sábado, 10 de outubro de 2020
COVID-19 E MORTE CONTINUAM IMPLACÁVEIS
terça-feira, 6 de outubro de 2020
ECONOMISTAS COMPLICAM A ECONOMIA PARA QUE NÓS NÃO A ENTENDAMOS
A live "Lançamento da 6ª Semana Social Brasileira", promovido pelo Movimento Igreja em Saída, do Regional Nordeste 1 (Ceará) e da Escola Regional de Fé e Política Dom Helder Câmara ainda está disponível no YouTube e pode ser acessada em: https://www.youtube.com/watch?v=btQyQvIf9Ek.
quinta-feira, 1 de outubro de 2020
NÃO SOMOS TODOS IGUAIS
Como o povo
oprimido,
Paulo Freire é alvo e escudo a um só tempo
Eugênio
Magno
Paulo Freire é gigante. Sua robustez é de causar inveja à maioria dos mortais. Entretanto, de intelectual respeitado e homenageado em todo o mundo, se tornou nos últimos anos – em seu país natal – alvo de críticas e rechaços por parte dos atuais ocupantes do poder central. E daí está migrando ou, simultaneamente, ocupando também a posição de escudo.
Se variar entre a condição de alvo e escudo já é ruim, pior
é estar na mira de ataques e, ao mesmo tempo, ser usado como anteparo de
disparos contra quem nunca o prestigiou a altura do seu merecimento. O patrono
da educação brasileira merece lugar melhor na história. É de bom tom que ele não
seja usado indevidamente por quem se quer o conhece bem ou já o reconheceu um
dia, nessa guerra encarniçada em que, para além da disputa política
majoritária, se juntam vários outros interesses, como os da proteção de
pequenos feudos na esfera pública. É assombroso darmos conta de como o corporativismo
pode usar do oportunismo de forma tão cruel e sub-reptícia a ponto de lançar
mão grande sobre a memória de um pensador que sempre esteve ao lado dos oprimidos,
contra o establishment, praticando
uma educação popular e libertadora. Freire não
configurou uma pedagogia para os oprimidos, oportunizando empoderamentos que
promovessem distinções entre pares de uma mesma comunidade, nem usou inclusão como retórica. Ele articulou várias
pedagogias, como as do oprimido, da esperança, etc., tendo como centralidade a
educação como prática da liberdade, pedagogias contra-hegemônicas forjadas nas
lutas dos/com os pobres e oprimidos.
Mas o pobre, no Brasil,
para as elites, quando não é alvo, é bucha de canhão. E, ultimamente, o pobre,
assim como Freire estão sendo usados como escudos e barreiras, por alguns
segmentos da classe média, que espertamente negam sua condição social (de forma
camaleônica), enquanto escondem patrimônios e recheadas contas bancárias com
disfarces de um linguajar popular e trajes casuais, sem etiquetas à mostra.
Essas aberrações estão em vários escalões, instituições e organizações do mundo
público e privado e, no campo da educação, por incrível que pareça, também
acontece. Não são poucos os banquetes à custa da inanição de profissionais da
mesma estatura, combatentes, que por força de se manterem aguerridos, críticos
e autocríticos – ad extra e ad intra –, são condenados ao exílio e à
invisibilidade institucional, sobrevivendo à custa das migalhas que sobram dos empoderados
“donos” das verbas que fingem fazer a multiplicação dos pães.
O Dia dos Professores se
aproxima... O que pautar e comemorar de forma unificada? A categoria é imensa,
mas condições de trabalho e salários são tão diversos quanto discrepantes. No
entanto, perdura um discurso hegemônico que quer nivelar a todos –
intencionalmente, por baixo – para esconder realidades ultrajantes, escravidão
intelectual e outros descalabros.
