quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

BANHO PURIFICADOR NAS ÁGUAS DO GANGES


Durante três semanas, mais de 70 milhões de hindus, vindos do mundo todo, se banham no rio Ganges, por ocasião da Maha Kumbh Mela. Segundo a tradição, os deuses disputando entre si o nectar da imortalidade, teriam jogado quatro gotas no rio. Desde então, uma vez a cada doze anos, os sadhus e os guerreiros de Shiva desfilam sob a chuva de pétalas antes da imersão, nus, nas águas sagradas. Um banho purificador em forma de renascimento que acontece neste ano na cidade de Haridwar, onde o Ganges parece surgir do Himalaia. Mais três cidades partilham o privilégio de acolher esta peregrinação.

(Foto: Xinhua/Zuma/Visual)

COMUNICAÇÃO INTEGRADA

Relações Públicas em alta
Eugênio Magno
O futuro chegou para o profissional e para as atividades de relações públicas.
Cansados de ouvir que RP era a profissão do futuro os profissionais da área estão satisfeitos com a receptividade encontrada atualmente no mercado de trabalho. Embora ainda exista muito a conquistar, a profissão está deixando de ser o “patinho feio” da comunicação e demonstra pujança e vitalidade. A adoção de uma cultura de comunicação multimídia por parte das empresas trouxe um novo alento para os RP’s que tem se posicionado como estrategistas de comunicação e estão ascendendo a cargos no topo da pirâmide empresarial. Diversas matérias e artigos que circulam na grande imprensa falam da importância da atividade e de sua valorização pelas empresas. As matérias destacam os salários dos profissionais do setor, como sendo os que conquistaram os maiores reajustes nos últimos tempos. Várias são as fontes que indicam os avanços conquistados. O conhecido escritor e consultor de marketing estadunidense, Al Ries, por exemplo, é um dos grandes entusiastas das RP’s. Ele afirma que “hoje, para a maior parte das empresas, RP é importante demais para ficar atrás da propaganda. Sob muitos aspectos, os papéis se inverteram. A propaganda é a continuidade das relações públicas, por outros métodos e, só deve começar depois que o programa de RP estiver implementado e em andamento.” E completa, “além do mais, as RP’s são bem mais baratas”. Os órgãos representativos da categoria também estão mobilizados, promovendo a reabilitação da profissão.
Em Minas Gerais, um mercado até então tímido para as relações públicas, está havendo um grande aquecimento e uma reação pró-ativa por parte dos profissionais mais experientes. Eles estão partindo para a constituição de empresas do setor: agências, assessorias e consultorias. A iniciativa está ampliando o mercado de trabalho e fazendo uma verdadeira sensibilização do empresariado quanto ao valor das RP’s para as suas empresas. Especialmente porque Minas é um dos maiores mercados brasileiros de empresas cuja demanda comunicacional é mais de ordem institucional – área em que as relações públicas apresentam as técnicas mais adequadas para se atingir os objetivos organizacionais. Ainda que a nomenclatura usada não seja a que designa a atividade e a profissão, são as práticas há muito identificadas e garantidas por lei, em conselho de classe, como típicas da profissão de relações públicas que poderão fazer a diferença para empresas e instituições com essas características.
Entre os serviços mais procurados, destacam-se: Diagnóstico Organizacional; Planejamento da Comunicação Integrada; Endomarketing; Pesquisa de Opinião; Publicações e Produções Audiovisuais Institucionais; Atendimento ao Consumidor; Assessoria de Imprensa; Propaganda Institucional; Marketing Corporativo, Cultural, Governamental e Político; Organização de Eventos e Ações Promocionais.
São os novos tempos da comunicação.
P.S.: Este artigo também foi publicado nas versões impressa e online do jornal O Norte de Minas: http://www.onorte.net/noticias.php?id=26266 , de 23.02.10; e também nas versões impressa e online do jornal O Tempo: http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdEdicao=1583&IdCanal=2&IdSubCanal=&IdNoticia=134759&IdTipoNoticia=1, de 26.02.10.

ELEIÇÕES 2010


Gianetti participará da campanha de Marina




















O PV confirmou a participação do economista e escritor Eduardo Gianetti da Fonseca na estruturação do plano de governo de sua pré-candidata à Presidência, a senadora Marina Silva.
Gianetti é professor da faculdade Ibmec/SP e Ph.D em economia pela Universidade de Cambridge.
Uma de suas principais críticas ao governo Lula é a alta carga tributária no país.
"A campanha de Marina tem como desafio provar que ela pode ir além do discurso ambiental e ter propostas para outras áreas, como a econômica."
A reportagem de Ana Flor, publicada pelo jornal Folha de S. Paulo no dia 24-02-2010, pode ser lida na íntegra, clicando aqui.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

HOMENAGEM AOS ANIVERSARIANTES DE FEVEREIRO

Escrevi este poema de encomenda, para a celebração do aniversário de 15 anos de minha sobrinha, Alba Valéria, em 1987 (que não nasceu neste mês). Mas hoje, ao publicá-lo aqui dedico-o a todas e todos os(as) aniversariantes do mês de fevereiro.
Parabéns
Eugênio Magno

Ontem
fruto, semente, muda...
miúda, menina
Hoje
rosa-moça
flor-morena
alvos sonhos... claras vestes
Mina, menina dos nossos olhos
corujas
contentes a te saudar
Nesta data, querida...
Muitas felicidades, muitos anos de vida
Parabéns prá você!
(do Livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

O FENO DO PAQUISTÃO

Agricultores paquistaneses transportam feno sobre um trator, na direção de Khewra, a 200 km ao sul de Islamabad, capital do Paquistão, no domingo, 14-02-2010. O setor agrícola tem um papel muito importante na economia do país. Ele gera um quarto da produção nacional e perto da metade dos empregos dos 180 milhões de habitantes.

(Foto: Behrouz Mehri/AFP)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

NOSSO ALIMENTO ESTÁ ENVENENADO

Vergonha: Brasil se reafirma como
maior consumidor mundial de agrotóxicos
Na safra de 2008/2009, o Brasil atingiu a marca de maior consumidor mundial de venenos agrícolas. Os agrotóxicos são feitos a partir de produtos de petróleo e de químicos não degradáveis e, portanto, depois de fabricados, permanecem na natureza.
Matam a biodiversidade representada pela variedade de vida vegetal e animal, afetam a fertilidade natural do solo (ao acabar com bactérias e nutrientes naturais), contaminam o lençol freático e a qualidade das águas da chuva - pois os venenos secantes evaporam para a atmosfera e depois regresssam com a chuva. Afetam também a qualidade dos alimentos, que quando ingeridos sistematicamente podem causar destruição das celulas e resultar em câncer .
Mas tudo isso não importa. As indústrias anunciam os dados com orgulho. Afinal, a eles apenas interessa os lucros! Certamente seus gerentes buscam apenas produtos orgânicos nas gôndolas dos supermercados, enquanto o povo é obrigado a engolir seus venenos.
O Brasil consumiu ao redor de 700 milhões de litros de veneno. Esses 700 milhões de litros foram apliados em 50 milhoes de hectares, equivalente a 14 litros por hectares, a maior media do mundo.
(Fonte: Rebia - Rede Brasileira de Informação ambiental, 15-02-2010)

