. Como seus correlatos regimes nazifascistas, a mentira tem sido a principal arma do bolsonarismo para desclassificar os adversários e criar um clima social e político de que é necessário eliminá-los para o bem da Nação.
Não é sem razão que o bolsonarismo oficial que ocupa a Explanada dos Ministérios tem apontado as ciências sociais e a filosofia como áreas que não mais merecem apoio, incentivo ou financiamento sob o argumento de que são doutrinadoras de nossa ingênua juventude. Para o governo Bolsonaro e para os grupos que o apoiam, a simples possibilidade de que as crianças e a juventude sejam convidadas a pensar sobre o mundo é, já, uma ameaça que precisa ser combatida.
Defender a escola pública é fundamental. É a mais capilar e inclusiva das instituições republicanas. E é, em parte, por isso mesmo que ela tem sido sistematicamente atacada pelos bolsonaristas, ardorosos defensores dos privilégios de alguns e das desigualdades que sempre marcaram a sociedade brasileira. O que se quer evitar é que a escola se configure como, ainda que minimamente, uma ameaça ao status quo, seja pela inclusão dos “outros” que dela sempre estiveram alijados, seja pela possibilidade de crítica que a educação representa.
Mais uma vez convocados e convocadas, os defensores e as defensoras da escola pública ocupam as ruas do Brasil e reafirmam o direito inalienável das novas gerações a uma escola pública de qualidade e, inclusive, de qualidade porque é pública. Se o bolsonarismo é herdeiro daquilo que de pior tivemos em nossa história, nossa herança é outra: estamos ao lado de Nísia Floresta, da Pagu, de Maria Lacerda de Moura, de Anísio Teixeira, de Mário de Andrade, de Paulo Freire, de Florestan Fernandes, de Aparecida Joly Gouvea e de milhões de professoras e professores que, de forma anônima, silenciosa e contínua, fizeram e fazem a diferença na infância do/no mundo.
A política defendida pelos bolsonaristas é a política da destruição e da morte. É, de fato, uma antipolítica. E isto em todas as áreas e não apenas na educação. É por isso, também, que a reação ao que está acontecendo tem que ultrapassar o campo educacional e tomar o Brasil de ponta-a-ponta. E isto passa, sem dúvida, pela articulação de todos os setores e movimentos democráticos. É nessa direção que devemos avançar para derrotar não apenas o governo Bolsonaro, mas o bolsonarismo que ele representa.
(Fonte: "Pensar a Educação em Pauta" - Ano 7 – Nº 239/ sexta-feira, 31 de maio de 2019 - Editorial)

