domingo, 31 de maio de 2009

UM CONTO BREVE


NOITE À DENTRO

Eugênio Magno
Uma nuvem impedia o amanhecer enquanto ele velava inosone. A laranja em cima da mesa, o gato no canto da sala lambia o seu pelo e a torneira que, insistia em vazar, renitente, pingava na pia. A sua morte não era surpresa, mas assim mesmo a vida lhe anunciava novas aventuras. A imagem de Nossa Senhora no móvel da sala, de braços abertos e mãos espalmadas, num gesto de acolhimento o entristecia. Sua mãe jazia há muito. Muito antes que ele pudesse retribuir ao menos uma mísera parcela do seu cuidar. E sempre aquela dor, como uma nota em sustenido, latejando, enquanto a recorrente murmuração praguejante era intercalada apenas por um surdo evocar de preces. Então o relógio tocou na tentativa de acordar aquele que não dormira, mas que, enredado em pesadelos, tampouco desperto estava.
(da coletânea "POETAS EN/CENA 2 : Reunião de poemas de poetas brasileiros no IV Belô Poético", Rogério Salgado & Virgilene Araújo, org., 2008)

terça-feira, 26 de maio de 2009

SOBRE A IGREJA E OS CRISTÃOS CATÓLICOS

A propósito da matéria Manual do Amor, postada abaixo, o amigo e frequentador do blog, Rodrigo Castelo, me enviou um "comentário" cuja íntegra quase que total é um artigo do sociólogo e ex-funcionário das Nações Unidas, é diretor do Programa de Estudos Avançados em Ciência e Religião da Universidade Cândido Mendes, Luis Alberto Gómez de Sousa. Leia o texto completo.
DEBATE ABERTO
A doutrina cristã e a consciência histórica de hoje
Um teólogo escreveu, em 1990, que vivíamos um inverno na Igreja. Ele se mantém e mesmo se agrava. Não será o momento, num próximo futuro, de uma nova inesperada primavera, como disse o papa João do Concílio Vaticano II?
Luis Alberto Gómez de Sousa
Frequentemente vemos confundir doutrina – prescrições feitas num tempo dado – com o núcleo duro da Fé, que são os dogmas, bem menor do que se crê. O teólogo Newman, convertido ao catolicismo, feito cardeal por Leão XIII para mostrar distância de seu antecessor Pio IX que não o tolerava, escreveu, em 1845, um alentado livro sobre o desenvolvimento da doutrina no tempo. Ela permanentemente deve adequar-se às mudanças na consciência histórica de uma época. Se não o fizer, fica defasada e não corresponde às demandas dos fiéis. É o aggiornamento, posta em dia, a que se referiu João XXIII. Bento XVI acaba de lançar um livro, Elogio da consciência, com seus textos dos tempos de teólogo e ali alude a Newman, ao qual várias vezes tem declarado admirar. E cita o teólogo inglês, que escreveu que se devesse brindar, o faria primeiro à consciência e apenas depois ao papa. Só que Ratzinger, numa interpretação restritiva e paradoxal, considera que o papa é o responsável quase exclusivo pela memória e pela consciência cristãs.Voltando a Newman, em célebre artigo para a revista The Rambler, (julho de 1859) indicou que, no século IV, a maioria dos bispos era ariana – negando a divindade de Jesus – e o próprio papa Libério parecia inclinar-se nessa direção. A ortodoxia foi salva pelo “consenso dos fiéis” (e pela reflexão dos teólogos, completaria mais tarde o Pe. Congar). Se isso aconteceu diante de um dogma tão central na Igreja, muito mais certo será quando se tratar de preceitos doutrinários ou disciplinares que tem de ser revistos quando mudam os tempos. Deixar de fazê-lo é ficar para trás e não responder às novas sensibilidades e às exigências emergentes. Não se trata de oportunismo, mas de estar à escuta dos “sinais dos tempos”. Quando Leão XIII, em 1891, referindo-se ao que se chamaria depois a doutrina social, falou de “coisas novas” (Rerum Novarum) , elas o eram no mundo católico. Entretanto o leigo Ozanam, em 1848, quase meio século atrás, ano do Manifesto Comunista, profeticamente lançara seu “passemos aos bárbaros”, isto é, a classe operária e a democracia, sem ter sido levado em conta pelo magistério. Tratava-se porém de um tema antigo para um socialista francês, cujo pai lutara na comuna de Paris, o avô estivera nas barricadas de 1848 e o bisavô nas lutas sociais de 1830.Durante o Vaticano II, João XXIII retirou da pauta o tema da reprodução e nomeou uma comissão para estudar o assunto. Paulo VI a ampliou para mais de sessenta membros, incluindo mulheres e um casal. A maioria, contra apenas três, foi favorável ao uso amplo de anticoncepcionais. O papa, depois de muitas dúvidas e sofrimento (papa hamletiano, como o chamaram), ficou com a minoria, onde se encontrava o cardeal Otaviani, para não contradizer o que dissera Pio XI na Casti Connubii nos anos trinta. Como se hoje tivéssemos de obedecer aos anátemas do Syllabus de Pio IX contra as liberdades modernas e contra a democracia. Ou manter o furor antimodernista dos tempos de Pio X, posto de lado logo depois por Bento XV. As conseqüências da Humanae Vitae de 1968 são negativas até hoje.Em nossos dias, há um consenso crescente na sociedade e entre os fiéis, em sua prática cotidiana, em temas de sexualidade e de reprodução, não levando em conta uma doutrina oficial cada dia menos seguida. Também em voz baixa, mas de maneira crescente, sacerdotes e mesmo bispos se insurgem contra o celibato obrigatório, fonte de tantas deformações, como nos Estados Unidos e agora indicado em recente relatório na Irlanda. Além disso, frente à escassez de sacerdotes e diante de uma exigência de prática eucarística, sobe a demanda da ordenação de homens casados e de mulheres das próprias comunidades. Estamos assim frente à necessidade de um novo agggiornamento. Um teólogo escreveu, em 1990, que vivíamos um inverno na Igreja. Ele se mantém e mesmo se agrava.Não será o momento, num próximo futuro, de uma nova inesperada primavera, como disse o papa João do Concílio Vaticano II? Quando o Vaticano I proclamou isolado o dogma do primado do papa, Newman indicou a um amigo angustiado (carta de 3 de abril de 1871): “Pio (IX) não é o último dos papas. Um novo papa ou um novo concílio polirão a obra”. O problema, como chegou a proclamar o jovem Ratzinger durante o Vaticano II, é que a cúria tem “uma negação quase neurótica com tudo o que é novo”.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