O POVO NÃO É REPRESENTADO NO CONGRESSO

Ficha limpa na gaveta, suja nas eleições
Dom Tomás Bauduíno
Bispo
"Um milhão e quinhentas mil assinaturas entregues a Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara dos Deputados, em 29 de setembro de 2009, foram o fruto de uma bela e esperançosa campanha nacional visando apresentar um projeto de lei exigindo ficha limpa dos candidatos a cargos eleitorais.
Um evento histórico da maior importância para a democracia brasileira. Houve destacada participação do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), da presidência da CNBB, dom Geraldo Lyrio e dom Dimas Barbosa, insistindo, na coletiva do dia 11 de dezembro, na agilidade da aprovação do projeto para barrar a corrupção na política.
A magnitude do acontecido mereceria uma comemoração das mais festivas. O que se viu, entretanto, depois da entrega oficial, foi um Congresso silencioso, reticente, triste…
O deputado Michel Temer, desde o primeiro momento, se entrincheirou no adiamento da pauta do projeto para fevereiro de 2010, alegando agenda cheia, recesso parlamentar e outras prioridades. Dizia estar dialogando com os líderes para que esse projeto de lei não corresse o risco de 'não ser aprovado'.
Passado um mês de sua entrega, não havia relator designado e entrou no inexorável ritmo do passo lento daquela pesada máquina burocrática. Uma decepção! A ficha limpa foi para a gaveta de Michel Temer.
Quanto aos demais deputados, não se tem registro de posicionamento público, a não ser o do deputado José Genoino (PT-SP), que subiu à tribuna, em 4 de novembro, para criticá-lo.
Para Genoino, a proposta é 'inconstitucional' e 'autoritária'. É preciso recordar, porém, que ele é réu no processo do mensalão que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
Seu discurso recebeu apoio de quatro deputados, entre eles o de Geraldo Pudim (PR-RJ), que já foi alvo de questionamentos na Justiça, e Ernandes Amorim (PTB-RO), que admitiu responder a processos e inquéritos judiciais.
Genoino se posiciona pela liberação das fichas sujas nas eleições, pela manutenção da impunidade dos que acorrem à campanha eleitoral em busca de um cargo público, para lhes garantir fórum especial e blindá-los contra os instrumentos comuns e normais da Justiça.
Vários políticos se precipitam em busca da eleição logo após terem cometido crimes, até de homicídio.
Conseguem multiplicar recursos financeiros e, consequentemente, o número suficiente de eleitores para elegê-los.
Agora, na semana passada, depois de quatro meses de espera na Câmara, os líderes partidários decidiram criar uma comissão para, simplesmente, modificar o texto da proposta porque, segundo eles, haveria dificuldades de aprovar o veto à candidatura de políticos com condenação em primeira instância na Justiça.
A gente se pergunta: a quem, afinal, esse Congresso representa? Qual a relação que esses nobres deputados têm com a sociedade civil organizada para que uma mobilização popular séria, prevista na Constituição, como a que ofereceu à nação um número tão expressivo de assinaturas, acabe, na Câmara, num leviano joguete de interesses escusos de senhores votando em causa própria?
Está de parabéns dom Dimas, secretário-geral da CNBB, que mais uma vez se posicionou com o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral: Não se tolera mais adiamento do projeto. O movimento topa dialogar com quem de direito no Congresso. Não aceita, porém, alterações redacionais que venham desfigurar os princípios que norteiam a iniciativa.
A ficha limpa é um passo de suma importância para salvar a democracia e para garantir a credibilidade do processo eleitoral. Mas não é tudo, pois uma análise mais profunda do nosso processo eleitoral nos leva à melancólica conclusão de que ele é estruturalmente corrupto.
Vou citar, para concluir, uma autoridade no assunto, João Heliofar de Jesus Villar: Como procurador regional eleitoral no Rio Grande do Sul, tive a oportunidade de atuar em quatro eleições e refletir demoradamente sobre essa loucura que é o processo das eleições no Brasil. Quem trabalha na fiscalização dos pleitos sabe que o sistema está desenhado para não funcionar. Não se trata de fiscalização ineficiente e sim de fiscalização impossível. (…) Há um consenso silencioso na classe política de que o caixa dois é uma necessidade inafastável. ('Corrupção: o ovo da serpente', Tendências/Debates, 4/1).
Antes de qualquer reforma política entregue a esses mesmos senhores, emerge, pois, a nossa inarredável responsabilidade como sociedade civil organizada."

sábado, 13 de fevereiro de 2010

MARKETING POLÍTICO E ELEITORAL

Busca da imagem ideal do candidato




"Candidatos às eleições precisam de características que o aproximem do eleitor"

Essa é uma das afirmações do comunicólogo e especialista em política, Eugênio Magno, sócio da Factual - Serviços Projetos e Consultorias em Comunicação e Marketing, em entrevista para a jornalista Nice Silva do Jornal Hoje em Dia, em 12.02.2010 (Coluna Propaganda & Negócios, Caderno de Economia, pág 1).


"É bem provável que o candidato ideal não exista em carne e osso para ser votado nas eleições. Mas, com base no perfil dele, é que os profissionais de marketing vão montar a imagem de seus assessorados para as eleições majoritárias de outubro. O candidato ideal não abre mão do carisma, é democrático e se apresenta em trajes condizentes com a expectativa de seu público. Também tem características desenvolvimentistas e consciência ecológica suficiente para promover o desenvolvimento sustentável." Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.

(Fonte: Site do Jornal Hoje em Dia)