Idealizando a solidariedade humana, o anarquista Piotr Kropotkin, diz em Apoio Mútuo:
Não é amor, e nem mesmo simpatia (compreendida em seu sentido literal), o que leva um rebanho de ruminantes ou de cavalos a fazer um círculo a fim de resistir ao ataque dos lobos; ou lobos a formar uma alcateia para caçar; ou gatinhos ou cordeiros a brincar; ou os filhotes de uma dezena de espécies de aves a passarem os dias juntos no outono. Também não é amor, nem simpatia pessoal, que leva muitos milhares de gamos, espalhados por um território do tamanho da França, a formar dezenas de rebanhos distintos, todos marchando em direção a um determinado ponto para cruzar um rio. É um sentimento infinitamente mais amplo que o amor ou a simpatia pessoal – é um instinto que vem se desenvolvendo lentamente entre animais e entre seres humanos no decorrer de uma evolução extremamente longa e que ensinou a força que podem adquirir com a prática da ajuda e do apoio mútuos, bem como os prazeres que lhes são possibilitados pela vida social. […] não é no amor, e nem mesmo na simpatia, que a sociedade se baseia. É na percepção – mesmo que apenas no estágio do instinto – da solidariedade humana. É o reconhecimento inconsciente da força que cada homem obtém da prática da ajuda mútua; da íntima dependência que a felicidade de cada um tem da felicidade de todos; e do senso de justiça ou de equidade que leva o indivíduo a considerar os direitos de todos os outros indivíduos iguais aos seus. É sobre esse alicerce amplo e necessário que se desenvolvem sentimentos morais mais elevados (1989, p. 32).
É pesaroso
utilizar uma proposição tão potente como essa para denunciar comportamentos cujos
fins transgridem o que ela encerra, mas o que ocorre é tão sutil que muitos dos
protagonistas desse drama imoral sequer percebem o que fazem.
Não gostaria de encerrar este texto de forma derrotista. Gramsci, Pessoa e o próprio Paulo Freire, me auxiliam a finalizar essa reflexão sonhando acordado e firme na crença de que o pessimismo para com as práticas atuais, não impedirá o otimismo da razão. Afinal, viver é preciso e esperançar também é preciso.
Este artigo também pode ser lido jornal Pensar a Educação em Pauta: http://pensaraeducacao.com.br/pensaraeducacaoempauta/como-o-povo-oprimido-paulo-freire-e-alvo-e-escudo-a-um-so-tempo/
sexta-feira, 25 de setembro de 2020
COMO A CORRUPÇÃO INFLUENCIA A RESPIRAÇÃO DA POPULAÇÃO
Para ler na íntegra a matéria de Gram Slattery e Ricardo Brito para a Reuters, clique aqui.
domingo, 20 de setembro de 2020
ENCONTRO DA CNBB ARTICULA NO PAÍS O PACTO GLOBAL PELA EDUCAÇÃO
quarta-feira, 16 de setembro de 2020
SUBSERVIÊNCIA DO GOVERNO BRASILEIRO A TRUMP SÓ FERRA O PAÍS
quinta-feira, 10 de setembro de 2020
DEPOIS DE TODOS OS ESTRAGOS BOLSONARO BRINCA DE PAPAI NOEL
sábado, 5 de setembro de 2020
DEUSES E ORÁCULOS
Eugênio Magno
Há quem diga que a Comunicação Social – Jornalismo, Publicidade & Propaganda e Relações Públicas –, no formato que gerações com mais de 50 anos conheceram, morreu. Quem diz isso, em sua maioria, tem menos de 30 anos e fala meia verdade.
A Geração Z (mão no mouse), não reinventou a comunicação, muito menos inventou um novo marketing, apelidando-o de Marketing Digital, como apregoam por aí alguns apologistas digitais. Quase tudo continua como dantes no quartel de Abrantes, de forma piorada. E digo quase tudo porque não podemos negar a capacidade interativa das redes sociais, a precisão com que é possível fazer micro segmentação, a confiabilidade das métricas, a velocidade da distribuição da mensagem e a convergência de mídias. Sem contar a eliminação de uma grande quantidade de intermediários no processo comunicacional aliado a outros fatores, dentre eles, um que não pode ser desconsiderado por quem paga a conta, custos bem mais acessíveis. Mas essa é apenas uma das metades da verdade que é acessível apenas para quem dispõe dos meios tecnológicos e/ou do poder de pagar o alto custo dos mais sofisticados bots produzidos e gerenciados pelas megacorporações que dominam a indústria dos big data e monitoram as ações dos cidadãos mundo afora.
