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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

VOCÊ ESTÁ SENDO ENGANADO


Comunicação é coisa séria

Certamente você conhece aquele velho ditado: “quem conta um conto aumenta um ponto” e também já deve ter participado da dinâmica do “telefone sem fio” e está cansado de saber que informação precisa de confirmação e para se ter confirmação é necessário que haja uma fonte confiável ou, no mínimo, identificável. O que significa que tal fonte tem que ter uma marca, um nome verdadeiro, uma identidade, um CNPJ, um CPF, um endereço e, de preferência, conhecimento do que fala e responsabilidade sobre o que divulga. E isso só é possível se o órgão ou a pessoa que divulga puder ser encontrado, ter expertise no assunto ou estar habilitado na área de comunicação para estabelecer a mediação entre o especialista, a fonte primária ou os sujeitos da ação e o público. E ainda, estar submetido às legislações do país e aos códigos e estatutos próprios, tanto do setor de comunicação, quanto das áreas sobre as quais a informação ou a propaganda estejam vinculadas.

Partindo-se desse princípio, gostemos ou não, jornais, revistas, rádios, tv’s (abertas e fechadas), agências de notícias e, mais recentemente, portais de informação, canais do Youtube, podcasts e blogs de jornalistas e comunicadores profissionais, são os meios mais indicados para se buscar informação.

Dito isso, precisa ficar claro pra todo mundo que, almoço de domingo, mesa de boteco da esquina, Copa ou Cafezinho da empresa, telefone, redes sociais e o Whatsapp são ótimos para a nossa interação, para partilhar nossa vida pessoal, familiar e profissional. Mas daí, qualquer um se meter a publicitário, relações públicas, jornalista, comunicador e achar que porque tem um instrumento de comunicação à sua disposição, tem o direito de produzir ou replicar propaganda enganosa e desinformação aos quatro ventos, irresponsavelmente, destruindo reputações e levando outras pessoas a formar opinião equivocada sobre tal ou qual assunto é um absurdo. Assim como é absurdo levar à sério toda e qualquer informação que recebe, sem se ter a mínima ideia da fonte original daquilo que lhe é dito ou repassado, mesmo que seja alguém próximo a você, mas que não detém o mínimo de conhecimento sobre o tema e muito menos tem ideia de onde surgiu aquilo que ele ou ela repassa.

Você acaba de ler a transcrição de um pequeno trecho do vídeo Comunicação é coisa séria, do canal do YouTube, produzido por Eugênio Magno. Para ter acesso à integra desse conteúdo, clique aqui. E se quiser quiser se aprimorar em comunicação, inscreva-se no canal, Laboratório de Comunicação e Cultura e explore os demais vídeos da playlist. 

domingo, 20 de abril de 2025

FELIZ PÁSCOA!

Tradição centenária em celebração religiosa milenar


Texto e fotos de Eugênio Magno



A antiga tradição dos tapetes que decoram o piso das ruas na festa da páscoa ainda se mantém em muitas localidades brasileiras.
Em Pinhões, comunidade quilombola, localizada a 10 km do centro histórico de Santa Luzia, município integrante da Grande BH, essa tradição centenária continua viva. Vem sendo passada de geração para geração e se faz presente em várias celebrações religiosas. Nesta páscoa de 2025 não foi diferente, a principal via de acesso à capela de Nossa Senhora do Rosário foi toda tapetada para a passagem da procissão do Santíssimo Sacramento - Jesus ressuscitado.




O tema da Campanha da Fraternidade 2025 mereceu destaque





Os tapetes são feitos sobre a pavimentação das ruas com serragem seca colorida, areia, borra de café, farinha de trigo vencida, folhas e flores secas, por voluntários, moradores das comunidades que mantêm o rito. A inspiração para a decoração das ruas vem da festa que o povo fez para Jesus Cristo quando de sua entrada em Jerusalém no chamado Domingo de Ramos. Esta tradição é uma herança dos portugueses e data do século XVIII.  




O verdadeiro sentido da Páscoa

Para muito além de ovos de chocolate e manifestações exteriores, páscoa é passagem, renascimento.

Para reflexão e meditação leia abaixo o texto de Jean-Ives Leloup, teólogo e escritor francês, batizado como ortodoxo na República Monástica do Monte Athos: 

Este tema da passagem é o tema da Páscoa.

Pessach em hebraico, quer dizer passagem.

A passagem, no rio, de uma margem à outra margem, a passagem de um pensamento a outro pensamento, a passagem de um estado de consciência a outro estado de consciência. A passagem de um modo de vida a um outro modo de vida.

Somos passageiros.

A vida é uma ponte e, como diziam os antigos, não se constrói sua casa sobre uma ponte. Temos que manter, ao mesmo tempo, as duas margens do rio, a matéria e o espírito, o céu e a terra, o masculino e o feminino e fazer a ponte entre estas nossas partes, sabendo que estamos de passagem.

É importante lembrar-se do carácter passageiro de nossa existência, da impermanência de todas as coisas, pois o sofrimento geralmente é de querermos fazer durar o que não foi feito para durar.

A grande páscoa é a passagem desta vida mortal para a vida eterna, é a abertura do coração humano ao coração divino. É a passagem da escravidão para a liberdade, passagem que é simbolizada pela migração dos hebreus, do Egito para a Terra Prometida.

Mas não é preciso temer o Mar Vermelho. O mar de nossas memórias, de nossos medos, de nossas reações. Temos que atravessar todas as ondas, todas estas tempestades, para tocar a terra da liberdade, o espaço da liberdade que existe dentro de nós.

Sede passantes.

Creio que esta palavra é verdadeiramente um convite para continuarmos nosso caminho a partir do lugar onde algumas vezes paramos.

Observemos o que para a vida em nós, o que impede o amor e o perdão, onde localiza o medo dentro de nós. É por lá que é preciso passar, é lá o nosso Mar Vermelho.

