quinta-feira, 20 de setembro de 2018

TRAGÉDIA DO ENSINO É FABRICADA POR GRUPOS DE INTERESSE


Inventar o fracasso escolar e culpar a escola para impor reformas

(Imagem: GERJ)

Semana passada comentamos em Editorial três tragédias que caíram sobre nós nos últimos dias, trazendo dolorosas perdas para o Brasil e o seu povo: a aprovação, pelo STF, da terceirização irrestrita de todas as etapas do processo produtivo, que produzirá precarização radical do mundo do trabalho; a decisão do Supremo Tribunal Eleitoral, de desacatar tratados internacionais assinados pelo Brasil para cassar direitos políticos de Luiz Inácio Lula da Silva; e a destruição do acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, um crime de lesa-pátria contra a memória e a história do Brasil, e da humanidade.
Havia uma quarta tragédia em curso naqueles mesmos dias, essa na Educação Pública. Uma falsa ‘tragédia’, aliás, fabricada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), vinculado ao Ministério da Educação: a invenção de um fracasso escolar na educação brasileira. A decisão de elevar a nota de corte dos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB/Prova Brasil), produziu uma avaliação artificial da educação pública, totalmente descolada da realidade.
Veja-se a opinião de um ex-presidente do INEP, José Francisco Soares, professor da UFMG e membro do Conselho Nacional de Educação, dos mais entendidos em avaliação escolar: “as escolhas de pontos de corte que definiram os níveis produziram uma mudança drástica no diagnóstico da realidade educacional brasileira. Experiências consideradas exemplares até 2015 se tornaram fracassos com a nova metodologia. Por exemplo, a cidade de Sobral, que era considerada exemplo nacional, passou a ter apenas 13,4% dos alunos com aprendizado adequado em língua portuguesa, ao invés de 79,8 % em 2015. Na realidade não ocorreu nenhum desastre educacional nos últimos dois anos, mas apenas a introdução de uma forma equivocada de sintetizar os dados da Prova Brasil.”
Sugerimos a leitura de seu texto a respeito, com críticas à metodologia empregada para se chegar aos resultados do SAEB 2017, que mostrariam o tal ‘fracasso’ da escola.
Em síntese, ele defende a necessidade de “usar evidências empíricas em relação aos resultados educacionais (acesso, permanência na escola e aprendizado, assim como indicadores das condições das escolas)”, o que “exige a criação de consensos baseados em análises compartilhadas dos dados”. Não se trata de desconsiderar que “o sistema educacional brasileiro tem sérios problemas no aprendizado de seus estudantes, assim como de condições”, mas ele pondera que “uma mudança abrupta de metodologia não ajuda no debate.”
Concordamos com ele que “o governo federal deveria usar a oportunidade para não só corrigir o diagnóstico apresentado como também para iniciar um processo público de definição dos níveis de referência oficiais para a análise dos dados de aprendizado obtidos pela Prova Brasil.”
A respeito, Luiz Carlos de Freitas, da Unicamp, reconhecido pesquisador em avaliação escolar, escreveu: “O órgão (INEP) se defende dizendo que foi um grupo de especialistas que definiu as novas regras. Mas, de fato, a credibilidade do órgão que já vinha sendo desafiada pelos seus dirigentes, 
acabou. Não se faz uma mudança dessa sem um amplo debate. De fato, as divulgações do INEP sobre esta rodada do SAEB estão marcadas por um claro desejo de promover o caos para justificar apoio às reformas do governo Temer.” Nenhuma novidade, portanto.
Também Andressa Pellanda, coordenadora de políticas educacionais da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, recomenda cautela ao considerar os resultados do SAEB, pois não estão sendo consideradas as desigualdades regionais nem as condições de trabalho dos profissionais de educação e das escolas: “A culpa desse resultado acaba injustamente recaindo sobre o estudante que realizou a prova e do professor que ensinou aquele aluno”, pondera, em entrevista ao Portal EPSJV/Fiocruz. E completa: “Nós entendemos que a aprendizagem dos alunos só pode ser avaliada considerando as condições de oferta da educação. Não se pode comparar um aluno que está em zona urbana estruturada, que recebe financiamento para suas escolas, com um aluno que está em área rural, onde o número de profissionais da educação é escasso e os recursos são menores. As condições de partida desses dois são totalmente diferentes.”
Há sempre que perguntar: esse fracasso escolar inventado, a quem pode interessar? Não cabe aqui a ingenuidade. Já sabemos bem a quem serve essa narrativa.
Desqualificar a Educação Pública, seus sujeitos e suas práticas, é projeto já de longa duração de certo pensamento brasileiro, retomado, atualizado e praticado pelo ilegítimo governo Temer. A estratégia é evidente: culpar a escola pelo fracasso e impor as reformas de ensino por ele pretendidas (especialmente a Base Nacional Comum Curricular e a Reforma do Ensino Médio), sem discussão, e que atendem aos interesses daqueles que fazem da educação um grande negócio.
O fracasso não é da escola pública, tampouco de seus sujeitos: ela e eles são vítimas de todo e qualquer governo que não faz da educação pública prioridade política absoluta porque crucial para o desenvolvimento do País. É esse o fracasso a ser combatido.
Felizmente, em registro bem distinto, uma outra tragédia para a Educação foi evitada essa semana, e sobre a qual comentamos recentemente aqui: o Supremo Tribunal Federal decidiu no dia 12 de setembro que é a Escola o lugar de formação acadêmica sistematizada da infância e da juventude, definindo que as famílias não têm direito de ensinar a seus filhos exclusivamente em casa, a chamada educação domiciliar (ou homeschooling). Os juízes, com a triste exceção de Luiz Roberto Barroso, afirmaram ser necessária e obrigatória a frequência de crianças e jovens à escola, lugar de experiência importante para o acesso ao conhecimento sistematizado em ambiente que promova a sociabilidade entre estudantes, e deles com outras gerações. A Constituição, segundo o STF, estabelece que o dever de educar exige cooperação entre Estado e família, mas não dá aos pais o direito de retirar seus filhos da escola para educá-las exclusivamente no espaço privado da casa. Saiu derrotado por 9×1 o Juiz Barroso, que tem se esmerado, por sinal, em obedecer ditames da grande mídia e do empresariado. Importa destacar e comemorar esse placar tão expressivo: a instituição escola restou fortalecida em sua responsabilidade social de formação das pessoas. É esse lugar que precisa ser cada vez mais reconhecido e afirmado, com investimentos públicos que garantam as melhores condições para a realização de boas práticas educativas.
Defender a escola pública do fracasso inventado por um governo fracassado. Afirmar a escola como lugar de formação pública cidadã. Estão aí dois compromissos políticos inarredáveis. Para enfrentar fabricantes de tragédias.
(Fonte: Pensar a Educação em Pauta)

sábado, 15 de setembro de 2018

ANTÔNIO DAS MORTES NO CINEMA FALADO



Glauber radicaliza seu cinema alegórico em 
"O Dragão da maldade contra o Santo Guerreiro"