MANUAL DO AMOR


O site do IHU Instituto Humanitas Unisinos, de 17.05.09 publicou uma matéria intitulada Sexo como Deus manda, que fala sobre o livro O Kama Sutra católico, escrito pelo religioso franciscano, Ksawery Knotz. Abaixo, o texto na íntegra.

SEXO COMO DEUS MANDA
Acabou a postura do missionário e os escrúpulos sexuais. Os católicos também podem ter uma vida sexual passional e excitante, ou pelo menos é nisso que um franciscano polonês acredita, em seu livro "O Kama Sutra Católico". Segundo Ksawery Knotz, durante a relação sexual, os casais casados "podem mostrar seu amor em todos os sentidos", inclusive "empregando a estimulação manual ou oral", sem que por isso "se ofenda a Deus".
A reportagem é do sítio Religión Digital, 15-05-09. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
A notícia também é destaque no jornal Clarín, 17-05-2009 e no portal do jornal O Estado de S. Paulo, 17-05-2009.
Segundo o jornal The Guardian, esse manual do amor cristão, que conta com o beneplácito da Igreja católica polonesa, já se converteu em um best-seller no país e já está começando a ser reproduzido em Varsóvia.
Segundo o jornal The Guardian, esse manual do amor cristão, que conta com o beneplácito da Igreja católica polonesa, já se converteu em um best-seller no país e já está começando a ser reproduzido em Varsóvia.
"Algumas pessoas, quando falam das relações sexuais dentro do casamento católico, pensam que estão privadas de alegria, paixão e fantasia. Acreditam que o sexo tem que ser triste como um hino tradicional da Igreja. São pessoas que não entendem que Deus quer que tenham uma vida sexual feliz", afirma o franciscano que vive em um mosteiro fora de Cracóvia.
Mas a pergunta é: como um sacerdote celibatário pode falar sobre relações sexuais? Ele mesmo reconhece: sua opinião é de segunda mão, mesmo que, como explica, ele tenha consultado dezenas de casais.
"Quero que sejam felizes com sua vida sexual, e, para isso, devem compreender os ensinamentos da Igreja de modo que não se gere neles um sentido de culpabilidade", conta Knotz.
Sejam bons ou maus os seus conselhos, o que é certo é que as editoras já começaram a esperar com ansiedade pelas próximas traduções – italiano, eslovaco e inglês – desse manual de como fazer o amor como Deus manda. Amém.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A VINGANÇA DO CLIENTE

A maioria das pessoas se sentem profundamente irritadas com o procedimento dos operadores de call center e telemarketing. Com o propósito de vingar esse comportamento detestável está circulando na internet um spot (áudio), sem autoria identificada que, de tão original, resolvi postar aqui. Ouça...

