sábado, 10 de outubro de 2020

COVID-19 E MORTE CONTINUAM IMPLACÁVEIS

 

Covas abertas em cemitério de São Paulo (SP) em meio à pandemia de coronavírus - 16/07/2020 
(Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)


Brasil registra mais 682 mortes por Covid-19 
e se aproxima de 150 mil óbitos

Gabriel Araujo


O Brasil registrou nesta sexta-feira 682 novos óbitos em decorrência da Covid-19, o que eleva o total de mortes pela doença no país a 149.639, de acordo com dados do Ministério da Saúde.
Também foram notificados 27.444 novos casos da doença provocada pelo coronavírus, com o total de infecções confirmadas no país atingindo 5.055.888.
O Brasil é o terceiro país do mundo com maior número de casos de Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia. Já na contagem de óbitos, os números brasileiros ficam abaixo somente dos reportados pelos EUA.
O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, afirmou nesta sexta que o Brasil não está “resolvendo totalmente” o problema da doença, mas tem conseguido controlar os efeitos da pandemia e permitir o retorno gradual das atividades com um “novo normal”.
“Mesmo considerando o Brasil como um todo, nós já verificamos um decréscimo nessas curvas (de casos e óbitos), que está sendo constante e está sendo estável... Nós já identificamos muitos Estados que estão voltando à normalidade”, afirmou Franco em entrevista coletiva, acrescentando que o país está “sabendo conviver” com a doença.
“Mesmo nos Estados onde ela ainda está com uma incidência maior, e nós podemos destacar a Região Sul em particular, a gente já consegue observar um decréscimo na incidência de casos e principalmente na incidência de óbitos, devido também ao tratamento precoce”, disse o secretário.
Estado brasileiro mais afetado pela Covid-19, São Paulo atingiu nesta sexta as marcas de 1.028.190 casos e 37.068 mortes.
De acordo com os dados do ministério, o segundo Estado com maior número de óbitos causados pela Covid-19 no país é o Rio de Janeiro, que registrou até este momento 19.222 mortes, com 282.080 casos.
Na contagem de infecções confirmadas, porém, o Rio fica abaixo da Bahia e de Minas Gerais -- o Estado nordestino soma 323.210 casos e 7.075 mortes, enquanto Minas registrou 318.090 infecções e 7.992 óbitos.
Ceará, Pará, Santa Catarina, Goiás e Rio Grande do Sul são os demais Estados que já notificaram mais de 200 mil casos de Covid-19.
O Brasil possui 4.433.595 pessoas recuperadas da doença e 472.654 pacientes em acompanhamento, segundo o ministério. A taxa de letalidade da doença no país é de 3,0%.

(Fonte: Reuters

terça-feira, 6 de outubro de 2020

ECONOMISTAS COMPLICAM A ECONOMIA PARA QUE NÓS NÃO A ENTENDAMOS

(Imagem do Google)

Economia a serviço da vida

por Eugênio Magno


Na "Economia de Francisco" - o santo (São Francisco) - proposta por Francisco (Jorge Mario Bergoglio), o papa, é urgente que haja uma reordenação de valores. É imprescindível que a economia esteja a serviço da vida e não a vida a serviço da economia, como vem acontecendo no mundo.

Desenvolvimento sem democracia econômica é um contrassenso do capitalismo ultraliberal rentista e excessivamente financeirizado, para o qual os maiores gênios da economia mundial vêm se empenhando no sentido de encontrar uma alternativa que o substitua. E nesse momento caótico em que vivemos é o papa Francisco, reconhecido por várias autoridades como o maior líder mundial dos tempos atuais, quem articula os principais movimentos globais sugerindo iniciativas de estudos, debates e ações com uma Igreja em saída - se encontrando com os leigos, intelectuais e com a sociedade -, na busca de soluções para garantir a vida no planeta.

Os números dão muito o que pensar. Para ficar com um único exemplo, basta saber que 3 milhões de crianças morreram de fome no ano passado. Isso, enquanto produzimos o equivalente a 1,5 kg de alimento por habitante da terra e que a riqueza total produzida no mundo, se dividida de forma igualitária para toda a população mundial, daria uma renda, em moeda brasileira, de algo em torno de R$18.000,00, mensais, para cada família de quatro pessoas. Isso para não falar da devastação do planeta, da falta de preservação de nossos biomas, e do total descuido com a água, a terra , o ar e para com a vida silvestre e os povos das florestas, nativos, quilombolas e ribeirinhos. 

(Logo da 6ª Semana Social Brasileira)

Foi dada a largada, em nosso país, para a 6ª Semana Social Brasileira - Mutirão pela vida: Por Terra, Teto e Trabalho, inspirada pelos diálogos do papa Francisco com os movimentos populares. Tendo como eixos, democracia, soberania e economia, as ações da Semana Social Brasileira (SSB), visam debater, compreender e formular soluções para as questões sociais mais urgentes que impactam especialmente os setores excluídos e marginalizados da sociedade. 

Sábado passado (dia 4.10.2020), aconteceram vários eventos de lançamento da Semana Social Brasileira, articulando forças populares e intelectuais para o debate de questões sociopolíticas de interesse público com o propósito de entender a conjuntura atual e traçar perspectivas para o presente e o futuro. Como era difícil acompanhar tudo, elegi a live "Lançamento da 6ª Semana Social Brasileira", promovida pelo Movimento Igreja em Saída, do Regional Nordeste 1 (Ceará) e da Escola Regional de Fé e Política Dom Helder Câmara. O evento contou com a participação do bispo da diocese de Itapipoca, Dom Antônio Roberto Cavuto, do padre e teólogo Francisco Aquino Júnior, do economista e escritor Ladislau Dowbor e de Reginha, da Cáritas e da Articlação das Pastorais Sociais do Ceará, mediadora da live que teve ainda a participação de membros da Escola Regional de Fé e Política, com cantos e declamações e contaria também com a presença do filósofo Manfredo Oliveira que, em razão de problemas técnicos, não pode participar.

(Foto: Janaína Abreu)

O mestre, Ladislau Dowbor, apesar do tempo restrito, fez uma brilhante apresentação. Ancorado em pesquisas e análises de vários estudiosos e usando uma linguagem de fácil compreensão ele mostrou como funciona a economia e incentivou a todos, para que, independentemente de conhecimentos prévios de economia, buscassem entendê-la para multiplicar sua compreensão. Segundo Dowbor, "a economia não tem nada de complicado, os economistas é que a complicam para que o povo não possa compreendê-la". E para auxiliar a todos nessa compreensão ele disponibiliza todos os seus livros, artigos e estudos, gratuitamente, em seu site na internet (www.dowbor.org).

O padre, Francisco de Aquino Júnior, chamou a atenção para o fato de que a Igreja apesar de não possuir meios técnicos e instrumentos de análise econômica é rica em parâmetros éticos e espirituais para iluminar e mostrar caminhos em que a economia pode ser colocada a serviço da humanidade. Seus argumentos, se ancoram na Doutrina Social da Igreja e nos vários documentos papais que, desde fins do século XIX, com Leão XIII e a Rerum Novarum, até Francisco, na atualidade, com as encíclicas Laudatto Si e a novíssima Fratelli Tutti, mostra sua preocupação com a vida social.

