segunda-feira, 28 de março de 2011

BUÑEL POR GARÇÃO


Luis Buñuel e os jogos do imaginário: surrealismo, sexo e religião

Gaspar Garção

Luis Buñuel y Portolés, nascido na vila de Calanda, Espanha, a 22 de Fevereiro de 1900, o “actor” principal deste breve resumo biográfico e artístico, é hoje unanimemente considerado como um dos expoentes máximos da arte cinematográfica mundial, um dos grandes Mestres (a par de Bergman, Visconti, Fellini, Antonioni e Kurosawa), não só pela nova gramática que trouxe ao inconsciente colectivo dos seus espectadores, feita de Desejo, Sexo, Paixão, Pulsão e Perversão, mas também pela coragem e bravata das suas experiências, das suas transgressões fílmicas, pela nitidez com que expôs no grande ecrã as fraquezas, delírios e prazeres de toda uma sociedade que se viu reflectida no espelho e teve receio de retribuir o olhar… Buñuel, artista multifacetado, forjado na experiência surrealística e no ambiente culturalmente rico da Es­panha pré-Guerra Civil, tentou sempre levar até aos limites a noção de que tudo era questionável na sociedade contemporânea, desde os dogmas religiosos até às noções de pudor e de decoro social, procurando nos seus filmes um olhar ao mesmo tempo límpido e oblíquo sobre as relações humanas, sobre os jogos sociais e o absurdo da vivência social, tentando compreender a psique humana. Luis Buñuel e os jogos do imaginário: surrealismo, sexo e religião Gaspar Garção A vida de Buñuel, extremoso pai de família e a antítese psicológica dos seus protagonistas, é cheia de episó­dios, de descobertas, de realizações e contradições, que iremos abordar neste trabalho de uma forma sintética, que poderá não fazer jus a um criador de tamanha complexidade e qualidade, mas que poderá abrir as portas à obra de um artista inigualável, que foi, como refere João Benárd da Costa na sua resenha fílmica no catálogo da Cinemateca Portuguesa, um cineasta do “profundo desejo em latência e profundamente perturbador, cuja raiz, como a de qualquer mistério, não é muito facilmente explicável, ou não o é de todo”. Referência esta feita a propósito do seu primeiro filme, o polémico, ultra-surrealista e desvairado Un Chien Andalou, de 1929, que inicia uma viagem ímpar pelos mundos dum cinema pessoal, obcecado e de autor, que pode balizar todo o seu percurso iconoclasta e irreverente pela tela dos sonhos.

Para ler na íntegra o texto do ensaísta português é só clicar aqui.

(Fonte: Site Agulha Hispânica - Revista de Cultura, 08)

quarta-feira, 23 de março de 2011

OBAMA NO TÚMULO DE OSCAR ROMERO

A foto que amanhã irá chegar aos jornais entra na história das Américas: presidente dos Estados Unidos em oração no túmulo do bispo Romero (foto) assassinato (24 de março há 31 anos) em nome da "guerra ao comunismo", ordenada por um outro presidente de Washington cansado da Igreja que defendia os agricultores abandonados aos esquadrões da morte. Anos de Reagan, anos de Obama.


sábado, 19 de março de 2011

CENTRO CULTURAL PADRE EUSTÁQUIO PROMOVE OFICINA DE POESIA

OPhicina Popular de Poesia


O Centro Cultural Padre Eustáquio vai promover uma oficina de poesia popular, ministrada pelos poetas Rogério Salgado e Virgilene Araújo. Os encontros acontecerão no horário de 09:00 às 13:00hs, nos dias 2, 9, 16 e 30 de abril e 7 de maio, na sede do CCPE, à rua Jacutinga, nº 821, na Feira Coberta do bairro Padre Eustáquio.
Para se inscrever e participar, gratuitamente, basta ligar para os telefones: (31) 3277.8394, 3464.8213 e 8421.6827.

terça-feira, 15 de março de 2011

GRITO DA NATUREZA SACODE O JAPÃO

Num cenário apocalíptico, a esperança. Um soldado, com o sorriso nos lábios, segura nos braços uma menina de quatro meses, recém resgatada dos escombros na cidade japonesa devastada, Ishimaki.

(Foto: Hiroto Sekiguchi / AP / SIPA)

SESC VAI PRESENTEAR BH COM CENTRO DE CULTURA

Cine Palladium está prestes a reabrir
Teatro, cinema, música, dança, artes plásticas, artesanato e demais setores da cultura mineira têm um encontro marcado dia 28 de março, em Belo Horizonte. Nessa data, depois de uma espera de seis anos, será inaugurado o Sesc Palladium Domus Artium, que ocupa as dependências do antigo Cine Palladium e terá entradas pela Avenida Augusto de Lima e Rua Rio de Janeiro, no centro da cidade.
O Palladium terá um cinema com 80 lugares e entrada sempre gratuita – a inauguração será com a exibição estreia simultânea dos filmes Vinho de Rosas, da cineasta mineira Elza Cataldo, O fim do sem fim, de Cao Guimarães, e Pequenas Histórias, de Helvécio Ratton. O espaço contará ainda com teatro de bolso, também com 80 lugares, biblioteca, café e galeria de arte, além de salas para cursos (música, dança e teatro), salas para eventos de negócios, feiras e congressos e estacionamento para 130 veículos. A nova construção, com projeto interno da arquiteta Angela Roldão, tem quatro andares subterrâneos (estacionamentos), pilotis, sobreloja, e restaurante e cobertura a cargo do Senac. No total, serão oito andares com 14 mil metros quadrados de área construída.

SALVEMOS O CARAÇA

Santuário do Caraça ameaçado

Sou frequentador do Santuário do Caraça há mais de 25 anos e estou preocupadíssimo com a devastação em seu entorno. As mineradoras estão transformando o Caraça em uma ilha e isso é ameaçador: para a fauna, a flora, as nascentes, para os humanos que lá vivem e para todos nós que lá visitamos.
Recebi da coordenadora ambiental de lá, Aline, um apelo que repercutuo-o aqui:

"Prezados Companheiros,
É com muita alegria que a RPPN Santuário do Caraça e a Província Brasileira da Congregação da Missão celebram a caminhada quaresmal, discutindo um assunto muito importante, que é tema deste ano da Campanhada Fraternidade : Fraternidade e a vida no Planeta.
Acessem o nosso link:
Vejam também o site http://www.pbcm.com.br/.
Vamos torcer para que o tema da Campanha da Fraternidade seja difundido pela nossa sociedade em geral.
Abraço Fraterno,"
Aline Cristine Lopes de Abreu
Coordenadora Ambiental da RPPN Santuário do Caraça
Quem tiver oportunidade de ir ao Caraça por esses dias poderá, inclusive assinar o documento que defende sua preservação.

quinta-feira, 10 de março de 2011

OPÇÃO PELOS POBRES NO SÉCULO XXI

Mais um livro da coleção Fé e Política do CEFEP
Será lançado no próximo dia 15/3, às 18h30, no Teatro da Assembleia Legislativa de Minas, o livro “Opção pelos pobres no século XXI”, organizado pelo sociólogo Pedro Ribeiro e publicado pelas Edições Paulinas. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, deputado Durval Ângelo (PT), que é autor de um dos artigos da obra, intitulado “A organização dos pobres: chave para a mudança social”, é quem organiza o lançamento do livro em Belo Horizonte. A publicação é mais um lançamento da coleção Fé e Política do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara - CEFEP-DF.