sexta-feira, 24 de maio de 2019

ALGOZES DA EDUCAÇÃO EMANCIPADA


A filosofia e seus coveiros 

Claudio Andrade

O absurdo está se reinventando e procura monstros para justificar sua imbecilidade. Autoridades desautorizadas pelo justo conhecimento enxergaram as Ciências Humanas e, com miopia, acreditam ver a filosofia. O retorno ao primitivismo parece ser a tônica do grupo que acredita dirigir o Ministério da Educação com conselhos de um quase pseudo instrutor de Filosofia que confunde ‘Universidade’ com ‘Perversidade’, a saber, Olavo de Carvalho, que se quer teve condições de ler e compreender o metafísico Étienne Gilson que sentenciou a maior experiência filosófica de todos os tempos: “a filosofia sempre enterra seus coveiros”. Complementaria a máxima, sobretudo quando seus coveiros são leitores de um único autor ou de um único livro. Desde os tempos mais antigos a filosofia sempre preservou a liberdade e a autonomia para construir novas formas de vida e novos olhares sobre os problemas que nos impõe a ordem dominante, gastando energia em novos estilos de vida que sempre considerou um outro mundo em comum. Quem teve o ócio para ler e compreender Platão e Xenofonte sobre a trajetória de Sócrates, o mestre, vai se lembrar da perversa acusação a ele imputada de corromper a juventude que, na verdade, não era outra coisa senão a reflexão sobre a possibilidade de recusar a submissão cega às opiniões estabelecidas. A subversão da filosofia sempre foi a defesa da livre interpretação, afinal apenas a liberdade é a chave para a verdade. 
O que tentam defender os atuais algozes da educação emancipada e propositiva é absurdamente indefensável, pois desconsideram a premissa que antes de sermos técnicos ou profissionais somos seres humanos. Faz tempo que a filosofia e, posteriormente as ciências humanas, tentam qualificar a máxima de que melhorar a si mesmo tem potencialidade para melhorar a sociedade através da arte, da ciência ou da própria política, em declínio neste tempo de obscuridade instrumental e mediocridade. 
Mal sabem “eles” que o atual eclipse político tem sido a alavanca para a vitalidade filosófica, sempre renovada com novos fundamentos. 
A filosofia, incapturável, é sempre um choque diante do triste empobrecimento da sensibilidade humana neste momento de esclerose múltipla de um governo instituído por um ato de raiva e irracionalidade provisória. 
A desintegração está em processo e as pessoas [insensíveis] não percebem os danos irrecuperáveis em curso. Sem a experiência de sentir e estranhar, próprios da filosofia, vive-se o automático e o novo, abrindo espaço para uma legião de desmemoriados que banalizam o mal com justificativas injustificáveis. A filosofia sempre construiu a tensão do ‘como não’, ou seja, nunca fazer do mundo um objeto de propriedade, mas sim de uso e, preferencialmente, de um novo uso que vem ao encontro da essência dos seres humanos. 
Ora, em sua essência, a filosofia é uma arte de viver, um estilo de vida que compromete toda a existência tornando-nos uma versão melhor de nós mesmos. Assim, mais que uma disciplina com instrumentos metodológicos, a filosofia é terapêutica porque permite-nos a compreensão do sentido e da superação do próprio eu, sempre com novas experiências. No tempo em que escrevo, o filósofo Agamben, tem nos provocado com um lampejo a pensar novas formas de vida, em reconhecer o sujeito não mais como substância, mas sim como forma, sendo esta passível de transformação, qualificação e requalificação. Faz tempo que Agamben tem defendido a distinção de vida qualificada em relação à vida nua ou vida comum, assujeitada aos inúmeros dispositivos de dominação. Mais que viver simplesmente, precisamos viver bem. Só a filosofia como um novo suspiro tem potencialidade de nos libertar de prisões invisíveis que o sistema impõe. A filosofia e seu jeito de se colocar no mundo nos emancipa e isto, por si só, atrapalha os muitos dispositivos de dominação em curso. Ora, apenas a filosofia advoga em favor da vida e o que está em jogo [hoje] é a vida. 
É possível uma felicidade diferente, ligada não à realização tão somente profissional ou instrumental, podendo dar corpo a uma novidade no mundo e isto tem incomodado muito. A ideia de que a filosofia veio para deslocar a concepção espontânea tem deixado muitos sem dormir, pois quando mais batem, mais apanham. 

* Doutor em História e Sociedade pela UNESP, Professor Associado do Departamento de Filosofia da UNICENTRO. Assessor do CEFEP/CNBB e Presidente da Academia de Letras, Artes e Ciência de Guarapuava.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

INCENTIVO A ESCOLAS PRIVADAS E DIMINUIÇÃO DE INVESTIMENTOS EM UNIVERSIDADES


‘Vouchers’, ensino à distância e universidade paga, 
os planos na mesa de Bolsonaro

Foto: Daiane Mendonça (SECOM/Rondônia)

