quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

CAÇADORES DE NAZISTAS


‘Hunters’: Al Pacino à caça de nazistas

(Foto de cena do filme)

“Essa história foi inspirada pela maior super-heroína que conheci: minha avó”. Assim começa uma carta que acompanha os primeiros capítulos da série Hunters fornecidos pela Amazon Prime Video à imprensa. Nela, David Weil, seu criador, fala sobre como sua avó foi a única sobrevivente de sua família após passar pelos campos de concentração nazistas de Auschwitz e Bergen-Belsen. Quando ele era criança, a avó lhe contava algumas daquelas terríveis experiências, histórias recheadas de drama e terror, mas que também mostram a resistência incrível do ser humano. Para ele e seus irmãos, essas histórias pareciam quadrinhos de super-heróis, batalhas entre o bem e o mal em que não havia meio termo: um mundo dividido entre heróis e vilões.
É normal que Hunters, cujos 10 episódios estreiam na sexta-feira 21 na Amazon Prime Video, tenha certo jeito de quadrinhos tanto em sua estética como nessa divisão entre bons e maus. O protagonista (interpretado por Logan Lerman) é um jovem do Brooklin de 1977 que trabalha em uma loja de quadrinhos. O assassinato de sua avó o levará a procurar vingança após um milionário que a conhecia oferecer sua ajuda e a participação na equipe que lidera: um grupo de caçadores de nazistas. Porque nesse mundo (como no nosso), os nazistas estão por todos os lados, tomando pouco a pouco posições de poder, e têm o objetivo de instaurar o Quarto Reich nos Estados Unidos. O líder dos caçadores de nazistas é interpretado por Al Pacino no que é seu primeiro papel em uma série de televisão desde a minissérie Angels in America (Anjos na América) em 2003.
Para continuar lendo a matéria de Natalia Marcos para o El País, clique aqui.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

DESPERDÍCIO E FALTA DE CUIDADO COM A ÁGUA


Escassez e má gestão


A água é uma dádiva da natureza ou apenas um $?

O cidadão comum, o consumidor residencial é constantemente responsabilizado pelo desperdício de água. Os gestores do setor de abastecimento reclamam o ano inteiro da falta de água nos reservatórios e quando as chuvas caem as cidades não estão preparadas para recebê-las e as empresas que trabalham com recursos hídricos não dispõem de nenhuma tecnologia avançada para coletar melhor e em maior quantidade a água das chuvas.
Quando acontecem enchentes e inundações pobres e moradores das preferias perdem todos os bens que conquistaram ao longo da vida e ficam desabrigados. Como se não bastasse, autoridades públicas ainda têm o desplante de culpar a própria população pelas tragédias, em razão das construções em locais de risco e da falta de destinação correta para o lixo que polui córregos e entope bueiros. Isso é fato. Mas a raiz de tal situação está no modo de produção da vida - o capitalismo - e na forma de administração das políticas públicas, cada vez mais voltadas para interesses privados. As pessoas não têm culpa da falta de emprego e renda, saneamento e moradia. Dão seu jeito, se viram como podem e até onde aguentam.
Nos últimos dias todos têm falado sobre a impureza da água no Rio de Janeiro. Mas em Minas Gerais, a caixa d'água do país, a situação não difere tanto assim do que acontece no Rio. Em várias cidades mineiras, principalmente no Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha, a população sofre com a falta de água para todos os fins e não são poucas as localidades de nosso Estado que a muito tempo seus moradores não recebem água potável para beber. 
Esse é o caso, por exemplo, de Pinhões, comunidade rural remanescente quilombola, próxima ao Convento de Macaúbas, a 10 quilômetros de distância do centro histórico de Santa Luzia, cidade pertencente à Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em Pinhões, sitiantes e moradores com mais recursos, além de pagar pelo fornecimento de água da Copasa, compram água mineral para beber e preparar alimentos. Já a população menos favorecida - econômica e culturalmente - contamina-se cotidianamente com a água suja, poluída e escassa (de dois a três dias, ainda que alternados, em cada semana, não há abastecimento no bairro). Quem tem caixas d'água maiores e paga pela água mineral consegue administrar os constantes períodos de desabastecimento, enquanto os demais sofrem a privação. 
Há mais de 5 anos um dos poços/reservatórios da região secou e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais construiu um outro. Mas ao que parece, não foi feito um estudo minucioso sobre a qualidade da água e, tão logo foi iniciado o fornecimento advindo do novo poço, a população detectou a má qualidade da água. Moradores contam que em uma reunião com técnicos da Copasa, as falas dos representantes da empresa eram no sentido de convencer os presentes de que não tinha nada de errado com a água. Todavia, um morador foi até à uma torneira próxima, encheu um copo d'água e ofereceu aos técnicos para beber e, como já era esperado, nenhum deles se atreveu a ingerir nem um gole sequer da água oferecida.
Na última semana, Pinhões ficou 2 dias consecutivos sem abastecimento. Ao ligar para a central de atendimento da empresa para saber o que estava acontecendo com o fornecimento, os atendentes diziam que não havia nenhuma informação sobre a falta de água. Até que um morador conhecido de um servidor com acesso aos procedimentos internos da Copasa conseguiu a informação que dava conta de que um funcionário teria se esquecido de abrir novamente o registro que fechara para fazer um reparo no reservatório (sic).
Terá fundamento tal argumentação ou trata-se de mais uma das respostas prontas, constantemente pronunciadas como desculpas estapafúrdias das empresas de economia mista, cuja prestação de um serviço que deveria ser de interesse público é apenas fachada para interesses privados?
É fundamental que a população discuta com essas organizações os seus modelos de gestão. Afinal, o cidadão, é o consumidor final de um "produto" que na verdade é um bem de todos, uma dádiva da natureza. Será que é ele, o consumidor, quem deve pagar e se contaminar pelo uso da água poluída e ainda ser responsabilizado pela má gestão desse precioso recurso natural a cada dia mais escasso?
Para encerrar reitero a inoperância e a falta de investimento em pesquisa e desenvolvimento tecnológico e sustentável do setor, que continua coletando água do mesmo modo que se coletava a séculos atrás. Se não, vejamos: o que foi feito com a água das chuvas de janeiro e fevereiro deste ano, em Minas Gerais? À exceção da quantidade que os reservatórios existentes têm capacidade de coletar e armazenar, todo o restante foi para o esgoto.
Não é preciso ser especializado em recursos hídricos para saber de quem é a responsabilidade por todas essas tragédias.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

REFORMAS: ONDE, QUANDO, COMO, POR QUÊ?


