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quarta-feira, 8 de março de 2023

8 DE MARÇO, DIA DA MULHER

Com o poema dedicado à filha, Geovana e a foto da netinha, Manuella, homenageio todas as Mulheres no seu dia

 


GEOVANA

Geralda, Wilma, Nílcia, Maria, Odete, Lucília

mãe, mulher, irmãs e filha

Geovana

E outras tantas e tontas meninas

( . . . )

eternas minas

de ouro e tintas

Geovana Chama

nana

nenê


(Do meu livro, IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005, pág. 35)


quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

POÉTICA DAS IMPRESSÕES EXPRESSAS

 Poema Inacabado


Eugênio Magno


Só restava a esperança em

Um dia distante que nunca chegava.

 

Não havia fim e

Os começos também cessaram.

 

Algo foi emudecendo em nós.

 

Ficamos inertes.

E gélidos, fomos nos definhando.

 

A palavra, afiada, mal dita,

Precipitava ainda mais a desintegração,

Até mesmo aquela,

Da solidez insípida

Em que nos transformamos.

 

Agora,

Como gotas de água da chuva,

Somos

Náufragos

Em mar aberto.



quinta-feira, 15 de junho de 2017

MIRAGEM NA FLORESTA


Cabelos de Ouro


Eugênio Magno


A minha maior lembrança era a do sol
se misturando àqueles cabelos de ouro

Nunca mais a vi
Não consigo me lembrar do seu rosto
Nem sei se o vi

Só sei que o seu caminhar era
de uma formosura sem par

Dos seus olhos não sei a cor
Na sua boca não vi sorriso

Só tive olhos para a sua pele alva
vestida de um branco translúcido

Para aqueles cabelos de ouro penetrados pelo sol

E eu, de longe, era só olhar e encantamento

(Poema inédito)

sábado, 15 de abril de 2017

NEM TUDO É PERFEITO


Poema inacabado

 Eugênio Magno


Só restava a esperança em um dia distante que nunca chegava. Não havia fim e os começos também cessaram. Algo foi emudecendo em nós. Ficamos inertes. E gélidos, fomos nos definhando. A palavra, afiada, mal dita, precipitava ainda mais a desintegração, até mesmo aquela, da solidez insípida em que nos transformamos. Agora, como gotas de água da chuva, somos náufragos em mar aberto.
(Do livro Poetas En/Cena-2, 2008, pág. 65)

quarta-feira, 15 de março de 2017

INSTANTÂNEO DE MINHA TERRA


Montes Claros

Eugênio Magno


ESTRELA
estrela - CÉU
estrela, céu – POEIRA
estrela, céu, poeira – CHÃO
estrela, céu, poeira, chão – SOL
estrela, céu, poeira, chão, sol – CHUVA, NÃO
estrela, céu, poeira, chão, sol, chuva, não – SERTÃO

ESTRELA, CÉU, POEIRA, CHÃO, SOL, CHUVA, NÃO: SERTÃO

(Do livro Poetas En/Cena-2, Belo Horizonte: Belô Poético, 2008. Pág. 64)

