sábado, 28 de abril de 2018

50 ANOS DA PEDAGOGIA DO OPRIMIDO



II Congresso Internacional Paulo Freire: o legado global




Tem início hoje, dia 28 de abril de 2018, a partir das 13:00 horas, com credenciamento dos participantes, o II Congresso Internacional Paulo Freire: o legado global. O evento acontece de hoje, sábado (28.04.2018) a terça-feira, 1º de maio no Centro de Atividades Acadêmicas I (CAD 1), da Universidade Federal de Minas Gerais.
O Congresso é promovido pela Faculdade de Educação (FaE) da UFMG e conta com um comitê internacional, do qual figuram importantes nomes da educação mundial. Esta segunda edição do Congresso, em Belo Horizonte está sob a responsabilidade do professor da FaE, Júlio Emílio Diniz-Pereira.
Segundo o professor Júlio Emílio, "O I Congresso Internacional Paulo Freire: O Legado Global (International Conference Paulo Freire: The Global Legacy) foi realizado em Kirikiriroa (ou Hamilton, nome dado pelos colonizadores europeus), na Nova Zelândia, em 2012. E a intenção de realização deste II Congresso Internacional Paulo Freire: O Legado Global (2nd International Conference Paulo Freire: The Global Legacy) é dar continuidade a essa brilhante iniciativa das/dos colegas neozelandesas/es para que o evento volte a ser realizado nos próximos anos e em diferentes partes do mundo".
A conferência de abertura Paulo Freire: um outro paradigma para o pensamento pedagógico, será proferida por Miguel González Arroyo, professor emérito da UFMG.
Este é um evento de abrangência mundial sobre o Patrono da Educação Brasileira, Paulo Freire, sua obra e o legado que ela deixou para o mundo e dentre os seus objetivos destacam-se:
- Propiciar a apresentação e a discussão de trabalhos acadêmicos que analisem a obra de Paulo Freire ou que usem conceitos freireanos como principal referencial de análise de pesquisas empíricas e/ou de ensaios teóricos;
- Oportunizar a apresentação e a discussão de relatos de experiências baseadas, inspiradas e/ou influenciadas pelo pensamento freireano;
- Fomentar trocas de experiências entre educadoras/es críticas/os de todo o mundo, buscando alternativas progressistas para problemas das práticas pedagógicas.
O II Congresso Internacional Paulo Freire: o legado global conta com uma vasta programação: apresentações artísticas, Teatro, Cinema, Feira de economia solidária, Diálogos, Oficinas e Mini-cursos, Rodas de Conversa e Mesas Redondas com vários temas. Inclusive, em uma dessas mesas redondas, mais especificamente na mesa coordenada pela professora Débora Miranda, cujo tema é "Percursos investigativos na pesquisa em educação", este blogueiro estará participando com o trabalho Narrativa de percurso de um doutorando: da ideia inicial à defesa da tese – Eugênio Magno Martins de Oliveira (Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil).
No encerramento do Congresso haverá o lançamento do  documentário de média-metragem Ocupa FaE e a conferência de encerramento à cargo da professora titular da UFMG, Nilma Lino Lopes que tem como título Por uma pedagogia da indignação e da resistência.
Para acessar a programa completa clique aqui.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

NOSSA ECONOMIA VAI DE MAL A PIOR


O silêncio da mídia ante o crescimento da dívida pública sob Temer

Foto: Wikimedia Commons

O crescimento da dívida pública no mandato da presidenta Dilma democraticamente eleita foi apresentado como grande catástrofe para o Brasil, capaz de justificar – à luz dos interesses dos rentistas – o golpe político que permitiu a ascensão do governo Temer. Entre dezembro de 2010 e maio de 2016, último mês do governo Dilma, a Dívida Líquida Consolidada do Setor Público passou de 38% para 39,2% do Produto Interno Bruto (PIB), o que revelou aumento acumulado em 65 meses de 3,2% (ou 0,05% ao mês).
Com a entrada da equipe econômica de Temer, aquela dos “sonhos do mercado financeiro”, o receituário neoliberal ganhou força, sem que a “desordem das finanças públicas” fosse contida. Pelo contrário, a Dívida Líquida Consolidada do Setor Público saltou de 39,2%, em maio de 2016, para 52% do PIB em fevereiro de 2018, isto é, a elevação de 32,6% acumulados em 21 meses (ou 1,4% ao mês).
Mesmo com a Dívida Líquida Consolidada do Setor Público sob o receituário neoliberal aplicado pelo governo Temer tendo sito multiplicado por 28 vezes mais rapidamente que no mandato de Dilma, o tema praticamente desapareceu do noticiário nacional. Interessante observar ainda o “esquecimento” da mídia e dos comentaristas e analistas neoliberais do fato de o Brasil caminhar rapidamente para a 12ª maior dívida pública do planeta, detendo uma das mais elevadas taxas juros reais do mundo e assumindo a quarta posição internacional de maior gasto com o pagamento de juros da dívida pública em relação ao PIB.
De acordo com estudo do CEPR (Center for Economic and Policy Research) em 183 países, o Brasil somente registra comprometimento com despesas com a dívida pública menor que o Iêmen (8,36%), a Gâmbia (8,81%) e o Líbano (9,15% do PIB). Em síntese, nações que se encontram submetidas a conflitos internos e que apontam risco de não pagamento dos compromissos financeiros, bem diferente da situação brasileira.
O silêncio e a condescendência da mídia e dos analistas econômicos para a má gestão da dívida pública no Brasil se explica basicamente pela condição dos próprios interesses rentistas serem direta e indiretamente beneficiados através da captura de parcela significativa dos recursos públicos. Pela implantação do receituário neoliberal, o governo Temer protege o pagamento dos juros aos detentores privados da dívida pública, impondo simultaneamente o desembarque dos pobres das políticas públicas, o desmonte das áreas sociais (saúde, habitação, educação, assistência e outras), da infraestrutura (estradas, portos, aeroportos e outras) e dos investimentos na economia.
Para continuar lendo o texto de Marcio Pochmann, para o Diário do Centro do Mundo, clique aqui.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

