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domingo, 10 de setembro de 2017

QUE FLAGRA...


Janot e advogado de executivos da J&F fazem reunião 'escondida' em bar


Uma cena constrangedora para o procurador geral da República Rodrigo Janot foi flagrada, na madrugada deste domingo (10), em Brasília. Janot foi visto se encontrando com o advogado Pierpaolo Bottini, que representa os executivos da J&F Joesley Batista e Ricardo Saud, em um bar da capital federal. O flagra foi feito pelo site "O Antagonista".
De acordo com o site, Janot e o advogado conversaram por cerca de 20 minutos. Eles ficaram em uma mesa de canto no bar, ao lado de uma pilha de caixas de cerveja. O procurador geral estava de óculos escuros e não tirou o acessório durante todo o tempo de conversa. 
Em conversa com a publicação, Bottini disse que o encontro foi casual. "Na minha última ida a Brasília, este fim de semana, cruzei casualmente com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, num local público e frequentado da capital. Por uma questão de gentileza, nos cumprimentamos e trocamos algumas palavras, de forma cordial. Não tratamos de qualquer questão outra ou afeita a temas jurídicos. Foi uma demonstração de que as diferenças no campo judicial não devem extrapolar para a ausência de cordialidade no plano das relações pessoais", afirmou. 
Janot ainda não se pronunciou sobre o encontro.
(Fonte: Jornal O Tempo) 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

OCUPAÇÃO DO "PREDINHO" ANTIGA SEDE DO JORNAL HOJE EM DIA


Jornalistas ocupam prédio da JBS em Belo Horizonte, 

ex-sede do jornal Hoje em Dia

Foto: Isis Medeiros

Da redação do Brasil de Fato em Belo Horizonte (Edição de Larissa Costa)