Maia quer aprovar reforma tributária nos próximos 4 ou 5 meses

(Foto: Agência Brasil - EBC)

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que pretende que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma tributária elaborada pelo deputado Baleia Rossi (MDB-SP) seja aprovada na Casa em quatro ou cinco meses.
Em palestra na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Maia também disse estar confiante na aprovação de um imposto sobre valor agregado (IVA) nacional na reforma tributária. Ele defende que uma abertura comercial do país seja feita somente após a aprovação das mudanças tributárias.
(Fonte: Reuters)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

NINGUÉM FICA RICO REZANDO

Direito de imagem


(Foto:  Darrin Klimek / Getty)


10 multimilionários da lista da Forbes que acabaram na cadeia

Os crimes são tão variados quanto os perfis dos personagens. Mas todos têm algo em comum: são multimilionários que terminaram atrás das grades.
A revista Forbes fez um levantamento dos magnatas que em distintos momentos da história fizeram parte de sua lista das pessoas mais ricas do mundo.
Desta lista que apresentamos, alguns — como Thomas Kwok e Michael Milken — seguem tendo grandes fortunas, enquanto outros — como Raj Rajaratnam e Allen Stanford — empobreceram.
Quem está ainda na prisão? Allen Stanford e Joaquín Guzmán Loera, mais conhecido como "El Chapo" Guzmán.
O mexicano, líder do cartel de Sinaloa, foi condenado à prisão perpétua em Nova York por ter enviado toneladas de drogas aos EUA.
Para continuar lendo a matéria da BBC News Brasil, clique aqui.


sábado, 1 de fevereiro de 2020

GREVE À VISTA


Greve de petroleiros começa em 9 Estados, diz FUP

Petroleiros da Petrobras iniciaram na madrugada deste sábado greve por tempo indeterminado em 9 Estados do país, informou a Federação Única dos Petroleiros (FUP).
A categoria cobra a suspensão das demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen), que afetarão mais de mil famílias, afirmou a FUP em comunicado. Os petroleiros também querem o estabelecimento de negociação com a empresa para cumprimento de Acordo Coletivo de Trabalho e “suspensão imediata das medidas unilaterais tomadas pela gestão e que estão afetando a vida de milhares de trabalhadores”.
“Entre às 23h de sexta-feira e a zero hora de sábado, não houve rendição nos turnos de 11 unidades de refino e produção de derivados de petróleo da Petrobras, nem em três terminais da Transpetro”, informou a FUP. “Pela manhã, os trabalhadores do Rio Grande do Sul, do Espírito Santo e do Norte Fluminense se somaram à greve.”
A empresa também iniciou na véspera a etapa de divulgação da venda da totalidade de suas participações nas usinas de energia Eólica Mangue Seco 1 e Eólica Mangue Seco 2.
Representantes da Petrobras não puderam ser contatados de imediato.
(Fonte: Reuters)

sábado, 25 de janeiro de 2020

CIENTISTAS BRITÂNICOS RECRIAM VOZ DE SACERDOTE EGÍPCIO


Uma múmia ‘volta a falar’ 3.000 anos depois da sua morte

(Foto: UL)

Na noite de 14 de março de 1941, a Luftwaffe nazista sobrevoou a cidade britânica de Leeds, deixando uma chuva de bombas incendiárias e explosivas. Uma delas caiu no museu arqueológico da cidade, destruindo duas das três múmias expostas. A única sobrevivente foi a múmia de Nesiamon, um sacerdote egípcio que viveu há 3.000 anos no templo de Karnak, perto da atual Luxor, durante o reinado do faraó Ramsés XI. Nesiamon dedicou sua vida a recitar orações e a cantar ao deus Amon. Em seu livro A Maldição das Tumbas dos Faraós, o egiptólogo Paul Harrison conta que alguns visitantes do Museu de Leeds tiveram visões de matanças, incêndios e criaturas de além-túmulo na frente do sarcófago do sacerdote.
Hoje, três milênios depois de sua morte, Nesiamon voltou a falar. Uma equipe de cientistas levou sua múmia para o Hospital Geral de Leeds, colocou-a em um scanner de raios X, estudou seu trato vocal e o reconstruiu com uma impressora 3D. O resultado é um som breve, similar à vogal “e”, que segundo os pesquisadores seria a voz de Nesiamon que retumbava no templo de Karnak.
“Estamos vendo se poderíamos criar algumas palavras ou um canto de Nesiamon mediante uma simulação por computador”, antecipa o engenheiro eletrônico David Howard, líder do projeto junto ao arqueólogo John Schofield. Howard é o inventor de um surpreendente “órgão de tratos vocais”, um instrumento musical que toca vogais mediante um teclado conectado a laringes eletrônicas e a simulações impressas em 3D a partir de tomografias de pessoas reais. Em 2016, em um salão vitoriano de sua universidade, o engenheiro empregou seu peculiar órgão para interpretar com uma soprano O Mio Babbino Caro, ária de uma ópera de Puccini.
Para ler, na íntegra, a matéria de Manuel Ansede e Mariano Zafra para o El País, clique aqui.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

AMANHÃ TEM "CINEMA FALADO" NO MIS CINE SANTA TEREZA


Ironia de "A marvada carne" atualiza Mazzaropi ao contar uma fábula caipira




"A Marvada Carne", filme de 1985 de André Klotzel, com Fernanda Torres, Adilson Barros, Regina Casé, Dionísio Azevedo e Geny Prado, é o programa do Cinema Falado da próxima terça-feira, 21 de janeiro de
2020, às 19h, na Sala Geraldo Veloso do MIS Cine Santa Tereza (praça Duque de Caxias, bairro Santa Tereza).
Oportunidade para um encontro com críticos e cineastas para ver esse filme e conversar sobre cinema, poesia, política e outros assuntos da cultura brasileira. O filme será apresentado pelo crítico e cineasta Paulo Augusto Gomes.
O Cinema Falado é uma iniciativa do Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais (CEC-MG) e do Instituto Humberto Mauro, em memória do crítico e cineasta Geraldo Veloso. Neste ano, o projeto está sendo
realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. A sessão é gratuita.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

O INTERESSE MUNDIAL PELA ANTÁRTIDA

(Foto: Alan Arrais / NBR / Agência Brasil)


Por que o Brasil e o mundo querem um pedaço da Antártida?

