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domingo, 17 de outubro de 2010

INDEPENDÊNCIA É A PALAVRA DE ORDEM

Marina anunciará ''independência''
no segundo turno, dizem aliados
Após duas semanas de queda de braço, aliados da ex-presidenciável Marina Silva dizem que ela fechou acordo com a cúpula do PV para se declarar neutra no segundo turno e evitar um apoio formal do partido ao candidato José Serra (PSDB).
O rumo dos verdes será anunciado hoje, em São Paulo. A votação terá caráter simbólico, já que os filiados serão liberados para aderir ao tucano ou a Dilma Rousseff (PT).
Dois ex-dirigentes da campanha de Marina disseram que ela não pedirá votos para Serra ou Dilma "em hipótese alguma". Pelo combinado, o PV endossaria a opção pela neutralidade, embora uma ala da direção esteja pronta a se engajar na campanha tucana.
A aliados Marina sugeriu trocar o termo "neutralidade" por "independência", numa estratégia para escapar da eventual acusação de que se omitiu no segundo turno.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

E POR FALAR EM POLÍTICA...

Coronelismo e patrulhamento
Eugênio Magno

As considerações sobre as eleições são tantas que fica difícil saber o que priorizar.
Vejamos o fenômeno Tiririca, deputado federal mais votado do país, eleito pelo PR de São Paulo. Nada contra (e muito menos a favor) Francisco Oliveira. Seria legítimo se fosse ele, Francisco, o candidato. É seu direito, como cidadão. Mas o eleito foi o personagem que, usando o slogan “Vote Tiririca, pior que está não fica”, arrebanhou 1.353.820 votos. Por irresponsabilidade do partido e dos eleitores paulistas que elegeram um personagem para representar não somente a eles, mas a todos nós brasileiros. O pior de tudo é que outros Tiriricas foram eleitos. Vários candidatos sem capital político conseguiram se eleger a custa do capital financeiro de seus padrinhos e do prestígio de “chefes políticos”, numa clara demonstração de que o coronelismo grassa no Brasil do século XXI.
Não compreendo a lógica de certos candidatos que insistem em fazer comunicação de campanha regional, com diretores, redatores, locutores e apresentadores de outras plagas. Por falar em comunicação, o publicitário Almir Sales, em um programa de TV, fez algumas colocações dignas de nota. Falou que todo mundo acha as campanhas políticas muito caras. “Mas é claro que são caras”, afirmou. “Os candidatos não tem programas, nem propostas. Os publicitários é que criam os conteúdos das campanhas”. Disse ainda que, se uma pessoa de um país distante que não conhecesse a realidade brasileira assistisse aos debates entre os presidenciáveis, acharia que vivemos no melhor país do mundo, pois os candidatos não discutem os problemas do país, que são inúmeros. “Dilma afirma que todos os problemas foram resolvidos e Serra garante que, em São Paulo, tudo está na mais perfeita ordem”, ironizou Sales.
Contudo, os brasileiros terão que escolher mesmo é entre Dilma e Serra, quem será o/a presidente do país. Os outros candidatos, juntos, não passaram de 1,30% dos votos válidos. Plínio, com 0,90%, beirou o cômico, não fosse pela seriedade das questões que levantou. Ele conquistou a simpatia dos jovens, mas encerrou a campanha totalmente sem gás.
Apesar de pouco convincente em propostas e, com uma campanha fraca, Marina Silva, fez a diferença e pode fazer muito mais, se souber administrar o prestígio conquistado nessas eleições. Cortejada pelos dois partidos, há quem acredite que o melhor para a ambientalista é não apoiar ninguém no segundo turno. E caso venha a apoiar, é mais natural que apóie o PT, seu partido de origem. Mas com patrulhamentos e insinuações do tipo “Marina, você se pintou...” é querer forçar a barra demais. Até porque, nessa festa à fantasia Marina e Plínio foram os únicos que se apresentaram de cara limpa. À exceção dos que foram barrados no baile. E com os seus quase 20 milhões de votos – a grande maioria de desiludidos com as políticas do PSDB e do PT –, Marina só deve satisfação aos seus eleitores.
(Este artigo também foi publicado nas edições impressa e on-line, de 13.10.2010, do jornal O Tempo, com o título Coronéis e patrulhas e também nas edições impressa e on-line do jornal O Norte de Minas, de 14.10.2010)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

ELEIÇÕES 2010: ENTRE DILMA E SERRA?