Como se fosse uma continuação de "Deus e o Diabo na Terra do Sol", o matador de cangaceiros Antônio das Mortes é contratado para mais uma empreitada pelas elites políticas e econômicas da época de Lampião, mas se converte quando entende que é o povo oprimido que se rebela através do último cangaceiro.
Narrado como um cordel e uma ópera, o filme aprofunda o modo de narrar alegórico do cineasta ao abordar episódios da história do Brasil e, em seguida, do Terceiro Mundo, como se verificou em filmes como "O Leão de Sete Cabeças", filmado na África, "Cabeças Cortadas", feito na Espanha,  e sobretudo "A Idade da Terra".
"O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro", filme de 1969 de Glauber Rocha, com Maurício do Valle, Odete Lara, Othon Bastos e Jofre Soares, é o programa do Cinema Falado, com Geraldo Veloso e convidados, da próxima terça-feira, 18 de setembro,  às 19h30, no MIS Cine Santa Tereza (praça Duque de Caxias, bairro Santa Tereza).


HADDAD E CIRO EMPATADOS


Segundo pesquisa Datafolha, divulgada no último dia 14, teremos Ciro e/ou Haddad contra Bolsonaro no segundo turno


(Foto: poder360.com.br)

SÃO PAULO (Reuters) - O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, segue na liderança da disputa pelo Palácio do Planalto, agora com 26 por cento, apontou pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, que também trouxe o candidato do PT, Fernando Haddad, empatado na segunda posição com 13 por cento.
O levantamento do instituto divulgado na segunda-feira mostrou o candidato do PSL com 24 por cento da preferência do eleitorado.
O candidato do PDT, Ciro Gomes, aparece logo atrás de Bolsonaro, com 13 por cento, mesmo patamar da sondagem de segunda-feira, e empatado com Haddad, que também soma 13 por cento, ante 9 por cento na pesquisa de segunda-feira.
Geraldo Alckmin (PSDB) aparece com 9 por cento, contra 10 por cento na pesquisa anterior, e Marina Silva (Rede) tem 8 por cento, ante 11 por cento.
Assim, Alckmin está tecnicamente empatado com Ciro e Haddad, no limite da margem de erro, que é de 2 pontos percentuais, e Marina tem empate técnico com o tucano.
Haddad foi anunciado na terça-feira como substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa.
Alvaro Dias (Podemos) tem 3 por cento, contra 4 por cento na pesquisa de segunda-feira, enquanto Henrique Meirelles (MDB) e João Amoêdo (Novo) mantiveram os 3 por cento que tinham na pesquisa anterior.
O Datafolha apontou que 13 por cento dos entrevistados declararam voto branco ou nulo e 6 por cento não souberam responder.
De acordo com a pesquisa, Bolsonaro segue como candidato mais rejeitado pelo eleitorado, com 44 por cento de rejeição, ante 43 por cento na pesquisa anterior.
Marina é a segunda mais rejeitada, com 30 por cento, ante 29 por cento, seguida de Haddad, que tem 26 por cento de rejeição, contra 22 por cento na pesquisa de segunda-feira. Alckmin é rejeitado por 25 por cento, contra 24 por cento na sondagem anterior, e Ciro tem 21 por cento de rejeição, contra 20 por cento.
Para continuar lendo a matéria de Eduardo Simões para agência Reuters Brasil, clique aqui.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

SOCORRO! FOGO!!!




Nota do Pensar a Educação, Pensar o Brasil sobre o incêndio 
no Museu Nacional


O Projeto Pensar a Educação, Pensar o Brasil (1822/2022), em sintonia e solidariedade com toda a comunidade científica brasileira, lamenta profundamente a tragédia anunciada ocorrida na noite de 02 de setembro de 2018, que levou à destruição do monumental acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, patrimônio histórico do povo brasileiro, construído e organizado por gerações e gerações de pessoas que a ele dedicaram suas vidas, desde sua criação há 200 anos, em 1818.
Perda irreparável para o Brasil, e para o mundo. Mais um crime de lesa-pátria contra a ciência e a educação brasileiras.
Muito da riqueza de nossa história até aqui, e também de nosso futuro como País, se foram no fogo. Fogo ateado pela incúria e pelo descaso do governo federal com as Universidades públicas e seu patrimônio científico e cultural.
Em um País que se encontra em processos de auto-destruição permanente, esse é mais um ato criminoso, que se segue a outros tantos cometidos contra a população e seus direitos.


É já um resultado perverso – e previsto – do congelamento imposto por esse governo ilegítimo a investimentos em áreas fundamentais para o desenvolvimento do País, como são a educação, a cultura, a ciência, a pesquisa e a tecnologia. Por inacreditáveis 20 anos! O que mais sucederá conosco até lá, se essa política de ‘austeridade’ continuar? 200 anos de trabalhos destruídos em quatro horas. As consequências são tantas e tão dolorosas, que se tornam mesmo indizíveis.
Como Projeto que se ocupa da história, do presente e do futuro do país, o PEPB considera essa tragédia um ato criminoso. Já eram do conhecimento do governo federal todas as precárias condições em que se encontrava o Museu Nacional. Sua destruição poderia ter sido evitada. Mas não se importaram com os inúmeros gritos de socorro vindos do Museu. Sequer compareceram às celebrações de seus 200 anos, em junho passado.
O Museu Nacional é da UFRJ. Como todas as universidades federais, ela também teve seu orçamento reduzido nos últimos anos. A verba para o Museu vem caindo desde 2013, chegando a um valor irrisório para este ano. Até “vaquinha” pública estava sendo feita para a população ajudar em sua manutenção. Vergonha nacional.
Agora, cabe perguntar: quantos museus mais precisarão ir à ruína para que se valorize a preservação de nosso passado, condição para a construção de nosso futuro?
A luta pela memória e pela história de nosso povo sofreu um grande golpe, ontem.
Mas, é tempo de reunir forças para seguir adiante, e colocar novamente o Museu Nacional de pé.
Essa luta para trazê-lo de volta é a maior homenagem que podemos prestar àqueles e àquelas que o fizeram ser a maior entidade científica do País.