NÃO FIQUEMOS SURDOS E CEGOS AOS CONSTANTES APELOS ECOLÓGICOS

A hora e a vez da ecologia mental
Leonardo Boff
Teólogo e escritor

"No dia 2 de fevereiro de 2007 ao ouvir em Paris os resultados acerca do aquecimento global dados a conhecer pelo Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC) o então Presidente Jacques Chirac disse: Como nunca antes, temos que tomar a palavra revolução ao pé da letra. Se não o fizermos, o futuro da Terra e da Humanidade é posto em risco. Outras vozes já antes, como a de Gorbachev e de Claude Levy Strauss pouco antes de morrer. advertiam: ou mudamos de valores civilizatórios ou a Terra poderá continuar sem nós.
Esse é o ponto ocultado nos forums mundiais, especialmente o de Copenhague. Se for reconhecido abertamente, ele implica uma autocondenação do tipo de produção e de consumo com sua cultura mundialmente vigente. Não basta que o IPCC diga que, em grande parte, o aquecimento agora irreversível é produzido pelos seres humanos. Essa é uma generalização que esconde os verdadeiros culpados: são aqueles homens e mulheres que formularam, implantaram e globalizaram o modo de produção de bens materiais e os estilos de consumo que implicam depredação da natureza, clamorosa falta de solidariedade entre as atuais e as futuras gerações.
Pouco adianta gastar tempo e palavras para encontrar soluções técnicas e políticas para a diminuição dos níveis de gases de efeito estufa se mantivermos este tipo de civilização. É como se uma voz dissesse: pare de fumar, caso contrário vai morrer; e outra dissesse o contrario: continue fumando, pois ajuda a produção que ajuda criar empregos que ajudam garantir os salários que ajudam o consumo que ajuda aumentar o PIB. E assim alegremente, como nos tempos do velho Noé, vamos ao encontro de um dilúvio pré-anunciado.
Não somos tão obtusos a ponto de dizer que não precisamos de política e de técnica. Precisamos muito delas. Mas é ilusório pensar que nelas está a solução. Elas devem ser incorporadas dentro de um outro paradigma de civilização que não reproduza as perversidades atuais. Por isso, não basta uma ecologia ambiental que vê o problema no ambiente e na Terra. Terra e ambiente não são o problema. Nós é que somos o problema, o verdadeiro Satã da Terra quando deveríamos ser seu Anjo da Guarda. Então: importa fazer, consoante Chirac, uma revolução. Mas como fazer uma revolução sem revolucionários?
Estes precisam ser suscitados. E que falta nos faz um Paulo Freire ecológico! Ele sabiamente dizia algo que se aplica ao nosso caso: Não é a educação que vai mudar o mundo. A educação vai mudar as pessoas que vão mudar o mundo. Precisamos destas pessoas revolucionárias, caso contrario, preparemo-nos para o pior, porque o sistema imperante é totalmente alienado, estupificado, arrogante e cego diante de seus próprios defeitos... Ele é a treva e não a luz do túnel em que nos metemos..
É neste contexto que invocamos uma das quatro tendências da ecologia (ambiental, social, mental, integral): a ecologia mental. Ela trabalha com aquilo que perpassa a nossa mente e o nosso coração. Qual é a visão de mundo que temos? Que valores dão rumo à nossa vida? Cultivamos uma dimensão espiritual? Como nos devemos relacionar com os outros e com a natureza? Que fazemos para conservar a vitalidade e a integridade de nossa Casa Comum, a Mãe Terra?
Não dá em poucas linhas traçar o desenho principal da ecologia mental, coisa que fizemos um inúmeras obras e vídeos. O primeiro passo é assumir o legado dos astronautas que viram a Terra de fora da Terra e se deram conta de que Terra e Humanidade foram uma entidade única e inseparável e que ela é parcela de um todo cósmico. O segundo, é saber que somos Terra que sente, pensa e ama, por isso homo (homem e mulher) vem de húmus (terra fecunda). O terceiro que nossa missão no conjunto dos seres é de sermos os guardiães e os responsáveis pelo destino feliz ou trágico desta Terra, feita nossa Casa Comum. O quarto é que junto com o capital natural que garante nossa bem estar material, deve vir o capital espiritual que assegura aqueles valores sem os quais não vivemos humanamente, como a boa-vontade, a cooperação, a compaixão, a tolerância, a justa medida, a contenção do desejo, o cuidado essencial e o amor.
Estes são alguns dos eixos que sustentam um novo ensaio civilizatório, amigo da vida, da natureza e da Terra. Ou aprendemos estas coisas pelo convencimento ou pelo padecimento. Este é o caminho que a história nos ensina."
(Fonte: Site da Revista Triplov de Artes, Religiões e Ciência)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

SERES VIVOS PEDEM SOCORRO

Justiça pelas baleias

(Foto: Tobias Schwarz /REUTERS)
Ativistas do Greenpeace protestaram nessa segunda-feira, dia 08.02.2010, em frente à embaixada japonesa em Berlim, pedindo o fim da pesca às baleias.

OS MILAGRES DE CADA DIA

O crucifixo do Haiti
Pe. Francisco Agamenilton Damascena
Vice-reitor do Seminário Diocesano
São José (Uruaçu - GO)
"Acabo de ver a imagem do Crucifixo da Igreja Sacre Coeur du Tugeau, no Haiti, exibida pelo Fantástico, programa da Rede Globo. O templo sagrado desabou e restou aquele Crucifixo, quase intacto, grande, erguido, exposto aos olhares que banham de lágrimas as noites haitianas. As pessoas param em frente a ele, choram e rezam. Esta imagem provoca o ser pensante. Por que foi assim? Por que aquele Crucifixo resistiu ao equivalente a 30 bombas nucleares como a de Hiroshima? E Cristo ficou ali. Parece ser aquela Sexta-Feira Santa, em Jerusalém, no alto do Calvário.
Pus-me a pensar e contemplar a chocante cena. Abri as Sagradas Escrituras e pus-me a ouvir o Senhor. O Filho do Homem permaneceu naquele lugar, representado pela imagem, para dizer aos sofredores haitianos que eles não estão sozinhos. Jesus Cristo está crucificado com eles e eles com Cristo. Suas dores são minhas dores; suas lágrimas são minhas lágrimas; seu sangue é o meu sangue. Estou na cruz despido, como vocês que agora se encontram despidos de tantos bens. Como disse o Profeta Isaías: a verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores (Is 53,4).
Os braços do Filho de Deus permaneceram abertos em Porto Príncipe para acolher o clamor de homens e mulheres transpassados pela lança da destruição, da fome, da sede, da perda de esperanças. O lado aberto do Cordeiro de Deus ficou ali, às margens da rua destruída, para dar descanso e consolo aos que ainda gritam por socorro debaixo dos escombros de uma cidade cujo concreto tombou sobre vidas cheias de sonhos. Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos e eu vos darei descanso (Mt 11,28). O Crucificado resistiu às forças cósmicas para dar refúgio e abrigo aos que vagueiam pelas ruas sem destino.
O Crucifixo do Haiti foi mais forte que o terremoto para manter viva na mente e coração dos que por aquela rua passarem a boa notícia: prova de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão (Jo 15,13). Ali ficou uma imagem sagrada feita de matéria, porém, ao seu lado, ficaram os corpos de homens e mulheres, que viveram até o fim o Mandamento Novo. Eles foram imagens vivas do Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas. Trata-se da Dra. Zilda Arns e quinze sacerdotes presentes naquela igreja no momento da tragédia. Eles estavam juntos porque queriam amar intensamente as crianças daquela nação que esperavam por vida e vida em abundância.
O Crucifixo do Haiti permanece erguido e o Espírito de Deus fala aos corações das pessoas de bem que salvam aquela sofrida gente. Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; ... Todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes! (Mt 25, 35-36.40).
O Crucificado ressuscitou e enviou do Pai o Espírito Santo renovando todas as coisas. Ele ficou naquela destruída rua para dizer: Coragem, eu venci o mundo (Jo 16,33). Em meio ao caos da maior tragédia enfrentada pela ONU, há esperança, a luz dissipa as trevas em cada pessoa resgatada com vida, e em cada criança amparada. E o brilho volta a resplandecer nos olhos que agora choram os mortos. É a força criativa e reconstrutora do Amor estampada no Crucificado do Haiti."
(Fonte: Blog do padre Alex)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O OURO A PREÇO DE SANGUE

Ouro de Sangue: documentário sobre os impactos sócioambientais causados pela atividade de mineração de ouro em Paracatu/MG