Embora chamada de "semana", a 6ª Semana Social Brasileira Mutirão pela vida: Por Terra, Teto e Trabalho, tem como vigência o período 2020-2022. Ela é convocada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e promovida conjuntamente com as pastorais sociais e movimentos populares. É realizada em mutirão, na pluralidade cultural e étnica do Brasil, assim como no ecumenismo e diálogo inter-religioso. Até o seu encerramento, muitos eventos, presenciais e online acontecerão. Para acompanhar tudo sobre a Semana Social Brasileira, acesse o site ssb.org.br.

(Print de tela da live)

A live "Lançamento da 6ª Semana Social Brasileira", promovido pelo Movimento Igreja em Saída, do Regional Nordeste 1 (Ceará) e da Escola Regional de Fé e Política Dom Helder Câmara ainda está disponível no YouTube e pode ser acessada em: https://www.youtube.com/watch?v=btQyQvIf9Ek.



quinta-feira, 1 de outubro de 2020

NÃO SOMOS TODOS IGUAIS

 

Manuscrito de P. Freire para Pedagogia do Oprimido (Acervo Paulo Freire)


Como o povo oprimido,

Paulo Freire é alvo e escudo a um só tempo


Eugênio Magno

        Paulo Freire é gigante. Sua robustez é de causar inveja à maioria dos mortais. Entretanto, de intelectual respeitado e homenageado em todo o mundo, se tornou nos últimos anos – em seu país natal – alvo de críticas e rechaços por parte dos atuais ocupantes do poder central. E daí está migrando ou, simultaneamente, ocupando também a posição de escudo.

Se variar entre a condição de alvo e escudo já é ruim, pior é estar na mira de ataques e, ao mesmo tempo, ser usado como anteparo de disparos contra quem nunca o prestigiou a altura do seu merecimento. O patrono da educação brasileira merece lugar melhor na história. É de bom tom que ele não seja usado indevidamente por quem se quer o conhece bem ou já o reconheceu um dia, nessa guerra encarniçada em que, para além da disputa política majoritária, se juntam vários outros interesses, como os da proteção de pequenos feudos na esfera pública. É assombroso darmos conta de como o corporativismo pode usar do oportunismo de forma tão cruel e sub-reptícia a ponto de lançar mão grande sobre a memória de um pensador que sempre esteve ao lado dos oprimidos, contra o establishment, praticando uma educação popular e libertadora. Freire não configurou uma pedagogia para os oprimidos, oportunizando empoderamentos que promovessem distinções entre pares de uma mesma comunidade, nem usou inclusão como retórica. Ele articulou várias pedagogias, como as do oprimido, da esperança, etc., tendo como centralidade a educação como prática da liberdade, pedagogias contra-hegemônicas forjadas nas lutas dos/com os pobres e oprimidos.

Mas o pobre, no Brasil, para as elites, quando não é alvo, é bucha de canhão. E, ultimamente, o pobre, assim como Freire estão sendo usados como escudos e barreiras, por alguns segmentos da classe média, que espertamente negam sua condição social (de forma camaleônica), enquanto escondem patrimônios e recheadas contas bancárias com disfarces de um linguajar popular e trajes casuais, sem etiquetas à mostra. Essas aberrações estão em vários escalões, instituições e organizações do mundo público e privado e, no campo da educação, por incrível que pareça, também acontece. Não são poucos os banquetes à custa da inanição de profissionais da mesma estatura, combatentes, que por força de se manterem aguerridos, críticos e autocríticos – ad extra e ad intra –, são condenados ao exílio e à invisibilidade institucional, sobrevivendo à custa das migalhas que sobram dos empoderados “donos” das verbas que fingem fazer a multiplicação dos pães.

O Dia dos Professores se aproxima... O que pautar e comemorar de forma unificada? A categoria é imensa, mas condições de trabalho e salários são tão diversos quanto discrepantes. No entanto, perdura um discurso hegemônico que quer nivelar a todos – intencionalmente, por baixo – para esconder realidades ultrajantes, escravidão intelectual e outros descalabros.

Idealizando a solidariedade humana, o anarquista Piotr Kropotkin, diz em Apoio Mútuo:


Não é amor, e nem mesmo simpatia (compreendida em seu sentido literal), o que leva um rebanho de ruminantes ou de cavalos a fazer um círculo a fim de resistir ao ataque dos lobos; ou lobos a formar uma alcateia para caçar; ou gatinhos ou cordeiros a brincar; ou os filhotes de uma dezena de espécies de aves a passarem os dias juntos no outono. Também não é amor, nem simpatia pessoal, que leva muitos milhares de gamos, espalhados por um território do tamanho da França, a formar dezenas de rebanhos distintos, todos marchando em direção a um determinado ponto para cruzar um rio. É um sentimento infinitamente mais amplo que o amor ou a simpatia pessoal – é um instinto que vem se desenvolvendo lentamente entre animais e entre seres humanos no decorrer de uma evolução extremamente longa e que ensinou a força que podem adquirir com a prática da ajuda e do apoio mútuos, bem como os prazeres que lhes são possibilitados pela vida social. […] não é no amor, e nem mesmo na simpatia, que a sociedade se baseia. É na percepção – mesmo que apenas no estágio do instinto – da solidariedade humana. É o reconhecimento inconsciente da força que cada homem obtém da prática da ajuda mútua; da íntima dependência que a felicidade de cada um tem da felicidade de todos; e do senso de justiça ou de equidade que leva o indivíduo a considerar os direitos de todos os outros indivíduos iguais aos seus. É sobre esse alicerce amplo e necessário que se desenvolvem sentimentos morais mais elevados (1989, p. 32). 


            É pesaroso utilizar uma proposição tão potente como essa para denunciar comportamentos cujos fins transgridem o que ela encerra, mas o que ocorre é tão sutil que muitos dos protagonistas desse drama imoral sequer percebem o que fazem.

           Não gostaria de encerrar este texto de forma derrotista. Gramsci, Pessoa e o próprio Paulo Freire, me auxiliam a finalizar essa reflexão sonhando acordado e firme na crença de que o pessimismo para com as práticas atuais, não impedirá o otimismo da razão. Afinal, viver é preciso e esperançar também é preciso.