NOITES INSONES

Incerto amanhecer

Eugênio Magno


A estrela, na vidraça, estava, ao alcance, da
mão. Mais, um, dedo, de prosa, e pegaria,
também, a lua, cheia, de fumaça, do cigarro,
que alimentava, o cinzeiro, sobre, a janela, de
muitas, noites. Não encostei em nada. Tive
medo que o amanhecer queimasse o meu
toque e recolhi apenas impressões

(do livro "Minas em mim", 2005)

PALESTRA SOBRE OS ENSINAMENTOS DE GURDJIEFF



A sociedade para o Estudo e Pesquisa do Homem - Instituto Gurdjieff - de Belo Horizonte, promove no próximo dia 16 de março, às 20:00hs em sua sede urbana, à rua Divinópolis, 121, bairro Santa Tereza, uma palestra sobre os ensinamentos de George Ivanovich Gurdjieff. A palestra, com entrada franca, é direcionada especialmente aos interessados em fazerem parte do Grupo Gurdjieff e será precedida de recital de piano e flauta com a música de Gurdjieff e Thomas de Hartmann. Maiores informações pelo e-mail institutigbh@gmail.com.

sábado, 5 de março de 2011

FILME SOBRE A TRAGÉDIA DO RIO

O filme “Ensinamentos da Tragédia”, de Dib Curi, editor do jornal Século XXI, traz um importante debate com cidadãos e especialistas de Nova Friburgo sobre as lições e perspectivas da tragédia que se abateu sobre a região serrana. Para assistir a materia clique aqui.

CARTA DE PAULO FREIRE


Para quem, nesse período de carnaval, deseja fazer uma reflexão mais profunda sobre questões de ordem humanística e fugir das alegorias, batuques e máscaras dos festejos do rei Momo, estou disponibilizando aqui uma preciosidade: a carta de um dos gênios da raça, o filósofo e educador brasileiro, Paulo Freire, endereçada a Rogério de Almeida Cunha. Clique aqui e leia-a.

terça-feira, 1 de março de 2011

VENCEDOR DO OSCAR DE MELHOR DOCUMENTÁRIO

''Inside Job'', documentário imperdível
"Há uma livre e brutal concorrência. A expressão grande demais para falir esconde mais do que revela", escreve Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular do Instituto de Economia da Unicamp, comentando o documentário Inside Job, de Charles Ferguson que, na madrugada de ontem, levou o Oscar na sua categoria, em artigo publicado no jornal Valor, 01-03-2011. Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

AINDA OS FENÔMENOS NATURAIS

A Bolívia, neste ano de 2011, foi açoitada por intempéries sem precendentes. No último domingo, dia 27, em La Paz, uma parte dos bairros de Kupini e do Valle de las Flores, foram destruídos pelo desmoranamento de terra. Várias dezenas de pessoas ficaram feridas e duas morreram.


(Foto: David Mercado / Reuters)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

DOUTORANDO BRASILEIRO DESPEDE-SE DE BARCELONA

Adios

Paulo Roberto Barbosa*

"Queridos amigos,
Vou-me embora pra Pasárgada, onde não sou amigo do rei, as palmeiras já escasseiam, e é raro o sabiá que ainda canta. Tenho fundas raízes numa terra de cerrado, caatinga, floresta e mata-atlântica, mas também de carros, prédios, fumaça e muita safadeza. Não me será difícil mergulhar de novo nesse inferno-céu tão conhecido e peculiar. Quero bem àquele chão ainda úbere, apesar de tudo e todos que o sugam e o fazem foder-se muita vez, como o Peru de Vargas Llosa (O ano do bode). Pertenço a essa parte do globo, à qual minha pele está melhor adaptada e onde vivo bem, obrigado, apesar da muita saúva e do sol escaldante. Para ser sincero, não vejo a hora de voltar a solo tupiniquim. Antes, porém, de pegar o avião, permitam-me um adeus graciosamente melancólico, e em português, à Barcelona que me acolheu durante seis meses de sentimentos exacerbados. Resulta incômodo pensar que, daqui a uns dias, não terei mais o metrô da Plaza Espanya (na grafia catalã) e suas linhas vermelha, verde, azul, rosa e amarela levando para os confins e toda parte. Daqui a uns dias não verei mais o proverbial Café O’Canastro, onde bebi meu cortado pela manhã, observando furtivamente as ancas das camareiras, desde uma cadeira alta no balcão. Desaparecerão de vista os sonhos em pedra de Gaudí, os delírios plásticos de Miró, Picasso e Dalí, a exatidão urbana de Ildefons Cerdà, o informalismo cinzento de Tápies, o humor e as cores do pós-moderno Mariscal. Também sumirão os largos passeios, as ruas para pedestres, as bicis, a Passeig de Gràcia, a Gran Via, os tranvias, os funiculares, os autobuses vermelhos, as alubias, os albaricots, a crema catalana, os pollastres, os plátanos, os jamones, as butifarras, as granjas, os locutórios, as pastisserias e os avisos no asfalto, lembrando que em Barcelona também se morre, embora pareça virtualmente impossível enquanto se mora aqui. É triste pensar que não deambularei mais pelas velhas Ramblas, com suas temperamentais estátuas vivas, seus carteiristas, seus helados, suas paellas para turista e seu charme indiscutível. Não vagarei mais pelo Raval à procura de museus, cafés, pisos e tiendas improváveis. Não me perderei mais pelo Born e pelo bairro gótico, estupefato com suas vetustas igrejas medievais. Não mais admirarei os vultos célebres das praças, as sílfides dos parques, os hércules e as vitórias dos monumentos, os bigodes do gato de Botero, o garoto em bronze de um bebedouro na calle Pelayo, o touro pensador e a divertida girafa da Rambla de Catalunha, os grafittis tímidos, irregulares e circunscritos às portas de correr. Não mais as esguias, sinuosas e almodovarianas espanholas, em diferentes cores e estilos, pisando duramente os tacones no chão, como a dizer no molesten. Não mais os assombrosos árabes, sua fala de outro mundo, seus turbantes e suas enfeitadas mulheres, não mais os simpáticos chinos e seu furor comercial, não mais os latinos e sua infinita bonomia, não mais os africanos, os romanís, os japoneses, os ingleses, os estadunidenses, os nórdicos e até mesmo os espanhóis, com sua grata cordialidade, após as muitas guerras intestinas. Sobretudo, não mais o Venga!, o Adèus, o Sis plau, o De acuerdo, o Hola, o Mira e o Vale!.
Depois de amanhã, sentarei calmamente no Café O’Canastro para um prolongado adeus e um último cortado em homenagem a esta amante espanhola, pela qual evidentemente me apaixonei e a qual fatalmente devo deixar, não obstante nosso tórrido romance. Adios, Barcelona, que te vaya bien!"
* Paulo Barbosa é doutorando em artes, com pesquisa em cinema, pela Escola de Belas Artes, da UFMG.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

FENÔMENOS NATURAIS SE MULTIPLICAM PELO MUNDO AFORA

As pessoas que passavam pelo porto de Sidon, no Líbano, no útimo domingo, dia 20-02-2011, foram surpreendidas por imensas ondas do mar que se abateram sobre o porto. Os portos e as vias que margeam o mar foram fechadas pelas autoridades.