TODO DIA É DIA DO ÍNDIO

Dia do Índio: amazonense que fez vaquinha para estudar conta trajetória até UnB


Foto: Marília Marques/G1

Primeira indígena do povo Paumari – aldeia no sul do Amazonas – a entrar em uma universidade, a estudante de direito Ingrid Rodrigues, de 20 anos, tem sonhos ainda mais altos: ser a primeira indígena do país a se tornar juíza.
Cursando o primeiro semestre na Universidade de Brasília (UnB), a jovem contou com o apoio de uma vaquinha na internet para juntar o dinheiro e, então, pegar dois voos do Norte do país até Brasília. Não fosse a ajuda da rede de amigos, a opção seria encarar seis dias de barco pelo rio Purus até Manaus e, de lá, mais três horas de viagem aérea até a capital do país.
Na primeira viagem para fora de Lábrea – cidade amazonense com 38 mil habitantes –, e sem conhecer ninguém na região central do país, Ingrid diz ter trazido na mala um misto de vontade, sonhos e incertezas. Parte da aventura, ela contou ao G1 na semana marcada pelo Dia do Índio (19 de abril), em matéria de Marília Marques que você pode ver e ler na íntegra, clicando aqui.

domingo, 15 de abril de 2018

CORRIDA ELEITORAL 2018

Mesmo preso, Lula continua no centro do tabuleiro eleitoral: lidera em todos os cenários


Foto: Ricardo Stuckert

O ex-presidente Lula, mesmo cumprindo pena, derrota qualquer adversário nos cenários de segundo turno propostos pelo Datafolha na pesquisa divulgada neste domingo, 15: 59% contra 41% de Marina, 64% x 34% de Geraldo Alckmin e 61% x 39% de Jair Bolsonaro.
Isso ajuda a explicar os fogos e os buzinaços da noite da prisão de Lula, no sábado, 7 de abril: os adversários políticos dele se beneficiam enormemente de uma eventual retirada da candidatura do ex-presidente, que o PT pretende registrar em agosto.
Também é por isso que a direita trata de naturalizar o fim da carreira política de Lula.
Embora a leitura da Folha é de que o apoio a Lula tenha enfraquecido — num cenário de primeiro turno, caiu de até 37% para 31% –, o fato é que muitos eleitores já consideram o ex-presidente carta fora do baralho e exercem outras escolhas, o que é absolutamente natural.
Isso não significa que Lula perderia os votos, se de fato concorrer.
Está aí justamente o nó da questão e o maior desafio diante do PT: com a extensão da prisão de Lula, que pode permanecer encarcerado durante alguns anos, impedido de contato com eleitores, como mantê-lo ativo através de intermediários no cenário eleitoral?
De olho nisso, os conservadores tentam isolar o ex-presidente completamente, impedindo-o de receber visitas de políticos e atacando o acampamento que mantém o foco dos militantes em Curitiba — e no próprio Lula.
No cenário em que Lula aparece como candidato em primeiro turno, ele tem 31%, contra 15% de Bolsonaro, 10% de Marina Silva e 8% de Joaquim Barbosa, 6% de Geraldo Alckmin e 5% de Ciro Gomes.
Sem Lula, Bolsonaro lidera com 17%, Marina tem 15%, Ciro Gomes e Joaquim Barbosa aparecem com 9%.
Os dados indicam que Lula é capaz de transferir até 2/3 de seus votos, o que continua sendo suficiente para levar um candidato indicado por ele ao segundo turno — algo crucial numa eleição tão pulverizada.
Hoje, pelos números, o mais factível seria o pedetista Ciro Gomes.
Os candidatos Fernando Haddad, Jacques Wagner, Manuela DÁvila e Guilherme Boulos ainda aparecem dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 2% para mais ou para menos.
A maior surpresa da pesquisa é o considerável apoio ao ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, que ainda não confirmou sua candidatura pelo PSB.
Para complicar ainda mais o cenário dos tucanos, ele cresce tirando votos de Geraldo Alckmin.
Apesar da prisão, a eleição de 2018 continua tendo o ex-presidente Lula no centro do tabuleiro. E desenha um cenário devastador para os tucanos, promotores de primeira hora do golpe de 2016.
Também demonstra que a especulada chapa Joaquim Barbosa-Marina teria futuro, por juntar o apelo da luta contra a corrupção com o dos que saíram de baixo e ascenderam socialmente.
(Fonte: Site Vi O mundo)

terça-feira, 10 de abril de 2018

PROTESTOS PRÓ-LULA NO MUNDO


Manifestações contra prisão política de Lula 

acontecem em vários países



Assim que o ex-presidente Lula anunciou no último sábado (7) que havia decidido cumprir a determinação de prisão dada pela primeira instância da Justiça do Paraná, atos de desagravo ao julgamento político da maior liderança de esquerda viva da América Latina, condenada sem provas, em São Bernardo do Campo, começaram a surgir em vários países.
O secretário nacional de Relações Internacionais da CUT, Antônio Lisboa, disse que a central já recebeu dezenas de manifestações de apoio por meio de vídeos, cartas e mensagens. Segundo ele, está sendo organizado um dia global de atividades nas Embaixadas do Brasil, que deve acontecer concomitantemente no mundo inteiro. A data deverá ser marcada ao longo da semana devido ao fuso horário de cada país. Lisboa disse que o número de apoio já é impressionante.
“De imediato existe essa proposta da Confederação Sindical Internacional (CSI) de fazer um dia de ação global pela liberdade de Lula, ao mesmo tempo em que muitas pessoas estão querendo vir ao Brasil prestar irrestrito apoio e solidariedade ao nosso ex-presidente porque sabem que Lula é inocente e está sofrendo perseguição política”, destacou Lisboa.
A representante do Colectivo México-Brasil contra El golpe, Márcia Sarquis, disse com exclusividade ao Portal da CUT que esse golpe não é só contra o Lula, mas contra os avanços da América Latina e todas as conquistas que os governos progressistas estavam conseguindo. Segundo a produtora, que mora há cinco anos na Cidade do México, Lula é um dos principais líderes ainda vivo e por isso está sofrendo na pele essa fúria do capitalismo.
Para continuar lendo a matéria de Luciana Waclawovsky, especial para a CUT, clique aqui.
(Fonte: Site CartaMaior)

