sexta-feira, 28 de maio de 2010
CINE FILOSÓFICO
VALORES CONTEMPORÂNEOS
segunda-feira, 24 de maio de 2010
A SINERGIA DA COMBINAÇÃO PENTECOSTALISMO E NEOLIBERALISMO
O sociólogo Gedeon Freire de Alencar reconhece as contribuições do pentecostalismo para a sociedade brasileira, principalmente em relação ao aumento do número de alfabetizados e à diminuição da violência doméstica. No entanto, ele faz críticas ao pentecostalismo quando afirma que o mesmo “reproduz as opressões sociais, e elas ficam pioradas porque, neste caso, têm uma ‘marca espiritual’”. E aqui ele cita “o machismo, a discriminação de gêneros e sexos, apatia nas lutas sociais, um processo de acomodação de status e uma ênfase exagerada na solução dos problemas pessoais em detrimento da comunidade”. Quando questionado sobre o diálogo inter-religioso, Gedeon argumenta que “todas as religiões têm dificuldade de relacionamento, pois estabelecer uma relação é identificar no outro algum valor o suficiente para ele/a ser visto e ouvido. O ecumenismo é bonito na teoria, mas é piada utópica”. Na entrevista que segue, concedida, por e-mail, à IHU On-Line, o presbítero da Assembleia de Deus Betesda, de São Paulo, defende que “teologia da prosperidade e neoliberalismo é, como diz o provérbio popular, a casa e o botão. São irmãos siameses. Um não existiria sem o outro”. Para ele, ter mais público quantitativamente é o grande critério de validação das igrejas pentecostais. “Daí quem é o elemento fundante e final da coisa: o consumo”
Sociólogo, presbítero da Assembleia de Deus Betesda, em São Paulo, Gedeon Freire de Alencar é diretor pedagógico do Instituto de Estudos Contemporâneos (ICEC). É mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista, com a tese Todo poder aos pastores, todo trabalho ao povo, e todo louvor a Deus. Assembleia de Deus: origem, implantação e militância (1911-1946). Também é membro da Associação Brasileira de História da Religião e da Rede de Teólogos e Cientistas Sociais do Pentecostalismo na América Latina e Caribe. É autor do livro Protestantismo Tupiniquim: Hipóteses Sobre a (não) Contribuição Evangélica à Cultura Brasileira (São Paulo: Arte Editorial, 2005).
"IHU On-Line - Como o senhor descreve a relação entre as religiões pentecostais e a sociedade brasileira?
Gedeon Freire de Alencar - Os pentecostalismos (no plural), como qualquer outra expressão religiosa, têm acertos e erros na sua relação com a cultura. Como nos lembra Weber, em seu clássico texto Rejeições religiosas do mundo e suas direções, ou teoria dos conflitos, as religiões de salvação têm uma relação de tensão e concessão com o mundo. Portanto, com os pentecostalismos não poderia ser diferente. Sem julgamento de valores, vejamos, por exemplo, a relação entre alfabetização e pentecostalismo. Nas regiões mais pobres da sociedade aonde o pentecostalismo chegou, houve uma melhora na questão da alfabetização, ou, de outra forma, se não fosse o pentecostalismo, nosso índice seria pior. Na questão da violência doméstica, idem.
IHU On-Line - Quais as principais críticas que o senhor faz ao pentecostalismo hoje?
Gedeon Freire de Alencar - Reproduz as opressões sociais e elas ficam pioradas porque, neste caso, têm uma “marca espiritual”. E aqui cito o machismo, a discriminação de gêneros e sexos, apatia nas lutas sociais, um processo de acomodação de status e uma ênfase exagerada na solução dos problemas pessoais em detrimento da comunidade.
IHU On-Line - Como se dá a relação entre o pentecostalismo e as religiões afro?
Gedeon Freire de Alencar - Péssima – por culpa de ambas. Sei que corro o risco de desagradar a todos, mas não vou fugir da questão. Primeiro, todas as religiões têm dificuldade de relacionamento, pois estabelecer uma relação é identificar no outro algum valor o suficiente para ele/a ser visto e ouvido. O ecumenismo é bonito na teoria, mas é piada utópica. Segundo, teologicamente, ou sendo mais simplista, fenomenologicamente apenas, é impossível uma relação entre as duas. Nenhuma reconhece a outra, mesmo como mero fenômeno social. Terceiro, ambas são concorrentes, pois suas membresias estão na mesma camada social. Quarto, a criminalização da questão superou os limites da civilidade. Ambas são majoritariamente religiões de pobres e, esta, dentre outras, foi a razão da perseguição externa. O pentecostalismo foi absurdamente perseguido em seus primeiros anos, nos EUA e também no Brasil, pelas igrejas tradicionais, ditas cristãs, muito mais por racismo e sexismo. Uma perseguição imoral, anticristã, vergonhosa. Mas este mesmo pentecostalismo (no caso o neopentecostal), agora hegemônico e poderoso, repete de forma vergonhosa a mesma perseguição. Uma coisa é querer se diferenciar religiosamente, “se vender” como a religião melhor, mais correta etc. Outra coisa é criminalizar o outro; perseguir mesmo. Por outro lado, os cultos afros são muito competentes em termos estéticos e culturais, mas absurdamente incompetentes em racionalidade econômica. Para completar, são estupidamente divididos e inimigos entre si. Alguns optaram por um demagógico discurso vitimista e só conseguem se manter porque vivem ancorados nas sinecuras estatais. Com a desculpa (ou a culpa mesmo) de que é “cultura” e não religião, deram um tiro no pé: virou cultura alegre, vistosa, interessante para turista, mas se folclorizou. Enfeite de solenidade, alegoria de carnaval, não conseguiu articular militância e fidelização de seus membros. É dizimado mais por seus próprios elementos internos que externos. Pelo andar da carruagem só vai sobrar em museu.
IHU On-Line - Que relação podemos estabelecer entre a teologia da prosperidade e o neoliberalismo econômico?