Mas, ao mesmo tempo, não esqueçamos a luz, não esqueçamos a liberdade, a terra que nos foi prometida.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

"PARALELOS DISTÓPICOS" NA CASA DO JORNALISTA

 

Nesta quarta-feira, 24 de janeiro de 2024, às 19 horas, na Casa Matriz, anexo da Casa do Jornalista, acontece o evento PARALELOS DISTÓPICOS, instalação participativa da multiartista brasileira radicada no Uruguai, Eliane Velozo, do Colectivo de Escritura Migrante @escrituramigrante, onde os presentes participarão de uma roda de conversas com apresentação de poesia e  música. 



Os primeiros trinta minutos do evento serão reservados a uma visitação individual da instalação, "O ruído e o tempo", de Eliane Velozo.
Na sequência, haverá uma roda de conversa mediada pela coordenadora do evento, Brenda Marques Pena, com os convidados: Cícero Christófaro, Eugênio Magno, José Antônio Vieira, Maria do Socorro Coelho, Rita Silva, Ronaldo Zenha e Tibério França.
Paralelos Distópicos trabalha a temática do tempo, baseando-se nas distopias que enfrentamos em nosso dia a dia, numa concepção de evento em que o público também poderá interagir.
A entrada é franca e o endereço é: Casa do Jornalista, Av. Álvares Cabral, nº 400, entrada pelos fundos (rua Espírito Santo), no espaço Casa Matriz.



terça-feira, 28 de novembro de 2023

A POESIA PULSA POTENTEMENTE

Vivemos um momento extremamente propício para a poesia

(Capa e contra capa do livro Meridianos Poéticos)

Meridianos Poéticos

O primeiro lançamento, no Brasil, do livro, Meridianos Poéticos: Poesia Latinoamericana Contemporânea, pela mareMium - pequeña editorial, da Argentina, aconteceu durante o Festival de Literatura Internacional de Belo Horizonte (FLI-BH), no Centro Cultural Banco do Brasil. 
A antologia, que tem uma sessão especial de poesias visuais reúne 55 poetas, representando dez países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Itália, Nicarágua, Portugal, Uruguai e Venezuela, teve curadoria e organização das poetas, Brenda Mar(que)s Pena (Brasil) e María Laura Coppié (Argentina). Este escrevinhador está entre os poetas brasileiros participantes da publicação.


(Eugênio Magno e Brenda Mar(qu)es Pena)

Meridianos Poéticos foi lançado inicialmente, nos primeiros dias do mês de novembro, no "VI Encuentro Internacional de Escritura Migrante", numa intensa programação em Buenos Aires e La Plata, na Argentina e em Montevidéu e Sacramento, no Uruguai.
Interessados em adquirir o livro podem fazer a sua solicitação pelo e-mail: escrituramigrante@gmail.com. 


Aroldo Pereira lança "Parangolares" em BH

 

Em Parangolares, segundo livro da trilogia “Parango”, o poeta, Aroldo Pereira, revisita lutas e homenageia os deserdados da sociedade, através de memórias e vivências junto ao artista plástico Ray Collares, de quem foi amigo ao longo da vida. 

Raimundo (Ray) Collares (1944 – 1986) foi um pintor e desenhista, nascido em Grão Mogol, que residiu em Montes Claros em vários períodos da vida. A obra de Ray Collares reúne tendências como o construtivismo e a arte pop.
Sempre à frente do seu tempo, Ray conquistou admiradores em vários países onde ele viveu e construiu projetos.
O lançamento será na próxima sexta-feira, 1º/12/23, de 19 às 22 horas, na Casa da Floresta, rua Silva Ortiz, 78, bairro Floresta, Belo Horizonte, MG.


Dois livros de José Hilton Rosa




O escritor José Hilton Rosa, lança dois livros: Primavera, aprendendo na escola (infantil) e O peso da cor (poesias).
O evento será dia 17 de dezembro, domingo, de 10 às 13 horas na Livraria Jenipapo, que fica na rua Fernandes Tourinho, 241, na Savassi, em Belo Horizonte, MG.
A confraria de Poetas de Belo Horizonte, juntamente com Pajo BH Humanidades, convidam os poetas da cidade e região e o público em geral para um sarau poético que acontecerá durante o lançamento.

quarta-feira, 8 de março de 2023

8 DE MARÇO, DIA DA MULHER

Com o poema dedicado à filha, Geovana e a foto da netinha, Manuella, homenageio todas as Mulheres no seu dia

 


GEOVANA

Geralda, Wilma, Nílcia, Maria, Odete, Lucília

mãe, mulher, irmãs e filha

Geovana

E outras tantas e tontas meninas

( . . . )

eternas minas

de ouro e tintas

Geovana Chama

nana

nenê


(Do meu livro, IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005, pág. 35)


sábado, 28 de janeiro de 2023

AMIRT SEGUE COM AS COMEMORAÇÕES DOS 100 ANOS DO RÁDIO NO BRASIL

 Revista da AMIRT está de volta

(Capa da Revista da AMIRT, Ed. Nº 210)

No dia 25 de setembro do ano passado, comemoramos 100 Anos do Rádio no Brasil, mas as comemorações continuam ao longo deste ano de 2023. 
A Associação Mineira de Rádio e Televisão (AMIRT) realizou um grande evento no dia 27 de setembro de 2022, no foyer do Palácio das Artes, em Belo Horizonte.
Em dezembro de 2022 a entidade lançou uma nova edição da Revista da AMIRT que estava fora de circulação há bastante tempo.