quinta-feira, 5 de abril de 2018

VOTO DE MINERVA DE CÁRMEN LÚCIA DEIXA LULA A UM PASSO DA PRISÃO


Supremo nega habeas corpus e deixa Lula à beira da prisão

Foto:  Lula Marques / Líder do PT na Câmara

O Supremo Tribunal Federal (STF) negou ontem o habeas corpus solicitado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e deixou o maior líder político da atual era democrática à beira da prisão. Com a decisão, Lula poderá ser detido para o cumprimento antecipado da pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro assim que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) concluir a análise do último recurso do petista.
Ainda que a grande expectativa no julgamento de ontem se desse em torno do voto da ministra Rosa Weber, foi a decisão de Cármen Lúcia, ao escolher como pautaria o tema, que determinou os rumos do debate que deixou o petista mais próximo da prisão.
Quinta a votar, Rosa Weber rejeitou o pedido de Lula deixando claro que o fazia por respeito ao princípio da colegialidade. Trocando em miúdos, explicou que autorizava a prisão após uma decisão final em segunda instância, ainda que discordasse da tese, pois a jurisprudência da Corte, desde 2016, assim o determina.
A ministra destacou em seu voto que, se estivesse em debate uma das Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) que poderiam rediscutir a prisão em segunda instância, votaria de forma diversa.
Tal declaração, vinda da ministra que virtualmente desempataria o caso, reforçou o entendimento de que a estratégia da presidente do STF, que resistia em pautar uma ação tendente a desmoralizar a Corte, acabou se tornando bem sucedida. Ao pautar o habeas corpus, e não uma das ADCs, Cármen Lúcia forçou Rosa Weber a se dobrar mais uma vez à antiga maioria da Corte.
Embora a posição favorável à prisão em segunda instância já não represente mais o sentimento da maioria dos ministros do Supremo desde que Gilmar Mendes anunciou que alterou seu entendimento sobre o tema, formalmente, como essa discussão não foi feita, todos os ministros do STF continuam vinculados à regra definida em 2016.
Para ler na íntegra a matéria de Ricardo Correa, para o jornal O Tempo, de 05.04.2018, clique aqui.

domingo, 1 de abril de 2018

NÃO EXISTE PÁSCOA E RESSURREIÇÃO SEM MORTE DE CRUZ E MARTÍRIO


Jesus não morreu pelos “nossos pecados” 
e sim por enfrentar o sistema

Cruz (detalhe), Igreja do Espírito Santo e de S. Alessandro Mártir, Arquidiocese de Portoviejo, Equador / Arcabas 
(Jean-Marie Pirot)


Alberto Maggi

Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados. Essa é a resposta que normalmente se dá para aqueles que perguntam por que o Filho de Deus terminou seus dias na forma mais infame para um judeu, o patíbulo da cruz, a morte dos amaldiçoados por Deus (Gl 3,13).
Jesus morreu pelos nossos pecados. Não só pelos nossos, mas também por aqueles homens e mulheres que viveram antes dele e, portanto, não o conheceram e, enfim, por toda a humanidade vindoura. Sendo assim, é inevitável que olhando para o crucifixo, com aquele corpo que foi torturado, ferido, riscado de correntes e coágulos de sangue expostos, aqueles pregos que perfuram a carne, aqueles espinhos presos na cabeça de Jesus, qualquer um se sinta culpado … o Filho de Deus acabou no patíbulo pelos nossos pecados! Corre-se o risco de sentimentos de culpa infiltrarem-se como um tóxico nas profundezas da psiquê humana, tornando-se irreversíveis, a ponto de condicionar permanentemente a existência do indivíduo, como bem sabem psicólogos e psiquiatras, que não param de atender pessoas religiosas devastadas por medos e distúrbios.
No entanto, basta ler os Evangelhos para ver que as coisas são diferentes. Jesus foi assassinado pelos interesses da casta sacerdotal no poder, aterrorizada pelo medo de perder o domínio sobre o povo e, sobretudo, de ver desaparecer a riqueza acumulada às custas da fé das pessoas.
A morte de Jesus não se deve apenas a um problema teológico, mas econômico. O Cristo não era um perigo para a teologia (no judaísmo havia muitas correntes espirituais que competiam entre si, mas que eram toleradas pelas autoridades), mas para a economia. O crime pelo qual Jesus foi eliminado foi ter apresentado um Deus completamente diferente daquele imposto pelos líderes religiosos, um Pai que nunca pede a seus filhos, mas que sempre dá.
A próspera economia do templo de Jerusalém, que o tornava o banco mais forte em todo o Oriente Médio, era sustentada pelos impostos, ofertas e, acima de tudo, pelos rituais para obter, mediante pagamento, o perdão de Deus. Era todo um comércio de animais, de peles, de ofertas em dinheiro, frutos, grãos, tudo para a “honra de Deus” e os bolsos dos sacerdotes, nunca saturados: “cães vorazes: desconhecem a saciedade; são pastores sem entendimento; todos seguem seu próprio caminho, cada um procura vantagem própria” (Is 56, 11).
Quando os escribas, a mais alta autoridade teológica no país, considerando o ensinamento infalível da Lei, vêem Jesus perdoar os pecados a um paralítico, imediatamente sentenciam: “Este homem está blasfemando!” (Mt 9,3). E os blasfemos devem ser mortos imediatamente (Lv 24,11-14). A indignação dos escribas pode parecer uma defesa da ortodoxia, mas na verdade, visa salvaguardar a economia. Para receber o perdão dos pecados, de fato, o pecador tinha que ir ao templo e oferecer aquilo que o tarifário das culpas prescrevia, de acordo com a categoria do pecado, listando detalhadamente quantas cabras, galinhas, pombos ou outras coisas se deveria oferecer em reparação pela ofensa ao Senhor. E Jesus, pelo contrário, perdoa gratuitamente, sem convidar o perdoado a subir ao templo para levar a sua oferta.
“Perdoai e sereis perdoados” (Lc 6,37) é, de fato, o chocante anúncio de Jesus: apenas duas palavras que, no entanto, ameaçaram desestabilizar toda a economia de Jerusalém. Para obter o perdão de Deus, não havia mais necessidade de ir ao templo levando ofertas, nem de submeter-se a ritos de purificação, nada disso. Não, bastava perdoar para ser imediatamente perdoado…
O alarme cresceu, os sumos sacerdotes e escribas, os fariseus e saduceus ficaram todos inquietos, sentiram o chão afundar sob seus pés, até que, em uma reunião dramática do Sinédrio, o mais alto órgão jurídico do país, o sumo sacerdote Caifás tomou a decisão. “Jesus deve ser morto”, e não apenas ele, mas também todos os discípulos porque não era perigoso apenas o Nazareno, mas a sua doutrina, e enquanto houvesse apenas um seguidor capaz de propagá-la, as autoridades não dormiriram tranquilas (“Se deixarmos ele continuar, todos acreditarão nele … “, Jo 11,48). Para convencer o Sinédrio da urgência de eliminar Jesus, Caifás não se referiu a temas teológicos, espirituais; não, o sumo sacerdote conhecia bem os seus, então brutalmente pôs em jogo o que mais estava em seu coração, o interesse: “Não compreendeis que é de vosso interesse que um só homem morra pelo povo e não pereça a nação toda?” (Jo 11,50).
Jesus não morreu pelos nossos pecados, e muito menos por ser essa a vontade de Deus, mas pela ganância da instituição religiosa, capaz de eliminar qualquer um que interfira em seus interesses, até mesmo o Filho de Deus: “Este é o herdeiro: vamos! Matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança” (Mt 21,38). O verdadeiro inimigo de Deus não é o pecado, que o Senhor em sua misericórdia sempre consegue apagar, mas o interesse, a conveniência e a cobiça que tornam os homens completamente refratários à ação divina.