Gedeon Freire de Alencar - Toda teologia tem a cara de seu tempo – mesmo que teólogos se digam inspirados (apenas) por Deus. O teólogo é um leitor de seu tempo. Alguns são bons leitores, outros péssimos. Então, teologia da prosperidade e neoliberalismo é, como diz o provérbio popular, a casa e o botão. São irmãos siameses. Um não existiria sem o outro. Não vou me atrever a avaliar a teologia ou a economia, pois entendo pouco dos dois, mas diria apenas mais uma coisa: por que o neoliberalismo não nasceu, por exemplo, no final da década de 20? Não existia, absolutamente, ambiente para isso. Da mesma forma como a teologia da prosperidade jamais teria surgido, no Brasil, na década de 70. Não havia condições econômicas e sociais propícias. Isso poderia ser dito de outras teologias e de outras épocas similares.
IHU On-Line - Em que sentido podemos perceber nas religiões neopentecostais uma ética relativista e uma estética consumista, como o senhor apontou em uma entrevista já em 2006 ?
Gedeon Freire de Alencar - Um dos critérios – quase único – de nosso tempo é o quantitativo. “O fetiche de quantidade”, como disse Renato Mezan , no caderno Mais, Folha de S. Paulo, semana passada. Tudo é medido em números, e estes funcionam como oráculo divino. Por que este livro é bom? Porque vendeu muito. E este é melhor que outro porque vendeu mais ainda. Então, por que este louvor, música, pregação e igreja são melhores e estão certos, mais que outra(s)? Porque vendeu mais. Têm mais gente. Ter mais público quantitativamente é o grande critério de validação. Daí quem é o elemento fundante e final da coisa: o consumo. Por isso, benções são consumidas, louvores vendidos, pregações compradas. Igrejas são da moda – e o céu (ou o inferno para quem acredita...) é o limite. Conclusão - perdão pelo lugar comum - tudo é relativo. A ética é então muito mais conveniência que convicção; muito mais funcionalidade que fundamento. Qual a ética que rege este modelo? A do possível, dos fins justificando os meios. Não se tem mais a priori um bem maior definido e fundante, mas uma relatividade funcional de que, dependendo da “necessidade”, vale qualquer coisa. Se posso pagar a benção, comprar o louvor, transformar em moda a adoração, toda embalada para consumo de indivíduos, quem é que pode, em última instância, definir o objetivo? E Deus – seja lá ele quem for – não se meta a querer mudar o projeto.
IHU On-Line - Como entender a ênfase escatológica pregada pelas religiões pentecostais?
Gedeon Freire de Alencar - Nas igrejas pentecostais mais periféricas (domingo passado, vi isso pessoalmente) a mensagem escatológica ainda é forte, já nas igrejas de classe média e, principalmente, nas neopentecostais, o discurso escatológico está fora de moda. Simples, se Jesus voltar agora vai estragar a festa! O pentecostalismo, fenômeno típico da passagem do século XIX para o XX é absolutamente escatológico. Nasce no período das grandes guerras. Ademais, como religião de pobres, o sonho é escapar da miséria. É fácil para um intelectual de esquerda ridicularizar isso como alienação, mas, fazendo algum esforço para compreender “de dentro”, a doutrina escatológica também pode ser uma esperança. O céu é um projeto de justiça e paz.
IHU On-Line - Como a Assembleia de Deus se posiciona em relação ao pentecostalismo?
Gedeon Freire de Alencar - A Assembleia de Deus é uma igreja pentecostal. Aliás, não existe a Assembleia de Deus no singular, mas Assembleias. São muitas, variadas, autônomas, e, às vezes, inimigas entre si. Mas, majoritariamente são pentecostais, e como o universo assembleiano é vasto, há desde assembleias clássicas e tradicionais às mais neopentecostais e folclóricas possíveis. Teoricamente, pentecostal é quem aceita a contemporaneidade da doutrina do Espírito Santo. Mas a complicação é imediata: qual doutrina? Por exemplo, o falar em línguas e o exorcismo. Muitas igrejas hoje não têm mais estas marcas, ou só tem uma, como a Igreja Universal do Reino de Deus, que só dá ênfase ao exorcismo. Enfim, há muito que pentecostalismo não é mais apenas uma designação doutrinária, mas uma definição sociológica, e mesmo esta, atualmente, não é consenso."
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)
quarta-feira, 19 de maio de 2010
TROPEÇOS E QUEDAS
"Só a fé pode dar-nos a luz para vermos que a vontade de Deus está em nossa vida cotidiana. Sem essa luz, não enxergamos para tomar decisões certas. Sem essa certeza, não podemos ter confiança e paz sobrenaturais. Tropeçamos e caímos constantemente, mesmo quando nos sentimos muito esclarecidos. Mas quando estamos na verdadeira escuridão espiritual, nem mesmo sabemos que caímos. Para mantermo-nos espiritualmente vivos, precisamos renovar constantemente nossa fé."domingo, 16 de maio de 2010
500 MIL PESSOAS FORAM VER BENTO XVI
quarta-feira, 12 de maio de 2010
PALAVRA DE POETA
A MENTIRA VIROU CIÊNCIA
QUASE 1 BI DE CUSTO AOS COFRES PÚBLICOS
"O chamado horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão custará aos cofres públicos - em isenções tributárias previstas em lei - quase R$ 900 milhões. E, para dois dos mais conhecidos marqueteiros do país, poderia ser extinto.Duda Mendonça e Antonio Lavareda afirmam que as inserções eleitorais (propagandas curtas) são importantes na campanha, mas os dois programas diários de 25 minutos cada um encarecem as disputas, têm efeito limitado e poderiam ser substituídos por debates temáticos entre os candidatos.
Programa eleitoral em bloco só serve para encarecer campanha. Não tem papel de persuasão. Eleitor não presta atenção e, quando presta, é pouco afetado, diz Lavareda, 76 campanhas no currículo. Para ser persuadido, o eleitor não deve estar ciente de que está sob tentativa de convencimento.
Na eleição de 2006, só os candidatos de PT e PSDB declararam ter gasto cerca de R$ 20 milhões na produção da propaganda para rádio e televisão, numa campanha em que juntos assumiram oficialmente desembolso de R$ 186 milhões.
Não faz sentido nem do ponto de vista teórico nem do ponto de vista prático. Mas marqueteiros e políticos são contra fragmentar o programa, diz Lavareda.
O publicitário Duda Mendonça, mais de 45 campanhas, diz que os programas poderiam ser substituído por debates. Seriam debates ao vivo, em rede obrigatória, temáticos.