Pensar a Educação, Pensar o Brasil
Belo Horizonte, 03 de setembro de 2018

(Fonte: Boletim Pensar a Educação em Pauta, Ano 6, Nº 212, 6 de setembro de 2018)

FUTEBOL, POLÍTICA E RELIGIÃO NÃO SE DISCUTE (???)


Se somos sujeitos históricos, conscientes de nosso lugar social, 
essa não é hora de nos calarmos

A alienação que o dito popular "futebol, política e religião não se discute" produz ao longo do tempo é inenarrável. Misturaram esporte competitivo com credo, fé - coisa do transcendente, com o imanente, atividade que em última instância define nossas vidas, em vários aspectos, com o estúpido propósito de nos deixar na escuridão da ignorância. Em tempos de polarização política e ideológica, reproduzo aqui o texto abaixo, que circula nas redes sociais e é atribuído a Luís Fernando Veríssimo.

Não acabo amizade por causa de política


Luís Fernando Veríssimo


Não acabo amizade por causa de política.

Se você concorda que os portugueses não pisaram na África e que os próprios negros enviaram seus irmãos para nos servir, acabo a amizade pelo desconhecimento da História.

Se você concorda que de 170 projetos, apenas 2 aprovados, é o mesmo que 500, acabo a amizade por causa da Matemática.

Se você concorda que o alto índice de mortalidade infantil tem a ver com o número de nascimentos prematuros, acabo a amizade por causa da Ciência.

Se você concorda que é só ter carta branca para que a PM e a Civil matem quem julgarem merecer, acabo a amizade por causa do Direito.

Se você concorda que não há evidências de uso indevido do dinheiro público, mas acha que é mito quem usa apartamento funcional "pra comer gente", acabo a amizade pela Moral.

Se você concorda que Carlos Brilhante Ustra não foi torturador e que merece ter suas práticas exaltadas, acabo a amizade por falta de Caráter.

Se você concorda que o Bolsonaro participou, aos 16 anos, da perseguição ao Lamarca, acabo a amizade por falta de Verossimilhança.

Se você concorda que não temos dívida social com um povo que foi arrancado do seu mundo pra servir a outro e que diferenças de tratamento étnico-racial é historinha, acabo a amizade por Racismo.

Se você concorda que as mulheres devem ganhar menos por gerar vidas e que são frutos de fraquejadas, merecendo serem estupradas ou não, de acordo com a sua aparência, acabo a amizade por Misoginia.

Se você concorda que não há possibilidade das pessoas viverem sua sexualidade livremente, com direitos e deveres como qualquer cidadão ou cidadã, mas que devam apanhar para aprender o que é certo, acabo a amizade por Homofobia.

Como vocês podem ver, não acabo a amizade por causa de política.

Acabo pela ignorância, truculência e pelo desrespeito que acompanha quem diz que não se acaba amizade por causa de política.

O fascismo não se discute, se combate.

(Fonte: Divulgado nas Redes Sociais)

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

CANTORA CHILENA EM MATEUS LEME


Cecília Concha-Laborde 
na Casa de Cultura Cássia Afonso Almeida



A cantora e instrumentista chilena Cecília Concha-Laborde é mais uma atração internacional do Circuito de Música Dércio Marques, o Dandô, que chega neste mês na Casa de Cássia, em Mateus Leme. Ela se apresenta neste sábado, 8 de setembro,  a partir das 17 horas. O Dandô acontece em várias cidades do Brasil, por onde passam artistas de diversas regiões da América Latina, sendo recebidos por artistas locais. Cecília Concha-Laborde será recebida pelo músico mateus-lemense D'Fernandes.
A contribuição mínima custa R$ 10,00 e a Casa de Cássia fica na rua Meyer, 105, bairro Vila Suzana, telefones: (31) 3535-1721 e 99622-1090.

PROGRAMAÇÃO DE SETEMBRO DO CURTA DEGUSTAÇÃO


Cinema na hora de almoço

Às terças-feiras, antes ou depois do almoço, meia hora de filmes de curta-metragem para sua recreação e reflexão. Antigos e modernos, brasileiros e estrangeiros, de ficção, documentários, de animação e experimentais.

11/9/2018 - 13h
Dos Amores que o Vento Levou
Ni Resende. Brasil, 2014, documentário, cor, 19 min.
Três mulheres contam suas histórias de amor e como a vida mudou após a
partida de seus companheiros.
Deus
André Miranda, com Andrade Júnior. Brasil, 2011, ficção, cor, 12 min.
Um frango precisou morrer para entender o sentido da vida.

18/9/2018 - 13h
Praça Walt Disney
Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira. Brasil, 2011, documentário, cor, 22 min.
O cotidiano de uma praça localizada no bairro de Boa Viagem, no Recife.
Dois Pássaros (Two Birds)
Fábio Andrade, com Lucy Kaminsky e Alexandra Viter Arturo.
Brasil/Índia/EUA, 2016, ficção, cor, 8 min.
Após anos sem se verem, duas ex-colegas de quarto passam um dia do inverno
num apartamento em Nova York, que é invadido pelo passado, pelo presente e
pelo mundo exterior.

25/9/2018 - 13h
Pouco Mais de um Mês
André Novais e Arnore Oliveira, com André Novais Oliveira e Elida Silpe.
Brasil, 2013, ficção/documentário, cor, 24 min.
André e Élida namoram há pouco tempo na vida real. Aos poucos, fica
evidente o estranhamento ainda presente na relação dos dois e as
inseguranças e receios típicos do início de um relacionamento.
Le Déserteur (O desertor)
Olivier Coulon, Aude Dauset, Paolo De Lucia, Ludovic Savonnière. França,
2001, anim., cor, 8 min.
Um homem se nega a participar da guerra e prepara seu canário para lhe
trazer as notícias do mundo exterior.

