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quinta-feira, 16 de novembro de 2023

CALOR INSUPORTÁVEL, CHUVAS DESTRUIDORAS E FALTA DE LUZ E ÁGUA (???)


(Foto: Chuva-tempo meteorologia)                            (Foto: Ed Connor/Shutterstock)


Sobre outros países não posso falar mas, no Brasil, é clara e notória a sobra de calor do sol e de água da chuva. E, o pior, toda essa fonte de vida e energia, além de ser desperdiçada, vitimiza a população de variadas formas.

Desde que me entendo por gente ouço falar sobre a necessidade de cuidar do planeta, dos perigos do aquecimento global, etc. Já passei dos 60 e nada mudou: queimadas, chaminés; poluição atmosférica provocada por veículos terrestres, aéreos e aquáticos; assoreamento e contaminação de rios, córregos e nascentes; erosões em razão de ocupação e exploração indevida do solo, e mais uma série de crimes ambientais prosperam descontroladamente.

O planeta há tempos dá sinais de alerta sobre suas condições, e seus sinais têm sido cada vez mais catastróficos. Cientistas do mundo inteiro divulgaram sistematicamente estudos dando conta do que nos esperava no futuro se continuássemos agindo como agíamos. O futuro chegou e continuamos com as mesmas práticas predatórias. 

Com todo o avanço da ciência e da tecnologia - em vários campos -, a forma como se coleta água e se produz energia para o abastecimento sofreu pouquíssimas alterações. Continuam sendo realizadas como há séculos atrás.

Enquanto os mais pobres padecem da falta de comida, de água e de energia, à despeito da abundância de terras, alimentos, calor e chuva, os mais ricos seguem explorando tudo o que vive por aqui e prospectam a possibilidade de vida em outros planetas, numa clara demonstração de que ao restante da população restará apenas terra arrasada.