* Alberto Maggi, biblista italiano, frade da Ordem dos Servos de Maria, estudou nas Pontíficias Faculdades Teológicas Marianum e Gregoriana de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversos livros, como A loucura de Deus: o Cristo de João, Nossa Senhora dos heréticos

* Francisco Cornélio, sacerdote e biblista brasileiro, é professor no curso de Teologia da Faculdade Diocesana de Mossoró (RN). Fez seu bacharelado no Ateneo Pontificio Regina Apostolorum, em Roma. Atualmente, está em Roma novamente, para o doutorado no Angelicum (Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino), onde fez seu mestrado

Edição e Tradução: Francisco Cornélio
(Fonte: Site Brasil de Fato, 31.03.2018)

domingo, 25 de março de 2018

O MAIOR FRASISTA BRASILEIRO


100 frases selecionadas de Nelson Rodrigues




Nelson Rodrigues foi o maior frasista brasileiro, o nosso Rochefoucauld. Com a contribuição milionária de Erika Nakanura, o DCM selecionou 100 máximas que provam isso.
  • A adúltera é a mais pura porque está salva do desejo que apodrecia nela.
  • A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual.
  • A dúvida é autora das insônias mais cruéis. Ao passo que, inversamente, uma boa e sólida certeza vale como um barbitúrico irresistível.
  • A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem.
  • A liberdade é mais importante do que o pão.
  • A maioria das pessoas imagina que o importante, no diálogo, é a palavra. Engano, e repito: – o importante é a pausa. É na pausa que duas pessoas se entendem e entram em comunhão.
  • A pior forma de solidão é a companhia de um paulista.
  • A platéia só é respeitosa quando não está a entender nada.
  • A prostituta só enlouquece excepcionalmente. A mulher honesta, sim, é que, devorada pelos próprios escrúpulos, está sempre no limite, na implacável fronteira.
  • A televisão matou a janela.
  • A verdadeira grã-fina tem a aridez de três desertos.
  • Acho a velocidade um prazer de cretinos. Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca.
  • Amar é dar razão a quem não tem.
  • Amar é ser fiel a quem nos trai.
  • Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos.
  • As grandes convivências estão a um milímetro do tédio.
  • Com sorte vc atravessa o mundo, sem sorte vc não atravessa a rua.
  • Começava a ter medo dos outros. Aprendia que a nossa solidão nasce da convivência humana.
  • Copacabana vive, por semana, sete domingos.
  • D. Helder só olha o céu para saber se leva ou não o guarda-chuva.
  • Desconfie da esposa amável, da esposa cordial, gentil. A virtude é triste, azeda e neurastênica.
  • Desconfio muito dos veementes. Via de regra, o sujeito que esbraveja está a um milímetro do erro e da obtusidade.
  • Deus está nas coincidências.
  • Dinheiro compra tudo, até amor verdadeiro.
  • É preciso ir ao fundo do ser humano. Ele tem uma face linda e outra hedionda. O ser humano só se salvará se, ao passar a mão no rosto, reconhecer a própria hediondez.
  • É preciso trair para não ser traído.
  • Em muitos casos, a raiva contra o subdesenvolvimento é profissional. Uns morrem de fome, outros vivem dela, com generosa abundância.
  • Entre o psicanalista e o doente, o mais perigoso é o psicanalista.
  • Está se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza.
  • Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral.
  • Existem situações em que até os idiotas perdem a modéstia.
  • Falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista.
  • Hoje é muito difícil não ser canalha. Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo.
  • Hoje, o sujeito prefere que lhe xinguem a mãe e não o chamem de reacionário.
  • Invejo a burrice, porque é eterna.
  • Jovens: envelheçam rapidamente!.
  • Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos…
  • Na mulher, certas idades constituem, digamos assim, um afrodisíaco eficacíssimo. Por exemplo:- 14 anos!
  • Nada nos humilha mais do que a coragem alheia.
  • Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera.
  • Não admito censura nem de Jesus Cristo.
  • Não damos importância ao beijo na boca. E, no entanto, o verdadeiro defloramento é o primeiro beijo na boca. A verdadeira posse é o beijo na boca, e repito: – é o beijo na boca que faz do casal o ser único, definitivo. Tudo mais é tão secundário, tão frágil, tão irreal.
  • Não existe família sem adúltera.
  • Não há nada que fazer pelo ser humano:o homem já fracassou.
  • Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe.
  • Nem toda mulher gosta de apanhar. Só as normais.
  • Nossa ficção é cega para o cio nacional. Por exemplo: não há, na obra do Guimarães Rosa, uma só curra.
  • Num casamento, o importante não é a esposa, é a sogra. Uma esposa limita-se a repetir as qualidades e os defeitos da própria mãe.
  • Nunca a mulher foi menos amada do que em nossos dias.
  • O adulto não existe. O homem é um menino perene.
  • O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É abjeto que um homem deseje a mãe de seus próprios filhos.
  • O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda.
  • O asmático é o único que não trai.
  • O biquíni é uma nudez pior do que a nudez.
  • O boteco é ressoante como uma concha marinha. Todas as vozes brasileiras passam por ele.
  • O Brasil é muito impopular no Brasil.
  • O brasileiro é um feriado.
  • O brasileiro, quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte.
  • O cardiologista não tem, como o analista, dez anos para curar o doente. Ou melhor: – dez anos para não curar. Não há no enfarte a paciência das neuroses.
  • O casamento é o máximo da solidão com a mínima privacidade.
  • O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota.
  • O homem começa a morrer na sua primeira experiência sexual.
  • O homem não nasceu para ser grande. Um mínimo de grandeza já o desumaniza. Por exemplo: — um ministro. Não é nada, dirão. Mas o fato de ser ministro já o empalha. É como se ele tivesse algodão por dentro, e não entranhas vivas.
  • O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da imaturidade.
  • O morto esquecido é o único que repousa em paz.
  • O marido não deve ser o último a saber. O marido não deve saber nunca.
  • O Natal já foi festa, já foi um profundo gesto de amor. Hoje, o Natal é um orçamento.
  • O ônibus apinhado é o túmulo do pudor.
  • O pudor é a mais afrodisíaca das virtudes.
  • O puro é capaz de abjeções inesperadas e totais e o obsceno, de incoerências deslumbrantes. Somos aquela pureza e somos aquela miséria. Ora aparecemos varados de luz, como um santo de vitral, ora surgimos como faunos de tapete.
  • O sábado é uma ilusão.
  • O Ser Humano, tal como imaginamos, não existe.
  • Os homens mentiriam menos se as mulheres fizessem menos perguntas.
  • Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.
  • Perfeição é coisa de menininha tocadora de piano.
  • Qualquer menino parece, hoje, um experimentado e perverso anão de 47 anos.
  • Quem nunca desejou morrer com o ser amado nunca amou, nem sabe o que é amar.
  • Se Euclides da Cunha fosse vivo teria preferido o Flamengo a Canudos para contar a história do povo brasileiro.
  • Se os fatos são contra mim, pior para os fatos.
  • Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.
  • Sem paixão não dá nem para chupar picolé.
  • Sexta feira é o dia em que a virtude prevarica.
  • Só acredito nas pessoas que ainda se ruborizam.
  • Só não estamos de quatro, urrando no bosque, porque o sentimento de culpa nos salva.
  • Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata.
  • Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo podia-se andar nu.
  • Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta.
  • Subdesenvolvimento não se improvisa; é obra de séculos.
  • Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante.
  • Toda coerência é, no mínimo, suspeita.
  • Toda mulher bonita leva em si, como uma lesão da alma, o ressentimento. É uma ressentida contra si mesma.
  • Toda mulher bonita tem um pouco de namorada lésbica em si mesmo.
  • Toda mulher gosta de apanhar. Só as neuróticas reagem.
  • Toda unanimidade é burra.
  • Todas as mulheres deviam ter catorze anos.
  • Todo amor é eterno. Se não é eterno, não era amor.
  • Todo desejo é vil.
  • Todo tímido é candidato a um crime sexual.
  • Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhoras que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém.
100. Um filho, numa mulher, é uma transformação. Até uma cretina, quando tem um filho, melhora.
(Fonte: Site do DCM)