O Curta Degustação é um projeto do Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais e do Instituto Humberto Mauro, com apoio do jornal O Tempo, rádio Super, e Contorno Áudio & Vídeo. As sessões de cinema acontecem na Avenida Augusto de Lima, 270 - Centro - Belo Horizonte e a Classificação indicativa é de 14 anos.
Maiores informações pelos telefones:  (31)3237-3497/ (31)99247-6574 / (31)98432-0924 ou pelos e-mails:  cecmg1951@gmail.com e institutohumbertomauro@gmail.com.

sábado, 1 de setembro de 2018

TODO O MUNDO CIVILIZADO COMENTA PERSEGUIÇÃO A LULA


Jornalista Douglas Herbert analisa 
perseguição a Lula: 
"Há uma parte enraizada que quer 
impedi-lo de concorrer"

O comentarista de Relações Internacionais, Douglas Herbert, analisou a perseguição política que Luís Inácio Lula da Silva vem sofrendo no Brasil no Canal France 24. Confira o comentário do jornalista no vídeo abaixo:




terça-feira, 28 de agosto de 2018

INVASÃO E MORTE EM TERRAS INDÍGENAS


Morte de cacique no Maranhão é novo capítulo de invasões na região, segundo indígenas

Foto: APIB Comunicação

Um toque de recolher à noite ao qual apenas índios que vivem no entorno da cidade de Arame, no Maranhão, precisam respeitar. Uma terra indígena cuja área tem quase três vezes o tamanho do município de São Paulo. Madeireiros querendo desmatar parte dos 413.000 hectares desse território protegido. E caçadores em motocicletas agindo nesse espaço onde a caça para fins comerciais é proibida. Nesse caldeirão em intensa ebulição, a morte do cacique Jorge Guajajara, que era um dos líderes no combate a esses invasores chama a atenção.
As primeiras investigações, da Polícia Civil, apontaram que Jorginho, como era conhecido, de 56 anos, líder da aldeia Cocalinho I, na Terra Indígena Araribóia, morreu afogado no Rio Zutiwa acidentalmente. Seu corpo foi encontrado no dia 11 ao lado de uma ponte que divide os municípios de Buriticupu e Arame. Quem o conhecia, contudo, não acredita na versão da polícia do Estado, e diz que ele foi assassinado por “não-indígenas”, que estão prontos para “caçarem” os índios. “O Jorginho estava perambulando à noite em um horário em que não podemos andar. Ele saiu para tomar cachaça. Deu bobeira e acabou morto igual a um tatu. Foi caçado”, disse ao EL PAÍS outra liderança local, Vitorino Guajajara. Ambos levam o sobrenome de uma das duas etnias que vivem na terra, a outra é a Awá Guajá. 
Para continuar lendo a matéria de Afonso Benites para o El país, clique aqui.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

PSIU! SE LIGUE NA POÉTICA E NA POLÍTICA


Inscrições para o 32º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético encerram dia 25 de agosto 


O Salão Nacional de Poesia Psiu Poético é um evento de arte contemporânea, que tem na literatura e na arte poética o pilar central das ações de democratização cultural, além de elementos de outras expressões artísticas, como a música, o cinema e artes plásticas. 
O Psiu Poético é realizado há 31 anos de forma ininterrupta. Ao londo deste tempo, um dos idealizadores do evento, o poeta João Aroldo Pereira, torno-se referência nacional no fomento e na valorização da literatura brasileira. 

Aroldo Pereira

Nas mais de três décadas, o salão faz parte do calendário cultural de Montes Claros e região Norte de Minas Gerais. Influenciou gerações, firmando-se como um projeto de resistência cultural, responsável diretamente pela formação de diversos escritores, poetas e artistas. 
Pessoas como Gilberto Gil, Arnaldo Antunes, Adélia Prado, Thiago de Mello, Jorge Mautner, entre outras de renome, já participaram de edições anteriores do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético. Na 32ª edição, o Psiu Poético continua a integração cultural, na poesia a principal referência, juntando elementos e outras expressões artísticas, como a música, o cinema e as artes plásticas. 
O Salão Nacional de Poesia Psiu Poético encontrou em Montes Claros, cidade pólo da região Norte de Minas Gerais, um terreno fértil. A cidade conta com a Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), o Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez, a Academia Montes-Clarense de Letras, o Centro de Educação e Cultura Hermes de Paula, o Grupo de Literatura e Teatro Transa Poética (a partir do qual nasceu o projeto do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético), a Associação dos Repentistas e Poetas Populares do Norte-de-Minas, o Grupo de Seresta João Chaves e o Grupo Internacional de Folclore Banzé. 
Montes Claros é terra de grandes expressões culturais, essenciais na história intelectual e artística do país, como Beto Guedes, Cyro dos Anjos, Darcy Ribeiro, o crítico literário João Luiz Lafetá, os artistas plásticos Konstantin Christoff e Raimundo Colares, entre outros importantes nomes no cinema, na música e na poesia. 
Nesta edição o Psiu homenageia os poetas Bruno Candéas, Gabriela Nunes, Míria Mendes de Souza, Patrícia Porto, Rita Santana e Sóter.
O Psiu Poético estimula e incentiva a leitura, reforça o diálogo da literatura com as outras artes, além de ser um importante espaço de democratização cultural e formação de público. Faça sua inscrição até 25 de agosto e participe do 32º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético Mákina, de 04 a 12 de outubro de 2018. Conheça o regulamento.

