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sexta-feira, 1 de março de 2019

O SAMBA DOS AGRICULTORES


Unidos do Roçado, a escola de samba de agricultores que transformou o Carnaval no sertão do Ceará



Na comunidade do Roçado de Dentro —na zona rural de Várzea Alegre, uma cidade de quase 40.000 habitantes no sertão do Ceará—, o bom inverno é o principal termômetro do Carnaval. Ali, há 56 anos, um grupo de agricultores deixa suas roças para levar até a zona urbana da cidade o desfile de uma escola de samba com mais de 300 integrantes e cuja trajetória transformou a cidade em polo carnavalesco. Da tradição iniciada pelos homens do campo, Várzea Alegre ganhou nos últimos anos outra escola de samba (Mocidade Independente do Sanharol) e uma série de blocos que todos os anos atraem centenas de pessoas ao município.
Esta história começa em 1963. Enquanto golpeava o solo para plantar legumes, o agricultor Pedro Souza cantava a marchinha de Emilinha Borba que ouvia repetidas vezes no único rádio de pilha do Roçado de Dentro. A voz saía ritmada ao tilintar da enxada: "Vem cá, seu guarda / Bota pra fora esse moço / Que tá no salão brincando / Com pó de mico no bolso / Foi ele / Foi ele sim / Foi ele quem jogou o pó em mim". Os companheiros agricultores, de tanto ouvi-lo cantar o Pó, aprendiam a letra e, mesmo sem portar os instrumentos necessários, reproduziam a música na roça. Era Pedro Souza, acostumado a tocar sanfona nas festas populares da comunidade, quem conduzia aquela orquestra improvisada, nascida imersa a um matagal de mudas de feijão e milho. Um ditava o tom, os outros o seguiam em coro. Valia ainda imitar, com a boca, o som do trombone, da sanfona e da corneta, enquanto o do surdo e o da caixa ficavam por conta de um batuque ritmado em um pedaço de madeira ou na própria coxa.
Em mais uma tarde como esta, em fevereiro de 1963, os agricultores do Roçado largaram as enxadas, pegaram instrumentos emprestados da banda cabaçal da comunidade, um conjunto musical típico do interior cearense, e decidiram entrar em cena para enfrentar uma espécie de abismo social que naquela época separava as zonas urbana e rural. Iluminados pelo sol a pino do meio-dia e usando galhos de plantas como alegoria, saíram animados pelas estradas do sítio, tocando e convidando os demais moradores para a empreitada. “A minha sanfona era novinha, e a princípio eu nem queria colocá-la no meio daquele negócio”, conta Matias Alves de Souza, sem saber direito se os amigos pegaram primeiro o braço dele ou a alça da concertina. Sem ter como fugir daquela intimação, o jeito foi seguir com os companheiros rumo à cidade. No percurso de dois quilômetros que separam a comunidade da zona urbana, vários momentos de hesitação. Com medo de serem ridicularizados na cidade, os agricultores tentaram esconder o rosto com carvão e goma —uma forma de não serem reconhecidos.
Para continuar lendo a matéria de Beatriz Jucá para o El Páis, clique aqui.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

UM CARNAVAL DE DESILUSÕES NO PAÍS INTEIRO

Designação gera frustração e ansiedade para trabalhadores da educação de MG

Foto: João Bittar/MEC

Governo anuncia processo seletivo para primeiro semestre de 2018 e sindicato pressiona para abertura de novas vagas.
Todo ano, milhares de trabalhadores disputam vagas na rede estadual de ensino de Minas Gerais. Eles participam do processo de designações, no qual cada candidato assina um contrato precário, de no máximo um ano, para preencher uma vaga para a qual não tem servidor efetivo. Para trabalhadores, isso gera insegurança, humilhação e ansiedade, além de prejudicar a continuidade do processo pedagógico. A alternativa, segundo o sindicato, é fazer mais concursos públicos e dar posse a quem já foi aprovado em concursos anteriores.
Para ler na íntegra a matéria de Wallace Oliveira, com edição de Joana Tavares, para o Brasil de Fato, clique aqui.

quarta-feira, 5 de março de 2014

QUARTA-FEIRA DE CINZAS


José

Carlos Drummond de Andrade


E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

REINADO DE MOMO


É tempo de carnaval. No Brasil, são cinco dias de festa, de alegria.


(Foto: Vanderlei Almeida / AFP)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

BOMBRIL É VAI-VAI NO CARNAVAL



Bombril e suas “mulheres evoluídas” no Carnaval


"Patrocinadora do carnaval da escola de samba paulistana Vai-Vai, a Bombril lança uma campanha para homenagear as mulheres, em consonância com o enredo Mulheres que Brilham – A força feminina no progresso social e cultural do país.
Criado pela DPZ, o anúncio traz o garoto-propaganda Carlinhos Moreno acompanhado da atriz Marisa Orth, que assume o papel de sambista. A surpresa é que o próprio Moreno entra no clima e aparece vestido de passista.
O mote explica a intenção do filme, fazendo referência ao conceito institucional lançado no ano passado: Mulheres Evoluídas são assim: brilham no trabalho, brilham em casa e ainda sobra tempo pra brilhar na avenida. Marisa é uma das três mulheres evoluídas da campanha original, ao lado de Monica Iozzi e Dani Calabresa, e ajuda a marca em sua missão de rejuvenescimento, visando conversar com mulheres entre 20 e 30 anos.
A escolha do Carnaval como estratégia para a Bombril ocorre pelo terceiro ano. Esta iniciativa soma-se às diferentes formas criadas pela Bombril com o intuito de resgatar a essência e os valores femininos, estabelecendo uma nova relação de carinho e proximidade com as mulheres através de incentivos à cultura, projetos sociais e patrocínio esportivo, declara Marcos Scaldelai, diretor de marketing da Bombril."


(Fonte: Site Meio & Mensagem)