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sexta-feira, 15 de outubro de 2021

VIVA A PROFESSORA E O PROFESSOR! SALVE PAULO FREIRE!

 


(Créditos da imagem: Nando Motta / Brasil 247)

Educadores e Educandos: uma relação de amor e coragem

Neste mês de outubro de 2021, dedicamos dois episódios do nosso podcast, Política com Fé, às comemorações do Dia do Professor e da Professora e ao Centenário de Paulo Freire, o patrono da educação brasileira.

O episódio # 22 - CENTENÁRIO DE PAULO FREIRE E DIA DOS PROFESSORES, que foi disponibilizado nas plataformas de podcast no dia 1º de outubro, trata da diversidade das condições de vida dos professores no Brasil e da utilização de Freire como escudo, por parte de setores da sociedade.

Já no dia de hoje (15 de outubro), o podcast apresenta fatos e feitos de Paulo Freire. No episódio # 23 - QUEM TEM MEDO DE PAULO FREIRE?, falamos das conquistas e das perseguições sofridas pelo mestre dos mestres.

Ouça, curta, siga e compartilhe o Política com Fé, o podcast que educa e contribui para diminuir o número de analfabetos políticos no Brasil.

Para ouvir o podcast clique nos links abaixo:

#22, #23POLÍTICA COM FÉ e Todos os episódios.



sábado, 1 de junho de 2019

QUEREMOS EDUCAÇÃO, INCLUSIVE PARA OS DESEDUCADOS QUE COMANDAM O PAÍS


Quem é contra a educação?

(o crédito da foto foi identificado pelo "Pensar a Educação em Pauta" como Reprodução/Facebook)

A imagem acima se constitui num exemplo paradigmático dos tempos em que vivemos: ela retrata um grupo de manifestantes pró Bolsonaro retirando uma faixa em defesa da educação do prédio da Universidade Federal do Paraná. Diferentemente dos manifestantes dos últimos dias 15 e 30 de maio, os bolsonaristas foram às ruas no dia 26 em defesa de um conjunto de políticas de morte e, é evidente, contra a educação pública.
Ao atuarem contra a educação pública em todos os níveis, da educação infantil à pós-graduação, o governo Bolsonaro, seu Ministro da Educação e os minguados manifestantes que foram às ruas no último 26 estabelecem um novo paradigma de atuação do Estado e, mesmo, dos grupos conservadores brasileiros em relação à escola. Nunca, mesmo nos momentos em que as regras do Estado Democrático de Direito foram suprimidas, como no caso do Estado Novo e da Ditadura civil-militar, tivemos governos que estivessem publicamente contra a educação pública.
O novo paradigma estabelecido pelo governo Bolsonaro investe contra a escola pública e os sujeitos que cotidianamente a põem em funcionamento – alunas e alunos, professoras e professores e demais profissionais da educação. São os novos inimigos da pátria a serem combatidos. No entanto, se o paradigma é novo, as formas de atuação do governo Bolsonaro e seus aliados não o são. Como seus correlatos regimes nazifascistas, a mentira tem sido a principal arma do bolsonarismo para desclassificar os adversários e criar um clima social e político de que é necessário eliminá-los para o bem da Nação.
Não é sem razão que o bolsonarismo oficial que ocupa a Explanada dos Ministérios tem apontado as ciências sociais e a filosofia como áreas que não mais merecem apoio, incentivo ou financiamento sob o argumento de que são doutrinadoras de nossa ingênua juventude. Para o governo Bolsonaro e para os grupos que o apoiam, a simples possibilidade de que as crianças e a juventude sejam convidadas a pensar sobre o mundo é, já, uma ameaça que precisa ser combatida.
Defender a escola pública é fundamental. É a mais capilar e inclusiva das instituições republicanas. E é, em parte, por isso mesmo que ela tem sido sistematicamente atacada pelos bolsonaristas, ardorosos defensores dos privilégios de alguns e das desigualdades que sempre marcaram a sociedade brasileira. O que se quer evitar é que a escola se configure como, ainda que minimamente, uma ameaça ao status quo, seja pela inclusão dos “outros” que dela sempre estiveram alijados, seja pela possibilidade de crítica que a educação representa.
Mais uma vez convocados e convocadas, os defensores e as defensoras da escola pública ocupam as ruas do Brasil e reafirmam o direito inalienável das novas gerações a uma escola pública de qualidade e, inclusive, de qualidade porque é pública. Se o bolsonarismo é herdeiro daquilo que de pior tivemos em nossa história, nossa herança é outra: estamos ao lado de Nísia Floresta, da Pagu, de Maria Lacerda de Moura, de Anísio Teixeira, de Mário de Andrade, de Paulo Freire, de Florestan Fernandes, de Aparecida Joly Gouvea e de milhões de professoras e professores que, de forma anônima, silenciosa e contínua, fizeram e fazem a diferença na infância do/no mundo.
A política defendida pelos bolsonaristas é a política da destruição e da morte. É, de fato, uma antipolítica. E isto em todas as áreas e não apenas na educação. É por isso, também, que a reação ao que está acontecendo tem que ultrapassar o campo educacional e tomar o Brasil de ponta-a-ponta. E isto passa, sem dúvida, pela articulação de todos os setores e movimentos democráticos. É nessa direção que devemos avançar para derrotar não apenas o governo Bolsonaro, mas o bolsonarismo que ele representa.
(Fonte: "Pensar a Educação em Pauta" - Ano 7 – Nº 239/ sexta-feira, 31 de maio de 2019 - Editorial)