Tidos por muitos como Oráculos de Delfos, é preciso que nos atentemos para a impostura robótica. Diferentemente dos sacerdotes e sacerdotisas da Grécia antiga, os robôs não advinham o futuro. Através do monitoramento comportamental do indivíduo, os bots induzem o usuário dos meios informacionais a escolhas das quais extraem, a cada click, mais dados que, acumulados, transportam o novo homem cibernético para currais de segmentos virtuais, cujas movimentações, por mais livres que pareçam ao navegante, são quase que totalmente controladas, previstas e previsíveis. É assustadora, a influência sobre o comportamento humano e a forma como o capitalismo tecnológico explora, inclusive laboralmente, o internauta que, a todo instante, ao utilizar os sistemas digitais produz – como mão de obra gratuita –, mais e mais informações que alimentam o capital e cada vez mais nos enredam em uma relação de submissão a sofisticados padrões de controle social.
O que foi prometido ao cidadão como democratização e universalização do acesso à informação e à comunicação, assim como possibilidade de difusão de mensagens sem intermediação se transmutou muito rapidamente em um engodo. Existe sim maior capacidade de emitir mensagens, porém, sem nenhuma garantia de que estas sejam recebidas. O fluxo do processo de comunicação foi invertido. Se no passado, os grandes veículos de comunicação: TVs, rádios, jornais, revistas e agências de notícias, controlavam a emissão, atualmente, empresas como Google, Facebook, Whatsapp, YouTube, Instagram, Tik Tok, Telegram, Twitter e outros mais, com seus algoritmos e robôs, controlam a recepção.
As grandes plataformas digitais nos encurralaram em bolhas de “iguais”. Pilotamos nossos computadores e celulares como se fossemos poderosos emissores de mensagens para uma grande audiência, quando na realidade se quer conseguimos atingir o vizinho do apartamento ao lado do nosso. Em alguns momentos e circunstâncias seria mais apropriado dar alguns telefonemas ou recorrermos ao e-mail, isso para não sairmos da perspectiva do mundo virtual. Mas como continuamos acreditando no que nos prometeram, em um passado próximo, preferimos viver a ilusória impressão de sermos livres e poderosos navegadores do ciberespaço.
Houve um tempo, não muito distante, em que como espectadores de nossos programas preferidos, no rádio ou na televisão, tínhamos a possibilidade de calcular até a hora de ir ao banheiro, fazer um lanche, dar um telefonema, ou coisa que o valha. O espaço para a programação era bem mais extenso e o momento do comercial, da propaganda era identificado como intervalo por vinhetas. No mundo digital, sem quê nem para quê, surgem comerciais aos borbotões, entrecortando falas de apresentadores, interrompendo raciocínios e desviando a atenção da audiência para verdadeiros testemunhais facilmente confundidos com notícias, informações ou disciplinas formativas pelos menos avisados.
Nem tudo que se anuncia como liberdade é deveras libertador. Baixo custo, acessibilidade, inclusão e letramento digital. Tudo é narrativa líquida. Desregulamentação, amadorismo maquiado por terminologias anglo-saxônicas, mensagens apócrifas, fake news, centrais de noticias odientas, etc. A imensa aldeia global está reduzida a minúsculas bolhas dispersas no caos das virtualidades.
* Esse artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.
terça-feira, 1 de setembro de 2020
ENXURRADA DE FAKE NEWS
Como enfrentar as fake news
Para o bem e/ou para o mal, os meios de comunicação estão coalhados de fake news. O grande desafio é identificá-las, denunciá-las e evitar sua propagação.
A instantaneidade do digital deixa pouca margem para decodificar, apurar e refletir para depois agir. O estrago de reputações e a disseminação de mentiras, invenções, armações, picaretagens e até mesmo alertas, prevenções infundadas e esperanças falsas, tornaram-se fatos corriqueiros, principalmente nas redes sociais, mas também nos meios de comunicação tradicionais.
Existem plataformas especializadas em confirmar e apontar notícias falsas e aplicativos para ajudar o internauta na análise de fake news, assim como alguns (ainda que poucos) mecanismos para denunciar e excluir esse tipo de postagem nas principais redes sociais. O mais importante, entretanto, é que cada um se reconheça na sua expertise e não fique por aí brincado de comunicador ou jornalista. O mundo já está conturbado o suficiente para que atos impensados, ainda que bem intencionados, tragam ainda mais conflitos e turbulências para esta sociedade em desordem.