CONFERÊNCIA DISCUTE CONCEITOS DE EDUCOMUNICAÇÃO


Educomunicação e transmediação 

como práticas de comunicação



"Educomunicação, transleitura e processos de mediação" é o tema da 5° conferência do XII Seminário Anual do Pensar a Educação Pensar o Brasil: Mídias, Educação e Espaço Público.
Na próxima quinta-feira, dia 30, o professor Maurício Guilherme da Uni-BH vai  apresentar e debater conceitos pontuais de educomunicação na mídia, nos espaços de ensino e nas instâncias de relações sociais. A conferência também tem o objetivo de problematizar as (trans)mediações possíveis a partir do investimento em mecanismos dialógicos de partilhamento de informações e saberes.
Maurício Guilherme da Silva Júnior, é graduado em Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade Federal de Minas Gerais, mestre e doutor em Estudos Literários e pós-doutor pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação Social também pela UFMG. É professor dos cursos de Jornalismo e Moda no Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), e de Jornalismo e Publicidade no Centro Universitário da Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte.
A conferência será no dia 30 de agosto, às 19 horas no Auditório Neidson Rodrigues da Faculdade de Educação da UFMG - Campus Pampulha, na avenida Antônio Carlos, 6627 e terá transmissão ao vivo pelo canal do Projeto Pensar a Educação Pensar o Brasil no YouTube.

sábado, 18 de agosto de 2018

POEMA INACABADO, DE EUGÊNIO EM ANTOLOGIA POÉTICA


Antologia Poética Lula Livre


Foi lançado na última segunda-feira, 13 de agosto, nas redes sociais, a Antologia Poética Lula Livre, volume 1. Participam da antologia poetas do Brasil inteiro, dentre eles o editor deste blog, Eugênio Magno, com Poema inacabado (pág. 33).
Dentro do espírito do Festival Lula Livre, os Organizadores da Antologia Poética Lula Livre, Aluízio Mathias, Aroldo Pereira, Carla Alves e José Soter se articularam para reunir vários poetas de todas as Regiões do Brasil, todos e todas irmanados para celebrar um ato de homenagem e resistência pela liberdade do cidadão Luiz Inácio Lula da Silva, preso injustamente por um julgamento político. Essa Antologia Poética passa a ser a voz artística cultural de uma Poesia que quer Luta, Democracia e Libertação. Os poetas e as poetas aqui presentes vem somar ao coro do todos e todas aqueles que estão nas ruas, nas praças, nas casas, nos locais de trabalho e em todas redes sociais defendendo que a Arte, A Cultura e em especial a Poesia, pode ser sim, um motor construtivo de mudanças. E que esse novo tempo possa trazer signos, fonemas e ideias na construção da Liberdade e de uma nova Cidadania. 
A proposta do projeto, segundo Márcio Tavares Historiador e curador, Secretário Nacional de Cultura do Partido dos Trabalhadores-PT, é de resistência pela poesia.
Desde o golpe de 2016, a comunidade artística e cultural assumiu a vanguarda da resistência aos retrocessos impostos pela quebra democrática e o Estado de Exceção vigente.
Todos sabemos que a prisão de Lula, sem crime e sem provas, é mais uma etapa da destruição do processo da criminalização da esquerda, dos movimentos sociais e seus líderes com o objetivo de fazer perpetuar um governo oligárquico de ricos para ricos.
A liberdade de Lula e a garantia de seu direito de ser candidato e vencer as eleições é o núcleo central da luta pela redemocratização do país.
Os artistas e agentes culturais tem sido responsáveis por algumas das mais significativas mobilizações em favor da causa da libertação imediata do presidente Lula. O Festival Lula Livre foi o culminar desse processo de conscientização política pela arte e pela cultura.
Nesse processo de mobilização e resistência pela arte essa Antologia Poética Lula Livre é mais uma manifestação de indignação contra a injustiça cometida com Lula. Poetas do Brasil inteiro produziram poesias que dedicam a Lula Livre já. Trata-se de mais um tijolo no muro do compromisso histórico dos artistas com a democracia e a liberdade no Brasil. Ações como essa nos demonstram o golpe pode ser vencido mais cedo do que esperamos. E parafraseando o poeta, renitentes ou distraídos venceremos, completa tavares.
O livro é digital e sua distribuição é gratuita, bastando apenas clicar aqui para baixar o E-book.

O HOMEM ROXO


Retrato do artista Fernando Fiúza, 
o homem que "nasceu para morrer"



Desde que nasceu, o artista plástico Fernando Fiúza estava condenado a morrer cedo por causa de uma cardiopatia crônica. No entanto, ele driblou a morte ao longo de quase 60 anos, deixando um enorme legado artístico como desenhista, ilustrador e fotógrafo, e uma legião de amigos capturados pela sua alegria de viver. 
"O Homem Roxo", filme de 2010 do chargista Duke e do cineasta Carlos Canela, com Fernando Fiúza e seus amigos, é o programa do Cinema Falado, com Geraldo Veloso e convidados, da próxima terça-feira, 21 de agosto, às 19h30, no MIS Cine Santa Tereza (praça Duque de Caxias, bairro Santa Tereza).
Essa é uma excelente oportunidade para um encontro com críticos e cineastas para ver este filme e conversar sobre cinema, poesia, política e outros assuntos da cultura brasileira.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

GOVERNO VETA 18 DISPOSITIVOS DA LDO DE 2019

Vetos à LDO evitam riscos fiscais e enrijecimento das despesas públicas, diz Colnago


O presidente Michel Temer sancionou nesta terça-feira a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2019 com 18 vetos para evitar riscos fiscais e o enrijecimento de despesas da União, eliminando do texto dispositivos que fixavam a redução de benefícios tributários e que obrigavam o próximo governo a alterar regras fiscais.
“De uma forma geral, os vetos são pedidos por inconstitucionalidade e interesse público”, afirmou o ministro do Planejamento, Esteves Colnago, durante entrevista coletiva no início da noite.
“Aquilo que trouxe um enrijecimento no Orçamento e risco mais forte para a recuperação fiscal procuramos vetar”, acrescentou.
Foi cortado da LDO um artigo que previa a correção do orçamento da educação pela inflação deste ano, pois isso “seria uma regra que tenderia a se perpetuar”, criando uma espécie de subteto ao chamado teto dos gastos, afirmou Colnago.
Para ler, na íntegra, a matéria da Agência Reuters de 14.08.18, clique aqui.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

AQUECIMENTO GLOBAL É PRA LÁ DE SÉRIO


O que é o fenômeno 'Terra estufa' e por que estamos caminhando para ele, segundo novo estudo


Foto: Getty Images

Pode parecer o nome de um filme B de ficção científica, mas cientistas diz que estamos perto de viver na "Terra Estufa".
Pesquisadores dizem que podemos estar próximos a entrar num patamar que nos levará a viver em meio a temperaturas cada vez mais altas e com um nível do mar cada vez mais elevado nos próximos séculos.
Mesmo que os países consigam atingir suas metas de redução de emissão de carbono, ainda assim podemos estar em um "caminho sem volta".
Para ler na íntegra da matéria de Matt McGrath para a BBC News, clique aqui.