Oito anos após um incêndio que destruiu grande parte da Estação Comandante Ferraz e deixou dois mortos, o Brasil deve inaugurar nesta quarta-feira (15) sua nova base para pesquisas científicas na Antártida.
A custo de US$ 99,6 milhões (cerca de R$ 415 milhões), o complexo é maior e mais moderno do que o anterior. Tem 4.500 metros quadrados de área construída, 17 laboratórios e capacidade para até 65 pessoas.
A reinauguração deveria acontecer em 2016, mas, depois de seguidos atrasos no cronograma, as obras só começaram há três anos.
A base, no entanto, só estará funcionando plenamente dentro de três meses, quando terminará a fase de testes.
Segundo o governo, o objetivo é realizar pesquisas em áreas como oceanografia, biologia, glaciologia e meteorologia.
Mas por que o Brasil, assim como outros países do mundo, querem um pedaço da Antártida?
Fatores geopolíticos, econômicos, ambientais e científicos explicam tamanho interesse pelo continente gelado.
A Antártida é o continente mais inóspito do planeta e possui mais de 90% do seu território coberto de gelo. Com 13 milhões de quilômetros quadrados, é maior do que a Oceania e do que a Europa. A título de comparação, caberia um Brasil e meio dentro do Antártida. O gelo armazenado na região totaliza 25 milhões de quilômetros cúbicos ou 70% da água potável do planeta. São mais de 170 tipos de minerais e grandes lençóis de gás natural.
(Fonte: BBC News Brasil)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

ECONOMIA REAL E ECONOMIA DOS GABINETES


IPCA sobe 1,15% em dezembro e fecha 2019 com alta de 4,31%, diz IBGE

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,15 por cento em dezembro, após alta de 0,51 por cento no mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
No acumulado de 12 meses até dezembro, o IPCA teve alta de 4,31 por cento, contra alta 3,27 por cento do mês anterior, terminando o ano acima do centro da meta do governo de 4,25 por cento, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. .
Pesquisa da Reuters apontou que a expectativa de analistas era de alta de 1,08 por cento em dezembro, acumulando em 12 meses alta de 4,23 por cento.
Isso é o que está sendo divulgado oficialmente, mas a realidade é que, enquanto o salário mínimo foi reajustado em 4,1% a Agência Nacional de Saúde permitiu que os Planos de Saúde fossem reajustados em 12%, o triplo da inflação anunciada e do reajuste recebido pelo salário mínimo.
O desejo de consumo e as motivações para a compra no período natalino, embora as vendas tenham sido bem menor do que a grande mídia anunciou, fez com que a retração do consumo ficasse mascarada. O descompasso entre a economia real e a economia dos gabinetes e ministérios certamente fará com que o número de endividados aumente ainda mais nesses três primeiro meses do ano.

(Fonte: Reuters)

domingo, 5 de janeiro de 2020

AVALIAÇÃO DO GOVERNO BOLSONARO


Bolsonaro teve avanço na economia, mas abandonou meio ambiente e combate à corrupção, diz Economist

(Foto: Presidência da República)

Em artigo publicado na última quinta-feira (02/01) em sua edição impressa, a revista britânica The Economist diz que, embora considere ter havido avanços na economia brasileira neste ano, o governo Jair Bolsonaro vem ameaçando as instituições democráticas e promovendo retrocessos na área ambiental e no combate à corrupção.
A revista diz que Bolsonaro foi eleito "porque eleitores estavam traumatizados com a pior recessão da história do país, entre 2014 e 1016, pela criminalidade e pelas revelações de corrupção nos mais altos níveis da política e do empresariado".
Segundo a revista, os eleitores esperavam que Bolsonaro trouxesse prosperidade, paz e probidade ao Brasil, mas, depois de um ano de governo, eles só conseguiram "parte do que queriam".


A revista diz que o número de homicídios no país diminuiu, mas afirma que isso ocorreu em grande medida porque os conflitos entre fações criminosas esfriaram, e que Bolsonaro abandonou o combate aos crimes de colarinho branco.
"Em vez de fortalecer as instituições democráticas do Brasil, ele (Bolsonaro) as está testando. No que diz respeito a corrupção e meio ambiente, o Brasil ou travou ou está andando para trás", afirma a Economist.

(Fonte: BBC News / Brasil)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

QUE VENHA 2020!!!




Apesar de todos os pesares e de um desastrado e destrutivo 2019... 



Viver vale a pena quando você não se apequena. 



Desejo a todas e todos um sábio, sóbrio, 
harmonioso, saudável e 

Feliz Ano Novo!!! 

Eugênio Magno

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

PARA QUE TENHAMOS UM FELIZ NATAL


O que Jesus pensaria de Greta Thumberg neste Natal?

A menina sueca com síndrome de Asperger, Greta Thumberg, que com somente 16 anos está provocando os grandes da Terra por sua falta de compromisso com a defesa do planeta, está sendo insultada pelos poderosos até com expressões grosseiras. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro a chamou de “pirralha”. O presidente americano, Donald Trump, aconselhou com tosca ironia que vá ver um filme antigo com uma amiga e fez uma brincadeira de péssimo gosto com sua síndrome psíquica para dizer que a vê “com um rosto muito feliz”. Em minha Espanha não foram mais respeitosos com a menina que curiosamente desperta tanto medo e ódio. Foi chamada de “falsa”, “puta” e “arrogante”. Por que Greta, sempre séria e segura de sua missão, desperta os instintos mais baixos do machismo? Houve até quem a aconselhasse a “usar sua sexualidade” para se acalmar.
Estamos em mais um Natal da História e cada vez mais cristãos sérios estão convencidos de que essa festa, que anuncia o nascimento de uma criança, também difícil, que veio ao mundo provocar os hipócritas e exaltar os puros de coração, está perdendo seu significado e força originais.
Seria preciso perguntar, na análise dos símbolos e dos presságios do mundo cada vez mais dividido e insatisfeito, o que significa a chegada dessa garota sueca, que não sei se é cristã, mas que certamente se entenderia com o profeta judeu de Nazaré, que, como ela, foi um inconformista e um inimigo da hipocrisia.
O Natal vai além, com seus símbolos e história, de seu simples significado do nascimento de Jesus, que veio anunciar um novo Reino não somente de paz e amor, de esperança e de perdão. Não é, de fato, somente a festa universal que ultrapassa o mundo cristão, em que todos cabem, porque Jesus foi um judeu agregador e o mataram justamente porque pregava um amor universal, sem distinções. Possivelmente com a preferência para tudo o que o mundo descarta, como os diferentes física e espiritualmente.