Kellen Guimarães

"Quando recebi o link Blood Stained Gold , documentário sobre Paracatu, cidade de Minas Gerais, fiquei chocada ao ver como o poder econômico passa um rolo compressor em cima de vidas humanas e ao próprio ecossistema em troca de ambições financeiras e políticas.A agressão aos Direitos humanos e ao meio Ambiente é escancarada, sem o mínimo respeito e dignidade.
O mais triste é que essa prática não é nova, e vem acontecendo com muitas populações locais de várias cidades, não só no Brasil, como no mundo. O poder público, principalmente, as leis ambientais no que diz respeito à obtenção de licença e operação de atividades poluidoras são fornecidas às empresas sem mínimo critério e cuidado com o Estudo de Impacto Ambiental - chamado EIA-RIMA.
Normalmente, empresas com potencial poluidor se hospedam próximas aos centros urbanos onde possam usufruir de uma infraestrutura já instalada, como rede fluvial, energia elétrica, asfalto, transporte, vias de trânsito rápido, e dentre outras facilidades. Tudo para economizarem tempo e recurso, pois o objetivo é lucro a jato, e se esquecem das pessoas que residem no entorno. Os idosos, crianças e pessoas com a saúde já debilitada são os primeiros a sentir os impactos negativos.A empresa Rhodia em Cubatão foi exemplo seríssimo dessa negligência pública. Vários empregados foram contaminados com Poluentes Orgânicos Persistentes, os chamados POPs. Substâncias químicas altamente perigosas ao organismo humano, e alto poder de contaminar o meio ambiente, banidas pela Convenção de Estocolmo.Recentemente, o caso do bairro Camargos, em Belo Horizonte/MG. A comunidade sofreu, desde 2003, com a atividade de incineração de lixo hospitalar da empresa SERQUIP. Segundo a Resolução do Conama nº 216, atividade de alta periculosidade não podendo ser instalada próxima às residências humanas. Com muita luta e sofrimento, a comunidade se uniu e conseguiu o embargo das atividades da empresa em 2009.É um absurdo pensar que em plena fase de calamidades ambientais ainda grande parte das pessoas civis e poder público vivem só para o presente. O pensar sustentável deveria ser um ato de instinto de sobrevivência para as futuras gerações.
Segundo informações dispostas no blog Blood Stained Gold, Ouro de Sangue foi um documentário que procurou registrar e disponibilizar informações acerca do sofrimento vivido pela população de Paracatu/MG. Além do vídeo, o site disponibiliza em texto, a história da cidade e como tudo começou, e vários depoimentos de pessoas que viveram na pele os estragos sócio-ambientais decorrentes da poluição das atividades de mineração de ouro."


SINOPSE:
Ouro de sangue é um documentário que aborda as consequências sócioambientais decorrentes das atividades de mineração de ouro desenvolvidas em Paracatu (MG) desde o ano de 1987. O grupo industrial canadense que atua na cidade iniciou em 2007 – sob a aprovação dos órgãos ambientais legalmente responsáveis – um projeto de expansão para mais 30 anos de exploração da mina. O que sobra para os paracatuenses são enormes feridas abertas pelas lavras a céu aberto e em perímetro urbano, poeira tóxica, populações tradicionais enfermas e em franca desintegração. Imagens e depoimentos de arquivo - originalmente captados em película e super-VHS – alternam-se durante todo o filme com imagens e depoimentos atuais, em formato miniDV. Além daqueles que moram em área limítrofe à mineradora e sofrem mais diretamente os problemas em questão, há também os depoimentos de um diretor da empresa, um geólogo, um médico/cientista e um Procurador de Justiça Criminal pelo estado de Goiás". (Sinopse por Silveira).

FICHA TÉCNICA:
OURO DE SANGUE – Vídeo-documentário de 43’:38”. Direção de Sandro Neiva e Alessandro. Entrevista, Narração, Roteiro e Montagem SANDRO NEIVA; Direção de Fotografia ALESSANDRO SILVEIRA; Direção de Arte WALESCKA MARTINS; Edição e Finalização DHIEGO SANTANAI; Imagens de Arquivo e Entrevistas antigas ALESSANDRO SILVEIRA; Iluminação ARCANJO DANIEL FONSECA; Produção FÁBIO CASTRO RAMOS e ARCANJO DANIEL FONSECA; Trailer MARCOS COSTA; Fotografia de Still MOACIR GUERINO; Trilha Sonora A Missa da Terra Sem Males, Concierto de Aranjuez – Adágio Type Of Negative Amorphis, Murro no Olho; Imagens Adicionais The Corporation – documentário de Marck Achbar, Jennifer Abbot e Joel Bakan; Fotos do Museu Histórico Municipal de Paracatu e do Arquivo Público de Paracatu. Direção Geral SANDRO NEIVA Sandro Neiva & Alessandro Silveira 2008 – 43:38 MIN – COR.


Não há vídeo deste documentário no youtube. Para assistí-lo, clique neste link: http://www.bloodstainedgold.blogspot.com/, pois não há vídeo no youtube para colocá-lo na integra neste post. Vale a pena conferir, pois é chocante as feridas e os rastros de tristeza que a atividade de mineração deixou na cidade.
(Fonte: Site www.meumundoamigo.blogspot.com)

IMAGENS QUE FALAM, OU MELHOR, GRITAM!!!

Corpos "plastificados" em disputa de poker,
na exposição do Doutor Morte, na Alemanha.

Foto: Carmen Jaspersen/EFE
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)



Barbeiro haitiano atende cliente entre destroços do terremoto.

(Fonte: O Estado de São Paulo, 04.02.10)

DOM OSCAR ROMERO PODERÁ SER BEATIFICADO

Episcopado salvadorenho solicitará ao Vaticano
beatificação de dom Oscar Romero


"Nós como Igreja temos o desejo de que dom Romero seja beatificado o quanto antes. A afirmação é do arcebispo de San Salvador, dom José Luis Escobar Alas, em coletiva de imprensa. Ele também confirmou que os bispos salvadorenhos pretendem enviar uma carta ao Vaticano pedindo pela beatificação de dom Oscar Arnulfo Romero, arcebispo de San Salvador assassinado em 24 de março de 1980, enquanto celebrava missa.
Segundo dom José Luis, houve consenso entre os bispos para que fosse escrita uma carta à Congregação das Causas dos Santos e já foi formada uma comissão para esse fim. 'Esperamos que a assinatura de todos os nossos bispos ajude no processo de beatificação, que se encontra numa fase que nós não conhecemos, pois se trata de um procedimento reservado', enfatizou.
O episcopado de San Salvador já aprovou todos os eventos [culturais e religiosos] que lembrarão o 30º aniversário do assassinato de dom Romero, que será lembrado também em todas as Igrejas da América Latina a fim de atualizar a sua herança espiritual e pastoral.
QUEM FOI DOM ROMERO
Nascido em 15 de agosto de 1917, na Ciudad Barrios, distrito de San Miguel, em El Salvador, Óscar Arnulfo Romero Galdámez, mais conhecido como monsenhor Romero, foi o quarto arcebispo metropolitano de San Salvador, entre os anos de 1977 e 1980.
Em Roma, ele estudou na Pontifícia Universidade Gregoriana. Ele foi ordenado sacerdote em 4 de abril de 1942. Em 25 de abril de 1970 foi nomeado bispo auxiliar de San Salvador, e em 15 de outubro de 1974, bispo de Santiago de Maria.
Dom Romero assumiu a arquidiocese de San Salvador em 3 de fevereiro de 1977 e foi escolhido arcebispo por seu conservadorismo. Durante seu trabalho ele foi contra qualquer tipo de violência, posição que o fez ser comparado ao líder indiano Mahatma Gandhi e ao americano Martin Luther King. Em suas homilias dominicais ele passou a denunciar as violências contra os direitos humanos e chegou a manifestar publicamente solidariedade pelas vítimas da violência política que assolava o país da época, no contexto da Guerra Civil daquele país caribenho.
A missão da Igreja é identificar-se com os pobres. Assim a Igreja encontra sua Salvação, disse, dom Romero, em sua homilia do dia 11 de novembro de 1977. Ele foi assassinado em 24 de março de 1980 por um atirador de elite do exército salvadorenho, treinado nas Escolas das Américas, enquanto celebrava missa. Quando se espalhou pelo mundo a notícia de seu assassinato, houve comoção e protestos, além de pressões internacionais por reformas em El Salvador. O papa João Paulo II o declarou servo de Deus."
(Fonte: Site da CNBB)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