Cerca de 150 trabalhadores da comunicação, entre jornalistas e gráficos, ocuparam o antigo prédio do jornal Hoje em Dia, de propriedade da empresa JBS, nesta manhã de quinta (1). Parte desses profissionais foi demitida há mais de um ano do jornal e até hoje não recebeu o acerto. A ocupação conta com o apoio de diversos movimentos populares e sindicatos de Minas Gerais.
“Decidimos ocupar o prédio que foi sede do jornal durante décadas para denunciar a toda sociedade o calote. Fomos vítimas de uma negociata política, que envolve figurões da República, e pagamos a conta por projetos de poder, falta de ética e escrúpulos”, denunciam os jornalistas em manifesto divulgado.
O “predinho”
De acordo com o manifesto, o senador afastado Aécio Neves (PSDB) pediu para que o empresário Joesley Batista, da JBS, comprasse o prédio sede do Hoje em Dia. Segundo delação gravada de Joesley, o prédio foi comprado por um valor muito superior ao de mercado. O empresário teria pagado R$ 17 milhões que seriam destinados à Aécio como pagamento de propina. Na ocasião, o senador afastado chamou o imóvel de "predinho", como passou a ser conhecido. 
A história
No início de 2016, 38 jornalistas foram demitidos de uma vez do jornal Hoje em Dia, após este ter sido comprado por Ruy Muniz, empresário e ex-prefeito de Montes Claros que já chegou a ser preso por corrupção. 
Mais informações aqui.
Posição do Hoje em dia
Em nota, o jornal Hoje em Dia afirma que vai colaborar com a Justiça nas investigações e reitera o compromisso com a transparência das informações e a ética profissional. Confira na íntegra:
A atual gestão da Ediminas S/A assumiu o jornal Hoje em Dia quando a venda do prédio já havia sido concluída e vai colaborar com a Justiça prestando todos os esclarecimentos que forem por ela solicitados. O jornal não funciona mais no prédio da rua Padre Rolim. A Ediminas vem cumprindo rigorosamente a legislação trabalhista. Sobre as rescisões de contrato, trata caso a caso as demandas, nas esferas competentes: Ministério Público do Trabalho, Justiça do Trabalho e sindicatos das categorias profissionais relacionadas ao jornal. O Hoje em Dia  reitera o compromisso com a transparência das informações e a ética profissional e informa que mantém seu funcionamento regular, o que permite a preservação de dezenas de empregos. 
Ediminas S/A
Manifesto dos jornalistas 
Ocupa Predinho. Por que estamos aqui?
Somos um grupo de 150 trabalhadores (jornalistas, gráficos e funcionários da administração) demitidos do jornal Hoje em Dia há mais de um ano. Não recebemos nenhum direito trabalhista. Nem mesmo o salário do último mês que trabalhamos. Decidimos ocupar o prédio que foi sede do jornal durante décadas para denunciar a toda sociedade o calote. Fomos vítimas de uma negociata política, que envolve figurões da República, e pagamos a conta por projetos de poder, falta de ética e escrúpulos. A ocupação tem o apoio de diversos movimentos sociais, que trazem solidariedade a nossa causa e lutam por um país mais justo.
Na delação do empresário Joesley Batista, da JBS, ele revela que pagou R$ 17 milhões, um valor que ele mesmo considerou superfaturado, por um prédio e um terreno na Rua Padre Rolim, no bairro Santo Efigênia, em Belo Horizonte. Os imóveis citados pelo empresário eram a sede do jornal Hoje em Dia e foram comprados pela JBS a pedido do senador afastado Aécio Neves (PSDBMG). Mas existem vários detalhes que vão além da delação a que merecem atenção:
1 - Em 2013, quando a candidatura de Aécio Neves se afirmava no ninho tucano e os apoios para o projeto político do neto de Tancredo Neves eram estabelecidos, o governo de Minas Gerais, então comandado pelo tucano Antonio Anastasia, desapropriou um imóvel da Rádio Del Rey, que pertence à família proprietária do Grupo Bel. 2 - A desapropriação custou R$ 1,09 milhão aos cofres públicos e o pagamento foi realizado em junho de 2013.
3 - Cinco meses depois o Grupo Bel (também proprietário das rádios 98 FM, CDL e outras empresas) comprou o jornal Hoje em Dia das mãos da TV Record.
4 – Durante a campanha presidencial de 2013 o jornal Hoje em Dia se posicionou acintosamente favorável à candidatura de Aécio Neves.
5 – Um exemplo: O jornal chegou a publicar uma pesquisa nonsense, que ia à contramão de todas as outras pesquisas de opinião e dava favoritismo a Aécio. A notícia manchetou o portal do jornal no dia 14 de outubro e, velozmente, a imagem da tela do portal do Hoje em Dia estampava a propaganda de televisão de Aécio Neves no dia seguinte.
6 – Outro exemplo: A demissão do jornalista Aloísio Morais do Hoje em Dia, no dia 31 de outubro de 2014. O jornal tentou demiti-lo por justa causa por comentários que ele compartilhou em uma rede social. O comentário criticava o instituto que teve a pesquisa abalizada pela publicação do Hoje em Dia e favorecia Aécio Neves. O jornal perdeu em todas as instâncias e Aloísio foi reintegrado ao trabalho, por determinação judicial, depois de 22 meses.
7 – Após derrota do PSDB, tanto na presidência quanto no governo estadual, o Grupo Bel decidiu vender o jornal Hoje em Dia.
8 – Antes de se efetivar a venda do jornal, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pediu que o empresário Joesley Batista, da JBS, comprasse o prédio do jornal. Segundo delação gravada de Joesley, o prédio foi comprado por um valor superfaturado. Ele chamou o local de: "predinho", como passou a ser conhecido.
9 – Com os ativos da empresa liquidados, o grupo Bel fechou o parque gráfico, demitiu todos os funcionários da gráfica e não pagou os direitos trabalhistas.
10 – O jornal foi vendido para o ex-prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz, que é empresário da educação e conhecido por ter como prática dar calote em funcionários.
11 – Ruy Muniz, que chegou a ser preso acusado de fraude na saúde da administração da prefeitura de Montes Claros, assumiu o jornal e demitiu mais da metade da redação: 38 jornalistas. 
12 – Os jornalistas não receberam nenhum direito trabalhista. Nem o salário do último mês que trabalharam. 
13 – Ação judicial do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais pede que a responsabilidade pelo pagamento dos demitidos seja do atual proprietário, Ruy Muniz, e dos antigos donos do jornal, do Grupo Bel, que são capitaneados por Flávio Carneiro.
14 – Flávio Carneiro também foi citado na delação de Joesley e tratado como um "garoto de recados" para Aécio Neves. O empresário da JBS mandou Flávio falar com o senador para que ele parasse de pedir propina, pois eles estavam sendo investigados. 
15 – Diante de uma armação articulada por políticos e empresários resta aos trabalhadores somente uma alternativa: a luta. Por isso, estamos aqui ocupando o prédio. Queremos apenas o nosso direito, que é o pagamento pelo que trabalhamos. 
(Fonte: Brasil de Fato, 1º de junho de 2017)