Este artigo também pode ser lido jornal Pensar a Educação em Pauta: http://pensaraeducacao.com.br/pensaraeducacaoempauta/como-o-povo-oprimido-paulo-freire-e-alvo-e-escudo-a-um-so-tempo/

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

COMO A CORRUPÇÃO INFLUENCIA A RESPIRAÇÃO DA POPULAÇÃO

(Raphael Patrasso / Reuters)


ENFOQUE-Respiradores que nunca chegaram: como a corrupção dificultou o combate à Covid-19 no país


Enquanto pacientes com Covid-19 inundavam o sistema público de saúde do Rio de Janeiro do início de abril ao final de maio, o médico Pedro Archer tomava decisões angustiantes.
As pessoas com dificuldades para respirar precisavam de respiradores, disse ele, mas não havia o suficiente para todos; os que tinham pequena chance de recuperação foram preteridos.
“Todo turno era assim”, afirmou Archer, cirurgião de um hospital municipal do Rio. “Às vezes, eu dava sedativos apenas para que não sofressem. Por fim, eles morriam.”
Algumas dessas mortes, dizem agora promotores estaduais e procuradores da República, poderiam ter sido evitadas. Eles alegam que autoridades teriam embolsado até 400 milhões de reais por meio de esquemas de corrupção que conduziram a contratos inflacionados com aliados durante a pandemia. Os negócios, segundo eles, incluíram três contratos para 1.000 respiradores, sendo que a maioria nunca chegou.
O ex-secretário estadual de Saúde do Rio Edmar Santos foi preso em 10 de julho e acusado de corrupção em relação a esses contratos. Um advogado de Santos não respondeu a um pedido de comentário. Santos admitiu ter participado de vários esquemas ilícitos envolvendo licitações públicas fraudadas, de acordo com documentos judiciais confidenciais preparados por investigadores federais e analisados pela Reuters. Ele agora é uma testemunha que coopera na investigação, de acordo com os documentos.
Separadamente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) afastou o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), do cargo em 28 de agosto devido à preocupação de que ele pudesse interferir nas investigações. Witzel também está enfrentando um processo de impeachment por suposta corrupção na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Ele negou qualquer irregularidade em um comunicado à Reuters. O vice-governador Cláudio Castro (PSC), que assumiu a posição de Witzel em agosto, não respondeu a um pedido de comentário.
A América Latina foi duramente atingida pela pandemia, com mais de 8,6 milhões de casos confirmados de coronavírus até 21 de setembro, de acordo com uma contagem da Reuters. Só o Brasil registrou mais de 139.000 mortes por Covid-19, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
Se a cidade do Rio fosse um país, sua taxa de mortalidade per capita por coronavírus seria a pior do mundo, segundo cálculos da Reuters baseados em dados da Universidade John Hopkins. Mais de 10.000 pessoas morreram de Covid-19 na capital fluminense, e mais de 17.000 em todo o Estado.
A resposta da região à pandemia foi prejudicada por vários fatores, dizem especialistas, incluindo pobreza e condições de vida urbanas superlotadas. Alguns líderes, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, minimizaram a gravidade da pandemia.
Mas o vírus também foi ajudado pela ganância.
Assim como no Brasil, investigadores na Bolívia, no Equador, na Colômbia e no Peru também alegaram que as autoridades locais encheram seus bolsos por meio de esquemas de corrupção relacionados à pandemia.

Para ler na íntegra a matéria de Gram Slattery e Ricardo Brito para a Reuters, clique aqui.

domingo, 20 de setembro de 2020

ENCONTRO DA CNBB ARTICULA NO PAÍS O PACTO GLOBAL PELA EDUCAÇÃO


Da esquerda para a direita, Maria de Jesus Silva, Odete  Martins, Soraya Aragão, Alice Vieira, Dom João Justino Medeiros, Marilda Umbelina Santos (coordenadora da Pastoral da Educação, Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso (PEEDIR)  e  Frei Valdomiro Machado (assessor da PEEDIR) da Arquidiocese de Montes Claros*

O Minas e Gerais, traz hoje um breve relato sobre o Encontro Nacional da Pastoral da Educação, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que aconteceu, virtualmente, no final da semana passada. 

A pedagoga aposentada, Odete Martins de Oliveira Campos, que é agente da Pastoral da Educação, Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso, da Arquidiocese de Montes Claros - MG, apresenta, com exclusividade, para este blog, uma síntese do Encontro.


Logotipo da Pastoral da Educação, Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da Arquidiocese de Montes Claros*

Refletindo sobre o XX ENCONTRO NACIONAL 
DA PASTORAL da Educação da C.N.B.B  

                                                                                                                                     
Odete Martins*


Nos dias 11 e 12 de setembro de 2020, a Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação da C.N.B.B, promoveu o XX Encontro Nacional da Pastoral da Educação, com o tema "Igreja em saída: a Pastoral da Educação na Escola Pública".
A proposta é baseada no apelo do Papa Francisco, em vista do Pacto Educativo Global. Devido a pandemia e as consequentes medidas preventivas de isolamento social o Encontro aconteceu por transmissão ao vivo pelo canal do YouTube, "Cultura e Educação" da C.N.B.B. Bispos de diversas regiões do país disponibilizaram vídeos focando o assunto como suporte e sensibilização aos mais de 1.500 participantes do evento.
O Encontro teve início, dia 11/ 09 , sexta- feira, às 20h, com a Cerimônia de Abertura à cargo de Dom João Justino Medeiros, Arcebispo de Montes Claros e presidente da Comissão de Cultura e Educação da C.N.B.B., seguido de painel sobre os desafios e esperanças da Escola Pública. No sábado, dia 12, às 9h aconteceu um painel com partilhas das experiências de pastorais da educação em algumas dioceses e às 15h, uma mesa de reflexão sobre as perspectivas da ação pastoral na Escola Pública. No encerramento do Encontro, Dom João Justino presidiu uma Celebração Eucarística, às 17h, na Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida de Montes Claros. 

Dom João Justino Medeiros*

A mensagem principal do Encontro, ressaltada por seus idealizadores e aclamada por todos os participantes é de que a Educação é um compromisso de católicos cristãos que, juntamente com todas as pessoas de boa vontade e bom coração, devem somar forças para construir uma sociedade mais justa, solidária, humana e fraterna.
Os cristãos/as, católicos/as, religiosos/as e leigos/as estão se colocando à disposição da escola pública, no sentido de se empenharem em favor de uma educação de qualidade em que todos sejam adequadamente e indistintamente valorizados.
O Papa Francisco, quer que a escola, seja uma escola em saída, assim como deve ser a igreja, indo ao encontro do outro, mesmo que este outro seja e pense diferente; dialogando e escutando, dentro de uma espiritualidade, que o conduza à fé, paz e luz, numa educação integral.
As propostas, temas e falas dos participantes do Encontro foram todos inspirados e ancorados nos ideais e objetivos do sumo pontífice para o Pacto Educativo Global: 
- que a escola, seja um lugar de missão, de testemunho cristão, onde a educação seja transcendente, as pessoas apaixonadas por seus irmãos, pela escola e por Jesus;
- que educadores e todos os envolvidos na educação, se pautem por uma maior interioridade, superando as diferenças, ignorâncias e individualismo, para que assim, os educandos, recebam o que há de melhor em cada um;
- que os jovens sejam acreditados e os educadores e funcionários, valorizados;
- e que o homem - seja criança, jovem ou adulto -, deve ser educado com um olhar para Deus, para a terra, sua casa comum e, para o mundo, respeitando suas origens, trabalhando nas três dimensões mais importantes de sua humanidade: a antropologia, a educação e a ecologia. Não podemos perder as raízes, as origens, pois o mundo é habitado por pessoas de diversas raças, cores, valores e espiritualidades.
Cabe à Pastoral da Educação, juntamente com educadores, instituições, famílias, enfim todos, respeitarem as diferenças culturais e promoverem o Ecumenismo do diálogo, para que as diferenças existentes, sejam para somar e não dividir, separar ou fragilizar.
Abraçando este projeto, estaremos todos, contribuindo para o legado que deixaremos para as novas gerações: um mundo melhor.
Esse abraço é um abraço global, de carinho e reconhecimento a todos os educadores e educadoras, que neste momento de pandemia, sem aulas presenciais, inventam e si reinventam, para que suas aulas e propostas educativas cheguem a seus educandos e às famílias brasileiras.
Todos nós, participantes do Encontro, Povo de Deus em Comunhão,  temos esperança de que todas as nossas articulações sensibilizem as autoridades políticas e eclesiásticas, instituições, famílias, comunidades escolares e a sociedade em geral, pois Educação é responsabilidade de todos.

A Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação da C.N.B.B espera que toda a sociedade se mobilize para tornar realidade esse grande projeto global. Dioceses de todo o Brasil e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estão disponibilizando textos e vídeos com as diretrizes do Pacto Educativo Global. Maiores informações poderão ser obtidas no site da CNBB. Para ter acesso a esses subsídios, clique aqui.

* Todas as imagens são do arquivo pessoal de Odete Martins de Oliveira Campos.

Para ler mais sobre o tema, acesse: 



quarta-feira, 16 de setembro de 2020

SUBSERVIÊNCIA DO GOVERNO BRASILEIRO A TRUMP SÓ FERRA O PAÍS

 


(Foto: Getty Images)

As derrotas diplomáticas que o Brasil pode ter aceitado 
para ajudar Trump a se reeleger


Em um período de apenas 15 dias, o Brasil amargou três derrotas diplomáticas para os Estados Unidos. Mas, de acordo com pessoas com conhecimento direto das negociações, que conversaram reservadamente com a BBC News Brasil, o governo brasileiro não foi pego de surpresa pelos reveses: ao contrário, o Itamaraty teria atuado diretamente para promover o interesse dos Estados Unidos sobre os nacionais.
O motivo: ajudar o republicano Donald Trump em sua tentativa de reeleição à Casa Branca. Em desvantagem nas pesquisas eleitorais nacionais, Trump enfrentará as urnas em menos de 50 dias.
A sequência de ações é considerada "eleitoreira" e "mostra de subserviência", disseram diplomatas ouvidos pela reportagem.
No dia 28 de agosto, os americanos anunciaram que cortariam em mais de 80% a importação de aço brasileiro até o fim do ano. Ao fazê-lo, ainda agradeceram ao "diálogo construtivo" com o chanceler Ernesto Araújo. Treze dias mais tarde, o governo brasileiro decidiu expandir por mais três meses o prazo para importação de etanol americano com tarifas mais baratas, contrariando o interesse dos próprios produtores brasileiros.
As derrotas diplomáticas recentes do Brasil para os EUA não só tiveram conhecimento do Itamaraty, mas participação dele. Continue lendo a matéria de Mariana Sanches para a BBC News Brasil clicando aqui.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

DEPOIS DE TODOS OS ESTRAGOS BOLSONARO BRINCA DE PAPAI NOEL


Políticas públicas e estratégia eleitoral

Neste cenário de recessão, de aumento do desemprego e empobrecimento generalizado, o que vai acontecer quando o governo federal encerrar o auxílio emergencial? Mesmo considerando que o Renda Brasil se efetive, sobram 40 milhões de brasileiros que se habilitaram por sua condição de pobreza a acessar o auxílio emergencial e que não terão mais nenhum recurso para enfrentar as adversidades. O que vai acontecer com a popularidade de Bolsonaro?
Para ler a íntegra do texto de Silvio Caccia Bava para Le Monde Diplomatique Brasil, clique aqui.

sábado, 5 de setembro de 2020

DEUSES E ORÁCULOS

 

Robot hand touching fingertips with human hand
(Tumisu / Pixabay)

A impostura do digital*

Eugênio Magno

Há quem diga que a Comunicação Social – Jornalismo, Publicidade & Propaganda e Relações Públicas –, no formato que gerações com mais de 50 anos conheceram, morreu. Quem diz isso, em sua maioria, tem menos de 30 anos e fala meia verdade.

A Geração Z (mão no mouse), não reinventou a comunicação, muito menos inventou um novo marketing, apelidando-o de Marketing Digital, como apregoam por aí alguns apologistas digitais. Quase tudo continua como dantes no quartel de Abrantes, de forma piorada. E digo quase tudo porque não podemos negar a capacidade interativa das redes sociais, a precisão com que é possível fazer micro segmentação, a confiabilidade das métricas, a velocidade da distribuição da mensagem e a convergência de mídias. Sem contar a eliminação de uma grande quantidade de intermediários no processo comunicacional aliado a outros fatores, dentre eles, um que não pode ser desconsiderado por quem paga a conta, custos bem mais acessíveis. Mas essa é apenas uma das metades da verdade que é acessível apenas para quem dispõe dos meios tecnológicos e/ou do poder de pagar o alto custo dos mais sofisticados bots produzidos e gerenciados pelas megacorporações que dominam a indústria dos big data e monitoram as ações dos cidadãos mundo afora.

Tidos por muitos como Oráculos de Delfos, é preciso que nos atentemos para a impostura robótica. Diferentemente dos sacerdotes e sacerdotisas da Grécia antiga, os robôs não advinham o futuro. Através do monitoramento comportamental do indivíduo, os bots induzem o usuário dos meios informacionais a escolhas das quais extraem, a cada click, mais dados que, acumulados, transportam o novo homem cibernético para currais de segmentos virtuais, cujas movimentações, por mais livres que pareçam ao navegante, são quase que totalmente controladas, previstas e previsíveis. É assustadora, a influência sobre o comportamento humano e a forma como o capitalismo tecnológico explora, inclusive laboralmente, o internauta que, a todo instante, ao utilizar os sistemas digitais produz – como mão de obra gratuita –, mais e mais informações que alimentam o capital e cada vez mais nos enredam em uma relação de submissão a sofisticados padrões de controle social.

O que foi prometido ao cidadão como democratização e universalização do acesso à informação e à comunicação, assim como possibilidade de difusão de mensagens sem intermediação se transmutou muito rapidamente em um engodo. Existe sim maior capacidade de emitir mensagens, porém, sem nenhuma garantia de que estas sejam recebidas. O fluxo do processo de comunicação foi invertido. Se no passado, os grandes veículos de comunicação: TVs, rádios, jornais, revistas e agências de notícias, controlavam a emissão, atualmente, empresas como Google, Facebook, Whatsapp, YouTube, Instagram, Tik Tok, Telegram, Twitter e outros mais, com seus algoritmos e robôs, controlam a recepção.