Para ler na íntegra a matéria de Juan Arias para o El país, clique aqui.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

SEGUE PROCESSO PARA IMPEACHMENT DE TRUMP


Democratas subirão ao palco para debate presidencial após Câmara aprovar impeachment

Pré-candidatos presidenciais democratas durante debate em Atlanta 20/11/2019 
(Foto: REUTERS/Brendan McDermid)

Um grupo relativamente pequeno de sete pré-candidatos presidenciais democratas subirá ao palco de um debate nesta quinta-feira, um dia depois de Donald Trump se tornar o terceiro presidente dos Estados Unidos a ter um impeachment aprovado pela Câmara dos Deputados.
O sexto debate na corrida para decidir o desafiante democrata de Trump na eleição de novembro de 2020 terá o menor número de participantes desde que os debates começaram, o que pode dar a cada um deles um espaço maior e mais tempo para interagir com os outros.
O debate também oferecerá a Pete Buttigieg, prefeito de South Bend, em Indiana, e à senadora Elizabeth Warren uma chance de renovar sua rivalidade de campanha crescente sobre a transparência na arrecadação de fundos e seu trabalho passado no setor privado.

Para ler na íntegra a matéria de Susan Cornwell e Richard Cowan e David Morgan para a Reuters, clique aqui.

domingo, 15 de dezembro de 2019

AS BESTAS DO APOCALIPSE


Você mataria o bebê Hitler?

Este é o tema do vídeo dublado do Sadhguru, postado no youtube. Vale a pena conferir, especialmente em tempos como os nossos em que é preciso pensar o mundo, as lideranças e a nossa militância, de forma desapaixonada, sem sectarismos. Observando de forma profunda nossas convicções equivocadas e autoenganos que insistimos em carregar por toda a vida. Sadhguru chama a atenção para a nossa responsabilidade frente a todo este estado de coisas que nos afeta para, no mínimo, entendermos a diferença entre causas e consequências.
Trata-se de algo muito polêmico, sério e profundo, portanto escute até o fim e deixe isso reverberar em você. Por uma cultura de paz e de vida para todos e todas.



terça-feira, 10 de dezembro de 2019

ALTERNATIVA ECONÔMICA


Convite do Facebbok para o lançamento do livro “Mulheres e Economia Popular Solidária” 
(Foto: Carlúcia Maria Silva)



Economia Popular Solidária

Eugênio Magno


            Os movimentos populares, cansados de medidas paliativas dos poderes públicos têm se organizando em torno de propostas arrojadas de cooperação para enfrentar o sistema capitalista neoliberal competitivo e excludente, fundamentado no individualismo e na livre concorrência sem princípios. Está em franco crescimento no país a Economia Popular Solidária, cuja proposta é a criação de um mundo mais justo, onde as relações comerciais e de desenvolvimento pessoal e ambiental possam se estabelecer de forma sustentável, respeitosa e harmônica. Nessa perspectiva, o movimento pretende, entre outras coisas, inverter a lógica das relações de trabalho: de patrão / empregado, para um modelo produtivo coletivo, onde todos tenham poder de decisão.
            Uma das maneiras que a Economia Solidária encontrou para vencer a máxima do capitalismo “cada um por si, que vença o melhor” foi trabalhar de forma conjunta, num sistema cooperativo, compartilhando os dons da natureza e os bens socialmente produzidos. Para ampliar a capacidade política e de articulação dos setores populares na esfera econômica, estão sendo criadas diversas redes de solidariedade. As redes de produtores, por exemplo, têm como propósito a industrialização de produtos, o beneficiamento de matérias-primas e a cultura da lavoura. Já as redes de comercialização, organizam centrais de abastecimento e distribuição dos produtos agrícolas, industrializados e beneficiados. Paralelamente ao trabalho de comercialização, os grupos estão estudando alternativas sustentáveis de produção, buscando novas formas de convivência com a terra e com a água. Existem ainda as redes de organizações com vistas à intervenção nas políticas públicas e as redes de consumidores, ainda em fase inicial no Brasil, que têm como objetivo favorecer o acesso a produtos naturais confiáveis a preços justos, eliminando o atravessador e valorizando socialmente os produtores das mercadorias.
            Já faz algum tempo que venho observando o movimento em nosso país e sempre tive a impressão de que tinha algo que empacava o seu desenvolvimento. Em visita a algumas feiras de Economia Solidária, pude confirmar as minhas suspeitas de que o composto mercadológico Preço era o grande vilão dessa história. Explico: embora o produto típico da Economia Solidária tenha muitos valores agregados, seu preço não me parecia compatível com o público para o qual ele era dirigido (classes média baixa e média média).
            Este aparentemente, pequeno, erro de marketing, gerava uma série de outros equívocos estratégicos, em razão do seu efeito dominó, que estavam atrapalhando consideravelmente o posicionamento desse importante movimento econômico. Tratava-se de um problema mercadológico que brecava o escoamento de toda uma cadeia de produtos que, para conquistar o mercado precisam ser solidários também e, principalmente, no preço ao consumidor final. Chamei a atenção para esse fator em vários eventos de formação popular dos quais participei ao longo dos últimos 10 anos. Hoje percebo que alguma coisa mudou no mercado da economia solidária e que os gargalos da atualidade são de outras ordens.
            A boa notícia é que os coletivos que lidam com trabalho, inclusão socioprodutiva, cidadania, economia e renda continuam na luta e têm encontrado o apoio de intelectuais orgânicos que se colocam em linha com as suas bandeiras. Exemplo disso é a pesquisa que se materializou também no livro “Mulheres e Economia Popular Solidária”, de autoria da Doutora em Sociologia, Carlúcia Maria Silva, professora da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). O lançamento da publicação, editada pela Appris, acontece na próxima quarta-feira, dia 11 de dezembro, às 18h30min no Auditório Paulo Portugal, da Câmara Municipal de Belo Horizonte, que fica na Avenida dos Andradas, 3100, bairro Santa Efigênia.

O texto também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

PLANALTO NÃO ABRE SUAS CONTAS


Apesar de decisão do STF, Planalto mantém sob sigilo gastos com cartão corporativo

(Foto: Getty Images)

No dia 7 de novembro, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram derrubar o sigilo de alguns gastos do presidente da República, inclusive aqueles feitos por meio de cartão corporativo.
Mas quase um mês depois da decisão do Supremo, nada mudou: parte relevante dos gastos da Presidência e da vice-presidência com o cartão continuam sob sigilo.
Pelo menos até esta quarta-feira (04), o Portal da Transparência mantinha em segredo a forma como foram gastos R$ 9,8 milhões do cartão corporativo na Presidência da República e em órgãos como o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Na vice-presidência, outros R$ 468,5 mil continuavam em sigilo.
Procurado pela reportagem, o STF reafirmou que a decisão está em vigor desde o dia 11 de novembro — quando a ata do julgamento foi publicada. Além disso, o Planalto confirmou que foi notificado da decisão do Supremo no dia 20 de novembro.
Para ler, na íntegra a matéria de André Shalders para a BBC News Brasil, clique aqui.

domingo, 1 de dezembro de 2019

MANIFESTAÇÕES SOCIAIS POPULARES PROLIFERAM EM TODO O MUNDO

Um protesto em Santiago do Chile (Foto: Alberto Valdés / EFE)

O que há de comum nos protestos?