Quais as Chances da Marina Silva?

Stephen Kanitz

A Marina Silva vai crescer, e muito. Existe até uma remota chance da Marina ir para o segundo turno.

Como? Marina Silva tem uma qualidade que Lula tem, e que Dilma e Serra não tem.Marina Silva tem a cara do povo, e o povo brasileiro gostou da ideia de ter alguém com sua cara no poder.
Um filho de italiano, ou filha de búlgara, ou filho de classe média que frequentou a USP, pode não ser mais um atrativo para a eleição.Quanto mais ela for sendo conhecida mais sua candidatura poderá melhorar.

Com a saída de Ciro Gomes, ela passa de 8% para provavelmente 14%, e precisa de mais 10% para chegar a 24%, e a como ela rouba votos da Dilma, esta cairia para digamos 28%.Aí Marina se torna uma possível candidata para o segundo turno e muda totalmente de figura. De uma candidata para 2014, ela passa a ser uma possibilidade para 2010. Aí vem alianças e jogos políticos.

De onde viriam estes 10% adicionais? Marina Silva é extremamente influente entre os evangélicos, e estes votos só irão aparecer nos últimos 4 domingos antes das eleições. Além de religiosa é bem casada, dois pontos que não ficarão despercebidos pela mulher brasileira.

Esta história que mulher não vota em mulher é um insulto às mulheres. Depende da mulher. Embora ela não tem espaço de TV, ela poderá ser uma surpresa nos debates, porque tem carisma. Aliás, ela só será realmente conhecida nos debates.

Se a Dilma disser uma bobagem, há uma ENORME possibilidade, Dilma poderá cair para digamos 28% e Marina subir para 22%.

Aí Edir Macedo poderia até ser o fiel da balança, se quisesse. Já mostrou sua força agregando 8 milhões de fiéis no dia D. Escrevo isto só para mostrar um cenário onde a Marina poderia ir para o segundo turno.

Mas há uma lógica religiosa. A eleição em vez de ser polarizada entre esquerda-e direita, como quer Lula, Edir e Marina poderiam dar outro tom a esta eleição, um tom mais humanista.

Cristãos x materialistas economicistas, como é em parte nos Estados Unidos.

Sustentabilidade ou idolatria do "crescimento do PIB" e do “queremos mais”.

Não se esqueçam que Fernando Henrique perdeu uma eleição em São Paulo por não admitir a existência do Deus católico, e somente a "uma força superior".

Uma eleição humanista, com valores éticos que a Marina poderia muito bem espelhar, seria um trunfo para a melhoria de imagem que a Igreja Universal precisa.

Edir pode usar também este momento para fazer as pazes com os evangélicos, e mostrar mais do que um governo dominado pelo materialismo, que será o mote da Campanha da Fraternidade este ano, da Igreja Católica. Outro trunfo da Marina Silva é que ela parece ter cativado os administradores do país, e não somente isto, a melhor vertente da administração, a chamada Socialmente Responsável.

Isto lhe dá 2 milhões de votos diretos, mais 10 de agregados, e uma base bem maior de sustentação. De pessoas que agem e decidem.

Ela tem todo o apoio do Instituto Ethos, e dos principais líderes do movimento de Administração Socialmente Responsável deste país. O Instituto Ethos, da qual fui um dos fundadores, tem mais de 300 empresas associadas, comprometidas com a ética e sustentabilidade, razão da afinidade com Marina.

E a Marina foi a única que percebeu o potencial deste grupo. São mais de 10.000 executivos influentes e aposentados, que estão disposto a ir para o governo por 2 anos, e implantar os métodos de eficiência que falta para fazer o governo finalmente funcionar.São executivos já bem sucedidos, com cabelos brancos, e não jovens inexperientes que saem depois do governo para trabalhar num grande banco brasileiro com salário milionário.

