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domingo, 20 de setembro de 2020

ENCONTRO DA CNBB ARTICULA NO PAÍS O PACTO GLOBAL PELA EDUCAÇÃO


Da esquerda para a direita, Maria de Jesus Silva, Odete  Martins, Soraya Aragão, Alice Vieira, Dom João Justino Medeiros, Marilda Umbelina Santos (coordenadora da Pastoral da Educação, Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso (PEEDIR)  e  Frei Valdomiro Machado (assessor da PEEDIR) da Arquidiocese de Montes Claros*

O Minas e Gerais, traz hoje um breve relato sobre o Encontro Nacional da Pastoral da Educação, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que aconteceu, virtualmente, no final da semana passada. 

A pedagoga aposentada, Odete Martins de Oliveira Campos, que é agente da Pastoral da Educação, Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso, da Arquidiocese de Montes Claros - MG, apresenta, com exclusividade, para este blog, uma síntese do Encontro.


Logotipo da Pastoral da Educação, Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da Arquidiocese de Montes Claros*

Refletindo sobre o XX ENCONTRO NACIONAL 
DA PASTORAL da Educação da C.N.B.B  

                                                                                                                                     
Odete Martins*


Nos dias 11 e 12 de setembro de 2020, a Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação da C.N.B.B, promoveu o XX Encontro Nacional da Pastoral da Educação, com o tema "Igreja em saída: a Pastoral da Educação na Escola Pública".
A proposta é baseada no apelo do Papa Francisco, em vista do Pacto Educativo Global. Devido a pandemia e as consequentes medidas preventivas de isolamento social o Encontro aconteceu por transmissão ao vivo pelo canal do YouTube, "Cultura e Educação" da C.N.B.B. Bispos de diversas regiões do país disponibilizaram vídeos focando o assunto como suporte e sensibilização aos mais de 1.500 participantes do evento.
O Encontro teve início, dia 11/ 09 , sexta- feira, às 20h, com a Cerimônia de Abertura à cargo de Dom João Justino Medeiros, Arcebispo de Montes Claros e presidente da Comissão de Cultura e Educação da C.N.B.B., seguido de painel sobre os desafios e esperanças da Escola Pública. No sábado, dia 12, às 9h aconteceu um painel com partilhas das experiências de pastorais da educação em algumas dioceses e às 15h, uma mesa de reflexão sobre as perspectivas da ação pastoral na Escola Pública. No encerramento do Encontro, Dom João Justino presidiu uma Celebração Eucarística, às 17h, na Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida de Montes Claros. 

Dom João Justino Medeiros*

A mensagem principal do Encontro, ressaltada por seus idealizadores e aclamada por todos os participantes é de que a Educação é um compromisso de católicos cristãos que, juntamente com todas as pessoas de boa vontade e bom coração, devem somar forças para construir uma sociedade mais justa, solidária, humana e fraterna.
Os cristãos/as, católicos/as, religiosos/as e leigos/as estão se colocando à disposição da escola pública, no sentido de se empenharem em favor de uma educação de qualidade em que todos sejam adequadamente e indistintamente valorizados.
O Papa Francisco, quer que a escola, seja uma escola em saída, assim como deve ser a igreja, indo ao encontro do outro, mesmo que este outro seja e pense diferente; dialogando e escutando, dentro de uma espiritualidade, que o conduza à fé, paz e luz, numa educação integral.
As propostas, temas e falas dos participantes do Encontro foram todos inspirados e ancorados nos ideais e objetivos do sumo pontífice para o Pacto Educativo Global: 
- que a escola, seja um lugar de missão, de testemunho cristão, onde a educação seja transcendente, as pessoas apaixonadas por seus irmãos, pela escola e por Jesus;
- que educadores e todos os envolvidos na educação, se pautem por uma maior interioridade, superando as diferenças, ignorâncias e individualismo, para que assim, os educandos, recebam o que há de melhor em cada um;
- que os jovens sejam acreditados e os educadores e funcionários, valorizados;
- e que o homem - seja criança, jovem ou adulto -, deve ser educado com um olhar para Deus, para a terra, sua casa comum e, para o mundo, respeitando suas origens, trabalhando nas três dimensões mais importantes de sua humanidade: a antropologia, a educação e a ecologia. Não podemos perder as raízes, as origens, pois o mundo é habitado por pessoas de diversas raças, cores, valores e espiritualidades.
Cabe à Pastoral da Educação, juntamente com educadores, instituições, famílias, enfim todos, respeitarem as diferenças culturais e promoverem o Ecumenismo do diálogo, para que as diferenças existentes, sejam para somar e não dividir, separar ou fragilizar.
Abraçando este projeto, estaremos todos, contribuindo para o legado que deixaremos para as novas gerações: um mundo melhor.
Esse abraço é um abraço global, de carinho e reconhecimento a todos os educadores e educadoras, que neste momento de pandemia, sem aulas presenciais, inventam e si reinventam, para que suas aulas e propostas educativas cheguem a seus educandos e às famílias brasileiras.
Todos nós, participantes do Encontro, Povo de Deus em Comunhão,  temos esperança de que todas as nossas articulações sensibilizem as autoridades políticas e eclesiásticas, instituições, famílias, comunidades escolares e a sociedade em geral, pois Educação é responsabilidade de todos.

A Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação da C.N.B.B espera que toda a sociedade se mobilize para tornar realidade esse grande projeto global. Dioceses de todo o Brasil e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estão disponibilizando textos e vídeos com as diretrizes do Pacto Educativo Global. Maiores informações poderão ser obtidas no site da CNBB. Para ter acesso a esses subsídios, clique aqui.

* Todas as imagens são do arquivo pessoal de Odete Martins de Oliveira Campos.

Para ler mais sobre o tema, acesse: 



quarta-feira, 5 de agosto de 2020

HUMANISMO SOLIDÁRIO PELA VIA DA EDUCAÇÃO



(Imagem: Logotipo do Pacto Educativo Global)


Pacto pela Educação no Planeta*

Eugênio Magno

Os ataques de que a educação é vítima não são fatos novos. Ao longo da história, desde sua descoberta como possibilidade e sistematização como área de conhecimento, sobretudo, a partir da criação da escola, a educação vive a condição de ser portadora de contradições: avanços e retrocessos. Por essa e outras razões, tão criticada e, em certas circunstâncias, vilipendiada. De quando em vez observamos acenos alvissareiros que logo são sequestrados pelo capital ou dissolvidos por uma excessiva endogenia acadêmica.

Educação e escola vêm sendo confundidas, fundidas e amalgamadas de tal forma, por agentes internos e externos ao seu próprio campo, que no imaginário popular é senso comum interpretá-las como sinônimas. Apesar dos esforços de teóricos e gestores comprometidos com a causa educacional, a situação se agrava progressivamente e a correnteza que arrasta hora uma e hora outra, para o brejo, ofusca conquistas e achados importantes que poderiam, ao contrário, apoiá-las, reposicionando-as aos seus devidos e merecidos lócus. Se assim não fosse, mas é possível que esse quadro venha a se reverter, escola e educação poderiam ser interpeladas uma pela outra e, provocadas por uma sociedade que as distinguisse, fazer irromper uma pedagogia capaz de libertar a própria educação, a escola e, consequentemente, as instituições e seus líderes, dos vícios que as enredaram. São muitas as práticas sociais que são importantes demais para merecer apenas o cuidado de governos, de ministérios e dos experts.  A educação é um desses campos que não pode prescindir de uma ampla rede de contribuições, para além da pedagogia disciplinar, curricular. Carece de aportes que transcendam o universo acadêmico e contemplem saberes e fazeres – práxis – da ordem do familiar, do comunitário, do cultural, da terra – nossa casa comum –, da antropologia, da geopolítica, das artes, da ancestralidade, da ética, dos valores e virtudes e, porque não, do espiritual.

É, no mínimo, curioso observar de onde e com que pujança emerge o chamado planetário para repensar a educação. Ironicamente, ele vem justamente de uma das mais criticadas instituições mundiais, a Igreja Católica, que carrega ônus e bônus na condução de processos educativos pelos quatro cantos do mundo. Mas o que pode ser visto como paradoxal, é providencial e tem como protagonista o mais importante líder mundial da atualidade, o papa Francisco que, em visita aos países unidos dos Emirados Árabes assinou um documento sobre Fraternidade Humana, que propõe uma mudança de mentalidade em escala planetária por meio da educação.

No ano em que se comemora o quinto aniversário de lançamento da encíclica Laudato Si – documento que trata do consumismo e das questões climáticas e ambientais –, o sumo pontífice encaminha então mais uma das grandes ações contempladas no referido documento apostólico de apelo à unificação global. Neste ponto me refiro, precisamente, ao Pacto Educativo Global que, discutido em 2019, está sendo difundido mundialmente, pelo Vaticano, desde maio deste ano, de forma supraconfessional. Seu principal objetivo é recuperar o humanismo e posicionar a vida de todos os seres (humanos, animais, minerais e vegetais), da terra, da água, do ar e do céu, tendo a pessoa humana como centralidade do aprender, do educar, da partilha de saberes e conhecimentos.

Inspirado pelo provérbio africano “para educar uma criança é necessária uma aldeia inteira”, o papa propõe uma educação que permita relações abertas e fraternas, o que expressa a urgente necessidade de que toda a sociedade renove o compromisso de assegurar às gerações futuras uma educação voltada para a fraternidade e o diálogo. Escolas, universidades e a comunidade mundial estão sendo chamadas para promover estudos e reflexões sobre essa proposta. O Pacto Educativo Global, em essência, faz mais do que um apelo ou chamado, seu texto convoca e intima cada pessoa de bem para “se tornar protagonista desta aliança, assumindo compromisso pessoal e comunitário de cultivar, juntos, o sonho de um humanismo solidário, que corresponda às expectativas da humanidade e ao desígnio de Deus”.

É em boa hora que o Brasil, nestes tempos sombrios, recebe o anúncio dessa boa nova, para a qual deve abaixar a guarda e atendê-la, sem preconceitos e mi mi mis, mas de peito aberto, com “a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”.

* Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.