sexta-feira, 24 de maio de 2019

ALGOZES DA EDUCAÇÃO EMANCIPADA


A filosofia e seus coveiros 

Claudio Andrade

O absurdo está se reinventando e procura monstros para justificar sua imbecilidade. Autoridades desautorizadas pelo justo conhecimento enxergaram as Ciências Humanas e, com miopia, acreditam ver a filosofia. O retorno ao primitivismo parece ser a tônica do grupo que acredita dirigir o Ministério da Educação com conselhos de um quase pseudo instrutor de Filosofia que confunde ‘Universidade’ com ‘Perversidade’, a saber, Olavo de Carvalho, que se quer teve condições de ler e compreender o metafísico Étienne Gilson que sentenciou a maior experiência filosófica de todos os tempos: “a filosofia sempre enterra seus coveiros”. Complementaria a máxima, sobretudo quando seus coveiros são leitores de um único autor ou de um único livro. Desde os tempos mais antigos a filosofia sempre preservou a liberdade e a autonomia para construir novas formas de vida e novos olhares sobre os problemas que nos impõe a ordem dominante, gastando energia em novos estilos de vida que sempre considerou um outro mundo em comum. Quem teve o ócio para ler e compreender Platão e Xenofonte sobre a trajetória de Sócrates, o mestre, vai se lembrar da perversa acusação a ele imputada de corromper a juventude que, na verdade, não era outra coisa senão a reflexão sobre a possibilidade de recusar a submissão cega às opiniões estabelecidas. A subversão da filosofia sempre foi a defesa da livre interpretação, afinal apenas a liberdade é a chave para a verdade. 
O que tentam defender os atuais algozes da educação emancipada e propositiva é absurdamente indefensável, pois desconsideram a premissa que antes de sermos técnicos ou profissionais somos seres humanos. Faz tempo que a filosofia e, posteriormente as ciências humanas, tentam qualificar a máxima de que melhorar a si mesmo tem potencialidade para melhorar a sociedade através da arte, da ciência ou da própria política, em declínio neste tempo de obscuridade instrumental e mediocridade. 
Mal sabem “eles” que o atual eclipse político tem sido a alavanca para a vitalidade filosófica, sempre renovada com novos fundamentos. 
A filosofia, incapturável, é sempre um choque diante do triste empobrecimento da sensibilidade humana neste momento de esclerose múltipla de um governo instituído por um ato de raiva e irracionalidade provisória. 
A desintegração está em processo e as pessoas [insensíveis] não percebem os danos irrecuperáveis em curso. Sem a experiência de sentir e estranhar, próprios da filosofia, vive-se o automático e o novo, abrindo espaço para uma legião de desmemoriados que banalizam o mal com justificativas injustificáveis. A filosofia sempre construiu a tensão do ‘como não’, ou seja, nunca fazer do mundo um objeto de propriedade, mas sim de uso e, preferencialmente, de um novo uso que vem ao encontro da essência dos seres humanos. 
Ora, em sua essência, a filosofia é uma arte de viver, um estilo de vida que compromete toda a existência tornando-nos uma versão melhor de nós mesmos. Assim, mais que uma disciplina com instrumentos metodológicos, a filosofia é terapêutica porque permite-nos a compreensão do sentido e da superação do próprio eu, sempre com novas experiências. No tempo em que escrevo, o filósofo Agamben, tem nos provocado com um lampejo a pensar novas formas de vida, em reconhecer o sujeito não mais como substância, mas sim como forma, sendo esta passível de transformação, qualificação e requalificação. Faz tempo que Agamben tem defendido a distinção de vida qualificada em relação à vida nua ou vida comum, assujeitada aos inúmeros dispositivos de dominação. Mais que viver simplesmente, precisamos viver bem. Só a filosofia como um novo suspiro tem potencialidade de nos libertar de prisões invisíveis que o sistema impõe. A filosofia e seu jeito de se colocar no mundo nos emancipa e isto, por si só, atrapalha os muitos dispositivos de dominação em curso. Ora, apenas a filosofia advoga em favor da vida e o que está em jogo [hoje] é a vida. 
É possível uma felicidade diferente, ligada não à realização tão somente profissional ou instrumental, podendo dar corpo a uma novidade no mundo e isto tem incomodado muito. A ideia de que a filosofia veio para deslocar a concepção espontânea tem deixado muitos sem dormir, pois quando mais batem, mais apanham. 