(Foto: Mahmoud Zayat / AFP)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

UM POUCO DE PROSA

O irmão de Erpídio
Eugênio Magno
– Cadê o homem das pedras?
– Ele é meio bilolado. O povo anda caçoando dele, por conta das coisas que ele fala.
– Eu não acho que ele é doido não.
– O juízo dele é fraco mesmo. Eu sou mais novo que ele e desde quando eu me entendo por gente que escuto o pessoal dizer que ele não bate muito bem.
– Tem muito tempo que eu não encontro com ele.
– Ah, ele levanta cedo, monta na égua e sai por aí. Vai p’a manga do Rodrigo. Tem dia que ele sai de bicicleta e vai fazer algum biscate. Outra hora some por essas grotas aí, que ninguém acha ele.
– Será que ele está por aí hoje? Vamos lá na casa dele ver se ele está por lá?
– Ele hoje saiu foi cedo. Quando eu estava indo p’a roça, de manhãzinha, eu cruzei com ele, montado na égua. O sol não tinha nem saído ainda e ele lá ia campear.
– Fala com ele que eu quero conversar com ele.
– O senhor não deve se iludir com as histórias dele não.
– Eu gosto muito dele.
– Ele não regula bem, não. E aquelas pedras não valem nada. É tudo cascalho.
– Mas a prosa é boa. Avisa a ele que domingo eu venho cá pra nós prosear.
(Inédito)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O FERVOR DE UM POVO

Fervor revolucionário. Este mosaico de dorsos humanos, prostrados
em direção de Meca, foi fotografado na última sexta-feira, na praça Tahrir, no Cairo, antes do anúncio da renúncia de Hosni Mubarak.


(Foto: Amr Dalsh / Reuters)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

"NEM SÓ DE PUBLICIDADE VIVE O BOM JORNALISMO"

Futuro dos jornais: O desafio da credibilidade


Luciano Martins Costa

"Representantes dos principais diários do país afirmam que sabem da necessidade de cobrar pelo acesso ao conteúdo através da internet, mas reconhecem que dificilmente conseguirão manter seus leitores online se exigirem pagamento pela leitura de todos os seus conteúdos.
Os gestores da mídia brasileira estão de olho nos resultados do New York Times, que decidiu fechar o acesso gratuito, passando a cobrar uma assinatura mensal de US$ 20 para a leitura de seus conteúdos jornalísticos na interneet.

Leitores fiéis
Embora alguns observadores entendam que o tradicional jornal americano vai perder poucos leitores com essa medida, ganhando em troca uma importante fonte de receita, o modelo pode não servir para o Brasil. Por aqui não existe a tradição de valorizar o jornalismo de qualidade, avaliam alguns dos entrevistados, o que tornaria um risco limitar o acesso a quem paga.
O dilema não se refere ao momento presente, quando os jornais se beneficiam do crescimento econômico do país e da consolidação de uma nova classe média que precisa aprender a operar em outros padrões sociais.
O conteúdo produzido originalmente para o papel já tem acesso condicionado nos portais, na maioria dos jornais brasileiros, mas essa situação tende a se complicar com o crescente número de pessoas, principalmente os mais jovens, que preferem se informar através de aparelhos eletrônicos. Desconfia-se de que eles não aceitariam pagar para ler reportagens.
De modo geral, um grande jornal brasileiro como o Estado de S.Paulo tem 65% de seu faturamento originado em publicidade, mas essa receita não é suficiente para pagar a produção jornalística.
Manter uma carteira de leitores fiéis ainda é fundamental.

Novas tendências
A equação parece bem resolvida no presente, também porque a maioria das empresas tradicionais fatura adicionalmente com os chamados títulos "populares", lançados na esteira do surgimento da nova classe média, nos últimos anos.
Esses jornais têm um custo baixo de produção e captam muita publicidade miúda. Portanto, o dilema não é como financiar o jornalismo em si. O desafio é: como promover o encontro entre o jornalismo de qualidade e um modelo de negócio sustentável?
Esse dilema só se apresenta porque há na sociedade grandes questionamentos sobre a credibilidade da imprensa. A insegurança dos gestores em apostar no acesso exclusivo para quem pode ou aceita pagar tem origem na falta de garantias de que o conteúdo jornalístico oferecido pelas empresas tradicionais atende as necessidades essenciais do leitor.
Diante de um histórico de dificuldade para se antecipar a novas tendências, marca de um jornalismo conservador, fica difícil apostar que a imprensa vai acumular rapidamente as qualidades que a tornaram, em tempos passados, uma instituição de valor para a sociedade."
(Fonte: Observatório da Imprensa)

UM PEDAÇO DO MUNDO DE JORGE AMADO

Jorge Amado, Gabriela, sr. Nacib, o Vesúvio e o Bataclan, estão mais vivos do que nunca...
















domingo, 6 de fevereiro de 2011

A CULPA NÃO É DE SÃO PEDRO

Darwinismo social
Frei Betto

A catástrofe na região serrana do Rio de Janeiro é noticiada com todo alarde, comove corações e mentes, mobiliza governo e solidariedade. No entanto, cala uma pergunta: de quem é a culpa? Quem o responsável pela eliminação de tantas vidas?
Do jeito que o noticiário mostra os efeitos, sem abordar as causas, a impressão que se tem é de que a culpa é do acaso. Ou se quiser, de São Pedro. A cidade de São Paulo transbordou e o prefeito em nenhum momento fez autocrítica de sua administração. Apenas culpou o excesso de água caída do céu. O mesmo cinismo se repetiu em vários municípios brasileiros que ficaram sob as águas.
Ora, nada é por acaso. Em 2008, o furacão Ike atravessou Cuba de Sul a Norte, derrubou 400 mil casas, deu um prejuízo de US$ 4 bilhões. Morreram 7 pessoas. Por que o número de mortos não foi maior? Porque em Cuba funciona o sistema de prevenção de catástrofes naturais. No Brasil, o governo promete instalar um sistema de alerta... em 2015!
O ecocídio da região serrana fluminense tem culpados. O principal deles é o poder público, que jamais promoveu reforma agrária no Brasil. Nossas vastas extensões de terra estão tomadas pelo latifúndio ou pela especulação fundiária. Assim, o desenvolvimento brasileiro se deu pelo modelo saci, de uma perna só, a urbana.
Na zona rural faltam estradas, energia (o Luz para Todos chegou com Lula!), escolas de qualidade e, sobretudo, empregos. Para escapar da miséria e do atraso, o brasileiro migra do campo para a cidade. Assim, hoje mais de 80% de nossa população entope as cidades.
Nos países desenvolvidos, como a França e a Itália, morar fora das metrópoles é desfrutar de melhor qualidade de vida. Aqui, basta deixar o perímetro urbano para se deparar com ruas sem asfalto, casebres em ruínas, pessoas que estampam no rosto a pobreza a que estão condenadas.
Nossos municípios não têm plano diretor, planejamento urbano, controle sobre a especulação imobiliária. Matas ciliares são invadidas, rios e lagoas contaminados, morros desmatados, áreas de preservação ambiental ocupadas. E ainda há quem insista em flexibilizar o Código Florestal!
Darwin ensinou que, na natureza, sobrevivem os mais aptos. E o sistema capitalista criou estruturas para promover a seleção social, de modo que os miseráveis encontrem a morte o quanto antes.
Nas guerras são os pobres e os filhos dos pobres os destacados para as frentes de combate. Ingressar nos EUA e obter documentos legais para ali viver é uma epopeia que exige truques e riscos. Mas qualquer jovem latino-americano disposto a alistar-se em suas Forças Armadas encontrará as portas escancaradas.
Os pobres não sofrem morte súbita (aliás, na Bélgica se fabrica uma cerveja com este nome, Mort Subite). A seleção social não se dá com a rapidez com que as câmaras de gás de Hitler matavam judeus, comunistas, ciganos e homossexuais. É mais atroz, mais lenta, como uma tortura que se prolonga dia a dia, através da falta de dinheiro, de emprego, de escola, de atendimento médico etc.
Expulsos do campo pelo gado que invade até a Amazônia, pelos canaviais colhidos por trabalho semiescravo, pelo cultivo da soja ou pelas imensas extensões de terras ociosas à espera de maior valorização, famílias brasileiras tomam o rumo da cidade na esperança de uma vida melhor.
Não há quem as receba, quem procure orientá-las, quem tome ciência das suas condições de saúde, aptidão profissional e escolaridade das crianças. Recebida por um parente ou amigo, a família se instala como pode: ocupa o morro, ergue um barraco na periferia, amplia a favela.
E tudo é muito difícil para ela: alistar-se no Bolsa Família, conseguir escola para os filhos, merecer atendimento de saúde. Premida pela sobrevivência, busca a economia informal, uma ocupação qualquer e, por vezes, a contravenção, a criminalidade, o tráfico de drogas.
É esse darwinismo social, que tanto favorece a acumulação de muita riqueza em poucas mãos (65% da riqueza do Brasil estão em mãos de apenas 20% da população), que faz dos pobres vítimas do descaso do governo, da falta de planejamento e do rigor da lei sobre aqueles que, ansiosos por multiplicar seu capital, ignoram os marcos regulatórios e anabolizam a especulação imobiliária. E ainda querem flexibilizar o Código Florestal, repito.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

