Você toma
como verdade, logo de cara, tudo que vê, ouve e assiste e sai por aí, compartilhando
nas redes sociais ou repetindo como papagaio, coisas que você não tem a menor
ideia do que seja, mesmo sem saber de onde veio?
Você já foi enganado/a
por algo que alguém lhe disse, por uma notícia, um político, uma propaganda,
um/a vendedor/a ou por informações em grupos e redes sociais? Se você respondeu
que não, sorte sua. Você ganhou na loteria. Me diga em que planeta você vive
que vou querer morar aí também. Do contrário é alguém que já se desiludiu, se tornou
cético, perdeu a esperança no ser humano... Mas se você respondeu que sim e não
é uma cética, um cético, muito provavelmente gostaria que tais fatos não
tivessem acontecido e que não se repetissem com tanta frequência. Concorda
comigo?
Então me acompanhe neste
raciocínio que é sobre isso que vamos falar. Juntos nós vamos encontrar formas
de responder as várias perguntas, não só as que faço, mas as muitas outras que a vida
sempre nos coloca.
Você sabe tão bem quanto
eu que existe muita gente boa e bem intencionada, mas que também existe um
outro tanto de pessoas mal intencionadas, picaretas, golpistas e enganadoras. E
nesse mundo capitalista, movido pelo interesse e por querer se dar bem a
qualquer custo a todo instante, podemos ser envolvidos em vários estratagemas,
não só em busca de riqueza, vantagens e ascensão social e profissional, mas
também no campo de nossas crenças, torcidas e ideologias, arriscando e sendo
enredado por mentiras, golpes e enganos, tanto nas relações de trabalho, de
amizades, de família, como até mesmo afetivas (do amor), sem contar aquelas
mais comuns e deliberadamente intencionais, do mundo comercial, da política, da
mídia, da religião e da espiritualidade.
E aqui, vão mais algumas perguntas:
você é daqueles ou daquelas que costumam dizer que futebol, política e religião
não se discute? Se não é, certamente, já ouviu muitos amigos e familiares dizerem
isso, não é verdade? Já parou pra pensar de onde, de quem e em que
contexto pode ter surgido essa frase? Quero crer que não é necessário que eu
esmiúce isso tudo, certo? Para não entrar em aspectos filosóficos, psicológicos
e sociológicos, digamos apenas que, papai, mamãe ou uma avó, um tio, ouviu de
alguém, achou interessante e repetiu pra você, porque você era criança e não
dispunha dos recursos cognitivos para compreender do que se tratava, e o mais
conveniente que tal pessoa encontrou naquele momento foi esse aconselhamento. E
digamos que quem aconselhou tivesse certa consciência do que estava dizendo e disse
a frase pensando somente em um dos significados do verbo discutir que é brigar
e considerando a briga como chegar às vias de fato, com agressão física.
Acontece que discutir também significa debater, argumentar, articular,
questionar; e são essas atitudes que nos levam a buscar mais conhecimentos e a
predisposição para a ação do aprendizado e da compreensão para que possamos ter
o mínimo de bagagem para formar uma opinião e emiti-la ou não, dar melhores
respostas ao mundo e fazer frente ao que nos chega. Mas nós, de maneira geral,
não queremos pensar. Ninguém quer ter o trabalho de cuidar da própria vida,
preferimos respostas prontas e colocamos nossas vidas e nossos destinos nas mãos
de outros. Depois, reclamamos que fomos enganados, que nos passaram a perna e
acusamos o outro, os outros, as organizações, a política e os políticos, de
todos os males que nos acontecem, por nos esquecermos da nossa responsabilidade
com nós mesmos e com os nossos semelhantes. E com isso, não quero dizer que os
fatos, as empresas, a economia, as instituições, as desigualdades ou os
governos e os políticos também não têm responsabilidade sobre tudo isso. Claro
que têm. Mas sou eu, enquanto indivíduo, enquanto cidadão, sujeito da história,
que tenho de me juntar aos meus pares e lutar pelas transformações. Para isso,
é preciso sair da inércia, da minha área de conforto e me esforçar para
compreender o que se passa. Tenho de estar municiado dos recursos que me
ajudarão a enfrentar a batalha cotidiana, para que eu não seja massacrado.
