Mostrando postagens com marcador IN GÊ NU(A) IDA DE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador IN GÊ NU(A) IDA DE. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

FRÍVOLOS E INVASIVOS


Nem tudo é Verdade


Eugênio Magno

O voyeur será artista? Olha pelo buraco da fechadura o que deveria estar fora de quadro. Fotografa velhos evacuando e crianças se masturbando. Exibe párias em vitrines de cristal líquido. Liquida. Liquidifica todos. Assenta em confessionários e ouve os pecados do mundo. Pensa a vida como frame e brinca de deus na ilha de edição. Sua loucura é (apenas) disfarce.

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

PELOS CABARÉS DO SERTÃO...



 Randez-vous brejeiro


Eugênio Magno


Eu as olhei, de perto, rijo, quase a tocá-las. Estavam à mesa, como capim seco, dobradas.
Mesmo melancólicas, insinuavam que ainda eram bom pasto.
Entre um chiado e outro, do bolero, na radiola, ouvi vozes. Uma dizia que elas velavam alimentadas por aguardente. A outra, que foram incendiadas pelo rubor da luz.
Desmaiei de fome.

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

sábado, 15 de agosto de 2015

RITO DE PASSAGEM


Ficção sertaneja


Eugênio Magno


O sol inda tava era quente quando eu plantei ali de junto do morão da cancela. De vez em quando vinha um ventinho e balançava as fôia do pasto de bengo misturado com colonhão que ficava do outro lado, de frente da estrada.
Eu alembro bem, era num sábado, véspera de domingo; o segundo dia de aragem depois das águas de março. E eu lá, plantado, amuado, qui nem burro brabo quando impaca.
Coitada de Sá Rufina, passô, deu bastarde, e eu lá, igual estaca, nem banei o rabo. Também, o sol já tava bachano e era d’oje qui eu tava alí...
Num há de sê nada, quem espera sempre alcança, e óia qu’eu esperei... viu essa menina! Suóro? Hum... escorria por tudo enquanto era lado.
Daí a pouco, começo a ouvir um trac-a-troac... trac-a-troac... trac-a-troac, de galope compassado vindo do lado da Mutuca. Êta coração que bateu ligeiro! Lá vinha ele, deichano p’a trás a puêra, o bafo da pinga da venda de Sô Candim e os trocado que tinha levado no bolso, no comérço de Dona Calú.
Apeou, tirô o bornal de riba da cela e mandô qu’eu fosse banhá o corpo.
Quando voltei, já sem suadeira, só cum batimento forte no coração, tava lá a danada, toda vincada in riba da mesa.
Fiquei muito besta... viu essa menina; igual jacú do mato quando vê gente. Também, já tava era passando de hora, viu!? Eu tinha somado naquele dia quinze ano e era a primeira calça cumprida (dessas de loja), qui eu ia vistir...

( Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

domingo, 14 de junho de 2015

SEMPRE O PARADOXO


Encontro


Eugênio Magno


Embora chagado

         te encontro

 indefinidamente

                 [feliz]


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

sexta-feira, 15 de maio de 2015

TEMPO DE ESTIO



Do líquido e do sólido


Eugênio Magno


o suor do céu

inundou meu coração

secou feridas

e solidificou minhas lágrimas.


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O SI, NO SER




Unidade


Eugênio Magno


eu

                    sou vários

Eu

                 sou 1 no

                                            [{Todo}]


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

domingo, 15 de fevereiro de 2015

PELO RETROVISOR



Horizonte
Eugênio Magno
Nos movimentos de nascente e poente

o sol rasgou o meu peito

E a noite dos meus cantos

dos teus encantos

ouviram soluços e lamentos


Busco a relva tardia

a inocência querida

e a brisa dormida


As rotas vestes de um dia

 A simplicidade perdida


Sem morte

A vida.
(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

SÓ QUEM JÁ TEVE SABE O QUE É...