sábado, 16 de maio de 2009

BRASIL É CREMATÓRIO DE CÉREBROS E DE FLORESTAS

Cristóvam Buarque afirmou em entrevista à jornalista Fabíola Munhoz que ''O Brasil é um grande crematório de cérebros e florestas''.
"Idealizador da Vigília pela Amazônia, realizada no Senado na última quarta-feira, o senador Cristovam Buarque (PDT/DF) concedeu uma entrevista exclusiva ao Amazonia.org.br, em que fala sobre a necessidade da implantação no Brasil de uma educação que conscientize as pessoas sobre a importância de se manter a floresta em pé.
Também ex-ministro da Educação, durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Buarque falou sobre o problema do analfabetismo no país, de suas propostas para a valorização da cultura indígena e a melhoria do sistema educacional, com respeito à diversidade e inclusão de noções sobre meio ambiente." (Fonte IHU)
Leia a entrevista clicando aqui.

Entre Dilma e Serra, Palocci é o preferido dos empresários

O que será a política econômica de Dilma Roussef e de José Serra, caso um deles vier a ganhar as eleições presidenciais de 2010 é tema de artigo, escrito pelo jornalista Vinicius Torres Freire e publicado pelo jornal Folha de São Paulo, em 12.05.09.
A despeito da comparação entre Dilma e Serra, feita no artigo A economia de Serra e Dilma, o jornalista afirma que os grandes empresários ainda preferem, de coração, Antônio Palocci, “o primeiro ministro da Fazenda de Lula que ninguém esquece, não importam os seus rolos”.

"CRESCER POR CRESCER, É A FILOSOFIA DA CÉLULA CANCEROSA"

O professor titular da PUC de São Paulo, Doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e EStatística de Varsóvia, Ladislau Dowbor, faz uma reflexão das mais interessantes sobre a metodologia utilizada para calcular o PIB.
No artigo, intitulado O debate sobre o PIB: “estamos fazendo a conta errada”, Dowbor que, além de consultor de diversas agências das Nações Unidas, é autor de vários trabalhos sobre economia, entre eles, Democracia Econômica, questiona, por exemplo, como pode a destruição ambiental aumentar o PIB de uma nação? Para a questão proposta, ele mesmo responde com a seguinte provocação: “simplesmente porque o PIB calcula o volume de atividades econômicas, e não se essas atividades são úteis ou nocivas”. E completa, afirmando que, “na metodologia atual, a poluição aparece como sendo ótima para a economia, e o IBAMA vai aparecer como o vilão que a impede de avançar”.

terça-feira, 12 de maio de 2009

NOVO FILME DE FÁBIO CARVALHO NO AR

Assista aqui a "OLHOCINEFOTO", o mais recente filme dirigido e fotografado por Fábio Carvalho, com produção de Isabel Lacerda. O tema do filme é a exposição de fotografias "Roteiros Incompletos" do arquiteto João Diniz, no Cine Belas Artes Liberdade, em Belo Horizonte.

domingo, 10 de maio de 2009

A LINGUAGEM, AS COISAS E SEUS NOMES


Eduardo Galeano


Na era vitoriana era proibido fazer menção às calças na presença de uma senhorita. Hoje em dia, não fica bem dizer certas coisas perante a opinião pública. O capitalismo exibe o nome artístico de economia de mercado. O imperialismo se chama globalização. As vítimas do imperialismo se chamam países em via de desenvolvimento, que é como chamar de meninos aos anões. O oportunismo se chama pragmatismo. A traição se chama realismo. Os pobres se chamam carentes, ou carenciados, ou pessoas de escassos recursos. A expulsão dos meninos pobres do sistema educativo é conhecida pelo nome de deserção escolar; O direito do patrão de despedir sem indenização nem explicação se chama flexibilização laboral; A linguagem oficial reconhece os direitos das mulheres entre os direitos das minorias, como se a metade masculina da humanidade fosse a maioria; Em lugar de ditadura militar, se diz processo. As torturas são chamadas de constrangimentos ilegais ou também pressões físicas e psicológicas; Quando os ladrões são de boa família, não são ladrões, são cleoptomaníacos; O saque dos fundos públicos pelos políticos corruptos atende ao nome de enriquecimento ilícito; Chamam-se acidentes os crimes cometidos pelos motoristas de automóveis; Em vez de cego, se diz deficiente visual; Um negro é um homem de cor; Onde se diz longa e penosa enfermidade, deve-se ler câncer ou AIDS; Mal súbito significa infarto; Nunca se diz morte, mas desaparecimento físico; Tampouco são mortos os seres humanos aniquilados nas operações militares: os mortos em batalha são baixas e os civis, que nada têm a ver com o peixe e sempre pagam o pato, danos colaterais;Em 1995, quando das explosões nucleares da França no Pacífico Sul, o embaixador francês na Nova Zelândia declarou: “Não gosto da palavra bomba. Não são bombas. São artefatos que explodem”; Chama-se Conviver alguns dos bandos assassinos da Colômbia, que agem sob proteção militar; Dignidade era o nome de um dos campos de concentração da ditadura chilena e Liberdade o maior presídio da ditadura uruguaia; Chama-se Paz e Justiça o grupo militar que, em 1997, matou pelas costas quarenta e cinco camponeses, quase todos mulheres e crianças, que rezavam numa igreja do povoado de Acteal, em Chiapas, no México. (Do livro De pernas pro ar, editora L&PM)
OBS.: Chamamos o aborto de interrupção da gravidez, quando um país considerado como potência mundial envia seus exércitos para dizimar "inimigos", anunciam que estão enviando forças de paz a determinado país, e o caixa dois em campanhas eleitorais no Brasil é chamado de receitas não contabilizáveis. Isso para deixar aqui apenas mais três exemplos. O leitor que quiser contribuir com mais alguns, esteja à vontade.

