
desviam-se dos ralos e
Blog de Eugênio Magno

(do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais promulgou lei que retira a chamada mata seca, na região norte do Estado, da área de preservação ambiental da Mata Atlântica. A Lei 19.096/2010, publicada ontem no Diário Oficial do Estado, permite que a área remanescente de mata seca, protegida por lei federal, seja desmatada para atividades agrícolas e produção de carvão.Polêmico, o projeto de lei aprovado em junho pelo Legislativo mineiro recebeu duras críticas de ambientalistas, que o consideraram inconstitucional, pois permite o desmatamento de até 70% da área coberta pela vegetação, como prevê a legislação estadual, mais permissiva que a federal. A mata seca foi incluída na área de preservação da Mata Atlântica pelo decreto federal 6.660, de novembro de 2008. Conforme o Instituto Estadual de Florestas (IEF), a área remanescente corresponde a 16,1 mil km2, ou 48% da área original.
Na pesquisa da Fundação SOS Mata Atlântica divulgada em maio, Minas figura como o estado campeão em desmatamento, entre 2008 e maio de 2010, com 12,5 mil hectares suprimidos de um total de 20,8 mil hectares.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)
o das Comunidades clesiais de Base
Leonardo Boff
Teólogo
Quem leu meu último artigo poderá ter ficado desesperançado. Ali analisei a estrutura de poder da Igreja. Esse poder não favorece o ideal evangélico de igualdade, fraternidade e participação. Esse tipo de poder, por sua natureza, precisa ser forte e frio. Esse modelo surgiu historicamente, perfazendo menos de 0,1% de todos os fiéis. Portanto, não é toda a Igreja, apenas uma parte mínima dela.
Mas a Igreja-comunidade, como fenômeno religioso e movimento de Jesus, é muito maior que a instituição. Ela encontra outras formas de organização, bem mais próximas ao sonho do fundador e de seus primeiros seguidores. Inteligentemente, os bispos brasileiros, em sua reunião anual de janeiro, confessaram: "só uma Igreja com diferentes jeitos de viver a mesma fé será capaz de dialogar relevantemente com a sociedade contemporânea".
Com isso eles quebraram a pretensão de um único modo de ser. Sem negar esse, há muitos outros jeitos: o jeito da Igreja da Libertação, dos carismáticos, dos religiosos e religiosas, da Ação Católica, até da Opus Dei, da Comunhão e Libertação e da Canção Nova, só para dizer as mais conhecidas.
Mas há um jeito que é altamente promissor, nascido nos anos 50 no Brasil e que ganhou relevância mundial: as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Os bispos lhe dedicaram uma animadora mensagem. Curiosamente, elas surgiram no momento em que eclodiu no Brasil uma nova consciência histórica. As CEBs constituem um outro modo de ser Igreja, cujo sujeito principal, mas não exclusivo, são os pobres. Articulam continuamente fé e vida, criando novos ativos no campo social ou político, nos sindicatos, nos movimentos sociais como o MST ou nos partidos políticos.
Não sabemos exatamente quantas são, mas calcula-se que cheguem a 100 mil comunidades de base, envolvendo alguns milhões de cristãos. Os bispos constatam seu alto valor inovador e anti-sistêmico. O mercado expulsou as relações de cooperação e solidariedade, enquanto nas CEBs se vivem as relações fundadas na gratuidade, na lógica do oferecer-receber-retribuir. Elas assumiram a causa ecológica, por isso se entendem também como comunidades ecológicas de base. Desenvolveram uma forte espiritualidade, do cuidado para com a vida e para com a Mãe Terra. Daí resultaram mais respeito, veneração e cooperação com tudo o que existe e vive.
As CEBs mostram como a memória sagrada de Jesus pode receber outra configuração social, centrada na comunhão, no amor fraterno e na alegria de testemunhar a vitória da vida contra as opressões. É o significado existencial da ressurreição de Jesus como insurreição contra o tipo de mundo vigente.
Humildemente, os bispos testemunham que elas ajudam a Igreja a estar mais comprometida com a vida e com o sofrimento dos pobres. Mais ainda: interpelam a Igreja inteira, chamando-a à conversão, ao compromisso para a transformação do mundo em mundo de irmãos e irmãs.
Esse modo de ser Igreja pode servir de modelo para inserção na cultura contemporânea, urbana e globalizada. Se fosse assumido como inspiração para o projeto do papa Bento XVI, de "reconquistar" a Europa, seguramente teria algum sucesso. Ver-se-iam comunidades de cristãos, intelectuais, operários, mulheres, jovens, vivendo sua fé em articulação com os desafios de suas situações. Não pretenderiam ter o monopólio da verdade e do caminho certo. Mas se associariam a todos os que buscam seriamente uma nova linguagem religiosa e um novo horizonte de esperança para a humanidade.
(Fonte: Jornal O Tempo)