(Página 11 da Revista da AMIRT, Ed. Nº 210)

Nesta edição da revista, várias matérias sobre passado e futuro do rádio, notícias do meio, cobertura completa do evento comemorativo do centenário do rádio em nosso país, Relatório de Gestão AMIRT: 2019-2022 e várias homenagens recebidas e feitas pela entidade.
Para este ano de 2023 vários eventos estão programados. Para acompanhar a programação acesse o site da AMIRT
Em destaque, o Podcast 100 Anos do Rádio no Brasil. Personalidades do meio homenageiam o rádio em vários episódios do podcast. 
Abaixo o link da entrevista com o radialista Eugênio Magno, fundador e primeiro presidente do Grupo de Profissionais da Voz - VOZES DE MINAS (2003-2006) e atualmente Conselheiro de Ética do Grupo:
Ouça a entrevista, clicando aqui.


sábado, 1 de janeiro de 2022

ANO NOVO, VIDA NOVA


(Foto: Vatican News)
 

Louvado sejas, meu Senhor

Este ano de 2022 que está iniciando hoje será um ano de muitos debates políticos: partidários, eleitorais, ideológicos, muitas falas acaloradas. Um ano em que, muito especialmente, nós brasileiros, estaremos sendo convocados a uma maior politização, para que possamos redefinir os rumos do nosso país, compreender melhor as nuances da política e as implicações tanto do nosso voto e dos nossos posicionamentos quanto de nossa apatia ou neutralidade. Futebol, exceto para os grandes craques, técnicos e cartolas, não muda a vida de ninguém e, sinceramente, não sei se vale à pena discutir. Agora, política e religião necessitam ser debatidos intensamente e sabiamente, sem fundamentalismos e, de preferência, sem trazer a esdrúxula lógica da torcida futebolística para esse campo.

Com a pretensão de iniciarmos o ano com um pensamento que vá um pouco além da preocupação com nossos próprios umbigos, o episódio # 28 UNIDOS POR UMA PREOCUPAÇÃO COMUM, do podcast Política com Fé, destaca algumas palavras do papa Francisco, da  sua encíclica Laudato Si, sobre o cuidado da nossa casa comum: a terra, o planeta. 

Para acessar todos os episódios do podcast clique aqui.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

POÉTICA DAS IMPRESSÕES EXPRESSAS

 Poema Inacabado


Eugênio Magno


Só restava a esperança em

Um dia distante que nunca chegava.

 

Não havia fim e

Os começos também cessaram.

 

Algo foi emudecendo em nós.

 

Ficamos inertes.

E gélidos, fomos nos definhando.

 

A palavra, afiada, mal dita,

Precipitava ainda mais a desintegração,

Até mesmo aquela,

Da solidez insípida

Em que nos transformamos.

 

Agora,

Como gotas de água da chuva,

Somos

Náufragos

Em mar aberto.



sexta-feira, 5 de novembro de 2021

ANIVERSÁRIO DO PODCAST POLÍTICA COM FÉ


O podcast "Política com Fé", produzido e apresentado por Eugênio Magno está comemorando seu primeiro aniversário. Em 5 de novembro de 2020, com o episódio # ZERO - Fé, Espiritualidade e Política, trouxemos para a plataforma Anchor/Spotify, a primeira edição do podcast, enfrentando todas as dificuldades que um estreante em uma mídia com a qual não tem intimidade enfrenta.

Fé e Política é o tema explorado neste podcast. Com base na Doutrina Social da Igreja Católica (DSI), refletimos, analisamos e discutimos temas relevantes da política nacional e da geopolítica mundial à luz do Evangelho. Inspirados pelo papa Paulo VI que disse: "a Política é a forma mais sublime de fazer caridade", pretendemos contribuir para desfazer o equívoco de muitos que julgam ser uma política incompatível com a fé e a espiritualidade.

POLÍTICA COM FÉ é um podcast que tem como propósito educar e informar a população e contribuir para a diminuição de analfabetos políticos no Brasil.

Ao longo desse primeiro ano de existência o podcast vem conquistando, paulatinamente, novos ouvintes, um público qualificado e participante que ainda é pequeno, em números absolutos, mas que está presente em todos os Estados brasileiros e também em outros países, tais como: Áustria,  Estados Unidos, Chile, Portugal e Angola. 

Até a presente data já se somam 25 episódios do podcast, abordando vários assuntos em sua área temática. Para acessar, ouvir, baixar e partilhar com os amigos todos os episódios é só clicar em um desses links: Anchor FM-Eugênio Magno ou POLÍTICA COM FÉ, no Spotify.


segunda-feira, 5 de julho de 2021

PODCAST "POLÍTICA COM FÉ" EM PARCERIA COM O CEFEP




O podcast “Política com Fé”, a partir do episódio #16 - Tolerância: novo nome para a paz, passa a oferecer mensalmente - no dia primeiro de cada mês - o quadro "CEFEP Informa", um espaço para a divulgação das principais manchetes do Boletim Informativo do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara, órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

A iniciativa é parte de acordo firmado entre a produção do podcast e o CEFEP. Com a parceria, tanto o podcast quanto o CEFEP ganham novos canais de distribuição de conteúdos para as suas comunidades cujos interesses giram em torno do tema Fé e Política. 

Para conhecer melhor o CEFEP, acesse o seu site, clicando aqui. E, para ouvir todos os episódios do podcast "Política com Fé", aqui está o link: https://anchor.fm/eugenio-magno.


sábado, 1 de maio de 2021

VOZES DE MINAS ATINGE A MAIORIDADE

 

Vídeo Comemorativo: 18 Anos Vozes de Minas 


Vida longa ao Vozes de Minas

No dia 30 de abril de 2021 o Vozes de Minas - Grupo de Profissionais da Voz atingiu a maioridade. Já são 18 anos de uma história de sucesso construída como muito empenho dedicação e profissionalismo.
Às 9 da manhã, do dia 30 de abril de 2003, o Vozes de Minas, juntamente com a AMAV - Associação Mineira do Audiovisual, recebia seus convidados: agências de propaganda, anunciantes, veículos de comunicação, jornalistas e formadores de opinião para o evento de lançamento das duas entidades.
À época, como articulista-colaborador do jornal o Tempo e, na condição de fundador e primeiro presidente do Vozes de Minas, escrevi o artigo que reproduzo abaixo:

QUEM TEM OUVIDOS OUÇA

Eugênio Magno M. Oliveira
Comunicador Social 

         A voz é um instrumento muito importante. É com ela que as pessoas estabelecem seus contatos. Ela ajuda a posicionar marcas e a fazer tilintar o caixa das empresas. Convence cidadãos e consumidores, seduz, elogia, adverte, esclarece, informa.