* Doutor em História e Sociedade pela UNESP, Professor Associado do Departamento de Filosofia da UNICENTRO. Assessor do CEFEP/CNBB e Presidente da Academia de Letras, Artes e Ciência de Guarapuava.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

TRAGÉDIA DO ENSINO É FABRICADA POR GRUPOS DE INTERESSE


Inventar o fracasso escolar e culpar a escola para impor reformas

(Imagem: GERJ)

Semana passada comentamos em Editorial três tragédias que caíram sobre nós nos últimos dias, trazendo dolorosas perdas para o Brasil e o seu povo: a aprovação, pelo STF, da terceirização irrestrita de todas as etapas do processo produtivo, que produzirá precarização radical do mundo do trabalho; a decisão do Supremo Tribunal Eleitoral, de desacatar tratados internacionais assinados pelo Brasil para cassar direitos políticos de Luiz Inácio Lula da Silva; e a destruição do acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, um crime de lesa-pátria contra a memória e a história do Brasil, e da humanidade.
Havia uma quarta tragédia em curso naqueles mesmos dias, essa na Educação Pública. Uma falsa ‘tragédia’, aliás, fabricada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), vinculado ao Ministério da Educação: a invenção de um fracasso escolar na educação brasileira. A decisão de elevar a nota de corte dos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB/Prova Brasil), produziu uma avaliação artificial da educação pública, totalmente descolada da realidade.
Veja-se a opinião de um ex-presidente do INEP, José Francisco Soares, professor da UFMG e membro do Conselho Nacional de Educação, dos mais entendidos em avaliação escolar: “as escolhas de pontos de corte que definiram os níveis produziram uma mudança drástica no diagnóstico da realidade educacional brasileira. Experiências consideradas exemplares até 2015 se tornaram fracassos com a nova metodologia. Por exemplo, a cidade de Sobral, que era considerada exemplo nacional, passou a ter apenas 13,4% dos alunos com aprendizado adequado em língua portuguesa, ao invés de 79,8 % em 2015. Na realidade não ocorreu nenhum desastre educacional nos últimos dois anos, mas apenas a introdução de uma forma equivocada de sintetizar os dados da Prova Brasil.”
Sugerimos a leitura de seu texto a respeito, com críticas à metodologia empregada para se chegar aos resultados do SAEB 2017, que mostrariam o tal ‘fracasso’ da escola.
Em síntese, ele defende a necessidade de “usar evidências empíricas em relação aos resultados educacionais (acesso, permanência na escola e aprendizado, assim como indicadores das condições das escolas)”, o que “exige a criação de consensos baseados em análises compartilhadas dos dados”. Não se trata de desconsiderar que “o sistema educacional brasileiro tem sérios problemas no aprendizado de seus estudantes, assim como de condições”, mas ele pondera que “uma mudança abrupta de metodologia não ajuda no debate.”
Concordamos com ele que “o governo federal deveria usar a oportunidade para não só corrigir o diagnóstico apresentado como também para iniciar um processo público de definição dos níveis de referência oficiais para a análise dos dados de aprendizado obtidos pela Prova Brasil.”
A respeito, Luiz Carlos de Freitas, da Unicamp, reconhecido pesquisador em avaliação escolar, escreveu: “O órgão (INEP) se defende dizendo que foi um grupo de especialistas que definiu as novas regras. Mas, de fato, a credibilidade do órgão que já vinha sendo desafiada pelos seus dirigentes, 
acabou. Não se faz uma mudança dessa sem um amplo debate. De fato, as divulgações do INEP sobre esta rodada do SAEB estão marcadas por um claro desejo de promover o caos para justificar apoio às reformas do governo Temer.” Nenhuma novidade, portanto.