AS VERDADES DE UM TEÓLOGO CORAJOSO

“Creio em Deus, mas não na Igreja”,
afirma Hans Küng

“Fui e sou um membro fiel da Igreja. Creio em Deus e em seu Cristo, mas não creio na Igreja. Recuso toda equiparação da Igreja com Deus, todo soberbo triunfalismo e todo confessionalismo egoísta”. Com esta contundência se expressa o teólogo Hans Küng próximo de completar 83 anos (o fará em março próximo). Na semana passada, a Universidade Nacional de Educação a Distância (UNED) celebrou a festividade de Tomás de Aquino entregando-lhe o título de doutor honoris causa. Era uma dívida que a universidade espanhola tinha com um dos pensadores cristãos mais relevantes do último século.
Para ler a reportagem completa de Juan G. Bedoya, sobre o teólogo alemão, publicada pelo jornal El País, de 28-01-2011, com tradução do Cepat, clique aqui.
(Fonte: site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

SAMUEL RUIZ, O PENÚLTIMO PROFETA

Partiu o penúltimo profeta da opção preferencial pelos pobres.
Partiu uma figura eclesial e universal da solidariedade. Partiu um bispo entregue, um sacerdote que deu tudo por seu povo, um teólogo da práxis da libertação e um ícone dessa Igreja samaritana que atrai as pessoas e seduz seus corações a seguir o Cristo
, escreveu José Manuel Vidal, em artigo publicado no sítio espanhol Religión Digital, 25-01-2011. A tradução é do Cepat.
"Partiu Samuel Ruiz, o bispo dos índios, não em vão chamado de “Tatic”, o padre dos indígenas. E partiu com o carinho dos mais pobres, o respeito de todo o México e o apreço generalizado da Igreja universal. E com alguma crítica daqueles que não suportam os profetas. Porque suas vidas e suas figuras os magoam, os confrontam com o Evangelho e os deixam em evidência. Partiu o penúltimo profeta da opção preferencial pelos pobres. Partiu uma figura eclesial e universal da solidariedade. Partiu um bispo entregue, um sacerdote que deu tudo por seu povo, um teólogo da práxis da libertação e um ícone dessa Igreja samaritana que atrai as pessoas e seduz seus corações a seguir o Cristo.
Partiu o penúltimo profeta. Porque ainda restam alguns, como Casaldáliga. A verdade é que há poucos profetas. Cada vez menos. Teríamos que nos perguntar pelo por quê. A Igreja caminha com duas pernas: a do anúncio e a da denúncia. Sem denúncia fica manca. E cada vez está mais manca. Nossos profetas envelheceram. E não têm importância. Claro sinal de que a instituição se escorou excessivamente no anúncio, descuidando da denúncia. E, portanto, perdeu coragem evangélica.
Mas nos resta a sua memória. A dos profetas que se vão, mas permanecem em nossa lembrança e em nosso coração. Como faróis luminosos. Como guias valentes. Como sinais vivos de que outra Igreja é possível.
Mesmo que custe aos maus “anunciadores” admiti-lo, Romero, Helder Câmara, Ellacuría e tantos outros seguem vivos. Mais do que nunca. Por mais que o lamentem. Olhem, por exemplo, a reação do porta-voz do episcopado mexicano diante da morte de uma das glórias de sua Igreja:
Após o falecimento do bispo Samuel Ruiz García, a Conferência do Episcopado Mexicano lamentou a notícia e o recordou como um pastor polêmico mesmo que querido pelos fiéis de Chiapas. Em entrevista para Formato 21, o subdiretor de Rádio e Televisão da Arquidiocese, José de Jesús Aguilar, mencionou que Ruiz foi uma figura polêmica, trabalhou constantemente a favor da pobreza, a favor das pessoas de Chiapas.
Recordou que se deixou levar no princípio pela Teologia da Libertação dado que não parte da reflexão teológica, mas que se fundamenta nas necessidades do povo ao ver tanta marginalização em Chiapas, por mais que este modelo tenha se adequado a todos os ensinamentos do magistério da Igreja.
Reconheceu que Samuel Ruiz também foi um sacerdote admirado por pessoas que não pertencem à Igreja católica, precisamente por este risco de viver a fé católica de outra maneira.
Sem comentários.
Tive a sorte de ter entrevistado, em sua época dourada, o Samuel Ruiz. E, nas distanias curtas, era ainda mais adorável. E tão simples e humilde que passava a entrevista pedindo desculpas por seu acento ou por alongar-se muito em alguma resposta. Sempre o lembrarei com aquele halo de profeta que contagiava a Deus e a sua justiça. Desde a glória, roga por nós, bispo Samuel."
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

PAUSA PRA MEDITAÇÃO

Veredas crucis

Eugênio Magno

a minha caminhada não pode ser

reiniciada enquanto não encontrar

os calçados adequados

os antigos ficaram despedaçados

e os meus pés estão em chagas
(do livro "Minas em mim", 2005)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

CELEBRAÇÃO DA EPIFANIA DO SENHOR

Milhares de russos celebraram, na quarta-feira, dia 19 de janeiro, a Epifania ortodoxa. Em Velikoye, buracos foram abertos no gelo para que os fiéis pudessem se banhar, sob os vigilância cuidadosa de médicos.

(Foto: Sergei Karpukhin / Reuters)

domingo, 16 de janeiro de 2011

A INICIATIVA PRIVADA VAI RECONSTRUIR LOCALIDADES DEVASTADAS POR FENÔMENOS NATURAIS?

