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quinta-feira, 1 de junho de 2017

OCUPAÇÃO DO "PREDINHO" ANTIGA SEDE DO JORNAL HOJE EM DIA


Jornalistas ocupam prédio da JBS em Belo Horizonte, 

ex-sede do jornal Hoje em Dia

Foto: Isis Medeiros

Da redação do Brasil de Fato em Belo Horizonte (Edição de Larissa Costa)

Cerca de 150 trabalhadores da comunicação, entre jornalistas e gráficos, ocuparam o antigo prédio do jornal Hoje em Dia, de propriedade da empresa JBS, nesta manhã de quinta (1). Parte desses profissionais foi demitida há mais de um ano do jornal e até hoje não recebeu o acerto. A ocupação conta com o apoio de diversos movimentos populares e sindicatos de Minas Gerais.
“Decidimos ocupar o prédio que foi sede do jornal durante décadas para denunciar a toda sociedade o calote. Fomos vítimas de uma negociata política, que envolve figurões da República, e pagamos a conta por projetos de poder, falta de ética e escrúpulos”, denunciam os jornalistas em manifesto divulgado.
O “predinho”
De acordo com o manifesto, o senador afastado Aécio Neves (PSDB) pediu para que o empresário Joesley Batista, da JBS, comprasse o prédio sede do Hoje em Dia. Segundo delação gravada de Joesley, o prédio foi comprado por um valor muito superior ao de mercado. O empresário teria pagado R$ 17 milhões que seriam destinados à Aécio como pagamento de propina. Na ocasião, o senador afastado chamou o imóvel de "predinho", como passou a ser conhecido. 
A história
No início de 2016, 38 jornalistas foram demitidos de uma vez do jornal Hoje em Dia, após este ter sido comprado por Ruy Muniz, empresário e ex-prefeito de Montes Claros que já chegou a ser preso por corrupção. 
Mais informações aqui.
Posição do Hoje em dia
Em nota, o jornal Hoje em Dia afirma que vai colaborar com a Justiça nas investigações e reitera o compromisso com a transparência das informações e a ética profissional. Confira na íntegra:
A atual gestão da Ediminas S/A assumiu o jornal Hoje em Dia quando a venda do prédio já havia sido concluída e vai colaborar com a Justiça prestando todos os esclarecimentos que forem por ela solicitados. O jornal não funciona mais no prédio da rua Padre Rolim. A Ediminas vem cumprindo rigorosamente a legislação trabalhista. Sobre as rescisões de contrato, trata caso a caso as demandas, nas esferas competentes: Ministério Público do Trabalho, Justiça do Trabalho e sindicatos das categorias profissionais relacionadas ao jornal. O Hoje em Dia  reitera o compromisso com a transparência das informações e a ética profissional e informa que mantém seu funcionamento regular, o que permite a preservação de dezenas de empregos. 
Ediminas S/A
Manifesto dos jornalistas 
Ocupa Predinho. Por que estamos aqui?
Somos um grupo de 150 trabalhadores (jornalistas, gráficos e funcionários da administração) demitidos do jornal Hoje em Dia há mais de um ano. Não recebemos nenhum direito trabalhista. Nem mesmo o salário do último mês que trabalhamos. Decidimos ocupar o prédio que foi sede do jornal durante décadas para denunciar a toda sociedade o calote. Fomos vítimas de uma negociata política, que envolve figurões da República, e pagamos a conta por projetos de poder, falta de ética e escrúpulos. A ocupação tem o apoio de diversos movimentos sociais, que trazem solidariedade a nossa causa e lutam por um país mais justo.
Na delação do empresário Joesley Batista, da JBS, ele revela que pagou R$ 17 milhões, um valor que ele mesmo considerou superfaturado, por um prédio e um terreno na Rua Padre Rolim, no bairro Santo Efigênia, em Belo Horizonte. Os imóveis citados pelo empresário eram a sede do jornal Hoje em Dia e foram comprados pela JBS a pedido do senador afastado Aécio Neves (PSDBMG). Mas existem vários detalhes que vão além da delação a que merecem atenção:
1 - Em 2013, quando a candidatura de Aécio Neves se afirmava no ninho tucano e os apoios para o projeto político do neto de Tancredo Neves eram estabelecidos, o governo de Minas Gerais, então comandado pelo tucano Antonio Anastasia, desapropriou um imóvel da Rádio Del Rey, que pertence à família proprietária do Grupo Bel. 2 - A desapropriação custou R$ 1,09 milhão aos cofres públicos e o pagamento foi realizado em junho de 2013.
3 - Cinco meses depois o Grupo Bel (também proprietário das rádios 98 FM, CDL e outras empresas) comprou o jornal Hoje em Dia das mãos da TV Record.
4 – Durante a campanha presidencial de 2013 o jornal Hoje em Dia se posicionou acintosamente favorável à candidatura de Aécio Neves.
5 – Um exemplo: O jornal chegou a publicar uma pesquisa nonsense, que ia à contramão de todas as outras pesquisas de opinião e dava favoritismo a Aécio. A notícia manchetou o portal do jornal no dia 14 de outubro e, velozmente, a imagem da tela do portal do Hoje em Dia estampava a propaganda de televisão de Aécio Neves no dia seguinte.
6 – Outro exemplo: A demissão do jornalista Aloísio Morais do Hoje em Dia, no dia 31 de outubro de 2014. O jornal tentou demiti-lo por justa causa por comentários que ele compartilhou em uma rede social. O comentário criticava o instituto que teve a pesquisa abalizada pela publicação do Hoje em Dia e favorecia Aécio Neves. O jornal perdeu em todas as instâncias e Aloísio foi reintegrado ao trabalho, por determinação judicial, depois de 22 meses.
7 – Após derrota do PSDB, tanto na presidência quanto no governo estadual, o Grupo Bel decidiu vender o jornal Hoje em Dia.
8 – Antes de se efetivar a venda do jornal, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pediu que o empresário Joesley Batista, da JBS, comprasse o prédio do jornal. Segundo delação gravada de Joesley, o prédio foi comprado por um valor superfaturado. Ele chamou o local de: "predinho", como passou a ser conhecido.
9 – Com os ativos da empresa liquidados, o grupo Bel fechou o parque gráfico, demitiu todos os funcionários da gráfica e não pagou os direitos trabalhistas.
10 – O jornal foi vendido para o ex-prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz, que é empresário da educação e conhecido por ter como prática dar calote em funcionários.
11 – Ruy Muniz, que chegou a ser preso acusado de fraude na saúde da administração da prefeitura de Montes Claros, assumiu o jornal e demitiu mais da metade da redação: 38 jornalistas. 
12 – Os jornalistas não receberam nenhum direito trabalhista. Nem o salário do último mês que trabalharam. 
13 – Ação judicial do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais pede que a responsabilidade pelo pagamento dos demitidos seja do atual proprietário, Ruy Muniz, e dos antigos donos do jornal, do Grupo Bel, que são capitaneados por Flávio Carneiro.
14 – Flávio Carneiro também foi citado na delação de Joesley e tratado como um "garoto de recados" para Aécio Neves. O empresário da JBS mandou Flávio falar com o senador para que ele parasse de pedir propina, pois eles estavam sendo investigados. 
15 – Diante de uma armação articulada por políticos e empresários resta aos trabalhadores somente uma alternativa: a luta. Por isso, estamos aqui ocupando o prédio. Queremos apenas o nosso direito, que é o pagamento pelo que trabalhamos. 
(Fonte: Brasil de Fato, 1º de junho de 2017)