Também Andressa Pellanda, coordenadora de políticas educacionais da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, recomenda cautela ao considerar os resultados do SAEB, pois não estão sendo consideradas as desigualdades regionais nem as condições de trabalho dos profissionais de educação e das escolas: “A culpa desse resultado acaba injustamente recaindo sobre o estudante que realizou a prova e do professor que ensinou aquele aluno”, pondera, em entrevista ao Portal EPSJV/Fiocruz. E completa: “Nós entendemos que a aprendizagem dos alunos só pode ser avaliada considerando as condições de oferta da educação. Não se pode comparar um aluno que está em zona urbana estruturada, que recebe financiamento para suas escolas, com um aluno que está em área rural, onde o número de profissionais da educação é escasso e os recursos são menores. As condições de partida desses dois são totalmente diferentes.”
Há sempre que perguntar: esse fracasso escolar inventado, a quem pode interessar? Não cabe aqui a ingenuidade. Já sabemos bem a quem serve essa narrativa.
Desqualificar a Educação Pública, seus sujeitos e suas práticas, é projeto já de longa duração de certo pensamento brasileiro, retomado, atualizado e praticado pelo ilegítimo governo Temer. A estratégia é evidente: culpar a escola pelo fracasso e impor as reformas de ensino por ele pretendidas (especialmente a Base Nacional Comum Curricular e a Reforma do Ensino Médio), sem discussão, e que atendem aos interesses daqueles que fazem da educação um grande negócio.
O fracasso não é da escola pública, tampouco de seus sujeitos: ela e eles são vítimas de todo e qualquer governo que não faz da educação pública prioridade política absoluta porque crucial para o desenvolvimento do País. É esse o fracasso a ser combatido.
Felizmente, em registro bem distinto, uma outra tragédia para a Educação foi evitada essa semana, e sobre a qual comentamos recentemente aqui: o Supremo Tribunal Federal decidiu no dia 12 de setembro que é a Escola o lugar de formação acadêmica sistematizada da infância e da juventude, definindo que as famílias não têm direito de ensinar a seus filhos exclusivamente em casa, a chamada educação domiciliar (ou homeschooling). Os juízes, com a triste exceção de Luiz Roberto Barroso, afirmaram ser necessária e obrigatória a frequência de crianças e jovens à escola, lugar de experiência importante para o acesso ao conhecimento sistematizado em ambiente que promova a sociabilidade entre estudantes, e deles com outras gerações. A Constituição, segundo o STF, estabelece que o dever de educar exige cooperação entre Estado e família, mas não dá aos pais o direito de retirar seus filhos da escola para educá-las exclusivamente no espaço privado da casa. Saiu derrotado por 9×1 o Juiz Barroso, que tem se esmerado, por sinal, em obedecer ditames da grande mídia e do empresariado. Importa destacar e comemorar esse placar tão expressivo: a instituição escola restou fortalecida em sua responsabilidade social de formação das pessoas. É esse lugar que precisa ser cada vez mais reconhecido e afirmado, com investimentos públicos que garantam as melhores condições para a realização de boas práticas educativas.
Defender a escola pública do fracasso inventado por um governo fracassado. Afirmar a escola como lugar de formação pública cidadã. Estão aí dois compromissos políticos inarredáveis. Para enfrentar fabricantes de tragédias.
(Fonte: Pensar a Educação em Pauta)

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

BRASIL MOSTRA SUA CARA


Quase 200 mil bolsistas da Capes podem ficar sem bolsa

O presidente Michel Temer tem até o dia 14 de agosto para sancionar o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA).
Na noite de 2 de agosto o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, anunciou que pretende cortar, em cerca de 11%, o orçamento do MEC com despesas não obrigatórias, entre as quais estão incluídas as bolsas de estudo e pesquisa.
Para ler mais sobre mais essa aberração do governo Temer, clique aqui.

terça-feira, 10 de julho de 2018

AS REFORMAS ABSURDAS DO TEMER

Pela revogação da Reforma do Ensino Médio!

