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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

PSIU ! . . .


Elogio do silêncio
Eugênio Magno

Escrever o quê Não posso escrever Não tenho palavras Minha voz murchou É só ausência A tela cinza do micro e a página em silêncio O silêncio interior é a palavra mais forte Futuro e passado são nada e o presente é esta síntese Procuramos tudo em todos os lugares sem saber que o que buscamos é o nada Só o nada nos leva à plenitude do ser Antes da nossa existência éramos nada e depois de existirmos novamente nos transformaremos em nada O que temos então agora é um pequeno parêntese entre o nada Portanto para ser pleno o agora também deve ser nada Façamos um vazio no presente e seremos preenchidos pelo nada Não teremos mais passado nem futuro e o presente será eternidade As harmônicas do silêncio devem ser a nossa música interna o nosso compasso a guiar o nosso passo pisando o finito em direção ao infinito O que existe já não me interessa O que vejo e o que ouço e sinto não me apetecem Busco o que não existe O que não vejo não ouço e não sinto Não me interessa o verso nem o inverso A ausência sim me acresce O concreto e até o abstrato já foram descritos O nada continua incógnito à espera de outros nada que cada vez mais o desclassifique Não posso falar do que já existe O que existe é e ponto O que não existe não é e reticências Gosto das reticências Tem gente que confunde reticências com interrogação Interrogação é linguagem dos cientistas reticências é linguagem de poeta Vírgula travessão também o são Até o ponto e vírgula é linguagem de poeta Exclamação serve às linguagens precisas da informação da certeza e da tola admiração Não tenho certezas não busco verdades Elas não existem por aqui Ir talvez seja voltar mas os iludidos vão na certeza de encontrar o fim Estou aprendendo a cultivar os nada A buscar o antes do início A matéria-prima do que existe é verdadeira criação o que fizeram dela é manipulação transformação A linguagem precisa precisa ser reinventada Ela já não diz mais porque diz muitas coisas que são e nós precisamos dos nada Somente o vazio e o silêncio da descida ao abismo do nada nos levará ao todo de tudo À presença do que sempre tem sido ausência Não posso continuar a escrever Não posso falar Não posso continuar a quebrar o silêncio As palavras já existem ou como dizia o poeta Drumond os poemas já estão prontos à espera de quem os encontre 
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(Do livro Minas em Min, 2005, pág. 38)

terça-feira, 15 de março de 2016

ALMA DE SERTANEJO



MINAS É +
                
Eugênio Magno
           
         Por quê?

         minas em mim se nem

         tão das minas sou

                                      assim
        

         Minas é M m +

         eu sou gerais

         minas me tem dentro de si

                        eu sertão em mim.

(Do Livro Minas em Mim, 2005: 27)

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

MANIPULAÇÃO CAPITALISTA


Corte Seco

Eugênio Magno


Desligaram a comunicação
sequestraram o sorriso
anistiaram o ladrão

Cortaram a gasolina do carro
amputaram o telefone
Cortaram o sol
sopraram a luz do quarto

Cortaram a ração
racionaram o brilho da lua
Cortaram o vento
fizeram um buraco no céu

Cortaram o fogo
prenderam a água
roubaram o emprego
reteram nosso dinheiro
tiraram o aconchego
invadiram o chão

Cortaram as letras do livro
pintaram as árvores
Cortaram as crianças
soltaram satélites

Cortaram os velhos
quebraram espelhos
Cortaram a vida
ligaram a TV
derrubaram muros
encarceraram você.


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, Eugênio Magno, BH, 2005)

sábado, 17 de agosto de 2013

TRILOGIA DA NOITE

Noite -3
Eugênio Magno

A noite despenteada coberta pelos mesmos gafanhotos da colheita passada faz rssuscitar demônios. A necessidade de luz encontra você. E só em você amor, a mágica capaz de transformar a hedionda elocubração noturna em visível e clara esperança de um outro amanhecer.

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)