sábado, 9 de maio de 2009

SITES ÚTEIS NO DIA A DIA

Estou publicando hoje uma relação de sites de busca que poderão lhe ser últil em vários momentos. Salve-a em seu HD. Obs.: Os endereços não estão linkados. Faça o link você mesmo.

01. Quando for comprar qualquer coisa não deixe de consultar o site Gastar pouco: http://www.gastarpouco.com/

02. Serviço dos cartórios de todo o Brasil, que permite solicitar documentos via internet: www.cartorio24horas.com.br/index.php

03. Site de procura e reserva de hotéis em todo o Brasil,por cidade, por faixa de preços, reservas etc.: http://www.hotelinsite.com.br/

04. Site que permite encontrar o transporte terrestre entre duas cidades, a transportadora, preços e horários: https://appweb.%20antt.gov.br/transp/secaoduaslocalidades.asp

05. Encontre a Legislação Federal e Estadual por assunto ou por número, além de súmulas dos STF, STJ e TST: http://www.soleis.adv.br/

06. Tenha a telinha do aeroporto de sua cidade em sua casa,chegadas e partidas: 07. Encontre a melhor operadora para utilizar em suas chamadas telefônicas: http://sistemas.anatel.gov.br/sipt/Atualizacao/Importanteaspp

08. Encontre a melhor rota entre dois locais em uma mesma cidade ou entre duas cidades, sua distância, além de localizar a rua de sua cidade: http://www.mapafacil.com.br/

09. Encontre o mapa da rua das cidades, além de localizar cidades: http://mapas.terra.com.br/Callejero/home.asp

10 Confira as condições das estradas do Brasil, além da distância entre as cidades: http://www.dnit.gov.br/

11. Caso tenha seu veiculo furtado, antes mesmo de registrar ocorrência na polícia, informe neste site o furto.O comunicado às viaturas da DPRF é imediato: www.dprf.gov.br/ver.cfmlink==formalerta

12. Tenha o catálogo telefônico do Brasil inteiro em sua casa. Procure o telefone daquele amigo que estudou contigo no colégio: 13. Confira os melhores cruzeiros,datas, duração,preços, roteiros, etc.:
www.bestpricecruises.com/default.asp

14. Vacina anti-câncer (pele e rins). OBS: ESTA VACINA DEVE SER SOLICITADA PELO MÉDICO ONCOLOGISTA: http://www.vacinacontraocancer.com..br/hybricell/home.html

15. Indexador de imagens do Google - captura tudo que é foto e filme de dentro de seu computador e os agrupa, como você desejar: http://www.picasa.com/

16. Semelhante ao Internet Explorer , porem muito mais rápido e eficiente, e lhe permite adicionar os botões que desejar, ou seja, manipulado como você o desejar: www.mozilla.org.br/firefox

17. Site de procura, semelhante ao GOOGLE: http://www.gurunet.com/

18. Site que lhe dá as horas em qualquer lugar do mundo: www.timeticker.com/main.htm

19. Site que lhe permite fazer pesquisas dentro de livros: http://www.a9.com/

20. Site que lhe diz tudo do Brasil desde o descobrimento por Cabral: http://www.historiadobrasil.com.br/

21. Site que o ajuda a conjugar verbos em 102 Idiomas: http://www.verbix.com/

22. Site de conversão de Unidades: www.webcalc.com.br/conversões/area.html

23. Site para envio de e-mails pesados, acima de 50Mb: http://www.dropload.com/

24. Site para envio de e-mails pesados, sem limite de capacidade: http://www.sendthisfile.com/

25. Site que calcula qualquer correção desde 1940 até hoje, informando todos os índices disponíveis no mercado financeiro. Grátis para Pessoa Física: http://www.debit.com.br/