“Eu vou mudar tudo isso daí, tá ok?”. Se Jair Bolsonaro, eleito presidente com quase 58 milhões de votos, levar ao pé da letra o bordão de campanha, seu mandato pode marcar um ponto de inflexão na educação brasileira com uma guinada conservadora, baseada em sua cruzada contra "doutrinação de esquerda" e veto ao debate de gênero, e pautada por diretrizes de mercado. O plano de governo é pouco detalhado, mas pressupõe a inversão da pirâmide de investimentos, transferindo recursos da educação superior para a básica (infantil, fundamental e médio). Segundo estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil gasta três vezes mais com estudantes universitários do com alunos dos ensinos fundamental e médio.
Para Anna Helena Altenfelder, presidente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), trata-se de uma “preocupação pertinente” a do investimento maior em educação superior, ainda mais num contexto de grave crise fiscal. Entretanto, a pedagoga observa que a conta mais alta do ensino superior é influenciada por gastos com pesquisa e extensão, como hospitais universitários. “A questão principal não é transferir recursos de um para o outro, mas sim priorizar o ensino básico.”
Bolsonaro diz se inspirar em modelos de países asiáticos, a exemplo de Japão e Coreia do Sul, onde professores recebem quase quatro vezes mais que os brasileiros – cujos salários equivalem à metade da média dos países avaliados pela OCDE. Em seu plano, ele prevê investir em qualificação e melhorar a remuneração dos professores, mas não explica como nem de onde proverá verbas para valorizá-los. Apenas ressalta que “é possível fazer muito mais com os atuais recursos” – o Brasil investe aproximadamente 5% do PIB em educação.
Para preservar recursos do Ministério da Educação (MEC), uma das ideias do partido de Bolsonaro, o PSL, e já mencionadas por homens fortes de sua equipe, incluindo o futuro superministro da Economia, Paulo Guedes, é o “voucher educação”. A proposta, que também era bandeira do candidato derrotado à presidência João Amoêdo (NOVO), estipula a distribuição de vales para as famílias escolherem um colégio privado e matricularem seus filhos. Com maior participação de instituições privadas, o governo, segundo a tese dos defensores do modelo, economizaria dinheiro com a manutenção de escolas e a folha de pagamento dos professores.
Diferentemente de Japão e Coreia do Sul, que conduzem a educação básica por meio de escolas públicas, o modelo tem inspiração em fórmulas já testadas em países como Estados Unidos e Chile, que adotou os vouchers durante a ditadura de Augusto Pinochet, na década de 80. Apesar de apresentar melhores resultados em análises de desempenho que o Brasil e outros países latino-americanos, a educação chilena ainda está distante do nível apresentado por países desenvolvidos no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). “Os vouchers cumpriram um papel importante para incluir alunos nas escolas, mas hoje não têm melhorado a qualidade da educação no Chile”, afirma Olavo Nogueira Filho, diretor do movimento Todos Pela Educação.
Para continuar lendo o texto de Breiller Pires para a edição brasileira do El País, clique aqui.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

O VALOR DO PROFESSOR


Salários altos, prestígio, apoio ao estudo: as lições dos países que tratam bem seus professores


Foto: Solstock/Getty Images 

No Vietnã, um professor é perguntado nos primeiros dias de trabalho sobre as metas que deseja alcançar na carreira. Quer trabalhar na linha de frente com as crianças e adolescentes? Almeja um cargo de gestão? Ou gosta mesmo de pesquisar e desenvolver técnicas e metodologias de ensino? A partir disso, professor e diretor da escola atuam em conjunto para estruturar a carreira de acordo essas preferências.
No Japão, bônus salariais, a possibilidade de acelerar promoções e a ideia de desafio tornam atrativo dar aulas nas escolas mais pobres do país. Na Estônia, a forte evolução salarial nos últimos anos e a autonomia para aplicar métodos criativos de ensino fazem da carreira de professor uma das mais cobiçadas.
Na Coreia do Sul, o alto status social dos professores combina estabilidade, bons salários e rigorosos requisitos de admissibilidade na carreira. Já na Finlândia, o salário não é dos mais altos quando comparado à média das demais profissões; mas o prestígio, sim.
O que esses cinco países têm em comum?
A contratação de professores é seletiva, a profissão é valorizada e, mais importante, a carreira é estimulante, o que atrai bons profissionais para as salas de aula. E esse foco na qualidade dos professores se reverteu em bons resultados no influente ranking Pisa, organizado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que avalia o desempenho de jovens de 15 anos em ciências, matemática e leitura em 75 países.
Nesses quesitos, o Brasil está longe de ser exemplo. Numa pesquisa da OCDE com 100 mil professores do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino médio (alunos de 11 a 16 anos), o Brasil aparece no topo de um ranking de violência em escolas.
Para ler a matéria completa de Nathalia Passarinho para a BBC News Brasil, clique aqui.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

TRAGÉDIA DO ENSINO É FABRICADA POR GRUPOS DE INTERESSE


Inventar o fracasso escolar e culpar a escola para impor reformas

(Imagem: GERJ)