Eles envolvem um leque muito amplo e diverso de assuntos, que têm a ver com a economia, a distribuição de renda, uma institucionalidade pública questionada e uma ampla percepção de exclusão
Em não menos de 20 países, a principal notícia das últimas semanas são as manifestações sociais. Há motivos variados, situações nacionais diferentes e uma diversidade de agendas nos protestos, mas a explosão globalizada que se vê é imparável. Em todos os continentes.
Numa edição recente, a revista The Economist enumera algumas das mais notáveis em andamento: Argélia, Bolívia, Cazaquistão, Catalunha, Chile, Equador, França, Guiné, Haiti, Honduras, Hong Kong, Iraque, Líbano, Paquistão e Reino Unido. Mas a lista vai além. Inclui países como o Irã, com semanas de protestos sociais por causa do preço dos combustíveis, e outros que, como a Colômbia, explodiram recentemente. As principais características comuns a esse processo globalizado podem a ajudar a entendê-lo e a imaginar suas projeções, possíveis resultados e riscos de saídas autoritárias ou populistas. Deixo de lado as teorias da conspiração que pretendem explicar tudo; a mão invisível de Maduro ou de quem quer que seja, que não pode ser fundamentada com provas. Isso não nega, obviamente, que em toda situação de convulsão haverá aqueles que desejam se aproveitar da situação de caos e desordem.
Considerando todas as particularidades e diferenças de fundo, três aspectos comuns se destacam. A partir deles, podemos vislumbrar o curso dos acontecimentos e as respostas necessárias.
Para ler na íntegra a matéria de Diego García Sayan para o El País, clique aqui.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

EDUCAÇÃO E CINEMA


(Cena do filme Nas terras do bem-virá/reprodução)

Livro e filmes sobre Educação do Campo

Eugênio Magno

O que é bom e potente precisa de difusão constante. Falo de um livro sobre Educação do Campo que coloca o cinema em primeiro plano. Com o belo e sugestivo título, Outras terras à vista, Aracy Alves Martins, Inês Assunção de Castro Teixeira, Mônica Castagna Molina e Rafael Letvin Villas Bôas, organizaram em 2010 essa instigante publicação da coleção Caminhos da Educação do Campo, pela Editora Autêntica.
O livro, no dizer de seus organizadores, se articula partindo, em princípio, de olhares cuja experiência é incontestável, em primeiro lugar, sobre Educação e sobre o Campo e seus sujeitos; em segundo lugar, sobre Cinema e Educação. São olhares diferenciados, tangenciando várias dimensões: históricas, políticas, ecológicas, poético-literárias e educacionais; tendo sempre como foco os sujeitos do campo, seus textos e contextos, trazidos da terra às telas.
Os filmes: Vidas Secas, Deus e o diabo na terra do sol, Narradores de Javé, Cabra marcado para morrer e Nas terras do bem-virá, estão entre as dez obras cinematográficas analisadas em Outras terras à vista. Além de textos dos organizadores, o livro tem prefácio e posfácio dos professores eméritos da Faculdade de Educação (FaE/UFMG), Carlos Roberto Jamil Cury e Miguel González Arroyo, respectivamente. Conta ainda com a participação dos professores e pesquisadores, Ana Lúcia Azevedo e Ataídes Braga, entre outros; inclusive, deste articulista.
Senti-me honrado em participar do livro, não só pela importância de sua destinação, como pela satisfação em poder afirmar A teimosia da esperança: “Nas terras do bem-virá”**, juntamente com os autores e personagens do filme em questão. No capítulo 11 – o último do livro –, acompanho Alexandre Rampazzo, Tatiana Polastri e Fernando Dourado que, contando apenas com uma pequena ajuda de custo para cobrir os gastos com transporte, alimentação e manutenção da base de produção, empreenderam uma jornada de 26 meses entre pesquisa, produção e finalização do referido documentário.
Nas terras do bem-virá aborda o modelo de colonização da Amazônia, o massacre de Eldorado do Carajás, o assassinato da missionária Dorothy Stang e o ciclo do trabalho escravo. Histórias de um povo que cansou de migrar em busca da sobrevivência e decidiu lutar para conseguir um pedaço de terra, deixar de ser escravo e manter viva a última grande floresta tropical do planeta. Com uma equipe super-reduzida e uma câmera digital portátil, o diretor, a produtora e o cinegrafista, entrevistaram cerca de 200 pessoas em 29 cidades dos estados do Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins.
Miguel Arroyo em um dos seus mais recentes livros, Passageiros da noite (Vozes, 2017), indica o filme e a nossa análise como material de trabalho didático em EJA, no capítulo 7 – Itinerários por direito a uma vida humana justa.
O documentário Nas terras do bem-virá é um ato de amor de um povo que não perdeu a esperança e sonha com a terra prometida, além de ser mais um ato de fé de seus obstinados realizadores (o premiado documentário Ato de fé, de 2004, também foi realizado por eles). Outras terras à vista: cinema e educação do campo, Belo Horizonte: Autêntica, 2010, o livro que contém uma análise do filme, está no catálogo da editora. Ele tem despertado a atenção não só dos educadores do campo, como também de interessados pela questão da terra e pelo cinema. Leia o livro e veja o(s) filme(s).

A teimosia da esperança: “Nas terras do bem-virá”, de autoria de Eugênio Magno, é o capítulo 11 do livro Outras terras à vista: cinema e educação do campo (Autêntica, 2010).