A POESIA QUEBRA AS CERCAS DA UNIVERSIDADE


Unimontes concederá o título de Doutor

Honoris Causa ao poeta Aroldo Pereira


O Conselho Universitário (Consu) da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) aprovou a concessão do titulo de Doutor Honoris Causa ao poeta norte-mineiro Aroldo Pereira, autor de vários livros, idealizador e coordenador do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético, realizado anualmente em Montes Claros e que completou 30 anos interruptos em 2016. A proposição do titulo foi feita pelos professores e conselheiros Antônio Wagner Rocha e Mônica Maria Teixeira Amorim.
 A entrega ocorrerá em sessão solene do Conselho Universitário, prevista para abril próximo. O título de Doutor Honoris Causa é a mais importante distinção concedida pelas universidades em todo o mundo.
Na proposição, os professores Antônio Wagner Rocha e Mônica Maria Teixeira Amorim ressaltam que o titulo de Doutor Honoris Causa também é concedido a "personalidades que tenham se distinguido pelo saber ou pela atuação em prol das artes, das ciências, da filosofia, das letras, da administração pública, do bem-estar humano ou do melhor entendimento entre os povos".
Desta forma, "ressaltamos, pois, que esse título pode ser dado a quem tenha exercido um importante trabalho não apenas no campo das ciências, mas em outros campos de atuação que também são importantes para a humanidade como a literatura, a arte, a cultura, a política, a promoção da paz, entre outros", enfatizam.
Os proponentes acrescentam: "convém destacar que Aroldo Pereira é uma personalidade merecedora desta importante honraria, pois  trata-se de um poeta de reconhecido destaque com projeção regional e nacional no tocante à sua produção artística e literária".  Citam ainda o "exitoso trabalho" do homenageado na coordenação do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético,  "evento caracterizado por um amplo alcance social e que em 2016, completou 30  anos de existência em defesa da educação, da arte, dos direitos humanos e da poesia brasileira".
A obra de Aroldo Pereira é enaltecida pela professora Ivana Ferrante Rebello, doutora em Literaturas de Língua Portuguesa e integrante do Departamento de Comunicação e Letras da Unimontes. "Negro, pobre, poeta”, como se lê em seus versos, ele consegue representar a dor da exceção em inquietude e luminosidade, que são atributos de sua arte. Aroldo Pereira é poeta de muitos livros publicados, músico, performer, ator: onde quer que se veja um espaço de arte, lá está ele, participando, chamando à luz a poesia envergonhada, invadindo de verso, irreverência e cor a cidade que, paulatinamente, se rende ao concreto e ao silêncio", descreve Ivana.
Ao destacar o trabalho do homenageado e o alcance do Psiu Poético, ela salientou: "por essas razões, a Unimontes, cujo papel é promover a cultura, a educação e o saber por meio do ensino, da pesquisa e da extensão, concede-lhe, com justiça, o título de Doutor Honoris Causa". Segundo a professora  Ivana Rebello, "a Unimontes,, com a concessão desse título, evidencia que enxerga além de suas salas e laboratórios".
        "Estou muito agradecido pela iniciativa e pelo o reconhecimento da nossa Universidade Estadual de Montes Claros”, declarou o poeta Aroldo Pereira, ao ser comunicado da concessão da honraria.: “Os reconhecimentos são sempre bem vindos. Acredito que nesse momento em que vivemos com descrédito nas pessoas e nas pequenas coisas, que um reconhecimento imaterial, mas imenso como esse, nos humaniza e engrandece cada vez mais" afirmou ele.

BIOGRAFIA E REFERENCIA DE ESTUDOS
Natural de Coração de Jesus, foi em Montes Claros que João Aroldo Pereira encontrou  inspiração para escrever suas obras, como "Canto de encantar serpente",  "Azul geral", "Hai-kai quem quer" e "Doces pérolas púrpuras", publicadas na década de 1980.
Ele publicou os livros "Cinema bumerangue" (1997), "Parangolivro" (2007), indicado para o Mestrado em Letras/Estudos Literários(em 2008) e para o Processo Seletivo/2011 da Unimontes.
Pereira é também co-autor de “Antologia da moderna poesia brasileira" ( 1992), Signopse – a poesia na virada do século (1995), Cantária (2000), Trinta anos-luz: poetas celebram 30 anos de Psiu poético ( 2016), entre outros. Seu nome consta como verbete da Enciclopédia de Literatura Brasileira, organizada por Afrânio Coutinho e J. Galante de Souza (Fundação Biblioteca Nacional/Academia Brasileira de Letras, 2001).
O legado literário do escritor também se tornou objeto de estudos e pesquisas acadêmicas. Artigo de autoria da professora Ivana Ferrante Rebello, com o título “Versos e parangolés: a poesia marginal de Aroldo Pereira”, foi publicado na revista "Estação Literária" (volume 12) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A tese aborda aspectos fundamentais para a compreensão do exercício criador e inventivo do poeta norte-mineiro.
“Marginal e herói: pintura e música na poesia de Aroldo Pereira” é outro artigo de destaque que foi produzido pelo professor e escritor Gilson Neves, mestre em Estudos Literários pela Unimontes. O texto ressalta  "caráter revolucionário desta escrita que encontra nos acontecimentos da vida comum dos homens a sua possibilidade de reflexão". A Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Letras/Estudos Literários da Unimontes também deu destaque para a obra do poeta Aroldo Pereira, dedicando espaço para resenha escrita pelo professor e compositor Élcio Lucas de Oliveira sobre o conteúdo de Parangolivro.