Semana passada comentamos em Editorial três tragédias que caíram sobre nós nos últimos dias, trazendo dolorosas perdas para o Brasil e o seu povo: a aprovação, pelo STF, da terceirização irrestrita de todas as etapas do processo produtivo, que produzirá precarização radical do mundo do trabalho; a decisão do Supremo Tribunal Eleitoral, de desacatar tratados internacionais assinados pelo Brasil para cassar direitos políticos de Luiz Inácio Lula da Silva; e a destruição do acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, um crime de lesa-pátria contra a memória e a história do Brasil, e da humanidade.
Havia uma quarta tragédia em curso naqueles mesmos dias, essa na Educação Pública. Uma falsa ‘tragédia’, aliás, fabricada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), vinculado ao Ministério da Educação: a invenção de um fracasso escolar na educação brasileira. A decisão de elevar a nota de corte dos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB/Prova Brasil), produziu uma avaliação artificial da educação pública, totalmente descolada da realidade.
Veja-se a opinião de um ex-presidente do INEP, José Francisco Soares, professor da UFMG e membro do Conselho Nacional de Educação, dos mais entendidos em avaliação escolar: “as escolhas de pontos de corte que definiram os níveis produziram uma mudança drástica no diagnóstico da realidade educacional brasileira. Experiências consideradas exemplares até 2015 se tornaram fracassos com a nova metodologia. Por exemplo, a cidade de Sobral, que era considerada exemplo nacional, passou a ter apenas 13,4% dos alunos com aprendizado adequado em língua portuguesa, ao invés de 79,8 % em 2015. Na realidade não ocorreu nenhum desastre educacional nos últimos dois anos, mas apenas a introdução de uma forma equivocada de sintetizar os dados da Prova Brasil.”
Sugerimos a leitura de seu texto a respeito, com críticas à metodologia empregada para se chegar aos resultados do SAEB 2017, que mostrariam o tal ‘fracasso’ da escola.
Em síntese, ele defende a necessidade de “usar evidências empíricas em relação aos resultados educacionais (acesso, permanência na escola e aprendizado, assim como indicadores das condições das escolas)”, o que “exige a criação de consensos baseados em análises compartilhadas dos dados”. Não se trata de desconsiderar que “o sistema educacional brasileiro tem sérios problemas no aprendizado de seus estudantes, assim como de condições”, mas ele pondera que “uma mudança abrupta de metodologia não ajuda no debate.”
Concordamos com ele que “o governo federal deveria usar a oportunidade para não só corrigir o diagnóstico apresentado como também para iniciar um processo público de definição dos níveis de referência oficiais para a análise dos dados de aprendizado obtidos pela Prova Brasil.”
A respeito, Luiz Carlos de Freitas, da Unicamp, reconhecido pesquisador em avaliação escolar, escreveu: “O órgão (INEP) se defende dizendo que foi um grupo de especialistas que definiu as novas regras. Mas, de fato, a credibilidade do órgão que já vinha sendo desafiada pelos seus dirigentes, 
acabou. Não se faz uma mudança dessa sem um amplo debate. De fato, as divulgações do INEP sobre esta rodada do SAEB estão marcadas por um claro desejo de promover o caos para justificar apoio às reformas do governo Temer.” Nenhuma novidade, portanto.
Também Andressa Pellanda, coordenadora de políticas educacionais da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, recomenda cautela ao considerar os resultados do SAEB, pois não estão sendo consideradas as desigualdades regionais nem as condições de trabalho dos profissionais de educação e das escolas: “A culpa desse resultado acaba injustamente recaindo sobre o estudante que realizou a prova e do professor que ensinou aquele aluno”, pondera, em entrevista ao Portal EPSJV/Fiocruz. E completa: “Nós entendemos que a aprendizagem dos alunos só pode ser avaliada considerando as condições de oferta da educação. Não se pode comparar um aluno que está em zona urbana estruturada, que recebe financiamento para suas escolas, com um aluno que está em área rural, onde o número de profissionais da educação é escasso e os recursos são menores. As condições de partida desses dois são totalmente diferentes.”
Há sempre que perguntar: esse fracasso escolar inventado, a quem pode interessar? Não cabe aqui a ingenuidade. Já sabemos bem a quem serve essa narrativa.
Desqualificar a Educação Pública, seus sujeitos e suas práticas, é projeto já de longa duração de certo pensamento brasileiro, retomado, atualizado e praticado pelo ilegítimo governo Temer. A estratégia é evidente: culpar a escola pelo fracasso e impor as reformas de ensino por ele pretendidas (especialmente a Base Nacional Comum Curricular e a Reforma do Ensino Médio), sem discussão, e que atendem aos interesses daqueles que fazem da educação um grande negócio.
O fracasso não é da escola pública, tampouco de seus sujeitos: ela e eles são vítimas de todo e qualquer governo que não faz da educação pública prioridade política absoluta porque crucial para o desenvolvimento do País. É esse o fracasso a ser combatido.
Felizmente, em registro bem distinto, uma outra tragédia para a Educação foi evitada essa semana, e sobre a qual comentamos recentemente aqui: o Supremo Tribunal Federal decidiu no dia 12 de setembro que é a Escola o lugar de formação acadêmica sistematizada da infância e da juventude, definindo que as famílias não têm direito de ensinar a seus filhos exclusivamente em casa, a chamada educação domiciliar (ou homeschooling). Os juízes, com a triste exceção de Luiz Roberto Barroso, afirmaram ser necessária e obrigatória a frequência de crianças e jovens à escola, lugar de experiência importante para o acesso ao conhecimento sistematizado em ambiente que promova a sociabilidade entre estudantes, e deles com outras gerações. A Constituição, segundo o STF, estabelece que o dever de educar exige cooperação entre Estado e família, mas não dá aos pais o direito de retirar seus filhos da escola para educá-las exclusivamente no espaço privado da casa. Saiu derrotado por 9×1 o Juiz Barroso, que tem se esmerado, por sinal, em obedecer ditames da grande mídia e do empresariado. Importa destacar e comemorar esse placar tão expressivo: a instituição escola restou fortalecida em sua responsabilidade social de formação das pessoas. É esse lugar que precisa ser cada vez mais reconhecido e afirmado, com investimentos públicos que garantam as melhores condições para a realização de boas práticas educativas.
Defender a escola pública do fracasso inventado por um governo fracassado. Afirmar a escola como lugar de formação pública cidadã. Estão aí dois compromissos políticos inarredáveis. Para enfrentar fabricantes de tragédias.
(Fonte: Pensar a Educação em Pauta)

