Silêncio
Eugênio Magno
Sendo
Somente
aSSim
Serei
Sempre
aSSim
Somente
(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)
Blog de Eugênio Magno
Silêncio
Eugênio Magno
Sendo
Somente
aSSim
Serei
Sempre
aSSim
Somente
(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)
Palavra: força e fraqueza
Ricardo Lengruber
As palavras são mais do que meras portadoras de significado. Por meio delas, conseguimos tornar a aparente desorganização das coisas em algo minimamente compreensível e, por conseguinte, domável.
Mesmo entre os grunhidos dos nossos ancestrais mais distantes, já estava presente essa busca por fazer a realidade circundante menos selvagem. As pinturas de Lascaux, entre tantos exemplos, revelam que, desde há muito, a busca humana por significar tem por instrumento essencial a palavra, mesmo que sob códigos ainda muito rudimentares.
Essa é razão pela qual a Bíblia, ao menos em dois momentos angulares, faz referência à palavra. A Palavra pela qual o mundo fora criado e a Palavra que se fez carne e armou uma tenda entre os homens. Na narrativa da Criação, em Gênesis 1, "disse Deus: haja luz; e houve luz!" No evangelho de João, capítulo 1, há uma longa reflexão sobre o fato de a mesma palavra criadora – logos – ser aquela que ilumina o mundo e mora entre os homens.
Por meio da Palavra, a Teologia judeu-cristã conseguiu exprimir a absurda diferença entre Deus e os homens, mas, ao mesmo tempo, e por paradoxal que seja, a mais profunda solidariedade e comunhão entre os dois. O totalmente Outro é, agora, por meio da Palavra, um Próximo, semelhante.
A palavra que, ao mesmo tempo, distancia e aproxima (e que é instrumento no gesto criador divino) é emprestada ao ser humano para sua empreitada de nomear e significar seu jardim recém criado. Essa aparente contradição revela que a Palavra parece ter vida própria ou, então, que não pertence a esse ou aquele.
A religião é uma colcha de palavras que pretende significar o mundo que mora dentro das pessoas. Os desafios que o mundo de fora empreende para com o mundo de dentro fizeram com que os homens procurassem um abrigo para se salvaguardar das ameaças tantas. As religiões são formas de enxergar a realidade, mas, acima de tudo, de interpretá-la. Daí o uso mais que instrumental da palavra. Em matéria de religião, a palavra torna-se Palavra e, como tal, ganha caráter sagrado e sacramental.
Dois registros pelos quais a religião se movimenta são baseados na palavra. Tanto o mito quanto o rito da palavra dependem e dela sabem usufruir. Se, por um lado, o mito é a narrativa sobre as profundezas da alma empreendida pela palavra; por outro, o rito é a celebração que a mesma palavra empreende sobre si. Mesmo quando só há o silêncio, a palavra se faz presente exatamente por conta de sua ausência.
Os operadores dos cultos religiosos revelam-se tanto mais eficientes quanto mais capazes são de conduzir e administrar a palavra. A palavra criadora e a palavra que mora entre os homens é aquela que sacralizada no culto religioso e se torna capaz de consolar ou culpar, de confortar ou instigar, de pacificar ou guerrear.
Essa talvez seja a questão na qual residem problemas sérios no mundo das religiões. Como há centralidade da palavra e como os sacerdotes são os seus articuladores, o uso que dela é feito é sempre com vistas à obtenção de determinados resultados. Via de regra, o resultado que se espera é a condução por uma experiência autêntica de encontro do ser humano com o significado de sua existência, mas há que se ter clareza que entre o mundo real e o ideal existe um largo e profundo abismo.