         Estou falando das vozes que são colocadas a serviço do mercado. São as vozes dos locutores e atores de propaganda que, de tanto falar dos outros e, a partir de outros, desconfiaram que havia chegado a hora de falar por si e de si mesmos. Descobriram que era necessário compartilhar o que verdadeiramente fazem e como se sentem, quando as marcas, as instituições, os serviços, as ideologias e outros produtos, levam consigo, como seus defensores junto ao consumidor, uma parte deles. Algo de suas identidades – suas vozes.

         Estou falando do Grupo de Locutores Especializados em Gravação – Vozes de Minas (primeira denominação do Grupo), do qual tenho a honra de ser um dos fundadores e primeiro presidente.

         Desde dezembro do ano passado que estamos nos reunindo para pensar e repensar qual é nosso papel na sociedade e, mais especificamente, na cadeia do processo de produção publicitária. Descobrimos coisas incríveis e falamos dessas descobertas, primeiro para nós mesmos, depois para os produtores. Agora estamos na fase de falar do nosso trabalho para o pessoal das agências de propaganda: diretores de RTV e de criação, redatores e presidentes. E não vamos parar por aí, queremos também que o cliente que nós anunciamos, saiba quem somos, o que fazemos, e como fazemos.

         A sociedade, a partir de agora, vai poder nos identificar como categoria profissional organizada. Estamos nos preparando para isso. E não estamos olhando somente para o nosso próprio umbigo, pois não queremos mais continuar a sermos tratados como coadjuvantes no mercado publicitário nacional. Estou falando de envidar esforços juntamente com o Governo do Estado e da Capital, agências, produtoras e anunciantes, para sairmos da vergonhosa posição que ocupamos no ranking dos investimentos em publicidade no Brasil.

         Queremos nos aliar às forças pró-ativas, que pretendem quebrar o silêncio de Minas. Temos em nosso estado, homens públicos dinâmicos, com perfil e potencial para assumir as posições de maior destaque no cenário político nacional. Minas Gerais é um grande celeiro de empresários arrojados, terra de banqueiros, mestres da política, grandes artistas e excelentes comunicadores. Portanto o que não nos falta é profissionalismo, seriedade, competência, talento, criatividade e, até mesmo recursos financeiros, no entanto o que se vê e se faz não corresponde a este potencial.

         Lembrando Otto Lara Resende, diria que se formos solidários, para além das nossas misérias e juntos lutarmos por ideais nobres e metas mais audaciosas, não envergonharemos nossos irmãos inconfidentes, aos quais não faltou ousadia para gritar por independência.

         Para esta nobre tarefa a comunicação é imprescindível. E dentre os recursos utilizados pela comunicação, colocamos à disposição de quem interessar possa um dos mais poderosos destes recursos comunicacionais de que dispomos: nossas vozes, as Vozes de Minas. (Texto publicado no jornal O Tempo, 30.04.2003, pág. 8, Editoria de Opinião)

Para conhecer melhor o Vozes de Minas e os talentos do grupo, visite o nosso site, clicando aqui.


sábado, 10 de abril de 2021

VIVER E ESPERANÇAR É PRECISO

(Belles Memoires/Pixabay)
 

Do Divino e do Profano: 
em tempo de Páscoa

Eugênio Magno

         No capítulo 43 do livro do profeta Isaías tem um trecho que diz: “... Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca”.

Isso é tudo que todos esperam: o crente, o ateu, o agnóstico.

         Depois de falar sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica que teve início na quaresma, no artigo do mês passado, não quis que a Páscoa passasse em branco. Para a comunidade cristã, Páscoa é símbolo de renascimento. Tempo de louvores e glórias ao Rei. É festa, celebração da boa nova. O Livro do Eclesiastes diz haver um tempo de campo e um tempo de canto. Páscoa é tempo de canto. Hora de esquecer o passado e de se dar conta de que coisas novas estão sendo feitas. E muitas coisas novas, realmente, estão sendo feitas: de divino e de profano.

         A cada dia, mais e mais pessoas embarcam ou reembarcam nas práticas religiosas em busca do milagroso, da verdade, do divino. Até os ricos (quem diria!), mesmo os aparentemente menos entediados, com cacife para bancar os honorários de qualquer psicanalista do planeta, estão se rendendo ao “divã” da religiosidade. O fenômeno da religação com Deus, há muito esquecido, está de volta ou trata-se apenas das manifestações tardias das teologias da prosperidade e do domínio, alimentando o neopentecostalismo?

Substituído pela vacuidade egóica que se nutre apenas de ostentação, cobiça, poder e dos prazeres sensoriais, poderíamos pensar que Deus está voltando a ocupar o espaço existencial no coração dos (des)iludidos de todas as camadas sociais? A humanidade estaria se sentindo culpada pelos danos causados à vida, à natureza e aos seus semelhantes e, amedrontada, se penitencia e volta a flertar com o transcendente?

         Místicos e piedosos de todos os tempos afirmam que as graças do Divino sempre se mantiveram acessíveis. Mas, somente aos que têm uma fé verdadeira e inabalável, como Jó, independentemente das circunstâncias. Asseguram que milagres só ocorrem no plano do espírito, de uma iluminação que coloca o ser em harmonia com a vida e com o planeta. Algo que está muito além da relação comercial estabelecida com Deus, por obra e graça dessa proliferação de seitas que vendem promessas de prosperidade e curas com hora marcada; educa para o negacionismo da ciência, faz proselitismo político à extrema direita e mantêm milhões de incautos reféns de suas próprias misérias. Enquanto isso, a faca continua – como sempre –, amolada. O mundo dito civilizado, depois de organizar as pessoas em tribos, reinados, impérios, repúblicas, estados e regimes, desordenou mais uma vez a vida humana de forma globalizada. Os donos do poder brincaram de deuses, aliciando a humanidade para a construção de um novo mundo, de um novo homem e foram muito bem sucedidos. Construíram novos mercados, novíssimos consumidores, o homem-data, digitalizado, online, prosumidor, patrãogado, empreendedores (empresários de araque), exploradores de si mesmos.