Ele reconhece que a proposta tem poucas chances de ser implementada. Por que não muda isso? Porque no debate é onde o candidato aparece mais nu e cru. Tem de enfrentar o estresse, o argumento.
Lavareda concorda com essa sugestão. Para ele, há um paradoxo nas democracias modernas: Exige-se um nível fantástico de compreensão, mas as pessoas não conseguem se informar a respeito de tudo.
De acordo com levantamento realizado pela ONG Contas Abertas, a Receita Federal deixará de arrecadar neste ano R$ 856.359.976,86 em razão do horário eleitoral gratuito --dinheiro suficiente para custear um ano de estudo para 635 mil alunos, um contingente de estudantes de rede pública de uma grande capital.
A legislação eleitoral permite que as emissoras de rádio e TV deduzam do Imposto de Renda 80% do que receberiam caso o período destinado ao horário gratuito fosse vendido para propaganda comercial.
As rádios e as TVs precisam comprovar, por meio de nota fiscal emitida na véspera do horário eleitoral, o valor cobrado pelos comerciais. Essa nota não pode ser discrepante de outras operações com a iniciativa privada nos 30 dias anteriores e 30 dias posteriores a essa data.
Com base no montante encontrado, estima-se quanto a emissora perdeu por ter cedido o tempo. O valor é subtraído do faturamento da emissora antes de ser calculado o imposto.
Desde 2002, a União já deixou de arrecadar R$ 3,65 bilhões em razão do horário eleitoral gratuito.
sábado, 8 de maio de 2010
RAONI NA FRANÇA CONTRA BELO MONTE

(Foto: Benoit Tessier / Reuters)
UM NOVO MODELO DE DEMOCRACIA SOCIAL
Por uma democracia social
com partidos políticos de outro tipo – 1
Bruno Lima Rocha
Uma vez que aqui se trata da hipótese de desenvolvimento de uma organização política de minoria, ou o partido de quadros, com intenção de ruptura da ordem constituída, as variáveis de desenvolvimento para este tipo de instituição política estão condicionadas por sua missão institucional. Como afirmamos acima, estamos tentando generalizar um cenário de conflito social com protagonismo das maiorias de classe oprimida e trabalhadora.
Esta hipótese automaticamente exclui soluções e processos desenvolvidos através de vanguardas esclarecidas de tipo armado e/ou de proselitismo político. Uma vez que a conjuntura de momento não possibilita visualizações precisas e de rigor quanto ao programa ideológico deste tipo de partido, tomamos a ousadia de apontar um guarda-chuva ideológico genérico, dentro do panorama político das esquerdas latino-americanas após o Levante Zapatista no México (1994) e a derrubada do presidente equatoriano Abdala Bucaram (1997).
No exercício da modelagem, busco algo que aponte para uma ordem social com distribuição justa, independência nacional e democracia substantiva, participativa e com experimentalismos institucionais nesse sentido. Este tipo de organização seria a versão atual (pós-bipolaridade) de uma soma de objetivos de libertação nacional e democracia de cunho socialista, somados aos acúmulos de experiências atuais ou históricas na América Latina.
Através de raciocínio lógico binário, se a hipótese de vanguarda auto-esclarecida não é considerada válida, portanto a condição de organização de minoria tem como estilo político o impulsionar das instituições sociais voluntárias e de caráter massivo. Uma vez que esta mesma hipótese aponta dois eixos de mínimo denominador comum – o especifismo político-ideológico e o protagonismo das bases sociais - os mesmos se tornam o alicerce da caracterização do tipo de instituição política que abordamos.
Assim, para esta organização o nível político oficial, o de concorrência através de eleições não é considerado nem no plano tático de atuação. Experiências recentes na América Latina vêm provando e comprovando a limitação deste tipo de atuação para fins de ruptura. A mesma ressalva é valida para ocupar estruturas estatais para, desde adentro, intentar cambiar a correlação de forças e missão institucional de modo a torná-los públicos. Experimentalismos institucionais dentro do regime de legalidade são também considerados de forma tática e não-determinante para cumprir seu objetivo. Por exclusão, as saídas pela via de ruptura são estratégicas e prioritárias.
Um aspecto é importante ressaltar, que é o tema da inserção e condicionamento das bases sociais para um objetivo finalista dentro de uma estratégia permanente. O tema do controle por parte dos partidos de esquerda sobre os movimentos populares é justo o oposto do desenvolvido pelo grosso da literatura de ciência política, tomando por base a generalização da experiência da social-democracia européia. Assim, ao invés de ser inflexível para com sua própria base e transigir, a partir desta moeda de troca (o nível sindical e de massas), com os partidos da burguesia, este tipo de partido aponta para estruturas de democracia interna, tanto em suas instâncias internas como nos movimentos de classe os quais este incide e/ou hegemoniza. No caso, a intransigência é com os demais e não para dentro de si mesmo.
Um exemplo histórico relativamente recente e ainda por demais injustiçado, sendo condenado ao segundo desaparecimento (por omissão dos que produzem análise e discurso sobre a política) é a experiência insurrecional peruana da década de 1980 do século XX. Não me refiro ao Sendero Luminoso, mas sim ao acionar político-social da outra organização insurgente. A leitura obrigatória para este tema se encontra na entrevista com o comandante do Movimento Revolucionário Tupac Amaru / Exército Revolucionário Tupacamarista (MRTA) Nestor Cerpa Cartolini (Cartolini, 1997). Nesta publicação se expõe as experiências de democracia direta e participativa desenvolvidas no Frente San Martín no final da década de 1980 até o início da década seguinte, nesta região de selva há 1000 km. da capital do Peru, Lima.
Voltando a modelagem, em termos concretos, esta instituição política defende e aplica a democracia interna, a autodeterminação resolutiva e a independência dos movimentos populares em relação aos partidos de classe (incluindo ao próprio partido). Este espaço assegura a autonomia de classe social oprimida perante todas as instituições políticas agindo dentro e sobre ela. A democracia interna serviria como prerrogativa contra a cristalização com tendências burocráticas ou de oligarquias (ver a caracterização sobre o tema, abordado por Michels em Panebianko, 1982, p.36). Este é um dispositivo conformado por mecanismos e decisões visando impedir a deformação burocrática, tanto na parte interna da organização como nas estruturas organizativas das instituições sociais (movimentos de classe e programáticos) onde este gravita.