A era da incerteza climática é incompatível com o Estado mínimo

"Alertas sobre 'eventos climáticos extremos que tendem a se repetir com assiduidade desesperadora' por conta do aquecimento global e da desordem ambiental ganharam peso e medida à porta de nossa casa. Não são mais alertas, mas fatos incontroláveis: enxurradas que carregam casas inteiras; lama que sepulta centenas de vidas; enchentes avassaladoras. Morte, consternação, abandono. É intolerável que a mídia demotucana imponha sua visão reducionista do problema, como se fora mera questão 'administrativa', para encobrir grandes escolhas históricas que estão em jogo. O fato é que ingressamos num período de turbulência climática pior que a turbulencia economica gerada pela supremacia das finanças desreguladas nas últimas décadas. Na esfera econômica, as promessas neoliberais de um futuro reluzente desembocaram na pior crise mundial do capitalismo desde 1929. A ensandecida lógica que a gerou preconiza na 'cura' uma poção adicional do veneno: mais cortes de gastos e arrocho social para aliviar os fundos públicos e destinar recursos ao pagamento de juros aos rentistas. Há vínculos incontornáveis entre a mazorca finaceira que asfixia povos e nações e a desordem climática que mata 540 pessoas em apenas uma noite de chuva bruta; ou entre os editoriais elegantes que pedem 'ajuste fiscal' e o desconcertante vácuo de governo que faz uma empresa como a Sabesp, em SP, abrir as comportas de uma represa sem alertar e remover populações residentes no caminho das águas, como aconteceu em Franco da Rocha (SP). Diante da entropia financeira e da era de incerteza climática extrema, a sobrevivência da sociedade depende crucialmente de políticas públicas corajosas e inovadoras, só viáveis no escopo de um Estado forte e democrático, diretamente aberto à participação da sociedade para que possa atender ao conjunto dos interesses d e uma cidadania cada vez mais espremida em encostas de risco financeiro, social e ambiental. A agenda do Estado mínimo e dos eternos cortes de gastos, seguidos de mitigações ordinárias após as tragédias, não representa mais apenas o biombo da ganancia endinheirada. Representa um aboio sombrio dos que insistem em tanger a sociedade e o futuro humano como gado rumo ao matadouro."
(Fonte: Carta Maior; Domingo, 16/01/2011. Para doações às cidades devastadas Defesa Civil do RJ, CEF -conta 2011-0, agência 0199, operação 006)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

UM ANO DO TERREMOTO NO HAITI, UM DIA DA TRAGÉDIA NO RIO

As autoridades federais e do Estado do Rio de Janeiro precisam tomar providências urgentes para que, além das perdas humanas e materiais, a tragédia provocada pelas chuvas não gere consequências tão desastrosas quanto as enfrentadas pela população do Haiti.
Mulher leva flores no cemitério de Titanyen, na periferia de Porto Príncipe, no dia 12 de janeiro, um ano após o terremoto que arrasou o Haiti.
(Foto: Jorge Silva / Reuters)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

PATRUS ANANIAS SE RECOLHE

Patrus reassume cargo técnico na Assembleia
e evita comentar candidatura à PBH

Um dos expoentes do PT em Minas Gerais trilhou caminho exatamente inverso ao geralmente observado entre integrantes de partidos vencedores das eleições presidenciais. Em vez de esperar por cargos, o ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Patrus Ananias, indicado vice-governador na chapa encabeçada pelo senador Hélio Costa (PMDB) na disputa pelo Palácio da Liberdade em outubro, preferiu reassumir o cargo que obteve por concurso na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, e desde 1º de dezembro cumpre jornada de trabalho de oito horas como técnico de pesquisa na Casa.
Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.

A "BANHISTA" DE CESCHIATTI

O olhar fotográfico de Diogo Ramos Martins
sobre a obra de Alfredo Ceschiatti

A escultura é de autoria de um homem que marcou a arte brasileira e o desenvolvimento do projeto arquitetônico de Brasília, em parceria com Oscar Niemeyer: Alfredo Ceschiatti e a sua "Banhista". Obra em bronze, de 1967.
(Foto: Diogo Ramos Martins)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

MAL-ESTAR NA CÚPULA DO GOVERNO

Dilma chama ministro para explicar
fala sobre ditadura

As manifestações do novo chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência, general José Elito Siqueira, criaram mal-estar ontem, no Palácio do Planalto, segundo a Folha apurou. A presidente Dilma Rousseff chamou Elito em seu gabinete na noite de ontem para pedir explicações.
A reportagem de Simone Iglesias e Breno Costa foi publicada pelo jornal Folha de S. Paulo de 05-01-2011.
"No dia de sua posse, Elito Siqueira se posicionou contra a criação da Comissão da Verdade e disse que os desaparecidos políticos são um fato histórico do qual nós não temos que nos envergonhar ou vangloriar.
Segundo o projeto enviado pelo governo, a Comissão da Verdade terá a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos durante a ditadura.
Durante o dia, a presidente fez chegar ao general sua insatisfação com as declarações, já que o governo Lula enviou no ano passado projeto de lei ao Congresso Nacional em apoio ao órgão.
A Folha apurou que Elito disse a Dilma que foi mal compreendido pelos jornalistas durante a entrevista e que as reportagens não retrataram o que ele disse.
Dilma não gostou da manifestação do general que é claramente contrária à posição de seu governo e do antecessor. Dilma era ministra da Casa Civil quando o projeto de lei da Comissão da Verdade foi formatado.
O vice-presidente Michel Temer minimizou os comentários de Elito. Questionado se não era contraditório a presidente, torturada durante a ditadura, ter como subordinado próximo um general contrário a investigações sobre episódios de tortura no regime militar, Temer disse que a pergunta deveria ser feita à própria presidente.
Acho que é a opinião dele, né? Não vou me manifestar a respeito da opinião dele, disse o vice de Dilma.
O ministro Nelson Jobim (Defesa), sem se referir especificamente ao general, limitou-se a dizer que a posição do governo é pela criação da Comissão da Verdade, nos termos do projeto de lei enviado pelo Executivo ao Congresso em maio passado.
A nova ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, afirmou, via assessoria, que seu posicionamento sobre o assunto é público e foi exposto em seu discurso de posse, anteontem."
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

sábado, 1 de janeiro de 2011

DILMA É EMPOSSADA PRESIDENTA DO BRASIL


Em seu de discurso de posse, Dilma voltou a reiterar o compromisso do seu governo com a proteção aos mais fragilizados e o combate à miséria. Três outros pontos que merecerão atenção especial da nossa presidenta são: educação, saúde e segurança.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL!

Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador
Evangelho segundo S. Lucas 2,1-14.
Por aqueles dias, saiu um édito da parte de César Augusto para ser recenseada toda a terra. Este recenseamento foi o primeiro que se fez, sendo Quirino governador da Síria. Todos iam recensear-se, cada qual à sua própria cidade. Também José, deixando a cidade de Nazaré, na Galileia, subiu até à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e linhagem de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que se encontrava grávida. E, quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria. Na mesma região encontravam-se uns pastores que pernoitavam nos campos, guardando os seus rebanhos durante a noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor refulgiu em volta deles; e tiveram muito medo. O anjo disse-lhes: Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura. De repente, juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado.
(Da Bíblia Sagrada)

Comentário ao Evangelho do dia feito por São Gregório de Nissa (c. 335-395), monge e bispo
Sermão sobre o Natal, passim; PG 46, 1128 (a partir da trad. coll. Icthus, vol. 8, pp. 163ss.):

"Irmãos, informados do milagre, vamos como Moisés ver esta coisa extraordinária (Ex 3, 3): em Maria, o arbusto em chamas não se consome. A Virgem dá ao mundo a Luz mantendo a sua virgindade. [...] Corramos pois a Belém, a cidade da Boa Nova! Se formos verdadeiramente pastores, se permanecermos despertos em guarda, ouviremos a voz dos anjos que anunciam uma grande alegria: [...] «Glória a Deus nas alturas, porque a paz desceu à terra!» Aonde ontem apenas havia maldição, teatros de guerra e exílio, a terra recebe a paz, porque hoje «da terra brotará a lealdade, desde o céu há-de olhar a justiça» (Sl 84, 12). Eis o fruto que a terra dá aos homens, em recompensa pela boa vontade que reina entre eles (Lc 2, 14). Deus une-Se ao homem para elevar o homem às alturas de Deus.
Ao ouvirmos esta novidade, irmãos, partamos para Belém, a fim de contemplarmos [...] o mistério do presépio: uma criança envolta em panos repousa numa manjedoura. Virgem após o parto, a Mãe incorruptível abraça o Filho. Com os pastores, repitamos a palavra do profeta: «Como nos contaram, assim nós vimos na cidade do Senhor dos exércitos» (Sl 47, 9).
Mas por que procura o Senhor refúgio nesta gruta de Belém? Por que dorme numa manjedoura? Por que Se sujeita ao recenseamento de Israel? Irmãos, Aquele que traz a libertação ao mundo vem nascer na nossa submissão à morte. Ele nasce nesta gruta para Se mostrar aos homens, mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Está deitado numa manjedoura porque é Aquele que faz crescer a erva para o gado (Sl 103, 14), porque é o Pão da Vida que alimenta o homem com um alimento espiritual, para que também ele viva pelo Espírito. [...] Haverá festa mais feliz que a de hoje? Cristo, o Sol da Justiça (Mal 3, 20), vem iluminar a nossa noite. Aquele que tinha caído torna a levantar-se, aquele que fora vencido é libertado [...], aquele que tinha morrido regressa à vida. [...] Hoje, cantemos todos a uma só voz em toda a terra: «Por um homem, Adão, veio a morte; por este Homem, vem-nos hoje a salvação» (cf Rom 5, 17)."

domingo, 19 de dezembro de 2010

MORRE, AOS 91 ANOS, A EREMITA ADRIANA ZARRI

''A prece não serve para nada. Assim, como
não serve para nada o amor'', afirma eremita

No dia 20 de novembro, morreu, aos 91 anos, Adriana Zarri, eremita e teóloga. Sua voz era com freqüência fortemente crítica na Igreja católica, mas sua fé era indubitável, tanto que até mesmo Avvenire, jornal católico da Itália, não falhou em recordá-la.
Um blog dedicado aos novos eremitas contém uma sua entrevista a Rodolfo Signifredi, da qual reproduzo uma parte, abaixo.

Por que os eremitas se isolam?
O interesse do eremita é solidão, não isolamento. E o silêncio contemplativo é denso de palavras e de presença. O eremita é um homem entre os homens e a solidão permite um emergir todo particular do mal do mundo que, em perspectiva, pode ser analisado com maior lucidez e combatido com uma contestação interior. A prece é a contestação mais profunda deste mundo utilitário enquanto coloca em crise o modelo antropocultural que o exprime.

Mas, permanecendo apartados tão longamente não se acaba sendo ursos ou misantropos?
Em cada um de nós existe uma validez monástica. O eremita é quem faz emergir esta validez sobre os outros componentes. Um ermitão não é uma concha de lesma na qual o indivíduo se encerra, mas é tão somente a escolha de viver a fraternidade em solidão. O isolamento é um cortar-se fora, a solidão é um viver dentro. O isolamento é uma solidão vazia, a solidão, ao invés, é plena cordial, cálida, percorrida por vozes e animada por presenças. Esta solidão é a forma eremítica do encontro. E o calor humano se reaviva continuamente.

Para que serve rezar tão intensamente?
A quem pede “para que serve” a prece, é preciso dizer escandalosamente que não serve para nada, como não serve para nada o amor, a arte, a beleza. Na acepção consumista a prece não serve; é um belo ramalhete de flores que colocamos sobre a mesa. Poderemos deixar de fazê-lo, se come da mesma forma. Porém não se almoça, não se janta. Nem mesmo sorrir serve. A boca se abre utilmente para comer e para comandar; o sorriso é um extra. Como certas pessoas se tornam eremitas? È uma escolha radical, como aquela dos autênticos ‘clochard’ [vagabundos] de outrora. Mas, diversamente de todas as formas associas, a do eremita é uma forma totalmente empenhada. Um retiro, uma retirada de tudo para encontrar-se a si mesmos e para ser ainda mais de ajuda a esta humanidade. O eremita nós o encontramos em todas as religiões, encontramo-lo no santão indiano que está nas grutas do Himalaia ou no monge ermitão do Monte Athos. No nosso Ocidente o movimento eremítico começa ainda antes de Constantino com a fuga para o deserto ou sobre as montanhas de solitários em luta com leões e serpentes, e também com diabos tentadores. Mas, quando a fama dos seus jejuns, das preces incessantes, do silêncio ininterrupto atrai discípulos e inquietudes existenciais, a vida eremítica se interrompe para transformar-se em comunidade. A ermida se torna convento. Tem sido assim também para o eremita Bento de Núrsia, constrangido por sua própria fama de santidade a improvisar-se como mestre de noviços, e a passar de uma solidão sem hierarquias ao ora et labora de um claustro. (Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

NOTAS DA CATALUNHA

Os textos abaixo são do meu amigo, Paulo Roberto Barbosa, cartunista, mestre e doutorando em cinema, pela Escola de Belas Artes, UFMG, que está residindo temporariamente na Espanha.

Espanha profunda
"Não me perguntem o que é Espanha Profunda. Trata-se mais de um sentimento do que de um conceito facilmente formulável. Este sentimento surge de vez em quando e quando menos se espera. No metrô, por exemplo. Outro dia, no caminho para a Plaza Catalunha, pintou uma senhora cega cantando uma mistura de flamenco com cantochão árabe. Ela dizia repetidamente “no tengo dinero, no tengo casa, por favor, señor, por favor señora, gracias, señor, gracias, señora, no tengo para comer, etc…” Era um canto horrível, mas tão triste e sentido que muita gente se dispôs a dar-lhe uns vinténs. E alguns ainda olharam em volta para os que não deram esmola, com cara de reprovação. Este súbito vislumbre do que seria a Espanha sem as tintas da modernidade high-tech aplicada a este país há coisa de vinte anos, em face da sua incorporação à Comunidade Européia, está nas ruas, todos os dias. Nos velhinhos de boné e bengala dando comida aos pombos, no mendigo filósofo com suas conversas de alto nível com os transeuntes que têm a paciência de ouvi-lo, nos vendedores de castanhas torradas e batatas doces em ruas de circulação burguesa, na voz rouca e pré-cancerosa das mulheres neuróticas e tabagistas inveteradas, no jamón que os homens cortam com prazer sensual nos restaurantes, nos garçons parecidos com toureiros prestes a gritar Venga!, no sujeito imensamente gordo que passa o dia bebendo uísque e cerveja serenamente, apenas trocando de bar, e até nas crianças, que falam em nota e timbre diferentes, como seres de outro mundo. É nos restaurantes, porém, onde esta Espanha Profunda surge com maior frequência. Ouvi de soslaio um sujeito no balcão contar, orgulhoso, como seu irmão devorava uma paella inteira, sozinho. Um outro camarada contou piada infame, inventada na hora, a uma senhora à espera do café. Disse algo como: “sabe qual é a frase filosófica da batata? La salsa me pone a bailar…”