ELEIÇÕES 2018: ENTRE O DESEJO E AS INCERTEZAS


A política tem dinâmica veloz e no atual período em que vivemos também se reveste de uma absurda imprevisibilidade. Quero dizer com isto que muita água ainda vai passar debaixo da ponte entre o instante em que escrevo este texto e as eleições.
Dia 5 foi o último dia para que os partidos fizessem suas convenções e definissem candidaturas, chapas e alianças, e 15 de agosto é o prazo máximo para que o registro de candidatos e coligações seja apresentado à Justiça Eleitoral. Existe ainda a possibilidade de que o STF venha a julgar nos próximos dias o novo pedido da defesa de Lula para que ele seja solto e possa disputar as eleições de outubro.
Para continuar lendo este meu artigo para o site do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara, clique aqui: http://www.cefep.org.br/eleicoes-2018-entre-o-desejo-e-as-incertezas-por-eugenio-magno/.


sexta-feira, 3 de agosto de 2018

BRASIL MOSTRA SUA CARA


Quase 200 mil bolsistas da Capes podem ficar sem bolsa

O presidente Michel Temer tem até o dia 14 de agosto para sancionar o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA).
Na noite de 2 de agosto o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, anunciou que pretende cortar, em cerca de 11%, o orçamento do MEC com despesas não obrigatórias, entre as quais estão incluídas as bolsas de estudo e pesquisa.
Para ler mais sobre mais essa aberração do governo Temer, clique aqui.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

FAKE NEWS: O QUÊ? QUEM? QUANDO? ONDE? COMO? POR QUE?


Eugênio Magno

O que há por trás do interesse dos grandes grupos midiáticos em combater as chamadas



A expressão fake news, que quer dizer notícia falsa e chega aos nossos olhos e ouvidos em idioma inglês, com ares de novidade, não tem absolutamente nada de novo. A mentira, a notícia falsa, o boato, o mexerico, a fofoca, a maledicência, a intriga, o sensacionalismo, o showrnalismo, a espetacularização dos fatos, a fabricação e a desconstrução de mitos, a propaganda enganosa, a publicidade travestida de notícia, o informe publicitário e o testemunhal – que confundem o leitor, o ouvinte e o telespectador –, são tão velhos quanto a vida no planeta.
No que diz respeito ao uso do smartphone, não podemos nos esquecer das reflexões teóricas de Marshall McLuhan, ao tratar dos meios de comunicação como extensões do homem. É preciso ter em mente que a fofoca de pé de orelha vem sendo amplificada ao longo do tempo, viralizou e ... globalizou. Os dispositivos digitais móveis permitem registros factuais e testemunhos críveis por demais, para os tempos em que vivemos. O cidadão comum se apropriou da tecnologia e saiu da condição de mero receptor de versões editadas dos fatos, ao bel-prazer da grande mídia, para o contracampo de emissor de informações. E quando lhe convém, a mídia também se utiliza desses registros, mas faz uma apropriação indevida dessa versão dos fatos, torna-se dona da voz, silenciando e invisibilizando a voz do dono.
Então, por que criminalizar as redes sociais, as mídias digitais, especialmente num momento em que excelentes jornalistas, formados ou não, estão realizando o ideal do bom jornalismo, justamente nos espaços alternativos?
Longe das censuras ideológicas e econômicas, aboletadas nas hierarquias dos veículos de comunicação de massa respira-se informação democrática, a despeito da enxurrada de fakes, trotes, piadas, pegadinhas, pirataria, mentiras e impropérios, tão comuns na rede. Tudo isso, sem nenhum tipo de controle. Diferentemente do que acontece na mídia tradicional, onde existe excesso de controle: da linha editorial (que é a menos nociva), mas, fundamentalmente, o controle da hierarquia, dos acionistas do grupo, dos anunciantes, da ideologia, do governo de plantão e de interesses geoeconômicos.
  

O tema necessita ser enfrentado com a seriedade e a abrangência que exige. As falsas notícias que destroem reputações de pessoas físicas e jurídicas, promovem o trucidamento público de carreiras, ferem os direitos humanos e sociais, estigmatizam países e marginalizam povos, etnias, raças, gêneros, classes sociais, categorias profissionais e comunidades carentes, devem ser combatidas, em todos os espaços midiáticos em que ocorram.