Para escaparmos dessa
situação vamos precisar de uma grande variedade de munição, e no mundo em que
vivemos existem uma infinidade de recursos disponíveis, mas é preciso saber
identifica-los, para escolher bem o mais adequado para a nossa necessidade
naquele dado momento. Nesse sentido, a comunicação é uma das mais importantes
ferramentas que você precisa dominar para te ajudar até mesmo a discernir
estratégias para sobreviver nesse novo mundo, e essa é a nossa matéria-prima e
a minha especialidade. Eu venho fazendo várias perguntas e no início da nossa
conversa disse que juntos encontraríamos as respostas. Já dei algumas pistas,
mas vou deixar um roteiro básico pra te ajudar a analisar e interpretar melhor
as informações que você recebe a todo momento e formar a sua opinião.
Sempre que ouvir, assistir, ler, curtir e,
principalmente, for repassar uma informação, procure saber: Quem está dizendo o
que foi dito? Trata-se de alguma autoridade especializada no assunto? Ou é
alguém que ouviu de outra pessoa que disse que tal pessoa ou tal jornal, rádio,
tv ou canal digital noticiou tal coisa? Investigue. Não vá tomando como verdade
tudo que chega até você. Procure saber quem escreveu, falou ou produziu tal
coisa. Baseado em que ou em quais fontes aquilo está sendo afirmado. Essas fontes
têm credibilidade para falar desse assunto específico? Um médico amigo meu
gostava de dizer que muitas pessoas costumam comprar carne na sapataria ou era comprar
sapato no açougue (não me lembro exatamente a frase dele, mas era por aí). E
isso, além de verdade, vem se tornando cada vez mais comum. As pessoas estão
escutando médicos sobre assuntos de política; padres e pastores incentivam o
ódio e o armamentismo; militares querem dar receitas sobre educação; empresários
sobre espiritualidade; políticos sobre criação de filhos; jogadores de futebol,
cantores, atores e artistas, famosos e celebridades em geral, falam sobre tudo
e as pessoas só recorrem aos especialistas quando já está quase tudo perdido. E
a si mesmos, nunca recorrem porque não têm como responder a nada, terceirizaram
tudo e com o agravante de terem terceirizado de forma equivocada não têm nem
mesmo opinião sobre nada, mas esbravejam, defendem o indefensável e falam,
falam pelos cotovelos achando que ter opinião é dizer qualquer coisa que lhe venha
à telha. Talvez nunca souberam que opinião pressupõe convicção, a partir de um
pensar ativo sobre o tema, de apreciações, de conceitos, de se conhecer com
profundidade pelo menos um pouco da história, ou o mínimo dos antecedentes do
assunto para se fazer um julgamento e opinar.
Se você me acompanhou até aqui, mesmo que não concorde
totalmente com as afirmações que fiz, certamente você concorda com o meu raciocínio.
Aliás, eu até te peço que não concorde ou discorde de mim assim, de bate-pronto.
Se não se lembra de tudo que eu disse, leia mais uma vez, encaminhe o texto para alguém da sua confiança e debata sobre o tema, experimente seguir esses
passos, depois tire suas conclusões se isso é válido ou não. Eu poderia deixar
mais uma série de perguntas e muitas outras dicas e até um roteiro mais extenso
para te ajudar, mas pra não complicar muito, responda, no mínimo essas questões
que propus, certifique-se da credibilidade das informações que recebe no seu
dia-a-dia, pesquise sobre o tema em fontes seguras, depois confronte tudo o que
recolheu com seus princípios e valores, para só aí então formar uma opinião,
opinião esta que nem sempre tem que ser expressa. Às vezes, só a compreensão –
para o bem ou para o mal –, do que foi visto, lido ou assistido já é o
bastante, é uma conquista, um aprendizado. E isso é só o começo da jornada.
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