O binômio de autonomia de classe social e democracia interna em todos os níveis apontam para uma discussão de fundo teórico e essencial para nos fazermos compreender. Trata-se da própria idéia de classe política e, uma vez que esta se constitua, as possibilidades de seu desenvolvimento atingir ou não tanto a democracia possível como a desejável pelos agentes coletivos. Em tese, estaríamos diante das opções extremas de perpetuação sem renovação, a chamada opção aristocrática; e renovação sem perpetuação, a dita a opção democrática-revolucionária (para ambas ver Bobbio, 2002, cap.8).
Partindo destas opções consagradas, formulo mais duas possibilidades: uma se aproxima da aristocrática, transformando-a em oligárquica, ou seja, renovação para perpetuação. Outra teria o mesmo perfil, mas insistiria em perpetuação de missão com renovação de pessoal, esta, entendo como normativamente positiva para este modelo aqui apresentado. Em outras palavras, o tema é o do treinamento como parte essencial da reprodução desejável por uma instituição política (Para uma discussão e crítica do tema da classe política em Michels, ver Bobbio 2002, cap.8, e com precisão pp. 225-227). A discussão, por tanto, se dá sobre o mecanismo a ser reproduzido e o tipo de treinamento necessário para cumprir uma missão institucional.
Considerando as experiências anteriores, este mecanismo tem de gerar quadros treinados para assegurar a democracia interna (em todos os níveis) e os objetivos de programa máximo. Já o programa máximo, prevê a idéia de acumulação e vai ao encontro contra as soluções de ordem tática de programas mínimos, com reformas parciais ou favorecimentos a uma categoria em contra de outra (ver Przeworski, 1995, cap.1). É aquele que deve ser proporcionado pela própria instituição política que advoga esta tese. Não há possibilidade teórica fora disso, e aí rigorosamente se descarta qualquer hipótese de definições de falsa consciência (Przeworski, 1986, p.81)."
Bibliografia do artigo:
CARTOLINI, Nestor Cerpa. Entrevista al comandante del MRTA, Montevidéu, Editorial Recortes, 1997.
BOBBIO, Norberto. Ensaio sobre ciência política na Itália. Brasília, Editora UnB, 2002.
PANEBIANKO, Angelo. Modelos de Partido. Madrid, Alianza Editorial, 1982.
PRZEWORSKI, Adam. Capitalismo e Social-Democracia. São Paulo, Cia. das Letras, 1995.
(Fonte: site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)
quarta-feira, 5 de maio de 2010
O CINEMA VÊ A FAMÍLIA
GALHOS PARTIDOS: O CINEMA VÊ A FAMÍLIA
[DE 3 A 18 DE ABRIL DE 2010]
"Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira". (Liev Tolstói)
O Cine Humberto Mauro apresenta, entre os dias 3 e 18 de maio, uma mostra dedicada à família. Oito filmes, oito olhares agudos sobre esta instituição em vários países e épocas. Da obra-prima do japonês Yasujiro Ozu, Era Uma vez em Tóquio (1953) até As Coisas Simples da Vida (2000) são 5 décadas de cinema em torno dos temas da ruína, decadência e, ao fim, da conservação dos valores familiares na atualidade.
Ao já citado filme nipônico, segue-se, cronologicamente, Rocco e Seus Irmãos (1960), épico retrato de uma pobre família italiana que tenta a sorte na rica Milão. Grandes atuações (como a de Alain Delon, em seu papel mais conhecido) se conjugam com maestria com a encenação rigorosa de Luchino Visconti. Ainda na seara do cinema moderno será exibido Trabalho Ocasional de Uma Escrava (1973), misto de drama familiar e ensaio marxista sobre a figura materna. O intelectual alemão Alexander Kluge questiona neste filme, com o usufruto de heterogêneas técnicas de narração cinematográfica, a força revolucionária feminina em meio ao mundo e a família burguesa.
Talvez o filme mais abertamente autobiográfico do sueco Ingmar Bergman, o clássico Fanny & Alexander (1982) dispensa maiores apresentações. Já Vozes Distantes (1988), do britânico Terence Davies, é um filme a ser descoberto. Também autobiográfico, o filme retrata com um estilo bastante particular duas gerações de uma família operária de Liverpool no pós-guerra. Os fantasmas familiares são aqui reencarnados pela música e o cinema das décadas de 40 e 50. Também britânico, Segredos e Mentiras (1996) aborda o tema com um olhar abertamente realista, como é caro ao cineasta Mike Leigh. Os dois últimos filmes da mostra remetem diretamente ao clássico de Ozu. Assim como aquele, Os Galhos da Árvore (1990) e As Coisas Simples da Vida (2000) percebem as rápidas transformações sociais (na Índia ao fim da Guerra Fria e na Taiwan atual) por meio de uma visada humanista sobre microcosmos familiares. Último filme de Edward Yang, talentoso diretor taiwanês falecido prematuramente em 2007, As Coisas Simples da Vida foi reconhecido por diversas publicações especializadas como o melhor filme da última década. A não se perder, dado que seis dos filmes serão exibidos em seus formatos originais.
GALHOS PARTIDOS: O CINEMA VÊ A FAMÍLIA: R$ 5,00 (INTEIRA) E R$ 2,50 (MEIA).
Para ter a cesso a programação completa clique aqui.
sábado, 1 de maio de 2010
DESASTRE ECOLÓGICO
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos, Foto: Michael Democker - LANDOV/MAXPPP)
POEMA FALA DA IMPOSSIBILDADE HUMANA
A BELEZA EXÓTICA DO TEMPLO BUDISTA DO CAMBOJA
Foto: Tang Chhin Sothi / AFP Photo)
segunda-feira, 26 de abril de 2010
SERÁ O FINAL DOS TEMPOS?
quinta-feira, 22 de abril de 2010
XV ENDIPE NA UFMG EM BELO HORIZONTE - MG

Pode-se dizer que o ENDIPE é, hoje, o maior evento acadêmico na área da Educação, uma vez que, em seus últimos encontros, tem contado com mais de quatro mil participantes. O ENDIPE ocorre de dois em dois anos, em diferentes Estados e são organizados por Instituições de Ensino Superior que, na assembléia final de cada encontro, se apresentam como proponentes para sediar o próximo evento.