Entretanto, está em curso no país uma grande onda de criminalização das chamadas fake news, com um forte acento e atenção para o que ocorre nas mídias sociais e no ciberespaço. Isto, em detrimento dos abusos, tanto do excesso da manipulação de informações e entretenimentos típicos de entorpecimento, quanto da subtração de informações relevantes e programas que valorizem a cultura e os movimentos identitários de nosso povo.
Horas atrás, atendendo ao chamado de uma emissora de rádio, com cobertura nacional, especializada em notícias, que solicitava a participação dos ouvintes para opinar pelo Whatsapp sobre o uso do smartphone, numa clara intenção de desqualificar o dispositivo, a julgar pelas mensagens que os âncoras selecionavam e colocavam no ar, quis contrapor aquela situação e levar um pouco mais de bom senso, luzes, reflexão crítica e aprofundamento ao debate. Gravei uma mensagem de áudio e enviei à emissora. No meu áudio me identificava, como solicitado pela rádio, como jornalista, radialista, doutor em educação e dizia sucintamente, em tom cordial, mas de forma clara e contundente que a questão mereceria uma análise mais profunda, até porque os celulares e os smartphones têm cumprido um papel social muito importante, até mesmo do ponto de vista da informação. 
No momento em que me mobilizava para participar do programa, percebi que uma autoridade do judiciário falava sobre fake news, dizendo que "[...] se alguém suspeitar de uma fake news, especialmente nas redes sociais – que é onde elas mais acontecem – ligue, denuncie o fato a um grande veículo de comunicação, de credibilidade, como essa emissora, por exemplo, para que o autor de tal ato possa ser identificado e punido". 
Diante da declaração seletiva e absurda que ouvi, acrescentei ao meu áudio um breve complemento sobre fake news, dizendo que as fake news têm sido atribuídas de uma maneira muito generalizada às mídias sociais e à internet, quando na verdade elas ocorrem também nos veículos tradicionais: jornais, rádios e televisões. E que o impacto e os danos causados por uma fake news na grande imprensa era muito maior do que aqueles provocados pela divulgação de notícias falsas e boatos nos meios eletrônicos. Disse ainda que o tema não podia ser tratado com superficialidade, como vem sendo conduzido. E, finalizei com uma pequena mensagem de texto me colocando à disposição para uma conversa mais longa, com o objetivo de aprofundar a discussão ou até de conceder uma entrevista, caso eles tivessem a real intenção de democratizarem esse debate.
Poucos minutos depois, o Whatsapp indicava que as mensagens de áudio e de texto haviam sido ouvidas e lidas e, até o momento em que redijo este texto, quase 40 horas depois de enviar as mensagens, não obtive nenhum retorno por parte da emissora de rádio, como previ.
A hipocrisia e o sarcasmo com que o tema vem sendo tratado são escandalosos.
Quem encabeça grande parte das discussões e propõe regulação para o combate as fake news, dessa forma torta que estão fazendo, são órgãos representantes da grande mídia, políticos conservadores, envolvidos em escândalos e setores do judiciário que parecem desconhecer total e completamente de que forma acontece o fenômeno da comunicação e como se dão os processos comunicacionais na mídia.
Para que a discussão prospere, em profundidade, e uma possível regulamentação sobre as fake news ocorra, será necessário muito mais do que uma canetada, o lobby da mídia hegemônica ou a persuasão, por meio da massificação de um pacote pronto e acabado, produzido pela corrente ideológica da mordaça. 
A realidade é difusa. Os fatos, os acontecimentos, ocorrem a todo instante. Evoluem, desdobram-se e repercutem numa velocidade assombrosa. Produzem efeitos tão ou mais significativos que os eventos e causas que os geraram, e as narrativas midiáticas ou testemunhais reproduzem os fatos a partir do seu ponto de vista que é: a vista de um ponto, ou seja, sempre será a versão de um fato, contaminada pela cultura, ideologia, modos de ver e de dizer do emissor da vez.
Uma comissão que venha a tratar desse tema deve ter sim representantes do mundo político, da grande imprensa, das grandes plataformas digitais e do judiciário. Mas não pode prescindir dos leitores, dos ouvintes, dos telespectadores, dos jornalistas, dos comunicólogos, dos educadores, das universidades, de instituições como a ABI e a OAB, dentre outras, dos internautas e dos ativistas das mídias alternativas.


O que acontece no atual momento histórico é que grande parte dos veículos de comunicação tradicionais: jornais, rádios e televisões que há muito deixaram de funcionar como mediadores de interesses e conflitos na sociedade, dando voz e vez à população, aos cidadãos e às organizações e aos poderes instituídos, de forma igualitária, perderam terreno para as mídias sociais e querem ganhar a parada no tapetão. A maioria dos grupos de mídia não está mais a serviço dos interesses coletivos e sociais. Os conglomerados de mídia atuam cada vez mais na defesa dos grandes grupos econômicos e empresariais que, por sua vez ditam comportamentos a políticos e governos, influenciando políticas comerciais e econômicas de nações e blocos regionais.
A grande mídia poderá vir a tomar o seu próprio veneno, ao surfar na onda da devastação dos direitos democráticos. A liberdade de imprensa corre sérios riscos de se tornar refém do “invisível”.
(Ilustrações: imagens do Google)

sexta-feira, 20 de julho de 2018

CORRIDA PRESIDENCIAL


Eugênio Magno

Ciro oficializa candidatura sem alianças


O candidato do PDT, Ciro Gomes, mesmo sem celebrar alianças, oficializa hoje, 20 de julho de 2018, sua candidatura ao Palácio do Planalto.
Essa é a terceira campanha presidencial de Ciro Gomes e, desta vez suas chances são grandes. Na hipótese de Lula não se candidatar, o que é quase certo, Ciro, muito provavelmente poderá ser o candidato que venha a representar as esquerdas. Mas para isso necessita ter mais foco e não abrir demais as possibilidades de alianças, como tem sinalizado, em direção ao chamado centrão e até mesmo à direita. 
Existem mais dois desafios para o candidato Ciro Gomes: conter o estilo excessivamente verborrágico e se cuidar para que não sofra isolamento político, em razão das críticas contumazes tanto à esquerda quanto à direita. 

segunda-feira, 16 de julho de 2018

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE...


Copa do Mundo de 2018



A RÉ, PÚBLICA, DAS INSTITUIÇÕES BRASILEIRAS


Gilson Dipp: “O imbróglio sobre Lula incita os cidadãos a um total descrédito com a Justiça”

O advogado Gilson Dipp atua no Direito há quase meio século. Aos 73 anos de idade, depois de ser advogado no Rio Grande do Sul, desembargador no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, ministro do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral, membro do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho da Justiça Federal, além de corregedor-geral de Justiça, ele se diz espantado com as últimas decisões envolvendo o caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado a 12 anos e 1 mês pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. A estranheza se deve, tanto pelas seis decisões judiciais que ora soltavam ora prendiam o petista, como pelas reações vindas do STJ e da Procuradoria-Geral da República.
Depois do imbróglio do domingo passado (8 de julho), 145 habeas corpus foram impetrados no STJ. Ao negar um deles, a presidente da Corte, Laurita Vaz, criticou apenas um dos quatro magistrados envolvidos na peleja judicial de Porto Alegre (sede do TRF-4). Vaz foi além. Elogiou o juiz Sérgio Moro, o responsável pela Operação Lava Jato que descumpriu a ordem de um desembargador, que está hierarquicamente acima dele no sistema judicial. Já a PGR, sob o comando de Raquel Dodge, decidiu que apenas o desembargador Rogério Favreto deveria ser punido pelos erros cometidos em suas decisões que soltaram Lula, mas não considerou como problemas a conduta de Moro e de outros dois magistrados que se manifestaram no processo quando, de acordo com alguns especialistas, também não lhes cabia manifestação.
Para ler a íntegra da entrevista de Gilson Dipp, concedida a Afonso Benite para o El país / Brasil, clique aqui.


terça-feira, 10 de julho de 2018

AS REFORMAS ABSURDAS DO TEMER

Pela revogação da Reforma do Ensino Médio!