Foto: Pedro Cabral

“A Lei nº 13.415 do ‘novo ensino médio’, nascida de medida provisória de Michel Temer, é excludente, reducionista e pode acentuar as graves desigualdades educacionais brasileiras. Isso fica mais claro na proposta de Base Nacional Comum Curricular (BNCC) recém apresentada pelo MEC ao Conselho Nacional de Educação. Essa Lei precisa ser revogada, a atual BNCC do ensino médio rejeitada e o tema voltar a ser debatido com a sociedade.”
O texto acima mais parece uma das inúmeras manifestações dos movimentos sociais e acadêmicos ou de ativistas sociais e pesquisadores que, desde a publicação da Medida Provisória que reformava o Ensino Médio, vêm denunciando o quanto o seu teor é desastroso para toda a sociedade brasileira. Mas não é! O trecho acima publicado é parte de um texto publicado na Folha de São Paulo no último dia 03 de junho, por ninguém menos do que o ex-Presidente da Comissão Bicameral do CNE encarregada da Base Nacional Comum Curricular, o sociólogo César Callegari.
O Conselheiro e ex-Presidente não poupa críticas ácidas e contundentes à proposta de BNCC do Ensino Médio elaborada pelo MEC e à Lei de Reforma do Ensino Médio. Afirma, por exemplo, que é mentira o MEC dizer que a lei do “novo ensino médio” já foi aprovado pelos jovens brasileiros e que estes, agora, poderão escolher os seus percursos formativos. A manifestação, por seu teor político e conteúdo de denúncia, é um importante reforço à luta pela revogação da Reforma do Ensino Médio que vem sendo travada por movimentos e ativistas sociais e acadêmicas.
Com a aproximação das eleições e a possibilidade de escolha de um novo parlamento, coloca-se a possibilidade de escolha de um(a) Presidente(a) da República, de Deputados Federais e Senadores que se aliem aos defensores da revogação da Reforma do Ensino Médio. Do mesmo modo, tão importante quanto isso, é a imediata revogação da Emenda Constitucional 95, que congela por 20 anos os investimentos sociais do Governo Federal. Sem essa dupla ação, não apenas a escola dos jovens brasileiros(as) estará comprometida, mas também estará impossibilitado o conjunto das políticas que podem fazer do Brasil um país mais igualitário e justo.
No momento em que o Estado de Direito e a Democracia são continuamente atacados, como atualmente, e que a defesa do Estado mínimo ganha força, é preciso que as forças democráticas de todos os seguimentos e movimentos sociais se articulem em torno de bandeiras que unificam a luta e possibilitem estratégias compartilhadas. A defesa da revogação da Emenda Constitucional do “fim do mundo” e da lei que Reforma o Ensino médio podem ser, dentre outros, algumas destas bandeiras.
(Fonte: Boletim Pensar a Educação em Pauta, Ano 6, nº 205)

terça-feira, 9 de agosto de 2016

ONDE ESTÁ A NOSSA "PÁTRIA EDUCADORA" ?


