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terça-feira, 15 de agosto de 2017

SALTO MORTAL


Precariedade


Eugênio Magno


A imagem perdida, era a palavra desdita que, mal sepultada, jazia semimorta sob o lamento das carpideiras. De esguelha, reunia forças para ocupar a linha e, mesmo a contragosto, completar a oração afirmativa que daria um novo sentido para aquela vida que já sucumbia diante de falsas vocações anunciadas. A nulidade de todos os empenhos anteriores, na tentativa de construir redes de proteção para o caminho foi percebida e a certeza da falácia de existirem condições ideais para a semeadura se tornara uma convicção.

(Inédito)

quinta-feira, 14 de abril de 2016

NUNCA SE SABE...


Incerto amanhecer


Eugênio Magno


A estrela, na vidraça, estava, ao alcance, da mão. Mais, um, dedo, de prosa, e pegaria, também, a lua, cheia, de fumaça, do cigarro, que alimentava, o cinzeiro, sobre, a janela, de muitas, noites. Não encostei em nada. Tive medo que o amanhecer queimasse o meu toque e recolhi apenas impressões.

(Do Livro Minas em mim, 2005: 28)

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

INSPIRADO EM UM VELHO AMIGO QUE NÃO VEJO HÁ MUITO ANOS


 Confissões de um diletante


Eugênio Magno


Certa vez no cinema ouvi de um personagem: “Há homens que nunca deveriam ler”. Talvez eu seja um deles, pensei. Aos poucos fui deixando o hábito. Tive medo das más influências.
Não leio mais... 
Agora, só escrevo.

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

HOMENAGEM À FILHA DE UM GRANDE AMIGO


Destinatário não encontrado

Eugênio Magno


Cássia não mora mais aqui. Mudou de endereço. Deve habitar o céu, sei lá... Não ouviremos mais a sua voz que agora fala aos serafins.
Fui me despedir dela, mas Cássia não me reconheceu. Não acenou para mim.
Cássia, irmã que não conheci, filha que não ninei, desculpe se tardei a chegar perto de você. Embora você estivesse linda e altiva no dia da despedida, prefiro sua imagem no retrato que um dia, risonho, seu pai me mostrou.
Por falar em foto, mande-nos um postal do céu. Diga ao Todo Poderoso, aos anjos e santos que temos muitas curiosidades, mas continuamos a viajar no velho veleiro. Que só você foi à frente de jato.
Deus te abençoe menina.

E a nós também, que sentimos sua falta.

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A PRECARIEDADE DE UMA VIDA RETRATADA NA BREVIDADE DE UM MINICONTO

Precariedade
Eugênio Magno
A imagem perdida, era a palavra desdita que, mal sepultada, jazia semimorta sob o lamento das carpideiras. De esguelha, reunia forças para ocupar a linha e, mesmo a contragosto, completar a oração afirmativa que daria um novo sentido para aquela vida que já sucumbia diante de falsas vocações anunciadas. A nulidade de todos os empenhos anteriores, na tentativa de construir redes de proteção para o caminho foi percebida e a certeza da falácia de existirem condições ideais para a semeadura se tornara uma convicção. (inédito)