Veja, por exemplo, este vídeo, anunciado pelo seu autor como "de utilidade pública familiar" que circula pelas redes sociais (já há algum tempo) alertando a população para os perigos de se deixar medir a temperatura por termômetros infravermelhos apontados para a testa. Tendo em sua abertura a chamada "é melhor prevenir do que remediar", a primeira imagem do vídeo é o desenho de perfil uma cabeça humana, destacando o cérebro e colocando em evidência a glândula pineal.
Embora aqui esteja sendo citado esse vídeo, a informação circulou de forma escrita, como mensagem de áudio e também em outros vídeos, partindo de vários perfis em quase todas as mídias sociais.
No caso específico dessa informação, indico a matéria que Marion Lfévre, da agência de notícias AFP Argentina / Chile, realizou, cujo título é "Medir a temperatura com um termômetro infravermelho não danifica a glândula pineal".
Não espalhe notícias sem checar sua veracidade. Para ler a matéria da AFP, na íntegra clique aqui.
terça-feira, 25 de agosto de 2020
REVIRAVOLTA NAS RELAÇÕES COMERCIAIS ENTRE BRASIL E ARGENTINA
'ArgenChina': por que a China desbancou Brasil como maior parceiro comercial da Argentina
quinta-feira, 20 de agosto de 2020
EX-GURU MIDIÁTICO DE TRUMP É PRESO NOS ESTADOS UNIDOS
Steve Bannon estrategista mundial da extrema direita
acaba de ser preso
sábado, 15 de agosto de 2020
PRIMEIRA MULHER NÃO BRANCA A CONCORRER EM CHAPA PRESIDENCIAL DE UM GRANDE PARTIDO NOS EUA
segunda-feira, 10 de agosto de 2020
INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O PSIU POÉTICO
quarta-feira, 5 de agosto de 2020
HUMANISMO SOLIDÁRIO PELA VIA DA EDUCAÇÃO
Pacto pela Educação no Planeta*
Eugênio Magno
Os ataques de que a educação
é vítima não são fatos novos. Ao longo da história, desde sua descoberta como
possibilidade e sistematização como área de conhecimento, sobretudo, a partir
da criação da escola, a educação vive a condição de ser portadora de
contradições: avanços e retrocessos. Por essa e outras razões, tão criticada e,
em certas circunstâncias, vilipendiada. De quando em vez observamos acenos
alvissareiros que logo são sequestrados pelo capital ou dissolvidos por uma
excessiva endogenia acadêmica.
Educação e escola vêm sendo
confundidas, fundidas e amalgamadas de tal forma, por agentes internos e
externos ao seu próprio campo, que no imaginário popular é senso comum
interpretá-las como sinônimas. Apesar dos esforços de teóricos e gestores
comprometidos com a causa educacional, a situação se agrava progressivamente e
a correnteza que arrasta hora uma e hora outra, para o brejo, ofusca conquistas
e achados importantes que poderiam, ao contrário, apoiá-las, reposicionando-as
aos seus devidos e merecidos lócus. Se assim não fosse, mas é possível que esse
quadro venha a se reverter, escola e educação poderiam ser interpeladas uma
pela outra e, provocadas por uma sociedade que as distinguisse, fazer irromper
uma pedagogia capaz de libertar a própria educação, a escola e,
consequentemente, as instituições e seus líderes, dos vícios que as enredaram.
São muitas as práticas sociais que são importantes demais para merecer apenas o
cuidado de governos, de ministérios e dos experts. A educação é um desses campos que não pode
prescindir de uma ampla rede de contribuições, para além da pedagogia
disciplinar, curricular. Carece de aportes que transcendam o universo acadêmico
e contemplem saberes e fazeres – práxis – da ordem do familiar, do comunitário,
do cultural, da terra – nossa casa comum –, da antropologia, da geopolítica,
das artes, da ancestralidade, da ética, dos valores e virtudes e, porque não,
do espiritual.