Este texto também foi publicado jornal Pensar a Educação, Pensar o Brasil.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

REFORMA DA PREVIDÊNCIA


Senado conclui votação da PEC Paralela em dois turnos


O plenário do Senado concluiu a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Paralela, alternativa criada por parlamentares para promover mudanças na reforma da Previdência —como possibilidade de Estados e municípios adotarem as novas regras de aposentadoria—, sem alterar a proposta principal sobre o tema, o que atrasaria sua tramitação.
O acordo fechado entre os senadores permitiu a quebra dos intervalos exigidos entre as duas rodadas de votação. Os senadores analisaram emendas pendentes do primeiro turno e já emendaram no segundo turno na noite desta terça-feira.
Para ler a matéria de Maria Carolina Marcello para a Reuters clique aqui.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

"TEMPORADA", DE ANDRÉ NOVAES, NA SALA DE CINEMA VICTOR DE ALMEIDA



Cinema de graça em Mateus Leme

O Cineclube Palmares promove no próximo domingo, dia 17, às 17h30, na Sala de Cinema Victor de Almeida da Casa de Cássia de Mateus Leme, o lançamento do filme "Temporada", produzido pela Filmes de Plástico, de Contagem, e premiado no último festival de Brasília.
Realizado uma vez por ano, em novembro, o Cineclube Palmares procura destacar o papel do negro na sociedade brasileira, dando preferência à apresentação de obras de autores dessa etnia. Com a atriz Grace Passô, "Temporada" foi dirigido por André Novaes de Oliveira e é interpretado por Renato Novaes; os dois estarão presentes à apresentação. Este lançamento é uma iniciativa do produtor cultural e escritor Matheus Antônio.
O filme será reapresentado no mesmo horário e lugar nos dias 23, sábado, e 24, domingo, mediante a distribuição prévia de ingressos. No dia 30, sábado, será exibido o filme "Ela Volta na Quinta", também de André Novaes de Oliveira, com ingressos distribuídos previamente. A sala tem 30 lugares e a Casa de Cássia fica na antiga Estação Ferroviária de Mateus Leme. Chegue ao local com 30 minutos de antecedência e retire o seu ingresso.

sábado, 9 de novembro de 2019

CORINGA E BACURAU: O CINEMA IMITA A VIDA



(Nota de 1 Dólar – Foto: Eugênio Magno)


Bacurau e Coringa, duas faces de uma mesma moeda

Eugênio Magno

                   Bacurau e Coringa, duas recentes produções cinematográficas do continente americano – do sul e do norte, respectivamente –, vêm sendo analisadas dos pontos de vista fílmico, político, filosófico, sociológico, psicanalítico, etc. Sem pretensão quanto a fazer reflexões sobre qualquer um dos filmes que se enquadre nesta ou naquela categoria analítica, nem tampouco traçar um panorama geral comparado, atento-me aqui para possíveis aproximações entre eles e a nossa realidade. Tais aproximações são apresentadas pelas assimetrias no tempo e no espaço, como também pelo que encerram suas narrativas e caracterizam seus personagens que se fazem presentes e coincidentes com a atual conjuntura econômica e sociocultural dos países em que as duas histórias acontecem e/ou em quaisquer outras localidades do mundo.
                   O filme dirigido pela dupla de cineastas Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles se passa no minúsculo povoado de Bacurau que dá nome ao filme, situado no oeste do estado de Pernambuco, nordeste brasileiro. Já o antagonista do Batman, Coringa, protagonista da película de Todd Phillips, que também intitula o filme, é um personagem de Gotham City (Nova York), o centro do império capitalista, a metrópole mais cosmopolita do mundo. Embora Coringa seja projetado para um passado não muito distante e Bacurau para um futuro próximo, as duas películas se encontram no presente, na atualidade. Tanto Bacurau quanto Gotham City ou Nova York podem muito bem representar vários locais em qualquer país do globo. Os bolsões de pobreza e miséria social, fome e desemprego se multiplicam pelos quatro cantos do planeta, enquanto uma minoria de endinheirados aumenta em percentuais gigantescos seus lucros, bens, poder e capital. No campo, vilas e cidades – médias e grandes –, portanto, em micro e macro territórios, o descarte humano tornou-se prática corriqueira. Até mesmo uns poucos assistidos pelos programas sociais de natureza compensatória sofrem o engodo da inclusão subalterna, viciada e selvagem que maquia a realidade, enquanto aprofunda as desigualdades e escamoteia privilégios de forma abjeta. Coringa e Bacurau expõem as vísceras da sociedade capitalista e do avanço impiedoso do neoliberalismo ao retratar a diversidade e as diferenças e divergências cada vez mais tensionadas pelas muitas formas de desigualdades, principalmente as econômico-financeiras, sociais e de direitos (incluindo a falta do direito a ter direitos).
                   Os dois abordam a forma bárbara como os mais pobres são oprimidos, roubados de suas humanidades e massacrados pelos tentáculos visíveis da encarniçada glutonia do capital. As promessas da modernidade e da revolução tecnológica e cibernética não se cumpriram e a mundialização capitalista globalizou a miséria e transnacionalizou a degradação do ambiente, de nossas reservas, mananciais e de toda a vida no planeta. Mas como diria Fernando Birri, para citar o pai do nuevo cine latinoamericano, “a vida quer viver” e os oprimidos, excluídos e invisibilizados sempre encontram formas de sobrevivência, lutam e, como as árvores, ainda que sucumbam, morrem de pé. As duas narrativas fílmicas nos mostram do que os mais fragilizados são capazes quando perdem a esperança no tal “futuro melhor”, sempre prometido e, recorrentemente adiado. A urgência da vida faz com que os sujeitos coletivos de Bacurau, um lugarejo na periferia do mundo que, vistos como desumanizados pelo olhar do colonizador, tendo suas pacatas vidas dizimadas, ao serem caçados e mortos como animais (num jogo de “entretenimento” de estrangeiros brancos) recorram a um banido de sua comunidade para lhes fazer justiça. Em Coringa, um homem sofrido que ganha a vida como palhaço propagandista, marcado pela tristeza, depressão e um grande drama existencial e familiar, reage de forma independente e individual contra o establishment. Sua atitude mobiliza a massa nova-iorquina que assume a máscara de palhaço coletivo e desencadeia um intenso movimento de insurgência contra o sistema que os esmaga em suas humanidades.
                   O temido criminoso, Lunga e seus comparsas, assumem a condição de vingadores na defesa de seus conterrâneos de Bacurau. E o aparentemente inofensivo palhaço, Arthur Fleck, de Joker, enfurecido por ter sua existência e dignidade negadas se rebela e faz despertar uma cidade inteira contra um sistema excludente e perverso em que os privilégios de poucos são garantidos à custa do sacrifício da grande maioria da população. A novidade nos dois filmes é a explosão de violência vingativa dos mais fracos e dos que sempre foram apresentados como vilões a serem combatidos violentamente pelos heróis justiceiros, numa total inversão de empatia do espectador que passa a vestir a pele do vingador. É exatamente aí que mora o perigo que nos espreita. Há muito temos recebido sinais de como e para quais fronteiras as novas convulsões sociais têm evoluído. Se as elites, o capital, o Estado, a sociedade organizada e os guardiões da moral e dos bons costumes criminalizam a selvageria da vingança há que se repudiar também de forma veemente a brutalidade e a barbárie imposta aos desvalidos, à força de uma justiça socialmente parcial e seletiva.
                   Jocker, o palhaço triste que sorri por força de um distúrbio psicológico, sem a menor pretensão de articular qualquer movimento social, vira contra seu inimigo a arma que lhe é apontada. Ele dispara contra os verdadeiros vilões que pousam de heróis e roubam a vida dos oprimidos que, ao assumirem a máscara dos palhaços de que são feitos cotidianamente, criam o caos no coração do mundo capitalista – Nova York –, outrora jurisdição do super-herói de preto, Batman, o justiceiro e cão de guarda dos interesses das classes dominantes.
                   Enquanto a população de Bacurau é plugada e a tecnologia digital desfila pelo filme tanto contra como a favor dos interesses coletivos, em Coringa nos é apresentada uma Nova York suja e decadente. O metrô, a TV e as ruas são os principais cenários das ações de Arthur Fleck que necessita de alta exposição midiática para ferir com a mesma arma com que é ferido. Já aqui, nas brenhas do sertão, a selvageria é praticada com requintes cibernéticos, como a invisibilização territorial feita pelos gringos, que retira o lugarejo do Google Maps, para a livre ação brutal dos ditos civilizados contra os “selvagens”, moradores de Bacurau. Os oponentes no filme brasileiro se enfrentam com armas de alto calibre e longo alcance, de última geração, coletivamente, ao contrário de Joker que, sem o uso de qualquer parafernália tecnológica, com apenas um velho revólver de cano curto, num ato solitário, extermina à queima roupa seus opressores e deflagra uma manifestação de massa. Lunga, o bandido alijado de Bacurau é convocado pela população para defender a comunidade da barbárie e com extrema violência lhes devolver a paz.
                   Guardados os limites da conceituação, Coringa e Bacurau revelam outros deflagradores dos movimentos sociais da atualidade que obedecendo a uma dinâmica que lhe é própria, não se prende no tempo, nem a conceitos monolíticos. Toma novas feições e incorpora bandeiras de luta contra as ações mais danosas ao convívio humano na produção da vida e nas relações sociais praticadas em cada momento histórico. O insucesso de uma possível transformação social negociada com base na relação capital/trabalho e divisão de renda, de forma justa e organizada com o protagonismo do proletariado, sindicatos e partidos políticos gestou uma grande diversidade de coletivos e formas peculiares das pessoas se juntarem para lutar contra a opressão, uma delas é o terror e o revide da violência. Já disseram que se a revolução social não viesse da classe trabalhadora organizada, viria das periferias, dos excluídos e marginalizados, de forma desorganizada e brutal.
                   Bacurau e Coringa são dois filmes proféticos, denunciam e anunciam o leviatã da hipermodernidade. Coringa homenageia uma plêiade de super-heróis da ficção e Bacurau faz memória a vários mártires da história recente de nosso país. Qualquer semelhança com pessoas e fatos da atualidade, certamente não terá sido mera coincidência.