São Executivos que não querem ficar mais ricos, mas somente contribuir com o que sabem.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

ELEIÇÕES 2010


Gianetti participará da campanha de Marina




















O PV confirmou a participação do economista e escritor Eduardo Gianetti da Fonseca na estruturação do plano de governo de sua pré-candidata à Presidência, a senadora Marina Silva.
Gianetti é professor da faculdade Ibmec/SP e Ph.D em economia pela Universidade de Cambridge.
Uma de suas principais críticas ao governo Lula é a alta carga tributária no país.
"A campanha de Marina tem como desafio provar que ela pode ir além do discurso ambiental e ter propostas para outras áreas, como a econômica."
A reportagem de Ana Flor, publicada pelo jornal Folha de S. Paulo no dia 24-02-2010, pode ser lida na íntegra, clicando aqui.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

domingo, 24 de janeiro de 2010

MARINA SILVA CONTA COM O APOIO DE HELOÍSA HELENA

(Foto: Elza Fiúza - Agência Brasil)
Heloísa contraria PSOL e reitera apoio a Marina

Em reportagem de Luciana Nunes Leal para o jornal O EStado de S. Paulo, de 23.01.10, a presidente nacional do PSOL, Heloísa Helena, lamentou ontem a decisão da direção partidária de interromper as negociações para apoiar a candidata do PV à Presidência, senadora Marina Silva.

"Ex-senadora e hoje vereadora em Maceió, Heloísa disse que continua a torcer pela eleição de Marina e que está à disposição da candidata para contribuir na elaboração do programa de governo.
Na quinta-feira, a maioria do PSOL optou pelo lançamento de candidatura própria ao Palácio do Planalto. Heloísa defendia apoio formal a Marina, mas sem participar das alianças, por causa da opção do PV de se unir, em alguns Estados, a partidos como o PSDB.
Quero deixar claro que todo respeito, a admiração e a amizade que tenho por Marina estão preservados. Ela é competente, honesta, sensível e absolutamente preparada. Torço muito para que seja eleita, disse Heloísa. Onde Marina entender que eu posso ajudar, com minha experiência, na construção do programa, vou contribuir, especialmente em segurança pública, saúde e educação.
A costura de uma aliança dos verdes com o PSDB no Rio, em torno da candidatura do deputado Fernando Gabeira ao governo, foi decisiva para a interrupção das negociações do PSOL com o PV. Infelizmente a tática eleitoral do PV no Rio acabou por criar obstáculos à aliança que seria feita. Minha proposta era apoio a Marina independentemente de aliança com o PV e com interferência no programa de governo. Infelizmente o PSOL não entendeu dessa forma, lamentou Heloísa.

DISPUTA INTERNA
Internamente, a principal líder do PSOL vai trabalhar pela candidatura do presidente do diretório de Goiás, Martiniano Cavalcanti, ao Palácio do Planalto. Martiniano vai disputar a indicação com o ex-deputados Babá e Plínio de Arruda Sampaio em prévia que deverá acontecer em março.
Heloísa negou a existência de uma divisão no PSOL e disse compreender a decisão do partido que preside. Vejo com tristeza, mas acato. Nem minha candidatura à Presidência da República era consenso no partido. Existiam pessoas que queriam minha candidatura apenas pelo eleitoralismo, para ajudar nos Estados, afirmou Heloísa."
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