É, no mínimo, curioso
observar de onde e com que pujança emerge o chamado planetário para repensar a
educação. Ironicamente, ele vem justamente de uma das mais criticadas
instituições mundiais, a Igreja Católica, que carrega ônus e bônus na condução
de processos educativos pelos quatro cantos do mundo. Mas o que pode ser visto
como paradoxal, é providencial e tem como protagonista o mais importante líder
mundial da atualidade, o papa Francisco que, em visita aos países unidos dos
Emirados Árabes assinou um documento sobre Fraternidade Humana, que propõe uma
mudança de mentalidade em escala planetária por meio da educação.
No ano em que se comemora o
quinto aniversário de lançamento da encíclica Laudato Si – documento que trata do consumismo e das questões
climáticas e ambientais –, o sumo pontífice encaminha então mais uma das
grandes ações contempladas no referido documento apostólico de apelo à
unificação global. Neste ponto me refiro, precisamente, ao Pacto Educativo
Global que, discutido em 2019, está sendo difundido mundialmente, pelo
Vaticano, desde maio deste ano, de forma supraconfessional. Seu principal
objetivo é recuperar o humanismo e posicionar a vida de todos os seres
(humanos, animais, minerais e vegetais), da terra, da água, do ar e do céu,
tendo a pessoa humana como centralidade do aprender, do educar, da partilha de
saberes e conhecimentos.
Inspirado pelo provérbio
africano “para educar uma criança é necessária uma aldeia inteira”, o papa
propõe uma educação que permita relações abertas e fraternas, o que expressa a
urgente necessidade de que toda a sociedade renove o compromisso de assegurar
às gerações futuras uma educação voltada para a fraternidade e o diálogo.
Escolas, universidades e a comunidade mundial estão sendo chamadas para
promover estudos e reflexões sobre essa proposta. O Pacto Educativo Global, em
essência, faz mais do que um apelo ou chamado, seu texto convoca e intima cada
pessoa de bem para “se tornar protagonista desta aliança, assumindo compromisso
pessoal e comunitário de cultivar, juntos, o sonho de um humanismo solidário,
que corresponda às expectativas da humanidade e ao desígnio de Deus”.
É em boa hora que o Brasil, nestes tempos sombrios, recebe o anúncio dessa boa nova, para a qual deve abaixar a guarda e atendê-la, sem preconceitos e mi mi mis, mas de peito aberto, com “a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”.
* Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.
sábado, 1 de agosto de 2020
152 BISPOS CATÓLICOS MANIFESTAM DESCONTENTAMENTO COM GOVERNO BOLSONARO
sábado, 25 de julho de 2020
"OS SATÉLITES DE ELON MUSK ESTRAGARAM O CÉU"
segunda-feira, 20 de julho de 2020
VACINA À VISTA
sexta-feira, 10 de julho de 2020
CENTRAIS DE PRODUÇÃO DE FAKE NEWS ENCURRALADAS
domingo, 5 de julho de 2020
BRASIL VAI TESTAR VACINA
quarta-feira, 1 de julho de 2020
LUZ NO HORIZONTE
Democracia
fala mais alto e governo baixa a bola
Eugênio Magno
A reprovação do governo Bolsonaro é alta e cresce
na crise, mesmo entre os brasileiros que receberam o auxílio emergencial. Mas a
luta contra o obscurantismo desse governo ainda não chegou ao fim. A batalha
tem sido renhida.
As disputas por votos e os embates entre
familiares, amigos, colegas de trabalho, de escola e contatos de redes sociais,
durante as eleições de 2018, foram intensas, polêmicas e polarizadas a extremo.
O que era para ser pontual, datado, em um momento de disputa política
acalorada, se estendeu por um longo tempo e ainda tem dado pano pra manga. Até poucos
dias atrás ainda éramos vítimas constantes do encaminhamento de mensagens
apócrifas, replicadas nas redes sociais, alardeando a cura miraculosa do novo
coronavírus, demonizando a política e atacando a educação, a cultura e os
poderes da república.
É com tristeza que assistimos a
irresponsável politização da pandemia. Quantas vezes tivemos que recorrer a
textos da Organização Mundial de Saúde (OMS) e à opinião de cientistas para
esclarecer os desinformados que o coronavírus foi batizado
com esse nome desde o início dos anos 2000 e que é bem provável que o vírus até
já existisse antes disso sem um nome que o identificasse. Era e continua sendo
necessário ressaltar que estamos vivendo a pandemia do novo coronavírus (COVID-19).