As grandes plataformas digitais nos encurralaram em bolhas de “iguais”. Pilotamos nossos computadores e celulares como se fossemos poderosos emissores de mensagens para uma grande audiência, quando na realidade se quer conseguimos atingir o vizinho do apartamento ao lado do nosso. Em alguns momentos e circunstâncias seria mais apropriado dar alguns telefonemas ou recorrermos ao e-mail, isso para não sairmos da perspectiva do mundo virtual. Mas como continuamos acreditando no que nos prometeram, em um passado próximo, preferimos viver a ilusória impressão de sermos livres e poderosos navegadores do ciberespaço.  

Houve um tempo, não muito distante, em que como espectadores de nossos programas preferidos, no rádio ou na televisão, tínhamos a possibilidade de calcular até a hora de ir ao banheiro, fazer um lanche, dar um telefonema, ou coisa que o valha. O espaço para a programação era bem mais extenso e o momento do comercial, da propaganda era identificado como intervalo por vinhetas. No mundo digital, sem quê nem para quê, surgem comerciais aos borbotões, entrecortando falas de apresentadores, interrompendo raciocínios e desviando a atenção da audiência para verdadeiros testemunhais facilmente confundidos com notícias, informações ou disciplinas formativas pelos menos avisados.

Nem tudo que se anuncia como liberdade é deveras libertador. Baixo custo, acessibilidade, inclusão e letramento digital. Tudo é narrativa líquida. Desregulamentação, amadorismo maquiado por terminologias anglo-saxônicas, mensagens apócrifas, fake news, centrais de noticias odientas, etc. A imensa aldeia global está reduzida a minúsculas bolhas dispersas no caos das virtualidades.

* Esse artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

ENXURRADA DE FAKE NEWS

 

Captura de tela feita em 19 de agosto de 2020 de uma publicação no Facebook reproduzida pela AFP Chile

Como enfrentar as fake news

Para o bem e/ou para o mal, os meios de comunicação estão coalhados de fake news. O grande desafio é identificá-las, denunciá-las e evitar sua propagação.

A instantaneidade do digital deixa pouca margem para decodificar, apurar e refletir para depois agir. O estrago de reputações e a disseminação de mentiras, invenções, armações, picaretagens e até mesmo alertas, prevenções infundadas e esperanças falsas, tornaram-se fatos corriqueiros, principalmente nas redes sociais, mas também nos meios de comunicação tradicionais. 

Existem plataformas especializadas em confirmar e apontar notícias falsas e aplicativos para ajudar o internauta na análise de fake news, assim como alguns (ainda que poucos) mecanismos para denunciar e excluir esse tipo de postagem nas principais redes sociais. O mais importante, entretanto, é que cada um se reconheça na sua expertise e não fique por aí brincado de comunicador ou jornalista. O mundo já está conturbado o suficiente para que atos impensados, ainda que bem intencionados, tragam ainda mais conflitos e turbulências para esta sociedade em desordem.

Veja, por exemplo, este vídeo, anunciado pelo seu autor como "de utilidade pública familiar" que circula pelas redes sociais (já há algum tempo) alertando a população para os perigos de se deixar medir a temperatura por termômetros infravermelhos apontados para a testa. Tendo em sua abertura a chamada "é melhor prevenir do que remediar", a primeira imagem do vídeo é o desenho de perfil uma cabeça humana, destacando o cérebro e colocando em evidência a glândula pineal.

(Identificado como mídia da rede social Tik Tok) 

Embora aqui esteja sendo citado esse vídeo, a informação circulou de forma escrita, como mensagem de áudio e também em outros vídeos, partindo de vários perfis em quase todas as mídias sociais.

No caso específico dessa informação, indico a matéria que Marion Lfévre, da agência de notícias  AFP Argentina / Chile, realizou, cujo título é "Medir a temperatura com um termômetro infravermelho não danifica a glândula pineal". 

Não espalhe notícias sem checar sua veracidade. Para ler a matéria da AFP, na íntegra clique aqui.


terça-feira, 25 de agosto de 2020

REVIRAVOLTA NAS RELAÇÕES COMERCIAIS ENTRE BRASIL E ARGENTINA

 

(Foto: Getty Images)

'ArgenChina': por que a China desbancou Brasil como maior parceiro comercial da Argentina

O fato inédito ocorreu, quase desapercebido, em setembro e outubro de 2019, quando o país vizinho exportou US$ 74 milhões a mais para o país asiático do que para o mercado brasileiro. Em outubro, a diferença a favor da China foi menor, US$ 37 milhões.
Na época, pelo quase empate, os números não chamaram atenção. Fato que ocorre agora, depois de os chineses terem ultrapassado os brasileiros três meses seguidos, abril, maio e junho, e por um volume maior. Em abril, a Argentina exportou US$ 509 milhões para a China, principalmente em soja e carne bovina, um aumento de 50,6% em relação ao mesmo período de 2019.
Já para o Brasil, as vendas totalizaram US$ 393 milhões, enquanto no mesmo mês de 2019 tinham totalizado US$ 907 milhões, queda de quase dois terços, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística da Argentina (Indec).
No mesmo período, a Argentina importou mais do Brasil do que da China, mas os chineses encerraram o mês com saldo positivo de US$ 98 milhões no comércio bilateral, enquanto que o Brasil teve déficit de US$ 132 milhões.
Mas como a China conseguiu desbancar o Brasil como maior parceiro comercial da Argentina?

Para continuar lendo a matéria de Marcia Carmo, de Buenos Aires para a BBC News Brasil, clique aqui.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

EX-GURU MIDIÁTICO DE TRUMP É PRESO NOS ESTADOS UNIDOS

Foto: Reprodução: DCM/Josías Teófilo/Instagram

Steve Bannon estrategista mundial da extrema direita 

acaba de ser preso

Televisões, rádios, jornais, portais e agências de notícias do mundo inteiro estão noticiando a prisão do ex-estrategista-chefe, da Casa Branca, Steve Bannon, que também é próximo da família Bolsonaro. 
O guru da extrema direita mundial e mais três associados foram indiciados por investigadores do Distrito Sul dos EUA (Nova York) nesta quinta-feira, sob acusação de fraudarem centenas de milhares de doares para a arrecadação de fundos para a campanha "Nós Construímos o Muro". Os responsáveis pela detenção de Bannon e seus comparsas alegam que as fraudes do grupo geraram “mais de US $ 25 milhões para construir um muro ao longo da fronteira sul dos Estados Unidos”.

sábado, 15 de agosto de 2020

PRIMEIRA MULHER NÃO BRANCA A CONCORRER EM CHAPA PRESIDENCIAL DE UM GRANDE PARTIDO NOS EUA

(Reuters)

 A obscura teoria que Trump encampa para questionar candidatura de Kamala Harris como vice-presidente


O presidente americano, o republicano Donald Trump, afirmou ter lido que a candidata à vice-presidente na chapa democrata, a senadora Kamala Harris, “não se qualifica” para o cargo que disputará na eleição de novembro.
A declaração amplifica uma teoria jurídica marginal que críticos de Trump consideram racista. O mandatário, aliás, promoveu por anos a falsa teoria de que o presidente Barack Obama não havia nascido nos Estados Unidos.
Filha de um jamaicano com uma indiana, Kamala nasceu em Oakland, no Estado da Califórnia, em 20 de outubro de 1964. Ao ser escolhida como vice do candidato Joe Biden, ela se tornou a primeira mulher não branca a disputar a eleição presidencial em um dos dois grandes partidos.
Para continuar lendo a matéria da BBC News Brasil, clique aqui.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O PSIU POÉTICO