Como sair da pauta conservadora?
Desde o início do 2º mandato da Presidenta Dilma, em janeiro de 2015, o debate sobre educação tem sido pautado continuamente pelos setores mais conservadores da sociedade brasileira. Dentre outros aspectos, o anúncio do lema “Pátria Educadora” para o mandato, logo se mostrou uma vazia retórica diante dos sucessivos cortes do orçamento para a área de educação impostos sob o argumento da necessidade do ajuste fiscal, simbolizando a “recuperação”, pela Presidenta, de vários pontos do programa do candidato derrotado nas urnas.
Nada disso, no entanto, se assemelhava ao conservadorismo e à truculência que passaria a tomar conta do debate e das políticas públicas um ano depois, sobretudo após o afastamento da Presidenta e da subida ao poder do governo golpista e ilegítimo de seu vice, e conspirador, Michel Temer.
Um dos mais graves problemas destes últimos meses é que temos sido enredados, continuamente, pela pauta de debates e de políticas impostas pelos grupos mais conservadores que ocuparam o espaço público e o Estado brasileiro. E, sobretudo, não temos conseguido sair dela.
Sabemos, no entanto, que há razões de sobra para isso. O conjunto das medidas já estabelecidas e das políticas propostas pelo governo interino mostram o afã dos grupos que o apoiam no golpe e no governo para dilapidar o Estado brasileiro e para destruir as políticas públicas que buscavam a melhoria de vida dos mais pobres. Contra esse movimento não há alternativa que não seja lutar e resistir, aqui e agora.
Por outro lado, no calor da luta é preciso ir além da luta contra a destruição e avançar na construção. Recentemente o Blog do Pensar a Educação defendeu que retomar o ideário da educação republicana pode ser um bom caminho para sair da defensiva e combater as perspectivas negativas que se abatem sobre a educação pública brasileira. Tal ideário, ampliado e ressignificado, permitiria que nos colocássemos na tradição dos melhores movimentos sociais que, ao longo do último século, lutaram pela ampliação, consolidação e qualificação da escola pública entre nós.
O perigo que nos ronda é enorme e a nossa tarefa maior ainda, como se pode aquilatar pelo recente diagnóstico que nos foi oferecido pelo prof. Luiz Carlos Freitas. Qualquer que seja a alternativa, ou no conjunto delas, somente conseguiremos garantir políticas públicas e avançar em direção àquelas que ainda faltam conquistar, se atuarmos organizada e coletivamente.
(Fonte: Pensar a Educação em Pauta)

terça-feira, 8 de março de 2016

E POR FALAR EM EDUCAÇÃO...


A Escola Básica interroga a Universidade

 

Em boa parte dos discursos e das representações que buscam relacionar a escola básica e a universidade no Brasil o que se ressalta é, em boa medida, os antagonismos. Já há muitos anos que os professores das universidades explicitam que a escola básica brasileira não prepara bem os alunos para as exigências que lhes serão impostas no ensino superior. De outra parte, é amplamente sabido e divulgado o diagnóstico de que a universidade brasileira, desde há muito tempo, se distanciou da realidade da escola básica e, de um modo geral, da própria realidade do país. A imagem metafórica de uma torre de marfim, distante das vicissitudes mundanas, para representar a universidade, é eloquente neste sentido.
Sabemos que essa representação dicotômica da relação entre a universidade e a sociedade e, de modo particular, entre a universidade e a escola básica, é apenas parcialmente verdadeira. Por um lado, as universidades sempre foram, desde os seus primórdios, espaços de produção de conhecimentos e de sensibilidades que se distanciavam da vida cotidiana do conjunto da população. Por outro, foi essa característica que fortaleceu essas instituições como centros intelectuais capazes de questionar o passado e o presente e, de certa forma, antecipar, intelectual ou idealmente, o futuro.
É, por isso, necessário pensar que, apesar da tensão que sempre presidiu e, ao que parece, presidirá, a relação entre a universidade e a escola básica, há uma relação de necessária colaboração entre essas instituições. Tal relação, historicamente, tem contribuído para um enriquecimento da experiência dos alunos e dos professores da escola básica brasileira e, mesmo, para um crescente e salutar desconforto da universidade em relação às suas possíveis contribuições a essa nível de ensino.
Nos últimos meses veio à tona uma das faces muito visíveis da relação entre a universidade e a escola básica no Brasil por ocasião das discussões das Bases Nacionais Curriculares. Apesar de integrar uma política de governo, a versão inicial das Bases Nacionais Curriculares foi, no entanto, uma ação de responsabilidade principal de professores e pesquisadores das universidades brasileiras.
Como entender a polêmica em torno da Base Nacional Curricular? Estariam os pesquisadores e professores que foram responsáveis por sua elaboração, distantes dos reclames da sociedade no que diz respeito aos conteúdos que precisam ser ensinados na escola? Estariam as elaborações distantes do universo cotidiano e mediano dos professores, alunos e familiares das escolas básicas brasileiras? Ou, diferentemente, esses debates refletiriam fraturas existentes entre os próprios especialistas acerca daquilo que deveria ser ensinado na escola básica no Brasil?
Independentemente de qual seja a nossa resposta às indagações acima, o certo é que a escola básica brasileira vem, crescentemente, interrogando a universidade, seja no que se refere à própria formação de professores, seja, de um modo mais profundo, acerca dos modos de compreensão do que são os conhecimentos relevantes o bastante para serem ensinados na escola. Não menos evidente é o fato de que, nesta interrogação estão, também, embutidos questionamento acerca dos modos de legitimação ou não dos conhecimentos nas complexas sociedades contemporâneas. Nesse sentido, afirmar que isto ou aquilo merece ou deve ser ensinado na escola básica não é, definitivamente, um ato ingênuo ou despropositado.
O exemplo das discussões da Base Nacional Curricular não é, nem de longe, algo isolado. Assim como a universidade, por meio de suas ações de ensino, pesquisa e extensão, questiona continuamente a escola básica, não é menos verdade que da escola básica, de seus professores e gestores, partem continuamente interrogações acerca da universidade e de seus modos de interagir com o mundo social.
É preciso que estejamos atentos às tensões e as colaborações que presidem as relações entre as universidades e a escola básica brasileira. Sobretudo, é preciso que estejamos atentos às interrogações que a escola básica faz à universidade como centro de pesquisa e de formação de professores.
(Fonte: Boletim Pensar a Educação em Pauta)