segunda-feira, 19 de março de 2018

BAGÁ PSIU POÉTICO


Até ontem, domingo, dia 18 de março de 2018, a capital mineira foi agitada com uma extensa programação de poesia. Desde quarta-feira, dia 14, Dia da Poesia que Belo Horizonte sediou o "Beagá Psiu Poético", uma extensão do "Salão Nacional de Poesia Psiu Poético".
O Psiu chega à sua 32ª edição de sucesso e de 4 a 12 de outubro em Monte Claros, receberá poetas dos quatro cantos do Brasil e também do exterior, como vem fazendo durante todos esses anos, para mais uma celebração da poesia, sob a inspiração e a transpiração do demiurgo Aroldo Pereira.


A programação contou com poetas, videomakers, bailarinos, performers, professores, estudantes, músicos e curiosos, com apresentações em Escolas municipais, estaduais e particulares, Estações e Vagões do metrô, Terminal Rodoviário, Arcos do Viaduto Santa Teresa, Praça da Liberdade, Centro de Referência da Juventude, Bar Montes Claros no Edifício Maletta, sala Juvenal Dias do Palácio das Artes e ainda a Bicicletada do Psiu, fazendo o circuito cultural do centro da cidade. 



Na condição de profissional de comunicação e também de um ser que comete alguns versos, tive a honra de ser o Mestre de Cerimônias na abertura oficial do "Beagá Psiu Poético", na noite de quarta-feira, dia 14, na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes.  Minha função foi homenagear a poiésis, dar o meu viva e anfitrionar o “Psiu” nesta cidade que há 36 anos tornou-se minha residência e abraçar o grande amigo, conterrâneo do sertão, com quem já tive o privilégio de dividir tantas outras poéticas e políticas, Aroldo Pereira.



“Beagá Psiu Poético” foi uma realização do Grupo de Literatura & Teatro Transa Poética, em parceria com as Secretarias de Cultura de Montes Claros e do Estado de Minas Gerais, com a colaboração de escritores, músicos e agentes culturais da capital. 