A China, os Estados Unidos, o Brasil, o mundo, todos sabiam de sua existência,
como sabiam que o vírus sofreu mutação e, por falta de controle, voltou com
altos índices de letalidade em todos os continentes. Não existem testes suficientes,
nem equipamentos e medicamentos para combater a doença, assim como ainda não existem
fármacos para imunizar a população mundial. Os especialistas afirmam que uma
vacina para ser validada necessita de, no mínimo, dois anos de aplicação em
massa, para fazer parte de um protocolo internacional de saúde. Mas o
hipercapitalismo oportuniza sempre o lucro para os detentores do poder e do
capital, reforçando esse famigerado pacto pela desigualdade que persiste entre
nós e, em tempos de pandemia se intensifica empurrando os mais pobres para a
morte. São vexatórios os flagrantes da corrupção praticada por agentes públicos
nas várias instâncias de poder, durante a pandemia, envolvidos com
superfaturamento de equipamentos de saúde e a exploração indevida de
medicamentos e leitos de hospitais.
A crise brasileira na atualidade é
multissetorial, o que revela mais do que incompetência política e falta de
conhecimento sobre gestão pública, mas também e, principalmente, deficiência
cognitiva dos nossos dirigentes, como já apontaram alguns estudiosos. Vejamos a
questão da cloroquina, por exemplo, propagandeada e defendida pelo presidente
da república a ponto de trocar ministros da saúde como se troca de roupa em
plena crise pandêmica, em razão dos ministros discordarem da adoção do
medicamento como solução no combate a covid-19. Vários estudos revelam que esse
remédio só deve ser administrado nas doses propostas para combater o corona, em
pacientes que estejam em estado gravíssimo, pois seus efeitos colaterais são extremamente
danosos. Aliás, vale lembrar que esse medicamento não é nenhuma novidade, já é utilizado
para combater outros males, como artrite, malária, etc., há algum tempo. Não
podemos negar a existência de uma grande corrida mercadológica entre os
laboratórios da indústria farmacêutica para ver quem chega à frente com a
descoberta dos fármacos preventivos e curativos. Mas precisamos reconhecer que a
polarização política em torno da pandemia chegou ao extremo de acirrar os
ânimos entre as oposições no Brasil, a ponto dos bolsonaristas acusarem de
contra a vida, todos que se posicionaram a favor da ciência. Quanta
insensatez... Arrisco dizer que não haveria um único brasileiro que deixasse de
festejar a cura comprovada dessa doença, mesmo que o receituário fosse o portentoso
e inflacionado grão de feijão do pastor Waldomiro.
Nunca vi o Brasil tão desprestigiado e
desacreditado, interna e externamente como nos últimos tempos. Já fomos colônia,
império, subdesenvolvidos, terceiro-mundistas, passamos por ditaduras, mas
agora estamos desgovernados. Até poucos dias atrás testemunhávamos ataques
exacerbados contra os poderes legislativo e judiciário, num claro sintoma de
desespero político por parte do executivo que vinha acenando com a
possibilidade de governar sozinho, sem os contrapesos dos demais poderes da
república. Com todas as críticas cabíveis aos três poderes, não existe nenhum
registro de que o legislativo ou o judiciário tenha atacado ou ameaçado o poder
executivo. O que tem ocorrido são manifestações de membros dos dois poderes e
de vários setores da sociedade brasileira contra o chefe do executivo nacional. Existem mais de 40 pedidos de
impeachment para barrar Bolsonaro.
É preciso muito, muito mais que força e
voluntarismo para ser um chefe de estado. A Presidência da República não é para
estagiários. Além de bagagem, inteligência e maturidade política, há que se ter
o lombo curtido para ocupar tal posição. Leva-se muita pancada naquela cadeira
– e quem não as levou? Getúlio, Jânio, JK, Jango, os militares (de Castelo
Branco a Figueiredo), Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula (que chegou a ser
preso), Dilma e Temer (?). Agora, vem o senhor Jair Messias Bolsonaro com uma
equipe da pior qualidade, achar que pode passar ileso e que vai resolver tudo
de forma autoritária, mandando a imprensa calar a boca, sobrevoando
manifestações populares de helicóptero, ameaçando as instituições e se fazendo
de vítima de um complô? Se ele tivesse vocação para estadista buscaria resolver
as coisas de forma republicana e aceitaria os ônus do cargo. Mas o presidente e
seus correligionários sempre pareceram estar deslocados no tempo. É impossível
saber se ainda estão em 2018 ou se deram um salto temporal e já se encontram em
2022, disputando nova eleição. O certo é que o capitão venceu as eleições e
permanece com a mesma retórica de campanha eleitoral, esquecendo de que é
preciso governar e governar para todos não só para aqueles que nele votaram, mas,
inclusive e, também, para os que já se arrependeram de terem lhe dado o voto.
