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quinta-feira, 4 de abril de 2013

POR UM MUNDO MELHOR (?)


Afinal, quais são as necessidades do público mesmo?

Philippe Bertrand
Publicitário


Lembro do meu primeiro conflito pessoal com a propaganda na primeira semana de aula da faculdade, quando um lendário professor ensinava que 'não criamos necessidades'. O conceito é que o 'mkt e a propaganda identificam necessidades para que produtos/serviços atendam a elas, melhorando a vida das pessoas'. Vindo de uma família de classe média trabalhadora que gastava toda sua grana com escola particular, tive uma formação não-consumista. Simplesmente porque não existia o dinheiro para ser consumista. Consumir pra mim não era uma necessidade, nem possibilidade. A mim, parecia estranho e extremamente excludente associar um jeans a necessidades existenciais de status, superioridade, identidade. Estaríamos afinal, atendendo a essas necessidades vendendo às pessoas um jeans? E os 87% da população que não podem ter esse jeans (na época as classes CDE), fica simplesmente excluído dessa promessa social de identidade? Não temos responsabilidade sobre isso? O professor, assumidamente publicitário e Marxista, teve que dar o debate por encerrado dizendo que estava trabalhando para que o sistema capitalista sucumbisse, como disse Marx. Ninguém mais me aguentava falar então deixei o assunto passar e passei a também trabalhar para o sistema, tentando “identificar e atender necessidades, pra melhorar a vida das pessoas” - como dizia a teoria.
De repente, passam 16 anos. Como previu o professor, o sistema econômico (ao menos do 1o mundo) sucumbiu graças à especulação desenfreada de ganhar sempre mais. O Brasil se salvou da crise graças à ascensão econômica de quase metade da população que finalmente passou a ser valorizada nas pesquisas de marketing. Passamos grande parte da vida congestionados sob o conforto de carros bacanas, ou não. Aliás, a desigualdade e exclusão social faz das ruas de SP um ambiente potencialmente inóspito e inseguro. O mundo sofre com a indigestão de nossos dejetos de plástico, petróleo, computadores e celulares que viram lixo tóxico tão rapidamente. A individualidade parece ser um conceito muito triste, e novas gerações nos ensinam sobre sharing e colaboração. Redes de pessoas em todo o mundo reinventam a cultura, economia.. Inventam softwares, hardwares e universidades livres e abertas na Internet. E é aí que me pergunto.

Quais são as necessidades desse novo mundo?
E afinal, como elas deveriam ser atendidas?

Prefiro deixar a resposta pra quem ler as perguntas. Tenho certeza que surgirão melhores ideias que as minhas. Cada vez mais vemos propostas de posicionamento com conceitos “por um mundo melhor”. Cada vez mais marcas adotam ações em pról do coletivo (seja promovendo a locomoção por bicicleta, seja inspirando a tolerância e o sorriso, seja promovendo a doação de livros). Cannes, por sua vez, tem celebrado cada vez mais propostas que oferecem uma 'solução social' inovadora para as pessoas.
(Fonte; Meio & Mensagem online)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

10 TENDÊNCIAS PARA O VAREJO NO FUTURO


Feliz 2020!

Andréa Dietrich
Gerente de Digital do Grupo Pão de Açúcar

Já estamos no finalzinho de 2012 e sempre temos a mesma sensação de que o tempo está passando mais rápido do que nunca. Acho que é isso mesmo, estamos girando mais rápidos do que nunca.
Nossa mente processa muito mais coisas ao mesmo tempo, estamos lidando com muito mais assuntos ao mesmo tempo, lidando com mudanças a todo momento, consumidores mais exigentes do que nunca. Ufa, imagina nos próximos anos? E nessa loucura ainda temos que nos preparar para estarmos preparados pro futuro.
Lidar com mudanças, inclusive, é a primeira tendência listada no report do Planet Retail para 2020. Achei uma ótima leitura para quem está fechando o planejamento dos próximos anos. Segue um breve resumo das 10 tendências pro varejo para 2020:

1 – Flexibilidade: de formatos, canais, modelos de abastecimento para crescer num mercado cada vez mais desafiador, onde grandes formatos de lojas já não trazem tanto retorno, o ecommerce avançando e tirando mercado do varejo físico, novos formatos de lojas surgindo e a demanda por uma oferta cross canal.
2 – Internacionalização dos mercados emergentes: varejistas internacionais cada vez mais expandindo e entrando nos mercados emergentes e, os players locais, também investindo em outros mercados, fora da sua região.
3 – Mycommerce: a força que os consumidores terão nas relações com os varejistas cada vez maior. A busca por conveniência, melhores ofertas e serviços em alta com apoio da tecnologia.
4 – Polarização do mercado: a crise econômica e as mudanças demográficas impactando no comportamento dos consumidores. Os modelos que melhor devem performar nesse novo cenário são os focados em desconto/preço baixo e no outro extremo os especializados/diferenciados.
5 – Direto pro Consumidor: as marcas construíndo seus próprios canais de venda direta pro consumidor. Novos canais estão surgindo (como pop up stores, venda direta pela fanpage ou marketplace de venda direta pro cliente) demandando uma mudança de modelo para os varejistas.
6 – Nostalgia: instabilidade econômica e a globalização impulsionando as marcas e varejistas a resgatar a história, o simples, através do uso de logomarcas e embalagens antigas, trazendo mais segurança e um contato mais emocional com o consumidor.
7 - Mercado Local: consumidores demandando conteúdo mais relevante, mais próximo, e interação maior com varejistas. Uma das grandes tendências é a abertura de páginas de lojas nas redes sociais sendo atualizadas pelas próprias lojas e não por uma central.
8 – Varejo da Comunidade: também relacionado a tendência de fortalecer o conteúdo local, ou seja, deixar de pensar como uma corporação e dar autonomia as regionais inclusive mudando nome das lojas e adaptando logomarcas. Outra questão é a valorização da atitude mais transparente e interativa, e do pensamento coletivo, no bem para o próximo e para o mundo.
9 – Engajamento Digital: outra frente fortíssima impulsionada pela tecnologia. Nesse tópico entram as questões de promover ações diferenciadas e interativas aproximando a marca das pessoas dentro ou fora das lojas. Integração e convergência dos canais on e off-line.
10 – Logística como diferenciador: e para concluir a última tendência reforça a necessidade de construir uma infraestrutura robusta para suportar todas essas mudanças e integrações de canais. A logística como elemento essencial para entregar com qualidade, velocidade e garantir sortimento.
É isso aí. Muita coisa pra fazer, pra viver e aprender.
Feliz 2020 para todos nós!

(Fonte: Site Meio & Mensagem)