sexta-feira, 19 de maio de 2017

RIGOROSA APURAÇÃO DOS FATOS


Reitores da PUC Minas e UFMG divulgam comunicado conjunto em que defendem rigorosa e rápida apuração de todas as denúncias


Em carta aberta assinada juntamente com o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, professor Jaime Arturo Ramirez, o reitor da PUC Minas, professor Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, se manifestou, na última quinta-feira, 18 de maio, sobre o atual momento político do país, em que graves denúncias envolvem o atual presidente da República, Michel Temer, e o ex-governador de Minas Gerais, senador Aécio Neves.
Demonstrando preocupação com os desdobramentos dos fatos divulgados na última quarta-feira, 17, os reitores defenderam “uma rigorosa e rápida apuração de todas as denúncias, independentemente de nomes e cargos nela citados” e expressaram o desejo de que prevaleça no país o respeito à democracia, o pleno funcionamento das instituições, o estado de direito e a busca do bem comum como princípios da vida pública.
Carta aberta dos Reitores da UFMG e PUC Minas
A vida política e social no Brasil vem sofrendo, nos anos mais recentes, seguidos e cada vez mais preocupantes abalos. Tal cenário leva à sensação de que a corrupção se tornou sistêmica e profundamente enraizada na sociedade brasileira, gerando instabilidade e desesperança com relação ao futuro do país.
Nem o reconhecimento das exceções, infelizmente tão poucas, dissipa a impressão de que a corrupção se estabeleceu como modo operativo prevalente, sobre o qual se tem a expectativa de obtenção não apenas de poderes político e econômico, mas também da impunidade. 
Pouco mais de um ano depois do impedimento da ex-presidente da República – cujas razões e modo de processamento ainda dividem a sociedade -, o País se vê sobressaltado com novas e
graves denúncias que envolvem diretamente o presidente da República e outros ocupantes de cargos políticos estratégicos no cenário nacional. Como inevitável decorrência, surgem incertezas de toda ordem sobre os rumos e cenários futuros da República, em termos dos desdobramentos que podem
trazer os fatos que vieram à tona nesta quarta-feira, 17 de maio de 2017.
É nesse cenário, conturbado e dramático da vida nacional que manifestamos de público a defesa de uma rigorosa e rápida apuração de todas as denúncias, independentemente de nomes e cargos nelas citados, e que os Poderes constituídos, em sua missão de resguardar a democracia e a defesa intransigente do Estado de direito, garantam o pleno funcionamento das instituições democráticas, a liberdade dos movimentos sociais e de todas as instâncias de representação social.
A crença na democracia tem essencial significado: o de que, pela ética, correção e sentimento republicano, a sociedade buscará permanentemente a garantia do direito à justiça, liberdade e paz para todos. Se, por um lado, a dissonância e divergências de posicionamentos e perspectivas políticas são naturais na vida democrática, por outro, o respeito às leis e à defesa do estado de direito e a busca do bem comum e da justiça social devem colocar-se como princípios inarredáveis da vida pública.
 
Prof. Jaime Arturo Ramírez
Reitor da Universidade Federal de Minas Gerais
Prof. Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães
Reitor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

(Fonte: Portal PUC Minas)