A finalidade do ENDIPE é socializar os resultados de estudos, pesquisas e práticas. Constitui-se, portanto, em um espaço privilegiado de trocas de experiências, de articulação de grupos, de questionamentos, de novas idéias e de novas reflexões.
O XV ENDIPE tem como temática geral "Convergências e tensões no campo da formação e do trabalho docente: políticas e práticas educacionais".
OBJETIVOS
Geral
Socializar resultados de estudos e pesquisas no campo da didática e das práticas de ensino em diálogo com diferentes áreas da educação.
Específicos
. Discutir a produção acadêmica no campo das práticas educativas, do trabalho docente e da formação do professor;
. Possibilitar a articulação de grupos de pesquisas que trabalham com temáticas similares;
. Ampliar a compreensão sobre a produção teórica e sobre sua aplicação em diferentes espaços educativos.
O evento está acontecendo em várias unidades do campus da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, na Pampulha, em Belo Horizonteaté o dia 23.04.2010.
Para maiores detalhes, acesse o site http://www.fae.ufmg.br/endipe/ .
segunda-feira, 19 de abril de 2010
ASSESSOR DO CEFEP-DF FALA SOBRE MOVIMENTOS SOCIAIS
Na entrevista, Lesbaupin comentou que o resultado das eleições presidenciais deste ano pode trazer vantagens para os movimentos sociais pelo simples fato de Lula não estar entre os candidatos. Isso garantirá uma postura mais crítica e independente por parte dos movimentos sociais.
Lesbaupin é professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, assessor do Centro Nacional de Fé e Política dom Helder Câmara - CEFEP-DF. Graduado em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, é mestre em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro - IUPERJ e doutor em Sociologia pela Université de Toulouse-Le-Mirail, da França. É, também, autor e organizador de diversos livros, entre os quais Igreja, movimentos populares, política no Brasil (São Paulo: Loyola, 1983); As classes populares e os direitos humanos (Petrópolis: Vozes, 1984); Igreja: Comunidade e Massa (São Paulo: Paulinas, 1996); e O desmonte da nação: balanço do governo FHC (Petrópolis: Vozes, 1999)."
Para ler a entrevista na íntegra clique aqui.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
sexta-feira, 9 de abril de 2010
FALTA EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO E PARA O TRÂNSITO
Eugênio Magno
As autoridades precisam tomar providências urgentes para humanizar o trânsito de nossa cidade. A quantidade e a gravidade dos acidentes ocorridos em Belo Horizonte nos últimos tempos estão deixando a população apreensiva.
Não é compreensível que uma cidade como BH aceite passivamente a morte e os traumatismos sofridos por seus moradores em um trânsito completamente desordenado e violento. A resolução definitiva do problema, entretanto, só virá com uma política de grandes investimentos em transporte público e, concomitante, uma medida que limite o número de emplacamentos de veículos. Mas enquanto isso não acontece, se é que algum dia vai acontecer, é urgente que a BHTRANS se una ao Batalhão de Trânsito da Polícia Militar do Estado e quantos mais órgãos municipais, estaduais e federais forem necessários, para a realização de uma ampla campanha para disciplinar o trânsito. E sugiro que tal campanha seja educativa e preventiva, porque dentro dessa lógica desumana do mercado e do lucro, quase todas as ações disciplinares que se implementam têm como objetivo final tão somente a arrecadação.
Testemunhamos, cotidianamente, inspetores de trânsito multando carros parados em estacionamentos faixa azul, quando sem talão, mas não se tem notícia desses inspetores multando caminhões, pick-ups e furgões de refrigerantes, cigarros e bebidas, parados em fila dupla, nem tampouco os ônibus que rodam com superlotação de passageiros, andam fora de suas faixas e não param nos seus respectivos pontos. Assim também como não se vê inspetores autuando esse bando de motoqueiros abusados, taxistas folgados, veículos que cruzam com outros de farol alto e os bacanas com seus carrões de luxo achando que podem tudo só porque pagam IPVA mais caro. Não tem ninguém educando os pedestres que atravessam as vias fora das faixas apropriadas e não andam nas calçadas. E esses animais (cachorros cavalos e bois), que volta e meia nós vemos transitando tranquilamente pelas vias públicas urbanas? Falta educação no trânsito e para o trânsito.
É imperativo que os poderes públicos utilizem o aparato da comunicação não só para propagar suas realizações. No atual estado das coisas, a comunicação deve ser usada fundamentalmente, para advertir, educar, disciplinar a população e, especialmente, a comunidade de motoristas que tantos abusos têm cometido nesse caótico trânsito de nossa cidade. As agências de propaganda que atendem as contas dos setores envolvidos com o trânsito bem que podiam colaborar também, sugerindo campanhas educativas. Precisamos de uma grande corrente a favor da vida e contra a violência no trânsito. Para tanto, é fundamental contar com a participação de toda a sociedade: movimentos sociais, entidades de classe, veículos de comunicação, fabricantes de automóveis, concessionárias, fábricas e lojas de autopeças, distribuidores de combustíveis e postos de gasolina.
Foi dada a largada! Quem se habilita?

(Fotos: Diogo R. Martins)
segunda-feira, 5 de abril de 2010
DEUS ESTÁ PRESENTE EM TODO O COSMO
"Essa é a opinião de Manuel Gonzalo, em artigo publicado no número coletivo de 13 revistas teológicas da América Latina sobre ecologia, por iniciativa da Comissão Teológica Latino-Americana da Associação Ecumênica de Teólogos e Teólogas do Terceiro Mundo (Asett). O número também reúne artigos de Leonardo Boff, Faustino Texeira, Giannino Piana e Luis Diego Cascante, além de José Maria Vigil, coordenador da Comissão Teológica."
O texto foi publicado na revista Adista, 29-03-2010 e foi reproduzido no site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos, com tradução de Moisés Sbardelotto. Para ler o artigo na íntegra clique aqui.