PANDA SABOREIA BOLO EM FESTA DE DESPEDIDA




A panda Tai Shan, moradora do zoológico da capital dos Estados Unidos, Washington-DC, será transferida para uma reserva na China. A foto mostra ela saboreando o bolo gelado que ganhou em sua festa de despedida.
(Foto: Ann Heisenfelt/AP)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

UMA EXPERIÊNCIA DE FÉ E POLÍTICA




O economista e ex-prefeito da cidade de Brazópolis, MG, João Mauro Bernardo começa no próximo mês de fevereiro uma série de lançamentos do seu livro Uma experiência de Fé e Política.

O primeiro lançamento acontece no dia 27 de fevereiro, às 19:30hs no Salão Paroquial da Igreja Matriz da cidade de Brazópolis.

A publicação que conta com prefácio do bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, dom Pedro Casaldáliga, é resultado da monografia de conclusão do Curso de Pós-graduação em Formação Política para Cristãos Leigos, do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara, de Brasília - CEFEP-DF, do qual João Mauro foi aluno da primeira turma.


MISTICISMO POÉTICO

Visitação
Eugênio Magno
Enquanto visitava o Livro de Horas, de Rilke,
Uma mariposa, com uma só asa tentava
Atravessar a página do livro aberto.
Andava com dificuldade, como um parafuso.
Definitivamente não podia voar,
Mas como podia andava pela estante.
Não parou. Andou em direção a São João da Cruz.
Talvez também fosse visitá-lo em sua noite escura.
(do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

domingo, 24 de janeiro de 2010

VIDA DEDICADA À MISSÃO EVANGÉLICA E SOCIAL

''Memória e missão'': experiências de
uma caminhada junto à Igreja-Povo de Deus.
(Entrevista especial com o pe. José Ernanne Pinheiro)

Memória e missão. Memória da Vida e da Missão. Memória da caminhada, num período determinado da Igreja e da sociedade, explicitando experiências de vida no horizonte da missão.
"Com essas palavras, José Ernanne Pinheiro, sacerdote cearense há mais de 40 anos, abre seu livro "Memória e Missão: Experiências de vida" (Paulinas, 2009). Assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e secretário executivo do Centro Nacional Fé e Política Dom Helder Câmara (Cefep), Ernanne acompanhou os desenvolvimentos do Concílio Vaticano II, quando morava em Roma. Trabalhou como operário metalúrgico na França. Regressando ao Brasil, atuou durante 19 anos na arquidiocese de Olinda e Recife, ao lado de Dom Helder Câmara. E vivenciou a repressão da ditadura sobre alguns de seus colegas padres, como o assassinato do Padre Antônio Henrique Pereira Neto.
José Ernanne Pinheiro é natural de Jaguaretama (CE). Formou-se em filosofia no Seminário da Prainha, em Fortaleza, e em teologia na Universidade Gregoriana, em Roma. Durante 19 anos, foi coordenador da Pastoral e Diretor do Instituto de Teologia do Recife (ITER). A partir de 1986, ocupou o cargo de assessor da CNBB no Setor dos/as Leigo/as e na Assessoria Política.
O Instituto Humanitas Unisinos conversou com o pe. Ernanne Pinheiro. Confirma a entrevista clicando aqui.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

MARINA SILVA CONTA COM O APOIO DE HELOÍSA HELENA

(Foto: Elza Fiúza - Agência Brasil)
Heloísa contraria PSOL e reitera apoio a Marina

Em reportagem de Luciana Nunes Leal para o jornal O EStado de S. Paulo, de 23.01.10, a presidente nacional do PSOL, Heloísa Helena, lamentou ontem a decisão da direção partidária de interromper as negociações para apoiar a candidata do PV à Presidência, senadora Marina Silva.

"Ex-senadora e hoje vereadora em Maceió, Heloísa disse que continua a torcer pela eleição de Marina e que está à disposição da candidata para contribuir na elaboração do programa de governo.
Na quinta-feira, a maioria do PSOL optou pelo lançamento de candidatura própria ao Palácio do Planalto. Heloísa defendia apoio formal a Marina, mas sem participar das alianças, por causa da opção do PV de se unir, em alguns Estados, a partidos como o PSDB.
Quero deixar claro que todo respeito, a admiração e a amizade que tenho por Marina estão preservados. Ela é competente, honesta, sensível e absolutamente preparada. Torço muito para que seja eleita, disse Heloísa. Onde Marina entender que eu posso ajudar, com minha experiência, na construção do programa, vou contribuir, especialmente em segurança pública, saúde e educação.
A costura de uma aliança dos verdes com o PSDB no Rio, em torno da candidatura do deputado Fernando Gabeira ao governo, foi decisiva para a interrupção das negociações do PSOL com o PV. Infelizmente a tática eleitoral do PV no Rio acabou por criar obstáculos à aliança que seria feita. Minha proposta era apoio a Marina independentemente de aliança com o PV e com interferência no programa de governo. Infelizmente o PSOL não entendeu dessa forma, lamentou Heloísa.

DISPUTA INTERNA
Internamente, a principal líder do PSOL vai trabalhar pela candidatura do presidente do diretório de Goiás, Martiniano Cavalcanti, ao Palácio do Planalto. Martiniano vai disputar a indicação com o ex-deputados Babá e Plínio de Arruda Sampaio em prévia que deverá acontecer em março.
Heloísa negou a existência de uma divisão no PSOL e disse compreender a decisão do partido que preside. Vejo com tristeza, mas acato. Nem minha candidatura à Presidência da República era consenso no partido. Existiam pessoas que queriam minha candidatura apenas pelo eleitoralismo, para ajudar nos Estados, afirmou Heloísa."
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A NOVA ERA DA COMUNICAÇÃO