terça-feira, 14 de agosto de 2018

GOVERNO VETA 18 DISPOSITIVOS DA LDO DE 2019

Vetos à LDO evitam riscos fiscais e enrijecimento das despesas públicas, diz Colnago


O presidente Michel Temer sancionou nesta terça-feira a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2019 com 18 vetos para evitar riscos fiscais e o enrijecimento de despesas da União, eliminando do texto dispositivos que fixavam a redução de benefícios tributários e que obrigavam o próximo governo a alterar regras fiscais.
“De uma forma geral, os vetos são pedidos por inconstitucionalidade e interesse público”, afirmou o ministro do Planejamento, Esteves Colnago, durante entrevista coletiva no início da noite.
“Aquilo que trouxe um enrijecimento no Orçamento e risco mais forte para a recuperação fiscal procuramos vetar”, acrescentou.
Foi cortado da LDO um artigo que previa a correção do orçamento da educação pela inflação deste ano, pois isso “seria uma regra que tenderia a se perpetuar”, criando uma espécie de subteto ao chamado teto dos gastos, afirmou Colnago.
Para ler, na íntegra, a matéria da Agência Reuters de 14.08.18, clique aqui.

sábado, 22 de outubro de 2016

EDUCAÇÃO É O MANTRA


Formação Docente na UFMG: história e memória


Luciano Mendes de Faria Filho
João Valdir Alves de Souza
Nelma Marçal Lacerda Fonseca