         As vozes destoantes de um pequeno extrato de cientistas das áreas humanas e sociais há muito tempo incendeiam o palco das incertezas sobre o novo poder, o biopoder do hipercapitalismo financeiro, neoliberal e tecnológico do capital improdutivo.

A diminuição dos Estados-nação e o desprezo às instituições com a pretensão de se criar uma nova ordem mundial já se cumpriu e o tiro saiu pela culatra. O excesso de poder do mercado afetou a democracia. O Estado fraco faz o que as empresas querem. E as pessoas têm se perguntado então para que serve a democracia se as decisões estão sendo tomadas onde não temos influência. O desalento e a falta de politização fez com que muita gente boa perdesse a linha e desencarrilhasse o trem. Se os problemas de um país já não são resolvidos pela ação do Estado é sandice acreditar que poderão ser resolvidos pelo mercado que tem como lógica estatizar prejuízos e privatizar lucros.

É urgente um novo pacto, se não uma revolução, que ressalve o dever do Estado de dar condições básicas de cidadania, garanta liberdade ao povo, regule o mercado, incentive a economia produtiva sustentável e solidária, garanta trabalho e renda para a população, socialize os meios de produção, zele pelo ambiente e permita a influência de entidades comunitárias, numa dinâmica em que os poderes sejam controlados pela sociedade.

         Saídas existem. O que não se pode aceitar é a insistência no que nunca deu certo e que a cada dia se agravou até chegar ao ponto em que estamos.

Diante do quadro tenebroso que se apresenta mundialmente e, particularizando a conjuntura brasileira, com os agravantes da pandemia, diria que, desalentados e, como no purgatório, amargando essa longa espera pelo Juízo Final, passando pela via crucis: paixão e mortes – mais de 300 mil –, tudo que ainda podemos esperançar (de Deus sabe para quando) é uma Feliz Páscoa!

Este artigo pode ser ouvido em sua versão de áudio no podcast Política com Fé. O texto também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta da FaE/UFMG.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

PAIXÃO, MORTES (MAIS DE 300 MIL) E PÁSCOA


Novo episódio do podcast Política com Fé

Para a comunidade cristã, a Páscoa é símbolo de renascimento. É tempo de louvor e glórias ao Rei. É festejo, celebração da boa nova. Até porque, segundo o Livro do Eclesiastes há um tempo de campo e um tempo de canto. Páscoa é tempo de canto. Hora de esquecer o passado e de se dar conta de que coisas novas estão sendo feitas. E muitas coisas novas, realmente, estão sendo feitas: de divino e de profano. Muito mais de profano...

Para acessar todo o conteúdo do episódio # 10 DO DIVINO E DO PROFANO, do podcast Política com Fé, clique aqui.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

SOCIEDADE MUNDIAL É CONSTRANGIDA POR UM VÍRUS NA HIPERMODERNIDADE


(Imagem: Fusion Medical Animation / Unplash) 