A era pós-mídia de massa: a desconfiguração
e descentralização da Comunicação.
(entrevista especial com Ivana Bentes)
"Desconfigurar, descentralizar, até mesmo explodir. Para a doutora em Comunicação e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ivana Bentes, o que caracteriza a era pós-mídia de massa são justamente as práticas descentralizadas de comunicação. A Internet é esse lugar de desconfiguração, afirma a professora em entrevista concedida, por email, à IHU On-Line.
Ivana acredita ainda que o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo abre uma série de novas questões e debates sobre o campo da comunicação pós-mídias digitais bem mais interessantes do que o velho muro das lamentações corporativas. Segundo ela, os cursos de Comunicação precisam dar uma virada e explodir o ambiente da sala de aula tradicional e pensar uma formação por projetos, uma wiki-universidade.
Analisando os resultados do Fórum de Mídia Livre e da Confecom, afirma que foram um momento histórico, vivo, vibrante das possibilidades e limites da atual democracia brasileira. É a sociedade inteira que se apropria das tecnologias e da linguagem jornalística contra o jornalismo, explodindo o jornalismo corporativo, defende.
Ivana Bentes é doutora em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professora associada do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ e Diretora da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO/UFRJ), também atua na área de Comunicação, com ênfase em estética, audiovisual, cinema, imaginário social, pensamento contemporâneo e cultura digital. Atualmente se dedica a dois campos de pesquisa: Estéticas da Comunicação, Novos Modelos Teóricos no Capitalismo Cognitivo e Periferias Globais: produção de imagens no capitalismo periférico. É coordenadora do Pontão de Cultura Digital da ECO/UFRJ. É curadora na área de arte e mídia, cinema, audiovisual." Para ler a entrevista na íntegra clique aqui.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Umanitas Unisinos)

O HAITI TAMBÉM É AQUI

Foto: site do Google

Terremoto neoliberal no Haiti

Gilvander Moreira
Frei Carmelita e Pároco da
Igreja do Carmo em Belo Horizonte, MG

Gangues disseminam o terror no Haiti, repete à exaustão a mídia, que rotula o povo haitiano como violento.. Será mesmo? Será que a natureza indomável é a principal responsável pelo sofrimento sem tamanho que se abate sobre o povo haitiano? Reflitamos.
O Haiti foi invadido brutalmente por fuzileiros navais dos Estados Unidos entre 1915 e 1934. Incontáveis ditaduras haitianas foram auxiliadas e apoiadas por Washington.
Em 2004, em um golpe militar, o presidente do Haiti, Jean-Bertrand Aristide, democraticamente eleito, foi seqüestrado pelos Estados Unidos e levado de avião para o exílio na África. Estados Unidos, Canadá e França conspiraram abertamente quatro anos para derrubar o governo de Aristide, cortando quase toda ajuda internacional e destruindo a economia haitiana.
'O primeiro governo democrático de Aristide foi derrubado após apenas sete meses, em 1991, por oficiais militares e esquadrões da morte, que mais tarde, se descobriu serem financiados pela Agência Central de Inteligência dos EUA. Agora Aristide quer retornar ao seu país, algo que a maioria dos haitianos reivindica desde o golpe militar que o depôs. Mas os EUA não o querem ali. E o governo Preval, que é completamente dependente de Washington, decidiu que o partido de Aristide – o maior do Haiti – não será autorizado a concorrer nas próximas eleições (previstas originalmente para fevereiro de 2010)', informa Mark Wesbrot (FSP, 19/01/2010, p. A3).
Depois de ter expulsado o ditador Jean-Claude Duvalier, Baby Doc, do Haiti, Jean-Bertrand, sacerdote católico e teólogo da Libertação, de origem humilde, ganhou, com mais de dois terços dos votos, as primeiras eleições livres realizadas no Haiti (dezembro, 1990), tornando-se o símbolo das esperanças populares. Após ter adotado as primeiras medidas contra a corrupção e a falência econômica, foi deposto pelas forças militares, sob o comando do general Raoul Cédras, apenas oito meses depois de ter assumido o cargo. Aristide foi eleito como fruto de um processo de organização popular que levaria o Haiti a justiça social e, provavelmente, a uma sociedade socialista. Isso seria criar uma segunda Cuba nas barbas de Tio Sam. Por isso privatização neoliberal, golpe militar, ingerência militar, esmola ...
Desde 1984, o Fundo Monetário Internacional obrigou o Haiti a liberar seu mercado. Os escassos e últimos serviços públicos foram privatizados negando acesso a eles ao povo marginalizado. Em 1970, Haiti produzia 90% dos alimentos que consumia, atualmente importa 55%. O arroz estadunidense subvencionado matou a produção local. Em agosto e setembro de 2008, a disparada mundial dos preços dos alimentos fez com que aumentasse o preço dos alimentos no Haiti em 50%, o que deu origem aos motins da fome.
A Cruz Vermelha diz que haitianos estão ‘agressivos’ diante da falta de mantimentos. Dia 18 de janeiro de 2010, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em visita a Porto Príncipe, ouviu do povo haitiano nas ruas gritos como “não precisamos de ajuda militar; precisamos de comida e abrigo. Estamos morrendo.” O Banco Mundial, o FMI, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e muitas empresas transnacionais há décadas têm cinicamente jogado a sociedade haitiana em um inferno social.
A situação de grande parte do povo haitiano há muito tempo é semelhante a de milhões de brasileiros que sobrevivem nas favelas e nas prisões brasileiras: pobres demais e negros demais para participarem da Casa Grande atual, os bairros nobres das cidades. Sem reforma agrária, com apoio irrestrito ao agronegócio, cinqüenta milhões de brasileiros foram empurrados pela classe dominante para as atuais senzalas, as favelas brasileiras onde as prisões são o pelourinho. Tem razão Caetano Veloso ao dizer O Haiti é aqui... .
Enfim, tanto no Haiti como no Brasil (e América Latina, África e Ásia), as políticas neoliberais estão causando o mais tenebroso terremoto social. Um terremoto natural, como o de 7 graus na escala Richter que golpeou o Haiti em 12 de janeiro de 2010, se pode imputar à fatalidade, mas o vergonhoso e insuportável empobrecimento das populações urbanas e rurais de Haiti, não. O Governo brasileiro acertadamente defende a restauração da democracia em Honduras. Por que não defender a democracia também para o Haiti? Para isso deveria enviar para o Haiti, no mínimo, três mil médicos, assistentes sociais e lideranças populares (com infra-estrutura para atuarem) e trazer de volta quase todos os 1200 militares que lá estão.
Não nos esqueçamos: o Haiti foi o primeiro país latino americano a conquistar sua independência, ainda em 1804, a partir de uma 'revolta dos escravos', que infligiram contundente derrota às forças invasoras francesas. Assim, o povo negro haitiano inspirou todas as lutas por independência na nossa Pátria Grande, a América afrolatíndia. A sede de vida e de liberdade do povo negro do Haiti tem sido reprimida secularmente por vassalos de um sistema de morte: o capitalismo neoliberal."

