sexta-feira, 24 de julho de 2026

VOCÊ REALMENTE SABE QUEM ESTÁ FALANDO COM VOCÊ?

 


Conteúdo criado por mim, disponível no canal do YouTube, Laboratório de Comunicação e Cultura: https://www.youtube.com/@eugeniomagnolabcomecult .


Quais são as fontes 
das mensagens que recebe?

Você toma como verdade, logo de cara, tudo que vê, ouve e assiste e sai por aí, compartilhando nas redes sociais ou repetindo como papagaio, coisas que você não tem a menor ideia do que seja, mesmo sem saber de onde veio?

Você já foi enganado/a por algo que alguém lhe disse, por uma notícia, um político, uma propaganda, um/a vendedor/a ou por informações em grupos e redes sociais? Se você respondeu que não, sorte sua. Você ganhou na loteria. Me diga em que planeta você vive que vou querer morar aí também. Do contrário é alguém que já se desiludiu, se tornou cético, perdeu a esperança no ser humano... Mas se você respondeu que sim e não é uma cética, um cético, muito provavelmente gostaria que tais fatos não tivessem acontecido e que não se repetissem com tanta frequência. Concorda comigo?

Então me acompanhe neste raciocínio que é sobre isso que vamos falar. Juntos nós vamos encontrar formas de responder as várias perguntas, não só as que faço, mas as muitas outras que a vida sempre nos coloca. 

Você sabe tão bem quanto eu que existe muita gente boa e bem intencionada, mas que também existe um outro tanto de pessoas mal intencionadas, picaretas, golpistas e enganadoras. E nesse mundo capitalista, movido pelo interesse e por querer se dar bem a qualquer custo a todo instante, podemos ser envolvidos em vários estratagemas, não só em busca de riqueza, vantagens e ascensão social e profissional, mas também no campo de nossas crenças, torcidas e ideologias, arriscando e sendo enredado por mentiras, golpes e enganos, tanto nas relações de trabalho, de amizades, de família, como até mesmo afetivas (do amor), sem contar aquelas mais comuns e deliberadamente intencionais, do mundo comercial, da política, da mídia, da religião e da espiritualidade.

E aqui, vão mais algumas perguntas: você é daqueles ou daquelas que costumam dizer que futebol, política e religião não se discute? Se não é, certamente, já ouviu muitos amigos e familiares dizerem isso, não é verdade? Já parou pra pensar de onde, de quem e em que contexto pode ter surgido essa frase? Quero crer que não é necessário que eu esmiúce isso tudo, certo? Para não entrar em aspectos filosóficos, psicológicos e sociológicos, digamos apenas que, papai, mamãe ou uma avó, um tio, ouviu de alguém, achou interessante e repetiu pra você, porque você era criança e não dispunha dos recursos cognitivos para compreender do que se tratava, e o mais conveniente que tal pessoa encontrou naquele momento foi esse aconselhamento. E digamos que quem aconselhou tivesse certa consciência do que estava dizendo e disse a frase pensando somente em um dos significados do verbo discutir que é brigar e considerando a briga como chegar às vias de fato, com agressão física. Acontece que discutir também significa debater, argumentar, articular, questionar; e são essas atitudes que nos levam a buscar mais conhecimentos e a predisposição para a ação do aprendizado e da compreensão para que possamos ter o mínimo de bagagem para formar uma opinião e emiti-la ou não, dar melhores respostas ao mundo e fazer frente ao que nos chega. Mas nós, de maneira geral, não queremos pensar. Ninguém quer ter o trabalho de cuidar da própria vida, preferimos respostas prontas e colocamos nossas vidas e nossos destinos nas mãos de outros. Depois, reclamamos que fomos enganados, que nos passaram a perna e acusamos o outro, os outros, as organizações, a política e os políticos, de todos os males que nos acontecem, por nos esquecermos da nossa responsabilidade com nós mesmos e com os nossos semelhantes. E com isso, não quero dizer que os fatos, as empresas, a economia, as instituições, as desigualdades ou os governos e os políticos também não têm responsabilidade sobre tudo isso. Claro que têm. Mas sou eu, enquanto indivíduo, enquanto cidadão, sujeito da história, que tenho de me juntar aos meus pares e lutar pelas transformações. Para isso, é preciso sair da inércia, da minha área de conforto e me esforçar para compreender o que se passa. Tenho de estar municiado dos recursos que me ajudarão a enfrentar a batalha cotidiana, para que eu não seja massacrado.

