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terça-feira, 7 de novembro de 2023

PRIVATIZAÇÃO RIMA COM APAGÃO

 

(Foto: Brasil/ IG)

São Paulo no escuro

Até hoje tem gente sem energia em São Paulo, em razão do apagão iniciado no último final de semana.
Os moradores de uma das maiores cidades do mundo ficaram sem luz, banho, metrô, internet e otras cositas más, por mais de três dias, após as fortes chuvas que caíram sobre a cidade. 
A Enel, empresa privada responsável pelo fornecimento de energia em vários municípios do Estado de São Paulo, apesar de aferir grandes lucros, não tem dado conta de atender a contento as demandas da população que contabiliza muitos prejuízos com o acontecido.
Essa é uma demonstração cabal da falta de visão que representa as privatizações de empresas de interesse público. Isso, num momento em que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, quer privatizar a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP) e que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também anunciou sua intenção de privatizar a Companhia Energética de Minas Gerais S.A. (CEMIG) e a Companhia de Saneamento do Estado, COPASA.
Ninguém engole mais o discurso privatista de empresas de energia e de estatais que prestam serviços essenciais à população. As provas estão aí: empresas estatais são vendidas na bacia das almas e as empresas privadas quando as assumem demitem grande contingente de funcionários, aumentam preços, enchem as burras de seus acionistas, prestam péssimos serviços e quando se veem em dificuldades recorrem ao Estado, pedindo socorro.

sexta-feira, 25 de junho de 2021

AS PRIVATIZAÇÕES E OS PROBLEMAS ENVOLVENDO FORNECIMENTO E COBRANÇA DE ÁGUA E LUZ


A contradição entre o dia do mês e a data da leitura de consumo
(Foto: Eugênio Magno)


Cemig e Copasa: 
lucros cada vez maiores, serviços a cada dia piores

Duas empresas que quando estatais foram modelares na prestação de serviços aos consumidores e excelentes empregadoras vêm perdendo credibilidade junto ao público.
Contas de água e luz estão a cada dia mais caras e a aferição do consumo nem sempre é confiável. A imagem acima ilustra episódio ocorrido dois dias antes da publicação desta matéria. No dia 23 de junho de 2021 quando voltava de minha caminhada matinal avistei de longe o leiturista da Copasa que havia acabado de fazer a leitura do hidrômetro em minha residência deixar a conta na caixa de correio. Ao chegar em casa e consultar a fatura me dei conta de que a data da leitura e de apresentação da mesma estava adiantada em um dia no calendário, marcava 24.06.2021. Achei melhor não incomodar o leiturista, certamente ele iria dar razão para a máquina, como a maioria das pessoas e, principalmente, das empresas, tem feito na atualidade. No entanto, entendi que seria mais adequado fazer uma denúncia pública da forma que faço aqui neste espaço. Afinal, grande parte da população anda insatisfeita com esses serviços e com a forma como a tese da privatização das estatais brasileiras vêm sendo defendida pelos governos federal, estaduais e municipais e pela grande mídia. A privatização de serviços essenciais, de matrizes energéticas, abastecimento e saneamento é um grande equívoco para o qual são necessários alertas constantes.
A Cemig se tornou uma Companhia de capital aberto com mais de 140 mil acionistas em 38 países e suas ações são comercializadas nas bolsas de São Paulo, Nova York e Madri. Já a Copasa se constitui como sociedade de economia mista e, embora o Estado de Minas Gerais seja o maior acionista, a participação de outros acionistas já chega a 49,96%. 
As duas principais empresas de abastecimento de Minas Gerais, Cemig e Copasa, há tempos vêm terceirizando grande parte de seus serviços para empreiteiras. Com isso, os serviços de excelência, pelos quais tanto prezaram no passado, estão perdendo em qualidade e confiança, ao mesmo tempo em que proporcionam altos lucros aos seus acionistas e pesam cada vez mais no bolso dos consumidores.
Ao contrário do que sempre foi prometido e continua sendo alardeado pelos privatistas, os serviços dessas duas empresas só vêm piorando e encarecendo, à despeito dos lucros e dividendos pagos aos investidores. No caso da energia elétrica, por exemplo, já entramos na famigerada bandeira vermelha novamente e os gestores estão falando até em apagão, para defender o indefensável que é a privatização da Eletrobras e de outras empresas de energia, como se a privatização fosse a solução para os problemas econômicos brasileiros. 
Isso é um absurdo que precisa ser denunciado, especialmente em se tratando de empresas monopolistas, ou por acaso a população poderá escolher entre três ou quatro prestadoras de serviços para definir qual delas será sua fornecedora de água, luz ou coletora de esgoto?