(Arte do Psiu Poético 2020 - Criação: Gabriel Filpi)

Psiu Poético Festival de Arte Contemporânea

Estão abertas até 31 de agosto, as inscrições para o 34º Festival de Arte Contemporânea Psiu Poético. Os poetas interessados em participar poderão se inscrever pelos e-mails: psiupoetico@gmail.com e psiupoetico.cinema@gmail.com.
A versão 2020 do Psiu acontecerá de 04 a 12 de outubro,  virtualmente.
Gabriel Filpi, autor da arte do Psiu Poético deste ano deseja aos participantes do evento que sua criação "suscite significados dentro de cada pessoa que a vir, que este estilingue nos lance além de tudo o que o psiu já foi. E, no vôo, antes de atingir a mira, que aprendamos juntos a voar".
A arte-logo da trigésima quarta edição do Psiu, DANÇAPALAVRA, é um desenho com finalização digital: grafite, lápis aquarelado, giz pastel oleoso, borra de café e marcador sobre papel, arte gráfica.
Aroldo Pereira aguarda todos os habitués do Psiu e conta também com a participação de novos poetas de todos os cantos do país. Participe!

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

HUMANISMO SOLIDÁRIO PELA VIA DA EDUCAÇÃO



(Imagem: Logotipo do Pacto Educativo Global)


Pacto pela Educação no Planeta*

Eugênio Magno

Os ataques de que a educação é vítima não são fatos novos. Ao longo da história, desde sua descoberta como possibilidade e sistematização como área de conhecimento, sobretudo, a partir da criação da escola, a educação vive a condição de ser portadora de contradições: avanços e retrocessos. Por essa e outras razões, tão criticada e, em certas circunstâncias, vilipendiada. De quando em vez observamos acenos alvissareiros que logo são sequestrados pelo capital ou dissolvidos por uma excessiva endogenia acadêmica.

Educação e escola vêm sendo confundidas, fundidas e amalgamadas de tal forma, por agentes internos e externos ao seu próprio campo, que no imaginário popular é senso comum interpretá-las como sinônimas. Apesar dos esforços de teóricos e gestores comprometidos com a causa educacional, a situação se agrava progressivamente e a correnteza que arrasta hora uma e hora outra, para o brejo, ofusca conquistas e achados importantes que poderiam, ao contrário, apoiá-las, reposicionando-as aos seus devidos e merecidos lócus. Se assim não fosse, mas é possível que esse quadro venha a se reverter, escola e educação poderiam ser interpeladas uma pela outra e, provocadas por uma sociedade que as distinguisse, fazer irromper uma pedagogia capaz de libertar a própria educação, a escola e, consequentemente, as instituições e seus líderes, dos vícios que as enredaram. São muitas as práticas sociais que são importantes demais para merecer apenas o cuidado de governos, de ministérios e dos experts.  A educação é um desses campos que não pode prescindir de uma ampla rede de contribuições, para além da pedagogia disciplinar, curricular. Carece de aportes que transcendam o universo acadêmico e contemplem saberes e fazeres – práxis – da ordem do familiar, do comunitário, do cultural, da terra – nossa casa comum –, da antropologia, da geopolítica, das artes, da ancestralidade, da ética, dos valores e virtudes e, porque não, do espiritual.

É, no mínimo, curioso observar de onde e com que pujança emerge o chamado planetário para repensar a educação. Ironicamente, ele vem justamente de uma das mais criticadas instituições mundiais, a Igreja Católica, que carrega ônus e bônus na condução de processos educativos pelos quatro cantos do mundo. Mas o que pode ser visto como paradoxal, é providencial e tem como protagonista o mais importante líder mundial da atualidade, o papa Francisco que, em visita aos países unidos dos Emirados Árabes assinou um documento sobre Fraternidade Humana, que propõe uma mudança de mentalidade em escala planetária por meio da educação.

No ano em que se comemora o quinto aniversário de lançamento da encíclica Laudato Si – documento que trata do consumismo e das questões climáticas e ambientais –, o sumo pontífice encaminha então mais uma das grandes ações contempladas no referido documento apostólico de apelo à unificação global. Neste ponto me refiro, precisamente, ao Pacto Educativo Global que, discutido em 2019, está sendo difundido mundialmente, pelo Vaticano, desde maio deste ano, de forma supraconfessional. Seu principal objetivo é recuperar o humanismo e posicionar a vida de todos os seres (humanos, animais, minerais e vegetais), da terra, da água, do ar e do céu, tendo a pessoa humana como centralidade do aprender, do educar, da partilha de saberes e conhecimentos.

Inspirado pelo provérbio africano “para educar uma criança é necessária uma aldeia inteira”, o papa propõe uma educação que permita relações abertas e fraternas, o que expressa a urgente necessidade de que toda a sociedade renove o compromisso de assegurar às gerações futuras uma educação voltada para a fraternidade e o diálogo. Escolas, universidades e a comunidade mundial estão sendo chamadas para promover estudos e reflexões sobre essa proposta. O Pacto Educativo Global, em essência, faz mais do que um apelo ou chamado, seu texto convoca e intima cada pessoa de bem para “se tornar protagonista desta aliança, assumindo compromisso pessoal e comunitário de cultivar, juntos, o sonho de um humanismo solidário, que corresponda às expectativas da humanidade e ao desígnio de Deus”.

É em boa hora que o Brasil, nestes tempos sombrios, recebe o anúncio dessa boa nova, para a qual deve abaixar a guarda e atendê-la, sem preconceitos e mi mi mis, mas de peito aberto, com “a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”.

* Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.


                   

sábado, 1 de agosto de 2020

152 BISPOS CATÓLICOS MANIFESTAM DESCONTENTAMENTO COM GOVERNO BOLSONARO


Contra "descalabros" de Bolsonaro, intelectuais apoiam 
"Carta ao Povo de Deus"

(Foto: Marcos Corrêa/PR)

Projeto Brasil Nação, 
movimento de intelectuais e artistas, manifestou apoio a críticas feitas por 152 bispos brasileiros

As duras críticas a Jair Bolsonaro (sem partido) feitas por 152 bispos, arcebispos e bispos eméritos brasileiros na Carta ao Povo de Deus seguem recebendo manifestações de apoio. Na última sexta-feira intelectuais e artistas do Projeto Brasil Nação endossaram publicamente o posicionamento dos religiosos, criticando "descalabros" do governo federal e denunciando que Bolsonaro age de forma deliberada para "para destruir o Brasil e subordiná-lo aos interesses estrangeiros".