sábado, 9 de abril de 2016

MUDANÇA É O QUE NECESSITAMOS, NÃO MODERNIZAÇÃO




10 lições da crise brasileira

Leonardo Boff


Toda crise acrisola, purifica e faz madurar. Que lições podemos tirar dela? Elenco algumas.
 Primeira lição:tipo de sociedade que temos não pode mais continuar assim com é. As manifestações de 2013 e as atuais mostraram claramente: não queremos mais uma democracia de baixíssima intensidade, uma sociedade profundamente desigual e uma política de negociatas. Nas manifestações os políticos também os da oposição foram escorraçados. Igualmente movimentos sociais organizados. Queremos outro tipo de Brasil, diverso daquele que herdamos que seja democrático, includente, justo e sustentável.
Segunda lição: superar a vergonhosa desigualdade social impedindo que 5 mil famílias extensas controlem quase metade da riqueza nacional. Essa desigualdade se traduz por uma perversa concentração de terras, de capitais e de uma dominação iniqua do sistema financeiro, com bancos que extorquem o povo e o governo cobrando-lhe um superávit primário absurdo para pagar os juros da dívida pública. Enquanto  não se taxarem as grandes fortunas e não submeterem os bancos a níveis razoáveis de lucro o Brasil será sempre desigual, injusto e pobre.
Terceira lição: prevalência do capital social  sobre o capital individual. Quer dizer, o que faz o povo evoluir não é matar-lhe simplesmente a fome e faze-lo um consumidor mas fortalecer-lhe o capital social feito pela educação, pela saúde, pela cultura e pela busca do bem-viver, pré-condições de uma cidadania plena.
Quarta lição: cobrar uma democracia participativa, construída de baixo para cima com forte presença da sociedade organizada especialmente dos movimentos sociais que enriquecem a democracia representativa que, por causa de sua histórica corrupção, o povo sente que ela não mais o representa.
Quinta lição:reinvenção do Estado nacional. Como foi montado historicamente, atendia as classes que detém o ter, o poder, o saber e a comunicação dentro de uma política de conciliação entre as oligarquias, deixando sempre o povo de fora. Ele está aí  mais para  garantir privilégios do que para realizar o bem geral da nação. O Estado tem que ser a representação da soberania popular e todos os seus aparelhos devem estar a serviço do bem comum, com especial atenção aos vulneráveis (seu caráter ético) e sob o severo controle social com as devidas instituições para isso. Para tal se faz necessária uma reforma política, com nova constituição, fruto da representação nacional e não apenas partidária.
Sexta lição: o dever ético-político de pagar a dívida às vítimas feitas no processo da constituição  de nossa nacionalidade e que nunca foi paga: para com os indígenas quase exterminados, para com os afrodescendentes (mais da metade da população brasileira) feitos escravos, carvão para o processo produtivo; os pobres em geral sempre esquecidos pelas políticas públicas e desprezados  e humilhados pelas classes dominantes. Urge políticas compensatórias e pro-ativas para criar-lhes oportunidades de se autopromoverem e se inserirem nos benefícios da sociedade moderna.
Oitava lição: fim do presidencialismo de coalizão de partidos, feito à base de negócios e de tráfico de influência, de costas para o povo; é uma política de planalto desconectada da planície onde vive o povo. Com ou sem Dilma Rousseff à frente do governo, precisa-se, para sair da pluricrise atual, de uma nova concertação entre as forças existentes na nação. Não pode ser apenas entre os partidos que tenderiam a reproduzir a velha e desastrada política de conciliação ou de coalizão mas uma concertação que acolha representantes da sociedade civil organizada, movimentos sociais de caráter nacional, representantes do empresariado, da intelectualidade, das artes, das mulheres,  das igrejas e das religiões a fim de elaborar uma agenda mínima aceita por todos.
Nona lição:caráter claramente republicano da democracia que vai além da neoliberal e privatista.  Em outras palavras, o bem comum (res publica) deve ganhar centralidade e em seguida o bem privado. Isso se concretiza por política sociais que atendam as demandas mais gerais  da população  a partir dos necessitados e deixados para trás. As políticas sociais não se restringem apenas a ser distributivas mas importa serem  redistributivas (diminuir de quem tem de mais para repassar para quem tem de menos), em vista da redução da desigualdade social.         
Décima lição: inclusão da natureza com seus bens e serviços e da Mãe Terra com seus direitos na constituição de um novo tipo de democracia sócio-cósmica, à altura consciência ecológica que reconhece todos os seres como sujeitos de direitos formando um grande todo: Terra-natureza-ser humano. É a base de um novo tipo de civilização, biocentrada, capaz de garantir o futuro da vida e de nossa civilização.
OBS.: Faltou a Sétima lição (desconheço as razões. Na fonte de onde retirei o texto não havia essa lição)
(Fonte: Site Carta Maior)

