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quarta-feira, 8 de março de 2023

8 DE MARÇO, DIA DA MULHER

Com o poema dedicado à filha, Geovana e a foto da netinha, Manuella, homenageio todas as Mulheres no seu dia

 


GEOVANA

Geralda, Wilma, Nílcia, Maria, Odete, Lucília

mãe, mulher, irmãs e filha

Geovana

E outras tantas e tontas meninas

( . . . )

eternas minas

de ouro e tintas

Geovana Chama

nana

nenê


(Do meu livro, IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005, pág. 35)


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

PROPAGANDA ENGANOSA



                                                    Negação
                           
Eugênio Magno
                       Não faço poemas pra ti beijar
                            Seus lábios escondem outros versos
                            De uma métrica que desatina
                           
                            Palavra rouca que entoca promessas
                            Fala, não faz, mas combina
                            O que sempre vai me negar

(Do livro Minas em Mim, pág. 36)

quinta-feira, 16 de junho de 2016

PAUSA PARA MEDITAÇÃO...


Veredas Crucis


Eugênio Magno



a minha caminhada não pode ser

  reiniciada enquanto não encontrar

                   os calçados adequados

 os antigos ficaram despedaçados

e os meus pés estão em chagas

(Do livro Minas em mim, 2005: 30)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

FRÍVOLOS E INVASIVOS


Nem tudo é Verdade


Eugênio Magno

O voyeur será artista? Olha pelo buraco da fechadura o que deveria estar fora de quadro. Fotografa velhos evacuando e crianças se masturbando. Exibe párias em vitrines de cristal líquido. Liquida. Liquidifica todos. Assenta em confessionários e ouve os pecados do mundo. Pensa a vida como frame e brinca de deus na ilha de edição. Sua loucura é (apenas) disfarce.

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

HOMENAGEM À FILHA DE UM GRANDE AMIGO


Destinatário não encontrado

Eugênio Magno


Cássia não mora mais aqui. Mudou de endereço. Deve habitar o céu, sei lá... Não ouviremos mais a sua voz que agora fala aos serafins.
Fui me despedir dela, mas Cássia não me reconheceu. Não acenou para mim.
Cássia, irmã que não conheci, filha que não ninei, desculpe se tardei a chegar perto de você. Embora você estivesse linda e altiva no dia da despedida, prefiro sua imagem no retrato que um dia, risonho, seu pai me mostrou.
Por falar em foto, mande-nos um postal do céu. Diga ao Todo Poderoso, aos anjos e santos que temos muitas curiosidades, mas continuamos a viajar no velho veleiro. Que só você foi à frente de jato.
Deus te abençoe menina.

E a nós também, que sentimos sua falta.

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

sábado, 15 de agosto de 2015

RITO DE PASSAGEM


Ficção sertaneja


Eugênio Magno


O sol inda tava era quente quando eu plantei ali de junto do morão da cancela. De vez em quando vinha um ventinho e balançava as fôia do pasto de bengo misturado com colonhão que ficava do outro lado, de frente da estrada.
Eu alembro bem, era num sábado, véspera de domingo; o segundo dia de aragem depois das águas de março. E eu lá, plantado, amuado, qui nem burro brabo quando impaca.
Coitada de Sá Rufina, passô, deu bastarde, e eu lá, igual estaca, nem banei o rabo. Também, o sol já tava bachano e era d’oje qui eu tava alí...
Num há de sê nada, quem espera sempre alcança, e óia qu’eu esperei... viu essa menina! Suóro? Hum... escorria por tudo enquanto era lado.
Daí a pouco, começo a ouvir um trac-a-troac... trac-a-troac... trac-a-troac, de galope compassado vindo do lado da Mutuca. Êta coração que bateu ligeiro! Lá vinha ele, deichano p’a trás a puêra, o bafo da pinga da venda de Sô Candim e os trocado que tinha levado no bolso, no comérço de Dona Calú.
Apeou, tirô o bornal de riba da cela e mandô qu’eu fosse banhá o corpo.
Quando voltei, já sem suadeira, só cum batimento forte no coração, tava lá a danada, toda vincada in riba da mesa.
Fiquei muito besta... viu essa menina; igual jacú do mato quando vê gente. Também, já tava era passando de hora, viu!? Eu tinha somado naquele dia quinze ano e era a primeira calça cumprida (dessas de loja), qui eu ia vistir...

( Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

sábado, 18 de julho de 2015

"OSTRA FELIZ NÃO FAZ PÉROLA" *



Eu

Eugênio Magno


de trincheira

do ego

promovo a

minha voz

a cascata


do Eu


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

* Rubem Alves

domingo, 14 de junho de 2015

SEMPRE O PARADOXO


Encontro


Eugênio Magno


Embora chagado

         te encontro

 indefinidamente

                 [feliz]


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

sexta-feira, 15 de maio de 2015

TEMPO DE ESTIO



Do líquido e do sólido


Eugênio Magno


o suor do céu

inundou meu coração

secou feridas

e solidificou minhas lágrimas.