Minha intuição é que isso ocorre porque a vida das palavras nasce da experiência que elas são capazes de impulsionar em seus protagonistas. Palavras ditas e ouvidas que não foram geradas de uma autêntica experiência não conseguem empreender nada em quem as fala ou em quem as ouve. No mundo da religião, todavia, há uma busca séria e legítima por experiência e os sacerdotes conseguem manipular bem essa demanda. Conseguem, por exemplo, ser porta-voz de uma massa imensa que não quer ou não consegue se expressar e, ao invés de ajudá-la a superar tal limitação, a torna cativa de seu discurso e a estimula a mimeticamente seguir seus passos meramente rituais. Isso é o que tem feito a religião ser recorrentemente acusada de ser o “ópio do povo”.
É urgente que se aprenda a observar melhor o conteúdo do discurso em detrimento de sua forma e que não se permita ser conduzido pela força do rito e das emoções que esse gera no coração humano. A potência das palavras – sobretudo as palavras religiosas – emerge quando elas são ditas a partir de um autêntico encontro com seu significado.
Sempre que se permitir ser conduzido por outro, o homem abdica de sua identidade e se torna mero repetidor alienado. Isso ocorre mesmo quando se tem a ilusão de liberdade que o culto religioso pode fazer crer que se experimenta.
A beleza da religião está no fato de conseguir ser o suspiro da criatura oprimida e conseguir nela estimular a busca por liberdade.
Curioso, entretanto, é que esses vocábulos (libertação, cura, vitória, realização etc) fazem parte do dia-a-dia dos templos e sermões, mas não significam exatamente o que essas palavras podem expressar. As palavras dependem de seu contexto, mas, acima de tudo, fazem com que seu meio signifique isso ou aquilo. Assim, no discurso religioso, liberdade expressa obediência e, por meio dela, o suspiro dos oprimidos apenas se emudece.
* O autor é professor de História, Filosofia e Teologia. Doutor pela PUC do Rio de Janeiro
(Fonte: Site do jornal Fórum século XXI)
(Foto: Omar Sobhani / Reuters)
(Foto: Neel Van Eijk /AP/SIPA)
(Fonte: Site Adital)
(Foto: Chandrashekhar Chawan/REX/SIPA)
Silvio Tendler, um cineasta contra a maré
Sílvio Tendler. Ao fundo, grafite da vídeo instalação do Poema Sujo no Espaço Oi, Rio de Janeiro. Acusado por analistas do Fundo Setorial Audiovisual, do Ministério da Cultura (MinC), de não saber fazer roteiro e de que seus filmes têm bilheterias pífias, o cineasta chuta o balde e mostra que, além de conquistar as maiores plateias do mercado brasileiro de documentários – O mundo Mágico dos Trapalhões (1 milhão e 800 mil espectadores), Jango (1 milhão) e Anos JK (800 mil) –, seu Utopia e Barbárie é um dos filmes mais vistos em exibições alternativas.
O ”Sr. Documentário” fala da carreira, projetos e do cinema engajado com a luta pela utopia de Silvio Tendler. Fala também da relação do cinema com a literatura e da batalha que continua a ser fazer filmes no Brasil. Para ler a matéria completa do jornalista e escritor, Oswaldo Faustino, com direito a entrevista e tudo, acesse o site http://www.cineclubebrasil.com.br e procure a revista nº 4, 2011.
Fundador, apresentador e principal ícone do SBT, Sílvio Santos conduz a trajetória da emissora, que sempre teve a Classe C como público alvo. Crédito: Divulgação/SBT
(Foto: Xinhua/Zuma/Visual)

Vasectomia rende carro compacto na ÍndiaA Índia resolveu inovar no controle de natalidade. Preocupadas com o crescimento polucional do país, o segundo mais populoso do mundo, as autoridades indianas costumam oferecer prêmios a quem desiste de ter filhos. O mais novo deles é um Tata Nano (o carro tem motor de 624 cm cúbicos de cilindrada, o mesmo que uma moto). A cidade de Jhunjhunu, no estado do Rajastão, está oferecendo o compacto a homens que aceitarem fazer vasectomia.
As outras recompensas disponiveis são motos e aparelhos de televisão.