In vino veritas

"A Catalunha tem misteriosas tradições, como o curioso “caganer” (foto), de origem medieval. Próximo do Natal, os catalães costumam colocar, nos presépios, um boneco de barrete vermelho e calças arriadas, entre a Virgem Maria e o Menino Jesus. É para dar sorte, segundo dizem. O que um sujeito de barrete exercendo suas funções vitais num presépio de Natal tem a ver com sorte, nem Deus saberia explicar. Em rápida visita à simpática cidade de Stiges, fui parar numa certa Granja (leiteria, em castelhano) Candelária, onde pude conhecer um lado menos escatológico, e não menos interessante, das tradições etílico-culinárias catalãs. O bar era especializado em vinhos e comidas típicas (isto é, comidas rápidas de se fazer, com todas as facilidades da cozinha moderna). Na parede externa desta “granja” – onde se vendia de tudo, menos leite –, o dono teve o cuidado de instalar uma série de azulejos coloridos, com ótimos desenhos populares, acompanhados de frases jocosas, à maneira de antigos provérbios. Comprei lápis e papel e anotei alguns desses rifões, de saborosíssima leitura para os aficionados do vinho e do bom prato, conforme se confere a seguir.
Dice el señor Codina, más vale beber mal vino que buena medicina.
Vino de viñas viejas, que bien te tomo, que mal me dejas!

El buen mosto sale al rostro.
Quien bien come y bien bebe solo de viejo se muere.
El vino para los reyes, el agua para los bueyes.
La mujer y el vino sacan al hombre el tino.
El dueño del mundo es el bebedor, porque bebe vino que es lo mejor.
Quien bien come y bien bebe bien hace lo que debe.
Dijo el sabio Salomon que el buen vino alegra el corazón.
Vayan entrando, vayan bebiendo, vayan pagando y vayan saliendo!"

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

REFLEXÕES DE THOMAS MERTON

Não pode haver contemplação
onde não houver segredo

"Que haja algum lugar onde se possa respirar tranqüila e naturalmente, sem ter de arquejar continuamente. Um lugar onde nossa mente possa estar em repouso, esquecer as preocupações, mergulhar no silêncio e adorar o Pai em segredo."
(Fonte: Novas Sementes de Contemplação, Thomas Merton, Rio de Janeiro: Fissus, 2001. p. 85)

10 de dezembro de 2010 (10.12.1968): 42º aniversário de falecimento de Thomas Merton.

domingo, 5 de dezembro de 2010

MAIS UM MINISTRO INDICADO POR DILMA

Ninguém engana a Dilma nem põe faca no pescoço dela
"Testemunha privilegiada dos bastidores do Palácio do Planalto, o ex-seminarista Gilberto Carvalho sempre atuou longe dos holofotes, como chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há quatro dias, Dilma Rousseff deu-lhe uma ordem sem direito a réplica: Gilbertinho, passe um Gumex no cabelo e ponha um terno bem bonitinho porque vou anunciá-lo na sexta-feira como ministro da Secretaria-Geral da Presidência.
As horas se passavam e nada de anúncio. Até que, muito tempo depois de ter lido um salmo do Evangelho de Cada Dia - prática adotada desde 2003, antes de iniciar o expediente -, Carvalho telefonou para a presidente eleita. Você me deve um vidro de Gumex, cobrou ele, rindo. Foi quando Dilma leu para o futuro ministro a nota, que acabara de ser redigida, oficializando sua indicação. Eu tardo, mas não falho, disse ela.
Na noite de sexta, Carvalho recebeu o Estado em seu gabinete no Planalto, decorado com fotos de seus cinco filhos - dos quais duas meninas adotivas - e imagens de São Francisco e do Espírito Santo. O homem que será ouvidor dos movimentos sociais ficou com os olhos marejados ao falar do apoio dado a ele por Lula quando teve de depor na CPI dos Bingos, em 2005, e garantiu que Dilma não será refém de partidos.
Diante das cotoveladas entre o PT, o PMDB e outros aliados por cargos no primeiro escalão, Carvalho pediu que todos mantenham a calma. Ninguém engana a Dilma nem deve achar que na base do grito vai levar alguma coisa, avisou. A pior coisa que tem é botar a faca no pescoço dela." A entrevista com o novo, futuro ministro foi realizada pela jornalista Vera Rosa e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 05-12-2010.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A TEIMOSIA DA ESPERANÇA


Outras terras à vista


Eugênio Magno


Com este belo e sugestivo título, Aracy Alves Martins, Inês Assunção de Castro Teixeira, Mônica Castagna Molina e Rafael Letvin Villas Bôas, organizaram mais uma publicação da coleção Caminhos da Educação do Campo, da Editora Autêntica.
O livro, no dizer de seus organizadores se articula, partindo, em princípio, de olhares cuja experiência é incontestável, em primeiro lugar, sobre Educação e sobre o Campo e seus sujeitos; em segundo lugar, sobre Cinema e Educação. São olhares diferenciados, tangenciando várias dimensões: históricas, políticas, ecológicas, poético-literárias, educacionais; tendo sempre como foco os sujeitos do campo, seus textos e contextos trazidos da terra às telas.
Vidas Secas, Deus e o diabo na terra do sol, Narradores de Javé, Cabra marcado para morrer e Nas terras do bem-virá, estão entre os dez filmes analisados em Outras terras à vista. Além de textos dos organizadores, o livro tem prefácio e posfácio dos professores eméritos da FAE / UFMG, Carlos Roberto Jamil Cury e Miguel González Arroyo, respectivamente. E, conta com a participação dos pesquisadores Ana Lúcia Azevedo e Ataídes Braga, entre outros; inclusive, do autor deste artigo.
Para mim, foi uma grande honra participar dessa publicação, não só pela importância de sua destinação, como pela satisfação em poder afirmar A teimosia da esperança: “Nas terras do bem-virá”, juntamente com os autores e personagens do filme que analisei. No capítulo 11, o último do livro, eu acompanho Alexandre Rampazzo, Tatiana Polastri e Fernando Dourado que, contando apenas com uma pequena ajuda de custo para cobrir os gastos com transporte, alimentação e manutenção da base de produção, empreenderam uma jornada de 26 meses entre pesquisa, produção e finalização do documentário.
Nas terras do bem-virá aborda o modelo de colonização da Amazônia, o massacre de Eldorado do Carajás, o assassinato da missionária Dorothy Stang e o ciclo do trabalho escravo. Histórias de um povo que cansou de migrar em busca da sobrevivência e decidiu lutar para conseguir um pedaço de terra, deixar de ser escravo e manter viva a última grande floresta tropical do planeta. Com uma equipe super-reduzida e uma câmera digital portátil, o diretor, a produtora e o cinegrafista, entrevistaram cerca de 200 pessoas em 29 cidades dos estados do Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins.
O filme é um ato de amor de um povo que não perdeu a esperança e sonha com a terra prometida, além de ser mais um ato de fé de seus obstinados realizadores (o premiado documentário Ato de fé, 2004, também foi realizado por eles).
O livro, Outras terras à vista: cinema e educação do campo, Belo Horizonte: Autêntica, 2010, está sendo lançado em vários eventos da área de educação. Ele tem despertado a atenção não só dos educadores do campo, como também de interessados pela questão da terra e pelo cinema.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

FESTIVAL DE CURTAS COMEÇA AMANHÃ

Entre 30 de novembro e 07 de dezembro a capital mineira recebe um dos mais importantes eventos na área das artes visuais no Brasil: o 12º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte. O Cine Humberto Mauro e a Sala Juvenal Dias, no Palácio das Artes, e o espaço Cento e Quatro serão palco de diversas atividades, como cursos, mostras especiais e competitivas, além de eventos paralelos, que formam a programação do Festival.
As exibições do festival têm entrada gratuita e os ingressos são distribuídos 15 minutos antes das sessões, nas bilheterias de cada local.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O DRAMA DO HAITI

Haitiano transporta um homem, atingido pela cólera, para um centro médico em Porto Príncipe. Falta pouco menos de uma semana para as eleições legislativas e presidencial e o clima é extremamente tenso num país que foi acometido por esta doença depois dela ter sido erradicada a mais de um século.