domingo, 15 de janeiro de 2017

INDULTO PARA UMA NOVA VIDA


Habeas Corpus

 Eugênio Magno

Então, certa vez, o poeta disse: Estou voltando para o lugar de onde vim. Tentei brincar de deus, criar lugares, pessoas, situações, mas descobri que a minha vocação não é a de manipulador de marionetes e carcereiro de cenários. Sou um homem de palavra que usa a voz, aprecia a melodia, gosta de silêncio, mas prefere o som. Não quero enclausurar imagens. As paisagens também devem ser livres e terem a cor que escolher a imaginação de quem escuta com os olhos ou os ouvidos, apenas palavras. O cristalino dos meus olhos não é mais o original e não posso confiar tanto assim na minha visão, nem na dos outros. As lentes são estreitas, focadas demais e só apontam para o outro. Não confio no que vejo, muito menos no que me mostram. Minha tarefa é descobrir a mim mesmo. Só assim posso chegar ao outro. Não para desnudá-lo ou vendê-lo na feira de arte (moderna?). Mas para abraçá-lo e cobrir a sua alma nua.
(Do Livro Minas em Mim, 2005, pág. 37)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

PROPAGANDA ENGANOSA



                                                    Negação
                           
Eugênio Magno
                       Não faço poemas pra ti beijar
                            Seus lábios escondem outros versos
                            De uma métrica que desatina
                           
                            Palavra rouca que entoca promessas
                            Fala, não faz, mas combina
                            O que sempre vai me negar

(Do livro Minas em Mim, pág. 36)

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

NOSSOS AFOGAMENTOS



Lágrimas de alegria

 Eugênio Magno

Por quê choro?
Porque ris
Pois o choro é metáfora do medo
Ou desculpa da dor
Mas se rio
Não é porque choras
O mar é grande
E mesmo que o pranto molhe meus lábios
Não me afogarei em soluços

(Do livro Minas em Mim, 2005, pág. 35)

terça-feira, 18 de outubro de 2016

SOBRE O TEMPO E AS ESTAÇÕES



Outono
 Eugênio Magno

No tempo da colheita,
o arbusto se desnuda
para trocar de roupas.

As folhas que caem,
alimentam o chão.
E a terra dá a luz.

Para se engravidar,
novamente.

De mudas e brotos,
que farão os frutos e as flores
de uma outra estação.

(Do Livro Minas em Mim, 2005, pág. 34)

sexta-feira, 15 de julho de 2016

PLANTÃO DE BILTRES



Rapinagem


Eugênio Magno



Tudo é palha. A fome é o milho não colhido

Somos todos aves de rapina


Nossa visão só alcança o que nos alimenta

(Do livro Minas em mim, 2005: 31)

quinta-feira, 16 de junho de 2016

PAUSA PARA MEDITAÇÃO...


Veredas Crucis


Eugênio Magno



a minha caminhada não pode ser

  reiniciada enquanto não encontrar

                   os calçados adequados

 os antigos ficaram despedaçados

e os meus pés estão em chagas

(Do livro Minas em mim, 2005: 30)

terça-feira, 15 de março de 2016

ALMA DE SERTANEJO



MINAS É +
                
Eugênio Magno
           
         Por quê?

         minas em mim se nem

         tão das minas sou

                                      assim
        

         Minas é M m +

         eu sou gerais

         minas me tem dentro de si

                        eu sertão em mim.