O CINEMA DOS PRIMÓRDIOS
Irmãos Lumière: Chegada do trem na estação
(Fonte: Site zamzar)
quinta-feira, 1 de abril de 2010
A REZA DOS BICHOS
Deixei de ouvir as cigarras.
Um pássaro pousou no galho mais alto do Fícus
e entoou um canto.
Antes do silêncio,
as cigarras já haviam retomado seu mantra.
(do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)
segunda-feira, 29 de março de 2010
RIO DE JANEIRO LIVRE DAS SACOLAS PLÁSTICAS
No Rio, os supermercados serão obrigados a oferecer alternativas, como caixas de papelão, além de dar desconto de três centavos a cada cinco produtos que o consumidor comprar sem usar a embalagem do local. Segundo a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, até 2012 todos os estabelecimentos deverão estar adaptados.
Cada sacola, feita a partir do petróleo ou do gás natural, demora cerca de quatro séculos para se dissolver na natureza. E, no Brasil, o consumo é alto: são 12 bilhões de sacolas por ano. Um milhão e meio a cada hora. Pelo menos 20% delas, segundo cálculo do Ministério do Meio Ambiente, acabam descartadas e ajudam a entupir bueiros, poluir rios e infestar o fundo do mar.
Arroz e feijão
A lei determina também que o supermercado é obrigado a dar um quilo de feijão ou arroz ao consumidor que devolver 50 sacolas. Elas terão de ser encaminhadas para reciclagem. 'O estímulo econômico é capaz de mudar hábitos', define Marilene.
Resta saber se o consumidor vai aderir à lei. Hoje, cerca de 80% das sacolas são usadas para colocar o lixo doméstico - e, sem as sacolas, muitas pessoas não sabem o que fazer com os resíduos domésticos. "Para o lixo úmido não há nada melhor do que o plástico, mas é preciso usar com mais critério", defende Fernanda Daltro, coordenadora da campanha Saco é um Saco, do Ministério do Meio Ambiente.
Algumas redes já se anteciparam à lei. O Carrefour planeja banir até 2014 as sacolas plásticas nas suas lojas no Brasil. "Fizemos isso na Espanha, França, Bélgica, Polônia, Itália e China. Os brasileiros já têm maturidade para ter uma nova forma de se relacionar com a sacola plástica", defende Paulo Pianez, diretor do grupo.
O Walmart também já aderiu à campanha. Há um ano, a rede dá desconto a quem dispensa a sacola plástica nas 300 lojas nas regiões Nordeste, Sul e Centro-Oeste do País. Segundo cálculos da rede americana, o programa tirou de circulação 16,6 milhões de sacolas no período. Nas filiais cariocas, o projeto entra em vigor em 60 dias.
O grupo Pão de Açúcar ainda estuda mudanças para cumprir a lei. "Temos grande interesse nesta questão. Fomos a primeira empresa do varejo a adotar medidas para reduzir embalagens", diz Paulo Pompilio, diretor de relações institucionais do grupo.
Ícone
Agora só falta o consumidor se acostumar. "A sacola é o ícone do desperdício. Leis como esta tiram a gente da zona de conforto", defende Fernanda Daltro. Ela resume o hábito de muitos consumidores atuais: pegamos a sacola de graça, jogamos fora, não nos preocupamos em separar o lixo. "Vai dar trabalho mudar, mas não dá para fugir desta questão por muito tempo."
DICAS
Sempre que for possível, prefira embalagens que tragam maior volume de produto (5kg de açúcar ou arroz em vez de 1kg, por exemplo) ou compre a granel;
Excesso
Procure comprar produtos que usem uma menor quantidade de embalagens: biscoitos que usam uma grande embalagem para todos em vez daqueles que trazem cada um embalado individualmente, por exemplo;
Em casa, prefira um lixo maior, para usar um saco grande em vez de várias sacolinhas;
Ecobag
No mercado, leve sua própria sacola de compras."
quinta-feira, 25 de março de 2010
CEFEP REÚNE ASSESSORES EM BRASÍLIA PARA ANUNCIAR LANÇAMENTO DE NOVAS PUBLICAÇÕES
segunda-feira, 22 de março de 2010
CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA DE 2010
Está em curso no país a 45ª Campanha da Fraternidade que, neste ano de 2010 enfrenta o desafio de discutir a economia, um tema dos mais importantes para a nossa organização enquanto sociedade.
Se a economia é o conjunto de ações realizadas para suprir as necessidades das pessoas e dos grupamentos humanos e socais, ela é algo nobre, pois que está a serviço da vida. Mas a economia da maneira como está organizada hoje, através do sistema capitalista está a serviço da vida, ou estamos vivenciando uma total inversão desses valores, onde a vida serve a economia?
E mais, teríamos esse enorme contingente de pessoas vivendo na rua, haveria tanta prostituição, inclusive infantil, se a economia estivesse a serviço da vida? Por que há tantos desempregados, sem terra, sem teto? Qual é a razão de tantas doenças? O objetivo geral da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010, cujo tema é Economia e Vida, segundo informa seu texto base é “colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura de paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão”.
Viver hoje a Boa Nova de Jesus e servir a Deus e não ao dinheiro, exige mudanças pessoais e sociais. A economia é uma construção humana e, como tal, pode ser pensada e organizada a partir de outros valores. Já existem sinais de que uma nova gestão da economia é possível. A Economia Solidária, embora ainda muito tímida, se comparada aos patamares que precisa atingir para fazer a diferença, é um bom exemplo da experiência de um novo modelo econômico possível. Sustentada por princípios e valores como justiça, cooperação, igualdade, respeito pelos trabalhadores e recursos naturais, solidariedade e sustentabilidade, esse novo conceito de economia é uma estratégia política que será capaz de promover um desenvolvimento integral e sustentável para o nosso país.
Mas para que as transformações aconteçam, é necessário que a sociedade se mobilize para mostrar aos governantes que ela quer uma economia responsável e – verdadeiramente –, a serviço da vida. Além disso, deve também fazer o seu dever de casa, consumindo com responsabilidade, trabalhando para a aprovação da Lei Nacional de Iniciativa Popular para a Economia Solidária, através da coleta de assinaturas; participando da organização da sua comunidade, diagnosticando problemas, realizando assembléias populares e tirando ações concretas para resolvê-los, e ainda, pressionando os poderes públicos para o fortalecimento dos direitos e das políticas públicas.