(Foto: Eduardo Munoz/Reuters)

domingo, 21 de novembro de 2010

TRÂNSITO CAÓTICO

Engarrafado
Eugênio Magno
Apertado no trânsito
obrou ali mesmo
em fluxo lento
Atendeu ao apito do guarda
pedindo para evacuar
(do livro INGÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

UM POUCO DO INHOTIM


O jardim de Yaoi Kusama

A obra de Edgard de Souza

A Galeira Miguel Rio Branco


A obra de Hélio Oiticia

Uma obra da natureza, um pássaro, cuja espécie desconheço, que posou pra mim.

sábado, 13 de novembro de 2010

Religião e Política

O filósofo Rodrigo Marcos de Jesus, acaba de lançar o livro, Cristianismo Libertador: religião e política em Leonardo Boff. A publickação faz parte da coleção FAJE, da Editora Loyola.
Cristianismo Libertador analisa a religião como articulação entre fé e política na obra de Leonardo Boff. Dois enfoques orientam o estudo: a questão filosófica da imagem de Deus e a função da Igreja no contexto latino-americano, especialmente brasileiro, dos anos 1970-80.
Um questionamento é feito no decorrer de todo o texto: afinal, a religião é ópio ou libertação do povo? A obra está dividida em três capítulos. No primeiro, é apresentado o contexto histórico-cultural e o contexto filosófico brasileiro da consciência de libertação. Álvaro Vieira Pinto, Henrique Lima Vaz e Paulo Freire aparecem como filósofos-chave para a constituição da ideia-força de libertação. No segundo capítulo é debatida a concepção filosófico-teológica de Deus em Leonardo Boff, extraindo-se suas consequências críticas. O último capítulo discute as implicações ético-políticas da concepção de Deus no cristianismo libertador e o papel que caberia à Igreja no contexto de opressão da sociedade latino-americana e brasileira. O livro conta ainda com um glossário dos principais conceitos utilizados e uma entrevista inédita com Leonardo Boff.
Cristianismo Libertador: religião e política em Leonardo Boff aborda temas de filosofia da religião, de filosofia brasileira e de pensamento político-social.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

CRISTO NA POLÔNIA

Na terça-feira, dia 09-11-2010, a maior estátua no mundo de Jesus Cristo foi concluída na Polônia. Os trabalhadores terminaram-na colocando a cabeça. Com 52 metros de altura, ela é maior que a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

(Foto: Janek Skarzynski / AFP)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O JORNALISMO ESTÁ EM CRISE


Para Ramonet, jornalismo enfrenta uma grave crise de identidade


"Ao receber o prêmio Antonio Asensio, jornalista criticou aqueles que fazem entretenimento domesticado, ao invés de jornalismo. A imprensa escrita vive um dos momentos mais difíceis, e o jornalismo atravessa uma grave crise de identidade. O importante se dilui no trivial e o sensacionalismo substitui a explicação. Para ele, ainda há muitas injustiças no mundo que justificam um concepção do jornalismo a favor de mais liberdade e democracia."

Leia o texto na íntegra clicando aqui.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

DILMA, A PRIMEIRA MULHER PRESIDENTE DO BRASIL

"Presidente se tornou o primeiro na história do país a fazer seu sucessor em uma eleição realmente livre", escreve Vladimir Safatle, professor do departamento de filosofia da USP, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 01-11-2010.

Lula venceu

Vladimir Safatle

"Alguns fatos devem ser analisados em sua enunciação bruta, sem mas, entretanto, mesmo assim ou condicionantes do gênero.
O resultado destas eleições é um destes casos. Lula venceu. Como se não bastasse, transformou-se no primeiro presidente da história brasileira a conseguir fazer seu sucessor em uma eleição realmente livre.
O nível de acirramento social, infelizmente, dificulta reflexões isentas sobre o que foi a era Lula, quais seus maiores legados e desafios. Esta é uma tarefa para a qual será necessário tempo.
Por enquanto, fica óbvio que ao menos duas características fundamentais do governo Lula foram decisivas para seu sucesso eleitoral.
Primeiro, Lula compreendeu claramente que programas de assistência social não são apenas programas de assistência social. Vinculado ao aumento efetivo dos salários, eles têm função decisiva na dinamização econômica de realidades sociais pauperizadas. Tal processo baseado na transferência direta de renda é, de fato, a maneira mais rápida e eficaz de provocar recuo da miséria e da pobreza, além de garantir bases para o desenvolvimento de economias locais. Por outro lado, ele permitiu a Lula ser uma espécie de Mata Hari do capitalismo global, modificando a situação de pauperização social sem colocar em risco os ganhos do sistema financeiro.
Segundo, Lula conseguiu, de uma certa forma, transplantar os conflitos sociais para dentro do Estado. O conflito entre o agronegócio e a reforma agrária virou um embate entre o Ministério da Agricultura e o Ministério da Reforma Agrária. O conflito entre os grupos de defesa dos direitos humanos e as viúvas da ditadura militar, um embate entre o Ministério da Defesa e a Secretaria dos Direitos Humanos; entre desenvolvimentistas e monetaristas, um embate entre Ministério da Fazenda e Banco Central.
O máximo desta lógica de transposição de conflitos ocorreu quando George W. Bush veio ao Brasil. Enquanto fazia um discurso, ao lado de Lula, saudando-o como grande amigo dos EUA, manifestações contra sua presença ocorriam no Brasil... organizadas pelo PT.
Desta forma, havia um reconhecimento das demandas de setores classicamente associados à esquerda, mesmo que esse reconhecimento fosse, em vários casos, muito mais simbólico do que realmente efetivo.
Essa forma de acolhimento conseguiu, no entanto, esvaziar qualquer oposição à esquerda do governo. Basta lembrar do resultado minúsculo de um partido como o PSOL no primeiro turno.
Assim, quando José Serra encampou de vez a agenda conservadora, toda ela centrada em: segurança, defesa dos valores e crenças nacionais, defesa da vida, denúncias contra a república sindicalista, contra o terrorismo (das Farcs) etc., ficou fácil para o governo recompor a base de mobilização do antigo PT nas classes médias, acrescida agora do desenvolvimento do lulismo nas classes mais pobres.
Restou, ao menos a essa oposição, ser porta voz de uma agenda conservadora mundialmente presente e que demonstrou ter forte apelo eleitoral. Uma reconfiguração de discursos se anuncia."


(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)