O que vivemos no atual momento requer
articulações suprapartidárias e comportamento republicano. Se os três poderes
não fizerem seu dever de casa e o presidente não aprender a conviver com os
contrários, que na política e na democracia é o que de mais precioso deve existir
para que não haja totalitarismos e autoritarismos nem à direita, nem à
esquerda, daremos com os burros n’água. Quero crer que o presidente tenha
tomado tento e que busca agora garantir seu mandato, sair do isolamento
político, tirar a cara da vidraça e deixar de insultar e insuflar os ânimos de
seus opositores. A indústria das fake news políticas diminuiu consideravelmente
sua produção de conteúdo após o início da investigação dos suspeitos de
gerenciar e distribuir por meio de robôs informações falsas, incitar o ódio e
promover a desinformação. A prisão do Queiroz, ao que parece, também contribuiu
para essa baixada de bola. É grande o número de milicianos digitais que, amedrontados
pela ação da Polícia Federal, fecharam seus QGs ou entraram em recesso, deixando
internautas militantes – os arautos do caos –, sem munição para seus disparos
tresloucados. São notórios os sinais de arrefecimento dos extremistas frente às
reações que começam a surgir de vários grupos econômicos e instituições republicanas,
depois das insistentes manifestações populares contra a onda que vinha
ameaçando agressiva e sistematicamente a democracia e a república brasileira.
Para além dos arrependidos – confessos e
velados –, existem os ressentidos consigo mesmos. Estes que no calor do seu
entusiástico apoio a Bolsonaro no período da campanha eleitoral se indignavam
contra o espectro político-partidário do qual divergiam e, de forma ensandecida
tripudiavam de quem não partilhava de suas convicções. Uma pequena parte desse
grupo ainda persiste na defesa do indefensável. Órfãos de uma liderança coerente
com as bandeiras levantadas durante as eleições presidenciais de 2018 e das
promessas descumpridas de construção de um novo Brasil, teimam, ainda hoje, em
defender as suas equivocadas decisões passadas, despejando todo o ódio de suas pesadas
consciências contra aqueles que não ficaram do lado errado da história. Não
estou convicto de que continuam defendendo Bolsonaro. Ouso inferir que o
orgulho não lhes permite admitir o equívoco e que se debatem na areia movediça
em que se chafurdaram.
Apesar do naufrágio iminente, a debandada total
ainda não se concretizou e a república, o estado democrático de direito, a
vida, a saúde, a economia, os direitos humanos e sociais e a liberdade estão minados
e necessitam, urgentemente, serem salvos e reconstruídos.
Mas nem tudo está perdido. Muitas ações, e mobilizações estão sendo deflagradas em todo o país, online e offline. Na semana passada, por exemplo, aconteceu um evento virtual de grande envergadura. Durante quase 5 horas, o III Ato do movimento Direitos Já, com o tema “Em defesa da democracia, da vida e proteção Social”, reuniu, algo em torno de 130 das mais importantes lideranças e personalidades da política e da sociedade brasileira, para dar um recado ao governo e à nação. Unidos na diferença, os participantes da live foram unânimes em afirmar que não há espaço no Brasil para outro regime político que não seja a democracia. E, no dia 29 de junho veio outro recado importantíssimo: Pesquisa Datafolha revelou que a democracia segue majoritária na preferência da população. Entre os brasileiros adultos, 75% - três em cada quatro brasileiros – têm a democracia como a melhor forma de governo. Será que já não é o bastante?
Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta e no site do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara.
