domingo, 21 de junho de 2015

10ª MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO


Cinema e Educação: a Lei 13.006 / 2014 é discutida no CineOP

Nas fotos abaixo, mesas com coordenadore(a)s da Rede KINO, representantes do CNE, MEC, MINC, de universidades e outras instituições de ensino do Brasil e do exterior.





A 10a CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto realizou o Encontro da Educação: VII Fórum da Rede Kino: Rede Latino-Americana de Educação, Cinema e Audiovisual que nesta edição será fortemente marcada pela relevância da lei 13006, sancionada em 26 de junho de 20, que acrescenta 8o inciso ao art. 26 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para obrigar a exibição de filmes de produção nacional nas escolas de educação básica.
Esta lei resultou do projeto de lei (PL 185/08) proposto por Cristovam Buarque sobre a seguinte redação: A exibição de filmes de produção nacional constituirá componente curricular complementar integrado à proposta pedagógica da escola, sendo a sua exibição obrigatória por, no mínimo, 2 (duas) horas mensais.
Isto é, se as escolas, a partir de 2014 passaram a ser obrigadas a assistir cinema nacional, nos perguntamos: qual o real acesso ao mesmo? Que cinema é esse? Todo filme brasileiro pode e deve ser projetado na escola? Que acessibilidade tem, ao nosso cinema, uma escola sem recursos de exibição, sem tecnologias de acessibilidade para cegos e surdos, ou mesmo sem acessibilidade pelas distâncias aos centros onde é possível acessar o cinema brasileiro? Quais são esses centros? E a reativação da Programadora Brasil? Se reativada, terá uma definitiva formatação em sistema de plataforma de acesso virtual? E para tal, funcionará uma banda larga de alcance nacional e de qualidade que nos permitirá assistir a todos e todas os filmes nacionais, com idêntica qualidade? Quem definirá que filmes? Que conteúdos? Como será feita a formação de professores? Que formas possíveis de distribuição de filmes? Como essas duas horas de cinema nacional se incorporam nos projetos políticos pedagógicos de cada escola, turno, turma? Qual a possibilidade de acesso aos cineastas? Em que medida, cinematecas, museus de imagem e som, salas de cinema ficarão permeáveis a uma troca mais intensa com as escolas? Como garantir condições de qualidade de exibição de imagens e som em espaços devidamente escurecidos e climatizados? Muitas outras perguntas se desdobram e reproduzem ao pensar em cada uma delas.
Trata-se de um compromisso que durante a 10ª CineOP - um espaço de encontro entre cineastas, preservadores e educadores possam surgir reflexões que pensem, problematizem e façam propostas concretas para que o governo e a sociedade possam definir políticas públicas a propósito desta lei e sua regulamentação. Pretendemos ainda apresentar aos responsáveis governamentais um documento reunindo o conjunto de reflexões e propostas teórico- metodológicas sistematizadas por diferentes grupos de pesquisa das universidades brasileiras, professores de educação básica, cineclubistas, que vem trabalhando na interfase do cinema e a educação.
Integrou a programação da temática Educação a apresentação de 20 trabalhos acadêmicos selecionados pelo comitê científico da Rede Kino, oriundos de universidades de vários Estados do Brasil, na tentativa de responder perguntas como, por exemplo, acessibilidade e inclusão para cegos e surdos, acesso em escolas fora dos grandes centros, o tipo de conteúdo que será veiculado nas escolas, a tecnologia empregada nas exibições, como se dará a formação dos professores para mediar as sessões de cinema, que recursos e condições de exibição têm hoje as escolas e como atualizá-las para que a lei seja exequível, entre outros enigmas que precisam ser resolvidos para que a lei entre em vigor de maneira efetiva.
Uma das novidades desta edição foi a Mostra Educação que reuniu 40 curtas produzidos pelos alunos no contexto escolar e, que foi exibida em duas sessões durante o evento. Foram trabalhos inscritos e orientados para serem realizados pelo gesto de criação de algum cineasta, especialmente brasileiro. 
Dentro deste eixo houve ainda uma homenagem ao Cineduc - instituição pioneira da América Latina no ensino do audiovisual para crianças e adolescentes, que completa 45 anos. Uma instituição que se antecipou no tempo ao pensar, problematizar e realizar ações com e de cinema nas escolas e para além delas.
Marcou presença também na 10ª CineOP a Escola Internacional de Cinema e Televisão de Santo Antonio de Los Baños, de Cuba, que completa 30 anos de ensino superior de cinema e a Universidade do Chile, que lidera um projeto de iniciação de cinema nas escolas de educação básica naquele país, em que dialogam o Ministério da Educação, da Cultura e os cursos de Comunicação e Educação da universidade. São instituições experientes que conseguiram gerar metodologias de aproximação e inserção do universo audiovisual junto aos públicos escolares mais variados.
(Fonte: Site da 10ª CineOP)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO OU EDUCAÇÃO DE MASSA (???)