(Fonte: Site Brasil de Fato)

sábado, 25 de julho de 2020

"OS SATÉLITES DE ELON MUSK ESTRAGARAM O CÉU"


O cometa Neowise com os satélites Starlink interferindo na imagem
(Daniel López / elcielodecanarias.com)


 Tesla e SpaceX colocam dispositivos na órbita da Terra 
para comercializar serviços

Astrônomos alertam para o risco representado pelos projetos que colocam dispositivos na órbita da Terra para comercializar serviços.
“Isso me afeta muito, mas pode causar problemas a quem se dedica a procurar cometas, estrelas e outros astros por meio de telescópios, é sério mesmo para a ciência”, explica o astrofotógrafo Daniel López. Suas vistosas imagens de fenômenos astronômicos deram a volta ao mundo, mas na terça-feira à noite ele teve um problema inesperado ao tentar fotografar o cometa Neowise a partir dos cumes de Tenerife. Como se vê na imagem, um esquadrão de satélites da SpaceX, a companhia de Elon Musk, cruzou diante de seu alvo e provocou dezenas de “arranhões” luminosos em seu trabalho. Musk pretende ter lucros com o acesso privilegiado à órbita da Terra por meio de milhares desses dispositivos, o que será um cisco irritante nos olhos dos astrônomos. “A proliferação de constelações de satélites artificiais prejudica a observação astronômica”, alerta a Sociedade Astronômica Espanhola (AAE).

Para continuar lendo a matéria de Javier Salas para o El País, clique aqui

segunda-feira, 20 de julho de 2020

VACINA À VISTA


Primeiro teste em humanos de vacina contra Covid-19 
de Oxford é promissor

Alistair Smout

LONDRES (Reuters) - Uma vacina experimental contra a Covid-19 que está sendo desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford produziu uma resposta imunológica em testes clínicos de estágio inicial, mostraram dados do ensaio nesta segunda-feira, o que mantém a esperança de que possa ser usada até o final do ano.
A vacina chamada AZD1222 foi descrita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal candidata de uma disputa global para deter uma pandemia que já matou mais de 600 mil pessoas.
Mais de 150 vacinas em potencial estão em estágios variados de desenvolvimento. A farmacêutica norte-americana Pfizer e a chinesa CanSino Biologics também relataram reações positivas de suas candidatas nesta segunda-feira.
A vacina da AstraZeneca e da Universidade de Oxford não apresentou efeito colateral grave e provocou reações imunes com anticorpos e células T, de acordo com resultados de testes publicados na revista médica The Lancet, e a melhor resposta foi vista em pessoas que receberam duas doses.

Para continuar lendo a matéria de Alistair Smout para a agência Reuters, clique aqui.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

CENTRAIS DE PRODUÇÃO DE FAKE NEWS ENCURRALADAS


(Foto: BBC News - Facebook/Reprodução)


Quem é Tercio Arnaud Tomaz, elo mais forte entre Bolsonaro e a rede de páginas derrubadas pelo Facebook sob acusação de espalharem notícias falsas


Elo mais forte entre o presidente Jair Bolsonaro e as páginas derrubadas pelo Facebook na última quarta-feira, Tercio Arnaud Tomaz saiu de Campina Grande, na Paraíba, para trabalhar com os Bolsonaro em Brasília. Agora, é apontado como parte de um esquema de publicações falsas nas redes que favoreceriam Bolsonaro.
Para ler a matéria de Juliana Gragnani, da BBC News Brasil em Londres, clique aqui.

domingo, 5 de julho de 2020

BRASIL VAI TESTAR VACINA



Anvisa autoriza teste para vacina contra coronavírus desenvolvida pela chinesa Sinovac
José de Castro
(Reuters)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o novo teste para potencial vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac, conforme nota divulgada no site da agência na noite de sexta-feira.
O pedido foi realizado pelo Instituto Butantan, vinculado ao governo do Estado de São Paulo e que liderará os testes com a potencial vacina no Brasil. O acordo do Butantan com a Sinovac prevê transferência de tecnologia para produção da candidata a vacina pelo instituto paulista caso os estudos mostrarem que ela é eficaz contra o coronavírus.
A ideia é testar 9 mil pessoas nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná, além do Distrito Federal.
Mais cedo na sexta, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), havia afirmado que não existia nenhuma razão para a Anvisa não conceder autorização para testes da potencial vacina e que aguardava aprovação a qualquer momento.
Além do agora autorizado teste com a vacina da Sinovac, já está sendo testada no Brasil uma potencial vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. Esse estudo está sendo liderado no Brasil pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e o Ministério da Saúde já anunciou acordo para produzi-la localmente, caso se mostre eficaz.
Segundo país mais afetado no mundo, atrás apenas dos EUA, o Brasil registrou na sexta-feira 42.223 novas infecções pelo novo coronavírus, o que elevou o total a 1.539.081, informou o Ministério da Saúde na sexta. A pasta relatou ainda 1.290 novas mortes diárias pelo vírus, com o total indo a 63.174.
(Fonte: Reuters)


quarta-feira, 1 de julho de 2020

LUZ NO HORIZONTE


(Print de tela do III Ato do movimento Direitos Já )

Democracia fala mais alto e governo baixa a bola

 

Eugênio Magno

 

A reprovação do governo Bolsonaro é alta e cresce na crise, mesmo entre os brasileiros que receberam o auxílio emergencial. Mas a luta contra o obscurantismo desse governo ainda não chegou ao fim. A batalha tem sido renhida.

As disputas por votos e os embates entre familiares, amigos, colegas de trabalho, de escola e contatos de redes sociais, durante as eleições de 2018, foram intensas, polêmicas e polarizadas a extremo. O que era para ser pontual, datado, em um momento de disputa política acalorada, se estendeu por um longo tempo e ainda tem dado pano pra manga. Até poucos dias atrás ainda éramos vítimas constantes do encaminhamento de mensagens apócrifas, replicadas nas redes sociais, alardeando a cura miraculosa do novo coronavírus, demonizando a política e atacando a educação, a cultura e os poderes da república.

É com tristeza que assistimos a irresponsável politização da pandemia. Quantas vezes tivemos que recorrer a textos da Organização Mundial de Saúde (OMS) e à opinião de cientistas para esclarecer os desinformados que o coronavírus foi batizado com esse nome desde o início dos anos 2000 e que é bem provável que o vírus até já existisse antes disso sem um nome que o identificasse. Era e continua sendo necessário ressaltar que estamos vivendo a pandemia do novo coronavírus (COVID-19). A China, os Estados Unidos, o Brasil, o mundo, todos sabiam de sua existência, como sabiam que o vírus sofreu mutação e, por falta de controle, voltou com altos índices de letalidade em todos os continentes. Não existem testes suficientes, nem equipamentos e medicamentos para combater a doença, assim como ainda não existem fármacos para imunizar a população mundial. Os especialistas afirmam que uma vacina para ser validada necessita de, no mínimo, dois anos de aplicação em massa, para fazer parte de um protocolo internacional de saúde. Mas o hipercapitalismo oportuniza sempre o lucro para os detentores do poder e do capital, reforçando esse famigerado pacto pela desigualdade que persiste entre nós e, em tempos de pandemia se intensifica empurrando os mais pobres para a morte. São vexatórios os flagrantes da corrupção praticada por agentes públicos nas várias instâncias de poder, durante a pandemia, envolvidos com superfaturamento de equipamentos de saúde e a exploração indevida de medicamentos e leitos de hospitais.