domingo, 30 de agosto de 2009

LEONARDO BOFF SE VALE DE PEDRO RIBEIRO PARA EXPLICAR PORQUE APÓIA MARINA SILVA

Marina Silva: um novo olhar sobre o Brasil

Leonardo Boff
Teólogo

Erram os que pensam que a saida da senadora Marina Silva do PT obedeçe a propósitos oportunistas de uma eventual candidatura à Presidência da República. Marina Silva saiu porque possuía um outro olhar sobre o Brasil, sobre o PAC (Programa de Acelaração do Crescimento) do governo que identifica desenvolvimento com crescimento meramente material e com maior capacidade de consumo. O novo olhar, adequado à crescente consciência da humanidade e à altura da crise atual, exige uma equação diferente entre ecologia e economia, uma redefinição de nossa presença no planeta e um cuidado consciente sobre o nosso futuro comum. Para estas coisas a direção atual do PT é cega. Não apenas não vê. É que não tem olhos. O que é pior.
Para aprofundar esta questão, valho-me de uma correspondência com o sociólogo de Juiz de Fora e Belo Horizonte, Pedro Ribeiro de Oliveira, um intelectual dos mais lúcidos que articula a academia com as lutas populares e as Cebs e que acaba de organizar um livro sobre “A consciência planetária e a religião”(Paulinas 2009) Escreve ele:
“Efetivamente, estamos numa encruzilhada histórica. A candidatura da Marina não faz mais do que deixá-la evidente. O sistema produtivista-consumista de mercado teima em sobreviver, alegando que somente ele é capaz de resolver o problema da fome e da miséria – quando, na verdade, é seu causador. Acontece que ele se impôs desde o século XVI como aquilo que a Humanidade produziu de melhor, ajudado pelo iluminismo e a revolução cultural do século XIX, que nos convenceram a todos da validade de seu dogma fundante: somos vocacionados para o progresso sem fim que a ciência, a técnica e o mercado proporcionam. Essa inércia ideológica que continua movendo o mundo se cruza, hoje, com um outro caminho, que é o da consciência planetária. É ainda uma trilha, mas uma trilha que vai em outra direção”.
“Muitos pensadores e analistas descobriram a existência dessa trilha e chamaram a atenção do mundo para a necessidade de mudarmos a direção da nossa caminhada. Trocar o caminho do progresso sem fim, pelo caminho da harmonia planetária”.
“Esta inflexão era a voz profética de alguns. Mas agora, ela já não clama mais no deserto e sim diante de um público que aumenta a cada dia. Aquela trilha já não aparece mais apenas como um caminho exclusivo de alguns ecologistas mas como um caminho viável para toda a humanidade. Diante dela, o paradigma do progresso sem fim desnuda sua fragilidade teórica e seu dogma antes inquestionável ameaça ruir. Nesse momento, reunem-se todas as forças para mantê-lo de pé, menos por meio de uma argumentação consistente do que pela repetição de que “não há alternativas” e que qualquer alternativa “é um sonho”.
“É aqui que situo a candidatura da Marina. É evidente que o PV é um partido que pode até ter sido fundado com boas intenções mas hoje converteu-se numa legenda de aluguel. Ninguém imagina que a Marina – na hipótese de ganhar a eleição – vá governar com base no PV. Se eventualmente ela vencer, terá que seguir o caminho de outros presidentes sul-americanos eleitos sem base partidária e recorrer aos plebiscitos e referendos populares para quebrar as amarras de um sistema que “primeiro tomou a terra dos índios e depois escreveu o código civil”, como escreveu o argentino Eduardo de la Cerna”.
“Mesmo que não ganhe, sua candidatura será um grande momento de conscientização popular sobre o destino do Brasil e do Planeta. Marina Silva dispensará os marqueteiros, e entrarão em campanha os seguidores de Paulo Freire”.
“Esta é a diferença da candidatura Marina. Serra, do alto da sua arrogância, estimula a candidatura Marina para derrubar Lula e manter a política de crescimento e concentração de riqueza. Lula, por sua vez, levanta a bandeira da união da esquerda contra Serra, mas também para manter a política de crescimento e de concentração da riqueza, embora mitigada pelas políticas sociais”.
“Marina representa outro paradigma. Não mais a má utopia do progresso sem fim, mas a boa utopia da harmonia planetária. A nossa visão não é restrita a 2010-2014. Estamos mirando a grande crise de 2035 e buscando evitá-la enquanto é tempo ou, na pior das hipóteses, buscar alternativas ao seu enfrentamento".
"É por isso, por amor a nossos filhos, netos e netas, temos que dar força à candidatura da Marina. E que Paulo Freire nos ajude a fazer dessa campanha eleitoral uma campanha de educação popular de massas”.
Digo eu com Victor Hugo: "Não há nada de mais poderoso no mundo do que uma idéia cujo tempo já chegou”.