domingo, 27 de julho de 2014

CINEMA NAS ESCOLAS


Tanto nessa matéria quanto em outra (cuja chamada está postada aqui, mais abaixo), realizada pelo jornal Hoje em Dia, para as quais fui entrevistado, os editores omitiram falas importantes. Por exemplo: que a lei era muito bem-vinda e deveria ser celebrada tanto por cineastas, quanto pelas escolas, alunos e educadores. Falei que sentia muito o fato de que, muitas das vezes, determinados ganhos, no Brasil, terem que surgir por força de leis, como é o caso da lei das cotas nas universidades. Mas que o fato de ser através de lei não tirava o seu mérito. 
Eu não sou candidato a nenhum cargo político e não entendi o enfoque dado ao assunto, tanto pelo Jornal Hoje em Dia, quanto pela TV Canção Nova que se posicionaram claramente contra a lei numa atitude que, ao meu ver, soa como partidarista, com interesses eleitoreiros, de oposição ao governo federal. 
Ao fazer a defesa da lei, chamei a atenção para alguns pontos de análise que julgo importante e me posicionei pelo "Partido da Escola e do Cinema". Entre outras coisas, disse que não podemos cinematizar a escola, assim como não podemos escolarizar o cinema. Que o cinema deve ser recebido como uma alteridade na escola. Falei da importância das escolas se aparelharem e dos educadores se prepararem para receber o cinema nas escolas. Mas disse que isso já está acontecendo, através da capacitação e especialização de muitos profissionais que estão se dedicando ao assunto. Citei a KINO: Rede Latino-americana de educação, cinema e audiovisual, da qual fazem parte diversos profissionais e pesquisadores de vários países e de diversas regiões do Brasil que estão se empenhando para oferecer formação e capacitação aos professores. Perguntado se o cinema brasileiro dava conta de responder com uma cinematografia à altura dessa exigência, eu disse que sim, mas que os bons filmes, de qualquer nacionalidade, desde que de qualidade e de formação, seriam bem-vindos. E, destaquei que nos casos em que não tenhamos filmes que cubram determinados temas, com o enfoque que o professor deseje, poderiam ser usados outros filmes, pois a exigência da lei é que o cinema nacional ocupe, no mínimo, duas horas mensais, de exibição nas escolas. Assim, sobra tempo mais do que suficiente para que outras cinematografias sejam incluídas, como já vem sendo feito livremente pelos educadores.
A Canção Nova teve a ousadia de colocar na boca do apresentador e da repórter que a lei sofreu críticas de alunos, professores e especialistas. Quanto aos professores e alunos, eu não sei quantos eles entrevistaram, quais foram os excluídos e o teor de suas respostas. Todavia, no que diz respeito a mim, o especialista, sei muito bem o que disse. E me senti desrespeitado, até porque sou comunicólogo, jornalista e ficou claro que fui usado, como especialista no assunto, em uma edição irresponsável de um trecho da minha fala, tirada do contexto geral, para reiterar seus interesses. Acesse também a matéria do Jornal Hoje em Dia, clicando aqui.

domingo, 20 de julho de 2014

EDUCAÇÃO E CINEMA

Lei torna filmes obrigatórios nas escolas

A lei federal (13.006/14) que pretende levar o cinema nacional para as salas de aula, em vigor desde 26 de junho, ainda não é efetiva em Belo Horizonte. As redes de ensino público municipal, estadual e até mesmo a privada, mesmo equipadas tecnologicamente, ainda não planejaram como se adequar à nova legislação. Segundo especialistas, mais do que tapar buracos na grade curricular e facilitar o ensino, os filmes precisam estar integrados aos conteúdos para complementar o aprendizado.

"(...) antes de pensar em inserir os filmes na grade curricular, é preciso qualificar os educadores para compreensão da linguagem cinematográfica. É fundamental que se analise as questões de linguagem e os formatos de produção. E isso só é possível com a formação do educador nessa área. 

Além disso, outras questões são importantes para que os filmes não sejam usados para preencher a programação das aulas e substituir a explicação do professor. 
A Escola não pode ser cinematizada (nem o cinema escolarizado). Senão, deixa de contribuir com uma formação para usar de instrumentos didáticos que somente facilitam o aprendizado.”

Estas são algumas reflexões do doutorando em Educação e mestre em artes visuais, pela UFMG, Eugênio Magno, que falou sobre o tema em matéria do Jornal Hoje em dia, de 18.07.14. Para ler o texto de Letícia Alves, clique aqui. 
 

sábado, 13 de fevereiro de 2010

MARKETING POLÍTICO E ELEITORAL

Busca da imagem ideal do candidato




"Candidatos às eleições precisam de características que o aproximem do eleitor"

Essa é uma das afirmações do comunicólogo e especialista em política, Eugênio Magno, sócio da Factual - Serviços Projetos e Consultorias em Comunicação e Marketing, em entrevista para a jornalista Nice Silva do Jornal Hoje em Dia, em 12.02.2010 (Coluna Propaganda & Negócios, Caderno de Economia, pág 1).


"É bem provável que o candidato ideal não exista em carne e osso para ser votado nas eleições. Mas, com base no perfil dele, é que os profissionais de marketing vão montar a imagem de seus assessorados para as eleições majoritárias de outubro. O candidato ideal não abre mão do carisma, é democrático e se apresenta em trajes condizentes com a expectativa de seu público. Também tem características desenvolvimentistas e consciência ecológica suficiente para promover o desenvolvimento sustentável." Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.

(Fonte: Site do Jornal Hoje em Dia)