terça-feira, 26 de julho de 2011

A HISTÓRIA DAS MULHERES E A HISTÓRIA DA TERRA


A história das mulheres

Dib Curi


Uma das grandes discussões da atualidade é sobre o papel da mulher na sociedade. E suas lutas atuais são em relação a violência doméstica e aos salários menores em relação aos homens.
Mas existe uma outra questão importante que é a submissão das mulheres aos valores masculinos. A economia capitalista quer transformar a mulher num objeto de consumo e as nossas jovens tem aceitado esta corrupção passivamente.
Os atuais modelos ideais de mulheres são belas e sensuais, mas muitas vezes, ocas na sua falta de sentido de vida; bonecas barbie eróticas para a manipulação do mundo masculino.
Os movimentos feministas elegeram o oito de março como Dia Internacional da Mulher. A data foi escolhida porque neste dia, em 1857, operárias de uma fábrica de Nova Iorque fizeram uma greve por melhores condições; redução na carga horária, equiparação salarial e melhor tratamento. Foram trancadas na fábrica e incendiadas. 130 tecelãs morreram.
Contudo, a parte mais bonita da história das mulheres começou no período Neolítico, cerca de 12 mil anos atrás. Antes disto, vivíamos no período Paleolítico, um período pré-histórico, com 2,5 milhões de anos, quando nossos ancestrais produziram os primeiros artefatos em pedra. No Paleolítico, a primazia era dos homens caçadores e as mulheres apenas cuidavam de suas constantes e numerosas crias. Estávamos, então, no final da Era Glacial.
A partir de 10.000 a.C, a humanidade entraria no período Neolítico. Um grande degelo ocorreu na Terra e aumentou as terras para cultivo. Então, nos fixamos mais na terra, que era cultivada tanto por homens quanto por mulheres.
Enquanto no Paleolítico nosso sentimento religioso se voltava para os animais pois estes garantiam nossa sobrevivência, no Neolítico passou a valer o simbolismo da semente que alimentava os humanos a partir do “útero” da Mãe Terra.
Assim, a energia feminina chegaria ao explendor de seus dias na Terra. Deusas da fertilidade e do amor comandavam o mundo. Haviam, nesta época, cem templos de Afrodite (ou deusa do Amor) para apenas um templo de Ares, o deus da guerra. A primazia da mulher levou o Amor ao centro da Vida.
Conforme o tempo foi passando, a mulher, por gerar a vida, foi comparada à Terra e adquiriu um poder criativo e encantatório. Este poder sinuoso do sensível e do intuitivo feminino passou a governar o mundo através das sementes depositadas na terra e do poder da lua e das águas, que davam fertilidade às plantações. Afrodite nasceu das águas, assim como Yemanjá e também Iara, a mãe das águas. Neste tempo, grandes deusas governaram a Terra: Parvati, Ishtar, Frêya, Réia, Hera, Demeter, Artemis e Athena, transformadas nas Juno, Ceres, Diana, Vênus e Minerva romanas.
A classe sacerdotal era composta por mulheres, uma vez que só elas possuiam o poder invocatório das forças telúricas e celestes, a hierofania. A primeira sacerdotiza da Grécia, que atendia no templo de Delphos, foi a lendária pitonisa “Fonema”. Hoje, a palavra fonema se trata dos sons que fazem sentido para nós, na linguagem. Da sacerdotiza é que emanava o Verbo (Logos), significado da Vida.
Três dos mais significativos mitos da antiguidade eram estrelados por mulheres: a deusa egípcia Isis, a heroína Antígona e Medéia, a mãe que matou os filhos para não se tornarem escravos.
Alguns séculos antes de Sócrates, os homens retomariam o poder no mundo. A civilização judaica, origem do exagero machista, escondeu que o deus Yavéh (Jeová) tinha uma mulher, Asherah, representada por uma árvore. O judaismo, na sede de dominar o poder criativo feminino, colocou Eva numa posição inferior a de Adão, nascida da costela do mesmo. As virtudes femininas só seriam parcialmente resgatadas através do coração límpido de Maria.
Contudo, com o domínio masculino tudo se inverteria. Passaram a haver 700 templos para o deus da guerra (Marte) para apenas um templo para a deusa do Amor (Vênus). A energia masculina negaria o Amor presente nas coisas.
A verdade é que o jeito dos homens é muito diferente das mulheres porque é baseado na competitividade, na agressividade e no domínio do território e da própria mulher. Os machos do mundo humano continuam mijando nos cantos da realidade para marcarem suas posses. Assim, o mundo permanece em tensão constante. Necessitamos do retorno do poder sinuoso, sensível e solidário das mulheres. As mulheres são mais flexíveis e adaptáveis. Em geral, são mais resistentes a dor da alma, mais afetuosas e justas. É bom lembrar que a deusa da Justiça era mulher; Temis, descendente direta da Grande Mãe Gaia.
Desde a antiguidade que as mulheres protestam contra o machismo dominante. É da época de Sócrates o famoso episódio dos Hermocópitas, onde as mulheres de Atenas deceparam, em uma só noite, o pênis de milhares de estátuas de Hermes, causando confusão na Acrópole. O próprio filósofo Platão jamais excluiu as mulheres da política e criticava muito os gregos por fazê-lo. Mais tarde, muitas mulheres provaram sua grande capacidade na política, entre elas, Elisabeth I, da Inglaterra.
Depois do assassinato da cientista Hipácia, no Sec IV, em Alexandria, vítima do bispo Cirilo, o poder masculino religioso mandou matar, nas fogueiras da Idade Média, milhares de mulheres curandeiras, acusando-as de bruxas, simplesmente, porque ninguém procurava os padres, mas preferiam consultar as doces e intuitivas senhoras xamãs. Estas mulheres resistem ainda hoje na figura das vovós dos centros de Umbanda.
A história das mulheres se confunde com a própria história da Terra, a grande mãe Gaia, nossa Pachamama. A defesa da paz e dos ecossistemas coincide com a luta das mulheres pela justiça e para reequilibrar o poder no mundo. Que todas as mulheres possam despertar do seu sono secular para reencontrarem toda a sua dignidade, sua fertilidade e o poder criativo do seu amor.