26. Site que lhe permite falar e ver pela internet com outros computadores, ou lhe permite falar de seu computador com telefones fixos e celulares em qualquer lugar do mundo grátis - De computador para computador, voz + imagem. De computador para telefone fixo ou celular: http://www.skype.com/

27. Site que lhe permite ler jornais e revistas de todo o mundo: http://www.indkx.com/index.htm

28. Site de câmaras virtuais, funcionando 24 hs por dia ao redor do mundo: http://www.earthcam.com/.

29. Site editado pelo poeta português Fernando Aguiar, sobre poesia e literatura, na Europa e no mundo: http://ocontrariodotempo.blogspot.com/

quarta-feira, 6 de maio de 2009

CARROS, MELHOR NÃO TÊ-LOS...

Eugênio Magno


Possuir um carro, ter licença para dirigi-lo, trafegar com ele nas vias e até estacioná-lo, exige paciência, equilíbrio emocional e muito dinheiro.
Já foi o tempo que ter automóvel de passeio significava status e possibilidade de fazer deslocamentos com maior rapidez, segurança e privacidade. Os veículos particulares nem mesmo necessitavam de grandes confortos, pois as distâncias eram vencidas rapidamente. Na atualidade, entretanto, os veículos precisam ser cada vez mais confortáveis porque se passa muito mais tempo dentro deles. Não demora muito e os automóveis virão equipados com sanitários químicos ou algo parecido.
Enquanto a indústria automobilística a cada ano bate seu próprio recorde e comemora a venda de milhões de veículos, as vias de trânsito permanecem com as mesmas dimensões, salvo pequenas ampliações e modernizações que rapidamente se tornam obsoletas. Os carros que não possuem insul film têm o seu interior devassado pelos ocupantes do vizinho de trânsito que trafega há poucos centímetros vendo e ouvindo o que não deveria ser da sua conta.E como se não bastasse a barbárie que os deslocamentos automobilísticos se tornaram, em razão da violência do trânsito, estacionar se tornou um problema tão complexo como se deslocar. Os estacionamentos particulares das grandes cidades são muito caros e não dão conta de atender toda a demanda. Os poucos locais onde era permitido estacionar foram regulamentados e exigem pagamento. E aí a coisa se complica e muito. Os veículos pagam impostos e taxas anuais para trafegarem e também para estacionarem. Mas os órgãos públicos não devolvem aos proprietários de veículos vias com dimensões e condições adequadas para uma boa fluidez do trânsito, nem tampouco áreas de estacionamento suficientes para atender ao contingente de automóveis emplacados em cada município.
Prefeituras como a de Belo Horizonte, em vez de oferecer ao contribuinte mais e melhores serviços em contra-partida aos impostos já existentes, não param de criar novas taxas e obrigações que oneram ainda mais o cidadão. A atividade dos “flanelinhas” ou “guardadores de carros”, por exemplo, é regulamentada. Eles foram cadastrados pela prefeitura, mas recebem seus honorários – na maioria das vezes abusivos –, dos mesmos proprietários de veículos que pagam para licenciarem seus veículos, pagam pelo estacionamento e pela política populista da prefeitura que loteou as ruas da cidade entre os guardadores de carros. E eles, legalizados, extorquem os motoristas. Agem como agia a máfia em Nova York. São os donos da rua e cada um manda num pedaço.
A solução seria deixar o carro na garagem e utilizar o transporte coletivo. Mas como, se ele é caótico? Os ônibus demoram uma eternidade para passar no ponto, andam superlotados, os motoristas dirigem sem o mínimo de cuidado e respeito para com o passageiro e o nosso metrô é limitadíssimo.