O Vírus interroga as instituições

Eugênio Magno


Mais do que qualquer curso, disciplina e/ou formação acadêmica, a vida é pedagógica. Ainda que de forma cruenta, nos trás seus ensinamentos e nos interroga sobre o nosso destino, o futuro que estamos construindo e nos impõe – neste momento específico em que vivemos –, uma pausa para reordenar o rumo das coisas. Muito embora a letalidade da pandemia engendrada pela COVID-19 seja um fato irrefutável, a generosidade da vida no planeta para com os humanos é imensa e nos oferece agora a chance de sermos, fazermos e vivermos de forma diferente da que até então temos vivido. Resta saber se iremos tirar algum proveito desta lição. Frei Beto gosta de dizer que “é melhor deixar o pessimismo para tempos melhores”, mas diante das posições de algumas lideranças de vários países, como é o caso dos integrantes do governo brasileiro, é difícil ser otimista no atual momento histórico.
Devemos salvar a vida humana ou a economia, protegendo multimilionários e construindo riquezas sobre cadáveres? Às vezes é necessário que cheguemos ao pico de uma excepcionalidade como esta da pandemia provocada pelo coronavírus para nos darmos conta do quanto a vida humana vem sendo desvalorizada pelo próprio homem.
Em tempos de livre circulação de informações, das mais balizadas àquelas para as quais não existe sequer qualificação, é importante que tenhamos o bom senso de nos ancorarmos em reflexões sóbrias e equilibradas para, a partir desses referenciais, formarmos e emitirmos opinião. Se não, vejamos: são notórios os ataques sofridos pelas democracias, orquestrados por fake news produzidas e difundidas em massa, especialmente pelas redes sociais, gerenciadas por grupos de mídia internacionais e ideólogos hiperneoliberais e anarcocapitalistas que se utilizam justamente de prerrogativas democráticas, como a liberdade de expressão, para fazer seus proselitismos. Entretanto, essas estratégias comunicacionais abjetas, direcionadas para a conquista de corações e mentes da grande massa manipulável, têm encontrado uma dura resistência por parte daqueles que pensam e estão engajados na construção de um mundo melhor.
Na penúltima semana de abril entrou em circulação, A Cruel Pedagogia do Vírus, o mais novo livro do pensador Ibero-Americano, o português, Boaventura de Sousa Santos. Trata-se de uma obra curta da Editora Almedina (Coimbra, Portugal, abril, 2020). Aqui no Brasil, o ensaio está disponível exclusivamente em e-book, como um dos volumes da coleção Pandemia Capital, da Boitempo Editorial ao custo de – apenas – cinco reais. No livro, Boaventura argumenta, de forma didática, sobre os desdobramentos da pandemia do coronavírus (COVID-19) em uma conjuntura em que se somam várias outras crises, entre elas as de ordem econômica e política. Nas poucas páginas dos cinco capítulos do ensaio, Sousa Santos problematiza uma série de questões que se deslindam em torno da crise pandêmica, para além do factual. Tudo muito condensado, mas com indicações claras e fortes das várias feridas políticas e socioambientais mal curadas que vão ficando cada vez mais visíveis a olho nu, com o avanço da pandemia.
Embora convencido de que os fins não justificam os meios, o autor chama a atenção para o fato de que apesar das consequências negativas do arrefecimento da economia, existem também as positivas. E toma como exemplo, o fato de um especialista em qualidade do ar, da agência espacial estadunidense (NASA) ter afirmado que nunca houve uma diminuição da poluição atmosférica numa área tão vasta do planeta, como neste período de pandemia global. Diante dessa e de outras constatações e, dentre as muitas interrogações postas pelo Vírus, segundo Boaventura de Sousa Santos, destaco as seguintes: “Quererá isto dizer que no início do século XXI a única maneira de evitar a cada vez mais iminente catástrofe ecológica é por via da destruição maciça da vida humana? Teremos perdido a imaginação preventiva e a capacidade política para a pôr em prática? A democracia carece de capacidade política para responder a emergências?”.
A problemática central enfocada pelo autor gira em torno do debate das ciências sociais sobre qualidade e verdade das instituições em momentos de normalidade e em situações excepcionais – em que momento se pode conhecê-las melhor? A tese de Boaventura é de que tanto uma quanto a outra situação permitem conhecimento revelando, naturalmente, coisas diferentes. Daí ele parte para a enumeração de pontos que o ajudam na problematização das revelações decorrentes do coronavírus.
No entender de Boaventura, a pandemia apenas agrava uma situação de crise que a sociedade mundial vem sendo sujeitada a décadas, com o avanço do neoliberalismo. Mas este agravamento da crise também faz cair por terra a ideia de que não existe alternativa ao modo de vida imposto pelo hipercapitalismo. “Como foram expulsas do sistema político, as alternativas irão entrar cada vez mais frequentemente na vida dos cidadãos pela porta dos fundos das crises pandêmicas, dos desastres ambientais e dos colapsos financeiros”, argumenta Sousa Santos. Este é mais um dos imperativos que o Vírus nos dá a (re)conhecer. Assim como também podemos afirmar em uníssono com o autor que “a pandemia não é cega e tem alvos privilegiados, mas mesmo assim cria-se com ela uma consciência de comunhão planetária de algum modo democrática”. Mas, de uma democracia manca, uma vez que o darwinismo social praticado pelos chamados países desenvolvidos, em períodos de exceção como o que vivemos demonstram uma total contrariedade ao processo de avanço civilizatório.
É clara a vulnerabilidade ao vírus por parte de uma grande maioria da população mundial que sempre esteve entre os “grupos de risco” devido a precariedade da vida a que sempre foram subjugados.
Até a indicação preventiva de maior consenso mundial para trabalhar em casa, em auto-isolamento é impraticável, para vários segmentos profissionais, aqueles que fazem os serviços essenciais e os trabalhadores informais e precarizados que são obrigados a escolher entre ganhar o pão diário ou ficar em casa e passar fome. Boaventura também nos chama a atenção para o fato de que “as recomendações da OMS parecem ter sido elaboradas a pensar numa classe média que é uma pequeníssima fracção da população mundial”.
O Vírus expõe as vísceras de nossa sociedade, não somente as do capital, dos estados nacionais, dos governos, da política, das forças armadas e dos sistemas de saúde, mas de todo o conjunto das instituições. De modo particular, pensando na parte que nos cabe deste latifúndio: desvela também as entranhas da mídia, da academia, da educação, da tecnologia, do pensamento e das ciências. É numa hora como esta que se valida ou não todos os estudos, as pesquisas e a produção intelectual. Afinal, o que sabemos e o que podemos fazer com o que sabemos, para minimizar os impactos de uma situação tão crítica e letal como esta?

Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

A REPÚBLICA NA UTI


(Foto: Eugênio Magno)