O Nano, da indiana Tata Motors, é considerado o carro mais barato do mundo, com preço de US$ 2.500. Com 1,2 bilhão de habitantes, a Índia perde apenas para a China na lista dos países mais populosos do mundo.
(Fonte: BBC)

Foi uma irmã que abriu o coração de Henri Matisse às temáticas da fé, até lhe permitir criar "um dos tesouros mais preciosos que existem no mundo: o conjunto de desenhos, objetos e projetos que, nos anos que vão do final da década de 1940 ao início da década de 1950, ele forneceu para a Capela do Rosário de Vence", revela o diretor dos Museus Vaticanos, professor Antonio Paolucci, por ocasião da inauguração de uma "Sala Matisse", que enriquece agora a partir de hoje o percurso dos visitantes entre os tesouros artísticos contidos na Palácio Apostólico e nos edifícios adjacentes.
A nota é de Giacomo Galeazzi, publicada em seu blog, Oltretevere, 24-06-2011, com tradução de Moisés Sbardelotto.
"Primeiro, lembra o professor Paolucci aos microfones da Rádio do Vaticano, esse grande artista que havia atravessado todas as vanguardas do século XIX, era um homem agnóstico, pelo que se sabe, em matéria de fé. E, depois, encontrou uma freira dominicana, madre Agnes de Jesus. Entre esse homem e essa mulher, se estabeleceu uma relação afetuosa, de estima recíproca entre uma irmã e um artista que já está no crepúsculo da vida – morrerá poucos anos depois – e quer fazer essa homenagem à religião.
Segundo o ex-ministro dos Bens Culturais, o fato mais significativo dessa coleção de cartões preparatórios, é a atenção de um grande artista moderno aos valores da Igreja Católica e à representação visual do drama da Missa.
Esses maravilhosos cartões pintados foram depois doados – reconstrói Paolucci – pelo herdeiro de Matisse, seu filho Pierre, em 1980, aos Museus Vaticanos, porque, alguns anos antes, em 1973, aquele grande intelectual do século XX que responde ao nome de Paulo VI quisera reabrir o diálogo com a arte moderna e contemporânea e, em 1973, abriu o Departamento de Arte Religiosa Moderna e Contemporânea, que ainda existe.
Assim, depois de um trabalho que durou anos, pode-se hoje visitar a exposição dessas fragilíssimas pinturas feitas de papelão". "E vem visita, vê expostos os desenhos preparatórios coloridos para os vitrais, vê expostas as casulas, que parecem prados floridos na primavera, e são muito bonitas, porque – conclui o diretor dos Museus Vaticanos – o gênio de Henri Matisse é justamente este: a sua alegria de viver, a sua capacidade de se admirar, como faz uma criança perante a iridescente beleza do mundo. Vê-se aquele Cristo filiforme, destinado ao altar da Capela, vê-se esse pauperismo feliz. Além disso, ele mesmo chegou a dizer e também a escrever que considerava este adorno da Capela de Vence a sua obra-prima".
Mulheres acima de 70 anos é a faixa etária de maior número no Brasil, 111.674. No Estado são 4.411. Sendo que 16,8% destas mulheres estão no Vale, coincidindo com a faixa etária com o maior percentual de mulheres chefe de família na região. Trata-se de mais uma evidência de desproteção, já que os idosos, assim como as crianças e adolescente, necessitam ser protegidos, conforme garantido no Estatuto do Idoso.
Constata-se que estes grupos familiares chefiados por mulheres necessitam ser radicalmente protegidos por um conjunto de políticas, em vista do seu fortalecimento e garantia de cidadania.
Os indicadores socioeconômicos contribuem para esta análise. O Censo 2010 apresenta muitas informações para ampliar e qualificar este quadro de realidade. O ObservaSinos comprometido com a publicização das informações e com a formação para este acesso e análise, realizará no dia 24 de agosto a Oficina sobre os dados censitários 2010. (Fonte: site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)
Economia Solidária: alcances e limites.