CONSULESA DA BOLÍVIA FAZ PALESTRA EM BH

Na próxima sexta-feira, dia 8 de maio, às 18:30 hs, no SINDREDE, Av. Amazonas, 491, 10º andar, acontece palestra com a consulesa da Bolívia, Shirley Orozco, que estará em visita a Belo Horizonte.
O tema da palestra é a atual situação política boliviana. Na ocasião será exibido um documentário que trata do recente processo de realização do referendo popular e sobre as mudanças na constituição do Estado boliviano.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

JOVINO MACHADO LANÇA “COR DE CADÁVER”



O poeta Jovino Machado lança o seu décimo primeiro trabalho poético no próximo dia 5 de maio, a partir das 18:30 hs, no projeto Terças Poéticas, nos jardins internos do Palácio das Artes.
Cor de Cadáver apresenta uma seleção de poemas de Jovino Machado, escritos no período de 1998 a 2008.Trata-se de uma coletânea-síntese do que de mais significativo o poeta produziu nos últimos dez anos. Este o resultado da intensa atividade poética espaço-tempo que sua voz hesitou entre diversos lados, do mais romântico ao mais sarcástico, do mais prolixo ao mais sintético, da agitação dos bares ao silêncio de sua biblioteca, enfim do mais literário ao mais existencial, como o próprio poeta define o novo trabalho.
Jovino Machado nasceu no dia 03 de agosto de 1963, em Formiga, MG, foi criado em Montes Claros e vive em Belo Horizonte. Machado já publicou os seguintes livros: Só Poesias, 1981; Em Cantos e Versos, 1982; Uma mordida para cada língua, 1985; Deselegância Discreta, 1993; Trint'anos Proust"anos, 1995; Disco, 1998; Samba, 1999; Balacobaco, 2002; Fratura Exposta, 2005 e Meu Bar Meu Lar, 2009.
Para se ter um gostinho do que é Cor de Cadáver, saboreie o poema abaixo:

amo o que me ameaça
e depois da trapaça
só o poema traça
o início e o fim da desgraça


segunda-feira, 27 de abril de 2009

OCUPAÇÃO DANDARA

A comunidade da Ocupação Dandara, no bairro Céu Azul, em Belo Horizonte, recebe a solidariedade da população, mas precisa de muito mais apoio. Os interessados em colaborar podem procurar as lideranças no acampamento.


Na primeira foto, frei Gilvander, pastor Lúcio e padre Júlio César
em visita à Ocupação Dandara, no último domingo, dia 26.04.09.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

LIBERDADE AINDA QUE TARDIA


21 de abril, dia de Tiradentes, mártir da Inconfidência Mineira

Frases do alferes:


"O papel mais arriscado, quero-o para mim."

"Dez vidas daria se as tivesse, para salvar as deles!"

"Se todos quisermos, poderemos fazer deste país uma grande nação. Vamos fazê-la."

domingo, 19 de abril de 2009

ANTIGAMENTE TODO DIA ERA DIA DE ÍNDIO

... mas agora só restou o dia 19 de abril.

terça-feira, 14 de abril de 2009

FILME SOBRE IRMÃ DOROTHY ESTRÉIA NESTA SEXTA-FEIRA

A partir do próximo dia 17 de abril, nos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belém, estreia o documentário “Mataram Irmã Dorothy”. O filme trata do brutal assassinato da freira americana Dorothy Stang, 73 anos, morta com seis tiros, em 2005, em Anapu, no interior do Pará.
Narrado pelo ator Wagner Moura, o filme revela bastidores do controvertido julgamento dos assassinos da missionária americana, que teve novos desdobramentos na última terça-feira, quando a justiça anulou o caso e pediu a prisão de Vitalmiro Bastos, o Bida, apontado como suposto mandante do crime.
O longa-metragem, de 94 minutos, também investiga as razões da morte da freira, bem como sobre os verdadeiros mandantes do crime. Ano passado, “Mataram Irmã Dorothy” venceu o Prêmio do Público e Grande Prêmio do Júri no Festival South by Southwest; recebeu menção honrosa do júri no FIC Brasília; e participou das seleções oficiais do Festival do Rio e Mostra Internacional de São Paulo.
O documentário é dirigido pelo americano Daniel Junge.


Matéria publicada no site: http://www.cefep.org.br/ por Sidney Sabino (fonte: CNBB)