Oportunistas, apocalípticos e proféticos
em tempos de contaminação global

Eugênio Magno

O que dizer em hora tão urgente? Algumas pessoas em grupos de redes sociais têm reagido muito mal ao excesso de postagens sobre o novo coronavírus (COVID-19). Também pudera, com tantas comunicações desencontradas e fake news, haja paciência para essa enxurrada de informações, em sua maioria desqualificadas. As reações são diversas: “vamos manter o foco”, “não aguento mais ouvir falar de coronavírus”, “aqui não é lugar pra isso”, “vamos concentrar no nosso trabalho”, etc. Quando leio e ouço tais reações e comentários, me pergunto: qual deveria ser o foco? Em qual espaço se pode falar com liberdade sobre a pandemia que ultrapassa muros, fronteiras, classes sociais e persegue a todos – independentemente de cor, raça, nacionalidade, crença, gênero –, por toda parte e em todo o mundo? Devemos concentrar no nosso trabalho – concordo. Mas concentrar no que o nosso ofício e expertise pode contribuir para conter a contaminação. Apoiar as pessoas para que não se desesperem diante de ameaça tão letal. Ajudar a pensar propostas de trabalho e renda, com garantia imunológica, para vencer a crise econômica e financeira que já se abate sobre nós, é ainda mais grave para os mais pobres e tende a se acirrar nos próximos dias, podendo chegar a picos insustentáveis.
Como não falar sobre o coronavírus e seus diversos efeitos em nossas vidas e em nossas relações afetivas, familiares, comunitárias, profissionais, econômicas, políticas e, especificamente, no nosso caso, comunicacionais e educacionais? É nosso dever como comunicadores e educadores colaborar no processo de educação da população para as medidas de prevenção contra a Covid-19 com base nas orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas é também de nossa responsabilidade pensar formas de sustentar a ação pedagógica, utilizando-nos dos meios virtuais e digitais, propondo pesquisas, leituras e experimentações que os educandos confinados possam realizar em seus lares. De acordo com a área de atuação de cada comunicador/educador, toda contribuição no sentido de minimizar os impactos psicoemocionais e ocupacionais da população são bem-vindas. É hora de fazer valer nossos diplomas, livros, artigos, pesquisas, especializações, amparos institucionais, salários, bolsas (as que ainda existem) e, fundamentalmente, nosso conhecimento e capacidade de articulação e mobilização. O momento nunca foi tão oportuno para que arquitetemos, anunciemos e ensinemos o novo.
O foco da população, como um todo, não pode e nem deve ser na doença, no vírus. É imprescindível que reconheçamos a sua potência para que possamos combatê-lo com a força necessária para liquidá-lo, mas não nos esqueçamos de usar a nossa perícia e robustez criativa para encontrar soluções para os vários desdobramentos da pandemia em nossas vidas. Ficar em casa, isto é, manter o distanciamento social, deveria ser algo indiscutível. Todavia, carecemos ainda de outras medidas que, além de contemplar todas as recomendações de precaução para deter o avanço da contaminação, consigam ultrapassar esse limite e proporcionar a cura e os cuidados devidos e necessários aos infectados. E ainda buscar alternativas para o colapso econômico. Para que isso ocorra, entretanto, muitas ações estratégicas devem ser incrementadas de forma responsável. Necessitamos, por exemplo, reconhecer que é vital o funcionamento de setores essenciais como os de saúde, segurança, combustíveis, transporte, telecomunicações, energia, água, vigilância sanitária, alimentação, pesquisa, ciência e tecnologia, para citar apenas alguns deles que, por sua vez, dependem de outros subsetores de suporte, para garantir suas atividades. Tudo isso, independentemente da vontade, ou do que a capacidade cognitiva dos dirigentes de nosso país consiga entender como melhor ou pior para a nação. Até porque, em meio a tantos decretos e revogações, informações e contrainformações, na esfera governamental, tornou-se impraticável submetermo-nos sem reflexão a qualquer ordem advinda do poder central, enquanto não houver razoabilidade, lucidez e o mínimo de garantias de que estaremos tomando o rumo certo.
Em meio ao caos social, a crise econômica e a pandemia que ameaça a saúde de toda a população, nossas lideranças políticas encontram-se totalmente perdidas no imbróglio de seus projetos de poder e continuam sem apresentar qualquer solução factível para o enfrentamento da situação. Enquanto blocos de uma direita oportunista e inescrupulosa antecipam a luta para a divisão dos possíveis despojos da meteórica ascensão e queda do bolsonarismo, parte significativa da esquerda e a grande maioria dos grupos associativos reduzem suas pautas a críticas ao governo Bolsonaro e a reivindicações sobre perdas sofridas (o que é justo, mas se distância e muito de nossas emergências). Chutar cachorro morto é coisa fácil. Até mesmo setores ultraconservadores, aliados aos saqueadores do Estado brasileiro que contribuíram para instaurar o desmonte da Res publica, resolveram reagir de forma vigorosa contra o atual governo. O cenário, definitivamente, não é dos mais alvissareiros, com ou sem Bolsonaro que, aliás, comete suicídio político todas as vezes que usa a caneta, abre a boca ou fica online.
Se os progressistas, as esquerdas lúcidas e os defensores da democracia não se unirem em torno de um projeto político, econômico, de saúde e de desenvolvimento que sensibilize a população e ponha freio neste trem desgovernado, o que assistiremos – como meros espectadores – será uma já anunciada troca de mãos, no manejo dos destinos de nosso país, para dar mais do mesmo ao nosso povo pra lá de sofrido. Excetuando o espectro dos oportunistas abjetos, é perceptível que segmentos da sociedade têm se subdividido entre apocalípticos e proféticos neste entreato da história que aponta para uma mudança de paradigma no modus vivendi da humanidade e na economia mundial. Estou alinhado aos proféticos, mas consciente de que profetismo requer mais que denúncia. Essa já está feita, não somente pelo coro das vozes dissidentes, como também e, principalmente, pelas próprias circunstâncias em que nos precipitamos. Agora é a hora d’a onça beber água. Os tempos carecem de anúncio.
Chegou o momento de todos os seres pensantes desse país – os poucos que ainda podem se dá ao luxo de sobreviver ainda que, hibernando confinados em “quarentena” –, usarmos toda a nossa reserva de força imunológica e capacidade de trabalho para contribuir com o país e com o mundo. Garantir o futuro dos que vierem e, quiçá, oportunizar um pouco mais de vida digna a nós mesmos e àquilo que representamos socialmente.

Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.

sábado, 28 de setembro de 2019

SETEMBRO: ANIVERSÁRIO DO PATRONO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA



Mural da Escola Municipal Paulo Freire, do bairro Cidade Nova, Caxias do Sul 
(Foto: Claudia Velho/reprodução)

Quem tem medo de Paulo Freire?

