quarta-feira, 22 de novembro de 2017

FALTA INFRAESTRUTURA


Apagões do Estado*


Eugênio Magno
Comunicólogo e Educador


      Antes do anúncio do leilão das quatro hidrelétricas que eram operadas pela Cemig, o fornecimento de energia em várias cidades mineiras já dava sinais de comprometimento. O que não se sabe é se o comprometimento é real ou fake provocado por estrategistas para justificar privatizações e reajustes futuros.
           Não são poucos os piques de energia, apagões e interrupções, desculpados como programados, mas sem aviso prévio. Isso e mais o recebimento de carga e voltagem abaixo do contratado, perda de alimentos em nossas geladeiras e freezers, prejuízos por ficarmos impedidos de trabalhar quando nossos equipamentos de produção são alimentados por energia elétrica e descumprimento de prazos por falta de telefonia e internet. Sem contar os riscos que corremos ao andar por ruas com lâmpadas queimadas. Enquanto isso, a empresa gasta milhões em propaganda para solicitar aos usuários de seus serviços que se cadastrem para receber o comunicado que ficarão sem energia em determinados períodos. Pra que isso, se todos os clientes já são cadastrados para a cobrança das altas tarifas, acrescidas de reajustes, bandeiras vermelhas e mais um monte de penduricalhos que só oneram o consumidor doméstico?
O slogan da Companhia Energética de Minas Gerais que já foi A melhor energia do Brasil, por muitos anos, mudou para Nossa energia, sua força, mas há tempos que a contrapropaganda afirma que a Cemig tem a Energia mais cara do Brasil. Sua qualidade não justifica seu custo e nós, mineiros, não podemos mais nos ufanar de ter a Cemig como patrimônio de nosso Estado, como não temos mais a Telemig, dentre outras empresas.
As especulações em torno de uma possível privatização da Cemig e também da Copasa, orquestrada pela mídia privatista, alardeia a valorização das ações das empresas no mercado financeiro, esse não-lugar improdutivo e volátil que vive de rumores e humores fabricados pela indústria da comunicação. Para justificar a inexistência de investimentos em infraestrutura e a negligência com nossos mananciais, rios e reservatórios, Cemig e Copasa estão sempre às voltas com números de pesquisas inacessíveis, atribuindo culpa à estiagem, para encobrir má gestão e achacar o consumidor residencial com altas tarifas e ainda exercer pressão para que se reduza o consumo, enquanto fornecem serviços essenciais à vida humana de forma descuidada e desrespeitosa.
No caso do Brasil e de Minas, em particular, em que o maior percentual de geração de energia vem da água, essa dobradinha Cemig e Copasa deveria nos favorecer. Temos potencial para ser um dos maiores fornecedores de água do planeta. Poderíamos sim ter a melhor energia elétrica do Brasil e, claro, a água e a energia mais baratas do mundo e não falta de água que gera falta de energia o que também impede que a água captada seja bombeada dos reservatórios até nossas caixas d’água.

E a culpa, definitivamente, não é de São Pedro.

(* Este artigo  também foi publicado na página de Opinião do jornal O Tempo, de 15/11/2017)

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