DOAÇÕES & DOAÇÕE$

Eugênio Magno

Essa coisa de pedir donativo à população para depois promover a sua redistribuição a entidades ou pessoas carentes é uma questão controversa. Não pelo ato em si, que é dos mais nobres e merece todo o respeito, mas pela forma e falta de critérios como são gerenciados alguns dos procedimentos para tais fins.
Recentemente tomei conhecimento de duas ações dessa natureza que têm contrariado cidadãos de bem. Uma delas envolve uma instituição financeira que, na tentativa de angariar fundos para os desabrigados de Santa Catarina, colocou em seu sistema eletrônico a opção de doação. Acontece que, segundo os clientes da instituição bancária, a opção de doação que deveria aparecer na tela inicial do caixa eletrônico, antes do início da operação pretendida pelo cliente, surge no momento em que o cliente vai finalizar a operação. Ele é confundido e em vez de encerrar, faz uma doação, contra a sua vontade, e de um valor além das suas possibilidades. Isso acontece quando a agência bancária já está fechada para atendimento presencial e o cliente não pode registrar a sua reclamação com os funcionários. A outra é de uma farmácia de Belo Horizonte que recebe donativos para um hospital da capital mineira. Nesse caso, o cliente que depois de dar preferência àquele estabelecimento comercial, é constrangido na fila, quando abordado pelas funcionárias do caixa que perguntam: “gostaria de doar o seu troco para o Hospital X ?” Na maioria das vezes os clientes doam constrangidos e coagidos, com vergonha de dizerem não diante de outras pessoas e serem tidos como avaros e insensíveis.
Ora, doação é algo que deve ser feito de forma espontânea, de acordo com as posses de quem doa e livre de todo e qualquer constrangimento ou coação. Não pensem que eu esteja sugerindo que ações dessa natureza não devam ser promovidas. Muito pelo contrário, eu não só acredito nesse tipo de ação, como a recomendo. Entretanto, entendo que tais programas exigem planejamento, gerenciamento e expertise. Se ainda não fui claro insisto em dizer que existe uma categoria profissional com formação especializada para realizar esse tipo de programa de marketing social ou de relações públicas beneficentes de forma eficiente e ética. Digo isso e assim dessa forma, porque uma boa idéia, quando mal realizada ou promovida sem o devido cuidado pode ser um tiro no pé. Tenho ouvido pessoas descontentes nas filas dessa farmácia, respondendo rispidamente às suas funcionárias quando abordadas. Guardei inclusive a frase de uma delas: “não é com o meu dinheiro que a sua farmácia vai fazer média com a opinião pública e conseguir desconto no imposto de renda”.
No que diz respeito à farmácia, ainda que pese o constrangimento, o cliente ainda tem a possibilidade de dizer não. Quanto ao banco, apertou a tecla, dançou...
Antes de fechar este artigo e enviá-lo para publicação, as pessoas que conheço e que foram vítimas dessa apropriação financeira bancária, ainda não haviam recebido o seu dinheiro de volta.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O CUSTO DO JEJUM E DA ABSTINÊNCIA

Imagine os preços dos produtos anunciados, caso não estivessem em oferta...

terça-feira, 7 de abril de 2009

LULA ESTEVE EM MONTES CLAROS NO INÍCIO DA SEMANA

Lula inaugurou em Montes Claros, MG, usina de biodiesel e presidiu reunião da Sudene que aprovou dois grandes projetos.
(Na foto de Xu Medeiros, Lula ao lado do governador Aécio Neves, do prefeito Tadeu Leite e do gerente da empresa Alan Kardec. Mais detalhes no portal do jornal O Norte de Minas: http://www.onorte.net/)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

ESCOLA DE FÉ, POLÍTICA E CIDADANIA EM GESTAÇÃO

Políticos, religiosos, ativistas e lideranças de movimentos e pastorais de fé e política se reuniram no início desta semana na Igreja do Carmo com o propósito de criar a primeira Escola de Fé, Política e Cidadania de Belo Horizonte.
A reunião preparatória contou com a participação do educador, Antônio Geraldo Aguiar (primeira foto, abaixo, à esquerda), Assessor da CNBB e Coordenador Pedagógico do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara - CEFEP-DF.
Além de Aguiar, os organizadores do encontro, frei Gilvander Moreira, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo e coordenador da CPT e Eugênio Magno, ex-aluno e atualmente assessor do CEFEP, contaram com a presença do vereador de Belo Horizonte, ex-aluno e assessor do CEFEP, Adriano Ventura e seus assessores Aelton Aleixo Fernandes e Henrique Siqueira do Carmo, da secretária municipal adjunta de direito e cidadania de BH, Sílvia Helena, do vice-prefeito de Itajubá, Laudelino Augusto dos Santos, do ex-vereador Antônio Pinheiro, do presidente do Psol-MG, Carlos Roberto Campos, da economista e ativista, Dirlene Marques, do coordenador de Ceb’s, Carlindo José Fernandes, do assessor parlamentar, Genésio Lima, da presidente da Associação Comunitária Santo Antônio, Maria da Penha Cabral, do filósofo e educador, Cristian José da Silva, do relações públicas e militante, Rodrigo Castelo e dos ex-alunos do CEFEP, Carlos José, Maria Aparecida de Jesus e Rodrigo Marzano.