(Do Livro Minas em Mim, 2005: 27)

sábado, 15 de agosto de 2015

RITO DE PASSAGEM


Ficção sertaneja


Eugênio Magno


O sol inda tava era quente quando eu plantei ali de junto do morão da cancela. De vez em quando vinha um ventinho e balançava as fôia do pasto de bengo misturado com colonhão que ficava do outro lado, de frente da estrada.
Eu alembro bem, era num sábado, véspera de domingo; o segundo dia de aragem depois das águas de março. E eu lá, plantado, amuado, qui nem burro brabo quando impaca.
Coitada de Sá Rufina, passô, deu bastarde, e eu lá, igual estaca, nem banei o rabo. Também, o sol já tava bachano e era d’oje qui eu tava alí...
Num há de sê nada, quem espera sempre alcança, e óia qu’eu esperei... viu essa menina! Suóro? Hum... escorria por tudo enquanto era lado.
Daí a pouco, começo a ouvir um trac-a-troac... trac-a-troac... trac-a-troac, de galope compassado vindo do lado da Mutuca. Êta coração que bateu ligeiro! Lá vinha ele, deichano p’a trás a puêra, o bafo da pinga da venda de Sô Candim e os trocado que tinha levado no bolso, no comérço de Dona Calú.
Apeou, tirô o bornal de riba da cela e mandô qu’eu fosse banhá o corpo.
Quando voltei, já sem suadeira, só cum batimento forte no coração, tava lá a danada, toda vincada in riba da mesa.
Fiquei muito besta... viu essa menina; igual jacú do mato quando vê gente. Também, já tava era passando de hora, viu!? Eu tinha somado naquele dia quinze ano e era a primeira calça cumprida (dessas de loja), qui eu ia vistir...

( Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

sábado, 18 de julho de 2015

"OSTRA FELIZ NÃO FAZ PÉROLA" *



Eu

Eugênio Magno


de trincheira

do ego

promovo a

minha voz

a cascata


do Eu


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

* Rubem Alves

domingo, 14 de junho de 2015

SEMPRE O PARADOXO


Encontro


Eugênio Magno


Embora chagado

         te encontro

 indefinidamente

                 [feliz]


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

sexta-feira, 15 de maio de 2015

TEMPO DE ESTIO



Do líquido e do sólido


Eugênio Magno


o suor do céu

inundou meu coração

secou feridas

e solidificou minhas lágrimas.


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O SI, NO SER




Unidade


Eugênio Magno


eu

                    sou vários

Eu

                 sou 1 no

                                            [{Todo}]


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

domingo, 15 de março de 2015

PRIMAVERA, VERÃO, OUTONO, INVERNO, PRIMAVERA ...


4 Estações

Eugênio Magno


                 Nos idos da minha primavera
  bebí o sol e a chuva
a lua e as estrelas
Mais tarde ensandecido
              nas profundezas
do vazio
                            de minha existência
                          mergulhei no nada
Também incendiei
    o meu corpo caboclo
  entre seios e vulvas
Depois gelei meu coração
               me embriagando
                    na frieza dos cristais
                              No verão perambulei
 sem teto
   sem porto
   sem rumo
Andei no fio da navalha
            Já no outono
    verti torrentes
          de águas salgadas
Joguei dados com o demônio
                      tirei a sorte grande
                anjos entraram
  pelas frestas
    de minh’alma
  então escura
Acenderam luzes
                        e continuam a iluminar
                    os campos e recantos
                    sombrios do meu ser
                                  Se o inverno for rigoroso
              terei espero
                   cinzas ainda quentes
                             teto  cobertor e luzes
                     a cada dia mais fortes
              para me aquecer.

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

domingo, 15 de fevereiro de 2015

PELO RETROVISOR



Horizonte
Eugênio Magno
Nos movimentos de nascente e poente

o sol rasgou o meu peito

E a noite dos meus cantos

dos teus encantos

ouviram soluços e lamentos


Busco a relva tardia

a inocência querida

e a brisa dormida


As rotas vestes de um dia

 A simplicidade perdida


Sem morte

A vida.
(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)