terça-feira, 13 de março de 2018

O ALQUIMISTA DEMOCRÁTICO




Saudades do mestre Birri

Eugênio Magno
Comunicólogo e Educador


Hoje, 13 de março de 2018, gostaria de enviar uma mensagem ao mestre Fernando Birri, que completaria 93 anos de vida, se não tivesse falecido em 27 de dezembro do ano passado.
O cineasta Wolney Oliveira me apresentou a “Fer” (como Birri assinava suas correspondências) com quem, durante 9 anos, mantive rico diálogo que me inspirou a um mergulho acadêmico de grande fôlego. Paulo Freire e Birri foram sujeitos e principais referenciais teóricos da tese, Fernando Birri e Paulo Freire: educação e cinema em diálogo como práticas da liberdade, que defendi em 2017, na Faculdade de Educação da UFMG.
Don Fernando Juan Birri nasceu em Santa Fe de la Vera Cruz, na Argentina, onde seus antepassados, italianos, chegaram em 1880. Ele estudou cinema no Centro Sperimentale di Cinematografia di Roma em um dos momentos mais importantes do cinema mundial, o auge do neo-realismo e teve como mestres, Zavatttini, Rosselini e De Sicca, dentre outros. De volta à Argentina, depois da formação, Birri fundou a Escuela Documental de Santa Fe, na Universidade Nacional do Litoral, em 1956, onde realizou, junto com seus alunos, duas importantes obras da cinematografia latino-americana: Tire dié (1960) e Los inundados (1961).
            Nesses tempos de novos retrocessos políticos em que vivemos fazer memória a Fernando Birri, que saiu do nosso país em 1964 pelos mesmos motivos que se exilou da Argentina em 1963, me remete a uma de suas lembranças em terras brasileiras. “Treze de março de 64 era dia do meu aniversário, por isso não me esqueço: completava 39 anos. E, naquele dia João Goulart fez o seu lendário discurso da reforma agrária, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro. A praça estava transbordante. Quando terminou o discurso houve uma imensa ovação. Duas semanas depois veio o Golpe Militar e Jango caiu”.
Birri saiu do Brasil e correu o mundo, levou sua arte a vários continentes. Nos anos 1980 desembarcou na Venezuela, em Mérida e, na Universidade de Los Andes, criou o Laboratório de Poéticas Cinematográficas, um espaço para reflexão e crítica do Nuevo Cine Latinoamericano. Em 1986 Fernando Birri se dedicou a fundar e dirigir a Escola de Cinema de San Antonio de los Baños, em Havana, a convite do amigo, Gabriel García Marques e do comandante Fidel Castro.
Embora tenha alternado períodos de residência em outros países, Birri radicou-se em Roma, onde viveu até os últimos instantes ao lado da companheira Carmen Papio.
            As semelhanças do período de exílio de Birri no Brasil com o atual momento, não são meras coincidências. O quadro político que se pinta aqui nos trópicos provoca uma sensação de déjà vu. Hoje, somos outros os atores e produtores, todavia, os patrocinadores continuam sendo os mesmos. E, Fernando Birri já não se encontra mais entre nós, virou estrela. Mas o calor da sua chama continua a incendiar o espírito dos que lutam por uma América Latina livre da tirania e da rapinagem.

(Este artigo também foi publicado no jornal O Tempo, de Terça-feira, 13 de março de 2018)

sexta-feira, 9 de março de 2018

ECONOMIA MAQUIADA


Entenda porque o governo faz propaganda enganosa sobre recuperação da economia

Lula Marques / Agência PT

Após dois anos de queda, com o país acumulando perdas de mais de 7% de sua economia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou, na semana passada, que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, índice que mede o desempenho econômico nacional, avançou apenas 1% em 2017.
Rejeitado por mais de 70% da população e praticamente sem nenhuma notícia positiva para comemorar, o governo de Michel Temer, e grande parte da mídia comercial, se apressaram para celebrar o que seria um resultado “extraordinário” e o fim da recessão. Para economistas ouvidos pelo Brasil de Fato, no entanto, por trás da propaganda, o país segue sem oferecer saídas consistentes para enfrentar o desemprego e o crescimento da miséria.
A própria elevação do PIB não foi obra da atual política econômica, explica Márcio Pochmann, professor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp). “O resultado do PIB se deve ao desempenho do setor agropecuário, que cresceu 13% no ano passado, em decorrência de uma safra recorde de grãos. O setor industrial apresentou crescimento zero e o setor de serviços só cresceu 0,3%, uma estagnação. Ou seja, esse dado não está associado à política econômica do governo. Pelo contrário, a atual política econômica agravou o quadro do país nos últimos anos”, argumenta.
A recessão do país, que começou em 2015, poderia ter terminado no final de 2016, não fosse a mudança de governo provocada pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff. “A política do 'austericídio' começou ainda no governo Dilma, mas foi aprofundada com Temer, o que prolongou a recessão e contribuiu para uma falência generalizada das empresas. O único setor que obteve lucros foi o financeiro, ou seja, os bancos, que mantiveram seus ganhos. Em algum momento a gente ia bater no fundo do poço e uma recessão tão demorada ia dar um sinal de recuperação, mas trata-se de um crescimento marginal [esse do PIB]”, aponta o economista Paulo Kliass, doutor pela Universidade Paris 10 e especialista em políticas públicas e gestão governamental.
Para continuar a matéria de Pedro Rafael Vilela, clique aqui.

sexta-feira, 2 de março de 2018

A BATATA DO TEMER ESTÁ ASSANDO


A pedido de Dodge, Fachin inclui Temer em outro inquérito da Lava Jato


O ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a inclusão do presidente Michel Temer (MDB) em um inquérito que investiga o pagamento ilícito de benefícios por parte da Odebrecht a políticos em troca de medidas tomadas pela Secretaria de Aviação Civil. Os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), ambos firmes aliados de Temer e ex-ministros da Secretaria de Aviação Civil no governo Dilma Rousseff, são investigados no mesmo caso.
O pedido de inclusão de Temer no inquérito foi feito pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Seu antecessor, Rodrigo Janot, havia retirado Temer da apuração por entender que a Constituição proibia a investigação do presidente da República por atos praticados antes do início de seu mandato. Dodge entendeu que apenas a denúncia é vetada e não a investigação. Segundo ela, a medida é "consentânea com o princípio central da Constituição, de que todos são iguais perante a lei, e não há imunidade penal".
Para ler a matéria completa, clique aqui.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