Este texto também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

PRIVATIZAÇÕES EM CURSO


Eletrobras diz que Bolsonaro assinará projeto de lei de desestatização; ministro levará PL ao Congresso


A Eletrobras (ELET6.SA) relatou que recebeu ofício enviado pelo Ministério de Minas e Energia informando que o presidente Jair Bolsonaro deverá assinar nesta terça-feira projeto de lei que permitirá a desestatização da elétrica.
Segundo fato relevante divulgado na noite da véspera, o projeto de lei deverá cumprir todo rito legislativo até a sua promulgação.
Em entrevista à Globonews nesta terça-feira, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que o governo quer capitalizar a empresa, que, segundo ele, está perdendo participação no mercado de geração e transmissão.
Se nada for feito, disse o ministro, a Eletrobras terá só 15% de geração de energia e 35% na transmissão em dez anos.
Para ler, na íntegra, a matéria de Roberto Samora (SP) e Pedro Fonseca (RJ), para Reuters Brasil, clique aqui.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

TRUMP PODERÁ SOFRER IMPEACHMENT


Congresso aprova investigação para impeachment de Trump sob a oposição dos republicanos

(Foto: Reuters/Joshua Roberts)

Maioria democrata da Câmara valida as normas para começar o julgamento parlamentar do presidente, acusado de pressionar mandatário da Ucrânia para obter informações contra seu rival Joe Biden

A Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira, graças à maioria democrata, as regras do jogo pelas quais vão levar adiante a investigação para um possível impeachment ou destituição do presidente, Donald Trump. O processo entra agora em um estágio formal, com os ritos próprios de um julgamento parlamentar: com algumas audiências em aberto, direito de defesa para o mandatário, a quem se acusa de ter pressionado a Ucrânia para prejudicar seu rival político Joe Biden.
A sessão desta manhã marca o primeiro voto formal sobre este processo excepcional e serviu para evidenciar o partidarismo deste processo: 231 democratas e um independente votaram a favor da investigação, enquanto 194 republicanos votaram contra.
Para continuar lendo a matéria de Amanda Mars para o El País, clique aqui.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

PROFESSOR É PROFISSÃO


(Estande da CONAPE 2018, Expominas, BH, MG – Foto: Eugênio Magno)