Esta publicação é resultado do projeto integrado de pesquisa “Formação de Professores para a Educação Básica na Universidade Federal Minas Gerais: história, memória e modelos atuais”, financiando pela FAPEMIG e pelo CNPq. O objetivo central foi investigar o processo pelo qual a UFMG se constituiu como instituição formadora de professores para a educação bá­sica, bem como os modelos de formação debatidos, elaborados e operacionalizados pela instituição ao longo de sua história.
O vetor para a elaboração do projeto foi a inquietação acadêmica sobre as graves questões existentes no campo da educação básica brasileira, tomando como variável importante de investigação e intervenção aquela que toca diretamente à uni­versidade em sua relação com a escola básica: a formação inicial de professores. Há na atualidade o consenso de que tanto essa formação quanto o nível básico de ensino no Brasil estão muito aquém do desejado pelas famílias, do merecido pelos alunos e do necessário à consolidação do processo de desenvolvimento sustentável nos dias que correm, de modo a forjar o país que se quer democrático e responsável pela edu­cação de cidadãos preparados para atuarem no mundo moderno globalizado. Nesse sentido, o projeto que está na origem deste livro buscou compreender também os elementos que devem estar presentes na (re) organização dos cursos de licenciatura, responsáveis pela formação de professores na atualidade, condizentes com a necessi­dade de elevação da qualidade da escola pública no Brasil.
O projeto foi integrado por subprojetos delimitados em temas e marcos temporais significativos na trajetória da formação de professores na UFMG de modo a favorecer uma análise longitudinal dada a abrangência do tema. Proce­deu-se a uma ampla investigação desde os primórdios da Universidade de Minas Gerais (UMG/1927), com ênfase na criação da Faculdade de Filosofia de Minas Gerais, em Belo Horizonte (1939), sua incorporação à UMG (1948), até a fe­deralização desta em 1949. Outro marco temporal importante foi referente ao Curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia de Minas Gerais, seus currículos e programas, as sucessivas legislações que lhe ditaram novas estruturas. A Refor­ma Universitária de 1968, os movimentos sociais e políticos que a antecederam, sua implantação na UFMG no período da ditadura civil-militar, a extinção da Faculdade de Filosofia, a criação da Faculdade de Educação (FaE/UFMG) e sua nova estrutura foram amplamente pesquisados. O Curso de Pedagogia na FaE, a questão das licenciaturas e suas configurações modeladas pelas Leis de Diretri­zes e Bases da Educação Nacional (LDB) foram alvo de profundas análises dos processos históricos de formação docente.
O desenvolvimento do projeto teve como sede o Centro de Memória e Docu­mentação (CEDOC) da FaE/UFMG, que fez parte de um intenso movimento para transformá-lo no Centro de Pesquisa, Memória e Documentação em seu sentido pleno. Foram constituídas duas equipes formadas por historiadores da educação, professores da FaE e de outras Escolas da UFMG, graduandos e bolsistas em duas frentes de ação. Uma equipe se responsabilizou pela pesquisa a partir do extenso levantamento bibliográfico, busca em arquivos da UFMG e de outras instituições, seleção de documentos e realização de sessões de conversas gravadas em áudio com professores aposentados da UFMG, atuantes em períodos diversos da história da universidade. Outra equipe cuidou do acervo do CEDOC, sua reorganização com base nos preceitos da arquivologia, seu novo arranjo, tratamento e armaze­namento. Essa equipe realizou um magnífico trabalho, não apenas higienizando e reorganizando todos os fundos pessoais e coleções que constituem o acervo, mas também realizando várias exposições temáticas e seminários de discussão da espe­cificidade dos acervos acadêmico-científicos. Parte desse trabalho foi publicado no livro Universidade, memória e patrimônio, organizado pelos professores da UFMG, Andrea Moreno e Adalson Nascimento (Editora Mazza, 2015).
Importante registrar que a pesquisa significou uma tarefa de fôlego para a equipe por ser uma história institucional de grande monta, envolvendo volume enor­me de documentos, registros de fatos e eventos com informações muitas vezes con­troversas, o que promoveu entre nós uma instigante busca pelo entendimento do que veio sendo agregado durante esses 4 anos de trabalho. Nesse período, consolidamos a ideia da grande relevância histórica, acadêmica e político-pedagógica da UFMG que, em setembro de 2017, completará 90 anos, uma instituição não só testemunha da passagem de quase um século, mas protagonista nas profundas mudanças sociais e políticas ocorridas em Minas Gerais e no Brasil.

* Esse texto foi publicado como Introdução ao livro.
(Fonte: Pensar a Educação em Pauta)

terça-feira, 27 de setembro de 2016

MUDANÇAS NA EDUCAÇÃO...


Contra mudanças no Ensino Médio, estudantes realizam ato em São Paulo