Foto: Pedro Cabral

“A Lei nº 13.415 do ‘novo ensino médio’, nascida de medida provisória de Michel Temer, é excludente, reducionista e pode acentuar as graves desigualdades educacionais brasileiras. Isso fica mais claro na proposta de Base Nacional Comum Curricular (BNCC) recém apresentada pelo MEC ao Conselho Nacional de Educação. Essa Lei precisa ser revogada, a atual BNCC do ensino médio rejeitada e o tema voltar a ser debatido com a sociedade.”
O texto acima mais parece uma das inúmeras manifestações dos movimentos sociais e acadêmicos ou de ativistas sociais e pesquisadores que, desde a publicação da Medida Provisória que reformava o Ensino Médio, vêm denunciando o quanto o seu teor é desastroso para toda a sociedade brasileira. Mas não é! O trecho acima publicado é parte de um texto publicado na Folha de São Paulo no último dia 03 de junho, por ninguém menos do que o ex-Presidente da Comissão Bicameral do CNE encarregada da Base Nacional Comum Curricular, o sociólogo César Callegari.
O Conselheiro e ex-Presidente não poupa críticas ácidas e contundentes à proposta de BNCC do Ensino Médio elaborada pelo MEC e à Lei de Reforma do Ensino Médio. Afirma, por exemplo, que é mentira o MEC dizer que a lei do “novo ensino médio” já foi aprovado pelos jovens brasileiros e que estes, agora, poderão escolher os seus percursos formativos. A manifestação, por seu teor político e conteúdo de denúncia, é um importante reforço à luta pela revogação da Reforma do Ensino Médio que vem sendo travada por movimentos e ativistas sociais e acadêmicas.
Com a aproximação das eleições e a possibilidade de escolha de um novo parlamento, coloca-se a possibilidade de escolha de um(a) Presidente(a) da República, de Deputados Federais e Senadores que se aliem aos defensores da revogação da Reforma do Ensino Médio. Do mesmo modo, tão importante quanto isso, é a imediata revogação da Emenda Constitucional 95, que congela por 20 anos os investimentos sociais do Governo Federal. Sem essa dupla ação, não apenas a escola dos jovens brasileiros(as) estará comprometida, mas também estará impossibilitado o conjunto das políticas que podem fazer do Brasil um país mais igualitário e justo.
No momento em que o Estado de Direito e a Democracia são continuamente atacados, como atualmente, e que a defesa do Estado mínimo ganha força, é preciso que as forças democráticas de todos os seguimentos e movimentos sociais se articulem em torno de bandeiras que unificam a luta e possibilitem estratégias compartilhadas. A defesa da revogação da Emenda Constitucional do “fim do mundo” e da lei que Reforma o Ensino médio podem ser, dentre outros, algumas destas bandeiras.
(Fonte: Boletim Pensar a Educação em Pauta, Ano 6, nº 205)

quinta-feira, 5 de julho de 2018

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES, OU MELHOR, DA COPA


Eugênio Magno

Marcelo e Fernandinho confirmados por Tite no jogo do 
Brasil contra a Bélgica

Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Amanhã, dia 6 de julho, tem grandes emoções na Copa do Mundo da Rússia de 2018. Brasil e Bélgica decidem quem vai enfrentar o vencedor de França e Uruguai, na próxima terça-feira, dia 10, nas semifinais do mundial. Diego Maradona afirmou: "vejo no Brasil uma equipe sólida e que está caminhando para o título". É o Brasil rumo ao hexa! 
Muita responsabilidade sobre os ombros do técnico Tite na escalação da seleção para o jogo de amanhã. Apesar de Filipe Luís ter atuado muito bem, Marcelo é o melhor lateral esquerdo do mundo e merece voltar. Afinal, Marcelo vinha jogando muito bem e se destacava como um dos melhores de nossa seleção em campo, nas partidas em que jogou, até o momento de sua contusão. 
Filipe Luís andou levando algumas bolas nas costas, mesmo quando não estava atacando e, embora não tenha comprometido a seleção brasileira em nenhuma jogada perigosa, prefiro o Marcelo. Mas o bom é que Tite tem mais uma opção e isso só nos beneficia.
Também gostei da atuação do William no segundo tempo do jogo contra o México, mas acho bom ele tratar de jogar o futebol que sabe jogar logo nos primeiros minutos contra a Bélgica, porque o Douglas Costa que eu queria ver mais no time está recuperado e é outra excelente opção.
No mais é torcer para que Fernandinho faça bem o papel que Casemiro fazia à frente dessa excelente zaga com Thiago Silva e Miranda. Da mesma forma espera-se também que Fagner ou Danilo, tanto faz, apoie os atacantes e tenham fôlego suficiente para ajudar a defesa e não deixar a bola chegar no goleirão Alisson que tem feito uma ótima atuação e que os belgas não cheguem com perigo em nossa área.
Na meiuca Paulinho certamente fará bem o seu trabalho como fez até aqui e Philippe Coutinho que ganhou uma imensa responsabilidade, quero crer que a corresponderá como vem correspondendo em todos os jogos. 
Já no ataque, temos que contar com Neymar jogando mais bola e fazendo menos teatro, Gabriel Jesus mostrando a que veio, coisa que ainda não fez, se não o Firmino vai lá e faz, William mais à vontade, integrado e acertando mais, ou então o Douglas Costa, de cara dando mais ritmo e incendiando o jogo pra dar uma canseira nos grandalhões da Bélgica e facilitar nossa chegada em finalizações decisivas. 
Simbora Brasil!!!


domingo, 1 de julho de 2018

O ENTREGUISMO SEGUE ACELERADO


Privatização da Eletrobras: mais um capítulo 
do desmonte do Estado

Foto: Eletrobras / Reprodução

O governo Temer vem tentando impor aos brasileiros um pacote de desestatização que corresponde a um desmonte do Estado soberano. Pautadas pelo imediatismo político e pela falta de um plano estratégico transparente e responsável, as privatizações são pensadas por sua equipe econômica como uma forma de diminuição da dívida pública. Sem considerar os valores reais e sociais dessas empresas, Temer praticamente doa o patrimônio dos brasileiros para a iniciativa privada.
Para ler na íntegra, o texto de Verônica Lima para o Brasil de Fato, clique aqui.