Para escaparmos dessa situação vamos precisar de uma grande variedade de munição, e no mundo em que vivemos existem uma infinidade de recursos disponíveis, mas é preciso saber identifica-los, para escolher bem o mais adequado para a nossa necessidade naquele dado momento. Nesse sentido, a comunicação é uma das mais importantes ferramentas que você precisa dominar para te ajudar até mesmo a discernir estratégias para sobreviver nesse novo mundo, e essa é a nossa matéria-prima e a minha especialidade. Eu venho fazendo várias perguntas e no início da nossa conversa disse que juntos encontraríamos as respostas. Já dei algumas pistas, mas vou deixar um roteiro básico pra te ajudar a analisar e interpretar melhor as informações que você recebe a todo momento e formar a sua opinião.

Sempre que ouvir, assistir, ler, curtir e, principalmente, for repassar uma informação, procure saber: Quem está dizendo o que foi dito? Trata-se de alguma autoridade especializada no assunto? Ou é alguém que ouviu de outra pessoa que disse que tal pessoa ou tal jornal, rádio, tv ou canal digital noticiou tal coisa? Investigue. Não vá tomando como verdade tudo que chega até você. Procure saber quem escreveu, falou ou produziu tal coisa. Baseado em que ou em quais fontes aquilo está sendo afirmado. Essas fontes têm credibilidade para falar desse assunto específico? Um médico amigo meu gostava de dizer que muitas pessoas costumam comprar carne na sapataria ou era comprar sapato no açougue (não me lembro exatamente a frase dele, mas era por aí). E isso, além de verdade, vem se tornando cada vez mais comum. As pessoas estão escutando médicos sobre assuntos de política; padres e pastores incentivam o ódio e o armamentismo; militares querem dar receitas sobre educação; empresários sobre espiritualidade; políticos sobre criação de filhos; jogadores de futebol, cantores, atores e artistas, famosos e celebridades em geral, falam sobre tudo e as pessoas só recorrem aos especialistas quando já está quase tudo perdido. E a si mesmos, nunca recorrem porque não têm como responder a nada, terceirizaram tudo e com o agravante de terem terceirizado de forma equivocada não têm nem mesmo opinião sobre nada, mas esbravejam, defendem o indefensável e falam, falam pelos cotovelos achando que ter opinião é dizer qualquer coisa que lhe venha à telha. Talvez nunca souberam que opinião pressupõe convicção, a partir de um pensar ativo sobre o tema, de apreciações, de conceitos, de se conhecer com profundidade pelo menos um pouco da história, ou o mínimo dos antecedentes do assunto para se fazer um julgamento e opinar.

Se você me acompanhou até aqui, mesmo que não concorde totalmente com as afirmações que fiz, certamente você concorda com o meu raciocínio. Aliás, eu até te peço que não concorde ou discorde de mim assim, de bate-pronto. Se não se lembra de tudo que eu disse, leia mais uma vez, encaminhe o texto para alguém da sua confiança e debata sobre o tema, experimente seguir esses passos, depois tire suas conclusões se isso é válido ou não. Eu poderia deixar mais uma série de perguntas e muitas outras dicas e até um roteiro mais extenso para te ajudar, mas pra não complicar muito, responda, no mínimo essas questões que propus, certifique-se da credibilidade das informações que recebe no seu dia-a-dia, pesquise sobre o tema em fontes seguras, depois confronte tudo o que recolheu com seus princípios e valores, para só aí então formar uma opinião, opinião esta que nem sempre tem que ser expressa. Às vezes, só a compreensão – para o bem ou para o mal –, do que foi visto, lido ou assistido já é o bastante, é uma conquista, um aprendizado. E isso é só o começo da jornada.

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