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quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

POÉTICA DAS IMPRESSÕES EXPRESSAS

 Poema Inacabado


Eugênio Magno


Só restava a esperança em

Um dia distante que nunca chegava.

 

Não havia fim e

Os começos também cessaram.

 

Algo foi emudecendo em nós.

 

Ficamos inertes.

E gélidos, fomos nos definhando.

 

A palavra, afiada, mal dita,

Precipitava ainda mais a desintegração,

Até mesmo aquela,

Da solidez insípida

Em que nos transformamos.

 

Agora,

Como gotas de água da chuva,

Somos

Náufragos

Em mar aberto.



domingo, 15 de dezembro de 2013

ARQUITETURA MORTA


Arqui Jaz

Eugênio Magno

aranhas

arranha-céus

circulares

móveis

longitudinais espaços mortos

mortais cérebros

entropecidos por andróides

cheirando a Louvre

livre

pirâmides, naves e coliseus

em cores quentes


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, Eugênio Magno, BH: 2005, pág. 51)

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

MANIPULAÇÃO CAPITALISTA


Corte Seco

Eugênio Magno


Desligaram a comunicação
sequestraram o sorriso
anistiaram o ladrão

Cortaram a gasolina do carro
amputaram o telefone
Cortaram o sol
sopraram a luz do quarto

Cortaram a ração
racionaram o brilho da lua
Cortaram o vento
fizeram um buraco no céu

Cortaram o fogo
prenderam a água
roubaram o emprego
reteram nosso dinheiro
tiraram o aconchego
invadiram o chão

Cortaram as letras do livro
pintaram as árvores
Cortaram as crianças
soltaram satélites

Cortaram os velhos
quebraram espelhos
Cortaram a vida
ligaram a TV
derrubaram muros
encarceraram você.


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, Eugênio Magno, BH, 2005)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A VIDA COMO ELA É



Profetizando

Eugênio Magno


Na preguiçosa tarde

primeira de outubro

orando sentada estava

a escura senhora

de claros traços de fada

profetizando como que hipnotizada

o que lhe espera

ao final 

da longa 

jornada.


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, Eugênio Magno. Ed. pelo autor. Belo Horizonte: 2005.)

domingo, 21 de agosto de 2011

"EU" E EU



Eu



Eugênio Magno



de trincheira


do ego


promovo a


minha voz


a cascata



do Eu


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)