Cerca de três mil pessoas vão às ruas de Montes Claros, nesta sexta-feira (23), para a Caminhada da Campanha Nacional contra a Violência e o Exterminio de Jovens durante o 6º Encontro Estadual das Comunidades Eclesias de Base (CEBS). A concentração será às 16h em frente ao Sesc, na Rua Viúva Francisco Ribeiro, centro da Cidade. Os participantes irão percorrer as principais vias de acesso de Montes Claros em direção a Praça Catedral. A Coordenadora da atividade, Jociely Madureira, diz que o principal propósito da Caminhada é chamar a atenção da população em geral para os altos indices de violência e exterminio da juventude. “São muitas as mortes sofridas pela juventude diariamente. Quando falo de morte não me refiro apenas a morte fisica e sim a ausência de politicas públicas especificas voltadas para este grupo. A falta de emprego, de educação, de lazer, etc, são as maiores justificativas para as mortes fisicas” -, discorre Madureira. Durante o percurso, serão cinco paradas onde cada momento terá um tema de reflexão referente a realidade de juventude no Mundo, América Latina, Brasil, Minas Gerais e Montes Claros. Madureira afirma que há estudos que indicam dados alarmantes no Municipio. Entre os anos de 2005 e 2008 foram registrados 289 homicidios em Montes Claros. Levantamentos do Capitão da Policia Militar, Ederson da Cruz Pereira, sociólogo e Mestre em Desenvolvimento Social pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), indicam que das mortes nos quatro anos, 79 não foram esclarecidas (27,3%) e 68 tiveram motivos fúteis (23,53%), somando 147 casos (50,8%). O tráfico respondeu por 53 ocorrências (18,3%). De acordo com a pesquisa, no período, houve também 45 mortes por vingança (15,57%); 20 por problemas econômicos (6,92%); 18 por motivos passionais (6,23%); e seis em confronto com a polícia (2,08%). A pesquisa teve como fonte o 10º Batalhão da Polícia Militar e a Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Pessoa de Montes Claros.

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)
Este artigo também foi publicado nas edições impressa e online do jornal O Tempo de 26.06.10. Acesse o jornal, clicando aqui.
"Aos 80 anos, Plínio de Arruda Sampaio mantém-se plenamente ativo na política brasileira. Atuou na Casa Civil paulista e foi deputado federal pelo Partido Democrata Cristão antes do regime militar, quando se exilou no Chile e, depois, nos EUA. Em 1976, voltou ao Brasil, onde fundou o Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (Cedec) e engajou-se na campanha pela abertura do regime militar e pela anistia dos condenados políticos. Participou da fundação do MDB, mas, por divergências com o então amigo Fernando Henrique Cardoso, rompeu sua ligação com o partido e entrou para o recém fundado PT, onde se tornou um dos principais dirigentes. Porém, em 2005, decepcionado com os caminhos que o partido foi tomando com a eleição de Lula, vinculou-se ao PSOL. Agora, em 2010, Plínio tem um novo desafio a sua frente: as eleições presidenciais. Em entrevista à IHU On-Line, realizada por email, o candidato à presidência apresenta suas ideias, avalia sua saída do PT e a política de esquerda atual no Brasil. Plínio fala ainda de temas que têm discutido ao longo da sua trajetória política: a atuação de estrangeiros no Brasil e a Reforma Agrária. O agronegócio deve ser fortemente regulado com um zoneamento agrícola que proteja o pequeno agricultor, que não tem a menor condição de competir com a mecanização altíssima dos agroexportadores, apontou."
Cada poste é capaz de abastecer outros três ao mesmo o tempo. Ou seja, um poste com um "avião" - na verdade um gerador - é capaz de produzir energia para outros dois sem gerador e com seis lâmpadas LEDs (mais eficientes e mais ecológicas, uma vez que não utilizam mercúrio, como as fluorescentes compactas) de 50.000 horas de vida útil dia e noite (cerca de 50 vezes mais que as lâmpadas em operação atualmente; quanto à luminosidade, as LEDs são oito vezes mais potentes que as convencionais) . A captação (da luz e do vento) pelo avião é feita em um eixo com giro de 360 graus, de acordo com a direção do vento.
À prova de apagão
Por meio dessas duas fontes, funcionando paralelamente, o poste tem autonomia de até sete dias, ou seja, é à prova de apagão. Ximenes brinca dizendo que sua tecnologia é mais resistente que o homem: "As baterias do poste híbrido têm autonomia para 70 horas, ou seja, se faltarem vento e sol 70 horas, ou sete noites seguidas, as lâmpadas continuarão ligadas, enquanto a humanidade seria extinta porque não se consegue viver sete dias sem a luz solar".
O inventor explica que a ideia nasceu em 2001, durante o apagão. Naquela época, suas pesquisas mostraram que era possível oferecer alternativas ao caos energético. Ele conta que a caminhada foi difícil, em função da falta de incentivo - o trabalho foi desenvolvido com recursos próprios. Além disso, teve que superar o pessimismo de quem não acreditava que fosse possível desenvolver o invento. "Algumas pessoas acham que só copiamos e adaptamos descobertas de outros. Nossa tecnologia, no entanto, prova que esse pensamento está errado. Somos, sim, capazes de planejar, executar e levar ao mercado um produto feito 100% no Ceará. Precisamos, na verdade, é de pessoas que acreditem em nosso potencial", diz.
Mas esse não parece ser um problema para o inventor. Ele até arranjou um padrinho forte, que apostou na ideia: o governo do estado. O projeto, gestado durante sete anos, pode ser visto no Palácio Iracema, onde passa por testes. De acordo com Ximenes, nos próximos meses deve haver um entendimento entre as partes. Sua intenção é colocar a descoberta em praças, avenidas e rodovias.
O empresário garante que só há benefícios econômicos para o (possível) investidor. Mesmo não divulgando o valor necessário à instalação do equipamento, Ximenes afirma que a economia é de cerca de R$ 21.000 por quilômetro/mês, considerando- se a fatura cheia da energia elétrica. Além disso, o custo de instalação de cada poste é cerca de 10% menor que o convencional, isso porque economiza transmissão, subestação e cabeamento. A alternativa teria, também, um forte impacto no consumo da iluminação pública, que atualmente representa 7% da energia no estado. "Com os novos postes, esse consumo passaria para próximo de 3%", garante, ressaltando que, além das vantagens econômicas, existe ainda o apelo ambiental. "Uma vez que não haverá contaminação do solo, nem refugo de materiais radioativos, não há impacto ambiental", finaliza Fernandes Ximenes.
(Fonte: Site www.patrulhaecologia.org.br)