A crise brasileira na atualidade é multissetorial, o que revela mais do que incompetência política e falta de conhecimento sobre gestão pública, mas também e, principalmente, deficiência cognitiva dos nossos dirigentes, como já apontaram alguns estudiosos. Vejamos a questão da cloroquina, por exemplo, propagandeada e defendida pelo presidente da república a ponto de trocar ministros da saúde como se troca de roupa em plena crise pandêmica, em razão dos ministros discordarem da adoção do medicamento como solução no combate a covid-19. Vários estudos revelam que esse remédio só deve ser administrado nas doses propostas para combater o corona, em pacientes que estejam em estado gravíssimo, pois seus efeitos colaterais são extremamente danosos. Aliás, vale lembrar que esse medicamento não é nenhuma novidade, já é utilizado para combater outros males, como artrite, malária, etc., há algum tempo. Não podemos negar a existência de uma grande corrida mercadológica entre os laboratórios da indústria farmacêutica para ver quem chega à frente com a descoberta dos fármacos preventivos e curativos. Mas precisamos reconhecer que a polarização política em torno da pandemia chegou ao extremo de acirrar os ânimos entre as oposições no Brasil, a ponto dos bolsonaristas acusarem de contra a vida, todos que se posicionaram a favor da ciência. Quanta insensatez... Arrisco dizer que não haveria um único brasileiro que deixasse de festejar a cura comprovada dessa doença, mesmo que o receituário fosse o portentoso e inflacionado grão de feijão do pastor Waldomiro.

Nunca vi o Brasil tão desprestigiado e desacreditado, interna e externamente como nos últimos tempos. Já fomos colônia, império, subdesenvolvidos, terceiro-mundistas, passamos por ditaduras, mas agora estamos desgovernados. Até poucos dias atrás testemunhávamos ataques exacerbados contra os poderes legislativo e judiciário, num claro sintoma de desespero político por parte do executivo que vinha acenando com a possibilidade de governar sozinho, sem os contrapesos dos demais poderes da república. Com todas as críticas cabíveis aos três poderes, não existe nenhum registro de que o legislativo ou o judiciário tenha atacado ou ameaçado o poder executivo. O que tem ocorrido são manifestações de membros dos dois poderes e de vários setores da sociedade brasileira contra o chefe do executivo nacional. Existem mais de 40 pedidos de impeachment para barrar Bolsonaro.

É preciso muito, muito mais que força e voluntarismo para ser um chefe de estado. A Presidência da República não é para estagiários. Além de bagagem, inteligência e maturidade política, há que se ter o lombo curtido para ocupar tal posição. Leva-se muita pancada naquela cadeira – e quem não as levou? Getúlio, Jânio, JK, Jango, os militares (de Castelo Branco a Figueiredo), Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula (que chegou a ser preso), Dilma e Temer (?). Agora, vem o senhor Jair Messias Bolsonaro com uma equipe da pior qualidade, achar que pode passar ileso e que vai resolver tudo de forma autoritária, mandando a imprensa calar a boca, sobrevoando manifestações populares de helicóptero, ameaçando as instituições e se fazendo de vítima de um complô? Se ele tivesse vocação para estadista buscaria resolver as coisas de forma republicana e aceitaria os ônus do cargo. Mas o presidente e seus correligionários sempre pareceram estar deslocados no tempo. É impossível saber se ainda estão em 2018 ou se deram um salto temporal e já se encontram em 2022, disputando nova eleição. O certo é que o capitão venceu as eleições e permanece com a mesma retórica de campanha eleitoral, esquecendo de que é preciso governar e governar para todos não só para aqueles que nele votaram, mas, inclusive e, também, para os que já se arrependeram de terem lhe dado o voto.

O que vivemos no atual momento requer articulações suprapartidárias e comportamento republicano. Se os três poderes não fizerem seu dever de casa e o presidente não aprender a conviver com os contrários, que na política e na democracia é o que de mais precioso deve existir para que não haja totalitarismos e autoritarismos nem à direita, nem à esquerda, daremos com os burros n’água. Quero crer que o presidente tenha tomado tento e que busca agora garantir seu mandato, sair do isolamento político, tirar a cara da vidraça e deixar de insultar e insuflar os ânimos de seus opositores. A indústria das fake news políticas diminuiu consideravelmente sua produção de conteúdo após o início da investigação dos suspeitos de gerenciar e distribuir por meio de robôs informações falsas, incitar o ódio e promover a desinformação. A prisão do Queiroz, ao que parece, também contribuiu para essa baixada de bola. É grande o número de milicianos digitais que, amedrontados pela ação da Polícia Federal, fecharam seus QGs ou entraram em recesso, deixando internautas militantes – os arautos do caos –, sem munição para seus disparos tresloucados. São notórios os sinais de arrefecimento dos extremistas frente às reações que começam a surgir de vários grupos econômicos e instituições republicanas, depois das insistentes manifestações populares contra a onda que vinha ameaçando agressiva e sistematicamente a democracia e a república brasileira.

Para além dos arrependidos – confessos e velados –, existem os ressentidos consigo mesmos. Estes que no calor do seu entusiástico apoio a Bolsonaro no período da campanha eleitoral se indignavam contra o espectro político-partidário do qual divergiam e, de forma ensandecida tripudiavam de quem não partilhava de suas convicções. Uma pequena parte desse grupo ainda persiste na defesa do indefensável. Órfãos de uma liderança coerente com as bandeiras levantadas durante as eleições presidenciais de 2018 e das promessas descumpridas de construção de um novo Brasil, teimam, ainda hoje, em defender as suas equivocadas decisões passadas, despejando todo o ódio de suas pesadas consciências contra aqueles que não ficaram do lado errado da história. Não estou convicto de que continuam defendendo Bolsonaro. Ouso inferir que o orgulho não lhes permite admitir o equívoco e que se debatem na areia movediça em que se chafurdaram.

Apesar do naufrágio iminente, a debandada total ainda não se concretizou e a república, o estado democrático de direito, a vida, a saúde, a economia, os direitos humanos e sociais e a liberdade estão minados e necessitam, urgentemente, serem salvos e reconstruídos.

Mas nem tudo está perdido. Muitas ações, e mobilizações estão sendo deflagradas em todo o país, online e offline. Na semana passada, por exemplo, aconteceu um evento virtual de grande envergadura. Durante quase 5 horas, o III Ato do movimento Direitos Já, com o tema “Em defesa da democracia, da vida e proteção Social”, reuniu, algo em torno de 130 das mais importantes lideranças e personalidades da política e da sociedade brasileira, para dar um recado ao governo e à nação. Unidos na diferença, os participantes da live foram unânimes em afirmar que não há espaço no Brasil para outro regime político que não seja a democracia. E, no dia 29 de junho veio outro recado importantíssimo: Pesquisa Datafolha revelou que a democracia segue majoritária na preferência da população. Entre os brasileiros adultos, 75% - três em cada quatro brasileiros – têm a democracia como a melhor forma de governo. Será que já não é o bastante?

Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta e no site do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara.