A América para quais americanos?
Eugênio Magno
O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou um vídeo na última
terça-feira (11.08.2026), no qual afirma que “o domínio americano no Hemisfério
Ocidental nunca mais será questionado”. O protagonista do vídeo é o embaixador
dos EUA no Panamá, Kevin Marino Cabrera que cita Donald Trump como o mais
recente defensor da Doutrina Monroe, uma orientação para a política externa do
país, criada pelo ex-presidente dos EUA, James Monroe, em 1823.
A Doutrina estabelecia uma clara separação da influência europeia e
estadunidense no chamado Novo Mundo e defendia a não colonização e a não
intervenção.
Nos primeiros anos do século XX, Theodore Roosevelt alterou a Doutrina
Monroe, dando direito a Washington de intervir em países latino-americanos para
garantir a ordem e impedir a intervenção de potências europeias. A frase, “A
América para os americanos”, resume o ideário da Doutrina Monroe.
O assunto repercutiu em todo o mundo e já são muitas as manifestações de
descontentamento com mais essa investida imperialista dos Estados Unidos.
Mesmo com as ameaças bélicas e as retaliações comerciais é bom lembrar aos desavisados que
o mundo atual é multipolar e a América do Sul não é de ninguém. Há muito deixou
de ser colônia espanhola e portuguesa, explorada por ingleses, franceses e
holandeses. Portanto, não vai ser agora que se tornará propriedade
estadunidense. Tampouco a América do Norte, região que abriga, além dos Estados
Unidos, o Canadá e o México é dos que gostam de ser chamados com exclusividade
de americanos e não se cansam de afirmar que seu país é a América.
Se a América fosse um país, seria o maior do mundo, uma vez que ocupa o segundo maior continente da Terra. E, se assim fosse, americanos seriam os povos do Sul, do Centro e do Norte da América, toda a população desse enorme pedaço do planeta.