DEMOCRACIA E COMUNICAÇÃO

Eugênio Magno
Na qualidade de assessor do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara – CEFEP-DF, participei recentemente de um seminário em Brasília. Um dos temas mais quentes da discussão foi o da democracia como ideal normativo. O filósofo e professor da Universidade Federal do Ceará, Manfredo Araújo de Oliveira, citando o pensador alemão Jürgen Habermas, disse que a linguagem é o grande ponto de partida para se entender este ideal, uma vez que tudo se inicia com o discurso argumentativo a partir da ética e do direito. O professor afirmou que essas áreas – embora possuam dimensões distintas, cada uma com sua lógica própria – são complementares, e fez uma bela exposição sobre a sua tese que aqui tento reproduzir.
Segundo Manfredo, os direitos humanos, por exemplo, são outorgados para que as discussões sejam possíveis, tendo a dimensão material humana como base, levando-se em conta que o ser humano questiona, ou deveria questionar, tudo, sem limites, pois é livre para se descolar do fático e/ou até dele mesmo. Kant dizia que a grandeza do homem está em agir a partir de sua autodeterminação e não do poder de conquistar o mundo. Mas a liberdade humana está presa a questões institucionais e às esferas políticas, econômicas, sociais, culturais, etc., que naturalmente envolvem uma dimensão ética.
Diferentemente do que, na maioria das vezes, pensamos, a ética não é um código de deveres pesado. Trata-se de uma decisão pessoal, e caracteriza um ser que não apenas vive, mas que se pergunta pelo sentido de tudo e, portanto, pelo sentido de sua vida, pela razão de suas ações. A ética nasceu na polis grega como a pergunta pelos critérios que pudessem tornar possível o enfrentamento da vida com dignidade. Isto significa dizer que o ponto de partida da ética é a vida, a realidade humana, que, em nosso caso, é uma realidade de fome e miséria, de exploração e exclusão, de desespero e desencanto frente a um sentido para a vida. É neste ponto que somos remetidos diretamente à questão da democracia, um projeto que se realiza nas relações da sociabilidade humana. E a luta do ser humano é pela liberdade, em todos os sentidos, na perspectiva histórica, uma vez que ele não será plenamente humano enquanto for oprimido e não tiver garantido os seus plenos direitos sem nenhum tipo de coerção. O mundo político só tem razão de ser se estiver a serviço da efetivação do ser humano livre. Assim é que deve se configurar a democracia.
Tendo em vista este horizonte, uma sociedade só poderá ser ética na medida em que for democrática e, conseqüentemente, igualitária. Portanto, a construção de uma sociedade igualitária é o nosso grande projeto enquanto seres humanos que almejam a liberdade. Como dizia Betinho: uma sociedade é igualitária quando respeita as diferenças, e não fere a igualdade.
Não esqueçamos, porém que a democracia tem no conflito a sua essência e que toda solução encontrada é relativa, temporal, histórica. Trata-se de um projeto de construção que só será possível se efetivar através de uma sociabilidade solidária que acontece através da linguagem, das trocas simbólicas. E o ser humano enquanto ser simbólico manifesta de forma privilegiada a sociabilidade como dimensão essencial do seu existir. Podemos até falar de uma corrente pré-lingüística do mundo das vivências humanas, mas até as necessidades mais íntimas e os sentimentos mais profundos do ser humano se diferenciam de acordo com suas articulações lingüísticas, e é fenômeno conhecido pelos cientistas sociais que uma linguagem comum exerce uma influência determinante de unificação sobre o mundo dos sentimentos humanos.
Todavia a nossa sociedade é uma sociedade da excitação, do espetáculo que vive a lógica da mercadoria, onde o ser se tornou sinônimo de aparecer. Nessa conjuntura, a questão comunicacional hoje é antropológica. Com os sistemas sofisticados de comunicação, o mais profundo de nossas convicções, emoções e sentimentos estão sendo atingidos. As pessoas não pensam mais, estão sendo pensadas e assim, as comunicações vão configurando as pessoas. Comunicação esta que é ainda mais poderosa enquanto implícita do que quando explícita. Para darmos uma dimensão ética à comunicação, é preciso que se articule balizas fundamentais de humanização da sociedade. Os veículos de comunicação devem promover e difundir a cultura do direito. Inclusive do direito de se educar o ser humano para a mídia, considerando que por trás de todo projeto educacional deve existir o pressuposto ético da emancipação humana. É fundamental que haja uma reeducação dos sentidos. Só com a transformação de nossas matrizes simbólicas poderemos construir o tão sonhado mundo novo.

ARTE, CONSUMO E ABANDONO

Na Feira de Arte e Artesanato da Av. Afonso Pena, em Belo Horizonte, arte, consumo e abandono.