Aos mestres e mestras, com carinho:
NÃO SE DEIXEM ENGANAR

Eugênio Magno

Na véspera das comemorações do Dia dos/as Professores/as, andando pela rua, dei de cara com um jornal, em uma banca, que estampava na primeira página a seguinte manchete: “Só dois em cada cem professores têm mestrado”. 
Acostumado aos constantes achincalhes, dirigidos aos professores, me flagrei fazendo todo o tipo de ilação sobre aquela declaração, mesmo sem a ter lido na íntegra. Não houve tempo para que eu lesse a chamada completa. Fiquei indignado e prometi a mim mesmo que iria apurar a notícia. Queria compreender do que se tratava, ainda que fosse para constatar uma triste e irrefutável realidade. Os transeuntes certamente ficaram com a degradante impressão de que 98% dos professores são desqualificados e ponto. As consequências dessa impressão? Por falta de reflexões fundamentadas e criteriosas, chega-se a conclusões apequenadas do tipo “quem não tem qualificação não merece melhores salários”, “a educação pública não presta”. E a recorrente defesa da privatização do ensino e a aposta nas escolas cívico-militares como panaceia para os problemas educacionais dentre outros de ordem geral. 
No dia seguinte, ao lembrar-me da notícia que tanto havia me perturbado, fui à caça do jornal para checar a matéria. Recordei minha indignação e me autocensurei pela precipitação do julgamento. Torci para que estivesse enganado. Era o Dia das Professoras e dos Professores e ponderei que talvez não tivesse enxergado bem a manchete. Conjecturei ser impossível que, de véspera, as aves de mau agouro já estivessem grasnando contra a nossa permanentemente difamada profissão. Ponderei sobre o número de profissionais das mais variadas áreas que exercem o magistério, em razão da enorme demanda por educação e do crescente déficit educacional do Brasil. Pensei também nos profissionais para os quais basta o bacharelado para que sejam tratados como doutores e, ao consultar o Conselho Federal de Medicina, me dei conta de que 93,2% dos médicos brasileiros não possuem doutorado. Continuei com as indagações: ...mas o professor não é tratado como mestre? O sinônimo de professor em vários dicionários é mestre e os bacharéis, médicos e advogados, mesmo sem nenhuma licenciatura, têm status de “doutores”. Coisas do império... 
No intervalo desta escrita, visitando as redes sociais, uma postagem no Facebook interpelou-me: a fotografia de uma sala de aula improvisada, em uma barraca de zinco e chão arenoso, onde um homem negro, calçando sandálias de dedo, escreve na lousa, enquanto uma única criança, também negra e nua é vista de costas, sentada em um tosco banco escolar. O título da postagem: “Professor é professor”. O post teve muitas curtidas, joinhas coraçõezinhos e nos comentários frases do tipo “é o amor”, “coisa mais linda”, “bravo”, etc. Segui com a minha reflexão sobre o quanto essa ideia romantizada do professor herói, vocacionado, que tem a profissão como sacerdócio, está introjetada em nós e é reproduzida ad nauseam pelos governantes, pela imprensa e o que é pior, por nós professores, tanto no espaço escolar, quanto nas relações extraclasse. Deixei um comentário no post: É bonito, mas é terrível! Até quando a educação tem que ser um ato de heroísmo e abnegação por parte de educadores e educandos? Quando os agentes educacionais serão tratados como gente, como humanos e a dignidade do processo ensino-aprendizagem (que inclui condições de trabalho, possibilidades de formação de excelência, bons salários e renda para alunos e professores, dentre otras cositas más) serão defendidos radicalmente? A minha amiga, professora e conterrânea, autora do post, concordou. Outros internautas também manifestaram, dando apoio à reflexão. 
Mas enfim, ao acessar o jornal, observei que não estava equivocado. A chamada de capa para o setor Educação informava em letras pequenas: “Na rede pública no Estado, nem 0,2% é doutor”, acompanhada do título, cujas letras eram as maiores entre todas as demais manchetes do dia: “Só dois em cada cem professores têm mestrado” e, na sequência, em letras com corpo menor, um subtítulo declaratório: “Remuneração desestimula qualificação, afirma sindicato”, seguido de um pequeno texto que chama para a matéria: “Apenas 1.224 (2% dos 59.153 professores das escolas estaduais mineiras têm mestrado e 74 (0,12%), doutorado.” Ao ler a tal notícia na página interna do jornal me surpreendi com a ambiguidade do conteúdo, no estilo bate e assopra. A matéria rasa e pouco analítica, quantitativamente era grande (de uma página, com direito a várias fotos), mas ia pouco além da reprodução de trechos de entrevistas realizadas com uma sindicalista, duas professoras e um professor da Educação Básica. Os professores foram tratados como “heróis” e adjetivados de “gabaritados”, em razão de possuírem mestrado, de o professor ter cumprido inclusive estágio pós-doutoral e de uma das professoras está se preparando para o doutoramento. Não deixa de ser louvável a qualificação dos professores ouvidos e o amor que eles declaram ter pelo ofício é notório. Todavia, essa não é a questão, a matéria é superficial, não dá conta, por exemplo, da quantidade de mestres e doutores existentes na rede privada de ensino, em Minas Gerais, para que se pudesse estabelecer um comparativo justo. Sequer toca na quantidade de mão de obra altamente qualificada (mestres e doutores) desempregada ou subempregada em Minas e no Brasil, país que tanto desprestigia a escola pública e a carreira de professor e, cujas lideranças, demagogicamente, usam a narrativa de reputar a educação como solução para todos os males. Vale salientar que os últimos concursos para professor universitário não têm dado menos do que cinquenta candidatos por vaga, em média. Alguns concursos chegam a ter cem professores na disputa por uma única vaga. Mas nossas autoridades e setores das classes dominantes desse país estão de costas para a pesquisa, a ciência e a tecnologia, as artes, a cultura e para o que Paulo Freire chamou de professor-pesquisador. O que está em voga hoje no país são credenciais como a toga, a patente militar, o porte de arma, a militância neopentecostal e, claro, títulos e ações de investimentos, não a qualificação acadêmica. Em nenhum momento a reportagem questiona o oportunismo de grande parte do empresariado e dos homens públicos brasileiros – da direita à esquerda –, que usam a educação como adágio de seus projetos mercantis, populistas e eleitoreiros, entre outras políticas de dependência e condicionalidades.
Estupefato com a perversidade do estilo jornalístico adotado, logo confirmei minhas suspeitas do dia anterior: a maldade da manchete que chamava a atenção para uma realidade não considerada em seu conjunto, tratando-a de maneira aligeirada, sem nenhuma análise filosófica, sociológica e/ou econômica e cultural que pudesse explicar ou justificar a notícia. Excetuando a boa intenção dos entrevistados, o que pude observar foi mais uma manifestação do jornalismo convenientemente declaratório que tem sido adotado por grande parte dos veículos de comunicação na atualidade. Até a fala da representante de um dos sindicatos da categoria foi citada de forma a corroborar com a malfadada tese da reportagem em questão. 
Diante do quadro apresentado me vi às voltas com uma dúvida e um suposto. A dúvida, a seguinte: qual era a notícia afinal? A matéria começa bem, informando que segundo estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a educação básica tem melhores resultados e a média de notas dos alunos é maior em países que investem na formação continuada dos professores, como é o caso de nações da Ásia e da Europa. Depois o texto descamba, sem rumo e sem prumo. Ao confrontar dados, sujeitos, elementos e fatos, presentes na própria notícia, o suposto é de que o jornal tinha material para uma excelente reportagem, mas perdeu a oportunidade de fazê-la. Infelizmente, o complexo de vira-lata venceu e a escolha foi pela canhestra imprecisão.

Este texto também foi publicado no jornal Pensar a Educação, Pensar o Brasil.

SÍNODO DA AMAZÔNIA