Jesus Cristo disse que veio ao mundo para que todos tenham vida e vida em abundância. Façamos então a nossa parte para que a palavra do filho de Deus, não seja apenas uma mera profecia e possa se cumprir aqui na terra.
Este artigo também foi publicado na edição impressa e online do jornal O Tempo (http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/IdEdicao=1610&IdCanal=2&IdSubCanal=&IdNoticia=136905&IdTipoNoticia=1), de 25.03.2010 e também nas versões impressa e online do jornal O Norte de Minas (http://www.onorte.net/noticias.php?id=26750), de 18.03.2010.
quarta-feira, 17 de março de 2010
UMA RELAÇÃO DE AMOR E ÓDIO
O texto abaixo foi publicaddo por Christian Albini, teólogo leigo, italiano, em seu blog Sperare per Tutti, 04-03-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Quantas vezes tive vontade de bater na tua face a porta da minha alma e quantas vezes rezei para poder morrer entre os teus braços seguros.
Não, não posso me livrar de ti, porque eu sou tu, mesmo não sendo completamente tu.
E depois aonde iria? Construir uma outra Igreja?
Mas não poderei construí-la senão com os mesmos defeitos, porque são os meus que trago dentro. E se a construir, será a Minha Igreja, não mais aquela de Cristo.
Anteontem, um amigo escreveu uma carta a um jornal: "Deixo a Igreja porque, com o seu comprometimento com os ricos, ela não é mais confiável". Me dá pena!
Ou é um sentimental que não tem experiência, e o desculpo; ou é um orgulhoso que acredita ser melhor do que os outros.
Nenhum de nós é confiável enquanto estiver sobre esta terra. São Francisco gritava: "Tu acreditas que sou santo e não sabes que ainda posso ter filhos com uma prostituta, se Cristo não me sustentar".
A credibilidade não é dos homens, é só de Deus e do Cristo. Dos homens é a fraqueza e talvez a boa vontade de fazer alguma coisa de bom com a ajuda da graça que brota das veias invisíveis da Igreja visível.
Talvez a Igreja de ontem era melhor do que a de hoje? Talvez a Igreja de Jerusalém era mais confiável do que a de Roma?
(…)
Quando eu era jovem, não entendia por que Jesus, apesar da negação de Pedro, quis que ele fosse chefe, seu sucessor, primeiro Papa. Agora, não me admiro mais e compreendo sempre melhor que ter fundado a Igreja sobre o túmulo de um traidor, de um homem que se assusta por causa da conversa fiada de uma serva, era uma advertência contínua para manter cada um de nós na humildade e na consciência de sua própria fragilidade.
Não, não vou sair desta Igreja fundada sobre uma pedra tão frágil, porque fundaria uma outra sobre uma outra pedra ainda mais frágil, que sou eu.
(…)
Mas depois há ainda uma outra coisa que é talvez mais bela. O Espírito Santo, que é o Amor, é capaz de nos ver santos, imaculados, belos, mesmo se vestidos como canalhas e adúlteros.
O perdão de Deus, quando nos toca, faz com que Zaqueu, o publicano, se torne transparente, e a pecadora Madalena, imaculada.
É como se o mal não pudesse tocar a profundidade metafísica do homem. É como se o Amor impedisse que a alma distante do Amor apodrecesse. "Eu coloquei os teus pecados atrás das minhas costas", diz Deus a qualquer um de nós, e continua: "Amei-te com amor eterno, por isso te reservei a minha bondade. Edificar-te-ei de novo, e tu serás reedificada, virgem Israel" (Ger 31,3-4).
Eis, ele nos chama "virgens" mesmo quando estamos retornando da enésima prostituição no corpo e no espírito e no coração.
Nisso, Deus é verdadeiramente Deus, isto é, o único capaz de fazer as "coisas novas".
Porque não me importa que Ele faça os céus e a terra novos, é mais necessário que ele faça "novos" os nossos corações.
E esse é o trabalho de Cristo.
E esse é o trabalho divino da Igreja.
Vocês gostariam de impedir esse "fazer novos os corações", expulsando alguém da assembleia do povo de Deus?
Ou vocês gostariam, procurando outro lugar mais seguro, de se colocar em perigo de perder o seu Espírito?"
Frei Carlo Carretto
sábado, 13 de março de 2010
O ETERNO DRAMA DA CLASSE MÉDIA BRASILEIRA
R$ 4.807,00 não é salário de dar tranqüilidade financeira a ninguém. O aluguel de um apartamento de dois quartos na capital paulista consome metade desse valor. Mas, dentre os ricos, muitos recebem remunerações astronômicas, além de possuírem patrimônio invejável. Nas grandes empresas de São Paulo, o salário mensal de um diretor varia de R$ 40 mil a R$ 60 mil.
Análise recente da Fundação Getúlio Vargas, divulgada em fevereiro de 2010, revela que integram esse segmento privilegiado apenas 10,42% da população, ou seja, 19,4 milhões de pessoas. Elas concentram em mãos 44% da renda nacional. Muita riqueza para pouca gente.
A classe C, conhecida como média, possui renda mensal de R$ 1.115,00 a R$ 4.807,00. Tem crescido nos últimos anos, graças à política econômica do governo Lula. Em 2003 abrangia 37,56% da população, num total de 64,1 milhões de brasileiros. Hoje, inclui 91 milhões – quase metade da população do país (49,22%) – que detêm 46% da renda nacional.
Na classe D – os pobres – estão 43 milhões de pessoas, com renda mensal de R$ 768 a R$ 1.115, obrigadas a dividir apenas 8% da riqueza nacional. E na classe E – os miseráveis, com renda até R$ 768/mês – se encontram 29,9 milhões de brasileiros (16,02% da população), condenados a repartir entre si apenas 2% da renda nacional.
Embora a distribuição de renda no Brasil continue escandalosamente desigual, constata-se que o brasileiro, como diria La Fontaine, começa a ser mais formiga que cigarra. Graças às políticas sociais do governo, como Bolsa Família, aposentadorias e crédito consignado, há um nítido aumento de consumo. Porém, falta ao Bolsa Família encontrar, como frisa o economista Marcelo Néri, a porta de entrada no mercado formal de trabalho.