O SUPREMO PRECISA EXERCER SUA SUPREMACIA


Cármen Lúcia é pressionada a pautar prisão 
após condenação em 2ª instância


Depois das declarações dos ministros Celso de Mello e Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, defendendo que o plenário da corte volte a decidir se condenados devem ou não cumprir pena imediatamente depois de julgamento em segunda instância, cresce a expectativa de que o tema volte à pauta. Isso depende da ministra Cármen Lúcia, presidenta do STF.
“Essa é uma questão extremamente delicada, porque envolve a preservação da liberdade individual, então é preciso que o Supremo Tribunal Federal realmente delibere”, disse Celso de Mello na quarta-feira (21). A declaração do ministro é considerada relevante por ele ser o decano da corte.
No mesmo dia, o ministro Marco Aurélio Mello também defendeu a necessidade de o tribunal se posicionar. “Tem que colocar em pauta, haja a repercussão que houver”, afirmou. No entanto, à RBA, o ministro preferiu não se pronunciar sobre o tema. “Vamos aguardar a posição da presidente”, disse. Marco Aurélio é relator das Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) 43 e 44, as quais liberou para julgamento no dia 7 de dezembro.
Colocar o tema em pauta é uma atribuição de Cármen Lúcia. Questionado sobre por que a ministra não coloca a matéria em pauta de julgamento, Marco Aurélio afirma que “precisa conversar com ela”. 
(Fonte: site Brasil de Fato)

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

AS MANOBRAS ELEITOREIRAS DE TEMER


Após intervenção militar no Rio, DEM dá candidatura de Michel Temer como certa

Depois da intervenção no Rio, a cúpula do DEM dá como certa a candidatura de Michel Temer à reeleição. Ao se apropriar da pauta da segurança, dizem integrantes da sigla, o presidente abraçou parte importante do discurso de Rodrigo Maia (DEM-RJ).
(…)
Um ministro do governo define o que a intervenção no Rio significa para o presidente: “Só se perde o que se tem, não é? Se der certo, ele sai do corner. Se der errado, fica na mesma”.
(…)
Diante da possibilidade de o MDB ter candidato próprio, o Planalto vai patrocinar a permanência do senador Romero Jucá (RR) no comando do partido. A sigla desistiu de sua convenção nacional. Fará, na quarta (21), apenas uma reunião da Executiva para referendar a manutenção dele no posto.
(…)
(Fonte: Site do DCM)


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O CARNAVAL BRASILEIRO POLITIZOU


Desprezada pela Globo, com enredo e fantasias nota 10, Paraíso do Tuiuti é vice-campeã do Carnaval carioca




A Paraíso do Tuiuti foi vice-campeã do Carnaval do Rio, vencido pela Beija Flor.
Os dois enredos foram marcados pelo protesto.
Os jurados reconheceram: deram 4 notas 10 ao enredo da Paraíso do Tuiuti. Em fantasias, a escola também tirou nota máxima: foram 4 notas 10.
A escola de São Cristóvão foi à avenida falando sobre a escravidão e suas novas formas. Denunciou a reforma trabalhista.
No carro alegório Neo Tumbeiro, um vampiro com faixa presidencial estava no topo. Sob ele, mãos gigantes manipulando figurantes com a camisa da seleção brasileira, que batiam panelas.
Na ala precendente, os Manifestoches. Manifestantes que defenderam o impeachment de Dilma Rousseff financiados pela Fiesp, os famosos patos.
O desfile da Paraíso do Tuiuti causou frisson na Marquês de Sapucaí.
Para ler mais, clique aqui.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

UM CARNAVAL DE DESILUSÕES NO PAÍS INTEIRO

Designação gera frustração e ansiedade para trabalhadores da educação de MG

Foto: João Bittar/MEC

Governo anuncia processo seletivo para primeiro semestre de 2018 e sindicato pressiona para abertura de novas vagas.
Todo ano, milhares de trabalhadores disputam vagas na rede estadual de ensino de Minas Gerais. Eles participam do processo de designações, no qual cada candidato assina um contrato precário, de no máximo um ano, para preencher uma vaga para a qual não tem servidor efetivo. Para trabalhadores, isso gera insegurança, humilhação e ansiedade, além de prejudicar a continuidade do processo pedagógico. A alternativa, segundo o sindicato, é fazer mais concursos públicos e dar posse a quem já foi aprovado em concursos anteriores.
Para ler na íntegra a matéria de Wallace Oliveira, com edição de Joana Tavares, para o Brasil de Fato, clique aqui.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

O JUDICIÁRIO E FHC

Gustavo Conde: É tentador dizer que FHC estava certo sobre o Judiciário


Quando essa geração de magistrados prestou concurso público, eles já sonhavam com os auxílios-moradias que lhes recheiam, agora, os bolsos e as contas bancárias.
Era o objetivo: cargo vitalício, imunidade, bônus variados, super salários e, acima de tudo, poder.
O judiciário brasileiro é essa bolha de privilégios.
​É um judiciário que aceita o mais violento e desumano sistema carcerário do mundo.
De quem é a responsabilidade conceitual pelo nosso sistema carcerário, afinal? Não é do poder judiciário?
O judiciário brasileiro é um judiciário que é conivente com um sem-número de violências.
Com genocídios de índios — em curso neste exato momento.
Com massacres em presídios.
Com o país que mais mata homossexuais no mundo, com o maior volume de casos de feminicídios no planeta, com os altíssimos índices de casos de racismo, com o trânsito veicular mais violento do história, enfim, com tudo de pior que se puder imaginar no cenário estatístico dos horrores.
Não bastasse a lista acima ainda há mais: doenças do século 19 aflorando em plenas zonas urbanas, ausência total de competência para gerenciamento de crises humanitárias, corrupção escancarada em nomeações absurdas para ministérios.
Como levar a sério um judiciário de um país assim?
Como levar a sério um judiciário que, com toda esse cenário de guerra, ainda goza dos salários mais altos do mundo, mais altos até mesmo que o salários dos juízes americanos?
O judiciário é, por assim dizer, o grande nó da nossa sociedade.
Afinal, não eram os políticos a nossa chaga endêmica e atávica: eram os magistrados, a elite da elite da elite.
Políticos ainda se submetem ao voto popular.
Magistrado praticamente compra sua vaga no ministério público, decorando leis e regras gramaticais como um robô destituído de alma para ser aprovado no concurso — e se não for aprovado, entra com recurso.
Para continuar lendo a matéria de Gustavo Conde para o site Viomundo, clique aqui.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