MEC autoriza 34 cursos de graduação 
que vão oferecer mais de 4 mil vagas anuais

O Ministério da Educação (MEC) autorizou o funcionamento de 34 cursos de graduação em instituições privadas. Serão mais de 4 mil vagas anuais. 
Entre os cursos que serão oferecidos estão arquitetura e urbanismo, administração, pedagogia, enfermagem, educação física, engenharia civil e engenharia de produção. A maior parte dos cursos está nas regiões Sudeste e Nordeste.
Para serem autorizados, os cursos devem preencher uma série de requisitos quanto ao projeto pedagógico, corpo docente e infraestrutura, e ainda passar por uma visita no local.
O MEC também reconheceu 50 cursos de graduação de instituições públicas e privadas. Para serem reconhecidos, os cursos precisam ser autorizados e ter pelo menos um ano de funcionamento, quando é verificado o cumprimento dos requisitos legais para prestação do serviço educacional.
(Fonte: Agência Brasil)

domingo, 1 de dezembro de 2013


MEC vai distribuir tablets 
para professores de escolas públicas em 2014

O Ministério da Educação (MEC) vai começar a distribuir tablets a professores do 6º ao 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas em 2014. O anúncio foi feito pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Segundo ele, os professores deverão ser capacitados para usar o equipamento também no ano que vem.
A intenção da pasta é que todos os professores da rede pública tenham o próprio tablet. A distribuição começou com os professores do ensino médio. O educador tem acesso pelo tablet a conteúdos específicos, cujo objetivo é tornar as aulas mais atraentes.
Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), foram comprados mais de 460 mil tablets para professores do ensino médio. Ainda não há previsão de quantos professores do ensino fundamental serão contemplados em 2014. De acordo com dados do Censo de 2012, são mais de 800 mil professores na etapa.
 (Fonte: Agência Brasil)

quarta-feira, 6 de março de 2013

NOVOS SECRETÁRIOS DE EDUCAÇÃO


MEC nomeia novos secretários
 
O Ministério da Educação (MEC) divulgou os nomes dos novos secretários de Educação Superior (Sesu) e de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) da pasta. O reitor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Paulo Speller, assume a Sesu, no lugar de Amaro Lins. Macaé Evaristo, diretora de Políticas de Educação do Campo, Indígena e Relações Raciais do MEC, fica à frente da Secadi, em substituição a Cláudia Dutra.
Os dois secretários deixaram os cargos alegando motivos pessoais. Macaé e Speller tomam posse assim que tiverem os nomes publicados no Diário Oficial da União.
(Fonte: Agência Brasil)