por Eugênio Magno

Nem mesmo as universidades brasileiras que nunca deram muita bola para Paulo Freire têm medo dele. Ao contrário, gritam a seu favor, especialmente nesses tempos em que a educação é medida pela régua dos desescolarizados que vão dos influenciadores aos aboletados no poder em nosso país e os que gravitam em seu entorno. Tampouco meninas e meninos temem Freire. Afinal, ele não era comunista, não comia criancinhas.
              É certo que jamais temeram ou temeriam Paulo Freire os envolvidos no Movimento de Cultura Popular (MCP) em que Freire tomou parte como um dos seus fundadores juntamente com outros intelectuais e estudantes. O projeto do MCP foi um sucesso absoluto e os números de suas realizações surpreendentes: 19.646 alunos, 452 professores e 174 monitores em 626 turmas, com 201 escolas participantes; uma rede de escolas radiofônicas, centros de artes plásticas e artesanato, entre outras atividades e formas lúdicas de promover a cultura, o aprendizado e a alfabetização de crianças, jovens e adultos, somente na cidade de Recife (PE), no período de 1960 a 1962. Também não se amedrontam com Freire os 300 trabalhadores alfabetizados em 45 dias na localidade de Angicos (RN), projeto que conquistou a simpatia do então presidente da república João Goulart que, através de portaria do Ministério da Educação e Cultura (MEC), determinou a criação da Comissão de Cultura Popular, tendo Freire como presidente. Muito menos teriam medo do Patrono da Educação Brasileira os intelectuais Herbert José de Souza (Betinho), Júlio Furquim Sambaquy, Luiz Alberto Gomes de Souza e Roberto Saturnino Braga, membros dessa comissão presidida por Freire, responsável pelo nascimento do Programa Nacional de Alfabetização (PNA), que através do “Método Paulo Freire”, tinha como objetivo alfabetizar politizando 5 milhões de adultos. Somente no ano de 1964, 2 milhões de alunos seriam formados pelos 20 mil Círculos de Cultura a serem instalados no ano do golpe.
Desde Angicos, os militares aquartelados na caserna – em especial o general Castelo Branco – estavam desconfiados do caráter “subversivo” do método adotado por Paulo Freire. Os movimentos de educação popular constituíam uma grande ameaça para o sustento da antiga situação do país e a direita nunca ocultou sua hostilidade em relação a essas iniciativas. Eles não compreendiam porque, Paulo Freire, um educador católico, teria se tornado um representante dos oprimidos. Nesse período era muito forte o ódio ao comunismo e a campanha contra esse regime ou a qualquer ideia ou movimento que fosse libertador, mesmo que de caráter exclusivamente humanista e, ainda que não tivesse qualquer relação ideológico-partidária direta. Assim, os setores conservadores passaram a atacar o movimento de democratização da cultura, ao perceberem que ali – numa pedagogia da liberdade – estaria o germe da rebelião e passaram a acusar Freire de “comunista”, “subversivo internacional” e “traidor de Cristo e do povo brasileiro”. Neste cenário, o golpe de Estado de 1964 não só interrompeu os esforços envidados no campo da educação popular de adultos, assim como levou Paulo Freire à prisão e depois ao exílio por mais de 15 anos.
Paulo Reglus Neves Freire nasceu às 9 horas da manhã, do dia 19 setembro de 1921, em Recife, no Estado de Pernambuco. Na semana passada, muitas das homenagens dirigidas a Freire ressaltavam que se vivo estivesse estaria completando 98 anos de idade. Todavia, deve-se advertir que Paulo Freire não morreu. Ele está mais vivo do que nunca. A maior prova disso é o medo de Freire que paira sobre seus detratores e perseguidores – do passado e do presente. Estes são, na verdade, quem mais o homenageiam. Estaria, essa gente, assombrada com o seu fantasma (?); ou seria do seu legado de um projeto educacional humanista reconhecido em todo o mundo que os seus antagonistas têm tanto pavor? 
Eles continuarão a se borrar de medo. Pois, Freire não está mais entre nós, corporeamente, para ser preso, exilado ou coisa que o valha. E, no Brasil desse bolsonarismo torpe, a “Pedagogia do oprimido” é uma arma letal para interromper esta ópera-bufa encenada no centro do poder nacional. Para usar mais uma expressão típica desse tempo de truculência sociocultural e linguagem policialesca, para matar Freire seria necessário eliminar seu lugar – definitivamente – já assegurado na história: títulos de Doutor Honoris Causa e outras honrarias acadêmicas em centenas de universidades pelo mundo afora; títulos de cidadão honorário de várias cidades brasileiras; prêmios e homenagens diversas: estátuas, monumentos, pinturas, letra de música e até enredo de escola de samba. Presidente honorário de várias instituições nacionais e internacionais. Auditórios, teatros, salas, bibliotecas, diretórios e centros acadêmicos e ainda, praças, avenidas, ruas, conjuntos habitacionais e estabelecimentos de ensino no Brasil e no exterior, batizados com seu nome. Bolsas de pesquisa de pós-graduação, medalhas, condecorações e diversos prêmios receberam o nome de Paulo Freire, fora os centros de pesquisa, documentação, informação, divulgação e estudos sobre ele em várias nações.
              Nada do que Freire representa pode ser apagado. Muito menos suas ideias que – ultrapassaram continentes, atravessaram décadas, fronteiras e gerações –, continuam presentes e, na atualidade, ganham cada vez mais corpo, diante dessa urgente necessidade de escolarização de um grande contingente de brasileiros, inclusive de parte da classe dominante chamada, equivocadamente, de elite (só se for do atraso). Mas pode-se supor, pela sua vida e sua obra, que tudo isso para Freire era insignificante frente a seu radical e permanente compromisso com os explorados e oprimidos do mundo, onde e quando estivessem.

Este texto foi publicado no jornal  Pensar a Educação em Pauta e no Facebook.

REFERÊNCIA:
OLIVEIRA, Eugênio Magno Martins de. Fernando Birri e Paulo Freire: educação e cinema em diálogo como práticas da liberdade / Eugênio Magno Martins de Oliveira. Tese de doutorado. Belo Horizonte: Faculdade de Educação – FaE / UFMG, 2017.

Imagem de destaque: XXI Fórum de Estudos sobre Paulo Freire UCS-Sinpro Caxias do Sul – 2019. Disponível em: <https://www.sinprocaxias.com.br/noticias/sinpro/sinprocaxias-apoia-xxi-forum-de-estudos-sobre-paulo-freire-na-ucs.html>. Acesso em: 21.09.2019.