FEBRE AMARELA



A doença da irresponsabilidade

Eugênio Magno

África, América Central e América do Sul, incluindo o Brasil, são consideradas áreas com grande potencial de infecção da febre amarela, em razão da concentração de vetores e reservatórios responsáveis pela manutenção do ciclo silvestre.
A febre amarela é uma doença endêmica, gravíssima, que pode evoluir dos primeiros sintomas a lesões no fígado e insuficiência renal até o óbito. Seus sintomas iniciais incluem febre, calafrios, perda de apetite, náuseas, vômito, dores de cabeça e dores musculares. Somente os médicos são capazes de diagnosticar e tratar a doença. E o seu combate é feito por meio da vacinação, procedimento que garante a imunização da população.
O preocupante é o grande número de vítimas fatais da febre amarela no Brasil. No momento em que escrevia este artigo fiz uma busca no Google, Ministério da Saúde e em vários veículos de comunicação e só encontrei números desatualizados. Os órgãos de saúde do país também estão muito cautelosos na divulgação da quantidade exata de mortos e infectados pela doença para que a população não entre em pânico. Especialmente por conta do que parece ser a falta de estoque suficiente da vacina para imunizar toda a população, principalmente os moradores das áreas de risco que, segundo informações do Ministério da Saúde são: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Além das áreas de risco, com recomendação de vacinação, também está sendo vacinada a população do Espírito Santo.
Seguindo orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS), a vacina no Brasil é tomada em dose única. Mas em São Paulo e no Rio de Janeiro, entretanto, por conta do baixo estoque, a vacina está sendo fracionada para que seja possível uma oferta maior, com a cobertura da totalidade dos municípios desses Estados.
Os números encontrados na breve pesquisa que realizei pela internet são de 22 óbitos, no Rio de Janeiro, 21 em São Paulo e 25 em Minas Gerais, o que totaliza 68 mortes divulgadas oficialmente somente nesses três Estados brasileiros. Estima-se, todavia, que o número de casos de febre amarela em todo o país esteja em torno 1.000 e que mais de 200 pessoas já tenham morrido vítimas da doença. Isso, em pleno Século XXI, no país do cientista, médico e bacteriologista Oswaldo Cruz que na primeira metade do século passado já havia erradicado do Brasil essa doença terrível.

É de causar vergonha o fato de as autoridades brasileiras só agora – com a febre amarela atingindo níveis preocupantes –, tomarem medidas mais abrangentes e efetivas no combate à doença. Ainda assim, é grande o número de brasileiros que não tomaram a vacina.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

DEMOCRACIA NO BRASIL ROLANDO LADEIRA À BAIXO


'Se o Judiciário seguir como ator político, 

vejo um futuro tenebroso'





A confirmação da condenação de Lula pelo TRF da 4ª Região representa a censura a um projeto democrático, por um Judiciário cada vez mais empenhado em fazer política.
A análise é do ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, integrante do Ministério Público Federal por três décadas. Ao rifar um candidato com mais de 40% das intenções de voto, indispensável para a articulação de uma saída negociada para o País, o risco de uma convulsão social torna-se cada vez maior.
Lula não é um candidato ideológico, é pragmático e programático. Seu objetivo é reduzir a pobreza no País, dar chances para a maioria dos brasileiros progredir. Para fazer isso, o ex-presidente sabe que precisa de alianças”, explica Aragão, defensor de um pacto nacional, não restrito ao Parlamento.
Mas ainda há espaço para uma política conciliatória? “Esse é o maior desafio. Se Lula não souber fazer isso, quem será capaz?”
Para ler na íntegra a entrevista concedida pelo ex-ministro, Eugênio Aragão, a Rodrigo Martins para Carta Capital, clique aqui.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

ALTERNATIVAS DE LUTA PELA DEMOCRACIA


“Julgamento de Lula serviu para acabar com as ilusões. A luta é na rua”, diz Lindbergh Farias 




Após o resultado do TRF 4 na tarde de quarta, dia 24, os ânimos estavam exaltados na Praça da República. A caminhada até a avenida Paulista havia sido proibida pelo prefeito.
Mas ninguém estava disposto a dar ouvidos ou conceder obediência. O comandante da polícia militar postou um cordão de soldados na avenida Ipiranga para impedir a marcha.
Na mesma avenida onde, um dia antes, o mesmo comandante havia impedido uma manifestação contra o aumento da tarifa do transporte público – agindo com truculência e detenções de adolescentes – Guilherme Boulos não negociou: “Nós vamos passar”, e logo as cerca de 30 mil pessoas puseram-se a andar.
Imediatamente o cordão da PM se desfez, manso. Na rua da Consolação, o senador Lindbergh Farias,  fez um dos discursos mais contundentes ao lado de Lula. 
Confira a entrevista sobre a condenação do Lula que o senador Lindbergh Farias deu ao DCM, clicando aqui.

domingo, 21 de janeiro de 2018

JULGAMENTO DE LULA


Congressistas americanos clamam às autoridades brasileiras julgamento justo e imparcial de Lula



Congressistas americanos que assinam a mensagem, de cima para baixo, da esquerda para a direita): Mark Pocan, Keith Ellison, Ro Khanna, Frank Pallone Jr, Steve Cohen, Barbara Lee, Henry C Hank Johnson Jr, Raúl Grijalva, Karen Bass, Marcy Kaptur, Pramila Jaiapal e Jan Schakowsky. No pé da fotomontagem,  à esquerda, embaixador Sérgio Silva do Amaral. À direita, a presidente do STF,  ministra Cármen Lúcia, seguida dos colegas Celso de Mello e Marco Aurélio.

Na última sexta-feira (19/01), congressistas americanos pediram às autoridades  brasileiras que garantam que os direitos básicos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sejam totalmente protegidos, de acordo com as obrigações dos tratados internacionais — em particular,   seu direito a um tratamento justo, livre e imparcial perante a lei.
Eles ressaltam:
Estamos profundamente preocupados com as crescentes evidências de flagrantes violações dos direitos de Lula ao devido processo legal e com o que parece ser uma campanha de perseguição judicial politicamente motivada.
A mensagem na íntegra, em inglês e a sua tradução para o português foi enviada ao embaixador brasileiro nos EUA, Sérgio Silva do Amaral, e aos ministros do Supremo Tribunl Federal (STF). Para cessar a íntegra da matéria publicada no site Vi o Mundo, clique aqui.