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O SI, NO SER




Unidade


Eugênio Magno


eu

                    sou vários

Eu

                 sou 1 no

                                            [{Todo}]


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

domingo, 15 de março de 2015

PRIMAVERA, VERÃO, OUTONO, INVERNO, PRIMAVERA ...


4 Estações

Eugênio Magno


                 Nos idos da minha primavera
  bebí o sol e a chuva
a lua e as estrelas
Mais tarde ensandecido
              nas profundezas
do vazio
                            de minha existência
                          mergulhei no nada
Também incendiei
    o meu corpo caboclo
  entre seios e vulvas
Depois gelei meu coração
               me embriagando
                    na frieza dos cristais
                              No verão perambulei
 sem teto
   sem porto
   sem rumo
Andei no fio da navalha
            Já no outono
    verti torrentes
          de águas salgadas
Joguei dados com o demônio
                      tirei a sorte grande
                anjos entraram
  pelas frestas
    de minh’alma
  então escura
Acenderam luzes
                        e continuam a iluminar
                    os campos e recantos
                    sombrios do meu ser
                                  Se o inverno for rigoroso
              terei espero
                   cinzas ainda quentes
                             teto  cobertor e luzes
                     a cada dia mais fortes
              para me aquecer.

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

domingo, 15 de fevereiro de 2015

PELO RETROVISOR



Horizonte
Eugênio Magno
Nos movimentos de nascente e poente

o sol rasgou o meu peito

E a noite dos meus cantos

dos teus encantos

ouviram soluços e lamentos


Busco a relva tardia

a inocência querida

e a brisa dormida


As rotas vestes de um dia

 A simplicidade perdida


Sem morte

A vida.
(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

SÓ QUEM JÁ TEVE SABE O QUE É...


Depressão

Eugênio Magno


eu estive na colônia penal

cumpri pena até por crimes

que não cometi. Meu carcereiro

era uma gralha

[ou seria "O Corvo", de Poe!?]

a serviço de desequilibradas 

emoções conscientes e inconscientes

que me impediam de ir

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

QUERER NÃO É PODER


Paulo de Tarso

Eugênio Magno

não posso fazer

                                                   aquilo que quero

                                                    e não quero fazer

aquilo que posso


(Do Livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

sábado, 15 de novembro de 2014

TEM ÁGUA NA FONTE


Bíblico


Eugênio Magno



Do barro fez-se

o homem

e o homem

barro se fez.


(Do Livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

SUTILEZAS DA SUBJETIVIDADE


Entrelinhas

Eugênio Magno



pela fresta do poema

                            eu vi

seus vales e montanhas


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

FAZER DIREITO ...


Douto

Eugênio Magno


eu nasci errado

entretanto fiz Direito

permaneci torno

(Do Livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

MUITOS PÉS




Os pés


Eugênio Magno


1-                    Pé direito
                        Pé esquerdo
                        Pés
compridos, lisos, cavados
                        [e ossudos]
um quarenta e dois
o outro 43
                        Meus pés


2-                    Pés gordos
                        Pés magros
uns cabeludos, outros enrugados
                        Pés finos
                        Pés chatos
                        Pares de pés
                        Pés solo
                        Outros pés


3-                     Pés descalços
                        Pés enxutos
                        Pés molhados
                        Pés calçados
                        [com e sem meias]
                        Pés embrulhados
                        Pés com chulé
Pés brancos de polvilho       Granada
                        Alguns pés

4-                    Pé certeiro
                        Pé torto
                        Pé forte
Pé fraco
                        Pé pequeno
                        Pé grande
                        Vários pés


5-                    Pé-quente
                        Pé-frio
                        Pé-de-chinelo
                        Pé-de-meia
                        Pé-de-moleque
                        Pé-de-ferro
                        Pé-de-vento
                        Pé-de-valsa
                        Pé-de-cabra
                        Pé-de-mesa
                        Pé-rapado
Pé d’água
                        Pé ante pé
                        Mais pés

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)
                                                          

terça-feira, 15 de julho de 2014

UM LUGAR PARA SE VÊ


A janela do meu quarto

Eugênio Magno


da janela do meu quarto

não vejo a minha rua


vejo outras ruas


da janela do meu quarto

vejo a minha vizinha nua


vejo as estrelas


da janela do meu quarto

não vejo a lua


pela janela do meu quarto

 não se vê luz


não se vê nada


pela janela do meu quarto

muito menos se vê ______ .

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

domingo, 15 de junho de 2014

ESTILHAÇOS


(Des) Pe daçando

Eugênio Magno


os pés de vidro

trituram o chão

o pó entre cortado

tortura-se e nada


(Do Livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)