Dos 91 milhões de brasileiros de classe média, 58,87% têm computador em casa; 57,04% freqüentam escolas particulares; 46,25% fazem curso superior; 58,47% habitam casa própria. E um dado interessante: o aumento da renda familiar se deve ao ingresso de maior número de mulheres no mercado de trabalho.
Já foi o tempo em que o homem trabalhava (patrimônio) e a mulher cuidava da casa (matrimônio). De 2003 a 2008, os salários das mulheres cresceram 37%. O dos homens, 24,6%, embora eles continuem a ser melhor remunerados do que elas.
Segundo a Fundação Getúlio Vargas, o governo Lula tirou da pobreza 19,3 milhões de brasileiros e alavancou outros 32 milhões para degraus superiores da escala social, inserindo-as nas classes A, B e C. Desde 2003, foram criados 8,5 milhões de novos empregos formais. É verdade que, a maioria, de baixa remuneração.
No início dos anos 90, de nossas crianças de 7 a 14 anos, 15% estavam fora da escola. Hoje, são menos de 2,5%. O aumento da escolaridade facilita a inserção no mercado de trabalho, apesar de o Brasil padecer de ensino público de má qualidade e particular de alto custo.
Quanto à educação, estão insatisfeitas com a sua qualidade 40% das pessoas com curso superior; 59% daquelas com ensino médio; 63% das com ensino fundamental; e 69% dos semiescolarizados (cf. “A classe média brasileira”, Amaury de Souza e Bolívar Lamounier, SP, Campus, 2010).
A escola faz de conta que ensina, o aluno finge que aprende, os níveis de capacitação profissional e cultural são vergonhosos comparados aos de outros países emergentes. Quem dera que, no Brasil, houvesse tantas livrarias quanto farmácias!
Hoje há mais consumo no país, o que os economistas chamam de forte demanda por bens e serviços. Processo, contudo, ameaçado pela instabilidade no emprego e o crescimento da inadimplência – a classe média tende a gastar mais do que ganha, atraída fortemente pela aquisição de produtos supérfluos que simbolizam ascensão social.
A classe média ascendente aspira a ter seu próprio negócio. Porém, o empreendedorismo no Brasil é travado pela falta de crédito, conhecimento técnico e capacidade de gestão. E demasiadas exigências legais e trabalhistas, somadas à pesada carga tributária, multiplicam as falências de pequenas e médias empresas e dilatam o mercado informal de trabalho.
Embora a classe média detenha em mãos poderoso capital político, ela tem dificuldade de se organizar, de criar redes sociais, estabelecer vínculos de solidariedade. Praticamente só se associa quando se trata de religião. E revela aversão à política, sobretudo devido à corrupção.
Descrente na capacidade de o governo e o Judiciário combaterem a criminalidade e a corrupção, a classe média torna-se vulnerável aos “salvadores da pátria” - figuras caudilhescas que lhe prometam ação enérgica e punições impiedosas. Foi esse o caldo de cultura capaz de fomentar a ascensão de Hitler e Mussolini.
Reduzir a desigualdade social, assegurar educação de qualidade a todos e aumentar o poder de organização e mobilização da sociedade civil, eis os maiores desafios do Brasil atual."
HERESIAS DA GUERRA
O capitão e padre Carl Subler, capelão do Exército norte-americano no Afeganistão, celebra a missa. Seu altar é montado sobre caixas de alimento.
Uma cápsula de granada de fumaça serve como (Foto: John Moore - Time/Getty Images)
terça-feira, 9 de março de 2010
NO MÊS DO GOLPE, UM POEMA POLÍTICO
Comportamento, ação
vida, “contravenção”
humanização
passa-tempo
corrupção
tortura
(do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)
5ª FEIRA DE TURISMO MINEIRA TERÁ DIMENSÃO INTERNACIONAL
"Em apenas cinco anos, a feira registrou números espetaculares: cresceu 100% em número de stands (60 para 120), 300% em participação de agentes de viagem (400 para 1200) e 290% em empresas expositoras (102 para 392)", comemora Cláudia Miranda, diretora da Promove Eventos Especiais, organizadora do evento. Segundo a empresária, este desempenho fantástico se deve ao momento atual pelo qual passa o turismo mineiro, ao incentivo e à participação efetiva da iniciativa pública e privada.
Operadoras, rede hoteleira, companhias aéreas, agentes de viagem e demais players do trade turístico nacional virão a Minas fazer negócio e conhecer o potencial turístico do Estado. Estarão presentes representantes de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Goiás, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco, Sergipe, Maranhão, Paraíba e Ceará.
sexta-feira, 5 de março de 2010
HIERARQUIA DA IGREJA OFUSCA JESUS CRISTO
"O teólogo e biblista José Antonio Pagola, autor do best-seller Jesús, aproximación histórica (Ed. PPC), concedeu uma entrevista exclusiva para a Revista 21 sobre Cristo e seu radical desafio aos fiéis. A tarefa urgente da Igreja atual é voltar a Jesus, afirma Pagola. Segundo o biblista, talvez o traço mais generalizado dos cristãos que ainda não abandonaram a Igreja é a passividade. A reportagem é do sítio Religión Digital (26-02-2010) com tradução de Moisés Sbardelotto.
'Durante muitos séculos, educamos os fiéis para a submissão e a obediência. A responsabilidade dos leigos e leigas ficou muito anulada'. Para Pagola, 'a tentação mais grave da Igreja atual é fortalecer a instituição, endurecer a disciplina, conservar de maneira rígida a tradição, levantar barreiras... É difícil para mim reconhecer em tudo isso o Espírito de Jesus'. Por isso, considera que o restauracionismo pode nos levar a fazer uma religião do passado, cada vez mais anacrônica e menos significativa para o homem e a mulher de hoje.Em plena Quaresma e a um passo de celebrar a Paixão e a Glória de Jesus de Nazaré, o teólogo confessa que lhe surpreende a nossa perspicácia para ver o pecado na sociedade moderna e a nossa cegueira para vê-lo em nossa Igreja.
LITERATURA E POLÍTICA NA OBRA DE HATOUM




