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

FALTA INFRAESTRUTURA


Apagões do Estado*


Eugênio Magno
Comunicólogo e Educador


      Antes do anúncio do leilão das quatro hidrelétricas que eram operadas pela Cemig, o fornecimento de energia em várias cidades mineiras já dava sinais de comprometimento. O que não se sabe é se o comprometimento é real ou fake provocado por estrategistas para justificar privatizações e reajustes futuros.
           Não são poucos os piques de energia, apagões e interrupções, desculpados como programados, mas sem aviso prévio. Isso e mais o recebimento de carga e voltagem abaixo do contratado, perda de alimentos em nossas geladeiras e freezers, prejuízos por ficarmos impedidos de trabalhar quando nossos equipamentos de produção são alimentados por energia elétrica e descumprimento de prazos por falta de telefonia e internet. Sem contar os riscos que corremos ao andar por ruas com lâmpadas queimadas. Enquanto isso, a empresa gasta milhões em propaganda para solicitar aos usuários de seus serviços que se cadastrem para receber o comunicado que ficarão sem energia em determinados períodos. Pra que isso, se todos os clientes já são cadastrados para a cobrança das altas tarifas, acrescidas de reajustes, bandeiras vermelhas e mais um monte de penduricalhos que só oneram o consumidor doméstico?
O slogan da Companhia Energética de Minas Gerais que já foi A melhor energia do Brasil, por muitos anos, mudou para Nossa energia, sua força, mas há tempos que a contrapropaganda afirma que a Cemig tem a Energia mais cara do Brasil. Sua qualidade não justifica seu custo e nós, mineiros, não podemos mais nos ufanar de ter a Cemig como patrimônio de nosso Estado, como não temos mais a Telemig, dentre outras empresas.
As especulações em torno de uma possível privatização da Cemig e também da Copasa, orquestrada pela mídia privatista, alardeia a valorização das ações das empresas no mercado financeiro, esse não-lugar improdutivo e volátil que vive de rumores e humores fabricados pela indústria da comunicação. Para justificar a inexistência de investimentos em infraestrutura e a negligência com nossos mananciais, rios e reservatórios, Cemig e Copasa estão sempre às voltas com números de pesquisas inacessíveis, atribuindo culpa à estiagem, para encobrir má gestão e achacar o consumidor residencial com altas tarifas e ainda exercer pressão para que se reduza o consumo, enquanto fornecem serviços essenciais à vida humana de forma descuidada e desrespeitosa.
No caso do Brasil e de Minas, em particular, em que o maior percentual de geração de energia vem da água, essa dobradinha Cemig e Copasa deveria nos favorecer. Temos potencial para ser um dos maiores fornecedores de água do planeta. Poderíamos sim ter a melhor energia elétrica do Brasil e, claro, a água e a energia mais baratas do mundo e não falta de água que gera falta de energia o que também impede que a água captada seja bombeada dos reservatórios até nossas caixas d’água.

E a culpa, definitivamente, não é de São Pedro.

(* Este artigo  também foi publicado na página de Opinião do jornal O Tempo, de 15/11/2017)