sábado, 16 de janeiro de 2010

O CINEMA BRASILEIRO SAI GANHANDO COM LULA



Lula, o filme e o cinema

Eugênio Magno

Lula, o filho do Brasil, já mereceu muitos comentários. A grande maioria, pré – conceituosos, na acepção da palavra. Foi um tal de “não vi e não gostei” que esvaziou as salas de exibição. Coisa das elites. Críticas levianas de quem sequer viu o filme e não permitiu que o público fizesse o seu próprio julgamento. A imprensa especializada, com desonrosas exceções, foi mais cautelosa e não entrou na onda.
Os arautos do caos erraram feio. Usaram mísseis para matar pernilongo. O filme não era nada do que se esperava. Aplaudido timidamente por Lulistas e Petistas roxos e, criticado de forma veemente pelos desafetos do presidente, Lula, o filho do Brasil foi acusado antecipadamente de propagandista. Diziam que o filme era inspirado nas estratégias do ministro da propaganda do Terceiro Haich, Joseph Goebbels, com planos ao estilo de Leni Riefenstahl, etc. Mas a fita, taxada de “oportunista, lançada em ano eleitoral, que provocaria grande comoção nacional...”, não passa de uma produção mediana da família Barreto. O que sobrou em cuidados com a blindagem do personagem Lula, faltou em ousadia inventiva e arrojo de linguagem. Fora alguns equívocos na escolha do elenco. Cléo Pires, por exemplo, cumpre bem seu papel de atriz, interpretando a primeira esposa de Lula. Vê-la é sempre muito agradável, mas a personagem que interpreta não precisava de um rosto tão marcado. Da mesma forma que, desconhecida do grande público, a mãe de Luiz Inácio, dona Lindu, não carecia da conhecidíssima Glória Pires para ser apresentada ao povo brasileiro. O elenco de apoio foi bem escalado e o ator Rui Ricardo Dias, que podia facilmente ter se resvalado para o clichê, encarnou muito bem a figura do líder sindical. Sua interpretação, aliás, é um dos pontos altos do filme.
Lula, o filho do Brasil seria mais um filminho medíocre, se não fosse tão correto tecnicamente, fato justificável pela experiência dos realizadores, pelo seu custo de produção e, claro, por contar a bela história de Lula. A saga de um nordestino que tinha tudo para dar errado na vida, mas que, contrariando a lógica burguesa, virou presidente do Brasil, é o chefe de Estado mais popular do mundo e foi escolhido “homem do ano”, pelo jornal francês Le Monde.
Muito mais do que o filme, o que me interessa nessa polêmica é o cinema. Oportunista ou não, nenhum presidente brasileiro pensou o cinema de forma estratégica. Lula o pensou ou pensaram com e/ou para ele, não importa. Especialmente para o setor cinematográfico, o mais importante é a inserção do cinema como política cultural de Estado. E, olhando sob esse ponto de vista, lamento que o filme não tenha sido o que alardearam seus detratores. Ainda assim, pelo filme e, pela quantidade – nunca vista – de editais para o setor audiovisual no Brasil democrático, o atual governo se inscreve na história como um divisor de águas para a sétima arte nacional. Depois de Lula, presidente nenhum desse país, vai poder ignorar o cinema brasileiro.
Este artigo também foi publicado nas versões impressa e online dos jornais O Norte de Minas, de 19.01.10 e O Tempo, de 23.01.10. Para conferí-lo nesses veículos é só clicar nos seus respectivos links.

CIDADE INUNDADA NA DÉCADA DE 50 VIRA PONTO TURÍSTICO



Pessoas caminham sobre o lago-reservatório Reschen, congelado pelo frio, em direção à torre da Igreja de Graun , no norte da Itália. Essa cidadezinha foi destruída por uma inundação na década de 50, quando o rio foi represado para produzir eletricidade.
(Fonte: Arnd Wiegmann / Reuters-Time, 08-01-2010)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A REPERCUSSÃO DO ARTIGO SOBRE PRESÉPIO

Nem sempre acertamos exatamente onde miramos quando escrevemos um texto. Todavia, de vez em quando, mesmo em meio a essa overdose de informação, conseguimos atingir nossos objetivos comunicacionais.
Fiquei muito satisfeito com a repercussão do artigo que postei aqui no blog com o título de Um presépio exemplar, cuja chamada era A Festa do Natal e o aniversariante esquecido. Além de postado no minasegerais.blogspot.com ele também foi publicado na seção Artigos da página eletrônica do Jornal de Opinião: http://www.jornaldeopiniao.com.br/; no jornal impresso e on-line O Norte de Minas, de 22.12.2009: http://www.onorte.net/; na página de opinião do jornal O Tempo (impresso e on-line), de 23.12.2009: http://www.otempo.com.br/.
Vários comentários foram feitos sobre o artigo. Um deles, entretanto, me chamou mais a atenção. Ei-lo:
"Senhor Jornalista Eugenio Magno,
Paz e Bem!
Foi com grande alegria que li seu artigo sobre o presépio de nossa paróquia de Santo Antonio dos Funcionários. Ainda ontem. na missa das 18:00 horas, nosso pároco, Frei Juvenil, leu trechos de seu artigo e pude presenciar a emoção e alegria com que as pessoas ouviam cada palavra. Obrigada senhor Eugênio. Obrigada por entender, por acolher a mensagem do nosso presépio, idealizado por nosso pároco. Como ele mesmo disse, inspirado em seu texto, todos nós nos sentimos um rei mago. Que bom que numa tarde de um dia de semana o senhor parou em nossa igreja para rezar. Com certeza o senhor foi guiado por Deus.
Acho que passou da hora de me apresentar: meu nome é Isabel, sou catequista e ministra extraordinária da comunhão eucarística, participo do Encontro de Casais com Cristo e com muita alegria e muita disposição atuo na Paróquia de Santo Antônio dos Funcionários.
Mais uma vez, obrigada, Deus lhe pague. E venha nos visitar sempre que puder. Será um prazer conhecer o senhor. O senhor também foi um rei mago do nosso presépio!"
MARIA ISABEL SOLLERO LEMOS
Belo Horizonte, MG
É por demais gratificante receber esse tipo de feedback.
Eu é que agradeço a você, Isabel e ao frei Juvenil pela generosidade do agradecimento. Como aprendiz de cristão e perseguidor do humanismo, não fiz mais que a minha obrigação.

A CRISE NÃO ACABOU

Começo do fim (ou fim do começo) da crise?

"Uma espantosa campanha midiática utiliza alguns sinais isolados para dizer que o pior da crise já passou. A volta da bolha nas bolsas de valores é apresentado como sintoma de uma melhoria geral. Na verdade, estamos perto de uma segunda queda recessiva, mais forte que a de 2008. Os socorros globais de 2008-2009 desaceleraram a queda econômica, mas geraram enormes déficits fiscais nas potências centrais, o que as coloca diante de graves ameças inflacionárias." Para ler a entrevista com análise completa do economista argentino Jorge Beinstein, clique aqui.

(Fonte: Site da Agência Carta Maior)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

BORIS CASOY PISOU NO TOMATE

Sindicato vai entrar com ação civil pública contra Boris Casoy
"O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo (Siemaco), José Moacyr Malvino Pereira, afirmou que irá entrar com uma ação civil pública contra o jornalista Boris Casoy, por sua declaração sobre o trabalho dos garis no Jornal da Band. 'Vamos entrar com uma ação civil pública para que ele se retrate na Justiça. Já assinei a procuração', declarou o presidente da entidade.
O apresentador do Jornal da Band tem sido criticado desde o dia 31/12, quando saiu no ar o áudio de uma declaração sobre os garis que desejavam feliz ano novo. Ainda na vinheta do jornal, sem saber que seu microfone estava aberto, Casoy declarou: 'Que m... dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. Dois lixeiros... O mais baixo da escala de trabalho'.
No dia seguinte, no mesmo jornal, o apresentador pediu desculpas pela atitude. 'Ontem durante o intervalo do Jornal da Band, num vazamento de áudio, eu disse uma frase infeliz, por isso quero pedir profundas desculpas aos garis e aos telespectadores do Jornal da Band', disse.
Nesta segunda-feira (04/12), o Siemaco entregou na TV Bandeirantes uma carta de repúdio a Boris Casoy. 'Não aceitamos as desculpas do apresentador, que foram meramente formais ao ser pego ao manifestar o que pensa e que, infelizmente, reforça o preconceito de vários setores da sociedade contra os trabalhadores garis e varredores...'
Em uma nota oficial no site do sindicato, a entidade também criticou o desmerecimento dado ao trabalho dos garis. 'Lamentavelmente Casoy demonstrou não dar valor ao importante serviço prestado por nossos trabalhadores, humilhando-os publicamente. Ele esqueceu-se que limpeza significa saúde pública e, se nossos lixeiros no alto de suas vassouras não cuidassem da nossa cidade, certamente viveríamos no caos. Com certeza, podemos viver sem notícias, mas não sem limpeza', diz a nota.
A assessoria de imprensa da Band informou que o apresentador já pediu desculpas em público. A direção de jornalismo da emissora ainda não se manifestou sobre o caso."
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

A CAIXA PRETA DA MONSANTO FOI ABERTA

Contratos secretos da Monsanto são revelados
"Contratos confidenciais que detalham as práticas de negócios da Monsanto Co. revelam como a maior desenvolvedora de sementes do mundo está pressionando competidores, controlando companhias menores de sementes e protegendo seu domínio sobre o mercado multibilionário de sementes geneticamente modificadas." Para ler a reportagem completa de Chirstopher Loenard, publicada pela Associated Press e pelo sítio The Atlanta Journal-Constitution, 14-12-2009, com tradução tradução de Moisés Sbardelotto clique aqui.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O HOMEM DO ANO

Jornal Le Monde elege Lula o "Homem do ano"
A publicação francesa apontou o presidente brasileiro como o responsável pelo renascimento do Brasil como um gigante na cena mundial. O jornal espanhol El Pais também escolheu Lula como a "Personalidade do Ano", destacando que ele passará à história pela ambição realizada de tornar o Brasil um país desenvolvido. Para o Le Monde, o presidente soube ser um democrata, lutando contra a pobreza sem ignorar os motores de um crescimento mais respeitoso dos equilíbros naturais. "A consagração de Lula acompanha a renovação do Brasil", resume o jornal. Para ler a amatéria na íntegra, clique aqui.
(Fotografia: Agência Reuters)

(Fonte: Site Carta Maior)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

ERA UMA VEZ UM VERÃO NA FLORESTA

Cabelos de ouro

Eugênio Magno

A minha maior lembrança era a do sol
se misturando àqueles cabelos de ouro

Nunca mais a vi
Não consigo me lembrar do seu rosto
Nem sei se o vi

Só sei que o seu caminhar era
de uma formosura sem par

Dos seus olhos não sei a cor
Na sua boca não vi sorriso

Só tive olhos para a sua pele alva
vestida de um branco translúcido

Para aqueles cabelos de ouro penetrados pelo sol
E eu, de longe, era só olhar e encantamento
(Inédito)

OS CAMINHOS DA MISÉRIA

Criança pede esmola perto de Teixeira de Freitas (BA), na BR-101, que corta o litoral de 12 Estados e é a 2ª maior rota rodoviária do país.

Fotografia: Fernando Donasci/Folha Imagem - Folha de S. Paulo, 21-12-2009.

(Fonte: Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores - CEPAT - Curitiba, PR)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A CRISE DA GLOBALIZAÇÃO



A desglobalização começou. Não voltaremos para o velho regime
"A desglobalização já começou", assegura o sociólogo Richard Sennett (Chicago, 1943). A saída da crise será lenta, e de jeito nenhum voltaremos ao "ancient régime", à espumosa paisagens das duas últimas décadas, nas quais o sistema estava criando seu próprio colapso porque tinha "abandonado a economia real, que se nutre de trabalhadores qualificados, de artesãos".
Para ler na íntegra a reportagem de J. M. Martí Font, publicada no jornal El País, 22-12-2009, com tradução de Moisés Sbardelotto, clique aqui.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A FESTA DO NATAL E O ANIVERSARIANTE ESQUECIDO

Um presépio exemplar

Eugênio Magno
Num domingo desses de dezembro, participando de uma celebração eucarística na Igreja de Santa Efigênia, me flagrei como que hipnotizado, olhando para um belo presépio, cujas luzes brilhavam a poucos metros de onde estava sentado.
Imediatamente após aquele alumbramento momentâneo me dei conta de que eu sempre gostei de presépios. Desde a infância que eu fico inebriado com essa representação celebrativa do cenário de nascimento do menino Jesus. A manjedoura e todos os personagens que compõem aquele quadro sempre me seduziram. Ainda lembro bem que era uma verdadeira viagem pelo mundo do sagrado ficar horas a fio com os amigos da vizinhança, em Montes Claros, a contemplar o presépio feito por dona Lózinha e depois por dona Júlia, que seguiu a mesma devoção de sua mãe.
Já vi muitos presépios, de todos os tipos: de traquitanas artesanais, como o famoso Pipiripau, a modelos mais modernosos, de concepção hi-tech. Mas dias atrás, um presépio me chamou a atenção. Foi numa tarde qualquer de um dia de semana comum que, por obra do acaso, entrei na capela do Colégio Santo Antônio, na Savassi, para meditar um pouco. E lá, em meio a caixas de leite longa vida, garrafas de óleo, sabonetes, dentifrícios e cestas básicas, havia uma pequena manjedoura com as imagens de Jesus, Maria, José e outros personagens.
A princípio, aquela estética me causou estranheza, mas numa questão de segundos, quando compreendi a proposta, o estranhamento se transformou em deleite. Estava diante de um presépio exemplar. Visite-o, se puder, caro leitor, e verá que ele nos desinstala e convoca-nos à participação, exigindo uma atitude concreta. Diante desse presépio, não temos outra alternativa, a não ser agir como os reis magos: Gaspar, Baltazar e Belchior e doar um pouco do muito que temos aos que como o Cristo, nada têm.
Todas as igrejas deveriam ter um presépio como este e, as pessoas, especialmente as mais aquinhoadas, bem que podiam encarnar o papel de reis magos e encher esses templos de mantimentos, roupas, agasalhos e também doces, brinquedos, quem sabe até mesmo garrafas de vinho... Porque não? Afinal de contas, Natal é celebração de nascimento e merece comemoração. Não nos esqueçamos, porém que, a festa é de Jesus Cristo, pobrezinho, nascido em Belém (num curral) e filho de pais refugiados. Entretanto, as luzes em torno do Papai Noel são muito maiores e mais brilhantes. E fica muito fácil esquecer do aniversariante e do grande contingente de refugiados da seca ou das enchentes, da falta de emprego, da fome e de tantas outras mazelas de nosso tempo, que nasceram e estão a se multiplicar, dia após dia em aglomerados, ou pior, às margens dos esgotos, sob as marquises e debaixo dos viadutos.
Que o Natal seja de mesa farta, muitos brindes, árvore cheia de presentes, saúde, paz, amor, harmonia, sucesso, dinheiro, e de todas as coisas que todo mundo diz desejar nessas ocasiões, acrescidas de dignidade, afeto, generosidade, solidariedade e justiça. Para todos... sem distinção de qualquer espécie.
Fotografias: Geovana R. Martins