Depressão

Eugênio Magno


eu estive na colônia penal

cumpri pena até por crimes

que não cometi. Meu carcereiro

era uma gralha

[ou seria "O Corvo", de Poe!?]

a serviço de desequilibradas 

emoções conscientes e inconscientes

que me impediam de ir

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

QUERER NÃO É PODER


Paulo de Tarso

Eugênio Magno

não posso fazer

                                                   aquilo que quero

                                                    e não quero fazer

aquilo que posso


(Do Livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

sábado, 15 de novembro de 2014

TEM ÁGUA NA FONTE


Bíblico


Eugênio Magno



Do barro fez-se

o homem

e o homem

barro se fez.


(Do Livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

SUTILEZAS DA SUBJETIVIDADE


Entrelinhas

Eugênio Magno



pela fresta do poema

                            eu vi

seus vales e montanhas


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

FAZER DIREITO ...


Douto

Eugênio Magno


eu nasci errado

entretanto fiz Direito

permaneci torno

(Do Livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

domingo, 15 de junho de 2014

ESTILHAÇOS


(Des) Pe daçando

Eugênio Magno


os pés de vidro

trituram o chão

o pó entre cortado

tortura-se e nada


(Do Livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

quinta-feira, 15 de maio de 2014

PARA VERA FISCHER


Peixa


Eugênio Magno


 RE NO VA TE VE RA

TI VE VE RA TI VE RA

VE RA TE VI NA TE VE

AMO TE VE NA TE VE


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

terça-feira, 15 de abril de 2014

AS DEMORAS E AS PRESSAS


Engarrafado

Eugênio Magno 

Apertado no trânsito

obrou ali mesmo


em fluxo lento


Atendeu ao apito do guarda

pedindo para evacuar


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

terça-feira, 18 de março de 2014

DO TRÁGICO E DO POÉTICO EM NOITE DE LUA


Tango (ou Flamenco)?

 Eugênio Magno


A bailarina cega atravessou a 

noite na ponta dos pés. Fez um 

diadema com a lua e brincos de 

estrelas.

Assassinou o amnhecer.


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

MANIPULAÇÃO CAPITALISTA


Corte Seco

Eugênio Magno


Desligaram a comunicação
sequestraram o sorriso
anistiaram o ladrão

Cortaram a gasolina do carro
amputaram o telefone
Cortaram o sol
sopraram a luz do quarto

Cortaram a ração
racionaram o brilho da lua
Cortaram o vento
fizeram um buraco no céu

Cortaram o fogo
prenderam a água
roubaram o emprego
reteram nosso dinheiro
tiraram o aconchego
invadiram o chão

Cortaram as letras do livro
pintaram as árvores
Cortaram as crianças
soltaram satélites

Cortaram os velhos
quebraram espelhos
Cortaram a vida
ligaram a TV
derrubaram muros
encarceraram você.


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, Eugênio Magno, BH, 2005)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A VIDA COMO ELA É



Profetizando

Eugênio Magno


Na preguiçosa tarde

primeira de outubro

orando sentada estava

a escura senhora

de claros traços de fada

profetizando como que hipnotizada

o que lhe espera

ao final 

da longa 

jornada.


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, Eugênio Magno. Ed. pelo autor. Belo Horizonte: 2005.)

sábado, 17 de agosto de 2013

TRILOGIA DA NOITE

Noite -3
Eugênio Magno

A noite despenteada coberta pelos mesmos gafanhotos da colheita passada faz rssuscitar demônios. A necessidade de luz encontra você. E só em você amor, a mágica capaz de transformar a hedionda elocubração noturna em visível e clara esperança de um outro amanhecer.

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

CÁLICE AMARGO


A. I. Nº 5



Eugênio Magno

Comportamento, ação

vida, “contravenção”

Atitude, gesto

humanização

Detrimento

passa-tempo

Sistemática, tática

corrupção

Medo, desespero, perseguição

Solidão

sofrimento, clausura

cana

tortura


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)